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Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2020

Análise por Rebeca Pinheiro, com comentários e artes de Adriana Perantoni

 

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de novo. Dessa vez com a análise da temporada de Fórmula 1 de 2020. Foi um ano atípico, com cancelamentos e adiamentos de algumas corridas e o ingresso de outras devido à pandemia de Covid-19. No entanto, a FOM se organizou para que a Fórmula 1 continuasse. Mesmo com todos os imprevistos, houve boas corridas, quebras de recordes, e outros momentos marcantes. Sem mais enrolações, vamos recapitular como foi a temporada de cada um dos pilotos.

 

  • Lewis Hamilton

Lewis Hamilton foi o grande vencedor de 2020. Conquistou seu sétimo título mundial com 347 pontos (66 a menos que no ano passado), vencendo 11 das 17 corridas e tendo 14 pódios. Hamilton pontuou em todas as corridas que participou, se ausentando unicamente no Grande Prêmio do Sakhir, pois havia sido diagnosticado com Covid-19. De bônus, quebrou dois recordes: mais vitórias na carreira (95) e mais vitórias vitórias com o mesmo time (74). Além disso, igualou o número de campeonatos de Michael Schumacher e há enormes chances de se tornar octacampeão mundial em 2021. Seu sucesso é fruto de seu talento e trabalho duro, e ninguém pode extinguir seu legado na Fórmula 1.

O inglês também se destacou por seu ativismo antirracista, liderando movimentos de apoio às vítimas de racismo antes de cada corrida. Apesar de muitos torcedores, e até parte da imprensa, terem criticado esta nobre ação, Hamilton cumpriu muito bem o seu papel, não apenas como um dos únicos três pilotos pertencentes a minorias étnicas do grid de 2020 (juntamente com Lance Stroll e Alexander Albon)*, mas também como uma personalidade famosa que pode influenciar a opinião pública. O racismo é algo terrível, que destrói vidas, e é extremamente importante que as pessoas se conscientizem desse mal que assola a humanidade. Deixamos nossos parabéns à liderança de Hamilton na luta contra o racismo.

*Nota: Considerando-se os critérios brasileiros de classificação de minorias étnicas. Se formos adotar o padrão de outros países, como os Estados Unidos, Sergio Pérez seria incluído, por ser latino-americano.

Desejamos que 2021 seja um ótimo ano para Lewis Hamilton, um piloto guerreiro, prudente e talentoso.

Fotos: FIA/F1 handout/EPA | Reprodução / Instagram | Getty Images | Pool via REUTERS | EPA | Getty Images

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Essa temporada foi A temporada para Lewis Hamilton. O britânico quebrou recordes, se consagrou como o melhor de todos os tempos na Fórmula 1, igualou os títulos de Michael Schumacher e brilhou dentro e fora das pistas. Seus protestos por igualdade racial após a morte do americano George Floyd nas redes sociais pressionaram a FIA para fazer algo contra a discriminação e a favor da diversidade no grid, sendo assim, criada a campanha We Race As One (que não tem nada de correr como um só, visto que o britânico foi até investigado por usar uma camiseta pedindo justiça pela morte de outra negra nos Estados Unidos, a jovem Breonna Taylor).

Apesar disso, Hamilton deu um show nas etapas em que disputou (menos Sakhir, na qual estava infectado pela COVID-19) e mostrou que seu talento vai muito além do ótimo carro que guia. Seus erros foram mínimos e quando não errou, pilotou com maestria e deu uma aula na pista. Um momento mais marcante, para mim, além da corrida em que conquistou seu heptacampeonato, foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em que levou seu carro na última volta com um dos pneus dianteiros furados. Essa proeza é para poucos.

 

  • Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2020, com 223 pontos (106 a menos que no ano passado), mas ressalta-se que se não fosse seu pódio no Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria perdido a segunda colocação do campeonato para Max Verstappen. Bottas teve duas vitórias (Áustria e Rússia) e 11 pódios, mas embora tivesse uma certa constância em pontuar (pois ficou fora da zona de pontuação apenas na Grã-Bretanha e Turquia), o finlandês decepcionou em algumas corridas, como Bahrein e Sakhir, as quais terminou em oitavo lugar e teve muita dificuldade para ultrapassar seus adversários. Embora “certas pessoas” tentem relativizar o talento de Lewis Hamilton, reduzindo-o ao bom desempenho do carro da Mercedes, Bottas é a prova de que o carro não anda sozinho. Se o piloto não tem garra o suficiente, o carro não faz milagres. E o finlandês, com o mesmo carro, estava muito atrás do inglês em performance.

Bottas teve duas condutas reprováveis no ano. Uma foi quando fez uma piada contra os chineses, e a outra foi no final do Grande Prêmio da Rússia, quando desferiu palavras de baixo calão a seus críticos. Embora ninguém goste de ser criticado, deve-se diferenciar críticas construtivas de destrutivas. Uma coisa é criticar pilotos que estão começando há pouco tempo e arrumar justificativas patéticas para isso (tal como fez Jacques Villeneuve contra Max Verstappen e Lance Stroll). Outra bem diferente é cobrar bons resultados de um piloto que está no melhor carro do grid. O caso de Bottas se encaixa no segundo tipo. Mandar seus críticos para “aquele lugar” não é uma ação defensiva, mas sim uma imaturidade do atleta que se recusa a fazer uma autocrítica. O próprio Bottas afirmou ter evitado a internet e as notícias após o Grande Prêmio do Sakhir, o qual perdeu a liderança para o novato George Russell* na primeira curva. Pode ter sido uma boa estratégia para fortalecer seu psicológico, mas o finlandês não vai poder se esconder da verdade por muito tempo.

*Nota: Lembrando que George Russell estava em sua primeira corrida pela Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid), por isso foi considerado aqui como “novato”. Russell estava em seu segundo ano na Fórmula 1, mas havia corrido apenas pela Williams.

Desejamos a Valtteri Bottas que 2021 seja um ano melhor, que ele tenha mais prudência nas ações e palavras e que mostre sua função na Mercedes.

Foto: Getty Images

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O que dizer de Valtteri Bottas? O finlandês tem a difícil tarefa de ser companheiro de equipe do melhor do mundo e ainda tem que aguentar um “novato” na espreita, esperando apenas a oportunidade certa de dar um bote em sua vaga na Mercedes. Esse ano, Bottas assumiu mais uma vez o posto de vice e até disse em uma entrevista que acreditava que poderia bater Hamilton. Nem nos seus sonhos, Valtteri.

O finlandês pouco entregou nesta temporada, servindo apenas para ajudar a Mercedes a conquistar com folga o campeonato de construtores. Mesmo quando Hamilton desfalcou a equipe e Russell o substituiu, ele não conseguiu superá-lo, levando uma bela ultrapassagem, dessas que você assiste e se arrepia, no GP de Sakhir. Mais uma temporada morna de um piloto mediano que guia um carro que não merece.

 

  • Max Verstappen

Max Verstappen foi o terceiro colocado do campeonato de 2020, com 214 pontos (64 a menos que no ano passado). Teve duas vitórias (70º Aniversário e Abu Dhabi) e 11 pódios, e como dito na análise de Valtteri Bottas, se não fosse o pódio do finlandês na última corrida do ano, Max teria sido vice-campeão. Verstappen teve cinco abandonos, pontuando em todas as demais corridas. Além disso, o holandês foi um dos dois únicos pilotos de fora da Mercedes a largar da pole position em 2020 (juntamente com Lance Stroll) e um dos três únicos de fora da Mercedes a vencer no ano (ao lado de Pierre Gasly e Sergio Pérez).

Mas nem tudo foi elogiável na temporada de Verstappen. Para começar, ele foi um dos seis pilotos que decidiu não se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Nos treinos do Grande Prêmio de Portugal, fez uma ofensa racista contra Stroll, chamando-o de “mongol”. Ainda que muitos tentem amenizar esta atitude, não é correto associar uma doença mental a uma etnia (por isso que o termo “mongol” é sim, racista), nem insinuar que o adversário tenha tal enfermidade apenas por um acidente (que se forem analisadas as imagens, foi causado não por Stroll, mas por Verstappen). No Grande Prêmio do Bahrein, disse que se algum piloto não quisesse retornar à corrida após o grave acidente de Romain Grosjean, este não merece um assento na Fórmula 1. É lamentável que um dos pilotos mais talentosos do grid, e um dos favoritos da criadora deste site, tenha uma atitude tão baixa e antiética. Verstappen sempre se destacou na Fórmula 1 por sua determinação, resultados brilhantes, e capacidade de calar aqueles que duvidavam de seu potencial. Ele não deveria seguir o exemplo de outros atletas que ficaram conhecidos pelas frases polêmicas. Por este motivo, Max Verstappen é um dos candidatos ao Troféu Boca de Fogo que será dado em 2021 no The Racing Track Awards.

O nível de competitividade da Fórmula 1 em 2020 estava abaixo do esperado. Logo, apesar de ter sido uma presença constante no pódio, Max não teve muitas chances de propiciar um espetáculo aos fãs (uma exceção foi o Grande Prêmio do 70º Aniversário). A Red Bull foi a segunda colocada entre as construtoras porque o desempenho da Ferrari caiu drasticamente, pois a escuderia austríaca ainda não foi capaz de providenciar um carro vencedor a Verstappen que possibilite que ele dispute de igual para igual com Lewis Hamilton. E apesar disso, o holandês ama tanto a equipe que se recusa a sair dela, arruinando suas chances de progredir na carreira e se estagnando como um “piloto de pódios que às vezes vence”. Leia mais sobre isso em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

Desejamos a Max Verstappen que em 2021 ele tenha mais prudência nas palavras e ações, e que tenha mais oportunidades de brilhar.

Fotos: Getty Images / Red Bull Content Pool

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O holandês, mais uma vez, mostrou que é bom no que faz. Pelo menos nas pistas. Verstappen fez parte de 90% dos pódios nesta temporada, completando o top 3 do campeonato junto com Hamilton e Bottas. As falhas do holandês vieram por conta de problemas com seu carro, muitas vezes motivadas pelo motor Honda. Contudo, ele continua tendo atitudes desportivas em relação aos seus rivais, vide seu rádio lamentável no treino livre do GP de Portugal, onde ofendeu Stroll com expressões capacitistas e racistas, no qual até mesmo o governo da Mongólia cobrou uma posição do piloto, o que ainda não teve resposta.

Verstappen ainda precisa amadurecer em suas atitudes com seus colegas de trabalho e espero que no ano que vem, episódios desse tipo não aconteçam, sejam dele ou de qualquer outro piloto no grid.

 

  • Alexander Albon

Alexander Albon foi o sétimo colocado de 2020, com 105 pontos (13 a mais que no ano passado). Teve dois pódios (terceiro lugar na Toscana e no Bahrein) e apenas um abandono, no Grande Prêmio do Eifel, pontuando em 12 corridas de um total de 17. Embora a Red Bull estivesse mais forte nesse ano devido ao fracasso da Ferrari, Albon não conseguiu acompanhar o desempenho de Max Verstappen, oscilando constantemente entre o sexto e o décimo lugar, o que não é desejável para um piloto de equipe de ponta. Apenas na Estíria e em Abu Dhabi que o tailandês conseguiu o quarto lugar e se aproximou do companheiro.

Devido a uma série de fatores, Albon foi rebaixado à posição de terceiro piloto da Red Bull. Sergio Pérez o substituirá como piloto titular. O mexicano teve de sair da Racing Point após Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprar ações da futura dona da equipe, a Aston Martin. Consequentemente, o tailandês foi sacrificado por uma pressa da Red Bull em ter dois pilotos competitivos o suficiente para agradar Helmut Marko. Havia muita pressão em Albon para ser como Verstappen desde que o tailandês substituiu Pierre Gasly em 2019, e infelizemente teve o mesmo destino do francês. Albon teve pouco tempo para desenvolver todo o seu potencial. Para entender melhor a situação, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Desejamos a Alexander Albon boa sorte nessa nova etapa da carreira e que em 2021 apareça uma boa oportunidade para superar a frustração desse rebaixamento injusto.

Fotos: FIA Pool Image for Editorial Use

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O que parecia uma temporada promissora para Albon, logo mostrou-se sua temporada de despedida (por enquanto). Logo na primeira corrida, Albon se envolveu em um acidente com Hamilton, muito parecido com a colisão do GP do Brasil do ano passado. E a partir daí, parece que o tailandês diminuiu, quase sumiu. Nem seus dois pódios foram o bastante para ele se reerguer e mostrar ao que veio.

Na minha opinião, parece que ele desistiu. A pressão imposta pelos dirigentes da equipe taurina é cruel, temos Gasly como um exemplo recente, mas o tailandês se apequenou diante das dificuldades. Em um de seus rádios, após quase colidir com Gasly, o tailandês disse que “eram duros demais com ele” na pista. Tanto Horner quanto Helmut Marko se aproveitaram dessa brecha e começaram a fazer seus costumeiros jogos mentais com Albon, soltando uma nota aqui na imprensa, outra acolá em uma entrevista após a corrida. Mas não adiantou, Albon foi rebaixado ao cargo de piloto reserva da Red Bull Racing para 2021. Espero que o tailandês se reerga e ache seu lugar, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria, encontrando uma equipe que o acolha, ao invés de simplesmente tratá-lo como a Red Bull o tratou.

 

  • Sergio Pérez

Sergio Pérez foi uma das grandes surpresas de 2020. Terminou o campeonato em quarto lugar, com 125 pontos (73 a mais que no ano passado). Apesar de ter ficado de fora de duas corridas (Grã-Bretanha e 70º Aniversário) devido à Covid-19, o mexicano foi bem consistente, pontuando em 13 corridas, tendo um pódio na Turquia (segundo lugar) e uma incrível vitória no Sakhir (a primeira de sua carreira). Esta ocorreu após Pérez ser tocado por Charles Leclerc e obrigado a trocar os pneus ainda na primeira volta. Por esta razão, sua vitória é candidata ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards em 2021.

Por muito pouco, o mexicano não ficou de fora do grid do ano que vem. Isso porque depois que Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprou as ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point, a equipe inglesa não renovou o contrato de Pérez para que o alemão se juntasse ao time. Obviamente, a imprensa tentou culpar Lance Stroll pela situação, mesmo que o canadense não tivesse culpa nenhuma disso. Mas os fatos não mentem: Vettel sabia que estava sem opções para 2021 e preferiu garantir seu assento comprando-o (ou alguém realmente acredita que ele investiria em uma equipe na qual não teria interesse em participar?). Temos duas fontes muito confiáveis dessa informação: as matérias de Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), e de Sergio Quintanilha no portal Terra (veja aqui). Para entender o caso como um todo, leia e “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Seria muito ruim se Pérez ficasse de fora do grid (leia mais em “A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina”), mas há males que vêm para o bem, e o piloto agora está oficialmente em uma equipe de ponta. Um aviso aos fãs de Pérez: o inimigo de vocês não se chama Lance Stroll, nem Lawrence Stroll (que, inclusive, estava hesitante com o ingresso de Vettel, mas seus sócios eram a favor), o inimigo de vocês se chama Sebastian Vettel. Demos as fontes para vocês checarem. O que houve é que o alemão não quis colher o que plantou e usou uma ferramenta poderosa para se manter no grid: o dinheiro.

Desejamos a Sergio Pérez que 2021 seja um ano de muito sucesso e realizações.

Fotos: Motorsport Images | Glenn Dunbar

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A temporada foi emocionante para Pérez, em todos os sentidos. Como esperado, o mexicano teve resultados consistentes no começo da temporada, conquistando bons pontos e colocações nas corridas. Até que, antes do GP da Inglaterra, Pérez testou positivo para a COVID-19, perdendo assim duas corridas. Ao retornar, no GP da Espanha, ele conseguiu um bom quinto lugar (quarto, se não fosse por uma punição) e algumas corridas depois, anunciou sua saída da Racing Point no final da temporada para dar lugar a Sebastian Vettel. A notícia veio como uma surpresa para o mexicano, que até então, tinha um contrato até 2021. Mesmo com essa notícia, Pérez conseguiu três pódios e sua primeira vitória, no GP de Sakhir.

Ano que vem, Checo correrá pela Red Bull, tendo assim sua segunda chance em uma equipe de ponta (a primeira foi com a McLaren em 2013, o que não deu certo graças ao péssimo carro daquele ano). Será que veremos o mexicano mais vezes no degrau mais alto do pódio? É o que esperamos.

 

  • Lance Stroll

Ah, Lance Stroll… o piloto que fez a criadora do site ficar igual ao Hiashi Hyuuga em pelo menos três corridas (fãs de Naruto entenderão a referência). O canadense marcou 75 pontos (54 a mais que no ano passado), o mesmo total de Pierre Gasly. Se não tivesse aberto passagem a Esteban Ocon na última volta do Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria conseguido um ponto a mais e terminado o campeonato em décimo. Por causa dessa “gracinha” desnecessária, o critério de desempate entre Stroll e Gasly foi o número de vitórias. Com isso, o francês ficou em décimo lugar e o canadense em décimo primeiro. Vou me abster de comentar mais sobre isso, senão vou ao cartório mudar meu nome oficialmente para Hiashi.

Stroll conseguiu dois pódios em 2020, na Itália e no Sakhir (chegando em terceiro em ambas as corridas), teve a primeira pole position da carreira na Turquia, e ótimas atuações na Hungria e na Espanha. Apesar dos contratempos, Lance pontuou em 10 corridas. Alguns fatores o atrapalharam, como a Covid-19 (que o tirou do Grande Prêmio do Eifel), um acidente provocado por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Rússia e, principalmente, a incompetência dos estrategistas de sua equipe (que impediram seu pódio na Turquia). Os erros grosseiros da Racing Point nos pit stops são uma das prova de que Stroll não tem privilégios na equipe (se tivesse, no mínimo teria pedido ao pai para demitir esse estrategista “jênio” que não acerta uma). E antes que alguém abra a boca para falar do caso de Sergio Pérez, que teve de sair da Racing Point para dar lugar a Sebastian Vettel, saiba que o motivo dessa mudança foi a compra de ações da Aston Martin por Vettel (pode checar as matérias de Adam Cooper (veja aqui) e de Sergio Quintanilha (veja aqui)).

Ainda em 2020, Stroll teve atitudes louváveis, como o apoio às vítimas de racismo, o cavamento de poços d’água na Gâmbia e a doação à Fundação do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Além disso, se mostrou um gentleman e respondeu com classe às grosserias de Max Verstappen e Lando Norris (provando que os indígenas não são “selvagens” e que nem sempre os europeus agem como “civilizados”).

Desejamos a Lance Stroll um 2021 ainda melhor, com muito sucesso e realizações. E um conselho meu: preste atenção em suas amizades.

Fotos: Getty Images | Pool via REUTERS | Wires Pool

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A temporada de Stroll foi agridoce. Com bons resultados no começo da temporada, o canadense mostrava confiança, talvez nunca vista antes. Um terceiro lugar na classificação no GP da Hungria e seu pódio em Monza foram fatores decisivos para a tal confiança. Porém, uma onda de azar o atingiu: abandonos, batidas e até COVID-19 são incluídos nessa lista. Porém, após ter um pouco de dificuldades em se recuperar totalmente do COVID, Stroll respondeu às críticas na pista: ele foi o único piloto além de Bottas, Hamilton e Verstappen a conquistar uma pole (Turquia), a primeira de sua carreira e ainda conquistou o pódio em Sakhir, garantindo a primeira dobradinha no pódio para a Racing Point.

Mesmo sendo superado por Pérez, sofrendo com erros de estratégia (se comparados a Pérez, estes foram mínimos) e tendo vários infortúnios durante a temporada, Stroll consegue tirar alguns pontos bons dessa temporada. Basta esperar para ver o que a Aston Martin reserva para Stroll.

 

  • Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. terminou o ano em sexto lugar, com 105 pontos (nove a mais que no ano passado). Teve um pódio na Itália (segundo lugar), pontuou 12 vezes, e seu pior momento foi no Grande Prêmio da Bélgica, pois um problema no motor o impediu de largar. Sainz teve apenas dois abandonos, na Toscana e na Rússia.

Assim como Max Verstappen, o espanhol teve momentos lamentáveis referentes a suas condutas. Antes da temporada começar, ele havia feito uma piada contra os chineses, e depois foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Tais comportamentos não são aceitáveis a um piloto com tanta visibilidade, que ainda por cima correrá pela Ferrari em 2021 após a demissão de Sebastian Vettel.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. que 2021 lhe traga mais sabedoria e consciência, para que possa ter uma temporada com um bom aproveitamento do carro e dar um bom exemplo aos ferraristas.

Foto: XPB Images

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De saída da McLaren em sua melhor temporada, Sainz teve seus bons momentos na temporada. O segundo lugar em Monza (que, se não fosse por um erro na relargada, o espanhol tinha grandes chances de vencer aquela corrida) foi o ponto alto de Sainz. Em uma disputa equilibrada com Norris, o espanhol mostrou que consegue desafiar seus companheiros de equipe mas, ao meu ver, ele ainda foi ofuscado pelo britânico. Minhas diferenças com Sainz, seja pela falta de respeito e sensibilidade à Lewis Hamilton ao não ajoelhar antes das corridas e também, ao episódio xenófobo protagonizado em uma parceira paga por um de seus grandes patrocinadores me impede de prestar mais atenção no espanhol.

Confiante com a recuperação da Ferrari para a próxima temporada, ele diz que não se arrepende em ter deixado o time de Woking… Vamos aguardar para ver se o arrependimento vai bater em 2021 e se ele resistirá à pressão de Leclerc, que está longe de ser um Norris da vida.

 

  • Lando Norris

Lando Norris terminou o ano em nono lugar, com 97 pontos (48 a mais que no ano passado). Conseguiu seu primeiro pódio da carreira no Grande Prêmio da Áustria, após Lewis Hamilton ter sido punido por colidir com Alexander Albon. Além disso, pontuou 12 vezes e só teve um abandono, no Grande Prêmio do Eifel. Apesar de ter se ajoelhado em solidariedade às vítimas de racismo, Norris tentou “passar pano” para aqueles que não se ajoelharam, o que levou a um questionamento dos motivos por sua escolha: se realmente se importava com o racismo, ou se participou do ato apenas para se promover. Mas esta não foi a única polêmica do inglês neste ano.

Infelizmente, o comportamento infantil de 2019 se repetiu em 2020. No Grande Prêmio da Bélgica, ofendeu seu engenheiro com palavrões por ele ter apenas alertado o piloto sobre suas saídas do traçado. Na Itália, apesar de ter cometido uma infração (ter sido excessivamente lento no pit stop), reclamou de Lance Stroll por trocar os pneus durante a bandeira vermelha (apesar de isto estar de acordo com o regulamento), demonstrando despeito pelo canadense ter tido um pódio na corrida e ele não. No Eifel, agiu grosseiramente com sua equipe. Mas a conduta mais lamentável ocorreu no Grande Prêmio de Portugal, quando ofendeu dois pilotos: primeiro, esbravejou contra Lance Stroll devido a uma colisão e disse que o canadense “nunca aprende com seus erros” (como se Norris aprendesse, pelo que vemos aqui), depois desmereceu o sucesso de Lewis Hamilton em uma entrevista, afirmando que seus resultados se davam pelo piloto da Mercedes “ter o melhor carro”. Como sua fala não foi bem recebida pelos torcedores, Norris se retratou no dia seguinte, mas não da maneira mais correta, dizendo que disse coisas ruins sobre “certas pessoas”, revelando falta de humildade e de autocrítica, por não ter coragem de dizer os nomes dos pilotos que ofendeu.

No entanto, a equipe de marketing por trás de Norris merece um prêmio, pois mesmo com todas essas atitudes, a mídia ainda o trata como um piloto perfeito, e seus fãs o defendem com unhas e dentes, mesmo quando está nitidamente errado (se fosse outro piloto agindo dessa forma, já teria sido linchado). A própria Fórmula 1 parece supervalorizá-lo, pois Norris aparece mais nas postagens da categoria no Instagram do que o próprio Hamilton, que é campeão. Devido à sua conduta antiética em 2020, principalmente no Grande Prêmio de Portugual, Norris é candidato ao Troféu Boca de Fogo no The Racing Track Awards. Isso não significa que temos algo contra ele pessoalmente (uma de nossas colunistas é fã dele e outra divide o aniversário com ele), mas devemos ser coerentes: elogiar o que deve ser elogiado (como ter usado o capacete desenhado por uma fã de 6 anos no Grande Prêmio da Grã-Bretanha) e criticar o que deve ser criticado. Aqui, todos os pilotos são iguais, nenhum está acima de outro para receber tratamento privilegiado.

Desejamos a Lando Norris que em 2021 ele “dê o exemplo” e realmente aprenda com seus erros. Apesar de seu pai se chamar Adam, não fica bem para um piloto agir como o príncipe antes de ser transformado em Fera (fãs da Disney entenderão a referência).

Foto: Pirelli

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Em sua segunda temporada, Norris foi a peça chave para o triunfo da McLaren e a evolução da histórica equipe para chegar ao terceiro lugar no campeonato de construtores. Com contrato confirmado para a próxima temporada, o britânico não perdeu tempo em mostrar que seu bom desempenho em 2019 não foi apenas fogo de palha e logo na primeira corrida da temporada, conseguiu seu primeiro pódio: um terceiro lugar no GP da Áustria. Dessa corrida em diante, seus resultados foram consistentes e ele não teve medo de desafiar os pilotos mais experientes na pista, vide sua disputa por posições na ultima volta com as duas Racing Point e Ricciardo no GP de , na qual ele levou a melhor.

Se Norris conseguiu se manter estável e obter bons resultados para seu campeonato e de sua equipe com um motor Renault – que no bólido da McLaren, não teve problemas de confiabilidade -, ele também pode incomodar seus concorrentes mais próximos no ano que vem, já que a McLaren terá motores Mercedes. Basta esperar e ver. E como Rebeca bem observou na análise, espero que Lando reveja suas atitudes, inclusive sua “boca de fogo”.

 

  • Pierre Gasly

Pierre Gasly terminou o ano com 75 pontos (20 a menos que no ano passado), em décimo lugar. Se 2019 foi um ano decepcionante, por não ter conseguido acompanhar o desempenho de Max Verstappen e ter sido rebaixado de volta para a Red Bull, em 2020 Gasly renasceu das cinzas como uma fênix e conseguiu sua primeira vitória da carreira, no Grande Prêmio da Itália, que concorre ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards. O francês pontuou em 10 corridas e teve três abandonos (Hungria, Toscana e Emília-Romanha).

Gasly provou que os pilotos têm tempos diferentes de adaptação, e que a Red Bull age de maneira impulsiva com seus pilotos, exigindo perfeição a curto prazo. Isso acaba sacrificando a reputação e o trabalho de jovens atletas, como foi o caso de Alexander Albon, que substituiu o francês em 2019 e sofreu o mesmo destino em 2020. A vitória na Itália trouxe os holofotes para Gasly, e há especulações de que a Alpine (futuro nome da Renault) planeja contratá-lo em 2022. Vamos aguardar novas informações sobre este caso.

Desejamos a Pierre Gasly muito sucesso para 2021 e esperamos que seus resultados sejam ainda melhores.

Fotos: XPB Images/PA Images

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Monza foi uma das corridas mais emocionantes dessa temporada e muito dessa emoção é devido ao triunfo de Gasly. Ver uma vitória inesperada após diversos pódios com os mesmos pilotos foi um alívio e ver Gasly tendo a sua primeira vitória com a Alpha Tauri, um ano após ser rebaixado da Red Bull por “falta de resultados” foi emocionante. Lembro que vi uma entrevista em que Gasly disse que, após ser rebaixado ao time B da Red Bull, Anthoine Hubert, um de seus amigos de longa data, lhe ligou e disse “prove que eles estão errados” e de fato, ele provou. Além disso, provou que em um ambiente de trabalho saudável, consegue entregar os resultados esperados. Sua vitória foi um misto de sorte e talento, no qual o último foi provado no restante da temporada.

 

  • Daniil Kvyat

Daniil Kvyat terminou a temporada no décimo-terceiro lugar, com 32 pontos (cinco a menos que no ano passado). Pontuando em sete corridas, o russo teve como seu melhor resultado o quarto lugar no Grande Prêmio da Emília-Romanha. Dessa vez, Kvyat esteve bem abaixo de Pierre Gasly em termos de desempenho. Além disso, um episódio lamentável foi sua recusa em se ajoelhar em apoio às vítimas do racismo.

O ex-namorado de Kelly Piquet não largou o jeito “torpedo” de direção. Embora não tivesse culpa, ele quase se envolveu no acidente com Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, e na mesma corrida, dessa vez por sua culpa, colidiu com Lance Stroll e tirou o canadense da prova. Por causa disso, Kvyat é um dos candidatos ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. O estilo barbeiro e o desempenho abaixo do esperado contribuíram para a decisão da AlphaTauri de demití-lo para dar lugar ao japonês Yuki Tsunoda (a quem desejamos boa sorte). O russo agora deve repensar sua carreira pois sua imprudência lhe custou a vaga, como houve com Esteban Ocon em 2018 e Sebastian Vettel na Ferrari em 2020 (talvez se Kvyat tivesse comprado ações de algum time, teria se mantido no grid tal como fez Vettel).

Desejamos boa sorte a Daniil Kvyat em 2021, seja qual for seu destino.

Foto: Planet F1

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Em sua terceira passagem pela AlphaTauri (as duas anteriores foram com a Toro Rosso), Kvyat não impressionou e mais uma vez, foi superado pelo seu companheiro de equipe. Não se sabe ao certo o porquê o russo ficou tão longe de Gasly mas isso não agradou a alta cúpula taurina, que o dispensou de forma fria no final da temporada. Sem saber ao certo seu futuro na categoria, Kvyat diz adeus a Fórmula 1, com uma temporada fraca e com vários incidentes em seu currículo, reforçando apenas a alcunha de “torpedo”.

 

  • Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo foi o quinto colocado de 2020, com 119 pontos (65 a mais que no ano passado). O ítalo-australiano teve dois pódios (terceiro lugar no Eifel e na Emília-Romanha) e pontuou 14 vezes, tendo apenas um abandono, na Áustria. Sua atuação também foi elogiável na Grã-Bretanha, BélgicaToscana. Embora longe de seus dias áureos, ele teve um grande avanço em relação a 2019, e no ano que vem estará na McLaren em busca de resultados melhores.

Ricciardo é um dos pilotos mais inteligentes do grid, e a troca da Renault pela escuderia inglesa é uma decisão muito boa, pois o time tem muito a ganhar com a experiência e conhecimento automobilístico do piloto. Ao mesmo tempo, a Renault de mostrou indigna de tê-lo como atleta, pois focou mais em tentar desqualificar suas concorrentes do que em melhorar seu carro, agindo de maneira hipócrita dado o seu histórico. Leia mais em “Renault: Um Passado Que Condena”.

Desejamos a Daniel Ricciardo boa sorte em sua nova etapa da carreira e que 2021 lhe traga sucesso e brilho.

Fotos: Formula 1 via Getty Images

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Em sua temporada de despedida da Renault, com um carro um pouco melhor comparado ao ano de 2019, Ricciardo surpreendeu ao conquistar dois pódios nos GPs de Eifel e Emilia Romagna. O australiano ficou no ‘quase’ em outras ocasiões também, como no GP de Toscana, perdendo a terceira posição para Albon. Só sei que, depois dos dois ataques de nervoso que eu tive em seus pódios, o australiano terá que pagar minhas consultas na terapia.

Em muitas análises, eu bati na tecla que o carro é um fator importante nos bons resultados mas nada adianta ser um piloto mediano. Ricciardo evoluiu durante a temporada junto com seu carro e conseguiu tirar leite de pedra em muitas ocasiões. De destino certo para a McLaren no ano que vem, o australiano tem ótimos motivos para não tirar o sorriso do rosto, contando com a evolução da equipe “papaia” e com uma chance de voltar ao pódio mais vezes. Será bom ver Ricciardo sendo, de fato, competitivo mais uma vez.

 

  • Esteban Ocon

Como previsto pelo The Racing Track em 2019, Esteban Ocon precisou desatar os laços com a Mercedes para conseguir voltar à Fórmula 1. A Renault lhe deu uma chance, substituindo Nico Hülkenberg, e o hispano-francês terminou a temporada em décimo-segundo lugar, com 62 pontos. Nota-se que seu retorno não foi tão celebrado pela mídia quanto sua saída foi lamentada em 2018. Para entender as razões disso, leia “Entenda o Caso Esteban Ocon”. Conseguiu seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Sakhir (segundo lugar) e pontuou 10 vezes. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Lamentavelmente, embora tenha crescido como atleta, Ocon ainda manteve um perfil imaturo como em 2018. Por motivos pessoais, decidiu não cumprimentar Pierre Gasly por sua vitória no Grande Prêmio da Itália, demonstrando falta de espírito esportivo (uma coisa que sempre lhe faltou, veja os casos na matéria citada no parágrafo anterior). Apesar de sua conduta antiesportiva, Ocon parece encantar alguns como o canto de uma sereia. Uma de suas vítimas é Lance Stroll, que acredita fielmente que o hispano-francês é seu amigo mesmo com todas as sacanagens que ele aprontou para o canadense.

Desejamos a Esteban Ocon mais sabedoria para 2021, para que sua postura mude e ele possa alcançar melhores resultados.

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Foto: Formula 1 via Getty Images

O francês ficou um ano longe da Fórmula 1 após a demissão da Racing Point no final de 2019 e quando voltou, provou que ainda é o piloto arrojado que conhecemos. Mesmo com alguns abandonos e perdendo de lavada de Ricciardo tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, Ocon não deixou que isso o abalasse e terminou a temporada de forma consistente, conquistando seu primeiro pódio em Sakhir.

Ano que vem, o francês enfrenta o bicampeão Fernando Alonso, que também não deixa barato as disputas nas pistas e muito menos fora delas. O gênio do espanhol colidirá com o de Ocon ou a versão good vibes do francês continuará por mais tempo? Essa será uma disputa interessante de se ver. Netflix, trate de filmar tudo.

  • Sebastian Vettel

Sebastian Vettel terminou 2020 no décimo-terceiro lugar, com 33 pontos (207 a menos que no ano passado). Sua temporada foi drasticamente diferente em relação à anterior: teve apenas um pódio (terceiro lugar na Turquia) e pontuou em apenas seis corridas. Em compensação, teve dois únicos abandonos (Estíria e Itália). Nota-se que o carro da Ferrari teve um desempenho muito abaixo do esperado, e não pode-se considerar que ela foi uma equipe de ponta em 2020. Outro ponto a ser considerado é que a escuderia italiana decidiu não renovar o contrato do alemão para 2021 antes mesmo da temporada de 2020 começar, o que agravou o mal-estar entre piloto e time. Ele será substituído por Carlos Sainz Jr.

A verdade é que os acidentes e a imprudência de Vettel contribuíram para a decisão da Ferrari (leia mais em “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”), mas o alemão não se deu por vencido e se recusou a tirar um ano sabático. Comprou ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point e movimentou o mercado de pilotos: Sergio Pérez teve de sair para que Vettel entrasse, indo para a Red Bull e substituindo Alexander Albon (leia mais em “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”). A mídia, como sempre, tentou culpar um piloto indígena inocente para não admitir que o europeu estava nitidamente comprando vaga. A prova das intenções de Vettel foi o desdém deste pela situação de Pérez (pode checar na reportagem de Adam Cooper aqui).

É triste que um tetracampeão tenha recorrido a isto para permanecer no grid, e é por seu passado glorioso na Red Bull que alguns torcedores duvidam de sua manobra. Mas daí fica a pergunta: Por que Vettel investiria seu dinheiro em uma equipe que não fosse de seu interesse?

Desejamos que em 2021 Sebastian Vettel se recupere de seu prejuízo em 2020 e tenha uma temporada com ótimos resultados.

Foto: Scuderia Ferrari Press Office

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Sua última temporada na Ferrari deixou um gosto amargo na boca do alemão. Pilotar para a escuderia era o sonho de Vettel, que deixou a Red Bull no final de 2014 para tentar o tão sonhado pentacampeonato com a mesma equipe que viveu tempos de glória com Schumacher, seu ídolo. Porém, o sonho não foi bem assim. Quase sempre ficando no quase, Vettel deu seu adeus aos italianos com um dos piores carros que pilotou na carreira, apostando na promessa da Aston Martin em 2022.

Muitas vezes, o alemão tinha que traçar suas próprias estratégias durante a corrida e mesmo assim, seus resultados foram abaixo da média. Seu pódio na Turquia pode ser considerado como um presente de Leclerc, talvez de despedida, quem sabe. Ironicamente, acabou no pódio com seu rival nas pistas por alguns campeonatos – Hamilton – e viu o britânico conquistar um sonho que ele tinha, se igualar a Schumacher e, justamente o piloto que substituirá na próxima temporada – Pérez. Vamos ver se a Aston Martin consegue manter os resultados consistentes ano que vem, dando assim um alívio ao alemão.

 

  • Charles Leclerc

Charles Leclerc foi outra vítima do fraco desempenho da Ferrari em 2020. Terminou o campeonato em oitavo lugar, com 98 pontos (166 a menos que no ano passado), tendo apenas dois pódios (segundo lugar na Áustria e terceiro na Grã-Bretanha) e pontuando em 10 corridas. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Sua melhor sequência de pontuações foi entre os Grandes Prêmios da Toscana e do Bahrein, oscilando entre o quarto e o décimo lugar. Leclerc enfrentou muita dificuldade para superar seus adversários, dirigindo uma Ferrari longe de ser competitiva, mas teve algumas atuações boas, como na Toscana. Entretanto, sua colisão com Lance Stroll no Grande Prêmio da Rússia (e sua recusa em se desculpar por algo que ele assume ser de sua responsabilidade) lhe rendeu uma indicação ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. Além disso, Leclerc foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, e se mostrou indignado com as acusações por parte da mídia e dos torcedores de que ele fosse racista. O piloto deve estar ciente de que suas decisões estão sujeitas a interpretações, mas foi louvável que ele tenha condenado o racismo em declarações posteriores.

Desejamos a Charles Leclerc sucesso em 2021 e esperamos que ele tenha mais chances de demonstrar seu potencial.

Fotos: 2020 Pool | Formula 1 via Getty Images

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Com o carro (se é que podemos chamar o SF1000 de carro) desafiador que tinha em mãos, Leclerc superou as expectativas em algumas corridas e levou algum sorriso aos tifosi nessa temporada. O monegasco conseguiu dois pódios – na Áustria e na Inglaterra – e assim, não deixou que a Ferrari ficasse em uma posição mais difícil do que já se encontrava.

Porém, nem tudo são flores. Leclerc teve alguns erros questionáveis durante algumas corridas. Na Estíria, quando colidiu com Vettel em uma manobra horrorosa; na Turquia, quando escapou da pista e deu de bandeja o pódio para Vettel e em Sakhir, em que colidiu com Pérez e Verstappen, causando o seu próprio abandono e o de Verstappen, além de deixar Pérez em último (o final desse GP já sabemos) e se fez de desentendido ao perguntar a Verstappen o que tinha acontecido. Se fazer de bobo não colou muito bem, nem com o holandês e nem com o público. Resta ver se ano que vem, o monegasco consegue “meter o louco” para cima de Sainz.

Apenas para adicionar ao parágrafo de Rebeca sobre Leclerc e o ato de não ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, no Twitter, Leclerc curtiu alguns tweets duvidosos (leia-se mentirosos) sobre o movimento Vidas Negras Importam, o que caiu mal para alguns fãs; além de ter quebrado a sua bolha durante alguns fins de semanas de corridas. Cadê a consciência e empatia, Charles?

 

  • Romain Grosjean

Romain Grosjean terminou o ano em décimo-nono lugar, com apenas dois pontos (seis a menos que no ano passado), resultantes de sua única pontuação na temporada, o nono lugar no Grande Prêmio do Eifel. Infelizmente, seu momento mais notável foi seu grave acidente no Bahrein (do qual, graças a Deus, saiu apenas com queimaduras nas mãos), que o impediu de correr no Sakhir e em Abu Dhabi. Nestas corridas, foi substituído por Pietro Fittipaldi.

Devido ao seu desempenho bem abaixo do desejado, a Haas optou por não renovar seu contrato para 2021. Com isso, o francês não estará no grid no ano que vem. O time americano contratou o russo Nikita Mazepin para substituí-lo, mas seu ingresso está acompanhado de controvérsias, pois o piloto compartilhou um vídeo impróprio no Instagram e, embora a Haas tenha sido pressionada a substituí-lo, ela não quer perder os investimentos de Dmitry Mazepin, pai de Nikita.

Desejamos a Romain Grosjean boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: acervo pessoal | Instagram

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Em mais uma temporada, Grosjean foi deixado na mão por seu carro, raramente conseguindo um bom resultado durante as corridas em que disputou. Pouco tempo depois de descobrir que não ficaria com a vaga para 2021 e seria substituído por Mick Schumacher, o francês se envolveu em um acidente impressionante durante o GP de Bahrain, que encerrou sua temporada duas corridas antes.

O francês compartilha sua recuperação pelo seu Instagram pessoal e com seu conhecido bom humor, Grosjean mostra sua evolução e tranquiliza os fãs que testemunharam o acidente.

 

  • Kevin Magnussen

Kevin Magnussen terminou 2020 em vigésimo lugar, com apenas um ponto (19 a menos que no ano passado), resultado de sua única pontuação no campeonato: o décimo lugar no Grande Prêmio da Hungria. Embora o grid conte com 20 pilotos, as enfermidades de Sergio Pérez, Lance Stroll, Lewis Hamilton e Romain Grosjean levaram outros três pilotos a ingressar oficialmente no campeonato (Nico Hülkenberg, Pietro Fittipaldi e Jack Aitken). Magnussen foi o último colocado entre os que marcaram pontos em 2020.

Assim como houve com Grosjean, a Haas não ficou satisfeita com o desempenho do dinamarquês e decidiu não renovar seu contrato. Ele será substituído por Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, em 2021.

Desejamos a Kevin Magnussen boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: XPB Images

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Ironicamente, a melhor coisa que Magnussen fez durante a temporada foi seu abandono durante o GP de Monza, causando a primeira de muitas confusões. Além disso, o dinamarquês pouco evoluiu durante a temporada e assim como Grosjean, foi dispensado e será substituído por Nikita Mazepin, que também tem atitudes questionáveis.

 

  • Kimi Raikkonen

Kimi Raikkonen terminou o campeonato no décimo-sexto lugar, com quatro pontos (39 a menos que no ano passado). Pontuou apenas em duas corridas, na Toscana e na Emília-Romanha. Esta última foi sua melhor atuação do ano, pois conseguiu superar vários adversários com um carro inferior.

Infelizmente, Raikkonen parece estar longe de seus tempos de glória. Além de seus resultados estarem bem abaixo do desejável, o finlandês foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Sabe-se que Raikkonen é conhecido por seu jeito frio e despreocupado (que lhe renderam o apelido de “Homem de Gelo”), mas esta é uma situação que deve ser encarada com seriedade, não com desprezo. Ainda que Raikkonen, em sua posição como um homem branco e europeu, não tenha sofrido racismo em sua vida, deveria no mínimo ter empatia aos que são injustamente vítimas desse mal da humanidade.

Desejamos a Kimi Raikkonen que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: PA Images

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Um que já deveria estar aproveitando sua aposentadoria em alguma ilha luxuosa ou na fria Finlândia. Talvez pelo peso que seu nome carrega ou simplesmente para esquentar seu assento até um novo piloto estar pronto, Raikkonen segue sem impressionar em mais uma temporada. Na segunda temporada de Drive to Survive, a série documental da Netflix, Raikkonen diz indiretamente que pouco se importa em estar na F1, o que importa é o dinheiro. E é exatamente isso que suas performances demonstram. Mais um ano, veremos finlandês apenas completar o grid, seja pelos benefícios que sua imagem traz (mesmo sendo um piloto rude e pouco carismático) ou por falta de opção da Alfa Romeo. Uma pena para os novos pilotos que esperam sua oportunidade no esporte.

A falta de tato em suas atitudes e declarações sobre o racismo são repugnantes e demonstram como Raikkonen é ignorante e imerso em seu privilégio. Além de não se ajoelhar antes das corridas e muito menos se importar com a questão por trás deste ato, Raikkonen anda por aí com uma cruz muito parecida com um símbolo nazista, a Cruz de Ferro, projetada por Jesse G. James, ator e empresário conhecido por simpatizar com o nazismo (matéria em inglês).

 

  • Antonio Giovinazzi

Antonio Giovinazzi terminou o campeonato em décimo-sétimo lugar com quatro pontos (10 a menos que no ano passado). Pontuou em apenas três corridas: Áustria, Eifel e Emília-Romanha. Embora tenha terminado com a mesma pontuação de seu companheiro Kimi Raikkonen e tendo pontuado em mais ocasiões, a melhor posição de cada um foi adotada como critério de desempate: Raikkonen terminou duas vezes no nono lugar, Giovinazzi teve um nono e dois décimos lugares.

Giovinazzi foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Com isso, a Alfa Romeo se tornou a única equipe que não teve nenhum atleta a se compadecer com a situação. É lamentável que Giovinazzi e Raikkonen tenham manchado o nome de sua equipe dessa forma.

Desejamos a Antonio Giovinazzi que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: Motorsport Images

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Por muitas vezes, esqueci que Giovinazzi estava sequer correndo. Seja por limitações do carro ou por ser apenas um piloto mediano, o italiano ainda não mostrou ao que veio. Por isso, é difícil ter alguma opinião formada sobre ele.

 

  • George Russell

O caso de George Russell é um pouco diferente dos demais pilotos. Na Williams, não foi capaz de pontuar uma única vez. Em sua única corrida pela Mercedes, no Grande Prêmio do Sakhir, como substituto de Lewis Hamilton (que estava com Covid), conseguiu apenas o nono lugar (devido a um erro no pit stop). Por um lado, é uma pena que a própria equipe tenha ceifado a oportunidade de Russell de demonstrar um bom serviço, já que o mesmo superou o titular Valtteri Bottas logo no início da prova. Por outro, foi um belo castigo aos racistas que o utilizaram como escudo para atacar Lance Stroll (alguns usuários do Twitter declararam que estavam torcendo para Russell com todas as forças para que ele superasse Stroll, mesmo o canadense tendo resultados mais brilhantes na carreira – inclusive na Williams – porque Stroll é índio e Russell é branco). Ressaltamos que entre Russell e Stroll não há nenhuma inimizade e que o inglês chegou a cumprimentar o canadense por sua primeira pole. Por causa disso, parabenizamos a primeira pontuação de Russell na carreira, pois ele não tem culpa que gente de moral questionável use seu nome e imagem para fins maléficos.

Se em 2019 Russell foi o único a não pontuar, perdendo para o companheiro Robert Kubica que dirigia com apenas um braço, em 2020 o inglês foi o décimo-oitavo colocado no campeonato, com três pontos (dois pelo nono lugar e um pela volta mais rápida no Grande Prêmio do Sakhir, no qual foi substituído na Williams por Jack Aitken). Ainda é cedo para concluir algo de concreto sobre o talento de Russell, mas já se pode afirmar que ele provou que Bottas não está merecendo sua vaga na Mercedes (o finlandês parece ter medo de enfrentar pilotos jovens, como quando perdeu para Charles Leclerc em 2019 na Áustria na Bélgica). Ele inegavelmente tem muito potencial, mas este não será aproveitado na Williams. Se Max Verstappen recusar a Mercedes novamente, tanto Stroll quanto Russell se mostram ótimos candidatos a substituir Bottas.

Desejamos a George Russell boa sorte em 2021 para que ele consiga mostrar mais do que é capaz.

Foto: DPA

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Depois de tantos pedidos dos fãs nas redes sociais (na verdade, para que Russell substituísse Bottas na Mercedes), o britânico finalmente teve a sua chance de mostrar seu talento no melhor carro do grid e por um erro no pitstop da Mercedes, não conseguiu sua primeira vitória na F1 no movimentado GP de Sakhir. Porém, essa experiencia com a Mercedes serviu apenas para mostrar que ele está pronto para assumir o lugar de qualquer um dos pilotos quando for necessário. O britânico ainda é jovem, tanto em idade quanto em tempo de “casa” e terá tempo o suficiente para mostrar seu talento em equipes mais competitivas.

 

  • Nicholas Latifi

O estreante Nicholas Latifi, da Williams, foi o vigésimo-primeiro colocado do campeonato, sendo o único dos pilotos titulares que não conseguiu pontuar. Mas deve-se notar que foi vencido pelo companheiro George Russell em pontos unicamente porque o inglês participou do Grande Prêmio do Sakhir com a Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid). Isso não significa que um seja melhor do que o outro, mas sim que o desempenho do carro da Williams é tão ruim que nenhum de seus atletas consegue pontuar com aquela carroça.

Desejamos a Nicholas Latifi boa sorte em 2021 para que ele consiga desenvolver seu potencial.

Foto: F1 News

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O vice-campeão da Fórmula 2 de 2019 teve um pouco de dificuldade de desafiar seu companheiro de equipe, seja por conta das deficiências de seu carro ou da expêriencia de Russell. No comparativo lançado no final da temporada pelo perfil da F1, Latifi ficou atrás de Russell em todos os quesitos. O canadense terá a próxima temporada para se aproximar de Russell e quem sabe, superá-lo em alguma etapa. Pelo menos, o canandense tem bom humor para lidar com a longa fase ruim da Williams.

 

  • Bônus: Nico Hülkenberg

 

Como Sergio Pérez e Lance Stroll contraíram Covid, Nico Hülkenberg foi escolhido para substituí-los nas corridas em que ficaram ausentes (Grã-Bretanha, 70º Aniversário – Pérez – e Eifel – Stroll). Com isso, o alemão terminou o campeonato em décimo-quinto lugar, com 10 pontos (obtidos nos Grandes Prêmios do  70º Aniversário e do Eifel, pois na Grã-Bretanha um problema no motor o impediu de largar). Nota-se que ele ficou à frente de seis pilotos titulares e de oito no total (considerando as participações de Jack Aitken e Pietro Fittipaldi, que não conseguiram pontuar).

Sua atuação mais elogiável foi no Grande Prêmio do Eifel, no qual foi eleito o “Piloto do Dia” após terminar a corrida em oitavo lugar. Embora tenha apresentado um bom trabalho como substituto, a conduta de Hülkenberg na Fórmula 1 não é das mais éticas. Basta lembrar que ele se recusou a reconhecer a importância do halo quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 após um acidente causado pelo próprio Hülkenberg, e quando fez declarações misóginas ao defender a permanência das infames grid girls na Fórmula 1, revelando ser uma pessoa apática que acha que os carros devem ser perigosos (desde que sejam bonitos esteticamente) e que as mulheres devem, em pleno século XXI, serem vistas como objetos). Não conseguimos entender porque a Racing Point escolheu um sujeito destes para substituir pilotos tão educados e gentis como Pérez e Stroll.

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Bom, como Rebeca já usou essa reação em outros momentos da temporada, é a minha vez de usar uma foto para o meu comentário sobre Hülkenberg:

não sou capaz de opinar | Memes, Memes famosos, Novos memes

De qualquer maneira, o alemão continua sem pódios, mesmo após 10 anos como piloto de Fórmula 1. Equipes, por favor, não insistam mais nesse cara para o ano que vem e busquem saber mais sobre os outros pilotos reservas disponíveis e com muito mais talento que Hülkenberg, como o próprio Pietro Fittipaldi, que teve um ótimo desempenho nos GPs em que substituiu Grosjean – dentro do permitido pelo carro da Haas – e Alex Albon, que será reserva da Red Bull, que por sinal, já anunciou que o tailandês estará disponível para empréstimos às outras equipes na temporada de 2021. Por favor, o Hülkenberg já deu o que tinha que dar e provou que não é o bastante.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2020 trouxe um agravante na crise da Ferrari, a evolução da Racing Point e a continuação do desenvolvimento da McLaren, que permitiu que as duas equipes inglesas se mostrassem como potências na Fórmula 1, enquanto que o time italiano perde espaço. A Mercedes ainda é a força comandante da categoria, e a Red Bull continua em sua busca desesperada por uma oportunidade de lutar de igual para igual com a escuderia alemã. Algumas corridas, como Toscana , Turquia e Emília-Romanha decepcionaram em seus papéis como substitutas das corridas canceladas pela pandemia de Covid-19, enquanto outras, como Estíria e Sakhir proporcionaram belos show à categoria. Em 2021 haverá novos pilotos e outros desafios, tornando imprevisível seu resultado, mas esperamos que não haja outra pandemia para que a Fórmula 1 continue firme e forte de acordo com sua organização inicial.

Nota de repúdio | Rejection motion

O The Racing Track repudia os recentes ataques da mídia e de torcedores rivais contra Lance Stroll e seu pai, o empresário Lawrence Stroll (relatados pelo próprio piloto), devido à decisão da Racing Point de correr em 2021 com Sebastian Vettel em vez de Sergio Pérez. O papel de um jornalista é noticiar os fatos e suas opiniões devem ser embasadas em informações concretas, não em boatos.

Devido às contradições no anúncio da saída de Pérez do time, Lawrence Stroll foi acusado mais uma vez de beneficiar o filho indevidamente. Fomos informados que alguns veículos de imprensa chegaram até a acusar o empresário de ser um “boa vida”. Tal afirmação está completamente equivocada, pois Stroll trabalhou duro para construir suas empresas e mantê-las em bom funcionamento. Um de seus sócios, Silas Chou, diz que o canadense tem um “toque de ouro” para os negócios. É desonesto afirmar que Stroll não era conhecido antes de seu filho entrar na Fórmula 1, pois esta visão ignora os setores que o empresário é reconhecido, como moda e empreendedorismo. Suas posses, como iates e jatos, são investimentos e frutos de seu trabalho, tornando inválido qualquer descontentamento de terceiros em relação a eles.

Lance Stroll não deve ser lembrado apenas como o filho do dono da Racing Point, pois o mesmo teve boas conquistas em seus poucos anos de carreira: no ano de estreia teve um pódio, uma largada da primeira fila e quebrou dois recordes, ganhando prêmios e reconhecimento da própria Fórmula 1, que chamou sua atuação de “histórica” (cheque aqui). Em 2020, está à frente de Pérez no campeonato. Se Stroll não tivesse talento para o automobilismo, não conseguiria boas pontuações mesmo com a ausência do companheiro devido à Covid-19.

A contratação de Sebastian Vettel pela escuderia foi devido a critérios financeiros. O time tem confiança de que o tetracampeão será um bom investimento (pois o mesmo comprou ações da Aston Martin). Vale lembrar que Sergio Pérez, embora seja um ótimo piloto, já tem 30 anos, uma idade considerada avançada para atletas. Em termos de negócios, é mais atrativo investir em um piloto jovem do que em um de 30 anos. Trata-se dos riscos de investimentos, que estão muito além de relações de amizade ou de parentesco.

Temos ciência de que a imprensa também tem seu papel crítico, e que as ações da Racing Point estavam sujeitas a isto. No entanto, nunca se deve omitir ou deturpar fatos em nome de uma narrativa. Lembramos que atitudes como esta podem refletir más intenções, como o assassinato de reputação e antissemitismo (já que um dos boatos que os judeus enfrentam há séculos é o de que eles controlam as finanças mundiais, e a imprensa não reagiu com a mesma intensidade à decisão da Sauber em 2018 de demitir Pascal Wehrlein em vez de Marcus Ericsson para contratar Charles Leclerc, mesmo Wehrlein tendo melhores resultados que Ericsson).

Nos solidarizamos com a família Stroll e esperamos que episódios lamentáveis como este não voltem a ocorrer.

Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina

Nota: esse é um artigo de opinião. Mesmo assim, baseio minha opinião em fatos e estes estarão devidamente linkados ao decorrer do artigo. O texto é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a opinião do site.

Como é cediço e comentei um pouco sobre essa situação na opinião do GP da Toscana, decidi fazer com que meu primeiro post completamente independente seja sobre essa novela da demissão de Sergio Pérez e a contratação de Sebastian Vettel pela futura Aston Martin, anunciada nas últimas quarta e quinta-feiras (9 e 10), respectivamente.

A Racing Point decidiu rescindir seu contrato com o mexicano Sergio Pérez, que estava garantido na equipe para a próxima temporada. Contudo, para dar espaço ao novo contratado, a “Mercedes rosa” decidiu sacrificar Pérez. 

Em uma das milhares de redes sociais que temos na internet, houve uma grande mobilização dos fãs de ambos os lados – tanto comemorando o fato de Vettel continuar na F1 e lamentando a despedida de Checo – e foi aí que me surgiu a inspiração para tornar meu ponto de vista em um devido artigo de opinião aqui.

Mesmo sabendo que esse esporte é movido por dinheiro, negociações e movimentações políticas, dói ver um piloto que de algum jeito lhe representa em um esporte majoritariamente branco e europeu. Eu, que tenho muitas ressalvas quanto a essa negociação, o piloto contratado para substituir Pérez e a maneira com que o mexicano foi tirado de sua equipe, não pude deixar de sentir tristeza por Checo. Afinal de contas, estamos lidando com pessoas que, além de simples atletas, têm suas histórias de superação e ainda mais considerando que o México não é historicamente conhecido na Fórmula 1.

Pérez saiu do México aos 15 anos para morar sozinho na Alemanha, a fim de começar sua carreira na Europa. Passando pelas categorias de base como a Fórmula BMW, A1 Grand Prix, Fórmula 3 e a GP2 (agora conhecida como a Fórmula 2), o mexicano provou seu talento e conseguiu entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari, onde continuou até 2012. Sua carreira na Fórmula 1 também é marcada por times tradicionais, como a Sauber – 2011 a 2012 -, McLaren – 2013, onde sofreu uma quebra de contrato muito parecida com sua situação atual – e desde 2014, está na Racing Point, que também já foi chamada de Force India.

Durante sua carreira, Checo teve apoio do, até então, homem mais rico do mundo, Carlos Slim, apelidado de “Rei Midas das telecomunicações”. Uma de suas empresas mais conhecida é a Claro, que é muito popular por toda a América Latina por ser provedora de operadora para celulares e pelo menos no Brasil, internet banda larga, serviços de telefonia fixa e até mesmo TV a cabo. Slim também organiza a Escudería Telmex, que apoia e divulga pilotos latino-americanos, como Tatiana Calderón (primeira mulher latino americana a pilotar um F1, durante o 1º treino livre GP do México de 2018), Pietro Fittipaldi e o próprio Pérez.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (algum dos) pilotos latinos apoiados pela Escudería Telmex [1, 2, 3]

O debate, que por um lado, lamentava a falta de representatividade latina no esporte, apresentava argumentos lúcidos, elencando as dificuldades enfrentadas por pessoas da América Latina e o quanto esses países perderam seus representantes durante os anos. No Brasil, por exemplo, seu último piloto foi Felipe Massa, que deixou a categoria em 2018. Vale ressaltar que, além de estar dois anos sem um piloto brasileiro, a maior emissora de canal aberto do Brasil, Globo, não exibirá mais as corridas a partir de 2021. Outro ponto é que o circuito de Interlagos também corre o risco de ficar de fora do calendário de 2021, visto que seu contrato vence em 2020, sem previsões para renovação visto a batalha judicial para a construção do circuito em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A segunda corrida sediada na América Latina é justamente no México, que tem uma previsão quase certa para ser renovado por mais temporadas (link em inglês).

Durante sua então longa carreira com a Racing Point, em 2018, quando a então Force India passava por dificuldades financeiras após a declaração de falência do  ex-dono e chefe de equipe Vijay Mallya, o mexicano entrou com uma ação contra a equipe, no qual alegou ser “necessário” a fim de salvá-la e garantir o emprego de seus funcionários. Logo depois, Lawrence Stroll comprou de vez a equipe e concretizou isso, tornando-se hoje a conhecida Racing Point.

Após o comunicado de sua saída, Pérez não escondeu sua surpresa com a decisão de Lawrence Stroll, que teve sua confirmação na última quarta-feira. Inclusive, alguns sites afirmam que Checo escutou “pelas paredes” uma conversa do empresário com a equipe jurídica da Racing Point sobre a contratação de Vettel durante o GP de Monza. Imagine você estar na equipe há anos, ajudar na recuperação financeira a fim de evitar seu fechamento e escutar pelas paredes que estavam contratando outra pessoa para te substituir? Eu, no mínimo, viraria uma arara.

O mexicano também não escondeu sua gratidão ao time na nota oficial que postou em seus perfis, afirmando que “manterá em sua memória os momentos felizes que viveu com a equipe, as amizades e a satisfação em sempre dar o seu melhor”. Além disso, desejou sorte à equipe, chefiada por Lawrence, ainda mais com o novo projeto da Aston Martin. O comunicado na íntegra pode ser lido em seu tweet, escrito em inglês e espanhol.

Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que uma equipe rompe o contrato com Checo, mesmo tendo um ano já garantido. Em 2013, a McLaren decidiu dispensá-lo para contratar o dinamarquês Kevin Magnussen. O comunicado da saída também foi anunciado por Pérez, que agradeceu pela oportunidade na histórica equipe. “Foi uma honra estar em uma das equipes mais competitivas do esporte e nunca imaginei que faria parte do time. Sempre dei o meu melhor para a equipe e infelizmente não consegui o resultado que gostaria neste histórico time”, disse. Da mesma maneira que destacou em sua despedida à Racing Point, Checo também lembrou das amizades que conquistou dentro da equipe.

Tradução: “Estou muito triste, cara. Você sabe disso, toda a nossa equipe técnica está” – Mikey
“Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu #amigosparaavida” 15- Sergio

Mikey é um dos mecânicos de Checo e esse foi o seu comentário no post de despedida [4]

Com toda essa repercussão e pegando os fãs de surpresa, as reações foram rápidas de ambas as partes, seja de apoiadores de Vettel e Pérez. Os fãs do alemão comemoraram a nova oportunidade e os do mexicano (e até mesmo quem não o apoiava) ficaram chocados com a maneira que a negociação, conforme exposta por Checo, repentina foi levada. Com isso, começou a discussão citada no começo deste artigo.

É importante contextualizar a carreira de Sergio, desde o começo com as categorias de base, as equipes pelas quais passou pela F1 até o derradeiro momento de sua demissão para chegar no ponto em que quero focar neste artigo: a representatividade latina. 

Como apontado por uma amiga, durante a era de 2010 na F1, tivemos muitos pilotos latinos como os brasileiros Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; os mexicanos Esteban Gutierrez e Sergio Pérez e o venezuelano Pastor Maldonado. Cada um teve o seu destino dentro do esporte e por diversas situações, não continuaram na Fórmula 1. Olhando para o cenário de hoje em dia, vemos como isso foi bom na época, afinal, tínhamos finalmente um pouco de diversidade! Mas desde 2018, Checo é o único latino no esporte. Isso não soa um pouco estranho?

Muitos dos pilotos listados acima sofreram com o escracho da mídia, como por exemplo, Pastor Maldonado. Quantas vezes o venezuelano não foi motivo de chacota? Quantas vezes não encontramos um meme no Facebook, por exemplo, zombando de sua fama de “bate-bate”? E com Rubinho? Até hoje, vemos memes com o “atrasado”, “lento”, “eterno segundo piloto”.

Quando as vozes dos fãs latinos se uniram e começaram a apresentar argumentos extremamente válidos com a sua tristeza quanto à situação envolvendo Checo, é lógico que surgiriam opiniões contrárias. “Mas aonde fica a representação dos pilotos balcãs?”, alguém postou em tom extremamente sarcástico, dando a entender que “não são só os latinos que sofrem com falta de representatividade”. “Mas se Kvyat, que é do leste europeu, saísse da categoria, vocês vão se chatear desse jeito?”, questionou outro.

E é aí que tudo desandou. O debate em si não era mais sobre pilotos e sim sobre representatividade. Assim como a carreira icônica de Senna motivou várias crianças brasileiras – e do mundo afora, como aconteceu com o atual hexacampeão Lewis Hamilton -, a serem pilotos. Quantos programas voltados ao kart surgiram no Brasil, graças a essa visibilidade de Senna? Vários, inúmeros e acho que não conseguiríamos contar nem se quiséssemos. Seu sobrinho, Bruno, seguiu a carreira automobilística e ainda é piloto profissional, agora competindo pelo Campeonato Mundial de Endurance.

Agora, imagine como uma criança mexicana que viu Checo conquistando seu espaço no esporte ano após ano, superando todas as dificuldades, até a ameaça de falência da equipe pela qual competiu na F1, se sentiu ao saber desse rompimento abrupto de seu contrato. Imagine saber que a pessoa que mais se parece com você no grid pode não estar lá em 2021. Isso excede a disputa entre pilotos. Isso não é mais sobre Fulano ou Sicrano.

Sauber, McLaren, Force India e Racing Point… qual será a próxima equipe de Checo? [5, 6, 7, 8]

O ponto que mais me revoltou nessa tour toda foi saber que a dor do outro, de alguém que se vê representado em um piloto da mesma etnia serve de zombaria. Serve de comparação. E o engraçado, de uma forma trágica, é saber que muitas dessas pessoas apoiaram o movimento Vidas Negras Importam e criticaram fervorosamente os pilotos que não se ajoelharam, em respeito ao movimento e ao único piloto negro do grid. Você não pode simplesmente defender uma comunidade que sempre sofreu com o racismo e quando tem a oportunidade de escutar e aprender com uma outra etnia que sofre diariamente com racismo e xenofobia, você opta por fazer pouco caso. 

Como eu comentei com meus amigos mais próximos, além de ser performativo, é nojento. Sabe aquela expressão “lacrastes?” usada muito no Twitter? Então, isso se aplica nessa situação perfeitamente. Você chega a se questionar se a posição antirracista performada no perfil da pessoa era sincera ou apenas um personagem criado para likes. Eu fico com a segunda opção.

Uma pessoa, nesse debate todo, disse que não estava triste pela perda do piloto em si e sim, pela perda de representação no automobilismo. Justo no ano em que a F1 se viu obrigada a criar uma campanha para a diversidade – basicamente pressionada por Lewis, o que acho correto a imposição do britânico -, é difícil engolir isso apenas como uma simples “dança das cadeiras”. Sabemos, enquanto latinos, como somos discriminados por padrões e estereótipos forçados pela mídia e esse tipo de racismo estrutural nos força a ocupar um espaço de coadjuvante, reforça a necessidade de apagar a nossa narrativa, nos mantém invisível e nos impede de ocupar espaços.

Eu, como sempre vi Checo no grid desde quando comecei a ver F1, senti uma profunda tristeza ao saber de sua saída. Considero o mexicano um piloto talentoso, com potencial de desenvolver sua pilotagem a cada temporada e vejo nele o amor pelo esporte. Considerei essa movimentação interna da Racing Point truculenta com o mexicano e agora, interpreto as declarações de Otmar como meros blefes (que foram péssimos, afinal). [1, 2, 3]

Já existem rumores de sua ida à Indy com a McLaren e até mesmo para a Red Bull (vídeo em espanhol). Vale lembrar que essa informação veio da mesma jornalista que cravou a volta de Alonso com a Renault, mas até agora, não se passam de rumores. A Fórmula E parece um mercado bom para ele, que já abrigou ex-pilotos como Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr e Antonio Félix da Costa, que ou já foram dispensados de forma não muito amigável, para ser legal, da Fórmula 1 ou de seus programas de formação, no caso de da Costa.

Espero que Checo consiga algum lugar na Fórmula 1 e em alguma outra categoria em que seja tratado com o respeito que merece. Afinal de contas, não é esse tipo de tratamento que o “prodígio mexicano” (em inglês) merece.

Enquanto aguardamos seu próximo passo, Checo terá o restante da temporada para orgulhar todos os latinos [9]

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

4. Captura de tela da seção de comentários do Instagram de Sergio Pérez

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

Análise Grande Prêmio da Toscana de 2020 | 2020 Tuscan Grand Prix Analysis

Atualizado em 23 de setembro de 2020 | Updated on September 23th, 2020

 

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 13 de setembro, o Grande Prêmio da Toscana de 2020 foi a segunda corrida da temporada a ser realizada em solo italiano. Diferente do que houve na etapa anterior, um pódio surpreendente no Grande Prêmio da Itália, a corrida de hoje foi marcada por uma série de acidentes que tirou da prova quase metade do grid. Somado a isso, a colunista e criadora do site Rebeca Pinheiro está de luto pela morte trágica esta manhã de sua amiga Natália, e devido a isso não daremos notas aos pilotos.

Quatro dias antes da prova, Sergio Pérez anunciou que não correrá com a Racing Point em 2021. Como revelado por Luke Smith no site Motorsport, o mexicano estava com o contrato renovado, mas o time voltou atrás na decisão. Como a equipe de comunicação da Racing Point não esclareceu os acontecimentos desde o início, o The Racing Track faz sua parte como veículo de imprensa e reforça que qualquer acusação contra Lance Stroll não passa de uma atitude leviana, uma vez que o canadense e o mexicano têm uma boa relação e ambos estão fazendo um ótimo trabalho esse ano. A decisão foi tomada pelo corpo executivo da escuderia. Apesar de ter negado algumas vezes, o time confirmou Sebastian Vettel (Ferrari) como seu substituto para o ano que vem, comprovando a incoerência da narrativa da Racing Point.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton, seu companheiro de equipe. Ainda na primeira volta houve dois acidentes: Carlos Sainz Jr. (McLaren) rodou sozinho, e um toque com Romain Grosjean (Haas) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) tirou Pierre Gasly (AlphaTauri) e Max Verstappen (Red Bull) da corrida. O safety car foi acionado, mas na primeira relargada ocorreu um acidente entre Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), Nicholas Latifi (Williams), Kevin Magnussen (Haas) e Sainz. Os quatro abandonaram e houve a primeira bandeira vermelha. Antes da relargada, Esteban Ocon (Renault) teve um superaquecimento nos freios e não pôde voltar à pista.

Tendo normalizado a situação, Lance Stroll (Racing Point) passou Charles Leclerc (Ferrari) e alcansou o terceiro lugar. O monegasco depois foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Alexander Albon (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Leclerc foi obrigado a trocar os pneus devido ao desgaste e fez uma prova de recuperação. Infelizmente, a situação da corrida piorou após um furo no pneu fazer Stroll perder o controle do carro e bater no muro. Outra bandeira vermelha foi acionada.

Na relargada, Ricciardo ganhou a posição de Bottas, mas depois foi superado pelo finlandês e por Albon. Raikkonen recebeu uma punição de cinco segundos por ter cruzado a linha do pit lane antes de recolher seu carro durante a bandeira vermelha. Com isso, Leclerc ganhou uma posição.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Alexander Albon em terceiro. É muito importante saber que Mugello é uma pista projetada para corridas de moto, não de carros. Logo, foi uma ideia muito ruim ter escolhido este traçado para compensar um dos cancelamentos devido à pandemia. A corrida teve mais abandonos que ultrapassagens e o resultado não foi muito surpreendente. É uma pena para o automobilismo.

Descanse em paz, Natália. Você estará sempre em meu coração.

Opinião da Rebeca:

(Opinião escrita em 12/09/2020): Em primeiro lugar, preciso comentar sobre a saída de Sergio Pérez e sua substituição por Sebastian Vettel. Se o alemão já era uma escolha para 2021, a Racing Point deveria ter deixado isso claro desde o início. Parece que a equipe ainda não percebeu que um de seus pilotos, Lance Stroll, é alvo de uma campanha de difamação há anos e poderia ser injustamente culpado se Checo saísse. Sabemos que os haters online não vão mudar nada, mas isso não significa que o piloto deva ser objeto de inverdades, pois eles podem repetir uma mentira até que pareça verdade. Contar a verdade é sempre a melhor escolha, e uma equipe de assessoria de imprensa sempre precisa saber da situação de um cliente. É uma pena que a Racing Point optou pelo malabarismo de narrativas e expôs seus pilotos a essas condições. Além disso, lamento que a narrativa não tenha um consenso, já que em um dia o chefe de equipe diz que Vettel não correrá pelo time e no outro dia é contratado; em um dia Checo diz que foi pego de surpresa e no outro a escuderia diz que seu empresário já estava sabendo de tudo.

(Atualização 23/09/2020) Lamento que muitos torcedores e jornalistas tenham aproveitado essa triste despedida de Pérez para mais uma vez destilar ódio contra Lance Stroll e seu pai Lawrence. É preciso ter em mente que contratações são negócios, e está bem claro que Sebastian Vettel trouxe um investimento financeiro ao comprar as ações da Aston Martin. Dizer que Stroll se manteve na equipe por ser filho do dono é uma análise muito rasa da situação. Seu pai construiu sua fortuna, não herdou, logo prova que o empresário faz seus negócios com muito cuidado e atenção aos investimentos. Além de estar à frente do companheiro no ranking quando Vettel foi anunciado, Stroll é jovem e logo tem mais chances de desenvolvimento, o que se torna um atrativo para os negócios. Sabemos que Pérez ficou afastado duas corridas devido à Covid-19, mas se Stroll fosse incompetente não teria conseguido boas pontuações para melhorar sua posição no campeonato.

(Opinião escrita em 12/09/2020) Sobre a contratação de Vettel, não a vejo com bons olhos. Lembro que no Grande Prêmio da Malásia de 2017, o alemão jogou seu carro em cima de Stroll depois da corrida e xingou o canadense e seu time (na época ele corria pela Williams). Como um piloto com um temperamento curto e uma grande impulsividade pode ser um bom companheiro de equipe? Vettel teve problemas com todos os pilotos com os quais correu ao lado desde 2010. Você pode argumentar que o incidente com Stroll foi a três anos atrás e que Vettel pode ter mudado, mas eu não lembro de tê-lo visto sendo gentil com Stroll antes de tentar uma vaga na Racing Point. Parece meio falso para mim. Vettel é um ótimo piloto, mas também muito impulsivo e se envolve em muitos acidentes. De qualquer maneira, tudo o que posso fazer é lhes desejar boa sorte.

Uma grande mudança, sem nenhum interesse por trás (ironia).

(Opinião escrita em 13/09/2020): Particularmente não gostei dessa corrida porque muitos pilotos talentosos tiveram que abandonar devido a acidentes. Somado a isso, recebi a notícia hoje que minha amiga Natália morreu de uma maneira trágica, vítima de atropelamento. Peço desculpas aos meus leitores, mas não estou em condições de falar muito sobre a corrida.

Opinião da Adriana:

O que dizer desse fim de semana que começou com uma notícia bombástica – e triste, pelo menos para mim – de que Vettel vai substituir Pérez na Aston Martin ano que vem? Vou contar um pouco mais sobre isso amanhã, no meu primeiro artigo aqui no The Racing Track.

Agora vamos para o que interessa: a corrida. Não teve um momento em que eu fiquei calma durante essas 59 voltas. E mais uma corrida movimentada para a temporada, com oito abandonos. 

E hoje quase foi a vez do Ricciardo ir pro pódio! Infelizmente, a potência da Red Bull falou mais alto e Albon conseguiu pegar o terceiro lugar. Tanta corrida para esse menino ir bem e ele escolhe justo essa? #chateada

Agora, vamos ter o merecido descanso por um final de semana e na próxima semana, voltamos pro circo. Eu já estou com minha peruca pronta, só falta o nariz de palhaça. Vamos ver o que a próxima corrida nos fornece.

Resultados

  1. Lewis Hamilton
  2. Valtteri Bottas
  3. Alexander Albon
  4. Daniel Ricciardo
  5. Sergio Pérez
  6. Lando Norris
  7. Daniil Kvyat
  8. Charles Leclerc
  9. Kimi Raikkonen
  10. Sebastian Vettel
  11. George Russell
  12. Romain Grosjean

 

Abandonaram

  1. Lance Stroll
  2. Esteban Ocon
  3. Nicholas Latifi
  4. Kevin Magnussen
  5. Antonio Giovinazzi
  6. Carlos Sainz Jr.
  7. Max Verstappen
  8. Pierre Gasly

Driver of the Day (escolhido pelo público): Daniel Ricciardo

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Carlos Sainz Jr. (Rebeca) | Kimi Raikkonen (Adriana)

Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2019

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de volta. Hoje relembraremos como foi o desempenho dos pilotos esse ano na Fórmula 1. Para melhor compreensão, eles serão agrupados de acordo com suas respectivas equipes. Sem mais enrolação, vamos à análise:

 

Atenção: Os quadrinhos contém uma análise humorística, já os textos uma análise séria. Não temos intenção de ofender ninguém, e buscamos brincar igualmente com todos.

 

  • Lewis Hamilton

 

 

Hamilton consagrou-se hexacampeão em 2019. Somando 413 pontos (cinco a mais que no ano passado), o inglês manteve uma constância de bons resultados, chegando ao pódio em 17 de 21 corridas e vencendo 11 vezes. No entanto, nem tudo no ano foi perfeito para Hamilton. Suas piores atuações foram na Alemanha, onde escorregou, bateu no muro, cortou caminho para o pit stop e foi penalizado com cinco segundos, e no Brasil, onde bateu em Alexander Albon e foi penalizado com a perda do terceiro lugar (embora tenha subido ao pódio para a celebração, pois os comissários demoraram a analisar o caso).

Essas duas exceções são surpreendentes para Hamilton, que sempre foi lembrado como um piloto prudente, que evita acidentes sempre que possível e, devido a isso, consegue manter uma sequência de bons resultados. No começo do ano, parecia que seu companheiro Valtteri Bottas traria uma ameaça. Porém, Bottas não é Nico Rosberg e não pôde aproveitar todo o potencial do carro da Mercedes para competir pelo título com Hamilton.

Hamilton também, infelizmente, foi alvo de um dos piores casos de racismo na história da Fórmula 1. No Grande Prêmio da Itália, após os comissários decidirem não penalizar Charles Leclerc, da Ferrari, por tê-lo espremido contra o muro (apenas o advertiram com uma bandeira branca e preta), os torcedores da tifosi vaiaram o inglês, segundo colocado na corrida, e imitaram macacos para ele. Hamilton respondeu com elegância, afirmando que os ferraristas não devem manchar seu conhecido entusiasmo com atitudes tão antiéticas. Hamilton foi a terceira vítima de decisões controvérsias dessa corrida, pois além dele, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Alexander Albon (da Red Bull), asiático, também foram vítimas de decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Se por um lado a carreira atlética do inglês vai bem, fora das pistas ele se meteu em polêmicas. Vegano convicto, Hamilton aposta em sua popularidade para fazer ativismo pela causa vegana e realizar um trabalho de conscientização. No entanto, às vezes a emoção supera a razão e isso atrapalha as ações. Hamilton se posicionou sobre os incêndios na Amazônia postando uma foto antiga (cujo autor até já faleceu) e divulgou uma fake news há muito tempo desmentida por especialistas: de que a Amazônia é o “pulmão do mundo”, que produz 20% do oxigênio consumido pelos seres vivos (a verdade é que o oxigênio que respiramos provém dos oceanos; a Amazônia produz apenas 2% do oxigênio atmosférico e, como comunidade clímax, ela produz o oxigênio que ela mesma consome). Ou seja, antes de criar uma animosidade com populações de outros países divulgando informações falsas, Hamilton deveria pesquisar mais sobre o assunto que pretende discutir antes de falar como o especialista que ele não é. Caso contrário, sua popularidade apenas vai prejudicá-lo, pois ficaria mais conhecido como mentiroso do que como um ativista bem-intencionado. Toto Wolff já havia dado esse conselho a ele.

Portanto, a Lewis Hamilton damos os parabéns pelo título merecido e desejamos a ele muito sucesso em sua carreira e projetos. Mas, sempre pensando antes de agir.

 

  • Valtteri Bottas

 

 

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2019, com 326 pontos (79 a mais que no ano passado). O finlandês teve uma temporada constante, com 15 pódios (entre eles quatro vitórias) em 21 corridas. Igual ao companheiro Lewis Hamilton, suas piores corridas foram na Alemanha e no Brasil. Na primeira, Bottas bateu no muro enquanto perseguia Lance Stroll, da Racing Point, na busca por um pódio. Na segunda, seu motor pifou.

Como a primeira corrida do ano foi vencida por Bottas, muitos achavam que ele seria o principal concorrente de Hamilton ao título de 2019. No entanto, embora o carro da Mercedes lhe rendesse bons resultados, Bottas não é o tipo de piloto que gosta de se arriscar por posições mais altas. Sua melhor corrida foi no Japão, onde passou Sebastian Vettel, da Ferrari, como um ninja, logo após a largada, e conseguiu uma ótima vitória. Porém, sua corrida em Mônaco escancarou o duplo-padrão que os comissários da FIA têm ao julgar os incidentes de prova. Bottas e Max Verstappen, da Red Bull, se enfrentaram nos boxes e o holandês perdeu o pódio ao ser punido com cinco segundos (o que promoveu Vettel ao segundo lugar e Bottas ao terceiro). No entanto, quando Charles Leclerc, da Ferrari, enfrentou Romain Grosjean, da Haas, nos boxes da Alemanha, os comissários simplesmente aplicaram uma multa à “Cinderela”.

Bottas pareceu mais confiante esse ano do que em 2018. De acordo com o que foi divulgado por Mariana Becker, repórter da Rede Globo, aparentemente esta confiança é resultado de um tratamento psicológico que o finlandês teria feito durante as férias. Também na vida pessoal de Bottas, ocorreu o divórcio de sua esposa Emilia Pikkarainen.

Desejamos boa sorte a Valtteri Bottas para o ano que vem e parabenizamos seu vice-campeonato. Esperamos que ele continue enfrentando suas dificuldades e consiga mais arrojo para ultrapassar seus adversários.

 

  • Max Verstappen

 

 

Max Verstappen foi o terceiro colocado no campeonato, com 278 pontos (29 a mais que no ano passado). Em 21 corridas, ele conseguiu nove pódios e três vitórias (Áustria, Alemanha e Brasil). Sua temporada foi mais constante que a de 2018, e Verstappen praticamente carregou sua equipe, a Red Bull, nas costas, pois seu primeiro companheiro do ano, Pierre Gasly, não era capaz de lutar por pódios e seu segundo companheiro, Alexander Albon, teve pouco tempo para conseguir os pontos necessários para a equipe subir no ranking. Consequentemente, mesmo com os problemas internos da Ferrari que prejudicavam a escuderia italiana, a Red Bull ficou atrás desta no campeonato de construtoras, em terceiro lugar.

Verstappen é o piloto que traz emoção às corridas, pois ele não tem medo de desafios e de se arriscar por posições melhores. Sua conduta não mudou muito em relação ao ano passado, porém teve menos acidentes: os únicos do ano foram com Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, na Bélgica, e com Charles Leclerc, da Ferrari, no Japão (este último incidente por culpa do piloto monegasco). Verstappen, no entanto, fica em desvantagem pela falta de competitividade do carro da Red Bull. Parece que os engenheiros da equipe austríaca são incapazes de produzir algo à altura do talento do jovem holandês. Consequentemente, Max perde oportunidades preciosas de vitória. Lembrando também que o motor Honda algumas vezes o deixou na mão durante as largadas, como na Áustria e na Alemanha, mas a vontade de Verstappen de vencer possibilitou que ele superasse esses contratempos e garantisse belas vitórias.

Muito se falou sobre a rivalidade travada entre Verstappen e Leclerc, principalmente depois do Grande Prêmio da Áustria, vencido por Max após uma bela ultrapassagem sobre o pole position Charles nas últimas voltas. Leclerc até hoje não superou esse trauma e, inclusive, até se recusou a cumprimentar o vencedor na sala dos pilotos (conduta mais mimada e antiesportiva possível). Entre estes dois jovens talentos, é nítido que embora Leclerc tenha um carro melhor, Verstappen tem mais experiência, mais coragem para enfrentar os adversários e mais destreza na direção. Caso o holandês fosse para uma equipe melhor (especula-se que Toto Wolff mais uma vez esteja tentando trazê-lo para a Mercedes), a disputa seria mais interessante.

Ano que vem termina o contrato de Max Verstappen com a Red Bull. Não sabemos se ele ficará nessa equipe, que não está à sua altura, ou se ele irá para a Mercedes. Mas desejamos a ele boa sorte e sabedoria em suas escolhas.

 

  • Alexander Albon

 

 

O estreante Alexander Albon começou o ano na Toro Rosso. Porém, a incompetência de Pierre Gasly fez com que Helmut Marko o trouxesse para a Red Bull, substituindo o francês. Albon marcou 92 pontos e quase conseguiu seu primeiro pódio, no Grande Prêmio do Brasil, mas foi acertado por Lewis Hamilton, da Mercedes, durante a corrida. Terminou o campeonato em oitavo lugar.

Até a sua promoção à Red Bull, Albon havia pontuado em cinco de 12 corridas com a Toro Rosso. Até a corrida na Alemanha, onde seu então companheiro Daniil Kvyat conseguiu um pódio, a disputa entre os dois pilotos estava equilibrada. Em sua primeira corrida com a nova equipe, na Bélgica, teve uma atuação digna de elogios, conquistando um quinto lugar. Outra atuação excelente foi na Rússia, onde largou dos boxes e conseguiu chegar em quinto. É nítido que Albon tem mais coragem e destreza que Gasly e, embora ainda não esteja ao nível de Verstappen, ele é o companheiro de equipe que a Red Bull esperava para o holandês desde a saída de Daniel Ricciardo para a Renault. Esperava-se que Gasly cumpriria o papel, mas este se revelou uma das maiores decepções do ano.

Além do acidente com Hamilton, outro acontecimento foi negativo para Albon. O tailandês foi jogado para fora da pista por Carlos Sainz Jr., piloto espanhol da McLaren, no Grande Prêmio da Itália. Porém, os comissários decidiram punir Albon, mesmo este sendo a vítima. Esta decisão, a segunda entre três controvérsias desta corrida, gerou suspeita de racismo, pois Albon (asiático) e mais dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point, indígena) e Lewis Hamilton (negro), foram prejudicados injustamente por ações que beneficiaram pilotos brancos.

Alexander Albon é, sem dúvida alguma, a maior revelação da Fórmula 1 de 2019. Não é à toa que foi escolhido pelo Autosports Awards como o Estreante do Ano (ainda que os “fãs” tivessem optado por Lando Norris, da McLaren, cujos resultados medianos nem se aproximam dos de Albon). Desejamos ao tailandês boa sorte para o ano que vem e que ele continue fazendo excelentes corridas.

 

  • Sebastian Vettel

 

 

Sebastian Vettel terminou o campeonato no quinto lugar, com 240 pontos (80 pontos a menos que no ano passado). Este não foi um ano auspicioso para o alemão, que assistiu a Mercedes aumentando sua vantagem, a Red Bull tornando-se uma forte concorrente com Max Verstappen, e a briga interna na Ferrari entre as políticas tradicionais da escuderia e o novo companheiro de Vettel, Charles Leclerc.

Como explicado anteriormente no The Racing Track, a Ferrari mantém uma política interna de “campeão e escudeiro” que protege o primeiro piloto e obriga o segundo a servir como ajudante para garantir pontuações valiosas para a equipe. Foi assim com Michael Schumacher (“campeão”) e Rubens Barrichello (“escudeiro”), entre Fernando Alonso (“campeão”) e Felipe Massa (“escudeiro”) e entre Vettel (“campeão”) e Kimi Raikkonen (“escudeiro”). No entanto, Leclerc não aceitava essa política, pois mesmo sendo obrigado a ceder suas posições para Vettel na Austrália e na China, o monegasco conseguia mais pole positions e se julgava no direito de ser tratado como o “campeão” da equipe. Mas seus protestos não foram atendidos pela Ferrari, que continuou protegendo Vettel. A indignação do monegasco gerou atrito entre ele e o alemão, resultando algumas vezes em acidentes, como o duplo-abandono ferrarista no Brasil.

Vettel também não perdeu seu estilo arrojado e sua sede por superações. Porém, por ser o tipo de piloto que mais age do que pensa, acabou por causar acidentes que prejudicaram não só ele mesmo como sua equipe. Um grande exemplo é o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quando Vettel, indignado por ter sido ultrapassado por Verstappen, acelerou e bateu na traseira do holandês, tirando ambos da pista temporariamente. Verstappen voltou para a pista e cruzou a linha de chegada em quinto lugar, mas Vettel, além de ser punido com 10 segundos, voltou em último, chegando inclusive atrás das Williams. Outro exemplo foi a batida em Lance Stroll, da Racing Point, na Itália após o alemão ter rodado e saído da pista. Mesmo sendo Stroll a vítima e Vettel admitindo o erro (inclusive pedindo perdão pessoalmente a Stroll), os torcedores italianos lançaram insultos racistas ao canadense por suas origens indígenas e esta corrida também foi marcada por uma das arbitragens mais controversas da história da Fórmula 1, com pilotos de cor recebendo punições indevidas e pilotos brancos sendo beneficiados.

Em 21 corridas, Vettel teve nove pódios e apenas uma vitória, em Singapura. O resultado desta corrida também não foi bem aceito por Leclerc, que acusou a Ferrari de demorar em seu pit stop para beneficiar Vettel. A equipe assumiu depois que realmente visou ajudar o alemão para garantir que ele tivesse ânimo para continuar a temporada. Mas não se pode tirar o mérito de Vettel. Ele não é um tetracampeão à toa. Só está passando por uma fase ruim como acontece com qualquer atleta. E, se até ano passado ele era um forte candidato ao título, não se pode afirmar que ele não tem mais condições de continuar na disputa.

Desejamos a Sebastian Vettel um 2020 com muita sorte e prudência. Ele é um dos pilotos que deixa a Fórmula 1 atual mais interessante.

 

  • Charles Leclerc

 

 

Charles Leclerc terminou 2019 no quarto lugar no campeonato, com 264 pontos (225 pontos a mais que no ano passado). A “Cinderela da Fórmula 1”, como foi apelidado, conseguiu sete poles positions, mais do que qualquer outro piloto do grid. Em 21 corridas, Leclerc teve 10 pódios e duas vitórias (Bélgica e Itália). Mas nem tudo foram flores para ele, pois o monegasco também foi o protagonista de uma das maiores polêmicas do ano na Fórmula 1.

Embora a mídia especulasse que Leclerc seria a próxima aposta da Ferrari para conquistar títulos, era claro que o jovem havia sido contratado como “escudeiro”, “posto” já ocupado por Rubens Barrichello (“escudeiro” de Michael Schumacher), Felipe Massa (“escudeiro” de Fernando Alonso) e Kimi Raikkonen (“escudeiro” de Sebastian Vettel). O motivo? Era óbvio. Por que uma equipe de ponta tão tradicional como a Ferrari iria destronar Vettel (que foi uma ameaça a Lewis Hamilton por dois anos) para dar lugar a um jovem menino cuja única experiência havia sido um ano na Sauber e cujos resultados haviam sido piores que os anos de estreia de pilotos da mesma faixa etária, como Max Verstappen e Lance Stroll? Apenas os cegos pelo fanatismo acreditaram que a escuderia de Maranello faria uma exceção especialmente para Leclerc.

“Cinderela”, porém, não reagiu bem às ordens da “madrasta”, que havia obrigado o piloto a ficar atrás de Vettel na Austrália e na China. Como Leclerc havia feito mais poles positions, e seria burrice mandá-lo parar para esperar Vettel (o que permitiria que outros pilotos o ultrapassassem), o monegasco quis desafiar a política interna tradicional da Ferrari e algumas vezes enfrentou o alemão. Este confronto gerou problemas para a equipe, como no duplo-abandono no Brasil.

Leclerc também provou não lidar bem com situações adversas, como na Áustria, onde perdeu a vitória para Max Verstappen, da Red Bull, nas últimas voltas, e se recusou a cumprimentar o holandês na sala de espera. Apenas o fez pelo Twitter, e muito provavelmente a mensagem foi escrita pela assessora de imprensa. Outro exemplo da atitude mimada de Leclerc foi em Singapura, onde ele acusou a própria equipe de sabotar seu pit stop para entregar a vitória a Vettel, gerando um clima de desconforto na Ferrari. No Japão, após bater em Verstappen, ele ficou com uma peça presa em sua asa dianteira e se recusou a ir para o box retirá-la, colocando em risco a segurança de Lewis Hamilton, da Mercedes, que vinha logo atrás. A peça chegou inclusive a desprender-se do carro e acertar o halo de Hamilton. Na Alemanha, enfrentou Romain Grosjean nos boxes e levou apenas uma multa. Na Itália, espremeu Hamilton contra o muro e levou apenas uma advertência (em uma das arbitragens mais controversas da Fórmula 1). Em Abu Dhabi, seu carro tinha irregularidades no combustível, mas também só recebeu uma multa. Ao que parece, os comissários têm medo de punir a “Cinderela”. Com isso, ele se tornou o segundo piloto mais mimado do grid, atrás de Lando Norris, da McLaren.

Leclerc foi obrigado a lidar com outra perda importante no ano: a de seu amigo Antoine Hubert, que faleceu em um acidente na Fórmula 2, um dia antes do Grande Prêmio da Bélgica, vencido pelo monegasco. Ele passou o resto do ano pilotando com uma mensagem de “descanse em paz” no volante.

Desejamos a Charles Leclerc um 2020 cheio de sabedoria e prudência, além de boa sorte. Ele tem muito talento, só precisa aproveitá-lo mais.

 

  • Sergio Pérez

 

 

Sergio Pérez terminou 2019 no décimo lugar do campeonato, com 52 pontos (10 a menos que no ano passado). Infelizmente, não obteve pódios esse ano, mas lutou constantemente por melhores resultados, que garantiram uma boa posição para a Racing Point no ranking de construtoras.

A temporada de 2019 pode ser resumida em um ano de transição para a Racing Point, pois foi o primeiro ano completo com os novos donos. Pérez conseguiu provar que não é o “monstro” que seu companheiro de 2018, Esteban Ocon, tentou fazer parecer (ver Entenda o Caso Esteban Ocon). Ocon o havia acusado de ser uma pessoa descontrolada, capaz de matar um adversário, mas em 2019, Pérez provou ser uma pessoa prudente e equilibrada, dando as boas-vindas ao novo companheiro, Lance Stroll, e a dupla teve uma temporada de bom relacionamento, tanto dentro quanto fora das pistas. O mexicano pontuou em 11 das 21 corridas do ano, oscilando entre o sexto e o décimo lugar. Seu feito mais marcante foi a ultrapassagem sobre Lando Norris, da McLaren, no Grande Prêmio de Abu Dhabi, levando o inglês às lágrimas e desbancando-o do décimo lugar do campeonato.

A Racing Point não foi capaz de fazer um carro competitivo o suficiente para enfrentar a Red Bull, como era o esperado pela equipe no começo do ano. Consequentemente, a escuderia britânica terminou o ano em sétimo lugar no ranking após o pódio de Pierre Gasly garantir o sexto lugar para a Toro Rosso. Muito do desempenho da Racing Point foi obtido graças a Pérez, devido a um péssimo trabalho do estrategista de seu companheiro e à dificuldade de Stroll de manter suas posições durante as corridas, embora o melhor resultado do canadense no ano (um quarto lugar na Alemanha) tenha sido melhor do que o melhor resultado do mexicano (sexto lugar no Azerbaijão e na Bélgica).

Na vida pessoal, Pérez foi agraciado com o nascimento de sua filha Carlota, sua segunda criança com Carola Martínez. Eles também são pais de Júnior, nascido em 2018.

Sérgio Pérez será uma importante peça para as futuras conquistas da Racing Point. Desejamos a ele boa sorte para o ano que vem.

 

  • Lance Stroll

 

 

Lance Stroll terminou 2019 em 15º lugar no campeonato, com 21 pontos (15 a mais que no ano passado). O canadense suspirou aliviado em uma equipe muito melhor que a Williams, cuja incompetência de seu setor de engenharia (comandado por Paddy Lowe) e de seus administradores (notadamente Claire Williams) prejudicaram sua temporada em 2018. Porém, 2019 provou de quem realmente era a culpa pelos maus resultados da Williams: Lowe e a herdeira de Frank Williams. Stroll começou o ano pontuando e totalizou seis chegadas à zona de pontuação. Mas talvez sua característica mais notável na temporada foram suas excelentes largadas que eram prejudicadas por performances preguiçosas no decorrer das provas.

É claro que Stroll, assim como a Racing Point, passava por um período de transição. O canadense estava em uma equipe com profissionais mais competentes e não havia um clima de tensão e animosidade como havia na Williams. Ele era visto como o salvador da escuderia, e não mais como o bode expiatório que Claire Williams e Paddy Lowe tentaram torná-lo para esconderem suas próprias falhas. A Racing Point, por outro lado, vivia seu primeiro ano completo sob nova gestão. Porém, Stroll desperdiçou muitas oportunidades de pontuação que poderiam ter rendido posições melhores à escuderia no campeonato de construtoras.

Stroll foi aclamado pela Fórmula 1 como o piloto que mais ganhou posições durante as largadas. Todavia, este feito não se traduziu em pontos, pois algumas voltas depois da largada (momento em que o canadense costumava a ganhar de seis a dez posições), o carro não mantinha o desempenho esperado e o piloto era facilmente ultrapassado por seus adversários. Isto, somado à falha de seu estrategista, que o chamava para as trocas de pneus mais tarde do que o devido, prejudicaram a performance do canadense. Foi o caso do Grande Prêmio da França, onde Stroll conquistava o sexto lugar, mas sua troca tardia de pneus o levou para o 13º lugar. Outro momento ruim foi o Grande Prêmio da Itália, onde ele garantia o sétimo lugar quando foi acertado por Sebastian Vettel, da Ferrari. Jogado para fora da pista, Stroll voltou em situação normal, mas Pierre Gasly, da Toro Rosso, em uma manobra para garantir uma punição ao piloto indígena e se beneficiar com isso, saiu temporariamente da pista para parecer que a culpa havia sido de Stroll. Vendo uma oportunidade de se vingar por terem sido obrigados a punir um piloto da Ferrari, os comissários puniram Stroll injustamente, marcando a primeira entre três decisões controversas da arbitragem que levaram à suspeita de racismo. Vettel chegou a se desculpar pessoalmente com Stroll, mas isso não impediu os torcedores fanáticos a atacarem o canadense por suas origens indígenas, provando que, infelizmente, a mentalidade colonialista e racista ainda está viva na Europa.

Mas nem tudo estava perdido para o jovem Stroll. Sua melhor corrida foi na Alemanha, onde chegou a liderar a volta por algum tempo e terminou em quarto lugar (o melhor resultado de sua equipe no ano). O portal WTF1 declarou que ele é oficialmente o segundo adolescente mais bem-sucedido da história da categoria, somente atrás de Max Verstappen. Isso prova que, mesmo os racistas tentando emplacar Lando Norris e George Russell (pilotos brancos europeus com resultados inferiores) como melhores, o único indígena do Canadá a pilotar na Fórmula 1 ainda mantém seu legado e seu lugar merecido na história (ver O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

Desejamos a Lance Stroll um ano de 2020 com muita sorte e destreza. Esperamos que ele vença as dificuldades, supere seus limites e continue representando tão bem os indígenas na Fórmula 1.

 

  • Daniel Ricciardo

 

 

Daniel Ricciardo fez seu primeiro ano na Renault. Marcando 54 pontos (170 a menos que no ano passado), o australiano não teve o desempenho que esperava quando decidiu trocar a Red Bull pela escuderia francesa por não confiar no motor Honda. Terminou 2019 no nono lugar.

Ricciardo pontuou em oito de 21 corridas. Suas primeiras etapas resultaram em quebra. O motor Renault traiu sua confiança e o piloto ainda sofreu punições por irregularidades no carro que garantiam mais potência: como a largada do fim do grid em Singapura e a desclassificação no Japão. Com isso, a performance de Ricciardo foi altamente afetada e ele acabou comendo o pão que o diabo amassou.

O australiano pode ser considerado o piloto mais inteligente do grid, pois seus conhecimentos de engenharia estão acima dos de seus concorrentes. No entanto, a ineficiência da Renault desperdiçou o potencial que ele traria para a equipe. Ricciardo também é um dos nomes que mais luta por igualdade no tratamento entre as equipes e pilotos por parte da FIA e isso é uma qualidade muito nobre para o esporte.

Desejamos a Daniel Ricciardo um ano de sorte em 2020 e que ele consiga superar suas dificuldades. Talvez, como o próprio já esperava, não consiga lutar pelas melhores posições, mas que pelo menos ele possa manter uma constância de bons resultados.

 

  • Nico Hülkenberg

 

 

Nico Hülkenberg terminou 2019 no 14º lugar no campeonato, com 37 pontos (32 a menos que no ano passado). O alemão será substituído por Esteban Ocon na Renault em 2020, ficando sem vaga para o ano que vem.

A performance de Hülkenberg não foi das melhores. Pontuando em 10 de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quinto lugar no Grande Prêmio da Itália, sua falta de progresso se deve à ineficiência do motor Renault e à constante queda de desempenho que o piloto vem apresentando ao longo dos anos. O melhor momento de sua carreira foi sua pole position no Grande Prêmio do Brasil de 2010, corrida que ele não foi capaz nem de terminar no pódio. Mesmo assim, como todo mundo vira “lenda” ou quando morre ou quando se aposenta, de repente, os “fãs” de Hülkenberg saíram de sua hibernação de nove anos, e protestaram contra a volta de Ocon para a Fórmula 1, inclusive acusando o hispano-francês, baseado em fatos, de “piloto pagante” (ver mais sobre a polêmica em Entenda o Caso Esteban Ocon).

Desejamos a Nico Hülkenberg boa sorte em 2020 para onde quer que ele vá. Esperamos que seu substituto não traga mais problemas como os que ele trouxe em 2018.

 

  • Carlos Sainz Jr.

 

 

Carlos Sainz Jr. terminou 2019 no sexto lugar do campeonato, com 96 pontos (43 a mais que no ano passado). Sainz foi um dos três únicos pilotos fora de uma equipe de ponta a conseguir um pódio no ano (os outros foram Pierre Gasly e Daniil Kvyat, ambos da Toro Rosso), mas infelizmente não pôde comemorar devidamente porque os comissários demoraram para punir Lewis Hamilton, da Mercedes. Depois de herdar o terceiro lugar da corrida, ele recebeu uma homenagem de sua equipe, a McLaren, com direito a confetes, champanhe e Estrella Galicia (uma das patrocinadoras), mas sem público para assistir. Para piorar, durante a sessão de fotos, a equipe deixou seu companheiro Lando Norris tirar uma foto com a taça como se ele tivesse conquistado o título (parecia que ele tinha dito “Papai, quero a taça”, e o sr. Adam Norris havia pago para a equipe fingir que seu filho havia sido o conquistador do pódio).

Depois de um começo difícil, Sainz pontuou em 12 de 21 corridas, oscilando entre o quinto e o décimo lugar. Em algumas ocasiões, ele chegou a disputar posições com pilotos da Ferrari e da Red Bull logo após a largada, como no Grande Prêmio de Singapura, onde um choque com Alexander Albon, da Red Bull, o obrigou a parar mais cedo nos boxes.

Também com Albon, Sainz protagonizou um episódio lamentável de uma das corridas mais polêmicas da história da Fórmula 1: O Grande Prêmio da Itália de 2019. O espanhol jogou o tailandês para fora da pista e os comissários decidiram punir a vítima. O incidente entre Sainz e Albon foi o tira-teima para a acusação de racismo que pairou sobre a arbitragem da prova, pois além de Albon, que é asiático, outros dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Lewis Hamilton (da Mercedes), negro, foram prejudicados por decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Sainz foi o destaque da McLaren, vencendo seu companheiro de equipe por uma vantagem de 47 pontos. Mesmo assim, por uma questão de marketing, o espanhol não recebe o devido reconhecimento e as mídias digitais insistem em colocar Norris como melhor por ter largado à frente dele mais vezes do que o contrário. Tais marqueteiros e torcedores se esquecem que largada não quer dizer nada. O que conta não é o começo da corrida, e sim o final.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. um ano de 2020 com mais sorte e mais conquistas. Seria muito prazeroso vê-lo mais vezes no pódio.

 

  • Lando Norris

 

 

Ah, Lando Norris… em minha observação o piloto mais superestimado do grid. O estreante inglês pela McLaren terminou 2019 em 11º lugar com 49 pontos. Filho de um empresário multimilionário (Adam Norris, do setor de investimentos), Lando não obteve resultados impressionantes e, para contornar a fama de “piloto pagante” que começava a se desenvolver na mídia inglesa, apostou em uma vasta campanha de marketing para convencer os torcedores e a própria Fórmula 1 de que ele deveria ser lembrado como um “piloto engraçado” e não como o filho que sairia de um casamento entre Damian Wayne e Veruca Salt.

Norris pontuou em 11 de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o oitavo lugar. Apesar de ter largado à frente de seu companheiro Carlos Sainz Jr. mais vezes do que o contrário, o inglês foi derrotado pelo espanhol por 47 pontos. Seu ano de estreia não foi tão marcante como os de Max Verstappen e de Lance Stroll, por exemplo, pois não obteve pódios ou recordes.

Logo, suas condutas chamaram mais atenção que seu desempenho. No Grande Prêmio da Espanha, colidiu com Stroll, da Racing Point, e saiu xingando o canadense. O castigo veio a cavalo, quando seu carro pegou fogo no Grande Prêmio do Canadá. Na França, gritou com a equipe no rádio para que obrigasse Sainz a deixá-lo passar (requerimento que não foi atendido), e mesmo assim foi eleito “Piloto do Dia” por ter chegado em um simples nono lugar. Em Abu Dhabi, após ser ultrapassado por Sergio Pérez, da Racing Point, chorou no rádio. Ainda assim, os perfis oficiais da Fórmula 1 divulgavam cada peido que ele dava, tentando empurrá-lo goela abaixo dos torcedores mesmo suas atitudes na pista e no rádio não revelando carisma algum.

A campanha de marketing em torno de Norris contribuiu para o fortalecimento do racismo na Fórmula 1. É nítido que muitos torcedores e perfis midiáticos (sejam jornalísticos ou humorísticos) não se conformaram que a Fórmula 1 não é mais exclusividade de pilotos brancos europeus e não aceitaram a presença de um indígena na categoria. A solução encontrada foi uma guerra midiática, tentando emplacar a narrativa de que Stroll não merecia seu lugar na Fórmula 1 por ser bilionário (como se os pilotos brancos não tivessem patrocínio bilionário por trás de suas carreiras). Mesmo Stroll tendo conseguido em seu ano de estreia um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes, tudo em um carro nada competitivo, e tendo seu melhor resultado em 2019 um quarto lugar na Alemanha, enquanto que um sexto lugar no Bahrein e na Áustria foram o melhor que conseguiu Norris, que até agora não possui pódios, largadas da primeira fila ou recordes, os racistas se negam a chamar o inglês de “piloto pagante” e continuam a desmerecer o canadense. Mas, fatos não ligam para sentimentos. Os fanáticos podem tentar omitir a fortuna de Norris (pois para um racista, um branco rico não é tão surpreendente quanto um indígena rico) e tentar convencer os mal informados de que ele é melhor que Stroll, mas os fatos provam que na verdade seria mais lógico considerar Norris o verdadeiro “piloto pagante” da Fórmula 1, e Stroll continua sendo o segundo adolescente mais bem-sucedido da Fórmula 1 (para ver uma análise mais completa, veja a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

A verdade é que o apelido de “meme lord” ou “lorde dos memes” dado a Norris nada mais é do que uma tentativa de esconder o desempenho mediano do piloto e de convencer a todos de que os brancos devem ser tratados como superiores aos indígenas, não importa o quão bem-sucedidos os indígenas sejam. Devido a seu comportamento reprovável, Lando Norris ganhou o apelido de “Veruca Salt”, a menina mimada de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Desejamos a Lando Norris boa sorte para o ano que vem e mais maturidade, com menos postagens no Instagram e mais resultados na pista. Esperamos que a mídia pare de bajulá-lo e trate-o com o mesmo padrão que trataria qualquer outro piloto. Lembrando que não estamos dizendo que Norris é responsável pelo racismo na Fórmula 1, mas lamentavelmente ele é usado como escudo pelos racistas, pois usam um padrão duplo para julgar pilotos de cor em relação aos brancos.

 

  • Daniil Kvyat

 

 

Daniil Kvyat terminou o ano no 13º lugar, com 37 pontos. Foi o ano de retorno do russo à Fórmula 1 após um ano como terceiro piloto da Ferrari. Pontuou em 10 de 21 corridas e conquistou um pódio com o terceiro lugar na Alemanha, sendo um dos únicos três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir o feito (os outros foram seu companheiro Pierre Gasly e Carlos Sainz Jr., da McLaren).

Kvyat foi companheiro de Alexander Albon na primeira metade do ano, mantendo um equilíbrio de forças com relação ao tailandês. Esse equilíbrio se manteve com Gasly como novo companheiro. O lado “barbeiro” de Kvyat se manteve, com alguns acidentes como o do Grande Prêmio de Singapura, que tirou Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, da prova.

Na vida pessoal, Kvyat teve sua primeira filha, Penélope, do relacionamento com Kelly Piquet, filha do tricampeão Nelson Piquet. Seu pódio na Alemanha foi dedicado a ela.

Desejamos a Daniil Kvyat boa sorte para 2020. Esperamos que o próximo ano traga melhores resultados e menos acidentes.

 

  • Pierre Gasly

 

 

Pierre Gasly, a maior decepção do ano, terminou 2019 em sétimo lugar, com 95 pontos (66 a mais que no ano passado). Contratado pela Red Bull para substituir Daniel Ricciardo, que se mudou para a Renault, Gasly era a aposta da equipe austríaca para bons resultados, baseada no ótimo desempenho que ele teve com a Toro Rosso em 2018. No entanto, ele se revelou incapaz de lutar por posições à altura de uma equipe de ponta, não soube aproveitar as brigas internas da Ferrari que lhe trariam vantagens na pista, e fez com que a Red Bull não tivesse pontos o suficiente para vencer a Ferrari no ranking de construtoras. Um dos maiores exemplos de sua incompetência foi no Grande Prêmio da Áustria, onde não conseguiu passar Ricciardo mesmo tendo um carro muito superior. Com seu companheiro Max Verstappen carregando o time nas costas, o francês foi demitido e mandado de volta à Toro Rosso.

Provando que pilota melhor em equipe fraca do que em equipe de ponta, Gasly conseguiu um pódio no Grande Prêmio do Brasil com um segundo lugar. Ele foi o segundo de três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir um pódio (os outros foram seu companheiro Daniil Kvyat – que conseguiu o feito quando o francês estava na Red Bull – e Carlos Sainz Jr., da McLaren). No entanto, ele também protagonizou uma polêmica no Grande Prêmio da Itália: mesmo estando a metros de distância de Lance Stroll, piloto da Racing Point que havia sido atingido pelo ferrarista Sebastian Vettel, Gasly fingiu ter sido obrigado a deixar temporariamente a pista pela volta de Stroll. Os comissários, irritados por terem sido obrigados pelo regulamento a punir um piloto da Ferrari, encontraram uma oportunidade de vingança e puniram Stroll injustamente. Esta foi uma das três decisões controversas da corrida, somada à punição de Alexander Albon, piloto asiático da Red Bull, por ter sido jogado para fora da pista pelo piloto europeu Sainz, e a advertência branda ao ferrarista Charles Leclerc após ter espremido Lewis Hamilton, piloto da Mercedes e único negro no grid, contra o muro. Gasly parece ter algum problema pessoal contra pilotos indígenas (ou, no mínimo, apenas contra Stroll), pois no Grande Prêmio de Abu Dhabi, acusou o canadense de quebrar-lhe a asa dianteira, mesmo tendo sido o francês o autor de uma manobra imprudente numa tentativa de se colocar entre os dois pilotos da Racing Point. Numa tentativa de autopromoção, curtiu uma postagem mentirosa no Instagram do presidente de seu país, Emmanuel Macron, sobre os incêndios na Amazônia, provocando a indignação de torcedores brasileiros pelo suposto apoio de Gasly a uma mentalidade colonialista europeia.

Desejamos a Pierre Gasly um ano de 2020 com sorte e prudência. Esperamos que ele pare de concorrer com Lando Norris, da McLaren, o posto de piloto mais birrento do grid e tente valorizar o investimento que suas equipes fazem nele.

 

  • Kimi Raikkonen

 

 

Kimi Raikkonen terminou seu primeiro ano com a Alpha Romeo (herdeira da Sauber) em 12º lugar, com 43 pontos (208 a menos que no ano passado). Lembrando que Raikkonen já havia corrido antes pela Sauber, porém não se pode considerar Sauber e Alpha Romeo como a mesma equipe.

Com um carro nada competitivo, Raikkonen se esforçou ao máximo para garantir pontos preciosos a sua equipe. Pontuando em nove de 21 corridas, oscilando entre o sétimo e o décimo lugar (porém chegando em quarto no Grande Prêmio do Brasil), o finlandês teve ótimas atuações, como no Grande Prêmio da China, onde largou em 13º e cruzou a linha de chegada em nono após uma linda série de ultrapassagens. Raikkonen também superou seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, com 29 pontos de vantagem.

Desejamos a Kimi Raikkonen boa sorte para o ano que vem e esperamos que continue lutando por boas posições. Ele é um dos pilotos mais batalhadores do grid e suas disputas são sempre ótimas de se assistir.

 

  • Antonio Giovinazzi

 

 

Antonio Giovinazzi terminou 2019 no 17º lugar, com 14 pontos. Contratado pela Alpha Romeo para substituir o sueco Marcus Ericsson quando a Sauber mudou de gestão e de nome, o italiano pontuou em quatro de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quarto lugar no Grande Prêmio do Brasil.

O momento mais marcante do ano de Giovinazzi foi quando conseguiu liderar a volta no Grande Prêmio de Singapura (que terminou em décimo lugar). O carro nada competitivo da Alpha Romeo prejudicou seu desempenho, somado à falta de experiência considerável na Fórmula 1. Suas últimas corridas até sua contratação oficial foram os Grandes Prêmios da Austrália e da China de 2017, quando substituiu Pascal Wehrlein, que estava lesionado. Fora da categoria por quase dois anos (lembrando que em 2017 ele participou de apenas duas corridas), Giovinazzi passou por um ano de adaptação ao carro. E embora não tenha tido o mesmo desempenho de seu companheiro Kimi Raikkonen (que o venceu com uma vantagem de 29 pontos), Giovinazzi se manteve relativamente longe de incidentes, exceto pelo abandono na Grã-Bretanha (onde rodou e parou na caixa de brita) e o choque com Robert Kubica, da Williams, em Abu Dhabi.

Desejamos a Antonio Giovinazzi boa sorte para 2020 e que ele consiga se adaptar melhor ao carro. Cremos que ele tem o potencial suficiente para conseguir melhores resultados no futuro.

 

  • Romain Grosjean

 

 

Romain Grosjean terminou o ano em 18º lugar, com 8 pontos (29 a menos que no ano passado). Pontuando em apenas três das 21 corridas do ano, conseguindo um sétimo lugar na Alemanha e um décimo lugar na Espanha e em Mônaco, Grosjean teve um dos desempenhos mais medíocres de 2019 e a renovação de seu contrato gerou descontentamento por parte dos torcedores, pois a Haas estaria investindo em pilotos que há muito tempo deixam a desejar em vez de dar oportunidades a jovens que procuram uma oportunidade (como Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara).

Começando o ano batendo em Lance Stroll, da Racing Point, no treino classificatório do Grande Prêmio da Austrália e logo após a largada do Grande Prêmio do Bahrein, Grosjean se destacou por suas barbeiragens típicas e suas reclamações no rádio. Nem mesmo seu companheiro Kevin Magnussen escapou dos confrontos, como no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, onde os dois se chocaram e causaram um duplo-abandono.

Desejamos a Romain Grosjean sorte para o ano que vem e mais prudência em sua direção. Esperamos que ele justifique o investimento da Haas e traga melhores resultados para sua equipe.

 

  • Kevin Magnussen

 

 

Kevin Magnussen terminou 2019 no 16º lugar, com 20 pontos (36 a menos que no ano passado). Os torcedores também não reagiram bem à notícia da renovação de seu contrato com a Haas, pois o desempenho do dinamarquês estava bem longe do esperado.

Pontuando em quatro de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o nono lugar, Magnussen teve uma temporada medíocre, marcada por conflitos com seu companheiro Romain Grosjean, como o duplo-abandono no Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Sua vantagem em relação ao francês se deve por ter pontuado em uma corrida a mais do que o companheiro. Porém, para um piloto que teve um bom começo de carreira, Magnussen vêm apresentando um declínio em rendimento e, na opinião de muitos torcedores, não justifica o investimento da Haas.

Desejamos a Kevin Magnussen um 2020 com mais sorte e sabedoria. Mesmo que não consiga os mesmos resultados do começo de sua carreira, esperamos que ele possa contornar as dificuldades e superar seus limites.

 

  • Robert Kubica

 

 

A surpresa de 2019, Robert Kubica terminou o ano em 19º lugar com apenas um ponto (o único de sua equipe), obtido no Grande Prêmio da Alemanha após ser promovido para o décimo lugar depois da dupla da Alpha Romeo (Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi) ser punida com 30 segundos para cada piloto. O polonês regressou à Fórmula 1 depois de anos afastado devido a um acidente em 2011. Pressionada pelo discurso dos empresários de Kubica (entre eles o campeão de 2016, Nico Rosberg), a Williams via na contratação do polonês uma oportunidade de atrair investimentos de empresas polonesas e conseguir mais atenção midiática. A escuderia inglesa, porém, percebeu que Kubica não resolveria os problemas administrativos e financeiros que enfrenta há alguns anos.

Após tentarem convencer a mídia e os torcedores de que seus pilotos eram os culpados pelos problemas da Williams em 2018, Paddy Lowe e Claire Williams apostaram em uma dupla nova para 2019. No entanto, o rendimento do carro piorou e não havia mais bodes expiatórios. Lowe optou por deixar o departamento de engenharia alegando problemas pessoais, e caiu em cima de Claire toda a culpa pelo mal funcionamento da escuderia de seu pai. Antes de contratarem Kubica, deveriam ter pensado que as sequelas do acidente que lesionou o braço esquerdo do piloto demandariam um carro adaptado, o que significaria mais gastos. Uma equipe com problemas financeiros não deveria assumir esse risco, até por que não havia garantias de que Kubica, afastado da categoria por oito anos, traria bons resultados que justificassem tal investimento.

Dois momentos marcaram o ano do polonês: sua temporária condecoração como “Piloto do Dia” do Grande Prêmio da Áustria (que depois se revelou como um erro de sistema, pois o verdadeiro eleito havia sido Max Verstappen, da Red Bull), e seu choque com o holandês nos boxes do Grande Prêmio do Brasil. Felizmente, o incidente não prejudicou a prova como havia ocorrido no ano anterior graças à imprudência de Esteban Ocon, e Kubica foi penalizado com cinco segundos.

Não podendo arcar com os custos do polonês, a equipe o demitiu e contratou o canadense de ascendência iraniana Nicholas Latifi para substituí-lo em 2020. Um fato curioso é que o volante adaptado de Kubica que havia sido encomendado para o começo do ano só chegou na segunda metade da temporada, provando que a Williams ainda sofre com problemas de prazo na entrega tanto de equipamentos quanto de resultados.

Desejamos a Robert Kubica boa sorte para ano que vem, seja lá qual for o seu destino. Foi muito legal ver que, apesar do resultado ter sido fruto de uma punição a adversários, ele conseguiu no mínimo trazer um ponto para sua equipe, coisa que seu companheiro de time, George Russell, não foi capaz de fazer mesmo estando com o corpo perfeitamente saudável. Kubica foi um exemplo de superação esse ano.

 

  • George Russell

 

 

George Russell foi o último colocado no campeonato (em 20º lugar), sendo o único piloto incapaz de pontuar em 2019. Grande parte da culpa por seu fraco desempenho foi a incompetência de sua equipe, a Williams, e a crise financeira e administrativa que a escuderia passa.

Uma curiosidade sobre Russell é que, mesmo sem querer, ele foi uma peça no jogo de uma guerra publicitária racista contra Lance Stroll, da Racing Point. Mesmo Stroll tendo pontuado em seis ocasiões, tendo seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha, e Russell sendo o único do grid a não pontuar sequer uma vez, alguns veículos midiáticos insistem que ele é melhor que o canadense. Este absurdo só tem uma explicação lógica: Russell é branco e europeu, Stroll é caboclo (mestiço de branco com indígena), e ainda há pessoas que desejam que a Fórmula 1 volte a ser dominada exclusivamente por brancos de etnia europeia (sejam estes nascidos na Europa ou descendentes exclusivamente de europeus). Para mais explicações, consultar a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1.

Apesar deste lamentável fato, Russell não esteve blindado de ataques. Apesar de ter sido derrotado nos resultados finais pelo companheiro Robert Kubica, os torcedores poloneses não admitiram que o inglês tivesse largado à frente de Kubica em todas as corridas. Consequentemente, Russell foi alvo de ataques na internet, muitos de conotações homofóbicas. Isso prova que o esporte deve combater, além do racismo, a homofobia.

Desejamos a George Russell boa sorte para o ano que vem e que ele possa pontuar em várias corridas. Não se pode afirmar sobre o potencial de Russell, já que seu carro o impediu de triunfar, mas é nítido que, se ele espera melhores resultados em sua carreira, deve deixar a Williams.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2019 se diferenciou da de 2018 pela incapacidade da Ferrari de competir com a Mercedes pelo título. A Red Bull provou mais uma vez que detém pilotos excelentes, mas não consegue produzir um carro à altura. A Mercedes se beneficia por seu carro mais potente em relação ao grid, enquanto a Ferrari sai prejudicada pela falta de liderança de Mattia Binotto (substituto do veterano Maurizio Arrivabene) e o conflito interno entre a política tradicional da equipe e seus pilotos, Sebastian Vettel e Charles Leclerc. Corridas como a da Alemanha e do Brasil se destacaram pela emoção e adrenalina, enquanto que outras, como França, mereciam ser retiradas do calendário. O duplo-padrão adotado pelos comissários para julgar incidentes, como em Mônaco e na Itália, mancham a imagem da categoria, e existem pilotos que lutam contra essa política, como Max Verstappen, Sergio Pérez e Daniel Ricciardo. Não se sabe se 2020 trará mais mudanças, mas presenciamos em 2019 o princípio de uma revolução que contrasta com os anos de 2017 e 2018.

Sergio Pérez

Last update on January 11th, 2021 | Última atualização em 11 de janeiro de 2021

 

English

Technical file

Full name: Sergio Pérez Mendoza

Birth date: January 26th, 1990

Birthplace: Guadalajara, Jalisco, Mexico

Height: 1,75 m (5 ft 70)

Astrological sign: Aquarius

Religion: Roman Catholic

Formula One debut: 2011 Australian Grand Prix (21 years old)

Country: Mexico

Português

Ficha técnica

Nome completo: Sergio Pérez Mendoza

Data de nascimento: 26 de janeiro de 1990

Local de nascimento: Guadalajara, Jalisco, México

Altura: 1,75 m

Peso: 68 kg

Signo: Aquário

Religião: Católico

Estreia na Fórmula 1: Grande Prêmio da Austrália de 2011 (21 anos)

País: México