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Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2020

Análise por Rebeca Pinheiro, com comentários e artes de Adriana Perantoni

 

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de novo. Dessa vez com a análise da temporada de Fórmula 1 de 2020. Foi um ano atípico, com cancelamentos e adiamentos de algumas corridas e o ingresso de outras devido à pandemia de Covid-19. No entanto, a FOM se organizou para que a Fórmula 1 continuasse. Mesmo com todos os imprevistos, houve boas corridas, quebras de recordes, e outros momentos marcantes. Sem mais enrolações, vamos recapitular como foi a temporada de cada um dos pilotos.

 

  • Lewis Hamilton

Lewis Hamilton foi o grande vencedor de 2020. Conquistou seu sétimo título mundial com 347 pontos (66 a menos que no ano passado), vencendo 11 das 17 corridas e tendo 14 pódios. Hamilton pontuou em todas as corridas que participou, se ausentando unicamente no Grande Prêmio do Sakhir, pois havia sido diagnosticado com Covid-19. De bônus, quebrou dois recordes: mais vitórias na carreira (95) e mais vitórias vitórias com o mesmo time (74). Além disso, igualou o número de campeonatos de Michael Schumacher e há enormes chances de se tornar octacampeão mundial em 2021. Seu sucesso é fruto de seu talento e trabalho duro, e ninguém pode extinguir seu legado na Fórmula 1.

O inglês também se destacou por seu ativismo antirracista, liderando movimentos de apoio às vítimas de racismo antes de cada corrida. Apesar de muitos torcedores, e até parte da imprensa, terem criticado esta nobre ação, Hamilton cumpriu muito bem o seu papel, não apenas como um dos únicos três pilotos pertencentes a minorias étnicas do grid de 2020 (juntamente com Lance Stroll e Alexander Albon)*, mas também como uma personalidade famosa que pode influenciar a opinião pública. O racismo é algo terrível, que destrói vidas, e é extremamente importante que as pessoas se conscientizem desse mal que assola a humanidade. Deixamos nossos parabéns à liderança de Hamilton na luta contra o racismo.

*Nota: Considerando-se os critérios brasileiros de classificação de minorias étnicas. Se formos adotar o padrão de outros países, como os Estados Unidos, Sergio Pérez seria incluído, por ser latino-americano.

Desejamos que 2021 seja um ótimo ano para Lewis Hamilton, um piloto guerreiro, prudente e talentoso.

Fotos: FIA/F1 handout/EPA | Reprodução / Instagram | Getty Images | Pool via REUTERS | EPA | Getty Images

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Essa temporada foi A temporada para Lewis Hamilton. O britânico quebrou recordes, se consagrou como o melhor de todos os tempos na Fórmula 1, igualou os títulos de Michael Schumacher e brilhou dentro e fora das pistas. Seus protestos por igualdade racial após a morte do americano George Floyd nas redes sociais pressionaram a FIA para fazer algo contra a discriminação e a favor da diversidade no grid, sendo assim, criada a campanha We Race As One (que não tem nada de correr como um só, visto que o britânico foi até investigado por usar uma camiseta pedindo justiça pela morte de outra negra nos Estados Unidos, a jovem Breonna Taylor).

Apesar disso, Hamilton deu um show nas etapas em que disputou (menos Sakhir, na qual estava infectado pela COVID-19) e mostrou que seu talento vai muito além do ótimo carro que guia. Seus erros foram mínimos e quando não errou, pilotou com maestria e deu uma aula na pista. Um momento mais marcante, para mim, além da corrida em que conquistou seu heptacampeonato, foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em que levou seu carro na última volta com um dos pneus dianteiros furados. Essa proeza é para poucos.

 

  • Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2020, com 223 pontos (106 a menos que no ano passado), mas ressalta-se que se não fosse seu pódio no Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria perdido a segunda colocação do campeonato para Max Verstappen. Bottas teve duas vitórias (Áustria e Rússia) e 11 pódios, mas embora tivesse uma certa constância em pontuar (pois ficou fora da zona de pontuação apenas na Grã-Bretanha e Turquia), o finlandês decepcionou em algumas corridas, como Bahrein e Sakhir, as quais terminou em oitavo lugar e teve muita dificuldade para ultrapassar seus adversários. Embora “certas pessoas” tentem relativizar o talento de Lewis Hamilton, reduzindo-o ao bom desempenho do carro da Mercedes, Bottas é a prova de que o carro não anda sozinho. Se o piloto não tem garra o suficiente, o carro não faz milagres. E o finlandês, com o mesmo carro, estava muito atrás do inglês em performance.

Bottas teve duas condutas reprováveis no ano. Uma foi quando fez uma piada contra os chineses, e a outra foi no final do Grande Prêmio da Rússia, quando desferiu palavras de baixo calão a seus críticos. Embora ninguém goste de ser criticado, deve-se diferenciar críticas construtivas de destrutivas. Uma coisa é criticar pilotos que estão começando há pouco tempo e arrumar justificativas patéticas para isso (tal como fez Jacques Villeneuve contra Max Verstappen e Lance Stroll). Outra bem diferente é cobrar bons resultados de um piloto que está no melhor carro do grid. O caso de Bottas se encaixa no segundo tipo. Mandar seus críticos para “aquele lugar” não é uma ação defensiva, mas sim uma imaturidade do atleta que se recusa a fazer uma autocrítica. O próprio Bottas afirmou ter evitado a internet e as notícias após o Grande Prêmio do Sakhir, o qual perdeu a liderança para o novato George Russell* na primeira curva. Pode ter sido uma boa estratégia para fortalecer seu psicológico, mas o finlandês não vai poder se esconder da verdade por muito tempo.

*Nota: Lembrando que George Russell estava em sua primeira corrida pela Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid), por isso foi considerado aqui como “novato”. Russell estava em seu segundo ano na Fórmula 1, mas havia corrido apenas pela Williams.

Desejamos a Valtteri Bottas que 2021 seja um ano melhor, que ele tenha mais prudência nas ações e palavras e que mostre sua função na Mercedes.

Foto: Getty Images

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O que dizer de Valtteri Bottas? O finlandês tem a difícil tarefa de ser companheiro de equipe do melhor do mundo e ainda tem que aguentar um “novato” na espreita, esperando apenas a oportunidade certa de dar um bote em sua vaga na Mercedes. Esse ano, Bottas assumiu mais uma vez o posto de vice e até disse em uma entrevista que acreditava que poderia bater Hamilton. Nem nos seus sonhos, Valtteri.

O finlandês pouco entregou nesta temporada, servindo apenas para ajudar a Mercedes a conquistar com folga o campeonato de construtores. Mesmo quando Hamilton desfalcou a equipe e Russell o substituiu, ele não conseguiu superá-lo, levando uma bela ultrapassagem, dessas que você assiste e se arrepia, no GP de Sakhir. Mais uma temporada morna de um piloto mediano que guia um carro que não merece.

 

  • Max Verstappen

Max Verstappen foi o terceiro colocado do campeonato de 2020, com 214 pontos (64 a menos que no ano passado). Teve duas vitórias (70º Aniversário e Abu Dhabi) e 11 pódios, e como dito na análise de Valtteri Bottas, se não fosse o pódio do finlandês na última corrida do ano, Max teria sido vice-campeão. Verstappen teve cinco abandonos, pontuando em todas as demais corridas. Além disso, o holandês foi um dos dois únicos pilotos de fora da Mercedes a largar da pole position em 2020 (juntamente com Lance Stroll) e um dos três únicos de fora da Mercedes a vencer no ano (ao lado de Pierre Gasly e Sergio Pérez).

Mas nem tudo foi elogiável na temporada de Verstappen. Para começar, ele foi um dos seis pilotos que decidiu não se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Nos treinos do Grande Prêmio de Portugal, fez uma ofensa racista contra Stroll, chamando-o de “mongol”. Ainda que muitos tentem amenizar esta atitude, não é correto associar uma doença mental a uma etnia (por isso que o termo “mongol” é sim, racista), nem insinuar que o adversário tenha tal enfermidade apenas por um acidente (que se forem analisadas as imagens, foi causado não por Stroll, mas por Verstappen). No Grande Prêmio do Bahrein, disse que se algum piloto não quisesse retornar à corrida após o grave acidente de Romain Grosjean, este não merece um assento na Fórmula 1. É lamentável que um dos pilotos mais talentosos do grid, e um dos favoritos da criadora deste site, tenha uma atitude tão baixa e antiética. Verstappen sempre se destacou na Fórmula 1 por sua determinação, resultados brilhantes, e capacidade de calar aqueles que duvidavam de seu potencial. Ele não deveria seguir o exemplo de outros atletas que ficaram conhecidos pelas frases polêmicas. Por este motivo, Max Verstappen é um dos candidatos ao Troféu Boca de Fogo que será dado em 2021 no The Racing Track Awards.

O nível de competitividade da Fórmula 1 em 2020 estava abaixo do esperado. Logo, apesar de ter sido uma presença constante no pódio, Max não teve muitas chances de propiciar um espetáculo aos fãs (uma exceção foi o Grande Prêmio do 70º Aniversário). A Red Bull foi a segunda colocada entre as construtoras porque o desempenho da Ferrari caiu drasticamente, pois a escuderia austríaca ainda não foi capaz de providenciar um carro vencedor a Verstappen que possibilite que ele dispute de igual para igual com Lewis Hamilton. E apesar disso, o holandês ama tanto a equipe que se recusa a sair dela, arruinando suas chances de progredir na carreira e se estagnando como um “piloto de pódios que às vezes vence”. Leia mais sobre isso em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

Desejamos a Max Verstappen que em 2021 ele tenha mais prudência nas palavras e ações, e que tenha mais oportunidades de brilhar.

Fotos: Getty Images / Red Bull Content Pool

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O holandês, mais uma vez, mostrou que é bom no que faz. Pelo menos nas pistas. Verstappen fez parte de 90% dos pódios nesta temporada, completando o top 3 do campeonato junto com Hamilton e Bottas. As falhas do holandês vieram por conta de problemas com seu carro, muitas vezes motivadas pelo motor Honda. Contudo, ele continua tendo atitudes desportivas em relação aos seus rivais, vide seu rádio lamentável no treino livre do GP de Portugal, onde ofendeu Stroll com expressões capacitistas e racistas, no qual até mesmo o governo da Mongólia cobrou uma posição do piloto, o que ainda não teve resposta.

Verstappen ainda precisa amadurecer em suas atitudes com seus colegas de trabalho e espero que no ano que vem, episódios desse tipo não aconteçam, sejam dele ou de qualquer outro piloto no grid.

 

  • Alexander Albon

Alexander Albon foi o sétimo colocado de 2020, com 105 pontos (13 a mais que no ano passado). Teve dois pódios (terceiro lugar na Toscana e no Bahrein) e apenas um abandono, no Grande Prêmio do Eifel, pontuando em 12 corridas de um total de 17. Embora a Red Bull estivesse mais forte nesse ano devido ao fracasso da Ferrari, Albon não conseguiu acompanhar o desempenho de Max Verstappen, oscilando constantemente entre o sexto e o décimo lugar, o que não é desejável para um piloto de equipe de ponta. Apenas na Estíria e em Abu Dhabi que o tailandês conseguiu o quarto lugar e se aproximou do companheiro.

Devido a uma série de fatores, Albon foi rebaixado à posição de terceiro piloto da Red Bull. Sergio Pérez o substituirá como piloto titular. O mexicano teve de sair da Racing Point após Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprar ações da futura dona da equipe, a Aston Martin. Consequentemente, o tailandês foi sacrificado por uma pressa da Red Bull em ter dois pilotos competitivos o suficiente para agradar Helmut Marko. Havia muita pressão em Albon para ser como Verstappen desde que o tailandês substituiu Pierre Gasly em 2019, e infelizemente teve o mesmo destino do francês. Albon teve pouco tempo para desenvolver todo o seu potencial. Para entender melhor a situação, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Desejamos a Alexander Albon boa sorte nessa nova etapa da carreira e que em 2021 apareça uma boa oportunidade para superar a frustração desse rebaixamento injusto.

Fotos: FIA Pool Image for Editorial Use

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O que parecia uma temporada promissora para Albon, logo mostrou-se sua temporada de despedida (por enquanto). Logo na primeira corrida, Albon se envolveu em um acidente com Hamilton, muito parecido com a colisão do GP do Brasil do ano passado. E a partir daí, parece que o tailandês diminuiu, quase sumiu. Nem seus dois pódios foram o bastante para ele se reerguer e mostrar ao que veio.

Na minha opinião, parece que ele desistiu. A pressão imposta pelos dirigentes da equipe taurina é cruel, temos Gasly como um exemplo recente, mas o tailandês se apequenou diante das dificuldades. Em um de seus rádios, após quase colidir com Gasly, o tailandês disse que “eram duros demais com ele” na pista. Tanto Horner quanto Helmut Marko se aproveitaram dessa brecha e começaram a fazer seus costumeiros jogos mentais com Albon, soltando uma nota aqui na imprensa, outra acolá em uma entrevista após a corrida. Mas não adiantou, Albon foi rebaixado ao cargo de piloto reserva da Red Bull Racing para 2021. Espero que o tailandês se reerga e ache seu lugar, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria, encontrando uma equipe que o acolha, ao invés de simplesmente tratá-lo como a Red Bull o tratou.

 

  • Sergio Pérez

Sergio Pérez foi uma das grandes surpresas de 2020. Terminou o campeonato em quarto lugar, com 125 pontos (73 a mais que no ano passado). Apesar de ter ficado de fora de duas corridas (Grã-Bretanha e 70º Aniversário) devido à Covid-19, o mexicano foi bem consistente, pontuando em 13 corridas, tendo um pódio na Turquia (segundo lugar) e uma incrível vitória no Sakhir (a primeira de sua carreira). Esta ocorreu após Pérez ser tocado por Charles Leclerc e obrigado a trocar os pneus ainda na primeira volta. Por esta razão, sua vitória é candidata ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards em 2021.

Por muito pouco, o mexicano não ficou de fora do grid do ano que vem. Isso porque depois que Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprou as ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point, a equipe inglesa não renovou o contrato de Pérez para que o alemão se juntasse ao time. Obviamente, a imprensa tentou culpar Lance Stroll pela situação, mesmo que o canadense não tivesse culpa nenhuma disso. Mas os fatos não mentem: Vettel sabia que estava sem opções para 2021 e preferiu garantir seu assento comprando-o (ou alguém realmente acredita que ele investiria em uma equipe na qual não teria interesse em participar?). Temos duas fontes muito confiáveis dessa informação: as matérias de Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), e de Sergio Quintanilha no portal Terra (veja aqui). Para entender o caso como um todo, leia e “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Seria muito ruim se Pérez ficasse de fora do grid (leia mais em “A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina”), mas há males que vêm para o bem, e o piloto agora está oficialmente em uma equipe de ponta. Um aviso aos fãs de Pérez: o inimigo de vocês não se chama Lance Stroll, nem Lawrence Stroll (que, inclusive, estava hesitante com o ingresso de Vettel, mas seus sócios eram a favor), o inimigo de vocês se chama Sebastian Vettel. Demos as fontes para vocês checarem. O que houve é que o alemão não quis colher o que plantou e usou uma ferramenta poderosa para se manter no grid: o dinheiro.

Desejamos a Sergio Pérez que 2021 seja um ano de muito sucesso e realizações.

Fotos: Motorsport Images | Glenn Dunbar

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A temporada foi emocionante para Pérez, em todos os sentidos. Como esperado, o mexicano teve resultados consistentes no começo da temporada, conquistando bons pontos e colocações nas corridas. Até que, antes do GP da Inglaterra, Pérez testou positivo para a COVID-19, perdendo assim duas corridas. Ao retornar, no GP da Espanha, ele conseguiu um bom quinto lugar (quarto, se não fosse por uma punição) e algumas corridas depois, anunciou sua saída da Racing Point no final da temporada para dar lugar a Sebastian Vettel. A notícia veio como uma surpresa para o mexicano, que até então, tinha um contrato até 2021. Mesmo com essa notícia, Pérez conseguiu três pódios e sua primeira vitória, no GP de Sakhir.

Ano que vem, Checo correrá pela Red Bull, tendo assim sua segunda chance em uma equipe de ponta (a primeira foi com a McLaren em 2013, o que não deu certo graças ao péssimo carro daquele ano). Será que veremos o mexicano mais vezes no degrau mais alto do pódio? É o que esperamos.

 

  • Lance Stroll

Ah, Lance Stroll… o piloto que fez a criadora do site ficar igual ao Hiashi Hyuuga em pelo menos três corridas (fãs de Naruto entenderão a referência). O canadense marcou 75 pontos (54 a mais que no ano passado), o mesmo total de Pierre Gasly. Se não tivesse aberto passagem a Esteban Ocon na última volta do Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria conseguido um ponto a mais e terminado o campeonato em décimo. Por causa dessa “gracinha” desnecessária, o critério de desempate entre Stroll e Gasly foi o número de vitórias. Com isso, o francês ficou em décimo lugar e o canadense em décimo primeiro. Vou me abster de comentar mais sobre isso, senão vou ao cartório mudar meu nome oficialmente para Hiashi.

Stroll conseguiu dois pódios em 2020, na Itália e no Sakhir (chegando em terceiro em ambas as corridas), teve a primeira pole position da carreira na Turquia, e ótimas atuações na Hungria e na Espanha. Apesar dos contratempos, Lance pontuou em 10 corridas. Alguns fatores o atrapalharam, como a Covid-19 (que o tirou do Grande Prêmio do Eifel), um acidente provocado por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Rússia e, principalmente, a incompetência dos estrategistas de sua equipe (que impediram seu pódio na Turquia). Os erros grosseiros da Racing Point nos pit stops são uma das prova de que Stroll não tem privilégios na equipe (se tivesse, no mínimo teria pedido ao pai para demitir esse estrategista “jênio” que não acerta uma). E antes que alguém abra a boca para falar do caso de Sergio Pérez, que teve de sair da Racing Point para dar lugar a Sebastian Vettel, saiba que o motivo dessa mudança foi a compra de ações da Aston Martin por Vettel (pode checar as matérias de Adam Cooper (veja aqui) e de Sergio Quintanilha (veja aqui)).

Ainda em 2020, Stroll teve atitudes louváveis, como o apoio às vítimas de racismo, o cavamento de poços d’água na Gâmbia e a doação à Fundação do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Além disso, se mostrou um gentleman e respondeu com classe às grosserias de Max Verstappen e Lando Norris (provando que os indígenas não são “selvagens” e que nem sempre os europeus agem como “civilizados”).

Desejamos a Lance Stroll um 2021 ainda melhor, com muito sucesso e realizações. E um conselho meu: preste atenção em suas amizades.

Fotos: Getty Images | Pool via REUTERS | Wires Pool

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A temporada de Stroll foi agridoce. Com bons resultados no começo da temporada, o canadense mostrava confiança, talvez nunca vista antes. Um terceiro lugar na classificação no GP da Hungria e seu pódio em Monza foram fatores decisivos para a tal confiança. Porém, uma onda de azar o atingiu: abandonos, batidas e até COVID-19 são incluídos nessa lista. Porém, após ter um pouco de dificuldades em se recuperar totalmente do COVID, Stroll respondeu às críticas na pista: ele foi o único piloto além de Bottas, Hamilton e Verstappen a conquistar uma pole (Turquia), a primeira de sua carreira e ainda conquistou o pódio em Sakhir, garantindo a primeira dobradinha no pódio para a Racing Point.

Mesmo sendo superado por Pérez, sofrendo com erros de estratégia (se comparados a Pérez, estes foram mínimos) e tendo vários infortúnios durante a temporada, Stroll consegue tirar alguns pontos bons dessa temporada. Basta esperar para ver o que a Aston Martin reserva para Stroll.

 

  • Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. terminou o ano em sexto lugar, com 105 pontos (nove a mais que no ano passado). Teve um pódio na Itália (segundo lugar), pontuou 12 vezes, e seu pior momento foi no Grande Prêmio da Bélgica, pois um problema no motor o impediu de largar. Sainz teve apenas dois abandonos, na Toscana e na Rússia.

Assim como Max Verstappen, o espanhol teve momentos lamentáveis referentes a suas condutas. Antes da temporada começar, ele havia feito uma piada contra os chineses, e depois foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Tais comportamentos não são aceitáveis a um piloto com tanta visibilidade, que ainda por cima correrá pela Ferrari em 2021 após a demissão de Sebastian Vettel.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. que 2021 lhe traga mais sabedoria e consciência, para que possa ter uma temporada com um bom aproveitamento do carro e dar um bom exemplo aos ferraristas.

Foto: XPB Images

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De saída da McLaren em sua melhor temporada, Sainz teve seus bons momentos na temporada. O segundo lugar em Monza (que, se não fosse por um erro na relargada, o espanhol tinha grandes chances de vencer aquela corrida) foi o ponto alto de Sainz. Em uma disputa equilibrada com Norris, o espanhol mostrou que consegue desafiar seus companheiros de equipe mas, ao meu ver, ele ainda foi ofuscado pelo britânico. Minhas diferenças com Sainz, seja pela falta de respeito e sensibilidade à Lewis Hamilton ao não ajoelhar antes das corridas e também, ao episódio xenófobo protagonizado em uma parceira paga por um de seus grandes patrocinadores me impede de prestar mais atenção no espanhol.

Confiante com a recuperação da Ferrari para a próxima temporada, ele diz que não se arrepende em ter deixado o time de Woking… Vamos aguardar para ver se o arrependimento vai bater em 2021 e se ele resistirá à pressão de Leclerc, que está longe de ser um Norris da vida.

 

  • Lando Norris

Lando Norris terminou o ano em nono lugar, com 97 pontos (48 a mais que no ano passado). Conseguiu seu primeiro pódio da carreira no Grande Prêmio da Áustria, após Lewis Hamilton ter sido punido por colidir com Alexander Albon. Além disso, pontuou 12 vezes e só teve um abandono, no Grande Prêmio do Eifel. Apesar de ter se ajoelhado em solidariedade às vítimas de racismo, Norris tentou “passar pano” para aqueles que não se ajoelharam, o que levou a um questionamento dos motivos por sua escolha: se realmente se importava com o racismo, ou se participou do ato apenas para se promover. Mas esta não foi a única polêmica do inglês neste ano.

Infelizmente, o comportamento infantil de 2019 se repetiu em 2020. No Grande Prêmio da Bélgica, ofendeu seu engenheiro com palavrões por ele ter apenas alertado o piloto sobre suas saídas do traçado. Na Itália, apesar de ter cometido uma infração (ter sido excessivamente lento no pit stop), reclamou de Lance Stroll por trocar os pneus durante a bandeira vermelha (apesar de isto estar de acordo com o regulamento), demonstrando despeito pelo canadense ter tido um pódio na corrida e ele não. No Eifel, agiu grosseiramente com sua equipe. Mas a conduta mais lamentável ocorreu no Grande Prêmio de Portugal, quando ofendeu dois pilotos: primeiro, esbravejou contra Lance Stroll devido a uma colisão e disse que o canadense “nunca aprende com seus erros” (como se Norris aprendesse, pelo que vemos aqui), depois desmereceu o sucesso de Lewis Hamilton em uma entrevista, afirmando que seus resultados se davam pelo piloto da Mercedes “ter o melhor carro”. Como sua fala não foi bem recebida pelos torcedores, Norris se retratou no dia seguinte, mas não da maneira mais correta, dizendo que disse coisas ruins sobre “certas pessoas”, revelando falta de humildade e de autocrítica, por não ter coragem de dizer os nomes dos pilotos que ofendeu.

No entanto, a equipe de marketing por trás de Norris merece um prêmio, pois mesmo com todas essas atitudes, a mídia ainda o trata como um piloto perfeito, e seus fãs o defendem com unhas e dentes, mesmo quando está nitidamente errado (se fosse outro piloto agindo dessa forma, já teria sido linchado). A própria Fórmula 1 parece supervalorizá-lo, pois Norris aparece mais nas postagens da categoria no Instagram do que o próprio Hamilton, que é campeão. Devido à sua conduta antiética em 2020, principalmente no Grande Prêmio de Portugual, Norris é candidato ao Troféu Boca de Fogo no The Racing Track Awards. Isso não significa que temos algo contra ele pessoalmente (uma de nossas colunistas é fã dele e outra divide o aniversário com ele), mas devemos ser coerentes: elogiar o que deve ser elogiado (como ter usado o capacete desenhado por uma fã de 6 anos no Grande Prêmio da Grã-Bretanha) e criticar o que deve ser criticado. Aqui, todos os pilotos são iguais, nenhum está acima de outro para receber tratamento privilegiado.

Desejamos a Lando Norris que em 2021 ele “dê o exemplo” e realmente aprenda com seus erros. Apesar de seu pai se chamar Adam, não fica bem para um piloto agir como o príncipe antes de ser transformado em Fera (fãs da Disney entenderão a referência).

Foto: Pirelli

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Em sua segunda temporada, Norris foi a peça chave para o triunfo da McLaren e a evolução da histórica equipe para chegar ao terceiro lugar no campeonato de construtores. Com contrato confirmado para a próxima temporada, o britânico não perdeu tempo em mostrar que seu bom desempenho em 2019 não foi apenas fogo de palha e logo na primeira corrida da temporada, conseguiu seu primeiro pódio: um terceiro lugar no GP da Áustria. Dessa corrida em diante, seus resultados foram consistentes e ele não teve medo de desafiar os pilotos mais experientes na pista, vide sua disputa por posições na ultima volta com as duas Racing Point e Ricciardo no GP de , na qual ele levou a melhor.

Se Norris conseguiu se manter estável e obter bons resultados para seu campeonato e de sua equipe com um motor Renault – que no bólido da McLaren, não teve problemas de confiabilidade -, ele também pode incomodar seus concorrentes mais próximos no ano que vem, já que a McLaren terá motores Mercedes. Basta esperar e ver. E como Rebeca bem observou na análise, espero que Lando reveja suas atitudes, inclusive sua “boca de fogo”.

 

  • Pierre Gasly

Pierre Gasly terminou o ano com 75 pontos (20 a menos que no ano passado), em décimo lugar. Se 2019 foi um ano decepcionante, por não ter conseguido acompanhar o desempenho de Max Verstappen e ter sido rebaixado de volta para a Red Bull, em 2020 Gasly renasceu das cinzas como uma fênix e conseguiu sua primeira vitória da carreira, no Grande Prêmio da Itália, que concorre ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards. O francês pontuou em 10 corridas e teve três abandonos (Hungria, Toscana e Emília-Romanha).

Gasly provou que os pilotos têm tempos diferentes de adaptação, e que a Red Bull age de maneira impulsiva com seus pilotos, exigindo perfeição a curto prazo. Isso acaba sacrificando a reputação e o trabalho de jovens atletas, como foi o caso de Alexander Albon, que substituiu o francês em 2019 e sofreu o mesmo destino em 2020. A vitória na Itália trouxe os holofotes para Gasly, e há especulações de que a Alpine (futuro nome da Renault) planeja contratá-lo em 2022. Vamos aguardar novas informações sobre este caso.

Desejamos a Pierre Gasly muito sucesso para 2021 e esperamos que seus resultados sejam ainda melhores.

Fotos: XPB Images/PA Images

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Monza foi uma das corridas mais emocionantes dessa temporada e muito dessa emoção é devido ao triunfo de Gasly. Ver uma vitória inesperada após diversos pódios com os mesmos pilotos foi um alívio e ver Gasly tendo a sua primeira vitória com a Alpha Tauri, um ano após ser rebaixado da Red Bull por “falta de resultados” foi emocionante. Lembro que vi uma entrevista em que Gasly disse que, após ser rebaixado ao time B da Red Bull, Anthoine Hubert, um de seus amigos de longa data, lhe ligou e disse “prove que eles estão errados” e de fato, ele provou. Além disso, provou que em um ambiente de trabalho saudável, consegue entregar os resultados esperados. Sua vitória foi um misto de sorte e talento, no qual o último foi provado no restante da temporada.

 

  • Daniil Kvyat

Daniil Kvyat terminou a temporada no décimo-terceiro lugar, com 32 pontos (cinco a menos que no ano passado). Pontuando em sete corridas, o russo teve como seu melhor resultado o quarto lugar no Grande Prêmio da Emília-Romanha. Dessa vez, Kvyat esteve bem abaixo de Pierre Gasly em termos de desempenho. Além disso, um episódio lamentável foi sua recusa em se ajoelhar em apoio às vítimas do racismo.

O ex-namorado de Kelly Piquet não largou o jeito “torpedo” de direção. Embora não tivesse culpa, ele quase se envolveu no acidente com Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, e na mesma corrida, dessa vez por sua culpa, colidiu com Lance Stroll e tirou o canadense da prova. Por causa disso, Kvyat é um dos candidatos ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. O estilo barbeiro e o desempenho abaixo do esperado contribuíram para a decisão da AlphaTauri de demití-lo para dar lugar ao japonês Yuki Tsunoda (a quem desejamos boa sorte). O russo agora deve repensar sua carreira pois sua imprudência lhe custou a vaga, como houve com Esteban Ocon em 2018 e Sebastian Vettel na Ferrari em 2020 (talvez se Kvyat tivesse comprado ações de algum time, teria se mantido no grid tal como fez Vettel).

Desejamos boa sorte a Daniil Kvyat em 2021, seja qual for seu destino.

Foto: Planet F1

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Em sua terceira passagem pela AlphaTauri (as duas anteriores foram com a Toro Rosso), Kvyat não impressionou e mais uma vez, foi superado pelo seu companheiro de equipe. Não se sabe ao certo o porquê o russo ficou tão longe de Gasly mas isso não agradou a alta cúpula taurina, que o dispensou de forma fria no final da temporada. Sem saber ao certo seu futuro na categoria, Kvyat diz adeus a Fórmula 1, com uma temporada fraca e com vários incidentes em seu currículo, reforçando apenas a alcunha de “torpedo”.

 

  • Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo foi o quinto colocado de 2020, com 119 pontos (65 a mais que no ano passado). O ítalo-australiano teve dois pódios (terceiro lugar no Eifel e na Emília-Romanha) e pontuou 14 vezes, tendo apenas um abandono, na Áustria. Sua atuação também foi elogiável na Grã-Bretanha, BélgicaToscana. Embora longe de seus dias áureos, ele teve um grande avanço em relação a 2019, e no ano que vem estará na McLaren em busca de resultados melhores.

Ricciardo é um dos pilotos mais inteligentes do grid, e a troca da Renault pela escuderia inglesa é uma decisão muito boa, pois o time tem muito a ganhar com a experiência e conhecimento automobilístico do piloto. Ao mesmo tempo, a Renault de mostrou indigna de tê-lo como atleta, pois focou mais em tentar desqualificar suas concorrentes do que em melhorar seu carro, agindo de maneira hipócrita dado o seu histórico. Leia mais em “Renault: Um Passado Que Condena”.

Desejamos a Daniel Ricciardo boa sorte em sua nova etapa da carreira e que 2021 lhe traga sucesso e brilho.

Fotos: Formula 1 via Getty Images

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Em sua temporada de despedida da Renault, com um carro um pouco melhor comparado ao ano de 2019, Ricciardo surpreendeu ao conquistar dois pódios nos GPs de Eifel e Emilia Romagna. O australiano ficou no ‘quase’ em outras ocasiões também, como no GP de Toscana, perdendo a terceira posição para Albon. Só sei que, depois dos dois ataques de nervoso que eu tive em seus pódios, o australiano terá que pagar minhas consultas na terapia.

Em muitas análises, eu bati na tecla que o carro é um fator importante nos bons resultados mas nada adianta ser um piloto mediano. Ricciardo evoluiu durante a temporada junto com seu carro e conseguiu tirar leite de pedra em muitas ocasiões. De destino certo para a McLaren no ano que vem, o australiano tem ótimos motivos para não tirar o sorriso do rosto, contando com a evolução da equipe “papaia” e com uma chance de voltar ao pódio mais vezes. Será bom ver Ricciardo sendo, de fato, competitivo mais uma vez.

 

  • Esteban Ocon

Como previsto pelo The Racing Track em 2019, Esteban Ocon precisou desatar os laços com a Mercedes para conseguir voltar à Fórmula 1. A Renault lhe deu uma chance, substituindo Nico Hülkenberg, e o hispano-francês terminou a temporada em décimo-segundo lugar, com 62 pontos. Nota-se que seu retorno não foi tão celebrado pela mídia quanto sua saída foi lamentada em 2018. Para entender as razões disso, leia “Entenda o Caso Esteban Ocon”. Conseguiu seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Sakhir (segundo lugar) e pontuou 10 vezes. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Lamentavelmente, embora tenha crescido como atleta, Ocon ainda manteve um perfil imaturo como em 2018. Por motivos pessoais, decidiu não cumprimentar Pierre Gasly por sua vitória no Grande Prêmio da Itália, demonstrando falta de espírito esportivo (uma coisa que sempre lhe faltou, veja os casos na matéria citada no parágrafo anterior). Apesar de sua conduta antiesportiva, Ocon parece encantar alguns como o canto de uma sereia. Uma de suas vítimas é Lance Stroll, que acredita fielmente que o hispano-francês é seu amigo mesmo com todas as sacanagens que ele aprontou para o canadense.

Desejamos a Esteban Ocon mais sabedoria para 2021, para que sua postura mude e ele possa alcançar melhores resultados.

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Foto: Formula 1 via Getty Images

O francês ficou um ano longe da Fórmula 1 após a demissão da Racing Point no final de 2019 e quando voltou, provou que ainda é o piloto arrojado que conhecemos. Mesmo com alguns abandonos e perdendo de lavada de Ricciardo tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, Ocon não deixou que isso o abalasse e terminou a temporada de forma consistente, conquistando seu primeiro pódio em Sakhir.

Ano que vem, o francês enfrenta o bicampeão Fernando Alonso, que também não deixa barato as disputas nas pistas e muito menos fora delas. O gênio do espanhol colidirá com o de Ocon ou a versão good vibes do francês continuará por mais tempo? Essa será uma disputa interessante de se ver. Netflix, trate de filmar tudo.

  • Sebastian Vettel

Sebastian Vettel terminou 2020 no décimo-terceiro lugar, com 33 pontos (207 a menos que no ano passado). Sua temporada foi drasticamente diferente em relação à anterior: teve apenas um pódio (terceiro lugar na Turquia) e pontuou em apenas seis corridas. Em compensação, teve dois únicos abandonos (Estíria e Itália). Nota-se que o carro da Ferrari teve um desempenho muito abaixo do esperado, e não pode-se considerar que ela foi uma equipe de ponta em 2020. Outro ponto a ser considerado é que a escuderia italiana decidiu não renovar o contrato do alemão para 2021 antes mesmo da temporada de 2020 começar, o que agravou o mal-estar entre piloto e time. Ele será substituído por Carlos Sainz Jr.

A verdade é que os acidentes e a imprudência de Vettel contribuíram para a decisão da Ferrari (leia mais em “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”), mas o alemão não se deu por vencido e se recusou a tirar um ano sabático. Comprou ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point e movimentou o mercado de pilotos: Sergio Pérez teve de sair para que Vettel entrasse, indo para a Red Bull e substituindo Alexander Albon (leia mais em “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”). A mídia, como sempre, tentou culpar um piloto indígena inocente para não admitir que o europeu estava nitidamente comprando vaga. A prova das intenções de Vettel foi o desdém deste pela situação de Pérez (pode checar na reportagem de Adam Cooper aqui).

É triste que um tetracampeão tenha recorrido a isto para permanecer no grid, e é por seu passado glorioso na Red Bull que alguns torcedores duvidam de sua manobra. Mas daí fica a pergunta: Por que Vettel investiria seu dinheiro em uma equipe que não fosse de seu interesse?

Desejamos que em 2021 Sebastian Vettel se recupere de seu prejuízo em 2020 e tenha uma temporada com ótimos resultados.

Foto: Scuderia Ferrari Press Office

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Sua última temporada na Ferrari deixou um gosto amargo na boca do alemão. Pilotar para a escuderia era o sonho de Vettel, que deixou a Red Bull no final de 2014 para tentar o tão sonhado pentacampeonato com a mesma equipe que viveu tempos de glória com Schumacher, seu ídolo. Porém, o sonho não foi bem assim. Quase sempre ficando no quase, Vettel deu seu adeus aos italianos com um dos piores carros que pilotou na carreira, apostando na promessa da Aston Martin em 2022.

Muitas vezes, o alemão tinha que traçar suas próprias estratégias durante a corrida e mesmo assim, seus resultados foram abaixo da média. Seu pódio na Turquia pode ser considerado como um presente de Leclerc, talvez de despedida, quem sabe. Ironicamente, acabou no pódio com seu rival nas pistas por alguns campeonatos – Hamilton – e viu o britânico conquistar um sonho que ele tinha, se igualar a Schumacher e, justamente o piloto que substituirá na próxima temporada – Pérez. Vamos ver se a Aston Martin consegue manter os resultados consistentes ano que vem, dando assim um alívio ao alemão.

 

  • Charles Leclerc

Charles Leclerc foi outra vítima do fraco desempenho da Ferrari em 2020. Terminou o campeonato em oitavo lugar, com 98 pontos (166 a menos que no ano passado), tendo apenas dois pódios (segundo lugar na Áustria e terceiro na Grã-Bretanha) e pontuando em 10 corridas. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Sua melhor sequência de pontuações foi entre os Grandes Prêmios da Toscana e do Bahrein, oscilando entre o quarto e o décimo lugar. Leclerc enfrentou muita dificuldade para superar seus adversários, dirigindo uma Ferrari longe de ser competitiva, mas teve algumas atuações boas, como na Toscana. Entretanto, sua colisão com Lance Stroll no Grande Prêmio da Rússia (e sua recusa em se desculpar por algo que ele assume ser de sua responsabilidade) lhe rendeu uma indicação ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. Além disso, Leclerc foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, e se mostrou indignado com as acusações por parte da mídia e dos torcedores de que ele fosse racista. O piloto deve estar ciente de que suas decisões estão sujeitas a interpretações, mas foi louvável que ele tenha condenado o racismo em declarações posteriores.

Desejamos a Charles Leclerc sucesso em 2021 e esperamos que ele tenha mais chances de demonstrar seu potencial.

Fotos: 2020 Pool | Formula 1 via Getty Images

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Com o carro (se é que podemos chamar o SF1000 de carro) desafiador que tinha em mãos, Leclerc superou as expectativas em algumas corridas e levou algum sorriso aos tifosi nessa temporada. O monegasco conseguiu dois pódios – na Áustria e na Inglaterra – e assim, não deixou que a Ferrari ficasse em uma posição mais difícil do que já se encontrava.

Porém, nem tudo são flores. Leclerc teve alguns erros questionáveis durante algumas corridas. Na Estíria, quando colidiu com Vettel em uma manobra horrorosa; na Turquia, quando escapou da pista e deu de bandeja o pódio para Vettel e em Sakhir, em que colidiu com Pérez e Verstappen, causando o seu próprio abandono e o de Verstappen, além de deixar Pérez em último (o final desse GP já sabemos) e se fez de desentendido ao perguntar a Verstappen o que tinha acontecido. Se fazer de bobo não colou muito bem, nem com o holandês e nem com o público. Resta ver se ano que vem, o monegasco consegue “meter o louco” para cima de Sainz.

Apenas para adicionar ao parágrafo de Rebeca sobre Leclerc e o ato de não ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, no Twitter, Leclerc curtiu alguns tweets duvidosos (leia-se mentirosos) sobre o movimento Vidas Negras Importam, o que caiu mal para alguns fãs; além de ter quebrado a sua bolha durante alguns fins de semanas de corridas. Cadê a consciência e empatia, Charles?

 

  • Romain Grosjean

Romain Grosjean terminou o ano em décimo-nono lugar, com apenas dois pontos (seis a menos que no ano passado), resultantes de sua única pontuação na temporada, o nono lugar no Grande Prêmio do Eifel. Infelizmente, seu momento mais notável foi seu grave acidente no Bahrein (do qual, graças a Deus, saiu apenas com queimaduras nas mãos), que o impediu de correr no Sakhir e em Abu Dhabi. Nestas corridas, foi substituído por Pietro Fittipaldi.

Devido ao seu desempenho bem abaixo do desejado, a Haas optou por não renovar seu contrato para 2021. Com isso, o francês não estará no grid no ano que vem. O time americano contratou o russo Nikita Mazepin para substituí-lo, mas seu ingresso está acompanhado de controvérsias, pois o piloto compartilhou um vídeo impróprio no Instagram e, embora a Haas tenha sido pressionada a substituí-lo, ela não quer perder os investimentos de Dmitry Mazepin, pai de Nikita.

Desejamos a Romain Grosjean boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: acervo pessoal | Instagram

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Em mais uma temporada, Grosjean foi deixado na mão por seu carro, raramente conseguindo um bom resultado durante as corridas em que disputou. Pouco tempo depois de descobrir que não ficaria com a vaga para 2021 e seria substituído por Mick Schumacher, o francês se envolveu em um acidente impressionante durante o GP de Bahrain, que encerrou sua temporada duas corridas antes.

O francês compartilha sua recuperação pelo seu Instagram pessoal e com seu conhecido bom humor, Grosjean mostra sua evolução e tranquiliza os fãs que testemunharam o acidente.

 

  • Kevin Magnussen

Kevin Magnussen terminou 2020 em vigésimo lugar, com apenas um ponto (19 a menos que no ano passado), resultado de sua única pontuação no campeonato: o décimo lugar no Grande Prêmio da Hungria. Embora o grid conte com 20 pilotos, as enfermidades de Sergio Pérez, Lance Stroll, Lewis Hamilton e Romain Grosjean levaram outros três pilotos a ingressar oficialmente no campeonato (Nico Hülkenberg, Pietro Fittipaldi e Jack Aitken). Magnussen foi o último colocado entre os que marcaram pontos em 2020.

Assim como houve com Grosjean, a Haas não ficou satisfeita com o desempenho do dinamarquês e decidiu não renovar seu contrato. Ele será substituído por Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, em 2021.

Desejamos a Kevin Magnussen boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: XPB Images

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Ironicamente, a melhor coisa que Magnussen fez durante a temporada foi seu abandono durante o GP de Monza, causando a primeira de muitas confusões. Além disso, o dinamarquês pouco evoluiu durante a temporada e assim como Grosjean, foi dispensado e será substituído por Nikita Mazepin, que também tem atitudes questionáveis.

 

  • Kimi Raikkonen

Kimi Raikkonen terminou o campeonato no décimo-sexto lugar, com quatro pontos (39 a menos que no ano passado). Pontuou apenas em duas corridas, na Toscana e na Emília-Romanha. Esta última foi sua melhor atuação do ano, pois conseguiu superar vários adversários com um carro inferior.

Infelizmente, Raikkonen parece estar longe de seus tempos de glória. Além de seus resultados estarem bem abaixo do desejável, o finlandês foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Sabe-se que Raikkonen é conhecido por seu jeito frio e despreocupado (que lhe renderam o apelido de “Homem de Gelo”), mas esta é uma situação que deve ser encarada com seriedade, não com desprezo. Ainda que Raikkonen, em sua posição como um homem branco e europeu, não tenha sofrido racismo em sua vida, deveria no mínimo ter empatia aos que são injustamente vítimas desse mal da humanidade.

Desejamos a Kimi Raikkonen que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: PA Images

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Um que já deveria estar aproveitando sua aposentadoria em alguma ilha luxuosa ou na fria Finlândia. Talvez pelo peso que seu nome carrega ou simplesmente para esquentar seu assento até um novo piloto estar pronto, Raikkonen segue sem impressionar em mais uma temporada. Na segunda temporada de Drive to Survive, a série documental da Netflix, Raikkonen diz indiretamente que pouco se importa em estar na F1, o que importa é o dinheiro. E é exatamente isso que suas performances demonstram. Mais um ano, veremos finlandês apenas completar o grid, seja pelos benefícios que sua imagem traz (mesmo sendo um piloto rude e pouco carismático) ou por falta de opção da Alfa Romeo. Uma pena para os novos pilotos que esperam sua oportunidade no esporte.

A falta de tato em suas atitudes e declarações sobre o racismo são repugnantes e demonstram como Raikkonen é ignorante e imerso em seu privilégio. Além de não se ajoelhar antes das corridas e muito menos se importar com a questão por trás deste ato, Raikkonen anda por aí com uma cruz muito parecida com um símbolo nazista, a Cruz de Ferro, projetada por Jesse G. James, ator e empresário conhecido por simpatizar com o nazismo (matéria em inglês).

 

  • Antonio Giovinazzi

Antonio Giovinazzi terminou o campeonato em décimo-sétimo lugar com quatro pontos (10 a menos que no ano passado). Pontuou em apenas três corridas: Áustria, Eifel e Emília-Romanha. Embora tenha terminado com a mesma pontuação de seu companheiro Kimi Raikkonen e tendo pontuado em mais ocasiões, a melhor posição de cada um foi adotada como critério de desempate: Raikkonen terminou duas vezes no nono lugar, Giovinazzi teve um nono e dois décimos lugares.

Giovinazzi foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Com isso, a Alfa Romeo se tornou a única equipe que não teve nenhum atleta a se compadecer com a situação. É lamentável que Giovinazzi e Raikkonen tenham manchado o nome de sua equipe dessa forma.

Desejamos a Antonio Giovinazzi que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: Motorsport Images

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Por muitas vezes, esqueci que Giovinazzi estava sequer correndo. Seja por limitações do carro ou por ser apenas um piloto mediano, o italiano ainda não mostrou ao que veio. Por isso, é difícil ter alguma opinião formada sobre ele.

 

  • George Russell

O caso de George Russell é um pouco diferente dos demais pilotos. Na Williams, não foi capaz de pontuar uma única vez. Em sua única corrida pela Mercedes, no Grande Prêmio do Sakhir, como substituto de Lewis Hamilton (que estava com Covid), conseguiu apenas o nono lugar (devido a um erro no pit stop). Por um lado, é uma pena que a própria equipe tenha ceifado a oportunidade de Russell de demonstrar um bom serviço, já que o mesmo superou o titular Valtteri Bottas logo no início da prova. Por outro, foi um belo castigo aos racistas que o utilizaram como escudo para atacar Lance Stroll (alguns usuários do Twitter declararam que estavam torcendo para Russell com todas as forças para que ele superasse Stroll, mesmo o canadense tendo resultados mais brilhantes na carreira – inclusive na Williams – porque Stroll é índio e Russell é branco). Ressaltamos que entre Russell e Stroll não há nenhuma inimizade e que o inglês chegou a cumprimentar o canadense por sua primeira pole. Por causa disso, parabenizamos a primeira pontuação de Russell na carreira, pois ele não tem culpa que gente de moral questionável use seu nome e imagem para fins maléficos.

Se em 2019 Russell foi o único a não pontuar, perdendo para o companheiro Robert Kubica que dirigia com apenas um braço, em 2020 o inglês foi o décimo-oitavo colocado no campeonato, com três pontos (dois pelo nono lugar e um pela volta mais rápida no Grande Prêmio do Sakhir, no qual foi substituído na Williams por Jack Aitken). Ainda é cedo para concluir algo de concreto sobre o talento de Russell, mas já se pode afirmar que ele provou que Bottas não está merecendo sua vaga na Mercedes (o finlandês parece ter medo de enfrentar pilotos jovens, como quando perdeu para Charles Leclerc em 2019 na Áustria na Bélgica). Ele inegavelmente tem muito potencial, mas este não será aproveitado na Williams. Se Max Verstappen recusar a Mercedes novamente, tanto Stroll quanto Russell se mostram ótimos candidatos a substituir Bottas.

Desejamos a George Russell boa sorte em 2021 para que ele consiga mostrar mais do que é capaz.

Foto: DPA

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Depois de tantos pedidos dos fãs nas redes sociais (na verdade, para que Russell substituísse Bottas na Mercedes), o britânico finalmente teve a sua chance de mostrar seu talento no melhor carro do grid e por um erro no pitstop da Mercedes, não conseguiu sua primeira vitória na F1 no movimentado GP de Sakhir. Porém, essa experiencia com a Mercedes serviu apenas para mostrar que ele está pronto para assumir o lugar de qualquer um dos pilotos quando for necessário. O britânico ainda é jovem, tanto em idade quanto em tempo de “casa” e terá tempo o suficiente para mostrar seu talento em equipes mais competitivas.

 

  • Nicholas Latifi

O estreante Nicholas Latifi, da Williams, foi o vigésimo-primeiro colocado do campeonato, sendo o único dos pilotos titulares que não conseguiu pontuar. Mas deve-se notar que foi vencido pelo companheiro George Russell em pontos unicamente porque o inglês participou do Grande Prêmio do Sakhir com a Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid). Isso não significa que um seja melhor do que o outro, mas sim que o desempenho do carro da Williams é tão ruim que nenhum de seus atletas consegue pontuar com aquela carroça.

Desejamos a Nicholas Latifi boa sorte em 2021 para que ele consiga desenvolver seu potencial.

Foto: F1 News

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O vice-campeão da Fórmula 2 de 2019 teve um pouco de dificuldade de desafiar seu companheiro de equipe, seja por conta das deficiências de seu carro ou da expêriencia de Russell. No comparativo lançado no final da temporada pelo perfil da F1, Latifi ficou atrás de Russell em todos os quesitos. O canadense terá a próxima temporada para se aproximar de Russell e quem sabe, superá-lo em alguma etapa. Pelo menos, o canandense tem bom humor para lidar com a longa fase ruim da Williams.

 

  • Bônus: Nico Hülkenberg

 

Como Sergio Pérez e Lance Stroll contraíram Covid, Nico Hülkenberg foi escolhido para substituí-los nas corridas em que ficaram ausentes (Grã-Bretanha, 70º Aniversário – Pérez – e Eifel – Stroll). Com isso, o alemão terminou o campeonato em décimo-quinto lugar, com 10 pontos (obtidos nos Grandes Prêmios do  70º Aniversário e do Eifel, pois na Grã-Bretanha um problema no motor o impediu de largar). Nota-se que ele ficou à frente de seis pilotos titulares e de oito no total (considerando as participações de Jack Aitken e Pietro Fittipaldi, que não conseguiram pontuar).

Sua atuação mais elogiável foi no Grande Prêmio do Eifel, no qual foi eleito o “Piloto do Dia” após terminar a corrida em oitavo lugar. Embora tenha apresentado um bom trabalho como substituto, a conduta de Hülkenberg na Fórmula 1 não é das mais éticas. Basta lembrar que ele se recusou a reconhecer a importância do halo quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 após um acidente causado pelo próprio Hülkenberg, e quando fez declarações misóginas ao defender a permanência das infames grid girls na Fórmula 1, revelando ser uma pessoa apática que acha que os carros devem ser perigosos (desde que sejam bonitos esteticamente) e que as mulheres devem, em pleno século XXI, serem vistas como objetos). Não conseguimos entender porque a Racing Point escolheu um sujeito destes para substituir pilotos tão educados e gentis como Pérez e Stroll.

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Bom, como Rebeca já usou essa reação em outros momentos da temporada, é a minha vez de usar uma foto para o meu comentário sobre Hülkenberg:

não sou capaz de opinar | Memes, Memes famosos, Novos memes

De qualquer maneira, o alemão continua sem pódios, mesmo após 10 anos como piloto de Fórmula 1. Equipes, por favor, não insistam mais nesse cara para o ano que vem e busquem saber mais sobre os outros pilotos reservas disponíveis e com muito mais talento que Hülkenberg, como o próprio Pietro Fittipaldi, que teve um ótimo desempenho nos GPs em que substituiu Grosjean – dentro do permitido pelo carro da Haas – e Alex Albon, que será reserva da Red Bull, que por sinal, já anunciou que o tailandês estará disponível para empréstimos às outras equipes na temporada de 2021. Por favor, o Hülkenberg já deu o que tinha que dar e provou que não é o bastante.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2020 trouxe um agravante na crise da Ferrari, a evolução da Racing Point e a continuação do desenvolvimento da McLaren, que permitiu que as duas equipes inglesas se mostrassem como potências na Fórmula 1, enquanto que o time italiano perde espaço. A Mercedes ainda é a força comandante da categoria, e a Red Bull continua em sua busca desesperada por uma oportunidade de lutar de igual para igual com a escuderia alemã. Algumas corridas, como Toscana , Turquia e Emília-Romanha decepcionaram em seus papéis como substitutas das corridas canceladas pela pandemia de Covid-19, enquanto outras, como Estíria e Sakhir proporcionaram belos show à categoria. Em 2021 haverá novos pilotos e outros desafios, tornando imprevisível seu resultado, mas esperamos que não haja outra pandemia para que a Fórmula 1 continue firme e forte de acordo com sua organização inicial.

Nota de repúdio | Rejection motion

O The Racing Track repudia os recentes ataques da mídia e de torcedores rivais contra Lance Stroll e seu pai, o empresário Lawrence Stroll (relatados pelo próprio piloto), devido à decisão da Racing Point de correr em 2021 com Sebastian Vettel em vez de Sergio Pérez. O papel de um jornalista é noticiar os fatos e suas opiniões devem ser embasadas em informações concretas, não em boatos.

Devido às contradições no anúncio da saída de Pérez do time, Lawrence Stroll foi acusado mais uma vez de beneficiar o filho indevidamente. Fomos informados que alguns veículos de imprensa chegaram até a acusar o empresário de ser um “boa vida”. Tal afirmação está completamente equivocada, pois Stroll trabalhou duro para construir suas empresas e mantê-las em bom funcionamento. Um de seus sócios, Silas Chou, diz que o canadense tem um “toque de ouro” para os negócios. É desonesto afirmar que Stroll não era conhecido antes de seu filho entrar na Fórmula 1, pois esta visão ignora os setores que o empresário é reconhecido, como moda e empreendedorismo. Suas posses, como iates e jatos, são investimentos e frutos de seu trabalho, tornando inválido qualquer descontentamento de terceiros em relação a eles.

Lance Stroll não deve ser lembrado apenas como o filho do dono da Racing Point, pois o mesmo teve boas conquistas em seus poucos anos de carreira: no ano de estreia teve um pódio, uma largada da primeira fila e quebrou dois recordes, ganhando prêmios e reconhecimento da própria Fórmula 1, que chamou sua atuação de “histórica” (cheque aqui). Em 2020, está à frente de Pérez no campeonato. Se Stroll não tivesse talento para o automobilismo, não conseguiria boas pontuações mesmo com a ausência do companheiro devido à Covid-19.

A contratação de Sebastian Vettel pela escuderia foi devido a critérios financeiros. O time tem confiança de que o tetracampeão será um bom investimento (pois o mesmo comprou ações da Aston Martin). Vale lembrar que Sergio Pérez, embora seja um ótimo piloto, já tem 30 anos, uma idade considerada avançada para atletas. Em termos de negócios, é mais atrativo investir em um piloto jovem do que em um de 30 anos. Trata-se dos riscos de investimentos, que estão muito além de relações de amizade ou de parentesco.

Temos ciência de que a imprensa também tem seu papel crítico, e que as ações da Racing Point estavam sujeitas a isto. No entanto, nunca se deve omitir ou deturpar fatos em nome de uma narrativa. Lembramos que atitudes como esta podem refletir más intenções, como o assassinato de reputação e antissemitismo (já que um dos boatos que os judeus enfrentam há séculos é o de que eles controlam as finanças mundiais, e a imprensa não reagiu com a mesma intensidade à decisão da Sauber em 2018 de demitir Pascal Wehrlein em vez de Marcus Ericsson para contratar Charles Leclerc, mesmo Wehrlein tendo melhores resultados que Ericsson).

Nos solidarizamos com a família Stroll e esperamos que episódios lamentáveis como este não voltem a ocorrer.

Análise Grande Prêmio da Toscana de 2020 | 2020 Tuscan Grand Prix Analysis

Atualizado em 23 de setembro de 2020 | Updated on September 23th, 2020

 

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 13 de setembro, o Grande Prêmio da Toscana de 2020 foi a segunda corrida da temporada a ser realizada em solo italiano. Diferente do que houve na etapa anterior, um pódio surpreendente no Grande Prêmio da Itália, a corrida de hoje foi marcada por uma série de acidentes que tirou da prova quase metade do grid. Somado a isso, a colunista e criadora do site Rebeca Pinheiro está de luto pela morte trágica esta manhã de sua amiga Natália, e devido a isso não daremos notas aos pilotos.

Quatro dias antes da prova, Sergio Pérez anunciou que não correrá com a Racing Point em 2021. Como revelado por Luke Smith no site Motorsport, o mexicano estava com o contrato renovado, mas o time voltou atrás na decisão. Como a equipe de comunicação da Racing Point não esclareceu os acontecimentos desde o início, o The Racing Track faz sua parte como veículo de imprensa e reforça que qualquer acusação contra Lance Stroll não passa de uma atitude leviana, uma vez que o canadense e o mexicano têm uma boa relação e ambos estão fazendo um ótimo trabalho esse ano. A decisão foi tomada pelo corpo executivo da escuderia. Apesar de ter negado algumas vezes, o time confirmou Sebastian Vettel (Ferrari) como seu substituto para o ano que vem, comprovando a incoerência da narrativa da Racing Point.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton, seu companheiro de equipe. Ainda na primeira volta houve dois acidentes: Carlos Sainz Jr. (McLaren) rodou sozinho, e um toque com Romain Grosjean (Haas) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) tirou Pierre Gasly (AlphaTauri) e Max Verstappen (Red Bull) da corrida. O safety car foi acionado, mas na primeira relargada ocorreu um acidente entre Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), Nicholas Latifi (Williams), Kevin Magnussen (Haas) e Sainz. Os quatro abandonaram e houve a primeira bandeira vermelha. Antes da relargada, Esteban Ocon (Renault) teve um superaquecimento nos freios e não pôde voltar à pista.

Tendo normalizado a situação, Lance Stroll (Racing Point) passou Charles Leclerc (Ferrari) e alcansou o terceiro lugar. O monegasco depois foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Alexander Albon (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Leclerc foi obrigado a trocar os pneus devido ao desgaste e fez uma prova de recuperação. Infelizmente, a situação da corrida piorou após um furo no pneu fazer Stroll perder o controle do carro e bater no muro. Outra bandeira vermelha foi acionada.

Na relargada, Ricciardo ganhou a posição de Bottas, mas depois foi superado pelo finlandês e por Albon. Raikkonen recebeu uma punição de cinco segundos por ter cruzado a linha do pit lane antes de recolher seu carro durante a bandeira vermelha. Com isso, Leclerc ganhou uma posição.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Alexander Albon em terceiro. É muito importante saber que Mugello é uma pista projetada para corridas de moto, não de carros. Logo, foi uma ideia muito ruim ter escolhido este traçado para compensar um dos cancelamentos devido à pandemia. A corrida teve mais abandonos que ultrapassagens e o resultado não foi muito surpreendente. É uma pena para o automobilismo.

Descanse em paz, Natália. Você estará sempre em meu coração.

Opinião da Rebeca:

(Opinião escrita em 12/09/2020): Em primeiro lugar, preciso comentar sobre a saída de Sergio Pérez e sua substituição por Sebastian Vettel. Se o alemão já era uma escolha para 2021, a Racing Point deveria ter deixado isso claro desde o início. Parece que a equipe ainda não percebeu que um de seus pilotos, Lance Stroll, é alvo de uma campanha de difamação há anos e poderia ser injustamente culpado se Checo saísse. Sabemos que os haters online não vão mudar nada, mas isso não significa que o piloto deva ser objeto de inverdades, pois eles podem repetir uma mentira até que pareça verdade. Contar a verdade é sempre a melhor escolha, e uma equipe de assessoria de imprensa sempre precisa saber da situação de um cliente. É uma pena que a Racing Point optou pelo malabarismo de narrativas e expôs seus pilotos a essas condições. Além disso, lamento que a narrativa não tenha um consenso, já que em um dia o chefe de equipe diz que Vettel não correrá pelo time e no outro dia é contratado; em um dia Checo diz que foi pego de surpresa e no outro a escuderia diz que seu empresário já estava sabendo de tudo.

(Atualização 23/09/2020) Lamento que muitos torcedores e jornalistas tenham aproveitado essa triste despedida de Pérez para mais uma vez destilar ódio contra Lance Stroll e seu pai Lawrence. É preciso ter em mente que contratações são negócios, e está bem claro que Sebastian Vettel trouxe um investimento financeiro ao comprar as ações da Aston Martin. Dizer que Stroll se manteve na equipe por ser filho do dono é uma análise muito rasa da situação. Seu pai construiu sua fortuna, não herdou, logo prova que o empresário faz seus negócios com muito cuidado e atenção aos investimentos. Além de estar à frente do companheiro no ranking quando Vettel foi anunciado, Stroll é jovem e logo tem mais chances de desenvolvimento, o que se torna um atrativo para os negócios. Sabemos que Pérez ficou afastado duas corridas devido à Covid-19, mas se Stroll fosse incompetente não teria conseguido boas pontuações para melhorar sua posição no campeonato.

(Opinião escrita em 12/09/2020) Sobre a contratação de Vettel, não a vejo com bons olhos. Lembro que no Grande Prêmio da Malásia de 2017, o alemão jogou seu carro em cima de Stroll depois da corrida e xingou o canadense e seu time (na época ele corria pela Williams). Como um piloto com um temperamento curto e uma grande impulsividade pode ser um bom companheiro de equipe? Vettel teve problemas com todos os pilotos com os quais correu ao lado desde 2010. Você pode argumentar que o incidente com Stroll foi a três anos atrás e que Vettel pode ter mudado, mas eu não lembro de tê-lo visto sendo gentil com Stroll antes de tentar uma vaga na Racing Point. Parece meio falso para mim. Vettel é um ótimo piloto, mas também muito impulsivo e se envolve em muitos acidentes. De qualquer maneira, tudo o que posso fazer é lhes desejar boa sorte.

Uma grande mudança, sem nenhum interesse por trás (ironia).

(Opinião escrita em 13/09/2020): Particularmente não gostei dessa corrida porque muitos pilotos talentosos tiveram que abandonar devido a acidentes. Somado a isso, recebi a notícia hoje que minha amiga Natália morreu de uma maneira trágica, vítima de atropelamento. Peço desculpas aos meus leitores, mas não estou em condições de falar muito sobre a corrida.

Opinião da Adriana:

O que dizer desse fim de semana que começou com uma notícia bombástica – e triste, pelo menos para mim – de que Vettel vai substituir Pérez na Aston Martin ano que vem? Vou contar um pouco mais sobre isso amanhã, no meu primeiro artigo aqui no The Racing Track.

Agora vamos para o que interessa: a corrida. Não teve um momento em que eu fiquei calma durante essas 59 voltas. E mais uma corrida movimentada para a temporada, com oito abandonos. 

E hoje quase foi a vez do Ricciardo ir pro pódio! Infelizmente, a potência da Red Bull falou mais alto e Albon conseguiu pegar o terceiro lugar. Tanta corrida para esse menino ir bem e ele escolhe justo essa? #chateada

Agora, vamos ter o merecido descanso por um final de semana e na próxima semana, voltamos pro circo. Eu já estou com minha peruca pronta, só falta o nariz de palhaça. Vamos ver o que a próxima corrida nos fornece.

Resultados

  1. Lewis Hamilton
  2. Valtteri Bottas
  3. Alexander Albon
  4. Daniel Ricciardo
  5. Sergio Pérez
  6. Lando Norris
  7. Daniil Kvyat
  8. Charles Leclerc
  9. Kimi Raikkonen
  10. Sebastian Vettel
  11. George Russell
  12. Romain Grosjean

 

Abandonaram

  1. Lance Stroll
  2. Esteban Ocon
  3. Nicholas Latifi
  4. Kevin Magnussen
  5. Antonio Giovinazzi
  6. Carlos Sainz Jr.
  7. Max Verstappen
  8. Pierre Gasly

Driver of the Day (escolhido pelo público): Daniel Ricciardo

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Carlos Sainz Jr. (Rebeca) | Kimi Raikkonen (Adriana)

The Dismissal of Sebastian Vettel: Justice or Injustice?

On May 12th, 2020, Scuderia Ferrari announced that German driver Sebastian Vettel’s contract would not be renewed. Vettel’s performance in recent years has been spotlighted by two main characteristics: his disputes for the title in 2017 and 2018, and his constant accidents. In 2019, the German ended behind his teammate, Monegasque Charles Leclerc, on final results, with Leclerc being on his second year of career and first with the Maranello-based team.

During the 2018 season, some fans considered that a retirement of the German driver would be more indicated to him. Others used Vettel’s glorious past as a four-time-champion to justify his permanence in Formula One. So, after all, was Ferrari’s decision fair or unfair? To answer this question, let’s make a retrospect of Sebastian Vettel’s career and rate if his performance was worthy of Ferrari’s investments.

 

1- The beginning: a young talent enters Formula One

 

Sebastian Vettel debuted in Formula One at 2007 United States Grand Prix for Sauber, replacing Polish driver Robert Kubica, who had suffered a serious accident on the previous round, in Canada. Vettel finished eighth, the last place of the scoring zone at the time, scoring one point. In the same year, he was hired by Toro Rosso to continue the season from Hungarian Grand Prix. His second and last scoring was a fourth-place at the Chinese Grand Prix. He finished the championship at 14th place, with six points.

As of 2008, Vettel’s star started to shine more. Scoring in nine races, the German had a triumphant victory at Italian Grand Prix, being the first time a Toro Rosso driver won a race. At this same round, he broke two records: “youngest Grand Prix pole position winner” and “youngest driver to score a double” (pole position and race win). He finished 2008 in eighth place, with 35 points.

 

Sebastian Vettel’s first victory, at the 2008 Italian Grand Prix. (Photo: MAXF1.net) [1]

 

2- Joining Red Bull: the apex and the fall

 

In 2009, Vettel was hired by Red Bull Racing team. He broke more two records: youngest driver to score a hat-trick” (pole position, race win and fastest lap), and “youngest World Drivers’ Championship runner-up”. With four wins, eight podiums, and four more scores, he got 84 points, 11 lesser than champion Jenson Button, of Brawn. His results were so impressive that he turned into Red Bull’s bet to dispute the title.

Racing alongside Australian driver Mark Webber, his teammate since his first year with the Austrian team, Sebastian Vettel became champion for four consecutive years. In 2010, with five wins, 10 podiums and five more scores, he got 256 points and guaranteed the first title of a Red Bull driver. In 2011, he conquered 392 points, an outcome of 11 wins, 17 podiums, and one more score. The following year, he had 281 points, five wins, 10 podiums, and seven more scores. His last title was conquered in 2013, with 13 wins, 16 podiums, and two more scores. Vettel’s four titles meant two things for Red Bull: the engineering department has succeeded in their turbo engine development and the team had one of the most talented drivers in the history of the sport.

 

Sebastian Vettel’s win at the 2013 German Grand Prix. (Photo: Motor Authority) [2]

 

In his four titles’ years, Vettel broke nine records he keeps until nowadays. In 2010 he broke the one of “youngest Formula One World Drivers’ champion”, at the age of 23. In 2011, he broke the ones of “most podium finishes in a season” (17 at all), “most pole positions in a season” (15 at all), “most laps led in a season” (739 at all), “most wins from pole position in a season” (totalizing nine) and “youngest driver to score a grand slam” (pole position, win, fastest lap and led every lap). In 2013, he broke the records of “most consecutive wins” (nine at all), “most consecutive grand slams” (two at all), and “most wins in a season” (totalizing 13). Vettel also got three more records, “youngest driver to led at least one lap”, “youngest driver to score a podium” and “youngest Grand Prix winner”, but these were surpassed some years later by Max Verstappen. With these achievements, Vettel was considered the biggest winner of the Turbo Era in Formula One.

 

With Red Bull, Sebastian Vettel won four championships and got nine records he keeps until nowadays. (Photo: Sports Mole) [3]

 

But in 2014, the situation changed drastically. With Mark Webber’s exit, the team chose also Australian driver Daniel Ricciardo to replace him as Vettel’s teammate. If before the German’s mastery was clear, he passed to be left behind by the team in favor of the new teammate. Vettel’s car in 2014 had little power to reach previous years’ results. By contrast, Ricciardo’s car enjoyed perfect conditions, allowed him to even get his first win, at Canadian Grand Prix. Getting only four podiums and 12 more scores, Vettel finished the year in fifth place of championship, with 167 points. Ricciardo finished third, with 238 points. In the same year Red Bull decided to prefer a new driver, the team lost leadership in Formula One, and Lewis Hamilton’s title (the second of his career) started Mercedes mastery, which remains until nowadays.

 

Red Bull’s preference for Daniel Ricciardo not only harmed Sebastian Vettel’s 2014 season, as it allowed Mercedes to be the new dominant team. (Photo: Marca) [4]

 

3- Going to Ferrari: a good deal?

 

Seeing Vettel’s deception with Red Bull, Ferrari made him a proposal to join the Italian team replacing Spanish driver Fernando Alonso. The Maranello-based team was since 2007 without winning the drivers championship and since 2008 without winning the constructors championship. Unhappy with Alonso’s failure, Ferrari’s officers bet on the young four-time-champion to bring back the team’s times of glory.

Vettel’s contract with Red Bull would end at the end of 2015, but Ferrari paid his severance to have him in its team. Racing alongside Finnish driver Kimi Räikkönen, the least champion with the Italian team, the German came back to drivers’ top-3. Conquering three wins, 13 podiums, and more four scores, he finished the year at third place in the ranking, with 278 points, 44 lesser than runner-up Nico Rosberg and 103 lesser than champion Lewis Hamilton (both of Mercedes). Though without getting another title, his position in 2015 was a relief to Vettel, as he was in a more competitive car, being the team’s priority, and was closer to compete for the champion trophy.

 

With Ferrari, Sebastian Vettel retrieved chances to fight for the title. (Photo: O Globo) [5]

 

But in 2016, destiny brought another big rival: Max Verstappen. The Dutch driver had debuted by Toro Rosso in 2015 and the following year was promoted to Red Bull replacing Russian driver Daniil Kvyat (fired because of his weak performance and his constant accidents, even harming Vettel, as at Russian Grand Prix). Verstappen has the same characteristics as the German driver: he was young, fearless, audacious, brave, and had no fear of taking risks. Responsible for breaking three records that belonged to Vettel, the Dutch driver held intense disputes with Ferrari’s driver. The most emblematic were the disputes for the Mexican Grand Prix podium and for the Brazilian Grand Prix fifth place (which Verstappen ended third). The young driver nearly surpassed Vettel in the championship, ending only eight points behind the German, who finished the year at fourth place in the ranking, with 212 points.

In 2017, Vettel was highlighted again, starting the championship with a win at Australian Grand Prix. The dispute for the title with Hamilton kept balanced for 13 races, with the German having a certain advantage. However, at Singapore Grand Prix, Ferrari’s craving for victory ended harming its main driver. Starting from pole position, alongside Max Verstappen, Vettel and Räikkönen squeezed the Dutch driver, which caused a triple crash. The three drivers had to retire from the race and victory ended with Hamilton. With the British driver leadership, Vettel needed to win Mexican Grand Prix and cross his fingers to Hamilton finishing at least ninth to became champion. However, one more dispute with Verstappen frustrated the German’s plans. The Dutch driver took him the leadership and both had a touch. While Verstappen kept it normally, Vettel ended shocking against Hamilton and both went to the last places. Ferrari’s driver finished the round in fourth place, while the English driver crossed the finish line in ninth place, guaranteeing that year’s title. Winning for the last time at Brazilian Grand Prix, Vettel ended 2017 as runner-up, with 317 points an outcome of five wins, 12 podiums, and five more scores.

 

Accident at the 2017 Singapore Grand Prix involving Sebastian Vettel, Kimi Räikkönen, and Max Verstappen. (Photo: Busy.org) [6]

 

The year 2018 was similar to the previous one. Vettel started the championship with two consecutive wins (in Australia and Bahrein). However, as of the Chinese Grand Prix, in which he had a touch with Verstappen that dragged him to the eighth place, his luck started to change. In that year, Vettel involved himself in a series of accidents that cost him precious points to dispute the title. At French Grand Prix, he collided with Finnish Valtteri Bottas, while at German Grand Prix, though the team facilitated his job, ordering to teammate Räikkönen to give him the lead, he crashed into the wall and retired from the race. At the Japanese Grand Prix, he risked his luck in a fight against Verstappen that made him leave the track momentarily, ending the race in sixth place. At all, Vettel had five wins, 12 podiums, and eight more scores, consolidating himself as runner-up once more, with 320 points.

In 2019, Kimi Räikkönen was replaced by Charles Leclerc. Although many journalists and supporters speculated that the new driver would bring a hazard to Vettel, old experts in Ferrari knew that the team would prioritize the German and would make the Monegasque his squire (as they did to Rubens Barrichello and Felipe Massa in the past). At the first race of the year, in Australia, thought Leclerc’s car having a better output, Ferrari did not allow him to overtake Vettel (the same happened two rounds later, in China). For this reason, Leclerc was nicknamed “Cinderella”. However, Vettel did not justify his team’s predilection for him in 2019: he got only one win, Singapore, that even lent him the controversial accusation of being helped by Ferrari (that changes his tires before Leclerc’s), besides eight podiums and seven more scores. The main mark of Vettel in 2019 was his accidents, notably the crash with Hamilton at Canadian Grand Prix, the purposeful collision with Verstappen at British Grand Prix, with Lance Stroll at Italian Grand Prix, and with Leclerc at Brazilian Grand Prix. In the second and third cases, Vettel only stayed in the last positions, including receiving penalties, while in the other he caused a ferrarist double-retirement that alarmed the team. Finishing the year in fifth place, with 240 points, Vettel ended one position and 24 points behind his teammate.

 

4- From hero to zero: what was Sebastian Vettel’s mistake?

 

Conquering a title in Formula One is not an easy job. The specialists are practically unanimous in saying that the key to the success in motorsport is the sum of the driver’s talent with the car’s good performance. There is no point in having a potent car if the driver has no stamina to bring it to the title (Valtteri Bottas is an example), as well as there is no point in the driver being talented if the car’s performance does not match (Max Verstappen is an example). Vettel’s achievements (records, wins, and titles) prove his talent. Ferrari and Red Bull are considered top teams (though recently the Austrian team is quite different from it was in at the time the German was its main driver). So how to explain such a fall in such a short time?

The answer is simple: self-control. This is an important ingredient in the recipe for a champion. A big example of how it works is the 2017 Malaysian Grand Prix. Lewis Hamilton disputed the title with Vettel and had started from pole position. However, a full of range Max Verstappen fought for the win. Hamilton preferred to not showing too much resistance, as he preferred to guarantee a second-place, keep a constant series of scoring, and steady the title than disputing the win and risk an accident, giving chances to his rival to surpass him. Vettel does not think the same way. The German is indeed impulsive and risks until the last second, causing unnecessary accidents and losing significant points. When this dispute happens with another impulsive driver, like Verstappen, the damage is even bigger. Who knows the 2017 championship would have ended differently if Vettel and Räikkönen had not framed that squeeze for Verstappen to try to scare him?

 

Sebastian Vettel’s crash at the 2018 German Grand Prix. Silly mistakes cost him the chance of winning three more titles. (Photo: Goodwood) [7]

 

A strategy is also important to win a game. Formula One is a collective sport that depends on the interaction between the driver and his team (this one divided into its many departments and staff, as engineers, mechanics, strategists, among others). Audacity and courage are indeed relevant factors to a successful career, but even in extreme situations, as a dispute for positions, it is necessary to think very well before acting. A good strategy would be reuniting the team before the races to discuss how to proceed in hypothetical situations and put in practice what was discussed before.

The main mistake of Sebastian Vettel was letting his emotions to take control of his reason. Accidents like those of the 2019 British and Brazilian Grand Prix were clearly an outcome of the driver’s rage for being overtaken by his rivals (respectively Verstappen and Leclerc). Vettel should follow the suit of Hamilton’s prudence if he wants to win titles again.

 

5- Conclusion

 

Ferrari realized that it is not worthy to spend its investments in a driver who, though talented, always getting into trouble. It is likely that Charles Leclerc became the new bet of the team, that will hire another driver to be his squire (sources speculate about the name of Carlos Sainz Jr.). Sebastian Vettel , in turn, has two possible ways: or retirement, or a weaker team (though Toto Wolff had already shown some interest in putting him in Mercedes, it is not known if Vettel would accept to be Lewis Hamilton’s teammate). The four-time-champion waiver was an outcome of his impulsivity, that harmed him more than helped him. However, it would be unfair to ignore Vettel’s achievements, as he left his legacy in Formula One as a bold and fearless driver who translated his courage in four titles. The most important lesson that he leaves for the new talents in the sport is that it worths thinking before acting more than risking everything, as you can lose the last chance to shine.

 

Sources

 

 

Photos

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A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?

No dia 12 de maio de 2020, a Scuderia Ferrari anunciou que o contrato do piloto alemão Sebastian Vettel não seria renovado. O desempenho de Vettel nos últimos anos se destacou por duas principais características: suas disputas pelo título em 2017 e 2018 e seus acidentes constantes. Em 2019, o alemão ficou atrás de seu companheiro, o monegasco Charles Leclerc, nos resultados finais, sendo que Leclerc estava em seu segundo ano de carreira e primeiro com a equipe de Maranello.

Durante a temporada de 2018, alguns torcedores chegaram a cogitar que uma aposentadoria do alemão seria mais indicado para ele. Outros usavam o passado glorioso de Vettel como tetracampeão para justificar sua permanência na Fórmula 1. Então, afinal, a decisão da Ferrari foi justa ou injusta? Para responder a essa dúvida, vamos fazer um retrospecto da carreira de Sebastian Vettel e avaliar se seu desempenho era digno dos investimentos da Ferrari.

 

1- O começo: um jovem talento ingressa na Fórmula 1

 

Sebastian Vettel estreou na Fórmula 1 no Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2007 pela Sauber, substituindo o polonês Robert Kubica, que havia sofrido um grave acidente na etapa anterior, no Canadá. Vettel chegou em oitavo lugar, o último da zona de pontuação da época, marcando um ponto. No mesmo ano, foi contratado pela Toro Rosso para continuar a temporada a partir do Grande Prêmio da Hungria. Sua segunda e última pontuação em 2007 foi um quarto lugar no Grande Prêmio da China. Terminou o campeonato no 14º lugar, com seis pontos.

A partir de 2008 a estrela de Vettel começou a brilhar mais. Pontuando em nove corridas, o alemão teve uma vitória triunfante no Grande Prêmio da Itália, sendo a primeira vez que um piloto da Toro Rosso vencia uma corrida. Nessa mesma etapa, quebrou dois recordes: “mais jovem piloto a obter uma pole position” e “mais jovem piloto a vencer largando da pole position”. Terminou 2008 no oitavo lugar do campeonato, com 35 pontos.

 

Primeira vitória de Sebastian Vettel, no Grande Prêmio da Itália de 2008. (Foto: MAXF1.net) [1]

 

2- Juntando-se à Red Bull: o ápice e a queda

 

Em 2009, Vettel foi contratado pela equipe Red Bull Racing. Quebrou mais dois recordes: “mais jovem piloto a fazer um hat-trick” (pole position, vitória e volta mais rápida) e “mais jovem vice-campeão”. Com quatro vitórias, oito pódios e mais quatro pontuações, fez 84 pontos, 11 a menos que o campeão Jenson Button, da Brawn. Seus resultados foram tão impressionantes que ele se tornou a aposta da Red Bull para a disputa pelo título.

Correndo ao lado do australiano Mark Webber, seu companheiro desde seu primeiro ano na equipe austríaca, Sebastian Vettel se consagrou campeão por quatro anos consecutivos. Em 2010, com cinco vitórias, 10 pódios e mais cinco pontuações, marcou 256 pontos e garantiu o primeiro título de um piloto da Red Bull. Em 2011, conquistou 392 pontos, resultantes de 11 vitórias, 17 pódios e mais uma pontuação. No ano seguinte, teve 281 pontos, cinco vitórias, 10 pódios e mais sete pontuações. Seu último título foi conquistado em 2013, com 13 vitórias, 16 pódios e mais duas pontuações. O tetracampeonato de Vettel significou duas coisas para a Red Bull: o departamento de engenharia acertou no desenvolvimento de seu motor turbo e a equipe tinha em mãos um dos pilotos mais talentosos da história do esporte.

 

Vitória de Sebastian Vettel no Grande Prêmio da Alemanha de 2013. (Foto: Motor Authority) [2]

 

Nos anos de seu tetracampeonato, Vettel quebrou nove recordes que mantém até hoje. Em 2010 quebrou o de “mais jovem campeão”, aos 23 anos. Em 2011, quebrou os de “mais chegadas ao pódio em uma temporada” (17 no total), “mais pole positions em uma temporada” (15 no total), “mais voltas lideradas em uma temporada” (739 no total), “mais vitórias partindo da pole position em uma temporada” (nove ao todo) e de “mais jovem piloto a fazer um grand slam” (pole position, vitória, volta mais rápida e liderança em todas as voltas). Em 2013, quebrou os recordes de “mais vitórias consecutivas” (nove no total), “mais grand slams consecutivos” (totalizando dois), e “mais vitórias em uma temporada” (totalizando 13). Vettel ainda conseguiu mais três recordes, “mais jovem a liderar pelo menos uma volta”, “mais jovem a conseguir um pódio” e “mais jovem a vencer um grande prêmio”, mas estes foram superados anos depois por Max Verstappen. Com estes feitos, Vettel foi considerado o maior vencedor da era turbo da Fórmula 1.

 

Com a Red Bull, Sebastian Vettel conseguiu quatro campeonatos e nove recordes mantidos até hoje. (Foto: Sports Mole) [3]

 

Mas em 2014, a situação mudou drasticamente. Com a saída de Mark Webber, a equipe escolheu o também australiano Daniel Ricciardo para substitui-lo como companheiro de Vettel. Se antes o domínio do alemão era certeiro, ele passou a ser preterido pela equipe em favor do novo companheiro. O carro de Vettel em 2014 tinha pouca potência para atingir os resultados dos anos anteriores, provocando quatro abandonos. Em contrapartida, o de Ricciardo desfrutava de perfeitas condições, permitindo inclusive sua primeira vitória, no Grande Prêmio do Canadá. Conseguindo apenas quatro pódios e mais 12 chegadas à zona de pontuação, Vettel terminou o ano no quinto lugar do campeonato, com 167 pontos. Ricciardo ficou em terceiro lugar, com 238 pontos. No mesmo ano que a Red Bull resolveu dar preferência a um novo piloto, a equipe perdeu a liderança na Fórmula 1, e o título de Lewis Hamilton (segundo da carreira) começou o domínio da Mercedes, que dura até hoje.

 

A preferência da Red Bull por Daniel Ricciardo não só prejudicou a temporada de 2014 de Sebastian Vettel, como permitiu que a Mercedes fosse a nova equipe dominante. (Foto: Marca) [4]

 

3- Ida à Ferrari: bom negócio?

 

Vendo a decepção de Vettel com a Red Bull, a Ferrari lhe fez uma proposta para se juntar ao time italiano no lugar do espanhol Fernando Alonso. A escuderia sediada em Maranello estava desde 2007 sem ganhar o campeonato de pilotos e desde 2008 sem ganhar o de construtoras. Descontentes com o fracasso de Alonso, os dirigentes da Ferrari apostavam no jovem tetracampeão para trazer de volta os tempos de glória da equipe.

O contrato de Vettel com a Red Bull terminaria no final de 2015, mas a Ferrari pagou sua rescisão para tê-lo em seu time. Correndo ao lado do finlandês Kimi Räikkönen, último campeão pela escuderia italiana, o alemão voltou ao top-3 dos pilotos. Conquistando três vitórias, 13 pódios e mais quatro pontuações, terminou o ano no terceiro lugar do ranking, com 278 pontos, 44 a menos que o vice-campeão Nico Rosberg e 103 a menos que o campeão Lewis Hamilton (ambos da Mercedes). Embora sem conseguir outro título, a posição em 2015 foi um alívio para Vettel, pois estava em um carro mais competitivo, sendo a prioridade da equipe, e estava mais perto de competir pelo troféu de campeão.

 

Com a Ferrari, Sebastian Vettel recuperou as chances de lutar pelo título. (Foto: O Globo) [5]

 

Mas em 2016, o destino trouxe mais um grande rival: Max Verstappen. O holandês havia estreado pela Toro Rosso em 2015, e no ano seguinte foi promovido para a Red Bull no lugar do russo Daniil Kyvat (demitido pelo fraco desempenho e seus acidentes constantes, inclusive prejudicando Vettel, como no Grande Prêmio da Rússia). Verstappen tinha as mesmas características do piloto alemão: era jovem, destemido, arrojado, corajoso e não tinha medo de correr riscos. Responsável por quebrar três recordes que pertenciam a Vettel, o holandês travou intensas disputas com o piloto da Ferrari. As mais emblemáticas foram as disputas pelo pódio do Grande Prêmio do México e pelo quinto lugar do Grande Prêmio do Brasil (o qual Verstappen terminou em terceiro lugar). O jovem quase superou Vettel no campeonato, ficando a apenas oito pontos do alemão, que terminou o ano no quarto lugar do ranking, com 212 pontos.

Em 2017, Vettel voltou a se destacar, iniciando o campeonato com uma vitória no Grande Prêmio da Austrália. A disputa pelo título com Hamilton se manteve equilibrada por 13 corridas, com o alemão levando uma certa vantagem. Porém, no Grande Prêmio de Singapura, a ânsia da Ferrari por vitória acabou prejudicando seu piloto principal. Largando da pole position, ao lado de Max Verstappen, Vettel e Räikkönen fecharam o holandês o que provocou uma batida tripla. Os três pilotos tiveram que abandonar a prova e a vitória caiu no colo de Hamilton. Com a liderança do britânico, Vettel precisava vencer o Grande Prêmio do México e torcer para que Hamilton chegasse no máximo em nono lugar para se firmar campeão. Porém, mais uma disputa com Verstappen frustra os planos do alemão. O holandês lhe tomou a liderança e os dois tiveram um toque. Enquanto Verstappen continuou normalmente, Vettel acabou se chocando com Hamilton e os dois foram para os últimos lugares. O piloto da Ferrari terminou a prova em quarto lugar, já o inglês cruzou a linha de chegada em nono, garantindo o título daquele ano. Vencendo pela última vez no Grande Prêmio do Brasil, Vettel encerrou 2017 como vice-campeão, com 317 pontos resultantes de cinco vitórias, 12 pódios e mais cinco pontuações.

 

Acidente no Grande Prêmio de Singapura de 2017 envolvendo Sebastian Vettel, Kimi Räikkönen e Max Verstappen. (Foto: Busy.org) [6]

 

O ano de 2018 foi semelhante ao anterior. Vettel começou o campeonato com duas vitórias consecutivas (na Austrália e no Bahrein). Porém, a partir do Grande Prêmio da China, no qual teve um toque com Verstappen que o levou para o oitavo lugar, sua sorte começou a mudar. Naquele ano, Vettel se envolveu em uma série de acidentes que lhe custaram pontos preciosos para disputar o título. No Grande Prêmio da França, colidiu com o finlandês Valtteri Bottas, já no da Alemanha, apesar da equipe facilitar seu trabalho, ordenando ao companheiro Räikkönen que lhe cedesse a liderança, bateu no muro e abandonou a prova. No Grande Prêmio do Japão, arriscou a sorte em uma briga com Verstappen que o fez deixar momentaneamente a pista, terminando a corrida no sexto lugar. Ao todo, Vettel teve cinco vitórias, 12 pódios e mais oito pontuações em 2018, firmando-se vice-campeão mais uma vez, com 320 pontos.

Em 2019, Kimi Räikkönen foi substituído por Charles Leclerc. Apesar de muitos jornalistas e torcedores especularem que o novo piloto traria uma ameaça a Vettel, velhos conhecedores da Ferrari já sabiam que a equipe priorizaria o alemão e fariam do monegasco seu escudeiro (tal como fez com Rubens Barrichello e Felipe Massa no passado). Logo na primeira corrida do ano, na Austrália, apesar do carro de Leclerc ter um rendimento melhor, a Ferrari não permitiu que ele ultrapassasse Vettel (o mesmo ocorreu duas etapas depois, na China). Por essa razão, Leclerc ganhou o apelido de “Cinderela”. No entanto, Vettel não justificou a predileção de sua equipe por ele em 2019: só conseguiu uma vitória, em Singapura, que ainda lhe rendeu a polêmica acusação de ser ajudado pela Ferrari (que trocou seus pneus antes dos de Leclerc), além de oito pódios e mais sete pontuações. A principal marca de Vettel em 2019 foram seus acidentes, notadamente a batida com Hamilton no Grande Prêmio do Canadá, a colisão proposital com Verstappen no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, com Lance Stroll no Grande Prêmio da Itália, e com Leclerc no Grande Prêmio do Brasil. No segundo e terceiro casos, Vettel apenas ficou entre as últimas posições, inclusive levando punição, já no último causou um duplo abandono ferrarista que alarmou a equipe. Terminando o ano no quinto lugar, com 240 pontos, Vettel ficou uma posição e 24 pontos atrás do companheiro.

 

4- De herói a zerói: qual foi o erro de Sebastian Vettel?

 

Conquistar um título na Fórmula 1 não é uma tarefa fácil. Os especialistas são praticamente unânimes em dizer que a chave para o sucesso no automobilismo é a soma do talento do piloto com o bom desempenho do carro. De nada adianta um carro potente se o piloto não tem garra para levá-lo ao título (Valtteri Bottas é um exemplo), assim como não adianta o piloto ser talentoso se o desempenho do carro não corresponde (Max Verstappen é um exemplo). As conquistas de Vettel (recordes, vitórias e títulos) provam seu talento. Ferrari e Red Bull são consideradas equipes de ponta (apesar de ultimamente o time austríaco estar bem diferente do que era na época que o alemão era seu piloto principal). Então como explicar tamanha queda em tão pouco tempo?

A resposta é simples: autocontrole. Este é um ingrediente importante na receita de um campeão. Um grande exemplo de como isso funciona é o Grande Prêmio da Malásia de 2017. Lewis Hamilton disputava o título com Vettel e havia largado da pole position. Porém, um Verstappen cheio de fúria lutava pela liderança. Hamilton preferiu não oferecer muita resistência, pois preferia garantir um segundo lugar, manter uma série constante de pontuações e firmar o título do que disputar a vitória e arriscar um acidente, dando chances para seu concorrente superá-lo. Vettel não pensa da mesma maneira. O alemão é deveras impulsivo e arrisca até o último segundo, provocando acidentes desnecessários e perdendo pontos significativos. Quando esta disputa acontece com outro piloto impulsivo, como Verstappen, o estrago é ainda maior. Quem sabe o campeonato de 2017 não teria terminado de outro jeito se Vettel e Räikkönen não tivessem armado aquele fechamento em cima de Verstappen para tentar assustá-lo?

 

Batida de Sebastian Vettel no Grande Prêmio da Alemanha de 2018. Erros bobos lhe custaram a chance de vencer mais três títulos. (Foto: Goodwood) [7]

 

A estratégia também é importante para se vencer um jogo. Fórmula 1 é um esporte coletivo, que depende da interação entre o piloto e sua equipe (esta dividida em seus vários departamentos e funcionários, como engenheiros, mecânicos, estrategistas, entre outros). Arrojo e coragem são sim fatores relevantes para uma carreira bem sucedida, mas até mesmo em situações extremas, como numa disputa de posições, é preciso pensar bem antes de agir. Uma boa estratégia seria reunir a equipe antes das corridas para discutir como proceder em situações hipotéticas e colocar em prática o que foi discutido antes.

O erro principal de Sebastian Vettel foi deixar suas emoções tomarem conta da razão. Acidentes como o dos Grandes Prêmios da Grã-Bretanha e do Brasil de 2019 foram nitidamente resultados da raiva do piloto por ser ultrapassado por seus rivais (respectivamente Verstappen e Leclerc). Vettel deveria seguir o exemplo da prudência de Hamilton se quiser voltar a ganhar títulos.

 

5- Conclusão

 

A Ferrari percebeu que não vale mais a pena gastar seus investimentos em um piloto que, apesar de talentoso, sempre mete os pés pelas mãos. É provável que Charles Leclerc seja a nova aposta do time, que contratará outro piloto para ser seu escudeiro (fontes especulam sobre o nome de Carlos Sainz Jr.). Sebastian Vettel, por sua vez, tem dois caminhos possíveis: ou a aposentadoria, ou uma equipe mais fraca (embora Toto Wolff já tenha mostrado certo interesse por ele na Mercedes, mas não se sabe se Vettel aceitaria ser companheiro de Lewis Hamilton). A dispensa do tetracampeão foi resultado de sua impulsividade, que mais o atrapalhou do que ajudou. No entanto, não seria justo ignorar os feitos de Vettel, que deixou seu legado na Fórmula 1 como um piloto arrojado e destemido, que traduziu sua coragem em quatro títulos. A lição mais importante que ele deixa para os novos talentos no esporte é a de que vale muito mais a pena pensar antes de agir do que arriscar tudo, pois você pode perder a última chance de brilhar.

 

Adendo (10/01/2021): O argumento principal apresentado nesta matéria (de que a Ferrari demitiu Sebastian Vettel porque seus “erros individuais” prejudicaram o desempenho da equipe) é defendido por Martin Brundle. Pode conferir na matéria assinada por Federico Faturos no site Motorsport clicando aqui.

 

Fontes

 

 

Fotos

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Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2019

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de volta. Hoje relembraremos como foi o desempenho dos pilotos esse ano na Fórmula 1. Para melhor compreensão, eles serão agrupados de acordo com suas respectivas equipes. Sem mais enrolação, vamos à análise:

 

Atenção: Os quadrinhos contém uma análise humorística, já os textos uma análise séria. Não temos intenção de ofender ninguém, e buscamos brincar igualmente com todos.

 

  • Lewis Hamilton

 

 

Hamilton consagrou-se hexacampeão em 2019. Somando 413 pontos (cinco a mais que no ano passado), o inglês manteve uma constância de bons resultados, chegando ao pódio em 17 de 21 corridas e vencendo 11 vezes. No entanto, nem tudo no ano foi perfeito para Hamilton. Suas piores atuações foram na Alemanha, onde escorregou, bateu no muro, cortou caminho para o pit stop e foi penalizado com cinco segundos, e no Brasil, onde bateu em Alexander Albon e foi penalizado com a perda do terceiro lugar (embora tenha subido ao pódio para a celebração, pois os comissários demoraram a analisar o caso).

Essas duas exceções são surpreendentes para Hamilton, que sempre foi lembrado como um piloto prudente, que evita acidentes sempre que possível e, devido a isso, consegue manter uma sequência de bons resultados. No começo do ano, parecia que seu companheiro Valtteri Bottas traria uma ameaça. Porém, Bottas não é Nico Rosberg e não pôde aproveitar todo o potencial do carro da Mercedes para competir pelo título com Hamilton.

Hamilton também, infelizmente, foi alvo de um dos piores casos de racismo na história da Fórmula 1. No Grande Prêmio da Itália, após os comissários decidirem não penalizar Charles Leclerc, da Ferrari, por tê-lo espremido contra o muro (apenas o advertiram com uma bandeira branca e preta), os torcedores da tifosi vaiaram o inglês, segundo colocado na corrida, e imitaram macacos para ele. Hamilton respondeu com elegância, afirmando que os ferraristas não devem manchar seu conhecido entusiasmo com atitudes tão antiéticas. Hamilton foi a terceira vítima de decisões controvérsias dessa corrida, pois além dele, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Alexander Albon (da Red Bull), asiático, também foram vítimas de decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Se por um lado a carreira atlética do inglês vai bem, fora das pistas ele se meteu em polêmicas. Vegano convicto, Hamilton aposta em sua popularidade para fazer ativismo pela causa vegana e realizar um trabalho de conscientização. No entanto, às vezes a emoção supera a razão e isso atrapalha as ações. Hamilton se posicionou sobre os incêndios na Amazônia postando uma foto antiga (cujo autor até já faleceu) e divulgou uma fake news há muito tempo desmentida por especialistas: de que a Amazônia é o “pulmão do mundo”, que produz 20% do oxigênio consumido pelos seres vivos (a verdade é que o oxigênio que respiramos provém dos oceanos; a Amazônia produz apenas 2% do oxigênio atmosférico e, como comunidade clímax, ela produz o oxigênio que ela mesma consome). Ou seja, antes de criar uma animosidade com populações de outros países divulgando informações falsas, Hamilton deveria pesquisar mais sobre o assunto que pretende discutir antes de falar como o especialista que ele não é. Caso contrário, sua popularidade apenas vai prejudicá-lo, pois ficaria mais conhecido como mentiroso do que como um ativista bem-intencionado. Toto Wolff já havia dado esse conselho a ele.

Portanto, a Lewis Hamilton damos os parabéns pelo título merecido e desejamos a ele muito sucesso em sua carreira e projetos. Mas, sempre pensando antes de agir.

 

  • Valtteri Bottas

 

 

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2019, com 326 pontos (79 a mais que no ano passado). O finlandês teve uma temporada constante, com 15 pódios (entre eles quatro vitórias) em 21 corridas. Igual ao companheiro Lewis Hamilton, suas piores corridas foram na Alemanha e no Brasil. Na primeira, Bottas bateu no muro enquanto perseguia Lance Stroll, da Racing Point, na busca por um pódio. Na segunda, seu motor pifou.

Como a primeira corrida do ano foi vencida por Bottas, muitos achavam que ele seria o principal concorrente de Hamilton ao título de 2019. No entanto, embora o carro da Mercedes lhe rendesse bons resultados, Bottas não é o tipo de piloto que gosta de se arriscar por posições mais altas. Sua melhor corrida foi no Japão, onde passou Sebastian Vettel, da Ferrari, como um ninja, logo após a largada, e conseguiu uma ótima vitória. Porém, sua corrida em Mônaco escancarou o duplo-padrão que os comissários da FIA têm ao julgar os incidentes de prova. Bottas e Max Verstappen, da Red Bull, se enfrentaram nos boxes e o holandês perdeu o pódio ao ser punido com cinco segundos (o que promoveu Vettel ao segundo lugar e Bottas ao terceiro). No entanto, quando Charles Leclerc, da Ferrari, enfrentou Romain Grosjean, da Haas, nos boxes da Alemanha, os comissários simplesmente aplicaram uma multa à “Cinderela”.

Bottas pareceu mais confiante esse ano do que em 2018. De acordo com o que foi divulgado por Mariana Becker, repórter da Rede Globo, aparentemente esta confiança é resultado de um tratamento psicológico que o finlandês teria feito durante as férias. Também na vida pessoal de Bottas, ocorreu o divórcio de sua esposa Emilia Pikkarainen.

Desejamos boa sorte a Valtteri Bottas para o ano que vem e parabenizamos seu vice-campeonato. Esperamos que ele continue enfrentando suas dificuldades e consiga mais arrojo para ultrapassar seus adversários.

 

  • Max Verstappen

 

 

Max Verstappen foi o terceiro colocado no campeonato, com 278 pontos (29 a mais que no ano passado). Em 21 corridas, ele conseguiu nove pódios e três vitórias (Áustria, Alemanha e Brasil). Sua temporada foi mais constante que a de 2018, e Verstappen praticamente carregou sua equipe, a Red Bull, nas costas, pois seu primeiro companheiro do ano, Pierre Gasly, não era capaz de lutar por pódios e seu segundo companheiro, Alexander Albon, teve pouco tempo para conseguir os pontos necessários para a equipe subir no ranking. Consequentemente, mesmo com os problemas internos da Ferrari que prejudicavam a escuderia italiana, a Red Bull ficou atrás desta no campeonato de construtoras, em terceiro lugar.

Verstappen é o piloto que traz emoção às corridas, pois ele não tem medo de desafios e de se arriscar por posições melhores. Sua conduta não mudou muito em relação ao ano passado, porém teve menos acidentes: os únicos do ano foram com Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, na Bélgica, e com Charles Leclerc, da Ferrari, no Japão (este último incidente por culpa do piloto monegasco). Verstappen, no entanto, fica em desvantagem pela falta de competitividade do carro da Red Bull. Parece que os engenheiros da equipe austríaca são incapazes de produzir algo à altura do talento do jovem holandês. Consequentemente, Max perde oportunidades preciosas de vitória. Lembrando também que o motor Honda algumas vezes o deixou na mão durante as largadas, como na Áustria e na Alemanha, mas a vontade de Verstappen de vencer possibilitou que ele superasse esses contratempos e garantisse belas vitórias.

Muito se falou sobre a rivalidade travada entre Verstappen e Leclerc, principalmente depois do Grande Prêmio da Áustria, vencido por Max após uma bela ultrapassagem sobre o pole position Charles nas últimas voltas. Leclerc até hoje não superou esse trauma e, inclusive, até se recusou a cumprimentar o vencedor na sala dos pilotos (conduta mais mimada e antiesportiva possível). Entre estes dois jovens talentos, é nítido que embora Leclerc tenha um carro melhor, Verstappen tem mais experiência, mais coragem para enfrentar os adversários e mais destreza na direção. Caso o holandês fosse para uma equipe melhor (especula-se que Toto Wolff mais uma vez esteja tentando trazê-lo para a Mercedes), a disputa seria mais interessante.

Ano que vem termina o contrato de Max Verstappen com a Red Bull. Não sabemos se ele ficará nessa equipe, que não está à sua altura, ou se ele irá para a Mercedes. Mas desejamos a ele boa sorte e sabedoria em suas escolhas.

 

  • Alexander Albon

 

 

O estreante Alexander Albon começou o ano na Toro Rosso. Porém, a incompetência de Pierre Gasly fez com que Helmut Marko o trouxesse para a Red Bull, substituindo o francês. Albon marcou 92 pontos e quase conseguiu seu primeiro pódio, no Grande Prêmio do Brasil, mas foi acertado por Lewis Hamilton, da Mercedes, durante a corrida. Terminou o campeonato em oitavo lugar.

Até a sua promoção à Red Bull, Albon havia pontuado em cinco de 12 corridas com a Toro Rosso. Até a corrida na Alemanha, onde seu então companheiro Daniil Kvyat conseguiu um pódio, a disputa entre os dois pilotos estava equilibrada. Em sua primeira corrida com a nova equipe, na Bélgica, teve uma atuação digna de elogios, conquistando um quinto lugar. Outra atuação excelente foi na Rússia, onde largou dos boxes e conseguiu chegar em quinto. É nítido que Albon tem mais coragem e destreza que Gasly e, embora ainda não esteja ao nível de Verstappen, ele é o companheiro de equipe que a Red Bull esperava para o holandês desde a saída de Daniel Ricciardo para a Renault. Esperava-se que Gasly cumpriria o papel, mas este se revelou uma das maiores decepções do ano.

Além do acidente com Hamilton, outro acontecimento foi negativo para Albon. O tailandês foi jogado para fora da pista por Carlos Sainz Jr., piloto espanhol da McLaren, no Grande Prêmio da Itália. Porém, os comissários decidiram punir Albon, mesmo este sendo a vítima. Esta decisão, a segunda entre três controvérsias desta corrida, gerou suspeita de racismo, pois Albon (asiático) e mais dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point, indígena) e Lewis Hamilton (negro), foram prejudicados injustamente por ações que beneficiaram pilotos brancos.

Alexander Albon é, sem dúvida alguma, a maior revelação da Fórmula 1 de 2019. Não é à toa que foi escolhido pelo Autosports Awards como o Estreante do Ano (ainda que os “fãs” tivessem optado por Lando Norris, da McLaren, cujos resultados medianos nem se aproximam dos de Albon). Desejamos ao tailandês boa sorte para o ano que vem e que ele continue fazendo excelentes corridas.

 

  • Sebastian Vettel

 

 

Sebastian Vettel terminou o campeonato no quinto lugar, com 240 pontos (80 pontos a menos que no ano passado). Este não foi um ano auspicioso para o alemão, que assistiu a Mercedes aumentando sua vantagem, a Red Bull tornando-se uma forte concorrente com Max Verstappen, e a briga interna na Ferrari entre as políticas tradicionais da escuderia e o novo companheiro de Vettel, Charles Leclerc.

Como explicado anteriormente no The Racing Track, a Ferrari mantém uma política interna de “campeão e escudeiro” que protege o primeiro piloto e obriga o segundo a servir como ajudante para garantir pontuações valiosas para a equipe. Foi assim com Michael Schumacher (“campeão”) e Rubens Barrichello (“escudeiro”), entre Fernando Alonso (“campeão”) e Felipe Massa (“escudeiro”) e entre Vettel (“campeão”) e Kimi Raikkonen (“escudeiro”). No entanto, Leclerc não aceitava essa política, pois mesmo sendo obrigado a ceder suas posições para Vettel na Austrália e na China, o monegasco conseguia mais pole positions e se julgava no direito de ser tratado como o “campeão” da equipe. Mas seus protestos não foram atendidos pela Ferrari, que continuou protegendo Vettel. A indignação do monegasco gerou atrito entre ele e o alemão, resultando algumas vezes em acidentes, como o duplo-abandono ferrarista no Brasil.

Vettel também não perdeu seu estilo arrojado e sua sede por superações. Porém, por ser o tipo de piloto que mais age do que pensa, acabou por causar acidentes que prejudicaram não só ele mesmo como sua equipe. Um grande exemplo é o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quando Vettel, indignado por ter sido ultrapassado por Verstappen, acelerou e bateu na traseira do holandês, tirando ambos da pista temporariamente. Verstappen voltou para a pista e cruzou a linha de chegada em quinto lugar, mas Vettel, além de ser punido com 10 segundos, voltou em último, chegando inclusive atrás das Williams. Outro exemplo foi a batida em Lance Stroll, da Racing Point, na Itália após o alemão ter rodado e saído da pista. Mesmo sendo Stroll a vítima e Vettel admitindo o erro (inclusive pedindo perdão pessoalmente a Stroll), os torcedores italianos lançaram insultos racistas ao canadense por suas origens indígenas e esta corrida também foi marcada por uma das arbitragens mais controversas da história da Fórmula 1, com pilotos de cor recebendo punições indevidas e pilotos brancos sendo beneficiados.

Em 21 corridas, Vettel teve nove pódios e apenas uma vitória, em Singapura. O resultado desta corrida também não foi bem aceito por Leclerc, que acusou a Ferrari de demorar em seu pit stop para beneficiar Vettel. A equipe assumiu depois que realmente visou ajudar o alemão para garantir que ele tivesse ânimo para continuar a temporada. Mas não se pode tirar o mérito de Vettel. Ele não é um tetracampeão à toa. Só está passando por uma fase ruim como acontece com qualquer atleta. E, se até ano passado ele era um forte candidato ao título, não se pode afirmar que ele não tem mais condições de continuar na disputa.

Desejamos a Sebastian Vettel um 2020 com muita sorte e prudência. Ele é um dos pilotos que deixa a Fórmula 1 atual mais interessante.

 

  • Charles Leclerc

 

 

Charles Leclerc terminou 2019 no quarto lugar no campeonato, com 264 pontos (225 pontos a mais que no ano passado). A “Cinderela da Fórmula 1”, como foi apelidado, conseguiu sete poles positions, mais do que qualquer outro piloto do grid. Em 21 corridas, Leclerc teve 10 pódios e duas vitórias (Bélgica e Itália). Mas nem tudo foram flores para ele, pois o monegasco também foi o protagonista de uma das maiores polêmicas do ano na Fórmula 1.

Embora a mídia especulasse que Leclerc seria a próxima aposta da Ferrari para conquistar títulos, era claro que o jovem havia sido contratado como “escudeiro”, “posto” já ocupado por Rubens Barrichello (“escudeiro” de Michael Schumacher), Felipe Massa (“escudeiro” de Fernando Alonso) e Kimi Raikkonen (“escudeiro” de Sebastian Vettel). O motivo? Era óbvio. Por que uma equipe de ponta tão tradicional como a Ferrari iria destronar Vettel (que foi uma ameaça a Lewis Hamilton por dois anos) para dar lugar a um jovem menino cuja única experiência havia sido um ano na Sauber e cujos resultados haviam sido piores que os anos de estreia de pilotos da mesma faixa etária, como Max Verstappen e Lance Stroll? Apenas os cegos pelo fanatismo acreditaram que a escuderia de Maranello faria uma exceção especialmente para Leclerc.

“Cinderela”, porém, não reagiu bem às ordens da “madrasta”, que havia obrigado o piloto a ficar atrás de Vettel na Austrália e na China. Como Leclerc havia feito mais poles positions, e seria burrice mandá-lo parar para esperar Vettel (o que permitiria que outros pilotos o ultrapassassem), o monegasco quis desafiar a política interna tradicional da Ferrari e algumas vezes enfrentou o alemão. Este confronto gerou problemas para a equipe, como no duplo-abandono no Brasil.

Leclerc também provou não lidar bem com situações adversas, como na Áustria, onde perdeu a vitória para Max Verstappen, da Red Bull, nas últimas voltas, e se recusou a cumprimentar o holandês na sala de espera. Apenas o fez pelo Twitter, e muito provavelmente a mensagem foi escrita pela assessora de imprensa. Outro exemplo da atitude mimada de Leclerc foi em Singapura, onde ele acusou a própria equipe de sabotar seu pit stop para entregar a vitória a Vettel, gerando um clima de desconforto na Ferrari. No Japão, após bater em Verstappen, ele ficou com uma peça presa em sua asa dianteira e se recusou a ir para o box retirá-la, colocando em risco a segurança de Lewis Hamilton, da Mercedes, que vinha logo atrás. A peça chegou inclusive a desprender-se do carro e acertar o halo de Hamilton. Na Alemanha, enfrentou Romain Grosjean nos boxes e levou apenas uma multa. Na Itália, espremeu Hamilton contra o muro e levou apenas uma advertência (em uma das arbitragens mais controversas da Fórmula 1). Em Abu Dhabi, seu carro tinha irregularidades no combustível, mas também só recebeu uma multa. Ao que parece, os comissários têm medo de punir a “Cinderela”. Com isso, ele se tornou o segundo piloto mais mimado do grid, atrás de Lando Norris, da McLaren.

Leclerc foi obrigado a lidar com outra perda importante no ano: a de seu amigo Antoine Hubert, que faleceu em um acidente na Fórmula 2, um dia antes do Grande Prêmio da Bélgica, vencido pelo monegasco. Ele passou o resto do ano pilotando com uma mensagem de “descanse em paz” no volante.

Desejamos a Charles Leclerc um 2020 cheio de sabedoria e prudência, além de boa sorte. Ele tem muito talento, só precisa aproveitá-lo mais.

 

  • Sergio Pérez

 

 

Sergio Pérez terminou 2019 no décimo lugar do campeonato, com 52 pontos (10 a menos que no ano passado). Infelizmente, não obteve pódios esse ano, mas lutou constantemente por melhores resultados, que garantiram uma boa posição para a Racing Point no ranking de construtoras.

A temporada de 2019 pode ser resumida em um ano de transição para a Racing Point, pois foi o primeiro ano completo com os novos donos. Pérez conseguiu provar que não é o “monstro” que seu companheiro de 2018, Esteban Ocon, tentou fazer parecer (ver Entenda o Caso Esteban Ocon). Ocon o havia acusado de ser uma pessoa descontrolada, capaz de matar um adversário, mas em 2019, Pérez provou ser uma pessoa prudente e equilibrada, dando as boas-vindas ao novo companheiro, Lance Stroll, e a dupla teve uma temporada de bom relacionamento, tanto dentro quanto fora das pistas. O mexicano pontuou em 11 das 21 corridas do ano, oscilando entre o sexto e o décimo lugar. Seu feito mais marcante foi a ultrapassagem sobre Lando Norris, da McLaren, no Grande Prêmio de Abu Dhabi, levando o inglês às lágrimas e desbancando-o do décimo lugar do campeonato.

A Racing Point não foi capaz de fazer um carro competitivo o suficiente para enfrentar a Red Bull, como era o esperado pela equipe no começo do ano. Consequentemente, a escuderia britânica terminou o ano em sétimo lugar no ranking após o pódio de Pierre Gasly garantir o sexto lugar para a Toro Rosso. Muito do desempenho da Racing Point foi obtido graças a Pérez, devido a um péssimo trabalho do estrategista de seu companheiro e à dificuldade de Stroll de manter suas posições durante as corridas, embora o melhor resultado do canadense no ano (um quarto lugar na Alemanha) tenha sido melhor do que o melhor resultado do mexicano (sexto lugar no Azerbaijão e na Bélgica).

Na vida pessoal, Pérez foi agraciado com o nascimento de sua filha Carlota, sua segunda criança com Carola Martínez. Eles também são pais de Júnior, nascido em 2018.

Sérgio Pérez será uma importante peça para as futuras conquistas da Racing Point. Desejamos a ele boa sorte para o ano que vem.

 

  • Lance Stroll

 

 

Lance Stroll terminou 2019 em 15º lugar no campeonato, com 21 pontos (15 a mais que no ano passado). O canadense suspirou aliviado em uma equipe muito melhor que a Williams, cuja incompetência de seu setor de engenharia (comandado por Paddy Lowe) e de seus administradores (notadamente Claire Williams) prejudicaram sua temporada em 2018. Porém, 2019 provou de quem realmente era a culpa pelos maus resultados da Williams: Lowe e a herdeira de Frank Williams. Stroll começou o ano pontuando e totalizou seis chegadas à zona de pontuação. Mas talvez sua característica mais notável na temporada foram suas excelentes largadas que eram prejudicadas por performances preguiçosas no decorrer das provas.

É claro que Stroll, assim como a Racing Point, passava por um período de transição. O canadense estava em uma equipe com profissionais mais competentes e não havia um clima de tensão e animosidade como havia na Williams. Ele era visto como o salvador da escuderia, e não mais como o bode expiatório que Claire Williams e Paddy Lowe tentaram torná-lo para esconderem suas próprias falhas. A Racing Point, por outro lado, vivia seu primeiro ano completo sob nova gestão. Porém, Stroll desperdiçou muitas oportunidades de pontuação que poderiam ter rendido posições melhores à escuderia no campeonato de construtoras.

Stroll foi aclamado pela Fórmula 1 como o piloto que mais ganhou posições durante as largadas. Todavia, este feito não se traduziu em pontos, pois algumas voltas depois da largada (momento em que o canadense costumava a ganhar de seis a dez posições), o carro não mantinha o desempenho esperado e o piloto era facilmente ultrapassado por seus adversários. Isto, somado à falha de seu estrategista, que o chamava para as trocas de pneus mais tarde do que o devido, prejudicaram a performance do canadense. Foi o caso do Grande Prêmio da França, onde Stroll conquistava o sexto lugar, mas sua troca tardia de pneus o levou para o 13º lugar. Outro momento ruim foi o Grande Prêmio da Itália, onde ele garantia o sétimo lugar quando foi acertado por Sebastian Vettel, da Ferrari. Jogado para fora da pista, Stroll voltou em situação normal, mas Pierre Gasly, da Toro Rosso, em uma manobra para garantir uma punição ao piloto indígena e se beneficiar com isso, saiu temporariamente da pista para parecer que a culpa havia sido de Stroll. Vendo uma oportunidade de se vingar por terem sido obrigados a punir um piloto da Ferrari, os comissários puniram Stroll injustamente, marcando a primeira entre três decisões controversas da arbitragem que levaram à suspeita de racismo. Vettel chegou a se desculpar pessoalmente com Stroll, mas isso não impediu os torcedores fanáticos a atacarem o canadense por suas origens indígenas, provando que, infelizmente, a mentalidade colonialista e racista ainda está viva na Europa.

Mas nem tudo estava perdido para o jovem Stroll. Sua melhor corrida foi na Alemanha, onde chegou a liderar a volta por algum tempo e terminou em quarto lugar (o melhor resultado de sua equipe no ano). O portal WTF1 declarou que ele é oficialmente o segundo adolescente mais bem-sucedido da história da categoria, somente atrás de Max Verstappen. Isso prova que, mesmo os racistas tentando emplacar Lando Norris e George Russell (pilotos brancos europeus com resultados inferiores) como melhores, o único indígena do Canadá a pilotar na Fórmula 1 ainda mantém seu legado e seu lugar merecido na história (ver O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

Desejamos a Lance Stroll um ano de 2020 com muita sorte e destreza. Esperamos que ele vença as dificuldades, supere seus limites e continue representando tão bem os indígenas na Fórmula 1.

 

  • Daniel Ricciardo

 

 

Daniel Ricciardo fez seu primeiro ano na Renault. Marcando 54 pontos (170 a menos que no ano passado), o australiano não teve o desempenho que esperava quando decidiu trocar a Red Bull pela escuderia francesa por não confiar no motor Honda. Terminou 2019 no nono lugar.

Ricciardo pontuou em oito de 21 corridas. Suas primeiras etapas resultaram em quebra. O motor Renault traiu sua confiança e o piloto ainda sofreu punições por irregularidades no carro que garantiam mais potência: como a largada do fim do grid em Singapura e a desclassificação no Japão. Com isso, a performance de Ricciardo foi altamente afetada e ele acabou comendo o pão que o diabo amassou.

O australiano pode ser considerado o piloto mais inteligente do grid, pois seus conhecimentos de engenharia estão acima dos de seus concorrentes. No entanto, a ineficiência da Renault desperdiçou o potencial que ele traria para a equipe. Ricciardo também é um dos nomes que mais luta por igualdade no tratamento entre as equipes e pilotos por parte da FIA e isso é uma qualidade muito nobre para o esporte.

Desejamos a Daniel Ricciardo um ano de sorte em 2020 e que ele consiga superar suas dificuldades. Talvez, como o próprio já esperava, não consiga lutar pelas melhores posições, mas que pelo menos ele possa manter uma constância de bons resultados.

 

  • Nico Hülkenberg

 

 

Nico Hülkenberg terminou 2019 no 14º lugar no campeonato, com 37 pontos (32 a menos que no ano passado). O alemão será substituído por Esteban Ocon na Renault em 2020, ficando sem vaga para o ano que vem.

A performance de Hülkenberg não foi das melhores. Pontuando em 10 de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quinto lugar no Grande Prêmio da Itália, sua falta de progresso se deve à ineficiência do motor Renault e à constante queda de desempenho que o piloto vem apresentando ao longo dos anos. O melhor momento de sua carreira foi sua pole position no Grande Prêmio do Brasil de 2010, corrida que ele não foi capaz nem de terminar no pódio. Mesmo assim, como todo mundo vira “lenda” ou quando morre ou quando se aposenta, de repente, os “fãs” de Hülkenberg saíram de sua hibernação de nove anos, e protestaram contra a volta de Ocon para a Fórmula 1, inclusive acusando o hispano-francês, baseado em fatos, de “piloto pagante” (ver mais sobre a polêmica em Entenda o Caso Esteban Ocon).

Desejamos a Nico Hülkenberg boa sorte em 2020 para onde quer que ele vá. Esperamos que seu substituto não traga mais problemas como os que ele trouxe em 2018.

 

  • Carlos Sainz Jr.

 

 

Carlos Sainz Jr. terminou 2019 no sexto lugar do campeonato, com 96 pontos (43 a mais que no ano passado). Sainz foi um dos três únicos pilotos fora de uma equipe de ponta a conseguir um pódio no ano (os outros foram Pierre Gasly e Daniil Kvyat, ambos da Toro Rosso), mas infelizmente não pôde comemorar devidamente porque os comissários demoraram para punir Lewis Hamilton, da Mercedes. Depois de herdar o terceiro lugar da corrida, ele recebeu uma homenagem de sua equipe, a McLaren, com direito a confetes, champanhe e Estrella Galicia (uma das patrocinadoras), mas sem público para assistir. Para piorar, durante a sessão de fotos, a equipe deixou seu companheiro Lando Norris tirar uma foto com a taça como se ele tivesse conquistado o título (parecia que ele tinha dito “Papai, quero a taça”, e o sr. Adam Norris havia pago para a equipe fingir que seu filho havia sido o conquistador do pódio).

Depois de um começo difícil, Sainz pontuou em 12 de 21 corridas, oscilando entre o quinto e o décimo lugar. Em algumas ocasiões, ele chegou a disputar posições com pilotos da Ferrari e da Red Bull logo após a largada, como no Grande Prêmio de Singapura, onde um choque com Alexander Albon, da Red Bull, o obrigou a parar mais cedo nos boxes.

Também com Albon, Sainz protagonizou um episódio lamentável de uma das corridas mais polêmicas da história da Fórmula 1: O Grande Prêmio da Itália de 2019. O espanhol jogou o tailandês para fora da pista e os comissários decidiram punir a vítima. O incidente entre Sainz e Albon foi o tira-teima para a acusação de racismo que pairou sobre a arbitragem da prova, pois além de Albon, que é asiático, outros dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Lewis Hamilton (da Mercedes), negro, foram prejudicados por decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Sainz foi o destaque da McLaren, vencendo seu companheiro de equipe por uma vantagem de 47 pontos. Mesmo assim, por uma questão de marketing, o espanhol não recebe o devido reconhecimento e as mídias digitais insistem em colocar Norris como melhor por ter largado à frente dele mais vezes do que o contrário. Tais marqueteiros e torcedores se esquecem que largada não quer dizer nada. O que conta não é o começo da corrida, e sim o final.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. um ano de 2020 com mais sorte e mais conquistas. Seria muito prazeroso vê-lo mais vezes no pódio.

 

  • Lando Norris

 

 

Ah, Lando Norris… em minha observação o piloto mais superestimado do grid. O estreante inglês pela McLaren terminou 2019 em 11º lugar com 49 pontos. Filho de um empresário multimilionário (Adam Norris, do setor de investimentos), Lando não obteve resultados impressionantes e, para contornar a fama de “piloto pagante” que começava a se desenvolver na mídia inglesa, apostou em uma vasta campanha de marketing para convencer os torcedores e a própria Fórmula 1 de que ele deveria ser lembrado como um “piloto engraçado” e não como o filho que sairia de um casamento entre Damian Wayne e Veruca Salt.

Norris pontuou em 11 de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o oitavo lugar. Apesar de ter largado à frente de seu companheiro Carlos Sainz Jr. mais vezes do que o contrário, o inglês foi derrotado pelo espanhol por 47 pontos. Seu ano de estreia não foi tão marcante como os de Max Verstappen e de Lance Stroll, por exemplo, pois não obteve pódios ou recordes.

Logo, suas condutas chamaram mais atenção que seu desempenho. No Grande Prêmio da Espanha, colidiu com Stroll, da Racing Point, e saiu xingando o canadense. O castigo veio a cavalo, quando seu carro pegou fogo no Grande Prêmio do Canadá. Na França, gritou com a equipe no rádio para que obrigasse Sainz a deixá-lo passar (requerimento que não foi atendido), e mesmo assim foi eleito “Piloto do Dia” por ter chegado em um simples nono lugar. Em Abu Dhabi, após ser ultrapassado por Sergio Pérez, da Racing Point, chorou no rádio. Ainda assim, os perfis oficiais da Fórmula 1 divulgavam cada peido que ele dava, tentando empurrá-lo goela abaixo dos torcedores mesmo suas atitudes na pista e no rádio não revelando carisma algum.

A campanha de marketing em torno de Norris contribuiu para o fortalecimento do racismo na Fórmula 1. É nítido que muitos torcedores e perfis midiáticos (sejam jornalísticos ou humorísticos) não se conformaram que a Fórmula 1 não é mais exclusividade de pilotos brancos europeus e não aceitaram a presença de um indígena na categoria. A solução encontrada foi uma guerra midiática, tentando emplacar a narrativa de que Stroll não merecia seu lugar na Fórmula 1 por ser bilionário (como se os pilotos brancos não tivessem patrocínio bilionário por trás de suas carreiras). Mesmo Stroll tendo conseguido em seu ano de estreia um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes, tudo em um carro nada competitivo, e tendo seu melhor resultado em 2019 um quarto lugar na Alemanha, enquanto que um sexto lugar no Bahrein e na Áustria foram o melhor que conseguiu Norris, que até agora não possui pódios, largadas da primeira fila ou recordes, os racistas se negam a chamar o inglês de “piloto pagante” e continuam a desmerecer o canadense. Mas, fatos não ligam para sentimentos. Os fanáticos podem tentar omitir a fortuna de Norris (pois para um racista, um branco rico não é tão surpreendente quanto um indígena rico) e tentar convencer os mal informados de que ele é melhor que Stroll, mas os fatos provam que na verdade seria mais lógico considerar Norris o verdadeiro “piloto pagante” da Fórmula 1, e Stroll continua sendo o segundo adolescente mais bem-sucedido da Fórmula 1 (para ver uma análise mais completa, veja a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

A verdade é que o apelido de “meme lord” ou “lorde dos memes” dado a Norris nada mais é do que uma tentativa de esconder o desempenho mediano do piloto e de convencer a todos de que os brancos devem ser tratados como superiores aos indígenas, não importa o quão bem-sucedidos os indígenas sejam. Devido a seu comportamento reprovável, Lando Norris ganhou o apelido de “Veruca Salt”, a menina mimada de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Desejamos a Lando Norris boa sorte para o ano que vem e mais maturidade, com menos postagens no Instagram e mais resultados na pista. Esperamos que a mídia pare de bajulá-lo e trate-o com o mesmo padrão que trataria qualquer outro piloto. Lembrando que não estamos dizendo que Norris é responsável pelo racismo na Fórmula 1, mas lamentavelmente ele é usado como escudo pelos racistas, pois usam um padrão duplo para julgar pilotos de cor em relação aos brancos.

 

  • Daniil Kvyat

 

 

Daniil Kvyat terminou o ano no 13º lugar, com 37 pontos. Foi o ano de retorno do russo à Fórmula 1 após um ano como terceiro piloto da Ferrari. Pontuou em 10 de 21 corridas e conquistou um pódio com o terceiro lugar na Alemanha, sendo um dos únicos três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir o feito (os outros foram seu companheiro Pierre Gasly e Carlos Sainz Jr., da McLaren).

Kvyat foi companheiro de Alexander Albon na primeira metade do ano, mantendo um equilíbrio de forças com relação ao tailandês. Esse equilíbrio se manteve com Gasly como novo companheiro. O lado “barbeiro” de Kvyat se manteve, com alguns acidentes como o do Grande Prêmio de Singapura, que tirou Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, da prova.

Na vida pessoal, Kvyat teve sua primeira filha, Penélope, do relacionamento com Kelly Piquet, filha do tricampeão Nelson Piquet. Seu pódio na Alemanha foi dedicado a ela.

Desejamos a Daniil Kvyat boa sorte para 2020. Esperamos que o próximo ano traga melhores resultados e menos acidentes.

 

  • Pierre Gasly

 

 

Pierre Gasly, a maior decepção do ano, terminou 2019 em sétimo lugar, com 95 pontos (66 a mais que no ano passado). Contratado pela Red Bull para substituir Daniel Ricciardo, que se mudou para a Renault, Gasly era a aposta da equipe austríaca para bons resultados, baseada no ótimo desempenho que ele teve com a Toro Rosso em 2018. No entanto, ele se revelou incapaz de lutar por posições à altura de uma equipe de ponta, não soube aproveitar as brigas internas da Ferrari que lhe trariam vantagens na pista, e fez com que a Red Bull não tivesse pontos o suficiente para vencer a Ferrari no ranking de construtoras. Um dos maiores exemplos de sua incompetência foi no Grande Prêmio da Áustria, onde não conseguiu passar Ricciardo mesmo tendo um carro muito superior. Com seu companheiro Max Verstappen carregando o time nas costas, o francês foi demitido e mandado de volta à Toro Rosso.

Provando que pilota melhor em equipe fraca do que em equipe de ponta, Gasly conseguiu um pódio no Grande Prêmio do Brasil com um segundo lugar. Ele foi o segundo de três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir um pódio (os outros foram seu companheiro Daniil Kvyat – que conseguiu o feito quando o francês estava na Red Bull – e Carlos Sainz Jr., da McLaren). No entanto, ele também protagonizou uma polêmica no Grande Prêmio da Itália: mesmo estando a metros de distância de Lance Stroll, piloto da Racing Point que havia sido atingido pelo ferrarista Sebastian Vettel, Gasly fingiu ter sido obrigado a deixar temporariamente a pista pela volta de Stroll. Os comissários, irritados por terem sido obrigados pelo regulamento a punir um piloto da Ferrari, encontraram uma oportunidade de vingança e puniram Stroll injustamente. Esta foi uma das três decisões controversas da corrida, somada à punição de Alexander Albon, piloto asiático da Red Bull, por ter sido jogado para fora da pista pelo piloto europeu Sainz, e a advertência branda ao ferrarista Charles Leclerc após ter espremido Lewis Hamilton, piloto da Mercedes e único negro no grid, contra o muro. Gasly parece ter algum problema pessoal contra pilotos indígenas (ou, no mínimo, apenas contra Stroll), pois no Grande Prêmio de Abu Dhabi, acusou o canadense de quebrar-lhe a asa dianteira, mesmo tendo sido o francês o autor de uma manobra imprudente numa tentativa de se colocar entre os dois pilotos da Racing Point. Numa tentativa de autopromoção, curtiu uma postagem mentirosa no Instagram do presidente de seu país, Emmanuel Macron, sobre os incêndios na Amazônia, provocando a indignação de torcedores brasileiros pelo suposto apoio de Gasly a uma mentalidade colonialista europeia.

Desejamos a Pierre Gasly um ano de 2020 com sorte e prudência. Esperamos que ele pare de concorrer com Lando Norris, da McLaren, o posto de piloto mais birrento do grid e tente valorizar o investimento que suas equipes fazem nele.

 

  • Kimi Raikkonen

 

 

Kimi Raikkonen terminou seu primeiro ano com a Alpha Romeo (herdeira da Sauber) em 12º lugar, com 43 pontos (208 a menos que no ano passado). Lembrando que Raikkonen já havia corrido antes pela Sauber, porém não se pode considerar Sauber e Alpha Romeo como a mesma equipe.

Com um carro nada competitivo, Raikkonen se esforçou ao máximo para garantir pontos preciosos a sua equipe. Pontuando em nove de 21 corridas, oscilando entre o sétimo e o décimo lugar (porém chegando em quarto no Grande Prêmio do Brasil), o finlandês teve ótimas atuações, como no Grande Prêmio da China, onde largou em 13º e cruzou a linha de chegada em nono após uma linda série de ultrapassagens. Raikkonen também superou seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, com 29 pontos de vantagem.

Desejamos a Kimi Raikkonen boa sorte para o ano que vem e esperamos que continue lutando por boas posições. Ele é um dos pilotos mais batalhadores do grid e suas disputas são sempre ótimas de se assistir.

 

  • Antonio Giovinazzi

 

 

Antonio Giovinazzi terminou 2019 no 17º lugar, com 14 pontos. Contratado pela Alpha Romeo para substituir o sueco Marcus Ericsson quando a Sauber mudou de gestão e de nome, o italiano pontuou em quatro de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quarto lugar no Grande Prêmio do Brasil.

O momento mais marcante do ano de Giovinazzi foi quando conseguiu liderar a volta no Grande Prêmio de Singapura (que terminou em décimo lugar). O carro nada competitivo da Alpha Romeo prejudicou seu desempenho, somado à falta de experiência considerável na Fórmula 1. Suas últimas corridas até sua contratação oficial foram os Grandes Prêmios da Austrália e da China de 2017, quando substituiu Pascal Wehrlein, que estava lesionado. Fora da categoria por quase dois anos (lembrando que em 2017 ele participou de apenas duas corridas), Giovinazzi passou por um ano de adaptação ao carro. E embora não tenha tido o mesmo desempenho de seu companheiro Kimi Raikkonen (que o venceu com uma vantagem de 29 pontos), Giovinazzi se manteve relativamente longe de incidentes, exceto pelo abandono na Grã-Bretanha (onde rodou e parou na caixa de brita) e o choque com Robert Kubica, da Williams, em Abu Dhabi.

Desejamos a Antonio Giovinazzi boa sorte para 2020 e que ele consiga se adaptar melhor ao carro. Cremos que ele tem o potencial suficiente para conseguir melhores resultados no futuro.

 

  • Romain Grosjean

 

 

Romain Grosjean terminou o ano em 18º lugar, com 8 pontos (29 a menos que no ano passado). Pontuando em apenas três das 21 corridas do ano, conseguindo um sétimo lugar na Alemanha e um décimo lugar na Espanha e em Mônaco, Grosjean teve um dos desempenhos mais medíocres de 2019 e a renovação de seu contrato gerou descontentamento por parte dos torcedores, pois a Haas estaria investindo em pilotos que há muito tempo deixam a desejar em vez de dar oportunidades a jovens que procuram uma oportunidade (como Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara).

Começando o ano batendo em Lance Stroll, da Racing Point, no treino classificatório do Grande Prêmio da Austrália e logo após a largada do Grande Prêmio do Bahrein, Grosjean se destacou por suas barbeiragens típicas e suas reclamações no rádio. Nem mesmo seu companheiro Kevin Magnussen escapou dos confrontos, como no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, onde os dois se chocaram e causaram um duplo-abandono.

Desejamos a Romain Grosjean sorte para o ano que vem e mais prudência em sua direção. Esperamos que ele justifique o investimento da Haas e traga melhores resultados para sua equipe.

 

  • Kevin Magnussen

 

 

Kevin Magnussen terminou 2019 no 16º lugar, com 20 pontos (36 a menos que no ano passado). Os torcedores também não reagiram bem à notícia da renovação de seu contrato com a Haas, pois o desempenho do dinamarquês estava bem longe do esperado.

Pontuando em quatro de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o nono lugar, Magnussen teve uma temporada medíocre, marcada por conflitos com seu companheiro Romain Grosjean, como o duplo-abandono no Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Sua vantagem em relação ao francês se deve por ter pontuado em uma corrida a mais do que o companheiro. Porém, para um piloto que teve um bom começo de carreira, Magnussen vêm apresentando um declínio em rendimento e, na opinião de muitos torcedores, não justifica o investimento da Haas.

Desejamos a Kevin Magnussen um 2020 com mais sorte e sabedoria. Mesmo que não consiga os mesmos resultados do começo de sua carreira, esperamos que ele possa contornar as dificuldades e superar seus limites.

 

  • Robert Kubica

 

 

A surpresa de 2019, Robert Kubica terminou o ano em 19º lugar com apenas um ponto (o único de sua equipe), obtido no Grande Prêmio da Alemanha após ser promovido para o décimo lugar depois da dupla da Alpha Romeo (Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi) ser punida com 30 segundos para cada piloto. O polonês regressou à Fórmula 1 depois de anos afastado devido a um acidente em 2011. Pressionada pelo discurso dos empresários de Kubica (entre eles o campeão de 2016, Nico Rosberg), a Williams via na contratação do polonês uma oportunidade de atrair investimentos de empresas polonesas e conseguir mais atenção midiática. A escuderia inglesa, porém, percebeu que Kubica não resolveria os problemas administrativos e financeiros que enfrenta há alguns anos.

Após tentarem convencer a mídia e os torcedores de que seus pilotos eram os culpados pelos problemas da Williams em 2018, Paddy Lowe e Claire Williams apostaram em uma dupla nova para 2019. No entanto, o rendimento do carro piorou e não havia mais bodes expiatórios. Lowe optou por deixar o departamento de engenharia alegando problemas pessoais, e caiu em cima de Claire toda a culpa pelo mal funcionamento da escuderia de seu pai. Antes de contratarem Kubica, deveriam ter pensado que as sequelas do acidente que lesionou o braço esquerdo do piloto demandariam um carro adaptado, o que significaria mais gastos. Uma equipe com problemas financeiros não deveria assumir esse risco, até por que não havia garantias de que Kubica, afastado da categoria por oito anos, traria bons resultados que justificassem tal investimento.

Dois momentos marcaram o ano do polonês: sua temporária condecoração como “Piloto do Dia” do Grande Prêmio da Áustria (que depois se revelou como um erro de sistema, pois o verdadeiro eleito havia sido Max Verstappen, da Red Bull), e seu choque com o holandês nos boxes do Grande Prêmio do Brasil. Felizmente, o incidente não prejudicou a prova como havia ocorrido no ano anterior graças à imprudência de Esteban Ocon, e Kubica foi penalizado com cinco segundos.

Não podendo arcar com os custos do polonês, a equipe o demitiu e contratou o canadense de ascendência iraniana Nicholas Latifi para substituí-lo em 2020. Um fato curioso é que o volante adaptado de Kubica que havia sido encomendado para o começo do ano só chegou na segunda metade da temporada, provando que a Williams ainda sofre com problemas de prazo na entrega tanto de equipamentos quanto de resultados.

Desejamos a Robert Kubica boa sorte para ano que vem, seja lá qual for o seu destino. Foi muito legal ver que, apesar do resultado ter sido fruto de uma punição a adversários, ele conseguiu no mínimo trazer um ponto para sua equipe, coisa que seu companheiro de time, George Russell, não foi capaz de fazer mesmo estando com o corpo perfeitamente saudável. Kubica foi um exemplo de superação esse ano.

 

  • George Russell

 

 

George Russell foi o último colocado no campeonato (em 20º lugar), sendo o único piloto incapaz de pontuar em 2019. Grande parte da culpa por seu fraco desempenho foi a incompetência de sua equipe, a Williams, e a crise financeira e administrativa que a escuderia passa.

Uma curiosidade sobre Russell é que, mesmo sem querer, ele foi uma peça no jogo de uma guerra publicitária racista contra Lance Stroll, da Racing Point. Mesmo Stroll tendo pontuado em seis ocasiões, tendo seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha, e Russell sendo o único do grid a não pontuar sequer uma vez, alguns veículos midiáticos insistem que ele é melhor que o canadense. Este absurdo só tem uma explicação lógica: Russell é branco e europeu, Stroll é caboclo (mestiço de branco com indígena), e ainda há pessoas que desejam que a Fórmula 1 volte a ser dominada exclusivamente por brancos de etnia europeia (sejam estes nascidos na Europa ou descendentes exclusivamente de europeus). Para mais explicações, consultar a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1.

Apesar deste lamentável fato, Russell não esteve blindado de ataques. Apesar de ter sido derrotado nos resultados finais pelo companheiro Robert Kubica, os torcedores poloneses não admitiram que o inglês tivesse largado à frente de Kubica em todas as corridas. Consequentemente, Russell foi alvo de ataques na internet, muitos de conotações homofóbicas. Isso prova que o esporte deve combater, além do racismo, a homofobia.

Desejamos a George Russell boa sorte para o ano que vem e que ele possa pontuar em várias corridas. Não se pode afirmar sobre o potencial de Russell, já que seu carro o impediu de triunfar, mas é nítido que, se ele espera melhores resultados em sua carreira, deve deixar a Williams.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2019 se diferenciou da de 2018 pela incapacidade da Ferrari de competir com a Mercedes pelo título. A Red Bull provou mais uma vez que detém pilotos excelentes, mas não consegue produzir um carro à altura. A Mercedes se beneficia por seu carro mais potente em relação ao grid, enquanto a Ferrari sai prejudicada pela falta de liderança de Mattia Binotto (substituto do veterano Maurizio Arrivabene) e o conflito interno entre a política tradicional da equipe e seus pilotos, Sebastian Vettel e Charles Leclerc. Corridas como a da Alemanha e do Brasil se destacaram pela emoção e adrenalina, enquanto que outras, como França, mereciam ser retiradas do calendário. O duplo-padrão adotado pelos comissários para julgar incidentes, como em Mônaco e na Itália, mancham a imagem da categoria, e existem pilotos que lutam contra essa política, como Max Verstappen, Sergio Pérez e Daniel Ricciardo. Não se sabe se 2020 trará mais mudanças, mas presenciamos em 2019 o princípio de uma revolução que contrasta com os anos de 2017 e 2018.

Análise Grande Prêmio de Singapura de 2019 | 2019 Singapore Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 22 de setembro, o Grande Prêmio de Singapura de 2019 teve um resultado inédito. Pela primeira vez na história, o Circuito de Marina Bay presenciava uma dobradinha (vencedor e segundo lugar da mesma equipe). Incrivelmente, os acidentes aconteceram no final da prova em vez do começo como é o costume.

Charles Leclerc (Ferrari) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Seu companheiro Sebastian Vettel e Max Verstappen (Red Bull) largaram da segunda fila. Embora Hamilton tenha prometido ser agressivo na largada, Leclerc conseguiu uma boa vantagem. Enquanto isso, no fim do grid, Daniel Ricciardo (Renault) largava em último após ser punido por conta de uma gambiarra no motor. Ainda no começo, semelhante a uma vingança, Alexander Albon (Red Bull) chocou-se contra Carlos Sainz Jr. (McLaren) e o espanhol foi obrigado a trocar os pneus mais cedo, indo para o fundo do grid.

As maiores brigas estavam no fim do grid. Ricciardo fazia uma boa prova de recuperação enquanto Lance Stroll (Racing Point) também conseguia boas ultrapassagens, como a em cima de Daniil Kvyat (Toro Rosso). Na frente do grid, Valtteri Bottas (Mercedes) se aproximava de Verstappen, porém não conseguia a ultrapassagem, e o mesmo acontecia entre Verstappen e Vettel e entre Hamilton e Leclerc.

A Ferrari adotou uma estratégia de troca de pneus que pudesse conter o avanço da Mercedes e garantir a vitória. Vettel trocou os pneus antes e Leclerc voltou atrás do alemão após a troca. Com a parada de Hamilton, Vettel, que havia ultrapassado todos os carros à frente que não haviam trocado os pneus ainda, assumiu a liderança. Leclerc reclamou de ter ficado atrás de Vettel até o final da prova.

O primeiro a abandonar a corrida foi George Russell (Williams), que se chocou com Romain Grosjean (Haas). O safety car foi acionado. Algumas voltas depois, sem o safety car, Sergio Pérez (Racing Point) teve problemas no motor e também abandonou, chamando novamente o safety car, que voltou à pista pela terceira e última vez após Kvyat bater em Kimi Raikkonen (Alpha Romeo) e tirar o finlandês da prova.

Sebastian Vettel foi o vencedor, com Charles Leclerc em segundo e Max Verstappen em terceiro. A Ferrari consegue um resultado histórico (primeira dobradinha de Singapura) e Vettel consegue uma vitória pessoal: não ganhava desde o GP da Bélgica de 2018 e nem ele nem seus fãs engolem a punição no GP do Canadá de 2019. Com o resultado, Leclerc e Verstappen estão empatados em terceiro lugar no campeonato, que mesmo com as reviravoltas, não sai tão fácil do colo de Lewis Hamilton.

Entrevista pós-pódio. (Veja a charge do dia também no Instagram: https://www.instagram.com/p/B2t-TRDhLG5/)

Notas

Corrida: 5

Pilotos

  1. Sebastian Vettel: 10
  2. Charles Leclerc: 9
  3. Max Verstappen: 9
  4. Lewis Hamilton: 8
  5. Valtteri Bottas: 7
  6. Alexander Albon: 7
  7. Lando Norris: 7
  8. Pierre Gasly: 0
  9. Nico Hülkenberg: 6
  10. Antonio Giovinazzi: 6
  11. Romain Grosjean: 5
  12. Carlon Sainz Jr.: 4
  13. Lance Stroll: 9
  14. Daniel Ricciardo: 9
  15. Daniil Kvyat: 0
  16. Robert Kubica: 3
  17. Kevin Magnussen: 3

Abandonaram

  1. 18. Kimi Raikkonen
  2. 19. Sergio Pérez
  3. 20. George Russell

Driver of the Day (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Sebastian Vettel

Piores pilotos: Pierre Gasly e Daniil Kvyat

Análise GP do Canadá de 2019 | 2019 Canadian GP Analysis

No dia 9 de junho de 2019 houve o Grande Prêmio do Canadá, no Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, Quebec. Depois de uma decisão polêmica dos comissários em Mônaco, que tirou o pódio de Max Verstappen (Red Bull) e o entregou para Valtteri Bottas (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari), o alemão passou o holandês em pontos do campeonato. Hoje, Vettel provou do próprio veneno.

Largando na pole ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes), que teve um problema de vazamento antes da largada, Vettel não enfrentou dificuldades no começo da prova. Seu companheiro Charles Leclerc largou em terceiro, ao lado de Daniel Ricciardo (Renault), que fez sua melhor colocação no ano. Verstappen enfrentou problemas na classificação e foi prejudicado com a bandeira vermelha causada pela batida de Kevin Magnussen (Haas). Mesmo largando em nono devido a isso, o holandês logo no começo ultrapassou Lando Norris (McLaren) com maestria. O jovem britânico foi o primeiro a abandonar a prova após seu carro pegar fogo. Alexander Albon (Toro Rosso) foi o primeiro a trocar os pneus. Romain Grosjean (Haas) e Antonio Giovinazzi (Alpha Romeo) tiveram um pequeno toque que fez o francês deixar a pista temporariamente.

Mesmo com problemas no carro, Hamilton seguiu firme e acompanhou o ritmo de Vettel. Bottas, por outro lado, tinha a ameaça de Verstappen logo atrás. Enquanto isso, Lance Stroll (Racing Point), piloto da casa, que largou em 17º guiou bem seu carro até o oitavo lugar, ultrapassando pilotos como Carlos Sainz Jr. (McLaren). Quando Bottas fez seu pit stop, teve dificuldades para ultrapassar Ricciardo. Verstappen estava de pneus duros e isso lhe garantiu resistência para chegar a uma boa colocação.

Mais tarde, dois incidentes chamaram a atenção. O primeiro foi entre Grosjean e Sergio Pérez (Racing Point) na curva 1. O francês tentou impedir o mexicano de fazer a ultrapassagem e os dois se tocaram. Pérez ganhou a posição e nada foi investigado. O segundo, mais marcante, foi entre os líderes. Vettel perdeu o controle do carro na curva 4 e parou na grama. Ele voltou para a pista em condições perigosas e forçou Hamilton para fora dos limites da pista. O inglês quase bateu. Por conta disso, os comissários puniram o alemão com 5 segundos. Vettel reclamou da decisão até o final. Perto do fim, Albon abandonou a corrida.

Apesar de Sebasian Vettel ter cruzado a linha de chegada em primeiro, Lewis Hamilton foi o vencedor. Vettel foi o segundo e Charles Leclerc em terceiro. Sebastian agiu da pior forma possível com o resultado. Não levou o carro até o lugar onde os três primeiros são estacionados, não participou da entrevista pré-pódio, fugiu para o paddock da Ferrari e, convencido pela equipe a participar do pódio, ele passou por dentro dos boxes da Mercedes e trocou as placas de 1º e 2º lugar, deixando o carro de Lewis com a placa de 2º e um grande vão onde estaria seu carro com a de 1º.  Na sala dos pilotos, ele ainda reclamou para Hamilton que “não havia para onde ir”. No pódio, ele foi convidado pelo inglês a dividir o lugar de vencedor. A torcida canadense, injustamente, vaiou com fúria o piloto da Mercedes e aplaudiu Leclerc e as atitudes infantis de Vettel. Quando Hamilton reclamou da atitude antiética dos torcedores, Vettel o interrompeu, disse que não concordava com as vaias, mas agradeceu ao apoio dos canadenses (que foram MUITO parciais e injustos). Lembramos que Max Verstappen e outros pilotos sofreram com decisões mais injustas e controversas e nem por isso agiram de maneira infantil. Vettel precisa aprender que a regra é para todos e que um homem de 31 anos não pode agir como uma criança mimada.

Vettel após a corrida

Notas

 

Corrida: 8

 

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Sebastian Vettel: 0
  3. Charles Leclerc: 9
  4. Valtteri Bottas: 7
  5. Max Verstappen: 10
  6. Daniel Ricciardo: 9
  7. Nico Hülkenberg: 7
  8. Pierre Gasly: 7
  9. Lance Stroll: 10 (grande atuação!!!!)
  10. Daniil Kvyat: 8
  11. Carlos Sainz Jr.: 7
  12. Sergio Pérez: 7
  13. Antonio Giovinazzi: 4
  14. Romain Grosjean: 3
  15. Kimi Raikkonen: 3
  16. George Russell: 2
  17. Kevin Magnussen: 2
  18. Robert Kubica: 2

 

Abandonaram

  1. Alexander Albon: 6
  2. Lando Norris: 0

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhores pilotos: Lewis Hamilton, Max Verstappen e Lance Stroll

Pior piloto: Sebastian Vettel (e um recado para os apresentadores do SporTV e pra torcida ferrarista do Canadá: aceitem que dói menos)