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Quem é Lawrence Stroll? O Papai Famoso de Lance

O empresário Lawrence Stroll vem atraindo a atenção da mídia esportiva nos últimos anos devido a seus investimentos na Fórmula 1. Desde o ingresso de seu filho caçula Lance na categoria até a compra da equipe Force India (atual Racing Point e futura Aston Martin) o nome de Stroll desperta curiosidade em jornalistas e torcedores.

No entanto, muitas vezes os fãs da Fórmula 1 acabam por acreditar em boatos e ter falsas impressões a respeito do canadense, e com isso não percebem as verdadeiras intenções de seus detratores. Nesta matéria, vamos explicar quem é Lawrence Stroll através de fatos e mostrar para o apaixonado por automobilismo quem é o famoso “Papai Stroll”.

 

1- A origem dos Strolls

 

A família Stroll, cujo nome original é Strulovitch, tem origens na Rússia. Durante a era dos czares, os judeus foram intensamente perseguidos. Uma das políticas de Estado eram os pogroms: invasões de aldeias judaicas acompanhadas de saques, incêndios e mortes. Logo, muitos judeus tinham esperança em novos tempos com as revoluções de 1917 (inclusive, alguns líderes dos movimentos contra o czar Nicolau II, como Leon Trotsky, eram judeus). No entanto, o período soviético não trouxe paz para esta comunidade, sobretudo no regime de Josef Stalin. As perseguições não apenas continuaram, como se intensificaram.

Com isso, muitos judeus fugiram da Rússia rumo a países democráticos. Uma grande parte fugiu para as Américas. Foi o caso de Leo Strulovitch. Recomeçando a vida no Novo Continente, Strulovitch e sua esposa Sandra (nascida no Canadá) tiveram dois filhos: Lawrence e Randy. O jovem Lawrence cresceu observando seu pai, que trabalhava como comerciante de roupas (tornando-se investidor anos depois, introduzindo a linha feminina da Pierre Cardin e a marca Ralph Lauren no Canadá), e decidiu seguir seus passos. Estudou, trabalhou, montou seus primeiros negócios, e alguns anos depois começou seus primeiros investimentos.

 

Lawrence Stroll e seu sócio Silas Chou. [1]

 

Lawrence Stroll é apontado como o responsável pela popularização da marca Polo Ralph Lauren no continente europeu e da expansão da Michael Kors no mercado. Em 1989, Stroll e seu sócio Silas Chou fundaram a Sportswear Holdings Limited, uma das maiores empresas do setor da moda de toda a história, como apontado pelo jornalista espanhol Jaime Cevallos. A companhia permitiu a popularização da marca Tommy Hilfiger, que conquistou um grande espaço no setor têxtil. Na década de 2000, Stroll e Chou viram algumas marcas que receberam seus investimentos, como a Michael Kors, entrar na Bolsa de Valores. A compra e venda de ações renderam uma boa fortuna aos empresários.

Em agosto de 1994, Stroll se casou com a estilista belga Claire-Anne Callens. Em 11 de março do ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal: Chloe. O segundo filho, Lance, nasceu em 29 de outubro de 1998. Dona da grife Callens, Claire-Anne administra seus negócios sozinha, e suas lojas se encontram em muitas cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá.

 

Claire-Anne Callens: estilista belga e esposa de Lawrence Stroll. [2]

 

2- Lawrence Stroll e o esporte: uma interação antiga

 

No documentário W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll relata que participou do Ferrari Challenge, uma competição feita por colecionadores que possuem o modelo Ferrari 348, por volta de seus 30 anos e continuou durante a infância de seus filhos, que eram levados para ver o pai no evento. Esta foi a primeira inserção de Stroll no mundo esportivo, muito antes de Lance pensar em ser piloto de Fórmula 1. Logo, cai por terra o primeiro mito sobre o empresário: de que ele só teria entrado no ramo do automobilismo porque seu filho queria ser piloto.

Assim como Lawrence adquiriu gosto pela moda ao observar o trabalho de seu pai Leo, Lance Stroll compartilha o amor pelo esporte com seu pai. O automobilismo é uma das categorias esportivas mais caras que existem devido ao custo de sua mão de obra e materiais. Consequentemente, é necessário que haja um suporte financeiro na carreira dos atletas, tornando impossível o ingresso de pilotos sem investimentos desde às categorias de base até as mais altas. Possuidor de uma fortuna decorrente de seus negócios no ramo têxtil, Lawrence Stroll foi um dos apoiadores do filho em seu caminho no esporte.

 

Lawrence Stroll no Ferrari Challenge com seus filhos. [3]

 

A formação de um piloto requer investimento e desempenho atlético. Neste caso, pouco importa se o patrocínio vem de sua família ou não. Um piloto talentoso sem um bom investimento não consegue ajudar nas contas da equipe, enquanto que um atleta sem aptidão não alcança bons resultados que se traduzem em ganhos financeiros para a escuderia. Com esses obstáculos, é quase impossível um piloto chegar à categoria máxima do automobilismo mundial apenas com aparato financeiro e com um desempenho frustrante. Atletas assim normalmente abandonam suas carreiras em etapas mais baixas, como o kart. Ainda, de acordo com Nuno Sousa Pinto, diretor esportivo, a própria FIA dificultou ainda mais o ingresso de pilotos cujos desempenhos não justificariam os investimentos em suas carreiras (os famosos “pilotos pagantes”): a partir de 2016, para entrar na Fórmula 1 seria preciso marcar 40 pontos na Superlicença.

 

3- Lance e Lawrence: pai e filho na Fórmula 1

 

Sendo campeão da Fórmula 4 Italiana em 2014 (o primeiro da categoria), da Toyota Racing Series em 2015, e da Fórmula 3 Europeia em 2016, Lance Stroll obteve os pontos necessários na Superlicença para ingressar na Fórmula 1 em 2017 pela equipe Williams. Nuno Sousa Pinto aponta que o currículo de Stroll é mais impressionante do que de muitos atletas jovens que também chegaram à Fórmula 1, e que apesar destes também virem de famílias ricas não são criticados pela imprensa. Isto revela que, infelizmente, alguns jornalistas deixam as preferências pessoais se sobressair ao profissionalismo esperado e espalham desinformação, ignorando um dos princípios mais importantes do jornalismo: a ética.

Os atletas têm um tempo de adaptação à categoria em que atuam. As críticas a Lance Stroll logo durante a pré-temporada foram, do ponto de vista jornalístico, precipitadas. Isso se comprovou ainda no primeiro semestre de 2017, quando Stroll marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio do Canadá e teve seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Azerbaijão, quebrando seu primeiro recorde: mais jovem estreante a ter pódio. Um piloto “pagante” jamais conseguiria resultados tão impressionantes, pois não teria aptidão para o esporte, apenas aporte financeiro. No Grande Prêmio da Itália, Stroll quebrou o recorde de mais jovem piloto a largar da primeira fila, comprovando seu potencial e talento para o automobilismo.

 

Pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017. [4]

 

Em uma entrevista para a emissora canadense RDS em agosto de 2018, Lance Stroll afirmou que seu pai é um homem de negócios, e que investe em empreendimentos que ele tem a certeza de que darão certo. Portanto, o interesse de Lawrence Stroll em escuderias, desde a Prema Powerteam à Racing Point, vai muito além de uma interação com seu filho: trata-se de oportunidades de bons investimentos.

Vale a pena ressaltar que os únicos pilotos do grid de 2020 que vieram de famílias mais humildes são Esteban Ocon e Valtteri Bottas. Todos os demais provém de família com boas condições financeiras: alguns de classe média como Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen, outros de classes mais abastadas. No entanto, todos, sem exceção, possuem aporte financeiro, seja de suas famílias, de empresas ou até de ambos. Alguns pilotos são filhos de empresários (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, etc.), que atuam em diferentes nichos (moda, investimentos, automóveis, engenharia, entre outros). Outros são filhos de atletas (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., Pierre Gasly), logo também têm condições privilegiadas desde o nascimento. A origem do piloto não interfere em seu desempenho pois, como definiu Lawrence Stroll, os pais não dirigem o carro pelos filhos.

 

4- Os rumores: noticiando antes de saber a verdade

 

Em 2018, quando a Force India foi vendida para o consórcio liderado por Lawrence Stroll (formado também por Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman e Andre Desmarais), especulava-se que Lance se mudaria para a equipe imediatamente, já que falhas contínuas do departamento de engenharia da Williams comprometeram o desempenho de seus carros. Com a saída de Esteban Ocon do time, no final daquele ano, os fãs do piloto francês e alguns jornalistas imediatamente jogaram a culpa nos Strolls, como se o futuro de Ocon já estivesse garantido antes da venda da escuderia.

Na verdade, como relatou Joas van Wingerden, Toto Wolff já cogitava tirar seu apadrinhado da Force India. As negociações falharam porque os laços entre Ocon e Wolff eram vistos com desconfiança pelas outras equipes, como afirmado por Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. Este fato se comprovou em 2019, quando Ocon desfez seus vínculos com Wolff para conseguir uma oportunidade de voltar à Fórmula 1 pela Renault.

Na época da compra da Force India, Sergio Pérez era mais atrativo para os investidores do que Esteban Ocon devido a sua consistência em pontuação e patrocinadores. Isso, somado às pretenções do empresário do piloto francês, garantiu que o mexicano fosse a melhor opção para correr ao lado de Lance Stroll. Além disso, o canadense apresentava boas perspectivas de futuro, devido aos investimentos e seus feitos no ano de estreia.

 

Lance Stroll e Sergio Pérez na Racing Point. [5]

 

Em 2020 ocorreu uma situação parecida. Sebastian Vettel não teve seu contrato com a Ferrari renovado pois seu trabalho não estava atendendo às expectativas do time. Os donos da Racing Point cogitaram contratá-lo em razão de seu passado como tetracampeão e de seu investimento financeiro. Embora parecesse óbvio que Lance Stroll não seria o escolhido para dar sua vaga a Vettel, isso não se deve simplesmente ao fato de ele ser filho de um dos donos. Existem de fato empresas que priorizam laços familiares e se os membros não são preparados para assumir as responsabilidades o negócio acaba por falir. Mas este não é o caso que se observa em Lawrence Stroll: o sucesso de seus investimentos se deve ao cuidado nas decisões.

Isso significa que laços familiares não são o fator decisivo para escolhas como esta. O que se discutia era qual dos dois pilotos, Stroll ou Pérez, teria mais chances de trazer os resultados que a equipe pretende alcançar em 2021. Ambos têm boas conquistas, diferindo no tempo de carreira na Fórmula 1: Pérez tem 10 e Stroll tem quatro. Em termos técnicos, os dois podem ser considerados pilotos experientes, mas o mexicano teria mais chances de se aposentar mais cedo, pois já tem 30 anos e está há uma década na Fórmula 1. Tendo ambos bons patrocínios, os investidores esportivos encontram mais perspectivas em atletas jovens, como é o caso de Stroll.

Percebe-se que os negócios envolvem questões muito mais profundas do que apenas laços de parentesco. O investimento na Fórmula 1 é de alto risco e, portanto, as decisões exigem cautela. É claro que a inconstância de narrativas na divulgação dos acontecimentos na Racing Point não facilitou a compreensão dos fatos, e quem não entende bem como funcionam os negócios pode impetuosamente julgar que se trata de um caso de pai protegendo o filho. Por isso se deve analisar friamente os fatos para divulgar as informações corretamente.

 

5- Conclusão

 

Esta é a história de Lawrence Stroll: um homem que construiu sua fortuna com investimentos e empreendedorismo, um trabalho que exige muito empenho e cautela. Se você esperava o estereótipo de um rico herdeiro de um grande capital, casado com uma socialite e com um filho boa vida, procure outra pessoa. Talvez você encontre algum pai de piloto com esse perfil, mas esse definitivamente não é Lawrence Stroll.

 

Atualização (09/10/2020): Como revelado por Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), Sebastian Vettel havia comprado ações da Aston Martin antes de assinar o contrato com a equipe. Logo, este fato reforça o que dizemos neste artigo: a contratação de Vettel em vez da renovação de contrato de Sergio Pérez foi feita com base em negócios, não em privilégio de Lance Stroll por ser filho do dono.

 

Bibliografia

 

 

Fotos

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Who’s Lawrence Stroll? Lance’s Famous Daddy

Businessman Lawrence Stroll has been attracting the attention of sports media in recent years due to his investments in Formula One. From the entry of his youngest son Lance into the category to the purchase of the Force India team (now Racing Point and future Aston Martin), the Stroll name arouses curiosity in journalists and fans.

However, Formula One fans often end up believing in rumors and having false impressions about the Canadian. Consequently, they do not realize the true intentions of his detractors. In this article, we will explain who is Lawrence Stroll through facts and show to the motorsports lovers who is famous Daddy Stroll.

 

1- The origin of the Strolls

 

The Stroll family, whose original name is Strulovitch, has origins in Russia. During the tsar era, there was intense persecution of Jews. One of the state policies was the pogroms: invasions of Jewish villages accompanied by raids, fires, and deaths. Soon, many Jews had hoped for new times with the revolutions of 1917 (including some leaders of the movements against Tsar Nicholas II, such as Leon Trotsky, were Jews). However, the Communist period did not bring peace to this community, especially in the regime of Josef Stalin. The persecutions not only continued but intensified.

As a part, many Jews fled Russia for democratic countries. A large part fled to the Americas. It was the case of Leo Strulovitch. Resuming life on the New Continent, Strulovitch and his wife Sandra (born in Canada) had two children: Lawrence and Randy. Lawrence decided to follow in the footsteps of his father, a clothing merchant who, years later, became an investor and introduced Ralph Lauren and Pierre Cardin’s feminine line in Canada. He studied, worked, set up his first businesses, and started his initial investments a few years later.

 

Lawrence Stroll and his partner Silas Chou. [1]

 

Specialists point Lawrence Stroll as responsible for the popularization of the Polo Ralph Lauren brand in the European continent and the expansion of Michael Kors in the market. In 1989, Stroll and his partner Silas Chou founded Sportswear Holdings Limited, one of the largest companies in the fashion industry in history, as pointed out by Spanish journalist Jaime Cevallos. The company allowed the popularization of the Tommy Hilfiger brand, which gained a large space in the textile sector. In the 2000s, Stroll and Chou saw some brands that received their investments entered the Stock Exchange, like Michael Kors. The purchase and sale of shares earned a good fortune to entrepreneurs.

In August 1994, Stroll married Belgian fashion designer Claire-Anne Callens; On March 11 of the following year, their first daughter Chloe was born. Their second son, Lance, was born on October 29, 1998. Owner of the Callens brand, Claire-Anne runs her business alone, and her stores are in many cities in Europe, the United States, and Canada.

 

Belgian fashin designer Claire-Anne Callens, Lawrence Stroll’s wife. [2]

 

2- Lawrence Stroll and sport: an ancient interaction

 

In the documentary W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll reports that he raced in the Ferrari Challenge, a competition made by collectors who own the Ferrari model 348, around his 30 years and continued during the childhood of his children, who used to see their father at the event. That was the first insertion of Stroll into the sporting world, long before Lance thought about being a Formula One driver. Soon, the first myth about the entrepreneur falls apart: that he would only have entered the motorsport business because his son wanted to be a driver.

Just as Lawrence acquired a taste for fashion by observing the work of his father Leo, Lance Stroll shares a love of the sport with his father. Motorsport is one of the most expensive sports categories that exist due to the cost of your labor and materials. Consequently, it is necessary to have financial support in the career of athletes, making it impossible for drivers without investments to enter from the basic categories to the highest. Possessing a fortune stemming from his textile business, Lawrence Stroll was one of his son’s supporters on his way into the sport.

 

Lawrence Stroll at the Ferrari challenge with his children. [3]

 

The training of a driver requires investment and athletic performance. In this case, it does not matter if the sponsorship comes from your family or not. A talented driver without a good investment cannot help the team’s budget, and an athlete without aptitude does not achieve impressive results that translate into financial gains for the team. With these obstacles, it is almost impossible for a driver to reach the top category of world motorsport with only financial and frustrating performance. Athletes like this usually abandon their careers in lower stages, such as karting. Also, according to Nuno Sousa Pinto, sports director, the FIA itself made it even more difficult for drivers whose performances would not justify investments in their careers (the famous pay drivers): from 2016, to enter Formula One, they would have to score 40 points in the Super license.

 

3- Lance and Lawrence: father and son in Formula One

 

As the 2014 Italian Formula 4 champion (the first in the category), the Toyota Racing Series in 2015, and European Formula Three in 2016, Lance Stroll earned the points needed in the Super license to join Formula 1 in 2017 for the Williams team. Nuno Sousa Pinto points out that Stroll’s curriculum is more impressive than that of many young athletes who also entered Formula One and, even though having wealthy families, do not receive criticism;

It reveals that, unfortunately, some journalists let personal preferences stand out from the expected professionalism and spread misinformation, ignoring one of the main principles of journalism: ethics.

Athletes need time to adapt to the category in which they work. The criticism of Lance Stroll during the pre-season was, from a journalistic point of view, hasty. The first half of 2017 confirmed it, as Stroll scored his first points at the Canadian Grand Prix and finished third at the Azerbaijan Grand Prix, breaking his first record: youngest rookie to score a podium;

A pay driver would never get such impressive results because he would not have an aptitude for the sport, only financial contribution. At the Italian Grand Prix, Stroll broke the record for the youngest driver to start from the front row, proving his potential and talent for motorsport.

 

2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium. [4]

 

In an interview with Canadian broadcaster RDS in 2018, Lance Stroll stated that his father is a businessman and that he invests in ventures that he is sure will work. Therefore, Lawrence Stroll’s interest in teams, from Prema Powerteam to Racing Point, goes far beyond interaction with his son: these are opportunities for high investments.

It is worth noting that the only drivers on the 2020 grid who came from more humble families are Esteban Ocon and Valtteri Bottas. Everyone else comes from families with high financial conditions: some from the middle class like Lewis Hamilton and Kimi Raikkonen, others from more affluent classes. However, all, without exception, have financial contributions, whether from their families, companies, or even both.

Some drivers were born to entrepreneurs (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, and Sebastian Vettel) who work in different areas such as fashion, investments, automobiles, engineering, among others;

Others are children of athletes (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., and Pierre Gasly), soon also have privileged conditions since birth. The driver’s origin does not interfere with his performance because, as Lawrence Stroll defined, parents do not drive the car for their children.

 

4- The rumors: reporting before knowing the truth

 

In 2018, with Force India sale to the consortium led by Lawrence Stroll (also formed by Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman, and Andre Desmarais), the media speculated that Lance would move to the team immediately, as the engineering department of Williams failed in making a competitive car;

When Esteban Ocon left the team after the season, his fans and some journalists immediately blamed the Strolls, as if the French driver had his situation already assured before the sale of the team;

However, as Joas van Wingerden reported, Toto Wolff was already considering taking his patron from Force India. The negotiations failed because the ties between Ocon and Wolff were viewed with suspicion by the other teams, as stated by Christian Horner, the team principal of Red Bull. That was proved in 2019 when Ocon undid his ties with Wolff to get an opportunity to return to Formula One for Renault.

At the time of the purchase of Force India, Sergio Pérez was more attractive to investors than Esteban Ocon due to his consistency in scoring and sponsors. That, added to the intentions of the French driver manager, ensured that the Mexican was the best option to race alongside Lance Stroll. Also, the Canadian presented good prospects for the next seasons due to investments and his achievements in the debut year.

 

Lance Stroll and Sergio Pérez at Racing Point. [5]

 

In 2020 there was a similar situation. Sebastian Vettel did not have his contract with Ferrari renewed because his work was not meeting their expectations. Racing Point owners considered contracting him because of his past as a four-time champion and his financial investment. Although it seemed apparent that the team would not choose Lance Stroll to give Vettel his seat, this is not just because he is the son of one of the owners. There are indeed companies that prioritize family ties and, if their members are not prepared to take this kind of responsibility, the business ends up going bankrupt. But this is not the case observed in Lawrence Stroll: the success of his investments is due to care in decisions.

That means that family ties are not the deciding factor for choices like this. What was discussed was which of the two drivers, Stroll or Pérez, would have more chances to bring the results that the team intends to achieve in 2021. Both have impressive achievements, differing in career time in Formula One: Pérez has ten, and Stroll has four. In technical terms, the two can be considered experienced drivers. However, the Mexican is more likely to retire early, as he is 30 years old and is in Formula One for a decade. Having both good sponsorships, sports investors find more prospects in young athletes, such as Stroll.

It perceives that business involves much deeper issues than just kinship ties. Investment in Formula One is high risk and therefore, decisions require caution. Of course, the inconstant narratives of Racing Point difficulted the understanding of the facts, so laypeople in business can judge this is a case of a father protecting his son. That is why one must coldly analyze the facts to disclose the information correctly.

 

5- Conclusion

 

That is the story of Lawrence Stroll: a man who built his fortune with investment and entrepreneurship, works that require a lot of commitment and caution. If you expected the stereotype of a wealthy heir to large capital, married to a socialite and a playboy child, look for someone else. Maybe you will find a driver’s father with that profile, but that is definitely not Lawrence Stroll.

 

Update (October 9th, 2020): As revealed by Adam Cooper in the website Motorsport (check here), Sebastian Vettel bought shares in Aston Martin before signing his contract. It proves what was said here: the hiring of Vettel instead of the renewal of Sergio Pérez was due to business, not a priviledge of Lance Stroll for being the son of the owner.

 

Bibliography

 

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Nota de repúdio | Rejection motion

O The Racing Track repudia os recentes ataques da mídia e de torcedores rivais contra Lance Stroll e seu pai, o empresário Lawrence Stroll (relatados pelo próprio piloto), devido à decisão da Racing Point de correr em 2021 com Sebastian Vettel em vez de Sergio Pérez. O papel de um jornalista é noticiar os fatos e suas opiniões devem ser embasadas em informações concretas, não em boatos.

Devido às contradições no anúncio da saída de Pérez do time, Lawrence Stroll foi acusado mais uma vez de beneficiar o filho indevidamente. Fomos informados que alguns veículos de imprensa chegaram até a acusar o empresário de ser um “boa vida”. Tal afirmação está completamente equivocada, pois Stroll trabalhou duro para construir suas empresas e mantê-las em bom funcionamento. Um de seus sócios, Silas Chou, diz que o canadense tem um “toque de ouro” para os negócios. É desonesto afirmar que Stroll não era conhecido antes de seu filho entrar na Fórmula 1, pois esta visão ignora os setores que o empresário é reconhecido, como moda e empreendedorismo. Suas posses, como iates e jatos, são investimentos e frutos de seu trabalho, tornando inválido qualquer descontentamento de terceiros em relação a eles.

Lance Stroll não deve ser lembrado apenas como o filho do dono da Racing Point, pois o mesmo teve boas conquistas em seus poucos anos de carreira: no ano de estreia teve um pódio, uma largada da primeira fila e quebrou dois recordes, ganhando prêmios e reconhecimento da própria Fórmula 1, que chamou sua atuação de “histórica” (cheque aqui). Em 2020, está à frente de Pérez no campeonato. Se Stroll não tivesse talento para o automobilismo, não conseguiria boas pontuações mesmo com a ausência do companheiro devido à Covid-19.

A contratação de Sebastian Vettel pela escuderia foi devido a critérios técnicos e financeiros. O time tem confiança de que o tetracampeão será um bom investimento. Vale lembrar que Sergio Pérez, embora seja um ótimo piloto, já tem 30 anos, uma idade considerada avançada para atletas. Em termos de negócios, é mais atrativo investir em um piloto jovem do que em um de 30 anos. Trata-se dos riscos de investimentos, que estão muito além de relações de amizade ou de parentesco.

Temos ciência de que a imprensa também tem seu papel crítico, e que as ações da Racing Point estavam sujeitas a isto. No entanto, nunca se deve omitir ou deturpar fatos em nome de uma narrativa. Lembramos que atitudes como esta podem refletir más intenções, como o assassinato de reputação e antissemitismo (já que um dos boatos que os judeus enfrentam há séculos é o de que eles controlam as finanças mundiais, e a imprensa não reagiu com a mesma intensidade à decisão da Sauber em 2018 de demitir Pascal Wehrlein em vez de Marcus Ericsson para contratar Charles Leclerc, mesmo Wehrlein tendo melhores resultados que Ericsson).

Nos solidarizamos com a família Stroll e esperamos que episódios lamentáveis como este não voltem a ocorrer.

Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina

Nota: esse é um artigo de opinião. Mesmo assim, baseio minha opinião em fatos e estes estarão devidamente linkados ao decorrer do artigo. O texto é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a opinião do site.

Como é cediço e comentei um pouco sobre essa situação na opinião do GP da Toscana, decidi fazer com que meu primeiro post completamente independente seja sobre essa novela da demissão de Sergio Pérez e a contratação de Sebastian Vettel pela futura Aston Martin, anunciada nas últimas quarta e quinta-feiras (9 e 10), respectivamente.

A Racing Point decidiu rescindir seu contrato com o mexicano Sergio Pérez, que estava garantido na equipe para a próxima temporada. Contudo, para dar espaço ao novo contratado, a “Mercedes rosa” decidiu sacrificar Pérez. 

Em uma das milhares de redes sociais que temos na internet, houve uma grande mobilização dos fãs de ambos os lados – tanto comemorando o fato de Vettel continuar na F1 e lamentando a despedida de Checo – e foi aí que me surgiu a inspiração para tornar meu ponto de vista em um devido artigo de opinião aqui.

Mesmo sabendo que esse esporte é movido por dinheiro, negociações e movimentações políticas, dói ver um piloto que de algum jeito lhe representa em um esporte majoritariamente branco e europeu. Eu, que tenho muitas ressalvas quanto a essa negociação, o piloto contratado para substituir Pérez e a maneira com que o mexicano foi tirado de sua equipe, não pude deixar de sentir tristeza por Checo. Afinal de contas, estamos lidando com pessoas que, além de simples atletas, têm suas histórias de superação e ainda mais considerando que o México não é historicamente conhecido na Fórmula 1.

Pérez saiu do México aos 15 anos para morar sozinho na Alemanha, a fim de começar sua carreira na Europa. Passando pelas categorias de base como a Fórmula BMW, A1 Grand Prix, Fórmula 3 e a GP2 (agora conhecida como a Fórmula 2), o mexicano provou seu talento e conseguiu entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari, onde continuou até 2012. Sua carreira na Fórmula 1 também é marcada por times tradicionais, como a Sauber – 2011 a 2012 -, McLaren – 2013, onde sofreu uma quebra de contrato muito parecida com sua situação atual – e desde 2014, está na Racing Point, que também já foi chamada de Force India.

Durante sua carreira, Checo teve apoio do, até então, homem mais rico do mundo, Carlos Slim, apelidado de “Rei Midas das telecomunicações”. Uma de suas empresas mais conhecida é a Claro, que é muito popular por toda a América Latina por ser provedora de operadora para celulares e pelo menos no Brasil, internet banda larga, serviços de telefonia fixa e até mesmo TV a cabo. Slim também organiza a Escudería Telmex, que apoia e divulga pilotos latino-americanos, como Tatiana Calderón (primeira mulher latino americana a pilotar um F1, durante o 1º treino livre GP do México de 2018), Pietro Fittipaldi e o próprio Pérez.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (algum dos) pilotos latinos apoiados pela Escudería Telmex [1, 2, 3]

O debate, que por um lado, lamentava a falta de representatividade latina no esporte, apresentava argumentos lúcidos, elencando as dificuldades enfrentadas por pessoas da América Latina e o quanto esses países perderam seus representantes durante os anos. No Brasil, por exemplo, seu último piloto foi Felipe Massa, que deixou a categoria em 2018. Vale ressaltar que, além de estar dois anos sem um piloto brasileiro, a maior emissora de canal aberto do Brasil, Globo, não exibirá mais as corridas a partir de 2021. Outro ponto é que o circuito de Interlagos também corre o risco de ficar de fora do calendário de 2021, visto que seu contrato vence em 2020, sem previsões para renovação visto a batalha judicial para a construção do circuito em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A segunda corrida sediada na América Latina é justamente no México, que tem uma previsão quase certa para ser renovado por mais temporadas (link em inglês).

Durante sua então longa carreira com a Racing Point, em 2018, quando a então Force India passava por dificuldades financeiras após a declaração de falência do  ex-dono e chefe de equipe Vijay Mallya, o mexicano entrou com uma ação contra a equipe, no qual alegou ser “necessário” a fim de salvá-la e garantir o emprego de seus funcionários. Logo depois, Lawrence Stroll comprou de vez a equipe e concretizou isso, tornando-se hoje a conhecida Racing Point.

Após o comunicado de sua saída, Pérez não escondeu sua surpresa com a decisão de Lawrence Stroll, que teve sua confirmação na última quarta-feira. Inclusive, alguns sites afirmam que Checo escutou “pelas paredes” uma conversa do empresário com a equipe jurídica da Racing Point sobre a contratação de Vettel durante o GP de Monza. Imagine você estar na equipe há anos, ajudar na recuperação financeira a fim de evitar seu fechamento e escutar pelas paredes que estavam contratando outra pessoa para te substituir? Eu, no mínimo, viraria uma arara.

O mexicano também não escondeu sua gratidão ao time na nota oficial que postou em seus perfis, afirmando que “manterá em sua memória os momentos felizes que viveu com a equipe, as amizades e a satisfação em sempre dar o seu melhor”. Além disso, desejou sorte à equipe, chefiada por Lawrence, ainda mais com o novo projeto da Aston Martin. O comunicado na íntegra pode ser lido em seu tweet, escrito em inglês e espanhol.

Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que uma equipe rompe o contrato com Checo, mesmo tendo um ano já garantido. Em 2013, a McLaren decidiu dispensá-lo para contratar o dinamarquês Kevin Magnussen. O comunicado da saída também foi anunciado por Pérez, que agradeceu pela oportunidade na histórica equipe. “Foi uma honra estar em uma das equipes mais competitivas do esporte e nunca imaginei que faria parte do time. Sempre dei o meu melhor para a equipe e infelizmente não consegui o resultado que gostaria neste histórico time”, disse. Da mesma maneira que destacou em sua despedida à Racing Point, Checo também lembrou das amizades que conquistou dentro da equipe.

Tradução: “Estou muito triste, cara. Você sabe disso, toda a nossa equipe técnica está” – Mikey
“Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu #amigosparaavida” 15- Sergio

Mikey é um dos mecânicos de Checo e esse foi o seu comentário no post de despedida [4]

Com toda essa repercussão e pegando os fãs de surpresa, as reações foram rápidas de ambas as partes, seja de apoiadores de Vettel e Pérez. Os fãs do alemão comemoraram a nova oportunidade e os do mexicano (e até mesmo quem não o apoiava) ficaram chocados com a maneira que a negociação, conforme exposta por Checo, repentina foi levada. Com isso, começou a discussão citada no começo deste artigo.

É importante contextualizar a carreira de Sergio, desde o começo com as categorias de base, as equipes pelas quais passou pela F1 até o derradeiro momento de sua demissão para chegar no ponto em que quero focar neste artigo: a representatividade latina. 

Como apontado por uma amiga, durante a era de 2010 na F1, tivemos muitos pilotos latinos como os brasileiros Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; os mexicanos Esteban Gutierrez e Sergio Pérez e o venezuelano Pastor Maldonado. Cada um teve o seu destino dentro do esporte e por diversas situações, não continuaram na Fórmula 1. Olhando para o cenário de hoje em dia, vemos como isso foi bom na época, afinal, tínhamos finalmente um pouco de diversidade! Mas desde 2018, Checo é o único latino no esporte. Isso não soa um pouco estranho?

Muitos dos pilotos listados acima sofreram com o escracho da mídia, como por exemplo, Pastor Maldonado. Quantas vezes o venezuelano não foi motivo de chacota? Quantas vezes não encontramos um meme no Facebook, por exemplo, zombando de sua fama de “bate-bate”? E com Rubinho? Até hoje, vemos memes com o “atrasado”, “lento”, “eterno segundo piloto”.

Quando as vozes dos fãs latinos se uniram e começaram a apresentar argumentos extremamente válidos com a sua tristeza quanto à situação envolvendo Checo, é lógico que surgiriam opiniões contrárias. “Mas aonde fica a representação dos pilotos balcãs?”, alguém postou em tom extremamente sarcástico, dando a entender que “não são só os latinos que sofrem com falta de representatividade”. “Mas se Kvyat, que é do leste europeu, saísse da categoria, vocês vão se chatear desse jeito?”, questionou outro.

E é aí que tudo desandou. O debate em si não era mais sobre pilotos e sim sobre representatividade. Assim como a carreira icônica de Senna motivou várias crianças brasileiras – e do mundo afora, como aconteceu com o atual hexacampeão Lewis Hamilton -, a serem pilotos. Quantos programas voltados ao kart surgiram no Brasil, graças a essa visibilidade de Senna? Vários, inúmeros e acho que não conseguiríamos contar nem se quiséssemos. Seu sobrinho, Bruno, seguiu a carreira automobilística e ainda é piloto profissional, agora competindo pelo Campeonato Mundial de Endurance.

Agora, imagine como uma criança mexicana que viu Checo conquistando seu espaço no esporte ano após ano, superando todas as dificuldades, até a ameaça de falência da equipe pela qual competiu na F1, se sentiu ao saber desse rompimento abrupto de seu contrato. Imagine saber que a pessoa que mais se parece com você no grid pode não estar lá em 2021. Isso excede a disputa entre pilotos. Isso não é mais sobre Fulano ou Sicrano.

Sauber, McLaren, Force India e Racing Point… qual será a próxima equipe de Checo? [5, 6, 7, 8]

O ponto que mais me revoltou nessa tour toda foi saber que a dor do outro, de alguém que se vê representado em um piloto da mesma etnia serve de zombaria. Serve de comparação. E o engraçado, de uma forma trágica, é saber que muitas dessas pessoas apoiaram o movimento Vidas Negras Importam e criticaram fervorosamente os pilotos que não se ajoelharam, em respeito ao movimento e ao único piloto negro do grid. Você não pode simplesmente defender uma comunidade que sempre sofreu com o racismo e quando tem a oportunidade de escutar e aprender com uma outra etnia que sofre diariamente com racismo e xenofobia, você opta por fazer pouco caso. 

Como eu comentei com meus amigos mais próximos, além de ser performativo, é nojento. Sabe aquela expressão “lacrastes?” usada muito no Twitter? Então, isso se aplica nessa situação perfeitamente. Você chega a se questionar se a posição antirracista performada no perfil da pessoa era sincera ou apenas um personagem criado para likes. Eu fico com a segunda opção.

Uma pessoa, nesse debate todo, disse que não estava triste pela perda do piloto em si e sim, pela perda de representação no automobilismo. Justo no ano em que a F1 se viu obrigada a criar uma campanha para a diversidade – basicamente pressionada por Lewis, o que acho correto a imposição do britânico -, é difícil engolir isso apenas como uma simples “dança das cadeiras”. Sabemos, enquanto latinos, como somos discriminados por padrões e estereótipos forçados pela mídia e esse tipo de racismo estrutural nos força a ocupar um espaço de coadjuvante, reforça a necessidade de apagar a nossa narrativa, nos mantém invisível e nos impede de ocupar espaços.

Eu, como sempre vi Checo no grid desde quando comecei a ver F1, senti uma profunda tristeza ao saber de sua saída. Considero o mexicano um piloto talentoso, com potencial de desenvolver sua pilotagem a cada temporada e vejo nele o amor pelo esporte. Considerei essa movimentação interna da Racing Point truculenta com o mexicano e agora, interpreto as declarações de Otmar como meros blefes (que foram péssimos, afinal). [1, 2, 3]

Já existem rumores de sua ida à Indy com a McLaren e até mesmo para a Red Bull (vídeo em espanhol). Vale lembrar que essa informação veio da mesma jornalista que cravou a volta de Alonso com a Renault, mas até agora, não se passam de rumores. A Fórmula E parece um mercado bom para ele, que já abrigou ex-pilotos como Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr e Antonio Félix da Costa, que ou já foram dispensados de forma não muito amigável, para ser legal, da Fórmula 1 ou de seus programas de formação, no caso de da Costa.

Espero que Checo consiga algum lugar na Fórmula 1 e em alguma outra categoria em que seja tratado com o respeito que merece. Afinal de contas, não é esse tipo de tratamento que o “prodígio mexicano” (em inglês) merece.

Enquanto aguardamos seu próximo passo, Checo terá o restante da temporada para orgulhar todos os latinos [9]

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

4. Captura de tela da seção de comentários do Instagram de Sergio Pérez

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

Análise Grande Prêmio da Toscana de 2020 | 2020 Tuscan Grand Prix Analysis

Atualizado em 23 de setembro de 2020 | Updated on September 23th, 2020

 

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 13 de setembro, o Grande Prêmio da Toscana de 2020 foi a segunda corrida da temporada a ser realizada em solo italiano. Diferente do que houve na etapa anterior, um pódio surpreendente no Grande Prêmio da Itália, a corrida de hoje foi marcada por uma série de acidentes que tirou da prova quase metade do grid. Somado a isso, a colunista e criadora do site Rebeca Pinheiro está de luto pela morte trágica esta manhã de sua amiga Natália, e devido a isso não daremos notas aos pilotos.

Quatro dias antes da prova, Sergio Pérez anunciou que não correrá com a Racing Point em 2021. Como revelado por Luke Smith no site Motorsport, o mexicano estava com o contrato renovado, mas o time voltou atrás na decisão. Como a equipe de comunicação da Racing Point não esclareceu os acontecimentos desde o início, o The Racing Track faz sua parte como veículo de imprensa e reforça que qualquer acusação contra Lance Stroll não passa de uma atitude leviana, uma vez que o canadense e o mexicano têm uma boa relação e ambos estão fazendo um ótimo trabalho esse ano. A decisão foi tomada pelo corpo executivo da escuderia. Apesar de ter negado algumas vezes, o time confirmou Sebastian Vettel (Ferrari) como seu substituto para o ano que vem, comprovando a incoerência da narrativa da Racing Point.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton, seu companheiro de equipe. Ainda na primeira volta houve dois acidentes: Carlos Sainz Jr. (McLaren) rodou sozinho, e um toque com Romain Grosjean (Haas) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) tirou Pierre Gasly (AlphaTauri) e Max Verstappen (Red Bull) da corrida. O safety car foi acionado, mas na primeira relargada ocorreu um acidente entre Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), Nicholas Latifi (Williams), Kevin Magnussen (Haas) e Sainz. Os quatro abandonaram e houve a primeira bandeira vermelha. Antes da relargada, Esteban Ocon (Renault) teve um superaquecimento nos freios e não pôde voltar à pista.

Tendo normalizado a situação, Lance Stroll (Racing Point) passou Charles Leclerc (Ferrari) e alcansou o terceiro lugar. O monegasco depois foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Alexander Albon (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Leclerc foi obrigado a trocar os pneus devido ao desgaste e fez uma prova de recuperação. Infelizmente, a situação da corrida piorou após um furo no pneu fazer Stroll perder o controle do carro e bater no muro. Outra bandeira vermelha foi acionada.

Na relargada, Ricciardo ganhou a posição de Bottas, mas depois foi superado pelo finlandês e por Albon. Raikkonen recebeu uma punição de cinco segundos por ter cruzado a linha do pit lane antes de recolher seu carro durante a bandeira vermelha. Com isso, Leclerc ganhou uma posição.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Alexander Albon em terceiro. É muito importante saber que Mugello é uma pista projetada para corridas de moto, não de carros. Logo, foi uma ideia muito ruim ter escolhido este traçado para compensar um dos cancelamentos devido à pandemia. A corrida teve mais abandonos que ultrapassagens e o resultado não foi muito surpreendente. É uma pena para o automobilismo.

Descanse em paz, Natália. Você estará sempre em meu coração.

Opinião da Rebeca:

(Opinião escrita em 12/09/2020): Em primeiro lugar, preciso comentar sobre a saída de Sergio Pérez e sua substituição por Sebastian Vettel. Se o alemão já era uma escolha para 2021, a Racing Point deveria ter deixado isso claro desde o início. Parece que a equipe ainda não percebeu que um de seus pilotos, Lance Stroll, é alvo de uma campanha de difamação há anos e poderia ser injustamente culpado se Checo saísse. Sabemos que os haters online não vão mudar nada, mas isso não significa que o piloto deva ser objeto de inverdades, pois eles podem repetir uma mentira até que pareça verdade. Contar a verdade é sempre a melhor escolha, e uma equipe de assessoria de imprensa sempre precisa saber da situação de um cliente. É uma pena que a Racing Point optou pelo malabarismo de narrativas e expôs seus pilotos a essas condições. Além disso, lamento que a narrativa não tenha um consenso, já que em um dia o chefe de equipe diz que Vettel não correrá pelo time e no outro dia é contratado; em um dia Checo diz que foi pego de surpresa e no outro a escuderia diz que seu empresário já estava sabendo de tudo.

(Atualização 23/09/2020) Lamento que muitos torcedores e jornalistas tenham aproveitado essa triste despedida de Pérez para mais uma vez destilar ódio contra Lance Stroll e seu pai Lawrence. É preciso ter em mente que contratações são negócios, e está bem claro que Sebastian Vettel traz mais do que experiência, mas também um grande investimento financeiro. Dizer que Stroll se manteve na equipe por ser filho do dono é uma análise muito rasa da situação. Seu pai construiu sua fortuna, não herdou, logo prova que o empresário faz seus negócios com muito cuidado e atenção aos investimentos. Analisando friamente a questão, Pérez já é um piloto de idade avançada e com menos chances de vitórias. Além de estar à frente do companheiro no ranking quando Vettel foi anunciado, Stroll é jovem e logo tem mais chances de desenvolvimento, o que se torna um atrativo para os negócios. Sabemos que Pérez ficou afastado duas corridas devido à Covid-19, mas se Stroll fosse incompetente não teria conseguido boas pontuações para melhorar sua posição no campeonato.

(Opinião escrita em 12/09/2020) Sobre a contratação de Vettel, não a vejo com bons olhos. Lembro que no Grande Prêmio da Malásia de 2017, o alemão jogou seu carro em cima de Stroll depois da corrida e xingou o canadense e seu time (na época ele corria pela Williams). Como um piloto com um temperamento curto e uma grande impulsividade pode ser um bom companheiro de equipe? Vettel teve problemas com todos os pilotos com os quais correu ao lado desde 2010. Você pode argumentar que o incidente com Stroll foi a três anos atrás e que Vettel pode ter mudado, mas eu não lembro de tê-lo visto sendo gentil com Stroll antes de tentar uma vaga na Racing Point. Parece meio falso para mim. Vettel é um ótimo piloto, mas também muito impulsivo e se envolve em muitos acidentes. De qualquer maneira, tudo o que posso fazer é lhes desejar boa sorte.

Uma grande mudança, sem nenhum interesse por trás (ironia).

(Opinião escrita em 13/09/2020): Particularmente não gostei dessa corrida porque muitos pilotos talentosos tiveram que abandonar devido a acidentes. Somado a isso, recebi a notícia hoje que minha amiga Natália morreu de uma maneira trágica, vítima de atropelamento. Peço desculpas aos meus leitores, mas não estou em condições de falar muito sobre a corrida.

Opinião da Adriana:

O que dizer desse fim de semana que começou com uma notícia bombástica – e triste, pelo menos para mim – de que Vettel vai substituir Pérez na Aston Martin ano que vem? Vou contar um pouco mais sobre isso amanhã, no meu primeiro artigo aqui no The Racing Track.

Agora vamos para o que interessa: a corrida. Não teve um momento em que eu fiquei calma durante essas 59 voltas. E mais uma corrida movimentada para a temporada, com oito abandonos. 

E hoje quase foi a vez do Ricciardo ir pro pódio! Infelizmente, a potência da Red Bull falou mais alto e Albon conseguiu pegar o terceiro lugar. Tanta corrida para esse menino ir bem e ele escolhe justo essa? #chateada

Agora, vamos ter o merecido descanso por um final de semana e na próxima semana, voltamos pro circo. Eu já estou com minha peruca pronta, só falta o nariz de palhaça. Vamos ver o que a próxima corrida nos fornece.

Resultados

  1. Lewis Hamilton
  2. Valtteri Bottas
  3. Alexander Albon
  4. Daniel Ricciardo
  5. Sergio Pérez
  6. Lando Norris
  7. Daniil Kvyat
  8. Charles Leclerc
  9. Kimi Raikkonen
  10. Sebastian Vettel
  11. George Russell
  12. Romain Grosjean

 

Abandonaram

  1. Lance Stroll
  2. Esteban Ocon
  3. Nicholas Latifi
  4. Kevin Magnussen
  5. Antonio Giovinazzi
  6. Carlos Sainz Jr.
  7. Max Verstappen
  8. Pierre Gasly

Driver of the Day (escolhido pelo público): Daniel Ricciardo

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Carlos Sainz Jr. (Rebeca) | Kimi Raikkonen (Adriana)

Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2019

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de volta. Hoje relembraremos como foi o desempenho dos pilotos esse ano na Fórmula 1. Para melhor compreensão, eles serão agrupados de acordo com suas respectivas equipes. Sem mais enrolação, vamos à análise:

 

Atenção: Os quadrinhos contém uma análise humorística, já os textos uma análise séria. Não temos intenção de ofender ninguém, e buscamos brincar igualmente com todos.

 

  • Lewis Hamilton

 

 

Hamilton consagrou-se hexacampeão em 2019. Somando 413 pontos (cinco a mais que no ano passado), o inglês manteve uma constância de bons resultados, chegando ao pódio em 17 de 21 corridas e vencendo 11 vezes. No entanto, nem tudo no ano foi perfeito para Hamilton. Suas piores atuações foram na Alemanha, onde escorregou, bateu no muro, cortou caminho para o pit stop e foi penalizado com cinco segundos, e no Brasil, onde bateu em Alexander Albon e foi penalizado com a perda do terceiro lugar (embora tenha subido ao pódio para a celebração, pois os comissários demoraram a analisar o caso).

Essas duas exceções são surpreendentes para Hamilton, que sempre foi lembrado como um piloto prudente, que evita acidentes sempre que possível e, devido a isso, consegue manter uma sequência de bons resultados. No começo do ano, parecia que seu companheiro Valtteri Bottas traria uma ameaça. Porém, Bottas não é Nico Rosberg e não pôde aproveitar todo o potencial do carro da Mercedes para competir pelo título com Hamilton.

Hamilton também, infelizmente, foi alvo de um dos piores casos de racismo na história da Fórmula 1. No Grande Prêmio da Itália, após os comissários decidirem não penalizar Charles Leclerc, da Ferrari, por tê-lo espremido contra o muro (apenas o advertiram com uma bandeira branca e preta), os torcedores da tifosi vaiaram o inglês, segundo colocado na corrida, e imitaram macacos para ele. Hamilton respondeu com elegância, afirmando que os ferraristas não devem manchar seu conhecido entusiasmo com atitudes tão antiéticas. Hamilton foi a terceira vítima de decisões controvérsias dessa corrida, pois além dele, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Alexander Albon (da Red Bull), asiático, também foram vítimas de decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Se por um lado a carreira atlética do inglês vai bem, fora das pistas ele se meteu em polêmicas. Vegano convicto, Hamilton aposta em sua popularidade para fazer ativismo pela causa vegana e realizar um trabalho de conscientização. No entanto, às vezes a emoção supera a razão e isso atrapalha as ações. Hamilton se posicionou sobre os incêndios na Amazônia postando uma foto antiga (cujo autor até já faleceu) e divulgou uma fake news há muito tempo desmentida por especialistas: de que a Amazônia é o “pulmão do mundo”, que produz 20% do oxigênio consumido pelos seres vivos (a verdade é que o oxigênio que respiramos provém dos oceanos; a Amazônia produz apenas 2% do oxigênio atmosférico e, como comunidade clímax, ela produz o oxigênio que ela mesma consome). Ou seja, antes de criar uma animosidade com populações de outros países divulgando informações falsas, Hamilton deveria pesquisar mais sobre o assunto que pretende discutir antes de falar como o especialista que ele não é. Caso contrário, sua popularidade apenas vai prejudicá-lo, pois ficaria mais conhecido como mentiroso do que como um ativista bem-intencionado. Toto Wolff já havia dado esse conselho a ele.

Portanto, a Lewis Hamilton damos os parabéns pelo título merecido e desejamos a ele muito sucesso em sua carreira e projetos. Mas, sempre pensando antes de agir.

 

  • Valtteri Bottas

 

 

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2019, com 326 pontos (79 a mais que no ano passado). O finlandês teve uma temporada constante, com 15 pódios (entre eles quatro vitórias) em 21 corridas. Igual ao companheiro Lewis Hamilton, suas piores corridas foram na Alemanha e no Brasil. Na primeira, Bottas bateu no muro enquanto perseguia Lance Stroll, da Racing Point, na busca por um pódio. Na segunda, seu motor pifou.

Como a primeira corrida do ano foi vencida por Bottas, muitos achavam que ele seria o principal concorrente de Hamilton ao título de 2019. No entanto, embora o carro da Mercedes lhe rendesse bons resultados, Bottas não é o tipo de piloto que gosta de se arriscar por posições mais altas. Sua melhor corrida foi no Japão, onde passou Sebastian Vettel, da Ferrari, como um ninja, logo após a largada, e conseguiu uma ótima vitória. Porém, sua corrida em Mônaco escancarou o duplo-padrão que os comissários da FIA têm ao julgar os incidentes de prova. Bottas e Max Verstappen, da Red Bull, se enfrentaram nos boxes e o holandês perdeu o pódio ao ser punido com cinco segundos (o que promoveu Vettel ao segundo lugar e Bottas ao terceiro). No entanto, quando Charles Leclerc, da Ferrari, enfrentou Romain Grosjean, da Haas, nos boxes da Alemanha, os comissários simplesmente aplicaram uma multa à Cinderela.

Bottas pareceu mais confiante esse ano do que em 2018. De acordo com o que foi divulgado por Mariana Becker, repórter da Rede Globo, aparentemente esta confiança é resultado de um tratamento psicológico que o finlandês teria feito durante as férias. Também na vida pessoal de Bottas, ocorreu o divórcio de sua esposa Emilia Pikkarainen.

Desejamos boa sorte a Valtteri Bottas para o ano que vem e parabenizamos seu vice-campeonato. Esperamos que ele continue enfrentando suas dificuldades e consiga mais arrojo para ultrapassar seus adversários.

 

  • Max Verstappen

 

 

Max Verstappen foi o terceiro colocado no campeonato, com 278 pontos (29 a mais que no ano passado). Em 21 corridas, ele conseguiu nove pódios e três vitórias (Áustria, Alemanha e Brasil). Sua temporada foi mais constante que a de 2018, e Verstappen praticamente carregou sua equipe, a Red Bull, nas costas, pois seu primeiro companheiro do ano, Pierre Gasly, não era capaz de lutar por pódios e seu segundo companheiro, Alexander Albon, teve pouco tempo para conseguir os pontos necessários para a equipe subir no ranking. Consequentemente, mesmo com os problemas internos da Ferrari que prejudicavam a escuderia italiana, a Red Bull ficou atrás desta no campeonato de construtoras, em terceiro lugar.

Verstappen é o piloto que traz emoção às corridas, pois ele não tem medo de desafios e de se arriscar por posições melhores. Sua conduta não mudou muito em relação ao ano passado, porém teve menos acidentes: os únicos do ano foram com Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, na Bélgica, e com Charles Leclerc, da Ferrari, no Japão (este último incidente por culpa do piloto monegasco). Verstappen, no entanto, fica em desvantagem pela falta de competitividade do carro da Red Bull. Parece que os engenheiros da equipe austríaca são incapazes de produzir algo à altura do talento do jovem holandês. Consequentemente, Max perde oportunidades preciosas de vitória. Lembrando também que o motor Honda algumas vezes o deixou na mão durante as largadas, como na Áustria e na Alemanha, mas a vontade de Verstappen de vencer possibilitou que ele superasse esses contratempos e garantisse belas vitórias.

Muito se falou sobre a rivalidade travada entre Verstappen e Leclerc, principalmente depois do Grande Prêmio da Áustria, vencido por Max após uma bela ultrapassagem sobre o pole position Charles nas últimas voltas. Leclerc até hoje não superou esse trauma e, inclusive, até se recusou a cumprimentar o vencedor na sala dos pilotos (conduta mais mimada e antiesportiva possível). Entre estes dois jovens talentos, é nítido que embora Leclerc tenha um carro melhor, Verstappen tem mais experiência, mais coragem para enfrentar os adversários e mais destreza na direção. Caso o holandês fosse para uma equipe melhor (especula-se que Toto Wolff mais uma vez esteja tentando trazê-lo para a Mercedes), a disputa seria mais interessante.

Ano que vem termina o contrato de Max Verstappen com a Red Bull. Não sabemos se ele ficará nessa equipe, que não está à sua altura, ou se ele irá para a Mercedes. Mas desejamos a ele boa sorte e sabedoria em suas escolhas.

 

  • Alexander Albon

 

 

O estreante Alexander Albon começou o ano na Toro Rosso. Porém, a incompetência de Pierre Gasly fez com que Helmut Marko o trouxesse para a Red Bull, substituindo o francês. Albon marcou 92 pontos e quase conseguiu seu primeiro pódio, no Grande Prêmio do Brasil, mas foi acertado por Lewis Hamilton, da Mercedes, durante a corrida. Terminou o campeonato em oitavo lugar.

Até a sua promoção à Red Bull, Albon havia pontuado em cinco de 12 corridas com a Toro Rosso. Até a corrida na Alemanha, onde seu então companheiro Daniil Kvyat conseguiu um pódio, a disputa entre os dois pilotos estava equilibrada. Em sua primeira corrida com a nova equipe, na Bélgica, teve uma atuação digna de elogios, conquistando um quinto lugar. Outra atuação excelente foi na Rússia, onde largou dos boxes e conseguiu chegar em quinto. É nítido que Albon tem mais coragem e destreza que Gasly e, embora ainda não esteja ao nível de Verstappen, ele é o companheiro de equipe que a Red Bull esperava para o holandês desde a saída de Daniel Ricciardo para a Renault. Esperava-se que Gasly cumpriria o papel, mas este se revelou uma das maiores decepções do ano.

Além do acidente com Hamilton, outro acontecimento foi negativo para Albon. O tailandês foi jogado para fora da pista por Carlos Sainz Jr., piloto espanhol da McLaren, no Grande Prêmio da Itália. Porém, os comissários decidiram punir Albon, mesmo este sendo a vítima. Esta decisão, a segunda entre três controvérsias desta corrida, gerou suspeita de racismo, pois Albon (asiático) e mais dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point, indígena) e Lewis Hamilton (negro), foram prejudicados injustamente por ações que beneficiaram pilotos brancos.

Alexander Albon é, sem dúvida alguma, a maior revelação da Fórmula 1 de 2019. Não é à toa que foi escolhido pela FIA como o Estreante do Ano (ainda que os “fãs” tivessem optado por Lando Norris, da McLaren, cujos resultados medíocres nem se aproximam dos de Albon). Desejamos ao tailandês boa sorte para o ano que vem e que ele continue fazendo excelentes corridas.

 

  • Sebastian Vettel

 

 

Sebastian Vettel terminou o campeonato no quinto lugar, com 240 pontos (80 pontos a menos que no ano passado). Este não foi um ano auspicioso para o alemão, que assistiu a Mercedes aumentando sua vantagem, a Red Bull tornando-se uma forte concorrente com Max Verstappen, e a briga interna na Ferrari entre as políticas tradicionais da escuderia e o novo companheiro de Vettel, Charles Leclerc.

Como explicado anteriormente no The Racing Track, a Ferrari mantém uma política interna de “campeão e escudeiro” que protege o primeiro piloto e obriga o segundo a servir como ajudante para garantir pontuações valiosas para a equipe. Foi assim com Michael Schumacher (“campeão”) e Rubens Barrichello (“escudeiro”), entre Fernando Alonso (“campeão”) e Felipe Massa (“escudeiro”) e entre Vettel (“campeão”) e Kimi Raikkonen (“escudeiro”). No entanto, Leclerc não aceitava essa política, pois mesmo sendo obrigado a ceder suas posições para Vettel na Austrália e na China, o monegasco conseguia mais pole positions e se julgava no direito de ser tratado como o “campeão” da equipe. Mas seus protestos não foram atendidos pela Ferrari, que continuou protegendo Vettel. A indignação do monegasco gerou atrito entre ele e o alemão, resultando algumas vezes em acidentes, como o duplo-abandono ferrarista no Brasil.

Vettel também não perdeu seu estilo arrojado e sua sede por superações. Porém, por ser o tipo de piloto que mais age do que pensa, acabou por causar acidentes que prejudicaram não só ele mesmo como sua equipe. Um grande exemplo é o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quando Vettel, indignado por ter sido ultrapassado por Verstappen, acelerou e bateu na traseira do holandês, tirando ambos da pista temporariamente. Verstappen voltou para a pista e cruzou a linha de chegada em quinto lugar, mas Vettel, além de ser punido com 10 segundos, voltou em último, chegando inclusive atrás das Williams. Outro exemplo foi a batida em Lance Stroll, da Racing Point, na Itália após o alemão ter rodado e saído da pista. Mesmo sendo Stroll a vítima e Vettel admitindo o erro (inclusive pedindo perdão pessoalmente a Stroll), os torcedores italianos lançaram insultos racistas ao canadense por suas origens indígenas e esta corrida também foi marcada por uma das arbitragens mais controversas da história da Fórmula 1, com pilotos de cor recebendo punições indevidas e pilotos brancos sendo beneficiados.

Em 21 corridas, Vettel teve nove pódios e apenas uma vitória, em Singapura. O resultado desta corrida também não foi bem aceito por Leclerc, que acusou a Ferrari de demorar em seu pit stop para beneficiar Vettel. A equipe assumiu depois que realmente visou ajudar o alemão para garantir que ele tivesse ânimo para continuar a temporada. Mas não se pode tirar o mérito de Vettel. Ele não é um tetracampeão à toa. Só está passando por uma fase ruim como acontece com qualquer atleta. E, se até ano passado ele era um forte candidato ao título, não se pode afirmar que ele não tem mais condições de continuar na disputa.

Desejamos a Sebastian Vettel um 2020 com muita sorte e prudência. Ele é um dos pilotos que deixa a Fórmula 1 atual mais interessante.

 

  • Charles Leclerc

 

 

Charles Leclerc terminou 2019 no quarto lugar no campeonato, com 264 pontos (225 pontos a mais que no ano passado). A “Cinderela da Fórmula 1”, como foi apelidado, conseguiu sete poles positions, mais do que qualquer outro piloto do grid. Em 21 corridas, Leclerc teve 10 pódios e duas vitórias (Bélgica e Itália). Mas nem tudo foram flores para ele, pois o monegasco também foi o protagonista de uma das maiores polêmicas do ano na Fórmula 1.

Embora a mídia especulasse que Leclerc seria a próxima aposta da Ferrari para conquistar títulos, era claro que o jovem havia sido contratado como “escudeiro”, “posto” já ocupado por Rubens Barrichello (“escudeiro” de Michael Schumacher), Felipe Massa (“escudeiro” de Fernando Alonso) e Kimi Raikkonen (“escudeiro” de Sebastian Vettel). O motivo? Era óbvio. Por que uma equipe de ponta tão tradicional como a Ferrari iria destronar Vettel (que foi uma ameaça a Lewis Hamilton por dois anos) para dar lugar a um jovem menino cuja única experiência havia sido um ano na Sauber e cujos resultados haviam sido piores que os anos de estreia de pilotos da mesma faixa etária, como Max Verstappen e Lance Stroll? Apenas os cegos pelo fanatismo acreditaram que a escuderia de Maranello faria uma exceção especialmente para Leclerc.

“Cinderela”, porém, não reagiu bem às ordens da “madrasta”, que havia obrigado o piloto a ficar atrás de Vettel na Austrália e na China. Como Leclerc havia feito mais poles positions, e seria burrice mandá-lo parar para esperar Vettel (o que permitiria que outros pilotos o ultrapassassem), o monegasco quis desafiar a política interna tradicional da Ferrari e algumas vezes enfrentou o alemão. Este confronto gerou problemas para a equipe, como no duplo-abandono no Brasil.

Leclerc também provou não lidar bem com situações adversas, como na Áustria, onde perdeu a vitória para Max Verstappen, da Red Bull, nas últimas voltas, e se recusou a cumprimentar o holandês na sala de espera. Apenas o fez pelo Twitter, e muito provavelmente a mensagem foi escrita pela assessora de imprensa. Outro exemplo da atitude mimada de Leclerc foi em Singapura, onde ele acusou a própria equipe de sabotar seu pit stop para entregar a vitória a Vettel, gerando um clima de desconforto na Ferrari. No Japão, após bater em Verstappen, ele ficou com uma peça presa em sua asa dianteira e se recusou a ir para o box retirá-la, colocando em risco a segurança de Lewis Hamilton, da Mercedes, que vinha logo atrás. A peça chegou inclusive a desprender-se do carro e acertar o halo de Hamilton. Na Alemanha, enfrentou Romain Grosjean nos boxes e levou apenas uma multa. Na Itália, espremeu Hamilton contra o muro e levou apenas uma advertência (em uma das arbitragens mais controversas da Fórmula 1). Em Abu Dhabi, seu carro tinha irregularidades no combustível, mas também só recebeu uma multa. Ao que parece, os comissários têm medo de punir a “Cinderela”. Com isso, ele se tornou o segundo piloto mais mimado do grid, atrás de Lando Norris, da McLaren.

Leclerc foi obrigado a lidar com outra perda importante no ano: a de seu amigo Antoine Hubert, que faleceu em um acidente na Fórmula 2, um dia antes do Grande Prêmio da Bélgica, vencido pelo monegasco. Ele passou o resto do ano pilotando com uma mensagem de “descanse em paz” no volante.

Desejamos a Charles Leclerc um 2020 cheio de sabedoria e prudência, além de boa sorte. Ele tem muito talento, só precisa aproveitá-lo mais.

 

  • Sergio Pérez

 

 

Sergio Pérez terminou 2019 no décimo lugar do campeonato, com 52 pontos (10 a menos que no ano passado). Infelizmente, não obteve pódios esse ano, mas lutou constantemente por melhores resultados, que garantiram uma boa posição para a Racing Point no ranking de construtoras.

A temporada de 2019 pode ser resumida em um ano de transição para a Racing Point, pois foi o primeiro ano completo com os novos donos. Pérez conseguiu provar que não é o “monstro” que seu companheiro de 2018, Esteban Ocon, tentou fazer parecer (ver Entenda o Caso Esteban Ocon). Ocon o havia acusado de ser uma pessoa descontrolada, capaz de matar um adversário, mas em 2019, Pérez provou ser uma pessoa prudente e equilibrada, dando as boas-vindas ao novo companheiro, Lance Stroll, e a dupla teve uma temporada de bom relacionamento, tanto dentro quanto fora das pistas. O mexicano pontuou em 11 das 21 corridas do ano, oscilando entre o sexto e o décimo lugar. Seu feito mais marcante foi a ultrapassagem sobre Lando Norris, da McLaren, no Grande Prêmio de Abu Dhabi, levando o inglês às lágrimas e desbancando-o do décimo lugar do campeonato.

A Racing Point não foi capaz de fazer um carro competitivo o suficiente para enfrentar a Red Bull, como era o esperado pela equipe no começo do ano. Consequentemente, a escuderia britânica terminou o ano em sétimo lugar no ranking após o pódio de Pierre Gasly garantir o sexto lugar para a Toro Rosso. Muito do desempenho da Racing Point foi obtido graças a Pérez, devido a um péssimo trabalho do estrategista de seu companheiro e à dificuldade de Stroll de manter suas posições durante as corridas, embora o melhor resultado do canadense no ano (um quarto lugar na Alemanha) tenha sido melhor do que o melhor resultado do mexicano (sexto lugar no Azerbaijão e na Bélgica).

Na vida pessoal, Pérez foi agraciado com o nascimento de sua filha Carlota, sua segunda criança com Carola Martínez. Eles também são pais de Júnior, nascido em 2018.

Sérgio Pérez será uma importante peça para as futuras conquistas da Racing Point. Desejamos a ele boa sorte para o ano que vem.

 

  • Lance Stroll

 

 

Lance Stroll terminou 2019 em 15º lugar no campeonato, com 21 pontos (15 a mais que no ano passado). O canadense suspirou aliviado em uma equipe muito melhor que a Williams, cuja incompetência de seu setor de engenharia (comandado por Paddy Lowe) e de seus administradores (notadamente Claire Williams) prejudicaram sua temporada em 2018. Porém, 2019 provou de quem realmente era a culpa pelos maus resultados da Williams: Lowe e a herdeira de Frank Williams. Stroll começou o ano pontuando e totalizou seis chegadas à zona de pontuação. Mas talvez sua característica mais notável na temporada foram suas excelentes largadas que eram prejudicadas por performances preguiçosas no decorrer das provas.

É claro que Stroll, assim como a Racing Point, passava por um período de transição. O canadense estava em uma equipe com profissionais mais competentes e não havia um clima de tensão e animosidade como havia na Williams. Ele era visto como o salvador da escuderia, e não mais como o bode expiatório que Claire Williams e Paddy Lowe tentaram torná-lo para esconderem suas próprias falhas. A Racing Point, por outro lado, vivia seu primeiro ano completo sob nova gestão. Porém, Stroll desperdiçou muitas oportunidades de pontuação que poderiam ter rendido posições melhores à escuderia no campeonato de construtoras.

Stroll foi aclamado pela Fórmula 1 como o piloto que mais ganhou posições durante as largadas. Todavia, este feito não se traduziu em pontos, pois algumas voltas depois da largada (momento em que o canadense costumava a ganhar de seis a dez posições), o carro não mantinha o desempenho esperado e o piloto era facilmente ultrapassado por seus adversários. Isto, somado à falha de seu estrategista, que o chamava para as trocas de pneus mais tarde do que o devido, prejudicaram a performance do canadense. Foi o caso do Grande Prêmio da França, onde Stroll conquistava o sexto lugar, mas sua troca tardia de pneus o levou para o 13º lugar. Outro momento ruim foi o Grande Prêmio da Itália, onde ele garantia o sétimo lugar quando foi acertado por Sebastian Vettel, da Ferrari. Jogado para fora da pista, Stroll voltou em situação normal, mas Pierre Gasly, da Toro Rosso, em uma manobra para garantir uma punição ao piloto indígena e se beneficiar com isso, saiu temporariamente da pista para parecer que a culpa havia sido de Stroll. Vendo uma oportunidade de se vingar por terem sido obrigados a punir um piloto da Ferrari, os comissários puniram Stroll injustamente, marcando a primeira entre três decisões controversas da arbitragem que levaram à suspeita de racismo. Vettel chegou a se desculpar pessoalmente com Stroll, mas isso não impediu os torcedores fanáticos a atacarem o canadense por suas origens indígenas, provando que, infelizmente, a mentalidade colonialista e racista ainda está viva na Europa.

Mas nem tudo estava perdido para o jovem Stroll. Sua melhor corrida foi na Alemanha, onde chegou a liderar a volta por algum tempo e terminou em quarto lugar (o melhor resultado de sua equipe no ano). O portal WTF1 declarou que ele é oficialmente o segundo adolescente mais bem-sucedido da história da categoria, somente atrás de Max Verstappen. Isso prova que, mesmo os racistas tentando emplacar Lando Norris e George Russell (pilotos brancos europeus com resultados inferiores) como melhores, o único indígena do Canadá a pilotar na Fórmula 1 ainda mantém seu legado e seu lugar merecido na história (ver O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

Desejamos a Lance Stroll um ano de 2020 com muita sorte e destreza. Esperamos que ele vença as dificuldades, supere seus limites e continue representando tão bem os indígenas na Fórmula 1.

 

  • Daniel Ricciardo

 

 

Daniel Ricciardo fez seu primeiro ano na Renault. Marcando 54 pontos (170 a menos que no ano passado), o australiano não teve o desempenho que esperava quando decidiu trocar a Red Bull pela escuderia francesa por não confiar no motor Honda. Terminou 2019 no nono lugar.

Ricciardo pontuou em oito de 21 corridas. Suas primeiras etapas resultaram em quebra. O motor Renault traiu sua confiança e o piloto ainda sofreu punições por irregularidades no carro que garantiam mais potência: como a largada do fim do grid em Singapura e a desclassificação no Japão. Com isso, a performance de Ricciardo foi altamente afetada e ele acabou comendo o pão que o diabo amassou.

O australiano pode ser considerado o piloto mais inteligente do grid, pois seus conhecimentos de engenharia estão acima dos de seus concorrentes. No entanto, a ineficiência da Renault desperdiçou o potencial que ele traria para a equipe. Ricciardo também é um dos nomes que mais luta por igualdade no tratamento entre as equipes e pilotos por parte da FIA e isso é uma qualidade muito nobre para o esporte.

Desejamos a Daniel Ricciardo um ano de sorte em 2020 e que ele consiga superar suas dificuldades. Talvez, como o próprio já esperava, não consiga lutar pelas melhores posições, mas que pelo menos ele possa manter uma constância de bons resultados.

 

  • Nico Hülkenberg

 

 

Nico Hülkenberg terminou 2019 no 14º lugar no campeonato, com 37 pontos (32 a menos que no ano passado). O alemão será substituído por Esteban Ocon na Renault em 2020, ficando sem vaga para o ano que vem.

A performance de Hülkenberg não foi das melhores. Pontuando em 10 de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quinto lugar no Grande Prêmio da Itália, sua falta de progresso se deve à ineficiência do motor Renault e à constante queda de desempenho que o piloto vem apresentando ao longo dos anos. O melhor momento de sua carreira foi sua pole position no Grande Prêmio do Brasil de 2010, corrida que ele não foi capaz nem de terminar no pódio. Mesmo assim, como todo mundo vira “lenda” ou quando morre ou quando se aposenta, de repente, os “fãs” de Hülkenberg saíram de sua hibernação de nove anos, e protestaram contra a volta de Ocon para a Fórmula 1, inclusive acusando o hispano-francês, baseado em fatos, de “piloto pagante” (ver mais sobre a polêmica em Entenda o Caso Esteban Ocon).

Desejamos a Nico Hülkenberg boa sorte em 2020 para onde quer que ele vá. Esperamos que seu substituto não traga mais problemas como os que ele trouxe em 2018.

 

  • Carlos Sainz Jr.

 

 

Carlos Sainz Jr. terminou 2019 no sexto lugar do campeonato, com 96 pontos (43 a mais que no ano passado). Sainz foi um dos três únicos pilotos fora de uma equipe de ponta a conseguir um pódio no ano (os outros foram Pierre Gasly e Daniil Kvyat, ambos da Toro Rosso), mas infelizmente não pôde comemorar devidamente porque os comissários demoraram para punir Lewis Hamilton, da Mercedes. Depois de herdar o terceiro lugar da corrida, ele recebeu uma homenagem de sua equipe, a McLaren, com direito a confetes, champanhe e Estrella Galicia (uma das patrocinadoras), mas sem público para assistir. Para piorar, durante a sessão de fotos, a equipe deixou seu companheiro Lando Norris tirar uma foto com a taça como se ele tivesse conquistado o título (parecia que ele tinha dito “Papai, quero a taça”, e o sr. Adam Norris havia pago para a equipe fingir que seu filho havia sido o conquistador do pódio).

Depois de um começo difícil, Sainz pontuou em 12 de 21 corridas, oscilando entre o quinto e o décimo lugar. Em algumas ocasiões, ele chegou a disputar posições com pilotos da Ferrari e da Red Bull logo após a largada, como no Grande Prêmio de Singapura, onde um choque com Alexander Albon, da Red Bull, o obrigou a parar mais cedo nos boxes.

Também com Albon, Sainz protagonizou um episódio lamentável de uma das corridas mais polêmicas da história da Fórmula 1: O Grande Prêmio da Itália de 2019. O espanhol jogou o tailandês para fora da pista e os comissários decidiram punir a vítima. O incidente entre Sainz e Albon foi o tira-teima para a acusação de racismo que pairou sobre a arbitragem da prova, pois além de Albon, que é asiático, outros dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Lewis Hamilton (da Mercedes), negro, foram prejudicados por decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Sainz foi o destaque da McLaren, vencendo seu companheiro de equipe por uma vantagem de 47 pontos. Mesmo assim, por uma questão de marketing, o espanhol não recebe o devido reconhecimento e as mídias digitais insistem em colocar Norris como melhor por ter largado à frente dele mais vezes do que o contrário. Tais marqueteiros e torcedores se esquecem que largada não quer dizer nada. O que conta não é o começo da corrida, e sim o final.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. um ano de 2020 com mais sorte e mais conquistas. Seria muito prazeroso vê-lo mais vezes no pódio.

 

  • Lando Norris

 

 

Ah, Lando Norris… em minha observação o piloto mais superestimado do grid. O estreante inglês pela McLaren terminou 2019 em 11º lugar com 49 pontos. Filho de um empresário multimilionário (Adam Norris, do setor de investimentos), Lando não obteve resultados impressionantes e, para contornar a fama de “piloto pagante” que começava a se desenvolver na mídia inglesa, apostou em uma vasta campanha de marketing para convencer os torcedores e a própria Fórmula 1 de que ele deveria ser lembrado como um “piloto engraçado” e não como o filho que sairia de um casamento entre Damian Wayne e Veruca Salt.

Norris pontuou em 11 de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o oitavo lugar. Apesar de ter largado à frente de seu companheiro Carlos Sainz Jr. mais vezes do que o contrário, o inglês foi derrotado pelo espanhol por 47 pontos. Seu ano de estreia não foi tão marcante como os de Max Verstappen e de Lance Stroll, por exemplo, pois não obteve pódios ou recordes.

Logo, suas condutas chamaram mais atenção que seu desempenho. No Grande Prêmio da Espanha, colidiu com Stroll, da Racing Point, e saiu xingando o canadense. O castigo veio a cavalo, quando seu carro pegou fogo no Grande Prêmio do Canadá. Na França, gritou com a equipe no rádio para que obrigasse Sainz a deixá-lo passar (requerimento que não foi atendido), e mesmo assim foi eleito “Piloto do Dia” por ter chegado em um simples nono lugar. Em Abu Dhabi, após ser ultrapassado por Sergio Pérez, da Racing Point, chorou no rádio. Ainda assim, os perfis oficiais da Fórmula 1 divulgavam cada peido que ele dava, tentando empurrá-lo goela abaixo dos torcedores mesmo suas atitudes na pista e no rádio não revelando carisma algum.

A campanha de marketing em torno de Norris contribuiu para o fortalecimento do racismo na Fórmula 1. É nítido que muitos torcedores e perfis midiáticos (sejam jornalísticos ou humorísticos) não se conformaram que a Fórmula 1 não é mais exclusividade de pilotos brancos europeus e não aceitaram a presença de um indígena na categoria. A solução encontrada foi uma guerra midiática, tentando emplacar a narrativa de que Stroll não merecia seu lugar na Fórmula 1 por ser bilionário (como se os pilotos brancos não tivessem patrocínio bilionário por trás de suas carreiras). Mesmo Stroll tendo conseguido em seu ano de estreia um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes, tudo em um carro nada competitivo, e tendo seu melhor resultado em 2019 um quarto lugar na Alemanha, enquanto que um sexto lugar no Bahrein e na Áustria foram o melhor que conseguiu Norris, que até agora não possui pódios, largadas da primeira fila ou recordes, os racistas se negam a chamar o inglês de “piloto pagante” e continuam a desmerecer o canadense. Mas, fatos não ligam para sentimentos. Os fanáticos podem tentar omitir a fortuna de Norris (pois para um racista, um branco rico não é tão surpreendente quanto um indígena rico) e tentar convencer os mal informados de que ele é melhor que Stroll, mas os fatos provam que na verdade seria mais lógico considerar Norris o verdadeiro “piloto pagante” da Fórmula 1, e Stroll continua sendo o segundo adolescente mais bem-sucedido da Fórmula 1 (para ver uma análise mais completa, veja a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

A verdade é que o apelido de “meme lord” ou “lorde dos memes” dado a Norris nada mais é do que uma tentativa de esconder o desempenho mediano do piloto e de convencer a todos de que os brancos devem ser tratados como superiores aos indígenas, não importa o quão bem-sucedidos os indígenas sejam. Devido a seu comportamento reprovável, Lando Norris ganhou o apelido de “Veruca Salt”, a menina mimada de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Desejamos a Lando Norris boa sorte para o ano que vem e mais maturidade, com menos postagens no Instagram e mais resultados na pista. Esperamos que a mídia pare de bajulá-lo e trate-o com o mesmo padrão que trataria qualquer outro piloto. Lembrando que não estamos dizendo que Norris é responsável pelo racismo na Fórmula 1, mas lamentavelmente ele é usado como escudo pelos racistas, pois usam um padrão duplo para julgar pilotos de cor em relação aos brancos.

 

  • Daniil Kvyat

 

 

Daniil Kvyat terminou o ano no 13º lugar, com 37 pontos. Foi o ano de retorno do russo à Fórmula 1 após um ano como terceiro piloto da Ferrari. Pontuou em 10 de 21 corridas e conquistou um pódio com o terceiro lugar na Alemanha, sendo um dos únicos três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir o feito (os outros foram seu companheiro Pierre Gasly e Carlos Sainz Jr., da McLaren).

Kvyat foi companheiro de Alexander Albon na primeira metade do ano, mantendo um equilíbrio de forças com relação ao tailandês. Esse equilíbrio se manteve com Gasly como novo companheiro. O lado “barbeiro” de Kvyat se manteve, com alguns acidentes como o do Grande Prêmio de Singapura, que tirou Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, da prova.

Na vida pessoal, Kvyat teve sua primeira filha, Penélope, do relacionamento com Kelly Piquet, filha do tricampeão Nelson Piquet. Seu pódio na Alemanha foi dedicado a ela.

Desejamos a Daniil Kvyat boa sorte para 2020. Esperamos que o próximo ano traga melhores resultados e menos acidentes.

 

  • Pierre Gasly

 

 

Pierre Gasly, a maior decepção do ano, terminou 2019 em sétimo lugar, com 95 pontos (66 a mais que no ano passado). Contratado pela Red Bull para substituir Daniel Ricciardo, que se mudou para a Renault, Gasly era a aposta da equipe austríaca para bons resultados, baseada no ótimo desempenho que ele teve com a Toro Rosso em 2018. No entanto, ele se revelou incapaz de lutar por posições à altura de uma equipe de ponta, não soube aproveitar as brigas internas da Ferrari que lhe trariam vantagens na pista, e fez com que a Red Bull não tivesse pontos o suficiente para vencer a Ferrari no ranking de construtoras. Um dos maiores exemplos de sua incompetência foi no Grande Prêmio da Áustria, onde não conseguiu passar Ricciardo mesmo tendo um carro muito superior. Com seu companheiro Max Verstappen carregando o time nas costas, o francês foi demitido e mandado de volta à Toro Rosso.

Provando que pilota melhor em equipe fraca do que em equipe de ponta, Gasly conseguiu um pódio no Grande Prêmio do Brasil com um segundo lugar. Ele foi o segundo de três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir um pódio (os outros foram seu companheiro Daniil Kvyat – que conseguiu o feito quando o francês estava na Red Bull – e Carlos Sainz Jr., da McLaren). No entanto, ele também protagonizou uma polêmica no Grande Prêmio da Itália: mesmo estando a metros de distância de Lance Stroll, piloto da Racing Point que havia sido atingido pelo ferrarista Sebastian Vettel, Gasly fingiu ter sido obrigado a deixar temporariamente a pista pela volta de Stroll. Os comissários, irritados por terem sido obrigados pelo regulamento a punir um piloto da Ferrari, encontraram uma oportunidade de vingança e puniram Stroll injustamente. Esta foi uma das três decisões controversas da corrida, somada à punição de Alexander Albon, piloto asiático da Red Bull, por ter sido jogado para fora da pista pelo piloto europeu Sainz, e a advertência branda ao ferrarista Charles Leclerc após ter espremido Lewis Hamilton, piloto da Mercedes e único negro no grid, contra o muro. Gasly parece ter algum problema pessoal contra pilotos indígenas (ou, no mínimo, apenas contra Stroll), pois no Grande Prêmio de Abu Dhabi, acusou o canadense de quebrar-lhe a asa dianteira, mesmo tendo sido o francês o autor de uma manobra imprudente numa tentativa de se colocar entre os dois pilotos da Racing Point. Numa tentativa de autopromoção, curtiu uma postagem mentirosa no Instagram do presidente de seu país, Emmanuel Macron, sobre os incêndios na Amazônia, provocando a indignação de torcedores brasileiros pelo suposto apoio de Gasly a uma mentalidade colonialista europeia.

Desejamos a Pierre Gasly um ano de 2020 com sorte e prudência. Esperamos que ele pare de concorrer com Lando Norris, da McLaren, o posto de piloto mais birrento do grid e tente valorizar o investimento que suas equipes fazem nele.

 

  • Kimi Raikkonen

 

 

Kimi Raikkonen terminou seu primeiro ano com a Alpha Romeo (herdeira da Sauber) em 12º lugar, com 43 pontos (208 a menos que no ano passado). Lembrando que Raikkonen já havia corrido antes pela Sauber, porém não se pode considerar Sauber e Alpha Romeo como a mesma equipe.

Com um carro nada competitivo, Raikkonen se esforçou ao máximo para garantir pontos preciosos a sua equipe. Pontuando em nove de 21 corridas, oscilando entre o sétimo e o décimo lugar (porém chegando em quarto no Grande Prêmio do Brasil), o finlandês teve ótimas atuações, como no Grande Prêmio da China, onde largou em 13º e cruzou a linha de chegada em nono após uma linda série de ultrapassagens. Raikkonen também superou seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, com 29 pontos de vantagem.

Desejamos a Kimi Raikkonen boa sorte para o ano que vem e esperamos que continue lutando por boas posições. Ele é um dos pilotos mais batalhadores do grid e suas disputas são sempre ótimas de se assistir.

 

  • Antonio Giovinazzi

 

 

Antonio Giovinazzi terminou 2019 no 17º lugar, com 14 pontos. Contratado pela Alpha Romeo para substituir o sueco Marcus Ericsson quando a Sauber mudou de gestão e de nome, o italiano pontuou em quatro de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quarto lugar no Grande Prêmio do Brasil.

O momento mais marcante do ano de Giovinazzi foi quando conseguiu liderar a volta no Grande Prêmio de Singapura (que terminou em décimo lugar). O carro nada competitivo da Alpha Romeo prejudicou seu desempenho, somado à falta de experiência considerável na Fórmula 1. Suas últimas corridas até sua contratação oficial foram os Grandes Prêmios da Austrália e da China de 2017, quando substituiu Pascal Wehrlein, que estava lesionado. Fora da categoria por quase dois anos (lembrando que em 2017 ele participou de apenas duas corridas), Giovinazzi passou por um ano de adaptação ao carro. E embora não tenha tido o mesmo desempenho de seu companheiro Kimi Raikkonen (que o venceu com uma vantagem de 29 pontos), Giovinazzi se manteve relativamente longe de incidentes, exceto pelo abandono na Grã-Bretanha (onde rodou e parou na caixa de brita) e o choque com Robert Kubica, da Williams, em Abu Dhabi.

Desejamos a Antonio Giovinazzi boa sorte para 2020 e que ele consiga se adaptar melhor ao carro. Cremos que ele tem o potencial suficiente para conseguir melhores resultados no futuro.

 

  • Romain Grosjean

 

 

Romain Grosjean terminou o ano em 18º lugar, com 8 pontos (29 a menos que no ano passado). Pontuando em apenas três das 21 corridas do ano, conseguindo um sétimo lugar na Alemanha e um décimo lugar na Espanha e em Mônaco, Grosjean teve um dos desempenhos mais medíocres de 2019 e a renovação de seu contrato gerou descontentamento por parte dos torcedores, pois a Haas estaria investindo em pilotos que há muito tempo deixam a desejar em vez de dar oportunidades a jovens que procuram uma oportunidade (como Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara).

Começando o ano batendo em Lance Stroll, da Racing Point, no treino classificatório do Grande Prêmio da Austrália e logo após a largada do Grande Prêmio do Bahrein, Grosjean se destacou por suas barbeiragens típicas e suas reclamações no rádio. Nem mesmo seu companheiro Kevin Magnussen escapou dos confrontos, como no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, onde os dois se chocaram e causaram um duplo-abandono.

Desejamos a Romain Grosjean sorte para o ano que vem e mais prudência em sua direção. Esperamos que ele justifique o investimento da Haas e traga melhores resultados para sua equipe.

 

  • Kevin Magnussen

 

 

Kevin Magnussen terminou 2019 no 16º lugar, com 20 pontos (36 a menos que no ano passado). Os torcedores também não reagiram bem à notícia da renovação de seu contrato com a Haas, pois o desempenho do dinamarquês estava bem longe do esperado.

Pontuando em quatro de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o nono lugar, Magnussen teve uma temporada medíocre, marcada por conflitos com seu companheiro Romain Grosjean, como o duplo-abandono no Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Sua vantagem em relação ao francês se deve por ter pontuado em uma corrida a mais do que o companheiro. Porém, para um piloto que teve um bom começo de carreira, Magnussen vêm apresentando um declínio em rendimento e, na opinião de muitos torcedores, não justifica o investimento da Haas.

Desejamos a Kevin Magnussen um 2020 com mais sorte e sabedoria. Mesmo que não consiga os mesmos resultados do começo de sua carreira, esperamos que ele possa contornar as dificuldades e superar seus limites.

 

  • Robert Kubica

 

 

A surpresa de 2019, Robert Kubica terminou o ano em 19º lugar com apenas um ponto (o único de sua equipe), obtido no Grande Prêmio da Alemanha após ser promovido para o décimo lugar depois da dupla da Alpha Romeo (Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi) ser punida com 30 segundos para cada piloto. O polonês regressou à Fórmula 1 depois de anos afastado devido a um acidente em 2011. Pressionada pelo discurso dos empresários de Kubica (entre eles o campeão de 2016, Nico Rosberg), a Williams via na contratação do polonês uma oportunidade de atrair investimentos de empresas polonesas e conseguir mais atenção midiática. A escuderia inglesa, porém, percebeu que Kubica não resolveria os problemas administrativos e financeiros que enfrenta há alguns anos.

Após tentarem convencer a mídia e os torcedores de que seus pilotos eram os culpados pelos problemas da Williams em 2018, Paddy Lowe e Claire Williams apostaram em uma dupla nova para 2019. No entanto, o rendimento do carro piorou e não havia mais bodes expiatórios. Lowe optou por deixar o departamento de engenharia alegando problemas pessoais, e caiu em cima de Claire toda a culpa pelo mal funcionamento da escuderia de seu pai. Antes de contratarem Kubica, deveriam ter pensado que as sequelas do acidente que lesionou o braço esquerdo do piloto demandariam um carro adaptado, o que significaria mais gastos. Uma equipe com problemas financeiros não deveria assumir esse risco, até por que não havia garantias de que Kubica, afastado da categoria por oito anos, traria bons resultados que justificassem tal investimento.

Dois momentos marcaram o ano do polonês: sua temporária condecoração como “Piloto do Dia” do Grande Prêmio da Áustria (que depois se revelou como um erro de sistema, pois o verdadeiro eleito havia sido Max Verstappen, da Red Bull), e seu choque com o holandês nos boxes do Grande Prêmio do Brasil. Felizmente, o incidente não prejudicou a prova como havia ocorrido no ano anterior graças à imprudência de Esteban Ocon, e Kubica foi penalizado com cinco segundos.

Não podendo arcar com os custos do polonês, a equipe o demitiu e contratou o canadense de ascendência iraniana Nicholas Latifi para substituí-lo em 2020. Um fato curioso é que o volante adaptado de Kubica que havia sido encomendado para o começo do ano só chegou na segunda metade da temporada, provando que a Williams ainda sofre com problemas de prazo na entrega tanto de equipamentos quanto de resultados.

Desejamos a Robert Kubica boa sorte para ano que vem, seja lá qual for o seu destino. Foi muito legal ver que, apesar do resultado ter sido fruto de uma punição a adversários, ele conseguiu no mínimo trazer um ponto para sua equipe, coisa que seu companheiro de time, George Russell, não foi capaz de fazer mesmo estando com o corpo perfeitamente saudável. Kubica foi um exemplo de superação esse ano.

 

  • George Russell

 

 

George Russell foi o último colocado no campeonato (em 20º lugar), sendo o único piloto incapaz de pontuar em 2019. Grande parte da culpa por seu fraco desempenho foi a incompetência de sua equipe, a Williams, e a crise financeira e administrativa que a escuderia passa.

Uma curiosidade sobre Russell é que, mesmo sem querer, ele foi uma peça no jogo de uma guerra publicitária racista contra Lance Stroll, da Racing Point. Mesmo Stroll tendo pontuado em seis ocasiões, tendo seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha, e Russell sendo o único do grid a não pontuar sequer uma vez, alguns veículos midiáticos insistem que ele é melhor que o canadense. Este absurdo só tem uma explicação lógica: Russell é branco e europeu, Stroll é caboclo (mestiço de branco com indígena), e ainda há pessoas que desejam que a Fórmula 1 volte a ser dominada exclusivamente por brancos de etnia europeia (sejam estes nascidos na Europa ou descendentes exclusivamente de europeus). Para mais explicações, consultar a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1.

Apesar deste lamentável fato, Russell não esteve blindado de ataques. Apesar de ter sido derrotado nos resultados finais pelo companheiro Robert Kubica, os torcedores poloneses não admitiram que o inglês tivesse largado à frente de Kubica em todas as corridas. Consequentemente, Russell foi alvo de ataques na internet, muitos de conotações homofóbicas. Isso prova que o esporte deve combater, além do racismo, a homofobia.

Desejamos a George Russell boa sorte para o ano que vem e que ele possa pontuar em várias corridas. Não se pode afirmar sobre o potencial de Russell, já que seu carro o impediu de triunfar, mas é nítido que, se ele espera melhores resultados em sua carreira, deve deixar a Williams.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2019 se diferenciou da de 2018 pela incapacidade da Ferrari de competir com a Mercedes pelo título. A Red Bull provou mais uma vez que detém pilotos excelentes, mas não consegue produzir um carro à altura. A Mercedes se beneficia por seu carro mais potente em relação ao grid, enquanto a Ferrari sai prejudicada pela falta de liderança de Mattia Binotto (substituto do veterano Maurizio Arrivabene) e o conflito interno entre a política tradicional da equipe e seus pilotos, Sebastian Vettel e Charles Leclerc. Corridas como a da Alemanha e do Brasil se destacaram pela emoção e adrenalina, enquanto que outras, como França, mereciam ser retiradas do calendário. O duplo-padrão adotado pelos comissários para julgar incidentes, como em Mônaco e na Itália, mancham a imagem da categoria, e existem pilotos que lutam contra essa política, como Max Verstappen, Sergio Pérez e Daniel Ricciardo. Não se sabe se 2020 trará mais mudanças, mas presenciamos em 2019 o princípio de uma revolução que contrasta com os anos de 2017 e 2018.

Understand the Esteban Ocon Case

Article written on August 10th, 2019. Reading it nowadays can help you to understand why Esteban Ocon got without seat in 2019 and what actions he had to take to get back on the grid in 2020.

 

Esteban Ocon, a Hispano-French driver who raced in Formula One between 2016 and 2018, is one of the most talked names when speculation in the driver market begins. After all, the 22-year-old driver, patronized by Toto Wolff, was considered by many supporters as a promise of a future star. However, he got out of the 2019 grid. Why did this happen? Does he still have a chance? His case is complicated, but we will explain everything.

1- Early career

Esteban Ocon is a rare case in Formula One. As this is an expensive sport (pieces, engineers, mechanics, simulators, etc.), drivers are expected to bring sponsorship to help with their team expenses. Therefore, the overwhelming majority of drivers are of a wealthy background. Ocon is one of the rare exceptions. Born to a humble family of Spanish immigrants from Malaga, capital of the province of Andalusia (the poorest in the country), the young driver owes his entire career to Toto Wolff. Ocon even claimed that if it wasn’t for the current Mercedes’ Team Principal, who gave him an opportunity to join motorsport, he would be working in fast-food restaurants to help his family income. The relationship between Wolff and Ocon is the key to understanding the driver’s current situation.

Esteban Ocon and his parents, Laurent and Sabrina

In 2014, Ocon was the champion of European Formula Three, one of the main categories to the entry in Formula One. However, the young driver promoted that year was Max Emilian Verstappen. The young Dutchman, son of former driver Jos Verstappen, debuted at Toro Rosso in 2015, while champion Ocon remained anonymous until mid-2016 when Manor signed him to replace Indonesian Rio Haryanto at the Belgian Grand Prix. Ocon finished his debut year without points in 23rd place. His first point came with the following year’s Australian Grand Prix, which Esteban finished in 10th place.

2- Similar case

Pascal Wehrlein is a German driver who was also patronized by Toto Wolff. Son of a German father and African mother from Mauritius, he made his Formula One debut at Manor in 2016 at the Australian Grand Prix. He became Ocon’s mate after the resignation of Rio Haryanto. At the end of the season, Manor filed for bankruptcy and announced that it would no longer compete in Formula One.

Pascal Wehrlein

To ensure his patronized boys remained, Toto Wolff landed good deals: Wehrlein was sent to Sauber, replacing Brazilian Felipe Nasr, and Ocon to Force India in place of German Nico Hülkenberg. The Rede Globo, a Brazilian company that owns Formula One broadcasting rights in the country, even speculated that Nasr would go to Force India because he outperformed his fellow teammate, Swedish Marcus Ericsson. However, Nasr was left out of the category and Ocon got the seat. Initially, many Brazilian fans were angry at Toto Wolff and Esteban Ocon.

As Sauber’s car had the worst performance of the grid, Wehrlein only scored twice, with seventh place in the Spanish Grand Prix getting six points and tenth place in the Azerbaijan Grand Prix getting one point. His teammate was the only driver that did not score that year. By 2018, Sauber would have to sacrifice one of its drivers to hire Monegasque Charles Leclerc, GP2 champion (another great category to entry in Formula One) and a member of Ferrari Driver Academy. Leclerc is patronized by Nicolas Todt, son of current International Automobile Federation (FIA) president, Jean Todt (Ferrari Team Principal between 1993 and 2007). Sauber at the time was a team subordinate to Ferrari just like Toro Rosso is to Red Bull today. Having to choose between Tetra Pak-sponsored Swede and Toto Wolff-patronized German, the Swiss team opted for Ericsson, and Wehrlein was fired.

Wolff put Wehrlein in the position of Mercedes’ third driver, along with the young Englishman George Russell. Toto promised Pascal that he would fight until the end to secure him a seat in Formula One, but Wehrlein expects this until now. Displeased with the situation, the German joined Ferrari as a third driver, replacing Russian Daniil Kvyat, who was returning to Toro Rosso after being fired from the team.

3- Relationship with other drivers

In the days of the access categories, Ocon befriended Canadian Lance Stroll, whose father, Lawrence Stroll, was the owner of the best European Formula Three and GP2 team, Prema Powerteam. Ocon was champion of the 2014 European Formula Three season with this team. Lance did the same in 2016, breaking the record of “youngest champion” of the category and the first Canadian to win the title. Some critics measured that Verstappen drew more attention than champion Ocon for taking third place with a much lower car (Van Amsterfoot Racing, powered by Volkswagen). It is legitimate noting that Verstappen was the big sensation of 2015. The automotive newspapers only spoke about him, whether by his records, his accidents, or his bold moves that guaranteed him good scores. Max was elected FIA Rookie of the Year in 2015. All of this contributed to overshadowing Ocon’s image for a year and a half.

With Stroll, Ocon had a “Prince and Pauper” kind friendship, as both came from very different backgrounds. Nevertheless, the friendship between them both proved that wealth does not define character. Being rich does not mean being bad or good. Being poor does not mean being good or bad. And later on, let’s see that this really applies.

With Wehrlein, Ocon had no considerable conflict, a situation quite different from that of his Mexican counterpart Sergio Pérez, his Force India teammate. The two met on occasion, especially at the 2017 Belgian Grand Prix, when a touch between them at the Eau Rouge entrance squeezed Esteban against the pit wall. Ocon accused Pérez of “trying to kill him,” infuriating Mexican fans, who offended him on social media. Claiming security reasons, Esteban hired armed security for himself and his parents at that year’s Mexican Grand Prix. Another example of friction between the two was at the Singapore Grand Prix when Pérez beat Ocon out of the race.

The conflict between Pérez and Ocon at the 2017 Belgian Grand Prix. Ocon accused Pérez of trying to kill him

4- Beginning of the crisis: Force India’s bankruptcy

In 2018, Force India owner Vijay Mallya was investigated by the Indian authorities under suspicion of corruption. British courts were already negotiating his deportation to India. With accounts in the red and low reliability, the team started the bankruptcy process. According to Mariana Becker, a journalist for Rede Globo, an American businessman and a Russian were interested in buying it, but no agreement was reached.

Seeing an investment opportunity, Lawrence Stroll set up a consortium of businessmen and bought Force India, with Mallya assuming any pending issues regarding his term of office, including the lawsuit Sergio Pérez filed against the team. Stroll’s son Lance, who had had a good season with Williams in 2017 (getting a podium, a start from the front row and three records), suffered from an uncompetitive car in the English team. It was speculated that when Lawrence bought the team, Lance would transfer to it.

Article from the journal Independent, that mentions the 405 jobs saved by Lawrence Stroll

As explained at the beginning of this article, Formula One needs drivers to bring sponsorship to maintain the sport. Pérez is sponsored by companies such as Telmex and Claro and the state government of Jalisco, Mexico. Ocon, for its part, was sponsored only by Toto Wolff.

5- Attempts to contract with other teams

  • Mercedes: The sponsor upholds Niki Lauda’s wishes.

According to the press, Toto Wolff had adviced Ocon before the 2018 Monaco Grand Prix. He would have said that if it did not make it difficult for Lewis to overtake Hamilton after the pit stop, Esteban would take the second Mercedes seat, as Finnish Valtteri Bottas outperformed Hamilton. This would have occurred well before the purchase of Force India (which was made on drivers’ vacations before the Belgian Grand Prix). Ocon facilitated Englishman overtaking in all races.

That is, months before Force India went bankrupt and was sold, Esteban Ocon was already set to leave the team. However, then-Mercedes adviser, three-time champion Niki Lauda, ​​advised Wolff to give Bottas one more chance. The Team Principal accepted the request and renewed Finn’s contract for another year. In the case Ocon left Force India, which was most likely not to bring the same benefits as Pérez, Wolff would have to work hard to put his pupil into a new team.

  • Renault

In 2018, the French team had Spanish Carlos Sainz Jr. and German Nico Hülkenberg. The first was called in to replace Fernando Alonso at McLaren after the two-time champion announced his retirement. The second had its contract renewed. As a result, Renault had a seat available for 2019. According to press reports, Toto Wolff was negotiating the transfer of Ocon to this team, as the driver was no advantageous neither financially nor in terms of performance, as his results were below those of Pérez.

Nevertheless, nobody could have predicted a turnaround in Red Bull. The announcement that the Austrian team would run with Honda engine in 2019 displeased one of its drivers, Australian Daniel Ricciardo. Fearing to pass through a series of crashes like McLaren in 2016 and Toro Rosso in 2017, Ricciardo opted to leave Red Bull and signed a contract with Renault, filling the team’s second seat. This was the first door that closed to Ocon.

  • McLaren

Dissatisfied with the results of Belgian Stoffel Vandoorne, the English team dismissed the driver and hired Carlos Sainz Jr. to replace Fernando Alonso, who would retire at the end of 2018. Consequently, a seat would be available at McLaren too. Sources say Toto Wolff also contacted the British team to secure a seat for Ocon. However, the team opted for a young English driver who had been in the team development program for years. His name was Lando Norris, the son of an English billionaire businessman. With that, a second door closed for Esteban Ocon.

  • Williams: the Lance Stroll case

If 2017 was a glorious year for the English team, as Lance Stroll’s podium earned it fifth place in the constructors’ championship, 2018 was ruined by the incompetence of its engineers. Lawrence Stroll was one of the team’s main sponsors, along with the SMP bank, which sponsored Russian Sergey Sirotkin. The British engineering team led by Paddy Lowe failed to create a competitive car, with promises of improvements that were always postponed. Embittering in the last positions of the grid, the drivers were unfairly accused by the team’s problems, as they had more spotlight.

Obviously, Lance was unhappy with the team’s incompetence and unfair treatment by the press and fans. It was also clear the dislike of Claire Williams, Team Principal, and daughter of founder Frank Williams, for the Canadian driver, and the clash between Claire and Lawrence created a heavy mood in the squad. Remembering that it was the second time that the Williams family’s mismanagement had led the team into the hands of an outside investor (Toto Wolff in 2009 and Lawrence Stroll in 2017). Lawrence realized that the investment would not be worth it and found an opportunity on Force India purchase.

Although his father took over as the new owner of the team, Lance did not transfer to it. This is the first argument to rebut the accusation that has fallen on the Canadian: that his father would have bought Force India to give his son a better seat, even if he had to sacrifice his friend. If Lawrence were simply a father trying to please his son, he would have paid for Ocon’s contract termination and put Lance on the team immediately. That’s not what happened. Esteban remained on the team, now named Racing Point Force India, until the end of the year.

Many expected Lance and Esteban to switch teams. In other words, Stroll would go to Force India and Ocon to Williams. With Sirotkin’s underperforming performance and Stroll’s departure, the English team would have two vacancies. Toto Wolff stepped into action, placing his pupil in one of Williams’ seats. His name, GEORGE RUSSELL.

The young Englishman was a member of the Mercedes driver development program and served as the third driver of the German team. A long time ago, he had been waiting for an opportunity in Formula One. Wolff did not explain why he chose to secure a seat for a rookie rather than the sponsored who was running out of chances. He merely claimed that Russell had qualifications for the vacancy.

At the same time, there was speculation about Robert Kubica’s return to the grid. The Polish has been out since 2011 when he suffered a serious accident that left his left arm injured. His manager was none other than the champion of 2016, Nico Rosberg. Kubica’s return was a risky investment: his team would have to spend more money to adapt the car to his shortcomings, and there was no guarantee that he would perform well. Rosberg claimed that Polish companies would be willing to sponsor the pilot and that the country’s fans had been looking forward to Kubica’s return since the retirement of Brazilian Felipe Massa.

  • Toro Rosso: Pupil of Toto Wolff? No way!

Toro Rosso went through an unrivaled chair dance. Dissatisfied with Daniil Kvyat’s successive crashes, the team ran in 2018 with Pierre Gasly and Brendon Hartley. However, the second was also involved in a series of collisions that angered the leaders of the Italian team.

With Hartley fired and Gasly promoted to Red Bull after Daniel Ricciardo left for Renault, there were two seats available. However, two factors hindered Ocon’s chances. The first is the fact that Toro Rosso is a team subordinate to Red Bull, and usually, its drivers are linked to it: they are either young people from the development program or have been demoted from the team. Esteban had no ties to Red Bull. The second factor was Ocon’s connection with Toto Wolff. Team chief Franz Tost even claimed that he did not want drivers linked to Mercedes on the team. Perhaps the team feared an espionage scandal like McLaren’s in 2007 or that Ocon would tell Wolff the secrets of the team, that used Honda engines.

6- Esteban Ocon’s image

  • Stroll is thrown into the fire; Ocon delays to help his friend

Lance Stroll made his Formula One debut in 2017 for Williams at the age of 18 at the Australian Grand Prix. Three successive retirements and accidents at free practices made the press and fans forget about his European Formula Three achievements (like his title and record) and consider him a “pay driver”. This unfair fame accompanied Lance to his third-place finish in the Azerbaijan Grand Prix, where he broke the record for “youngest rookie to score a podium”. Ocon had no podium so far, even with a superior car, and remained so until the end of his career.

With the problems Williams faced in 2018, the reputation of “pay driver” came back to Stroll, mainly because the media blamed the drivers for the poor performance of the car, even though it was the engineers’ responsibility. When his father, Lawrence Stroll, bought Force India in the second half of the year, saving the jobs of 405 workers, fans of Esteban Ocon, full of deadly rage, attacked Lance on his social media with the most terrible offenses possible, some even of racial content. Little was said about the saved jobs, or the advantages Pérez and Stroll would bring to the team, or that Ocon’s lack of sponsorship and results hindered him in the case. Some simply would not admit that a Canadian Jewish driver of Amerindian descent who had a podium, a start from the front row and three records would replace a white European driver with no podiums and no records.

However, the most surprising in this case was Esteban Ocon’s reaction. Force India was bought in August 2018. Ocon only spoke out about the attacks on Lance in September 2018. Within a month, the media and fans had enough time to launch slanderous rumors about the Canadian, while his friend since Formula Three era watched all quietly. Ocon called the attacks “irrational” and launched a story on his Instagram in which he emphasized his friendship with Stroll despite their “different backgrounds”. Why did Ocon take a month to help his friend who was suffering one of the dirtiest defamation campaigns in Formula One history? Why did Ocon point out differences in their “background”, as Stroll suffered racial offenses and attacks for being rich (which 99.9% of pilots are)?

Ocon’s Instagram post defending Stroll a month later
  • Crash into Verstappen at Brazilian Grand Prix; the final gavel

With 99.9% of seats unavailable for Ocon, his chances of staying in Formula One were scarcer. On November 11th, 2018, the Brazilian Grand Prix happened at Interlagos Circuit in São Paulo. Although Lewis Hamilton took pole position, Max Verstappen took the lead and was on his way to victory. Esteban was 16th and coming out of pits when he accelerated and ignored the blue flag, crashing into Verstappen. The two drivers temporarily left the track, allowing Hamilton to overtake. Verstappen came back in second, with damage in the car. Ocon received a 10-seconds of stop-and-go penalty. Hamilton’s victory was credited by this incident.

After the podium ceremony, Verstappen sought Ocon to clarify the situation. With a smirk on his face, Esteban replied that he was “faster” and therefore had the right to be in front even with the blue flag.

(Note: Believe me, some people believe in this lame excuse to this day.)

Verstappen was enraged at the mockery and set off for physical aggression, successively pushing Ocon until both were separated. Max left the room visibly annoyed, while Esteban continued to laugh and mock the Dutchman. Then he dared to say that “Max didn’t act like a man”. Is disrespecting the blue flag, which obliges the lapped cars to let the front drivers pass, a man thing? Is making fun of the injured person instead of assuming the mistake and apologizing for it a man thing? Is seeing your friend being a victim of defamation and helping him only a month later a man thing? Is accusing the teammate of attempted murder a man thing?

Ocon makes fun of Verstappen after the move that prevented his victory
  • Verdict: guilty of maximum allegiance to Toto Wolff; Sentence: to be without a seat for 2019

Ocon’s reaction to the crash with Max Verstappen spawned two theories to explain it: the first is a possible resentment of Esteban for Max’ promotion to Formula One in 2015, even though he was third in 2014 European Formula Three while Hispano-Frenchman had been the champion; The other is that Ocon was sending a message to Toto Wolff that he would be a great driver for the team, as his actions undeniably secured Lewis Hamilton’s victory.

While this image would benefit him for Wolff, it earned Ocon a bad reputation with the other teams. Esteban came to be seen as a loyal agent to the Mercedes team leader, and his presence in other teams could mean espionage, betrayal, and double loyalty. Ocon gained nothing from the Verstappen accident: he did not score, received a penalty, and had his reputation tarnished. The only beneficiaries of the event were Hamilton for the win and Valtteri Bottas, who was fourth in the championship ahead of Verstappen. Nevertheless, that did not last until the end, as in the last race of the year in Abu Dhabi, Max took third place and took Bottas’ position in the championship, just three points behind third-placed Kimi Raikkonen.

After the Brazilian Grand Prix, Claire Williams announced that the British team had hired Robert Kubica, ending all chances for Esteban to continue in the top motoring category. Wolff had no choice but to place him as Mercedes’ third driver.

7- Myths and truths

  • Myth: Stroll is to blame for Ocon’s departure from Formula 1.

Stroll did not take the seat immediately after his father bought Force India with the help of a business consortium. Even though they could afford a contract termination, the new team owners let Ocon run for the team until the end of his contract. Ocon was also tipped to leave the team before purchase. Pérez brought advantages to the team by being the best performing driver and still having good sponsors, something Esteban did not do. The choice for Pérez was based on offer and demand, a golden rule of the market.

Ocon tried vacancies on other teams, but all had other plans. Renault opted for Daniel Ricciardo. McLaren chose Lando Norris. Mercedes has renewed Valtteri Bottas’s contract. Toro Rosso has hired Alexander Albon and Daniil Kvyat (who had a career podium at the time, one more than Esteban Ocon). Stroll is no more guilty than Ricciardo, Norris, Perez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell, and Kubica for Ocon’s exit. Remembering that Stroll has a podium, a start from the front row, and three records on his carrer, skills that Ocon does not have. Blaming Stroll for being in Formula 1 while Ocon is out is the same as blaming Ayrton Senna for having more titles than Rubens Barrichello.

  • Truth: Ties with Toto Wolff has reduced Ocon’s opportunities in Formula One

Esteban’s countless compliments to Mercedes’ team chief and the move into Max Verstappen’s at the 2018 Brazilian Grand Prix prove that Ocon is very devoted to Toto Wolff, his patronize on sports. The other teams feared that a double agent would generate an espionage scandal or that their secrets would be leaked to the German team.

Many may think that because Mercedes has one of the best cars on the grid (if not the best) it would not be interested in information about other teams. However, teams always watch the performance of their competitors (see McLaren in 2007) for improvements and strategies.

  • Myth: Ocon was an outstanding driver and his departure was a great injustice.

Ocon was surpassed by all his teammates during his Formula One career. In his debut year in 2016, he trailed Pascal Werhlein in the final results. , although both scored zero because they entered Formula 1 midway through the year. In 2017 and 2018 was surpassed by Sergio Pérez, with 87 points against 100 in the first year and 49 against 62 in the second. This myth was created by journalists who, for personal reasons, focus on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen rather than praising Ocon for themselves. The driver data proves this.

In two and a half years of career, Ocon failed to win a podium, a front row start, a pole position, or a record, totaling only 136 points. Comparing to other riders of the same age group: Max Verstappen broke two records in his debut year and four more the following year, the same year he got a victory, five podiums and a start from the front row; Lance Stroll got a podium, three records, and a start from the front row in his debut year; Charles Leclerc did not achieve great results in his debut year, but a year later he has so far achieved two poles and five podiums. Remembering that in his debut year, Ocon was unable to score.

  • Truth: Ocon’s choices earned him a bad name in the paddock

The 2017 Belgian Grand Prix case, where Esteban accused Sergio Pérez of “trying to kill him”, is one of the examples of the narrative war the driver fought in his career. Perez even claimed that Ocon likes to victimize himself and make his rivals look like villains. The theory has foundations.

During his career, Ocon’s choices, whether racing maneuvers or press statements (including their lack/delay), made Pérez look like an “impulsive driver who could even kill his teammate”, Stroll looks like “an evil capitalist who buys seats in Formula One” and Verstappen looks like “an uncontrolled brawler who assaults his opponents”. All these media figures eventually turned against Esteban, who in front of the other teams got the image of “a treacherous and incompetent driver who gets along with no one but Toto Wolff”. With such a reputation, it is difficult to get a seat in Formula 1 because the teams are not trusted.

8- Comparisons between Ocon and Wehrlein

Pascal Wehrlein entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Sauber, where he scored in the Spanish Grand Prix and Azerbaijan Grand Prix. No sponsors who could help the team’s accounts, although it outperformed teammate Marcus Ericsson, was fired from the team to make way for Ferrari protégé Charles Leclerc. In 2018, he was named third Mercedes driver by godfather Toto Wolff, who promised a return to Formula One. As the promise was never fulfilled, he joined Ferrari as the third driver and was never seen on the track again.

Esteban Ocon entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Force India, where he scored 18 times but finished the championship with 13 points less than his teammate Sergio Pérez, who won him in 2018 as well. No sponsors who could help the team’s accounts and underperforming his teammate were fired. In 2019 he was placed as the third driver of Mercedes by godfather Toto Wolff, who promised him a return to Formula 1 (earlier he would have promised Bottas’ seat).

9- Conclusion

Esteban Ocon’s departure from Formula One in 2019 and his uncertainty for the future are the result of the poor choices the Spanish-French driver made during his career. Leaving gratitude to Toto Wolff in his head, Ocon handed his future into the hands of his godfather, who had failed to secure a vacancy for his other sponsor, Pascal Wehrlein. The lousy relationship with Sergio Pérez, the delay in helping longtime friend Lance Stroll as he suffered defamation, and move into Max Verstappen that allowed Lewis Hamilton to win at the 2018 Brazilian Grand Prix earned Esteban a tarnished reputation (double-loyal and victimhood) and distrust of the other teams (who opted to sign Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell and Robert Kubica). His results were not enough to justify his deserving of the seat at Force Point, Force India’s heiress, and his choices set him apart from the rest of the grid. The image of an “excellent driver wronged by others” is just a media invention of malicious journalists whose interests focus more on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen than on extolling Esteban’s great achievements in Formula One, which have so far not materialized. If Ocon has a chance to return to Formula One? Yes, but it will depend on the strategy adopted by Toto Wolff. At the moment, Ocon’s situation is almost identical to Wehrlein’s.

Esteban Ocon and Toto Wolff: Formula One’s most troubled marriage

 

10- Sources

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Entenda o Caso Esteban Ocon

Matéria escrita em 10 de agosto de 2019. A leitura nos dias de hoje pode ajudar a entender porque Esteban Ocon ficou sem vagas em 2019 e quais as atitudes que teve que tomar para voltar ao grid em 2020.

 

Esteban Ocon, piloto hispano-francês que correu na Fórmula 1 entre 2016 e 2018, é um dos nomes mais comentados quando começam as especulações no mercado de pilotos. Afinal, o jovem de 22 anos, apadrinhado de Toto Wolff, era tido por muitos como a promessa de uma futura estrela. Porém, ele ficou de fora do grid de 2019. Por que isso aconteceu? Ele ainda tem chances? Seu caso é complicado, mas iremos explicar tudo.

1- Início de carreira

Esteban Ocon é um caso raro na Fórmula 1. Por esta ser um esporte com muitos custos (peças, engenheiros, mecânicos, simuladores, etc.), é esperado que os pilotos tragam patrocínio para ajudar nas despesas de suas equipes. Portanto, os pilotos em sua maioria esmagadora são de origem rica. Ocon é uma das raras exceções. Nascido em uma família humilde de imigrantes espanhóis de Málaga, cidade na província de Andaluzia (a mais pobre do país), o jovem deve toda a sua carreira a Toto Wolff. Ocon chegou a afirmar que se não fosse pelo atual chefe de equipe da Mercedes, que lhe deu uma oportunidade para ingressar no automobilismo, estaria trabalhando em lanchonetes para ajudar a renda familiar. A relação entre Wolff e Ocon é uma peça fundamental para entendermos a situação atual do piloto.

Esteban Ocon e seus pais, Laurent e Sabrina

Em 2014, Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia, uma das principais categorias de acesso à Fórmula 1. No entanto, o jovem promovido naquele ano foi Max Emilian Verstappen. O jovem holandês, filho do ex-piloto Jos Verstappen, estreou na Toro Rosso em 2015, enquanto que o campeão Ocon permaneceu no anonimato até a metade de 2016, quando a Manor o contratou para substituir o indonésio Rio Haryanto no Grande Prêmio da Bélgica. Ocon terminou seu ano de estreia sem pontos, em 23⁰ lugar. Seu primeiro ponto veio com o Grande Prêmio da Austrália do ano seguinte, o qual Esteban terminou em 10⁰ lugar.

2- Caso semelhante

Pascal Wehrlein é um piloto alemão que também fora apadrinhado por Toto Wolff. Filho de pai alemão e mãe africana das Ilhas Maurício, ele estreou na Fórmula 1 pela Manor em 2016, no Grande Prêmio da Austrália. Tornou-se companheiro de Ocon após a demissão de Rio Haryanto. No final da temporada, a Manor decretou falência e anunciou que não competiria mais na Fórmula 1.

Pascal Wehrlein

Para garantir que seus apadrinhados permanecessem, Toto Wolff conseguiu bons contratos: Wehrlein foi mandado para a Sauber, substituindo o brasileiro Felipe Nasr, e Ocon para a Force India no lugar do alemão Nico Hülkenberg. A Rede Globo, emissora brasileira que detém os direitos de transmissão da Fórmula 1 no país, chegou a especular que Nasr iria para a Force India por ter resultados superiores aos de seu companheiro, o sueco Marcus Ericsson. No entanto, Nasr ficou de fora da categoria e Ocon preencheu a vaga. Inicialmente, muitos fãs brasileiros ficaram com raiva de Toto Wolff e Esteban Ocon.

Como o carro da Sauber tinha o pior rendimento do grid, Wehrlein só chegou a pontuar duas vezes, com o sétimo lugar no Grande Prêmio da Espanha, obtendo seis pontos, e o décimo lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, conseguindo um ponto. Seu companheiro foi o único piloto daquele ano a não pontuar. Para 2018, a Sauber teria de sacrificar um de seus pilotos para contratar o monegasco Charles Leclerc, campeão da GP2 (outra categoria importante de acesso à Fórmula 1) e membro da Academia de Pilotos da Ferrari. Leclerc é apadrinhado de Nicolas Todt, filho do atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt (chefe de equipe da Ferrari entre 1993 e 2007). A Sauber na época era uma equipe subordinada à Ferrari tal qual a Toro Rosso é à Red Bull atualmente. Tendo que escolher entre o sueco patrocinado pela Tetra Pak e o alemão com resultados melhores apadrinhado por Toto Wolff, a equipe suíça optou por Ericsson e Wehrlein foi demitido.

Wolff colocou Wehrlein no cargo de terceiro piloto da Mercedes, juntamente com o jovem inglês George Russell. Toto prometia a Pascal que lutaria até o fim para lhe garantir um assento na Fórmula 1, porém Wehrlein espera isso até hoje. Descontente com a situação, o alemão se juntou à Ferrari como terceiro piloto, substituindo o russo Daniil Kvyat, que voltava para a Toro Rosso depois de ter sido demitido da equipe.

3- Relação com outros pilotos

Nos tempos das categorias de acesso, Ocon fez amizade com o canadense Lance Stroll, cujo pai, Lawrence Stroll, era o dono da melhor equipe da Fórmula 3 Europeia e da GP2, a Prema Powerteam. Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia em 2014 por essa equipe. Lance fez o mesmo em 2016, quebrando o recorde de mais jovem campeão da categoria e primeiro canadense a ganhar o título. Alguns críticos avaliaram que Verstappen chamou mais atenção que o campeão Ocon por ter conseguido o terceiro lugar com um carro bem inferior (Van Amsterfoot Racing, motorizada pela Volkswagen). É válido notar que Verstappen foi a grande sensação de 2015. Os jornais automotivos só falavam do menino Max, seja por seus recordes, seja por seus acidentes ou por suas manobras arrojadas que lhe garantiam boas pontuações. Max foi eleito Estreante do Ano pela FIA em 2015. Tudo isso contribuiu para ofuscar a imagem de Ocon durante um ano e meio.

Com Stroll, Ocon travava uma amizade ao estilo “O Príncipe e o Mendigo”, pois ambos vieram de situações bem diferentes. Mas a amizade entre os dois provou que a riqueza não define caráter. Ser rico não quer dizer ser mau ou bom. Ser pobre não quer dizer ser bom ou mau. E mais para frente, vamos ver que isso realmente se aplica.

Com Wehrlein, Ocon não teve atritos consideráveis, situação bem diferente da que teve com o mexicano Sergio Pérez, seu companheiro na Force India. Os dois se enfrentaram em algumas ocasiões, principalmente no Grande Prêmio da Bélgica de 2017, quando um toque entre os dois na entrada da Eau Rouge espremeu Esteban contra o muro dos boxes. Ocon acusou Pérez de “tentar matá-lo”, enfurecendo os torcedores mexicanos, que passaram a ofendê-lo nas redes sociais. Alegando motivos de segurança, Esteban contratou seguranças armados para si e seus pais no Grande Prêmio do México daquele ano. Outro exemplo de atrito entre os dois foi no Grande Prêmio de Singapura, quando Pérez bateu em Ocon, tirando-o da prova.

Atrito entre Pérez e Ocon no Grande Prêmio da Bélgica de 2017. Ocon acusou Pérez de tentar matá-lo

4- Início da crise: a falência da Force India

Em 2018, o dono da Force India, Vijay Mallya, passou a ser investigado pelas autoridades indianas por suspeita de corrupção. A justiça britânica já negociava sua deportação para a Índia. Com as contas no vermelho e a confiabilidade baixa, a escuderia iniciou o processo de falência. Segundo informações de Mariana Becker, jornalista da Rede Globo, um empresário americano e um russo estavam interessados em comprá-la, mas não se chegou a um acordo.

Vendo uma oportunidade de investimento, Lawrence Stroll montou um consórcio de empresários e comprou a Force India, com Mallya assumindo qualquer pendência relativa ao período de sua gestão, inclusive o processo que Sergio Pérez moveu contra a equipe. O filho de Stroll, Lance, que havia feito uma boa temporada com a Williams em 2017 (conseguindo um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes), sofria com um carro nada competitivo na escuderia inglesa. Especulava-se que quando Lawrence comprasse a equipe, Lance se transferiria para ela.

Matéria do jornal Independent, que menciona os 405 empregos salvos por Lawrence Stroll

Como explicado no começo dessa matéria, a Fórmula 1 precisa que os pilotos tragam patrocínio para manter o esporte. Pérez traz o patrocínio de empresas como Telmex e Claro e do governo do estado de Jalisco, no México. Ocon, por sua vez, era bancado unicamente por Toto Wolff.

5- Tentativas de contrato com outras equipes

  • Mercedes: o padrinho acata a vontade de Niki Lauda

Segundo a imprensa, Toto Wolff havia dado conselhos a Ocon antes do Grande Prêmio de Mônaco de 2018. Ele teria dito que, caso não dificultasse a ultrapassagem de Lewis Hamilton após o pit stop, Esteban assumiria a segunda vaga da Mercedes, já que o finlandês Valtteri Bottas tinha o desempenho bem inferior ao de Hamilton. Isso teria ocorrido bem antes da compra da Force India (que foi efetuada nas férias dos pilotos, antes do Grande Prêmio da Bélgica). Ocon facilitou a ultrapassagem do inglês em todas as corridas.

Ou seja, meses antes da Force India ir à falência e ser vendida, Esteban Ocon já estava cotado a deixar a equipe. Porém, o então conselheiro da Mercedes, o tricampeão Niki Lauda, recomendou a Wolff que desse mais uma chance a Bottas. O chefe de equipe acatou o pedido e renovou o contrato do finlandês por mais um ano. Caso Ocon deixasse a Force India, o que era o mais provável por não trazer os mesmos benefícios que Pérez, Wolff teria de se esforçar para encaixar seu pupilo em uma escuderia nova.

  • Renault

Em 2018, a equipe francesa contava com o espanhol Carlos Sainz Jr. e com o alemão Nico Hülkenberg. O primeiro foi chamado para substituir Fernando Alonso na McLaren depois que o bicampeão anunciou sua aposentadoria. O segundo teve seu contrato renovado. Com isso, a Renault tinha uma vaga disponível para 2019. Segundo a imprensa, Toto Wolff negociava a transferência de Ocon para essa escuderia, pois o piloto não era vantajoso nem financeiramente, nem em termos de desempenho, já que seus resultados estavam abaixo dos de Pérez.

Porém, ninguém contava com uma reviravolta na Red Bull. O anúncio de que a equipe austríaca correria com o motor da Honda em 2019 desagradou um de seus pilotos, o australiano Daniel Ricciardo. Temendo passar por uma série de quebras como houve com a McLaren em 2016 e a Toro Rosso em 2017, Ricciardo optou por deixar a Red Bull e assinou contrato com a Renault, preenchendo a segunda vaga da equipe. Essa era a primeira porta que se fechava para Ocon.

  • McLaren

Insatisfeita com os resultados do belga Stoffel Vandoorne, a escuderia inglesa demitiu o piloto e chamou Carlos Sainz Jr. para substituir Fernando Alonso, que se aposentaria no final de 2018. Consequentemente, uma vaga também estaria disponível na McLaren. Fontes afirmam que Toto Wolff também contatou os britânicos para garantir uma vaga para Ocon. No entanto, a equipe optou por um jovem piloto inglês que estava há anos no programa de treinamento da escuderia. Seu nome era Lando Norris, filho de um empresário inglês bilionário. Com isso, uma segunda porta se fechou para Esteban Ocon.

  • Williams: o caso Lance Stroll

Se 2017 foi um ano glorioso para a equipe inglesa, pois o pódio de Lance Stroll lhe garantiu o quinto lugar no campeonato de construtoras, 2018 foi arruinado pela incompetência de seus engenheiros. Lawrence Stroll era um dos principais financiadores da equipe, juntamente com o banco SMP, que patrocinava o russo Sergey Sirotkin. A equipe de engenharia liderada pelo britânico Paddy Lowe falhava em criar um carro competitivo, com promessas de melhorias que eram sempre adiadas. Amargando nas últimas posições do grid, os pilotos eram acusados injustamente pelos problemas da equipe, por estarem em maior evidência.

Obviamente, Lance estava descontente com a incompetência da equipe e tratamento injusto por parte da imprensa e dos torcedores. Também era nítida a antipatia de Claire Williams, chefe de equipe e filha do fundador Frank Williams, pelo piloto canadense e o embate entre Claire e Lawrence criava um clima pesado na escuderia. Lembrando que era a segunda vez que a má gestão da família Williams levava a equipe a ficar nas mãos de um investidor de fora (Toto Wolff em 2009 e Lawrence Stroll em 2017). Lawrence percebeu que o investimento não valeria a pena e encontrou uma oportunidade na compra da Force India.

Embora seu pai tenha assumido como o novo dono da equipe, Lance não se transferiu para a escuderia. Esse é o primeiro argumento que rebate a acusação que caiu sobre o canadense: de que seu pai teria comprado a Force India para que o filho tivesse um assento melhor, mesmo que tivesse que sacrificar seu amigo. Se Lawrence fosse simplesmente um pai tentando agradar o filho, teria pago a rescisão de contrato de Ocon e colocado Lance no time imediatamente. Não foi o que aconteceu. Esteban permaneceu na equipe, agora com o nome de Racing Point Force India, até o final do ano.

Muitos esperavam que Lance e Esteban trocassem de equipe. Em outras palavras, Stroll iria para a Force India e Ocon para a Williams. Com o desempenho de Sirotkin abaixo do esperado e com a partida de Stroll, a escuderia inglesa teria duas vagas disponíveis. Toto Wolff entrou em ação, colocando seu pupilo em uma das vagas da Williams. Seu nome, GEORGE RUSSELL.

O jovem inglês era membro do programa de desenvolvimento de pilotos da Mercedes e atuava como terceiro piloto da equipe alemã. Há muito tempo ele esperava uma oportunidade na Fórmula 1. Wolff não deu explicações sobre porque optou por garantir um assento a um novato em vez do apadrinhado que estava ficando sem chances. Apenas alegou que Russell tinha qualificações para a vaga.

Ao mesmo tempo, especulava-se sobre a volta de Robert Kubica às pistas. O polonês estava afastado desde 2011, quando sofreu um grave acidente que deixou seu braço esquerdo lesionado. Seu empresário era ninguém menos do que o campeão de 2016, Nico Rosberg. O retorno Kubica era um investimento arriscado: sua equipe teria que gastar mais dinheiro para adaptar o carro a suas deficiências e não havia garantia de que seu desempenho seria bom. Rosberg alegava que empresas polonesas estariam dispostas a patrocinar o piloto e que os torcedores do país ansiavam pela volta de Kubica desde a aposentadoria do brasileiro Felipe Massa.

  • Toro Rosso: apadrinhado do Toto Wolff? Nem pensar!

A Toro Rosso passava por uma dança das cadeiras inigualável. Insatisfeita com os sucessivos acidentes de Daniil Kvyat, a equipe correu em 2018 com Pierre Gasly e Brendon Hartley. No entanto, o segundo também se envolveu numa série de colisões que irritaram os dirigentes da equipe italiana.

Com Hartley demitido e Gasly promovido para a Red Bull após a saída de Daniel Ricciardo para a Renault, havia duas vagas disponíveis. No entanto, dois fatores dificultavam as chances de Ocon. O primeiro é o fato da Toro Rosso ser uma equipe subordinada à Red Bull, e normalmente seus pilotos estão ligados a ela: ou são jovens do programa de treinamento ou foram rebaixados da escuderia. Esteban não tinha laços com a Red Bull. O segundo fator era a ligação de Ocon com Toto Wolff. O chefe de equipe, Franz Tost, chegou a afirmar que não queria pilotos ligados à Mercedes na equipe. Talvez a escuderia temesse um escândalo de espionagem como o da McLaren em 2007 ou que Ocon contasse para Wolff os segredos do time, que usava motores Honda.

6- A imagem de Esteban Ocon

  • Stroll é jogado na fogueira; Ocon demora a socorrer o amigo

Lance Stroll estreou pela Fórmula 1 em 2017 pela Williams, aos 18 anos, no Grande Prêmio da Austrália. Três abandonos sucessivos e acidentes nos treinos livres fizeram a imprensa e os torcedores esquecerem de seus feitos na Fórmula 3 Europeia (como seu título e recorde) e o considerarem um “piloto pagante”. Essa fama injusta acompanhou Lance até seu terceiro lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, no qual quebrou o recorde de “mais jovem estreante a ter pódio”. Ocon até então não tinha pódio, mesmo com um carro superior, e assim permaneceu até o fim de sua carreira.

Com os problemas enfrentados pela Williams em 2018, a fama de “piloto pagante” voltou a pairar sobre Stroll, principalmente porque a mídia atribuía aos pilotos a culpa pelo mau rendimento do carro, mesmo isto sendo responsabilidade dos engenheiros. Quando seu pai, Lawrence Stroll, comprou a Force India na segunda metade do ano, salvando o emprego de 405 trabalhadores, os fãs de Esteban Ocon, envolvidos por uma raiva mortal, passaram a atacar Lance em suas redes sociais com as ofensas mais terríveis possíveis, algumas inclusive de teor racial. Pouco se falou dos empregos salvos, ou das vantagens que Pérez e Stroll trariam à equipe, ou que a falta de patrocínio e resultados de Ocon o atrapalhou na questão. Alguns simplesmente não admitiam que um piloto canadense judeu descendente de indígenas que possuía um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes substituísse um piloto branco de origem europeia sem pódios e sem recordes.

Mas o mais surpreendente nesse caso foi a reação de Esteban Ocon. A Force India foi comprada em agosto de 2018. Ocon só se manifestou sobre os ataques a Lance em setembro de 2018. Em um mês, a mídia e os torcedores tiveram tempo suficiente para lançar boatos caluniosos sobre o canadense, enquanto que seu amigo desde a época da Fórmula 3 assistia a tudo calado. Ocon classificou os ataques como “irracionais” e lançou um stories em seu Instagram no qual ressaltava sua amizade com Stroll apesar de suas “origens diferentes”. Por que Ocon demorou um mês para acudir o amigo que sofria uma das mais baixas campanhas de difamação na história da Fórmula 1? Por que Ocon ressaltou diferenças nas “origens” de ambos, sendo que Stroll sofria ofensas raciais e ataques por ser rico (coisa que 99,9% dos pilotos é)?

Postagem no Instagram de Ocon defendendo Stroll um mês depois
  • Batida em Verstappen no Grande Prêmio do Brasil; a martelada final

Com 99,9% das vagas indisponíveis para Ocon, suas chances de permanecer na Fórmula 1 estavam cada vez mais escassas. No dia 11 de novembro de 2018, ocorreu o Grande Prêmio do Brasil, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Embora Lewis Hamilton tenha obtido a pole position, Max Verstappen conseguiu a liderança da prova e caminhava rumo à vitória. Esteban era o 16º e saía dos boxes quando acelerou e ignorou a bandeira azul, chocando-se contra Verstappen. Os dois pilotos saíram temporariamente da pista, possibilitando a ultrapassagem de Hamilton. Verstappen voltou em segundo lugar, com danos no carro. Ocon foi punido com 10 segundos de stop-and-go. A vitória de Hamilton estava na conta desse incidente.

Depois da cerimônia do pódio, Verstappen procurou Ocon para esclarecer a situação. Com um sorrisinho debochado no rosto, Esteban lhe respondeu que “estava mais rápido” e portanto tinha o direito de estar na frente mesmo com a bandeira azul.

Nota: Acreditem, há quem engula essa desculpa esfarrapada até hoje.

Verstappen ficou irado com o deboche e partiu para a agressão física, empurrando sucessivamente Ocon até que ambos foram separados. Max deixou a sala visivelmente irritado, enquanto que Esteban continuava rindo e caçoando do holandês. Depois, ele teve a coragem de dizer que “Max não agiu como homem”. Desrespeitar a bandeira azul, que obriga os retardatários a deixar os pilotos da frente passar, é coisa de homem? Caçoar da pessoa prejudicada em vez de assumir o erro e pedir desculpas é coisa de homem? Ver o amigo sendo vítima de difamação e ajudá-lo somente um mês depois é coisa de homem? Acusar o companheiro de equipe de tentativa de homicídio é coisa de homem?

Ocon caçoa de Verstappen após manobra que impediu sua vitória
  • Veredito: culpado por fidelidade máxima a Toto Wolff; Sentença: ficar sem vaga para 2019

A reação de Ocon ao choque com Max Verstappen gerou duas teorias para explicá-la: a primeira é um possível ressentimento de Esteban pela promoção de Max à Fórmula 1 em 2015, mesmo este sendo o terceiro colocado na Fórmula 3 Europeia de 2014 enquanto que o hispano-francês havia sido o campeão; a outra é a de que Ocon estaria passando uma mensagem a Toto Wolff de que ele seria um ótimo piloto para a equipe, já que suas ações inegavelmente garantiram a vitória de Lewis Hamilton.

Se por um lado essa imagem lhe traria benefícios com Wolff, ela rendeu a Ocon uma péssima reputação com as outras equipes. Esteban passou a ser visto como um agente leal ao chefe de equipe da Mercedes, e sua presença em outras escuderias poderia significar espionagem, traição e dupla-lealdade. Ocon não ganhou nada com o acidente com Verstappen: não pontuou, recebeu punição e teve a reputação manchada. Os únicos beneficiados com o acontecimento foram Hamilton, pela vitória, e Valtteri Bottas, que permanecia em quarto lugar no campeonato, à frente de Verstappen. Mas isso não se manteve até o final, pois na última corrida do ano, em Abu Dhabi, Max conseguiu um terceiro lugar e tomou a posição de Bottas no campeonato, ficando a apenas três pontos do terceiro colocado, Kimi Raikkonen.

Depois do Grande Prêmio do Brasil, Claire Williams anunciou que a equipe britânica havia contratado Robert Kubica, encerrando todas as chances de Esteban continuar na categoria máxima do automobilismo. Wolff não teve outra alternativa a não ser colocá-lo como terceiro piloto da Mercedes.

7- Mitos e verdades

  • Mito: Stroll é o culpado pela saída de Ocon da Fórmula 1.

Stroll não assumiu a vaga logo após o pai ter comprado a Force India com a ajuda de um consórcio de empresários. Mesmo tendo condições de pagar uma rescisão de contrato, os novos donos da escuderia deixaram Ocon correr pela equipe até o final de seu contrato. Ocon também era cotado para sair da equipe antes da compra. Pérez trazia vantagens para a equipe por ser o piloto com melhor desempenho e ainda trazer bons patrocinadores, coisa que Esteban não fazia. A escolha por Pérez foi baseada em oferta e demanda, uma regra de ouro do mercado.

Ocon tentou vagas em outras equipes, porém todas tiveram outros planos. A Renault optou por Daniel Ricciardo. A McLaren escolheu Lando Norris. A Mercedes renovou o contrato de Valtteri Bottas. A Toro Rosso contratou Alexander Albon e Daniil Kvyat (que tinha na época um pódio na carreira, um a mais que Esteban Ocon). Stroll não é mais culpado que Ricciardo, Norris, Pérez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell e Kubica pela saída de Ocon. Lembrando que Stroll tem um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes na carreira, competências que Ocon não tem. Culpar Stroll por estar na Fórmula 1 enquanto que Ocon está fora é a mesma coisa que culpar Ayrton Senna por ter mais títulos que Rubens Barrichello.

  • Verdade: a ligação com Toto Wolff diminuiu as oportunidades de Ocon na Fórmula 1

Os incontáveis elogios de Esteban ao chefe de equipe da Mercedes e a manobra para cima de Max Verstappen no Grande Prêmio do Brasil de 2018 comprovam que Ocon tem muita devoção a Toto Wolff, seu padrinho no esporte. As outras equipes temiam que um agente-duplo gerasse um escândalo de espionagem ou que seus segredos fossem vazados para a escuderia alemã.

Muitos podem pensar que, devido ao fato da Mercedes ter um dos melhores carros do grid (se não o melhor) ela não estaria interessada em informações sobre os outros times. Porém, as equipes sempre observam o desempenho de suas concorrentes (vide McLaren em 2007) em busca de melhorias e estratégias.

  • Mito: Ocon era um piloto de desempenho excelente e sua saída foi uma grande injustiça

Ocon foi superado por todos os seus companheiros de equipe durante sua carreira na Fórmula 1. Em seu ano de estreia, em 2016, ficou atrás de Pascal Werhlein nos resultados finais (embora ambos tivessem pontuação nula) por ter entrado na Fórmula 1 no meio do ano. Em 2017 e 2018 foi superado por Sergio Pérez, com 87 pontos contra 100 no primeiro ano e 49 contra 62 no segundo. Esse mito foi criado por jornalistas que, por motivos pessoais, focam em difamar Pérez, Stroll e Verstappen mais do que em elogiar Ocon por si. Os dados do piloto provam isso.

Em dois anos e meio de carreira, Ocon não conseguiu UM pódio, UMA largada da primeira fila, UMA pole position nem UM recorde, somando apenas 136 pontos. Comparando com outros pilotos da mesma faixa etária: Max Verstappen quebrou dois recordes em seu ano de estreia e mais quatro no ano seguinte, mesmo ano que obteve uma vitória, cinco pódios e uma largada da primeira fila; Lance Stroll conseguiu um pódio, três recordes e uma largada da primeira fila em seu ano de estreia; Charles Leclerc não obteve grandes resultados em seu ano de estreia, mas um ano depois conseguiu, até o presente momento, duas poles e cinco pódios. Lembrando que em seu ano de estreia, Ocon foi incapaz de pontuar.

  • Verdade: as escolhas de Ocon lhe renderam má fama no paddock

O caso do Grande Prêmio da Bélgica de 2017, no qual Esteban acusou Sergio Pérez de “tentar matá-lo”, é um dos exemplos da guerra de narrativas que o piloto travou em sua carreira. Pérez chegou a afirmar que Ocon gosta de se vitimizar e fazer seus rivais parecerem vilões. A teoria tem embasamentos.

Durante sua carreira, as escolhas de Ocon, sejam elas manobras nas corridas ou declarações à imprensa (incluindo a falta/demora delas), fizeram Pérez parecer um “piloto impulsivo que seria capaz inclusive de matar o colega de equipe”, Stroll parecer “um capitalista malvadão que compra assentos na Fórmula 1” e Verstappen parecer “um brigão descontrolado que agride seus adversários”. Todas essas figuras midiáticas acabaram por se voltar contra Esteban, que perante às demais equipes ficou com a imagem de “um piloto traiçoeiro e incompetente que não se dá bem com ninguém a não ser com Toto Wolff”. Com essa reputação, é difícil arrumar um assento na Fórmula 1 porque não se tem a confiança das escuderias.

8- Comparações entre Ocon e Wehrlein

Pascal Wehrlein entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Sauber, onde pontuou no Grande Prêmio da Espanha e no Grande Prêmio do Azerbaijão. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe, embora tenha superado seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, foi demitido da equipe para dar lugar a Charles Leclerc, protegido da Ferrari. Em 2018 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1. Como a promessa jamais foi cumprida, juntou-se à Ferrari como terceiro piloto e nunca mais foi visto nas pistas.

Esteban Ocon entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Force India, onde pontuou 18 vezes, porém terminou o campeonato com 13 pontos a menos que seu companheiro, Sergio Pérez, que o venceu em 2018 também. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe e com um desempenho inferior ao do companheiro, foi demitido. Em 2019 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1 (antes teria prometido a vaga de Bottas).

9- Conclusão

A saída de Esteban Ocon da Fórmula 1 em 2019 e sua incerteza para o futuro são frutos das péssimas escolhas que o piloto hispano-francês realizou durante a carreira. Deixando a gratidão a Toto Wolff lhe subir à cabeça, Ocon entregou seu futuro nas mãos do padrinho, que havia falhado em conseguir uma vaga para seu outro apadrinhado, Pascal Wehrlein. O péssimo relacionamento com Sergio Pérez, a demora em socorrer o amigo de longa data Lance Stroll enquanto este sofria difamação e a manobra para cima de Max Verstappen que possibilitou a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prêmio do Brasil de 2018 renderam a Esteban uma reputação manchada (de vitimista com dupla-lealdade) e desconfiança das outras equipes (que optaram pelas contratações de Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell e Robert Kubica). Seus resultados não foram suficientes para justificar seu merecimento à vaga na Racing Point, herdeira da Force India, e suas escolhas o afastaram das demais escuderias do grid. A imagem de “piloto excelente injustiçado pelos demais” não passa de uma invenção midiática de jornalistas mal intencionados cujos interesses focam mais em difamar Pérez, Stroll e Verstappen do que em exaltar os grandes feitos de Esteban na Fórmula 1, que até agora não se materializaram. Se Ocon tem chances de voltar à Fórmula 1? Tem, mas isso dependerá da estratégia adotada por Toto Wolff. No momento, a situação de Ocon está praticamente idêntica à de Wehrlein.

Esteban Ocon e Toto Wolff: o casamento mais problemático da Fórmula 1

 

10- Fontes

Fotos

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