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Quem é Lawrence Stroll? O Papai Famoso de Lance

O empresário Lawrence Stroll vem atraindo a atenção da mídia esportiva nos últimos anos devido a seus investimentos na Fórmula 1. Desde o ingresso de seu filho caçula Lance na categoria até a compra da equipe Force India (atual Racing Point e futura Aston Martin) o nome de Stroll desperta curiosidade em jornalistas e torcedores.

No entanto, muitas vezes os fãs da Fórmula 1 acabam por acreditar em boatos e ter falsas impressões a respeito do canadense, e com isso não percebem as verdadeiras intenções de seus detratores. Nesta matéria, vamos explicar quem é Lawrence Stroll através de fatos e mostrar para o apaixonado por automobilismo quem é o famoso “Papai Stroll”.

 

1- A origem dos Strolls

 

A família Stroll, cujo nome original é Strulovitch, tem origens na Rússia. Durante a era dos czares, os judeus foram intensamente perseguidos. Uma das políticas de Estado eram os pogroms: invasões de aldeias judaicas acompanhadas de saques, incêndios e mortes. Logo, muitos judeus tinham esperança em novos tempos com as revoluções de 1917 (inclusive, alguns líderes dos movimentos contra o czar Nicolau II, como Leon Trotsky, eram judeus). No entanto, o período soviético não trouxe paz para esta comunidade, sobretudo no regime de Josef Stalin. As perseguições não apenas continuaram, como se intensificaram.

Com isso, muitos judeus fugiram da Rússia rumo a países democráticos. Uma grande parte fugiu para as Américas. Foi o caso de Leo Strulovitch. Recomeçando a vida no Novo Continente, Strulovitch e sua esposa Sandra (nascida no Canadá) tiveram dois filhos: Lawrence e Randy. O jovem Lawrence cresceu observando seu pai, que trabalhava como comerciante de roupas (tornando-se investidor anos depois, introduzindo a linha feminina da Pierre Cardin e a marca Ralph Lauren no Canadá), e decidiu seguir seus passos. Estudou, trabalhou, montou seus primeiros negócios, e alguns anos depois começou seus primeiros investimentos.

 

Lawrence Stroll e seu sócio Silas Chou. [1]

 

Lawrence Stroll é apontado como o responsável pela popularização da marca Polo Ralph Lauren no continente europeu e da expansão da Michael Kors no mercado. Em 1989, Stroll e seu sócio Silas Chou fundaram a Sportswear Holdings Limited, uma das maiores empresas do setor da moda de toda a história, como apontado pelo jornalista espanhol Jaime Cevallos. A companhia permitiu a popularização da marca Tommy Hilfiger, que conquistou um grande espaço no setor têxtil. Na década de 2000, Stroll e Chou viram algumas marcas que receberam seus investimentos, como a Michael Kors, entrar na Bolsa de Valores. A compra e venda de ações renderam uma boa fortuna aos empresários.

Em agosto de 1994, Stroll se casou com a estilista belga Claire-Anne Callens. Em 11 de março do ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal: Chloe. O segundo filho, Lance, nasceu em 29 de outubro de 1998. Dona da grife Callens, Claire-Anne administra seus negócios sozinha, e suas lojas se encontram em muitas cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá.

 

Claire-Anne Callens: estilista belga e esposa de Lawrence Stroll. [2]

 

2- Lawrence Stroll e o esporte: uma interação antiga

 

No documentário W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll relata que participou do Ferrari Challenge, uma competição feita por colecionadores que possuem o modelo Ferrari 348, por volta de seus 30 anos e continuou durante a infância de seus filhos, que eram levados para ver o pai no evento. Esta foi a primeira inserção de Stroll no mundo esportivo, muito antes de Lance pensar em ser piloto de Fórmula 1. Logo, cai por terra o primeiro mito sobre o empresário: de que ele só teria entrado no ramo do automobilismo porque seu filho queria ser piloto.

Assim como Lawrence adquiriu gosto pela moda ao observar o trabalho de seu pai Leo, Lance Stroll compartilha o amor pelo esporte com seu pai. O automobilismo é uma das categorias esportivas mais caras que existem devido ao custo de sua mão de obra e materiais. Consequentemente, é necessário que haja um suporte financeiro na carreira dos atletas, tornando impossível o ingresso de pilotos sem investimentos desde às categorias de base até as mais altas. Possuidor de uma fortuna decorrente de seus negócios no ramo têxtil, Lawrence Stroll foi um dos apoiadores do filho em seu caminho no esporte.

 

Lawrence Stroll no Ferrari Challenge com seus filhos. [3]

 

A formação de um piloto requer investimento e desempenho atlético. Neste caso, pouco importa se o patrocínio vem de sua família ou não. Um piloto talentoso sem um bom investimento não consegue ajudar nas contas da equipe, enquanto que um atleta sem aptidão não alcança bons resultados que se traduzem em ganhos financeiros para a escuderia. Com esses obstáculos, é quase impossível um piloto chegar à categoria máxima do automobilismo mundial apenas com aparato financeiro e com um desempenho frustrante. Atletas assim normalmente abandonam suas carreiras em etapas mais baixas, como o kart. Ainda, de acordo com Nuno Sousa Pinto, diretor esportivo, a própria FIA dificultou ainda mais o ingresso de pilotos cujos desempenhos não justificariam os investimentos em suas carreiras (os famosos “pilotos pagantes”): a partir de 2016, para entrar na Fórmula 1 seria preciso marcar 40 pontos na Superlicença.

 

3- Lance e Lawrence: pai e filho na Fórmula 1

 

Sendo campeão da Fórmula 4 Italiana em 2014 (o primeiro da categoria), da Toyota Racing Series em 2015, e da Fórmula 3 Europeia em 2016, Lance Stroll obteve os pontos necessários na Superlicença para ingressar na Fórmula 1 em 2017 pela equipe Williams. Nuno Sousa Pinto aponta que o currículo de Stroll é mais impressionante do que de muitos atletas jovens que também chegaram à Fórmula 1, e que apesar destes também virem de famílias ricas não são criticados pela imprensa. Isto revela que, infelizmente, alguns jornalistas deixam as preferências pessoais se sobressair ao profissionalismo esperado e espalham desinformação, ignorando um dos princípios mais importantes do jornalismo: a ética.

Os atletas têm um tempo de adaptação à categoria em que atuam. As críticas a Lance Stroll logo durante a pré-temporada foram, do ponto de vista jornalístico, precipitadas. Isso se comprovou ainda no primeiro semestre de 2017, quando Stroll marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio do Canadá e teve seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Azerbaijão, quebrando seu primeiro recorde: mais jovem estreante a ter pódio. Um piloto “pagante” jamais conseguiria resultados tão impressionantes, pois não teria aptidão para o esporte, apenas aporte financeiro. No Grande Prêmio da Itália, Stroll quebrou o recorde de mais jovem piloto a largar da primeira fila, comprovando seu potencial e talento para o automobilismo.

 

Pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017. [4]

 

Em uma entrevista para a emissora canadense RDS em agosto de 2018, Lance Stroll afirmou que seu pai é um homem de negócios, e que investe em empreendimentos que ele tem a certeza de que darão certo. Portanto, o interesse de Lawrence Stroll em escuderias, desde a Prema Powerteam à Racing Point, vai muito além de uma interação com seu filho: trata-se de oportunidades de bons investimentos.

Vale a pena ressaltar que os únicos pilotos do grid de 2020 que vieram de famílias mais humildes são Esteban Ocon e Valtteri Bottas. Todos os demais provém de família com boas condições financeiras: alguns de classe média como Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen, outros de classes mais abastadas. No entanto, todos, sem exceção, possuem aporte financeiro, seja de suas famílias, de empresas ou até de ambos. Alguns pilotos são filhos de empresários (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, etc.), que atuam em diferentes nichos (moda, investimentos, automóveis, engenharia, entre outros). Outros são filhos de atletas (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., Pierre Gasly), logo também têm condições privilegiadas desde o nascimento. A origem do piloto não interfere em seu desempenho pois, como definiu Lawrence Stroll, os pais não dirigem o carro pelos filhos.

 

4- Os rumores: noticiando antes de saber a verdade

 

Em 2018, quando a Force India foi vendida para o consórcio liderado por Lawrence Stroll (formado também por Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman e Andre Desmarais), especulava-se que Lance se mudaria para a equipe imediatamente, já que falhas contínuas do departamento de engenharia da Williams comprometeram o desempenho de seus carros. Com a saída de Esteban Ocon do time, no final daquele ano, os fãs do piloto francês e alguns jornalistas imediatamente jogaram a culpa nos Strolls, como se o futuro de Ocon já estivesse garantido antes da venda da escuderia.

Na verdade, como relatou Joas van Wingerden, Toto Wolff já cogitava tirar seu apadrinhado da Force India. As negociações falharam porque os laços entre Ocon e Wolff eram vistos com desconfiança pelas outras equipes, como afirmado por Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. Este fato se comprovou em 2019, quando Ocon desfez seus vínculos com Wolff para conseguir uma oportunidade de voltar à Fórmula 1 pela Renault.

Na época da compra da Force India, Sergio Pérez era mais atrativo para os investidores do que Esteban Ocon devido a sua consistência em pontuação e patrocinadores. Isso, somado às pretenções do empresário do piloto francês, garantiu que o mexicano fosse a melhor opção para correr ao lado de Lance Stroll. Além disso, o canadense apresentava boas perspectivas de futuro, devido aos investimentos e seus feitos no ano de estreia.

 

Lance Stroll e Sergio Pérez na Racing Point. [5]

 

Em 2020 ocorreu uma situação parecida. Sebastian Vettel não teve seu contrato com a Ferrari renovado pois seu trabalho não estava atendendo às expectativas do time. Os donos da Racing Point cogitaram contratá-lo em razão de seu passado como tetracampeão e de seu investimento financeiro. Embora parecesse óbvio que Lance Stroll não seria o escolhido para dar sua vaga a Vettel, isso não se deve simplesmente ao fato de ele ser filho de um dos donos. Existem de fato empresas que priorizam laços familiares e se os membros não são preparados para assumir as responsabilidades o negócio acaba por falir. Mas este não é o caso que se observa em Lawrence Stroll: o sucesso de seus investimentos se deve ao cuidado nas decisões.

Isso significa que laços familiares não são o fator decisivo para escolhas como esta. O que se discutia era qual dos dois pilotos, Stroll ou Pérez, teria mais chances de trazer os resultados que a equipe pretende alcançar em 2021. Ambos têm boas conquistas, diferindo no tempo de carreira na Fórmula 1: Pérez tem 10 e Stroll tem quatro. Em termos técnicos, os dois podem ser considerados pilotos experientes, mas o mexicano teria mais chances de se aposentar mais cedo, pois já tem 30 anos e está há uma década na Fórmula 1. Tendo ambos bons patrocínios, os investidores esportivos encontram mais perspectivas em atletas jovens, como é o caso de Stroll.

Percebe-se que os negócios envolvem questões muito mais profundas do que apenas laços de parentesco. O investimento na Fórmula 1 é de alto risco e, portanto, as decisões exigem cautela. É claro que a inconstância de narrativas na divulgação dos acontecimentos na Racing Point não facilitou a compreensão dos fatos, e quem não entende bem como funcionam os negócios pode impetuosamente julgar que se trata de um caso de pai protegendo o filho. Por isso se deve analisar friamente os fatos para divulgar as informações corretamente.

 

5- Conclusão

 

Esta é a história de Lawrence Stroll: um homem que construiu sua fortuna com investimentos e empreendedorismo, um trabalho que exige muito empenho e cautela. Se você esperava o estereótipo de um rico herdeiro de um grande capital, casado com uma socialite e com um filho boa vida, procure outra pessoa. Talvez você encontre algum pai de piloto com esse perfil, mas esse definitivamente não é Lawrence Stroll.

 

Atualização (09/10/2020): Como revelado por Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), Sebastian Vettel havia comprado ações da Aston Martin antes de assinar o contrato com a equipe. Logo, este fato reforça o que dizemos neste artigo: a contratação de Vettel em vez da renovação de contrato de Sergio Pérez foi feita com base em negócios, não em privilégio de Lance Stroll por ser filho do dono.

 

Bibliografia

 

 

Fotos

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Who’s Lawrence Stroll? Lance’s Famous Daddy

Businessman Lawrence Stroll has been attracting the attention of sports media in recent years due to his investments in Formula One. From the entry of his youngest son Lance into the category to the purchase of the Force India team (now Racing Point and future Aston Martin), the Stroll name arouses curiosity in journalists and fans.

However, Formula One fans often end up believing in rumors and having false impressions about the Canadian. Consequently, they do not realize the true intentions of his detractors. In this article, we will explain who is Lawrence Stroll through facts and show to the motorsports lovers who is famous Daddy Stroll.

 

1- The origin of the Strolls

 

The Stroll family, whose original name is Strulovitch, has origins in Russia. During the tsar era, there was intense persecution of Jews. One of the state policies was the pogroms: invasions of Jewish villages accompanied by raids, fires, and deaths. Soon, many Jews had hoped for new times with the revolutions of 1917 (including some leaders of the movements against Tsar Nicholas II, such as Leon Trotsky, were Jews). However, the Communist period did not bring peace to this community, especially in the regime of Josef Stalin. The persecutions not only continued but intensified.

As a part, many Jews fled Russia for democratic countries. A large part fled to the Americas. It was the case of Leo Strulovitch. Resuming life on the New Continent, Strulovitch and his wife Sandra (born in Canada) had two children: Lawrence and Randy. Lawrence decided to follow in the footsteps of his father, a clothing merchant who, years later, became an investor and introduced Ralph Lauren and Pierre Cardin’s feminine line in Canada. He studied, worked, set up his first businesses, and started his initial investments a few years later.

 

Lawrence Stroll and his partner Silas Chou. [1]

 

Specialists point Lawrence Stroll as responsible for the popularization of the Polo Ralph Lauren brand in the European continent and the expansion of Michael Kors in the market. In 1989, Stroll and his partner Silas Chou founded Sportswear Holdings Limited, one of the largest companies in the fashion industry in history, as pointed out by Spanish journalist Jaime Cevallos. The company allowed the popularization of the Tommy Hilfiger brand, which gained a large space in the textile sector. In the 2000s, Stroll and Chou saw some brands that received their investments entered the Stock Exchange, like Michael Kors. The purchase and sale of shares earned a good fortune to entrepreneurs.

In August 1994, Stroll married Belgian fashion designer Claire-Anne Callens; On March 11 of the following year, their first daughter Chloe was born. Their second son, Lance, was born on October 29, 1998. Owner of the Callens brand, Claire-Anne runs her business alone, and her stores are in many cities in Europe, the United States, and Canada.

 

Belgian fashin designer Claire-Anne Callens, Lawrence Stroll’s wife. [2]

 

2- Lawrence Stroll and sport: an ancient interaction

 

In the documentary W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll reports that he raced in the Ferrari Challenge, a competition made by collectors who own the Ferrari model 348, around his 30 years and continued during the childhood of his children, who used to see their father at the event. That was the first insertion of Stroll into the sporting world, long before Lance thought about being a Formula One driver. Soon, the first myth about the entrepreneur falls apart: that he would only have entered the motorsport business because his son wanted to be a driver.

Just as Lawrence acquired a taste for fashion by observing the work of his father Leo, Lance Stroll shares a love of the sport with his father. Motorsport is one of the most expensive sports categories that exist due to the cost of your labor and materials. Consequently, it is necessary to have financial support in the career of athletes, making it impossible for drivers without investments to enter from the basic categories to the highest. Possessing a fortune stemming from his textile business, Lawrence Stroll was one of his son’s supporters on his way into the sport.

 

Lawrence Stroll at the Ferrari challenge with his children. [3]

 

The training of a driver requires investment and athletic performance. In this case, it does not matter if the sponsorship comes from your family or not. A talented driver without a good investment cannot help the team’s budget, and an athlete without aptitude does not achieve impressive results that translate into financial gains for the team. With these obstacles, it is almost impossible for a driver to reach the top category of world motorsport with only financial and frustrating performance. Athletes like this usually abandon their careers in lower stages, such as karting. Also, according to Nuno Sousa Pinto, sports director, the FIA itself made it even more difficult for drivers whose performances would not justify investments in their careers (the famous pay drivers): from 2016, to enter Formula One, they would have to score 40 points in the Super license.

 

3- Lance and Lawrence: father and son in Formula One

 

As the 2014 Italian Formula 4 champion (the first in the category), the Toyota Racing Series in 2015, and European Formula Three in 2016, Lance Stroll earned the points needed in the Super license to join Formula 1 in 2017 for the Williams team. Nuno Sousa Pinto points out that Stroll’s curriculum is more impressive than that of many young athletes who also entered Formula One and, even though having wealthy families, do not receive criticism;

It reveals that, unfortunately, some journalists let personal preferences stand out from the expected professionalism and spread misinformation, ignoring one of the main principles of journalism: ethics.

Athletes need time to adapt to the category in which they work. The criticism of Lance Stroll during the pre-season was, from a journalistic point of view, hasty. The first half of 2017 confirmed it, as Stroll scored his first points at the Canadian Grand Prix and finished third at the Azerbaijan Grand Prix, breaking his first record: youngest rookie to score a podium;

A pay driver would never get such impressive results because he would not have an aptitude for the sport, only financial contribution. At the Italian Grand Prix, Stroll broke the record for the youngest driver to start from the front row, proving his potential and talent for motorsport.

 

2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium. [4]

 

In an interview with Canadian broadcaster RDS in 2018, Lance Stroll stated that his father is a businessman and that he invests in ventures that he is sure will work. Therefore, Lawrence Stroll’s interest in teams, from Prema Powerteam to Racing Point, goes far beyond interaction with his son: these are opportunities for high investments.

It is worth noting that the only drivers on the 2020 grid who came from more humble families are Esteban Ocon and Valtteri Bottas. Everyone else comes from families with high financial conditions: some from the middle class like Lewis Hamilton and Kimi Raikkonen, others from more affluent classes. However, all, without exception, have financial contributions, whether from their families, companies, or even both.

Some drivers were born to entrepreneurs (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, and Sebastian Vettel) who work in different areas such as fashion, investments, automobiles, engineering, among others;

Others are children of athletes (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., and Pierre Gasly), soon also have privileged conditions since birth. The driver’s origin does not interfere with his performance because, as Lawrence Stroll defined, parents do not drive the car for their children.

 

4- The rumors: reporting before knowing the truth

 

In 2018, with Force India sale to the consortium led by Lawrence Stroll (also formed by Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman, and Andre Desmarais), the media speculated that Lance would move to the team immediately, as the engineering department of Williams failed in making a competitive car;

When Esteban Ocon left the team after the season, his fans and some journalists immediately blamed the Strolls, as if the French driver had his situation already assured before the sale of the team;

However, as Joas van Wingerden reported, Toto Wolff was already considering taking his patron from Force India. The negotiations failed because the ties between Ocon and Wolff were viewed with suspicion by the other teams, as stated by Christian Horner, the team principal of Red Bull. That was proved in 2019 when Ocon undid his ties with Wolff to get an opportunity to return to Formula One for Renault.

At the time of the purchase of Force India, Sergio Pérez was more attractive to investors than Esteban Ocon due to his consistency in scoring and sponsors. That, added to the intentions of the French driver manager, ensured that the Mexican was the best option to race alongside Lance Stroll. Also, the Canadian presented good prospects for the next seasons due to investments and his achievements in the debut year.

 

Lance Stroll and Sergio Pérez at Racing Point. [5]

 

In 2020 there was a similar situation. Sebastian Vettel did not have his contract with Ferrari renewed because his work was not meeting their expectations. Racing Point owners considered contracting him because of his past as a four-time champion and his financial investment. Although it seemed apparent that the team would not choose Lance Stroll to give Vettel his seat, this is not just because he is the son of one of the owners. There are indeed companies that prioritize family ties and, if their members are not prepared to take this kind of responsibility, the business ends up going bankrupt. But this is not the case observed in Lawrence Stroll: the success of his investments is due to care in decisions.

That means that family ties are not the deciding factor for choices like this. What was discussed was which of the two drivers, Stroll or Pérez, would have more chances to bring the results that the team intends to achieve in 2021. Both have impressive achievements, differing in career time in Formula One: Pérez has ten, and Stroll has four. In technical terms, the two can be considered experienced drivers. However, the Mexican is more likely to retire early, as he is 30 years old and is in Formula One for a decade. Having both good sponsorships, sports investors find more prospects in young athletes, such as Stroll.

It perceives that business involves much deeper issues than just kinship ties. Investment in Formula One is high risk and therefore, decisions require caution. Of course, the inconstant narratives of Racing Point difficulted the understanding of the facts, so laypeople in business can judge this is a case of a father protecting his son. That is why one must coldly analyze the facts to disclose the information correctly.

 

5- Conclusion

 

That is the story of Lawrence Stroll: a man who built his fortune with investment and entrepreneurship, works that require a lot of commitment and caution. If you expected the stereotype of a wealthy heir to large capital, married to a socialite and a playboy child, look for someone else. Maybe you will find a driver’s father with that profile, but that is definitely not Lawrence Stroll.

 

Update (October 9th, 2020): As revealed by Adam Cooper in the website Motorsport (check here), Sebastian Vettel bought shares in Aston Martin before signing his contract. It proves what was said here: the hiring of Vettel instead of the renewal of Sergio Pérez was due to business, not a priviledge of Lance Stroll for being the son of the owner.

 

Bibliography

 

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Nota de repúdio | Rejection motion

O The Racing Track repudia os recentes ataques da mídia e de torcedores rivais contra Lance Stroll e seu pai, o empresário Lawrence Stroll (relatados pelo próprio piloto), devido à decisão da Racing Point de correr em 2021 com Sebastian Vettel em vez de Sergio Pérez. O papel de um jornalista é noticiar os fatos e suas opiniões devem ser embasadas em informações concretas, não em boatos.

Devido às contradições no anúncio da saída de Pérez do time, Lawrence Stroll foi acusado mais uma vez de beneficiar o filho indevidamente. Fomos informados que alguns veículos de imprensa chegaram até a acusar o empresário de ser um “boa vida”. Tal afirmação está completamente equivocada, pois Stroll trabalhou duro para construir suas empresas e mantê-las em bom funcionamento. Um de seus sócios, Silas Chou, diz que o canadense tem um “toque de ouro” para os negócios. É desonesto afirmar que Stroll não era conhecido antes de seu filho entrar na Fórmula 1, pois esta visão ignora os setores que o empresário é reconhecido, como moda e empreendedorismo. Suas posses, como iates e jatos, são investimentos e frutos de seu trabalho, tornando inválido qualquer descontentamento de terceiros em relação a eles.

Lance Stroll não deve ser lembrado apenas como o filho do dono da Racing Point, pois o mesmo teve boas conquistas em seus poucos anos de carreira: no ano de estreia teve um pódio, uma largada da primeira fila e quebrou dois recordes, ganhando prêmios e reconhecimento da própria Fórmula 1, que chamou sua atuação de “histórica” (cheque aqui). Em 2020, está à frente de Pérez no campeonato. Se Stroll não tivesse talento para o automobilismo, não conseguiria boas pontuações mesmo com a ausência do companheiro devido à Covid-19.

A contratação de Sebastian Vettel pela escuderia foi devido a critérios técnicos e financeiros. O time tem confiança de que o tetracampeão será um bom investimento. Vale lembrar que Sergio Pérez, embora seja um ótimo piloto, já tem 30 anos, uma idade considerada avançada para atletas. Em termos de negócios, é mais atrativo investir em um piloto jovem do que em um de 30 anos. Trata-se dos riscos de investimentos, que estão muito além de relações de amizade ou de parentesco.

Temos ciência de que a imprensa também tem seu papel crítico, e que as ações da Racing Point estavam sujeitas a isto. No entanto, nunca se deve omitir ou deturpar fatos em nome de uma narrativa. Lembramos que atitudes como esta podem refletir más intenções, como o assassinato de reputação e antissemitismo (já que um dos boatos que os judeus enfrentam há séculos é o de que eles controlam as finanças mundiais, e a imprensa não reagiu com a mesma intensidade à decisão da Sauber em 2018 de demitir Pascal Wehrlein em vez de Marcus Ericsson para contratar Charles Leclerc, mesmo Wehrlein tendo melhores resultados que Ericsson).

Nos solidarizamos com a família Stroll e esperamos que episódios lamentáveis como este não voltem a ocorrer.

The Lance Stroll Case: An Amerindian in Formula One

 

Updated on September 1st, 2020

Revised on September 4th and 5th, 2020

 

Abstract: It is not racism to not support Lance Stroll, but it is when they deny his talent and praise White drivers with fewer deeds.

 

Canadian driver Lance Stroll is periodically subject to sports news and comments from Formula One fans. Unfortunately, most of them are offensive and discharge abnormal hate against an innocent boy (who did nothing to his detractors, who do not even know him personally). Several hypotheses are raised about the origin of this hatred: envy for the Stroll family fortune, fanaticism for rival drivers, ignorance about who Lance is, among others. But only one is closer to the truth: racism against indigenous peoples.

Some haters remember his mother is Belgian, while others say his skin is lighter. Such phrases relate to how much current society is unaware of the indigenous peoples of the Americas. In this article, we will prove the anger many netizens (and even press members) have about Lance Stroll is nothing more than the desire for an all-white sport.

 

1- An Amerindian driver in Formula One

 

Born in Montreal on October 29th, 1998, Lance Stroll is the second child of businessman Lawrence Stroll and fashion designer Claire-Anne Callens. Lance is of Russian-Jewish and Inuit (native people of Canada, including Quebec, the homeland of the Strolls) descent by his father’s side, and from Belgian and English descent by his mother’s side. Lawrence Stroll is the son of a Russian-Jewish immigrant father and a Canadian mother, has reddish skin, straight, thick hair, and slightly slanted eyes. Claire-Anne Callens has white skin and blue eyes. The result of miscegenation is noted in the couple’s children: Chloe, the eldest child, has her mother’s eyes, but her father’s face shape; Lance, the youngest child, has his mother’s face shape, but his father’s slightly slanted brown eyes and dark, straight, thick hair. Lance’s skin is lighter than Lawrence’s and redder than Claire’s.

 

The Strolls. From right to left: Claire-Anne (mother), Lance (son), Lawrence (father), and Chloe (daughter). (Photo: Thill Arthur / ATP) [1]

 

In the Americas, due to past colonization, slavery, and immigration, miscegenation is inevitable; it is no different in Canada, where Native peoples had contact with Europeans (white-skinned) and Africans (black-skinned);

When two people of different skin colors have children, these ones are called mixed-race. In Brazil, for example, mixed-race people receive names according to their origins. The children of a Black parent and a White one are called mulatos; those born to a Native parent and a Black one are called cafusos; children of a White parent and a Native one (such as Stroll) are called caboclos or mamelucos;

In genetics, there is a high probability that mixed-race people with white ancestors to have white children when they marry white people. In the nineteenth century, the United States banned interracial marriages. However, the Brazilian government encouraged marriage to whites to “whiten” future generations.

Having a lighter skin tone than their ancestors does not nullify mixed-race person origins. The Caboclos maintain their Amerindian origins even with their skin lighter than an ‘Indian’ one. They are of both Amerindian and European descent. Lance Stroll fits in this case.

 

Physical characteristics of Lance Stroll that prove his Amerindian origin. [2]

 

2- How the European people describe the Amerindians

 

Formula One was created in the 1950s. It was not even a decade since the fall of the Nazi-fascist regimes in Europe. These ones were characterized by intense state repression and persecution of minority ethnic groups (mainly Jews) under racial pretenses. Since the nineteenth century, with the formulation of social Darwinism, schools and intellectuals in Europe have taught that races are organized into a hierarchy. Then, the European-whites are considered superior to the others and the mixed-races inferior to all the so-called pure races.

Some anthropologists such as Edward Tylor used to defend that theory and to claim the social evolutionism, a hierarchy between cultures; Even with efforts by others, such as Franz Boas, in showing that it is not possible; European society was convinced about its advantage;

However, this phenomenon has older origins. Since the colonization of the Americas by nations of Europe, various power-holding groups have launched propaganda to support the colonizing process; In Brazil, for example, after the death of Bishop Pedro Fernandes Sardinha (who would have been devoured by anthropophagous Amerindians) in the 16th century, the Catholic Church promoted campaigns that treated Amerindians as animalistic, savage beings, to justify its catechizing campaigns and the Portuguese control; it led to catastrophic consequences and the extermination of the tribe accused of killing the bishop, the Caetés;

 

Image of the 1882 Brazilian Anthropological Exhibition, illustrating a Brazilian indigenous and an African slave being exhibited in Europe. Notice how Amerindians and blacks are portrayed in an animalistic way compared to whites. (Photo: National Museum of Rio de Janeiro) [3]

 

In the 1950s, the European population still did not understand what the native peoples of the Americas were like. Some decades earlier, in 1911, Scottish James Matthew Barrie released his most famous work, Peter Pan. In the story, a Native American tribe is portrayed as submissive to the protagonist;

It can be noted on the daughter of their chief: Princess Tiger Lily does everything for Peter, even his feelings for her not being the same he has for Wendy Darling, an English girl he brought to Neverland; In 1953, Walt Disney adapted the work into an animated film in which the natives take a larger role in the song What Makes the Red Man Red. In the scene, the tribe is made up of individuals standing in time, isolated from the rest of the world, and wearing the same clothes as their ancestors. The stereotype around Native American people has generated so much controversy for Disney that the studios chose to not include the characters in the sequel film Return to Neverland (2002).

 

Native American tribe from the movie Peter Pan (1953). (Photo: Disney) [4]

 

Since Amerindians lived only on the American continent, Europe had no interest in combating prejudice against them, let alone self-criticizing the interaction between Whites and Amerindians over the centuries. Even in countries of the Americas, the Natives were still marginalized and excluded from society. Only with the organization and struggle of these peoples, especially in the twentieth century, was the issue taken more seriously. On April 19th, 1940, the First Inter-American Indian Congress was held to promote the fight against racism and to pressure American countries to adopt policies to protect and guarantee indigenous rights. That is why in Argentina, Costa Rica, and Brazil, Indian Day is celebrated on April 19th.

Formula One aimed to encourage interest in the auto industry. At the time, consumers in this industry were White men. Women were forbidden to drive in many countries around the world, and Black and Amerindian people lived in segregation, rendering them unable to access vehicles. Therefore, the category focused on pleasing the European white male public, its consumer market. Due to this, Formula One was dominated by Europeans and their descendants for many years (Juan Manuel Fangio, Argentine driver who was the second champion of the category, was of Italian descent).

 

3- Revson and Hamilton: breaking the hegemony

 

In 1964, American Peter Revson debuted as the first Jew in the category, breaking years of European white rule in Formula One. It is worth remembering that the Jewish people have been persecuted since ancient times and were the majority group among Holocaust victims. Previously, they had suffered invasions of its lands by Assyrians, Persians, Greeks, and Romans, inquisitions by the Catholic Church, pogroms in the Russian Empire, and many other policies of segregation and extermination); Besides this, though a quarter of the Jews has white skin like Revson, racial theories do not consider they as White because they originate in the Middle East; then, White supremacy groups persecute them;

Revson drove for ten years with Revson Racing, Reg Parnell, Tyrell, McLaren, and Shadow Racing. He won two races, got eight podiums, scored 14 times, and accumulated 61 points throughout his career. He died in a training accident for the 1974 South African Grand Prix.

Forty-three years later, in 2007, the first Black Formula One driver, British Lewis Hamilton, debuted. Son of a White mother and Black father born to Caribbean immigrants, Hamilton joined McLaren to race alongside Spanish Fernando Alonso. Early at pre-season training sessions, he suffered racial offenses by Alonso’s fans, who called him a monkey. Some people say the reason behind the insults was not racial but sporting because Alonso’s fans loved the Spanish driver. But if so, wouldn’t it be more logical to call Hamilton a loser or to say that Alonso would finish him off? Calling him a monkey, an offense historically associated with Black people proves that Spanish fans’ hatred of Hamilton was, indeed, racism.

Hamilton started the year with a podium, got his first win, and became runner-up in 2007. The following year, he was still champion with McLaren. But even with his brilliant results, the Englishman was still not free from racial persecution. At the 2011 Monaco Grand Prix, the stewards punished Hamilton for a collision with Felipe Massa, a Brazilian driver of Italian descent. He questioned the punishment and accused the stewards of taking a decision based on the drivers’ skin color, as Massa was White and Hamilton Black. Instead of investigating the case, those responsible for Formula One filed a censure against the British driver, prohibiting him from accusing the stewards of racism again. The best decision, in this case, would be to show the crash video to both drivers and clarify the reasons for the punishment. By silencing Hamilton, sports administrators left room for the hypothesis of racism to be taken into account.

 

Peter Revson (left) and Lewis Hamilton (right): respectively the first Jewish driver and the first Black driver in Formula One. [5]

 

Another case of racism suffered by the British driver occurred at the 2019 Italian Grand Prix, whose arbitration is still questioned today. Racing for Mercedes, Hamilton had a chance of overtaking Charles Leclerc, a Monegasque driver who represented Ferrari. To block the opponent, Leclerc squeezed him against the wall, taking it to an investigation. However, the stewards decided to just warn Leclerc with a black and white flag. After the Monegasque driver’s victory, Hamilton climbed to second place on the podium, and Italian fans booed him hardly. Some even made gestures and sounds imitating monkeys. Hamilton posted a recommendation on Instagram to Italians to not be disrespectful as it would tarnish the image of a crowd known for its joy and enthusiasm. No Formula One’s official has even commented on the case.

Centuries of White superiority teachings have left deep marks on European society, so racism gets unnoticed and banalized until nowadays. In the Americas, antiracism movements have more supporters than in Europe, but some people refuse to recognize racial discrimination as a problem anyway;

In Brazil, for example, some European immigrants married Native and Black persons, while others preferred to marry other Europeans and raise their children on the dominant ideas in Europe; it led some Brazilians to believe racism is not a serious subject and to tolerate discrimination against Blacks and Amerindians; even athletes;

At the 2008 Brazilian Grand Prix, whose result guaranteed Hamilton as the champion, even with Massa winning the race, Brazilian fans booed the English driver and called him a monkey; it proved that the Brazilian racial utopia is just a legend;

 

4- Amerindian and Jewish: the perfect scapegoat

 

Lance Stroll belongs to two historically persecuted and massacred peoples: the Amerindians and the Jews. These two groups were never well regarded by European society. In the Eurocentric view, the Amerindians were cannibals, savages, animals, uncivilized, and needed conversion or to be tamed and enslaved; According to prevalent ideas, Jews were deicidal, heretics who controlled the banks, the media, and politics, and should be converted or burned for not accepting the Christian truth and being of an inferior race;

Even with the fall of Nazism, these ideas have not been erased from the European mindset altogether. There are still figures on the world scenario who deny the Holocaust, accuse the Jews of conspiracy, and argue that Amerindians should give up their original cultures.

 

Lance Stroll playing American football in childhood. Notice the Inuit characteristics in the boy. (Photo: Instagram) [6]

Many people in Europe and the Americas still view Amerindians as standing in time, forest dwellers, who live on hunting and fishing; so they cannot understand that Amerindians can be successful entrepreneurs;
Since Formula Three does not get as much attention as Formula One, not all sports fans knew about Lance Stroll’s achievements; all they knew about him was that he was from Canada and his father was a billionaire; they disregarded that all drivers receive an investment to maintain their careers; Even drivers as Esteban Ocon have sponsors to fund them in sports;

In pre-season 2017, having no experience with the Formula One car, Stroll crashed several times. While some took advantage of the situation to make jokes, some hastily accused the young man of buying a seat. Well, even if Stroll had paid to enter Formula One, that would not be cause for so much hatred. After all, he had been hired by Williams to replace a retiring driver, Felipe Massa. The Brazilian driver gave up his retirement after Valtteri Bottas left for Mercedes to replace retired Nico Rosberg. No one bought the seat from anyone. Bottas and Stroll were just replacing retired drivers. Why so much hatred on Stroll, who until then was no rival to anyone?

The answer to that question is simple: fans wanted to see another European at Williams. It bothers many people to deal with a Black driver in Formula One, then an Amerindian driver was coming, instead of a White one;
This is why Lawrence Stroll’s fortune causes such hatred to netizens: even though he is married to a European woman, even though his companies are creating jobs and supporting families, even though his money has been obtained legally, without involvement in any scandal, they still see him as an uncivilized savage cannibal inferior to the Europeans. Just imagine how outraged these netizens must have been to see for the first time a driver from the American continent be a EUROPEAN Formula 3 champion.

 

Lance Stroll was the first Amerindian to win the European Formula Three championship. Racists wanted to see a European driver as the champion. (Photo: Prema Powerteam) [7]

 

Motivated by racial hatred for Stroll, racists threw acid criticism of the Canadian driver’s presence in Formula One as if he were to blame for all the ills in the world. He felt in the skin what his people had suffered for centuries.

While self-called social avengers online, who do not even give alms to a needy beggar, hate the Strolls for their fortune, Lance proves that he does not match with the stereotype of the selfish rich man; He engages in charitable actions, like a visit to the Montreal Children’s Hospitala campaign to drill water wells in the Gambia, and a generous donation to the Los Angeles Fire Department Foundation to combat wildfires in California;

His haters purposely ignore the fact that there are equally rich drivers whose results are not close to Lance’s. Why? Because they are not disturbed by White people being rich as they are by wealthy Amerindians; They blame an Amerindian-Jewish man for all the misfortunes of the world as if a single Canadian driver were responsible for world hunger and misery; Wealthy White people are acquitted of it;

Why? Because racists on the internet and media cannot stand to see that an Amerindian driver has accomplished feats that many whites were unable to obtain. Nor that eight White drivers, including Fernando Alonso (the same idol of the racists who called Hamilton a monkey), went after an Amerindian in his debut year. To do so, they omit not only his deeds, but they also omit Lance’s ethnicity from the discussions. They use the excuse that Stroll’s mother is white to say that he is no longer an ‘Indian’. Nobody stops being ‘Indian’. It is like stopping being old: ethnicity, like age, is an inherent characteristic of each person.

 

5- White cannot be pay drivers, only the Amerindian ones

 

The fact is that the 21st century is not the same as the twentieth. Even with the persistence of racism, combat movements are stronger today than in the last century. Western society is more aware of the importance of respect and that no ethnicity or culture is superior or inferior to another. Therefore, even the most convinced racists try to mask their racism to avoid being condemned by public opinion.

The excuse racists found to criticize the presence of an Amerindian in Formula One without realizing the racial motives was to underscore his father’s fortune. And as Nazi propaganda minister Joseph Goebbels said, a lie told many times becomes a truth; Then, some journalists and netizens are so numb with prejudice and the idea that Stroll does not deserve his seat that they refuse to even read his story before judging him;

They convinced themselves that Amerindians should be ignored, treated with contempt like centuries ago, when European settlers massacred tribes, enslaved Natives, and forced them to give up their original cultures;

But racists end up missing their plan by committing a fatal slip: unaware of the ethnicity they deem inferior. Many netizens claim to not know that Lance Stroll is Amerindian, and others deny he is one; The same excuse was given when the same racists claimed not to know that Stroll is Jewish; The reasons: Stroll does not wear a kippah (and even if he did, it would be hidden under his helmet), has not peyot (the hair curls on his temples), and has no ‘big nose’;

The first step in identifying a racist is to note that they generalize all members of a group as if they were all equal. In this case, because Lance is not a Hasidic Orthodox Jew, they think there’s no way of knowing that he is Jewish. The internet makes research work easier; however, racists do not see the need to research those they consider inferior.

 

 

The Jewish people are made up of diverse ethnicities. It is wrong to think that all Jews are equal. In the image above you can see four Jewish ethnic groups: Ashkenazim, Sephardim, Ethiopian Jews (also called Beta Israel), and Mizrahim.  [8]

 

Even more absurd is the excuse of not knowing that Stroll is Amerindian. The reasons: he does not use an ‘Indian’ headdress, does not hunt and fish with a spear, does not live in the woods or an ‘Indian’ reservation, and his skin is lighter than ‘Indian’ skin. This reveals much of today’s society’s ignorance of indigenous peoples.

In the first place, there is not just one Amerindian ethnicity. Grouping all the native tribes and nations of the Americas as unique was only an instrument of the colonizers to convince the European monarchs that the Amerindians would be easily defeated and tamed. There are Amerindians of various skin tones.

For example, the skin tone of the Métis (a Native people from Canada) is lighter than the Inuits, and that does not make them fewer ‘Indian’ than the others. Among the American tribes, Quileutes are different from the Navajos, which are different from the Cherokees, which are different from Ottawas, which are different from Potawatomis, which are different from Powhatans, and so on. In Brazil, the Tupiniquins differ from the Guaranis, Yanomamis, Jês, among others.

Indeed, most Amerindians have a dark, straight, thick hair, a reddish skin, slightly drawn eyes, and few body hairs, but they are not all like that. Ironically, Stroll has many of these characteristics, but for not living isolated from contemporary society, his detractors omit he is Amerindian;

 

There are thousands of Amerindian ethnic groups on the American continent. Each tribe has particularities such as culture, religion, dress, language, and customs. In the picture above you can see four Amerindian ethnic groups: the Inuits (Canada), the Navajos (USA), the Seris (Mexico), and the Yanomamis (Brazil). [9]

 

As you can see, former Bolivian President Evo Morales has the same kind of hair and eyes as Lance Stroll. Morales is of Aymara ethnicity and Stroll is mixed-race of Inuit ethnicity with European ethnicity. Both have indigenous origins. [10]

 

The problem with racism against Amerindians is that it goes unnoticed by the population because there is not much media attention about it as there is for prejudice against other ethnicities. The Amerindians struggle for respect is silenced by media contempt, and some say they have never heard of an Amerindian. When the word racism is heard, it is rarely associated with Amerindians, and they only appear on the news when the government or a farmer or prospector invades the reserve lands and clashes with its members;

And the hard evidence that the haters’ hatred for Stroll has nothing to do with money but skin color is their idolatry for the English driver Lando Norris; He is the son of magnate Adam Norris, a millionaire owner of Horatio Investment whose personal fortune is £205 million, being the 18th richest man in the United Kingdom;

Unlike Stroll, who debuted in an uncompetitive team, Norris debuted in McLaren in a year it had upgrades which guaranteed it a performance good enough to compete for the top five places; Differently from Stroll, who finished his debut year just three points behind his experienced teammate (even surpassing him in the standings at times), Norris ended the year with 47 points less than teammate Carlos Sainz Jr., who had four years of experience; Sainz also got the team’s only podium of the year with a third-place finish at the 2019 Brazilian Grand Prix;

Compared their results, there is no doubt that Lance Stroll is better than Lando Norris. In his debut year, Lance got a podium, started from the front row, and broke two records (for the youngest rookie do both things). His achievements secured his team’s fifth place in the constructors’ championship. In his debut year, Lando did not achieve any podium or record. His best result was sixth place in Bahrain and Austria (Lance was fourth in Germany);

To mask his mediocrity as an athlete, Norris launched a marketing campaign for fans and Formula One itself to remind him as a funny driver rather than a pay driver who is only in sport because his father is a millionaire businessman; They make several memes, fake profiles spread them, and anything Norris does is followed by a lot of people laughing, considering him the best driver, even though he is not doing anything impressive; Also, Petrobras’ sponsorship of McLaren ensured that Brazilian narrators and commentators praised Norris as if he were the reincarnation of Ayrton Senna himself;

So, if Lando Norris is also a millionaire and has much lower results, why is Lance Stroll called a pay driver? Indeed, in Norris’ glory year, Stroll’s best performance was higher than his, and the English driver still does not have the same achievements as the Canadian; Sport director Nuno Pinto also points that Lance’s curriculum is more impressive than Lando’s, and that he was the first driver to fulfill the FIA’s rule against pay drivers (scoring at least 40 points in the Superlicense); And yet netizens and the media idolize Norris and stone Stroll; This proves that it is not money that matters, it is the color of the person who has the money;

 

 

The logic of racists: If you are Amerindian, you are a pay driver; if you are white, you may be the most mediocre driver that we will praise you. [11]

 

Another case of racism was when the media tried to blame Lance Stroll for Esteban Ocon’s departure from Formula One (see Understand the Esteban Ocon Case) after the Canadian’s father bought the team, saved 405 jobs, and kept Ocon until the end of his contract (you see, even with this detail, racists go into the absurdity of accusing Lawrence of buying teams for Lance); They omit that Ocon was already leaving when his sponsor Toto Wolff promised him a seat at Mercedes, Renault, or McLaren, but all the other teams refused;

In other words, is it Stroll or Wolff, who lied to his sponsored, to blame? And why do not they blame Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz Jr., or George Russell for Ocon’s departure? Because all of these men are White.

And speaking of George Russell, he proved that many times the media only criticizes minorities while evades whites from guilty. In 2018, with Williams’ poor performance due to its engineering department, headed by Paddy Lowe, the media blamed Lance Stroll for not scoring enough points; Stroll finished that year second to last, beating Romain Grosjean and teammate Sergey Sirotkin; When George Russell and Robert Kubica replaced Stroll and Sirotkin, Williams’ car performance worsened, and the team scored just one point, scored by Kubica; At no point was Russell’s hiring criticized, even though he was unable to get a meager point; The media preferred to consider Russell an excellent driver victim of an incompetent team, a title they would give Stroll if he were not Amerindian;

 

6- You already knew he is Amerindian; you just do not want to admit it

 

When announced as a 2017 Williams driver, Lance Stroll was in evidence. There was an interest from the media and netizens to get to know him better; It was readily noted a resemblance between Lance and American actor Taylor Lautner (famous for playing Native American werewolf Jacob Black in the Twilight saga); Interestingly, even though Lautner was the son of an Amerindian mother, there were still people who doubted his ethnicity because his father was of pure European descent;

If Lautner was not Amerindian, he would not have been called to play an Amerindian character, right? And if Stroll was not an Amerindian, it would not make sense comparing him to an Amerindian actor. Why not compare him to Will Smith or Leonardo DiCaprio? Because he does not have the same ethnicity as these two but as Taylor Lautner.

 

A photo that compares Lance Stroll to Taylor Lautner. (Photo: Blig Groo) [12]

 

Humorous site F1 Fanatic calling Stroll the “cover of Twilight werewolf” (“cover do lobisomem do crepúsculo). For those who do not know, Jacob Black, the werewolf in the Twilight saga, is a native of the Quileute tribe. (Photo: F1 Fanatic) [13]

 

7- What do we learn from this?

 

  • That Lance Stroll is not taking anyone’s seat. He was hired to replace a retiring driver.
  • That Lance Stroll has more achievements than many European White drivers, and this bothers a lot of people.
  • That despite having a Belgian mother and a Russian grandfather, Lance Stroll is also of Inuit descent; As a mixed-race person, he has both European and Amerindian origins;
  • That there is not just one Amerindian appearance; There are thousands of indigenous tribes in America, each with its ethnicity and culture;
  • No matter how good the driver is, he will always be a victim of racism if he belongs to an ethnic minority (ex: Lewis Hamilton);
  • That no driver gets to Formula One without financial support (including Brazilians); The problem with Strolls’ fortune, which earned honestly and fairly, is pure anger of people who think Amerindians cannot succeed;
  • That every Lance Stroll hater is either a racist, angry to see Amerindian athletes (and even beating White ones), or is an idiot who repeats the racist fallacy, as they are unable to think with their heads and swallow everything the media and the internet says;

Knowing this, the next time you see or hear a netizen or television host (narrator or commentator) calling Lance Stroll a pay driver or rich boy, or accusing him of stealing someone’s seat, know you are facing a case of racism; Report it, confront them, tell the truth to this person; Do not let racism thrive;

If we want a society where everyone is equal, do not ignore prejudice with others; Unmask the racist; Make them shut up; Amerindians are human beings like all other ethnicities and origins, and as such deserve our respect and support;

 

Addendum (March 11th, 2020): On March 11th, 2020, The Racing Track’s page on Instagram was a target of a racist comment from a profile called official_alexalbon, which stated that “Jews deserve ‘Aushwitz’ not f1 seats”. This is a clear proof of what was demonstrated in this article: who is against the presence of Lance Stroll in Formula One is against the presence of Amerindian and Jewish drivers in the sport, using the Canadian family’s fortune as an excuse for the disproportionate hatred of a person they do not even know. Bearing in mind that supporting European white drivers, or even not being a fan of Lance Stroll does not make the supporter a racist (at no time did the article imply this), but using a double standard to judge the drivers, ignoring the achievements of Stroll and demoting them compared to equally wealthy white drivers whose results in the sport were inferior is an act of racism. Below is the photo of the comment:

 

To those who doubted racism against Lance Stroll was real, there is the proof.

 

Erratum: Originally, the text said that Lance Stroll had broken three records on his debut year in Formula One: youngest rookie to get a podium, youngest driver to start from the first row, and youngest average age of podium finishers. However, this one was broken at the 2019 Brazilian Grand Prix, and before that round, the 2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium, which Stroll took part, had the tenth youngest average age of the finishers. After being informed about the mistake, we corrected the paragraph.

 

8- Bibliography

 

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1

 

Atualizado em 1º de setembro de 2020

 

Resumo: “Não é racismo não torcer por Lance Stroll, mas negar seu talento e diminuí-lo em relação a pilotos brancos com menos feitos é.

 

O piloto canadense Lance Stroll volta e meia é assunto dos jornais esportivos e comentários dos fãs da Fórmula 1. Infelizmente, grande parte dos comentários é ofensiva, descarregando uma carga de ódio anormal em cima de um rapaz que nunca fez mal para ninguém (muito menos para seus detratores, que sequer o conhecem pessoalmente). Várias hipóteses são levantadas sobre a origem desse ódio: inveja pela fortuna da família Stroll, fanatismo por pilotos rivais, ignorância acerca de quem Lance é, entre outras. Mas apenas uma está mais próxima da verdade: racismo contra os povos indígenas.

“Ah, mas a mãe dele é belga”, dizem alguns dos haters. “Ah, mas a pele dele é mais clara”, dizem outros. Tais frases relatam o quanto que a sociedade atual desconhece acerca dos povos indígenas da América. Neste artigo, vamos provar que esta raiva gigantesca que muitos internautas (e até membros da imprensa) têm de Lance Stroll nada mais é do que o desejo de que o esporte seja composto unicamente por pilotos brancos.

 

1- Um piloto indígena na Fórmula 1

 

Lance Stroll nasceu em Montreal no dia 29 de outubro de 1998, segundo filho do empresário Lawrence Stroll e da estilista Claire-Anne Callens. Lance é descendente de judeus russos e indígenas inuítes (povo nativo do Canadá, incluindo o Quebec, terra natal dos Strolls) por parte de pai, e de belgas e ingleses por parte de mãe. Lawrence Stroll é filho de um imigrante judeu russo e de uma canadense, possui a pele avermelhada, cabelos lisos e grossos, e olhos levemente puxados. Claire-Anne Callens tem pele branca e olhos azuis. O resultado da miscigenação é notado nos filhos do casal: Chloe, a filha mais velha, tem os olhos da mãe, mas o formato de rosto do pai. Lance, o filho mais novo, tem o formato de rosto da mãe, mas os olhos castanhos levemente puxados e os cabelos escuros, lisos e grossos do pai. A pele de Lance é mais clara que a de Lawrence e mais avermelhada que a de Claire.

 

Os Strolls. Da direita para a esquerda: Claire-Anne (mãe), Lance (filho), Lawrence (pai) e Chloe (filha). (Foto: Thill Arthur/ATP) [1]

 

O fenômeno da miscigenação é muito comum nos países americanos devido ao histórico de colonização, escravidão e imigração no continente. No Canadá, país natal de Lance, não foi diferente. Os povos nativos tiveram contato com os europeus (de pele branca) e os africanos (de pele negra). Os filhos de casais de cores de pele diferente são chamados mestiços. No Brasil, por exemplo, os mestiços ganham nomes diferentes de acordo com suas origens. Os filhos de brancos com negros são chamados de “mulatos”, os filhos de índios com negros são chamados de “cafuzos”, e os filhos de brancos com índios (como é o caso de Stroll), são chamados de “caboclos” ou “mamelucos”.

Na genética existe grande probabilidade de pessoas mestiças com ancestrais brancos terem filhos brancos quando se casam com brancos. Países como os Estados Unidos chegaram a proibir o casamento entre pessoas de cores diferentes no século XIX, enquanto que o governo brasileiro incentivava o casamento com brancos para “branquear” as futuras gerações. No entanto, o fato do mestiço ter a pele mais clara que seus ancestrais não anula sua origem. Logo, um “caboclo” não deixa de ter origens indígenas por sua pele ser mais clara que a dos “índios”. Ele possui tanto origem indígena quanto europeia, e este é o caso de Lance Stroll.

 

Características físicas de Lance Stroll que comprovam sua origem indígena. [2]

 

2- Os indígenas de acordo com os europeus

 

A Fórmula 1 foi criada na década de 1950. Não haviam se passado nem uma década da queda dos regimes nazifascistas na Europa, que se caracterizavam pela intensa repressão do Estado e perseguição de grupos étnicos minoritários (principalmente os judeus) sob pretextos raciais. Desde o século XIX, com a formulação do “darwinismo social”, as escolas e intelectuais europeus ensinavam à população de que as raças se organizavam em uma hierarquia, na qual a raça branca europeia era considerada superior às demais e os mestiços inferiores a todas as “raças puras”. Antropólogos como inglês Edward Tylor aplicaram essa teoria para a defesa do “evolucionismo social”, tese que defende uma hierarquia entre as culturas. Mesmo com esforços de outros antropólogos, como o alemão judeu Franz Boas, em mostrar que não se pode afirmar em superioridade de culturas ou raças, a sociedade europeia abraçou com firmeza a ideia de que estava em vantagem em relação aos demais povos do planeta.

Porém, esse fenômeno tem origens mais antigas. Desde a colonização da América por nações da Europa, diversos grupos detentores do poder lançavam propagandas para obter apoio ao processo colonizador. No Brasil, por exemplo, após a morte do bispo Pedro Fernandes Sardinha (que teria sido devorado por indígenas antropófagos) no século XVI, a Igreja Católica promoveu campanhas que tratavam os indígenas como seres animalescos e selvagens para justificar as campanhas catequizadoras e o controle português em território brasileiro. As consequências foram catastróficas e a tribo acusada de matar o bispo, os Caetés, foi exterminada no processo.

 

Imagem da Exposição Antropológica Brasileira de 1882, ilustrando um indígena brasileiro e um escravo africano sendo exibidos na Europa. Note como os indígenas e os negros são retratados de maneira animalesca comparado aos brancos. (Foto: Museu Nacional do Rio de Janeiro) [3]

 

Na década de 50 a população europeia ainda não entendia como eram os povos nativos da América. Décadas antes, em 1911, o escocês James Matthew Barrie lançou sua obra mais famosa: “Peter Pan”. Na história, uma tribo indígena é retratada como pessoas submissas ao protagonista e a filha do chefe, a princesa Tigrinha, se dispõe a fazer tudo por Peter, mesmo ele não tendo por ela o mesmo sentimento que tem por Wendy Darling, menina inglesa que ele leva para a Terra do Nunca. Em 1953, Walt Disney adaptou a obra em um filme de animação no qual os indígenas assumem um papel maior na música “Por Que Ele Diz ‘Au’?” (“What Makes the Red Man Red?” no original em inglês). Na cena, a tribo é composta de indivíduos parados no tempo, isolados do resto do mundo e que usam as mesmas vestes de seus antepassados. O estereótipo em torno dos indígenas gerou tanta polêmica para a Disney que os estúdios optaram por não incluir os personagens na sequela do filme: “De Volta à Terra do Nunca”, de 2002 (título original “Return to Neverland”).

 

Tribo indígena do filme “Peter Pan” (1953). (Foto: Disney) [4]

 

Como os indígenas viviam apenas no continente americano, não havia nenhum interesse na Europa em combater o preconceito contra eles, muito menos em fazer uma autocrítica sobre a interação entre brancos e indígenas ao longo dos séculos. Mesmo nos países americanos, os nativos ainda eram marginalizados e excluídos da sociedade. Somente com a organização e luta desses povos, principalmente no século XX, é que a questão foi levada mais a sério. No dia 19 de abril de 1940 foi realizado o Congresso Indigenista Interamericano, visando promover o combate ao racismo e pressionar os países americanos a adotar políticas de proteção e garantia dos direitos indígenas. É por isso que na Argentina, na Costa Rica e no Brasil, no dia 19 de abril é comemorado o Dia do Índio.

A Fórmula 1 visava incentivar o interesse à indústria automobilística. À época, os consumidores desse setor eram homens brancos. Mulheres eram proibidas de dirigir em muitos países do mundo, e negros e indígenas viviam em segregação, impossibilitando-os de ter acesso a veículos. Logo, o esporte se concentrava em agradar ao público masculino, branco e europeu, seu mercado consumidor. É devido a isso que por anos a Fórmula 1 foi dominada por europeus e seus descendentes (Juan Manuel Fangio, piloto argentino que foi o segundo campeão da categoria, era descendente de italianos).

 

3- Revson e Hamilton: quebrando a hegemonia

 

Em 1964, o norte-americano Peter Revson estreou como o primeiro judeu na categoria, quebrando anos de domínio branco europeu na Fórmula 1. Vale lembrar que o povo judeu sofre perseguições desde a Antiguidade e foi o grupo majoritário entre as vítimas do Holocausto (antes havia sofrido invasões de suas terras por assírios, persas, gregos e romanos, inquisições por parte da Igreja Católica, pogroms no Império Russo e muitas outras políticas de segregação e extermínio). Também importante ressaltar que mesmo um quarto da população judaica tendo pele branca (caso de Revson), eles não são considerados brancos pelas teorias raciais (por terem origem no Oriente Médio) e são perseguidos pelos grupos de supremacia branca. Revson correu por 10 anos com as equipes Revson Racing, Reg Parnell, Tyrell, McLaren e Shadow Racing. Teve duas vitórias e oito pódios, pontuou 14 vezes e acumulou 61 pontos em toda a carreira. Faleceu em um acidente nos treinos para o Grande Prêmio da África do Sul de 1974.

Quarenta e três anos depois, em 2007, estreou o primeiro piloto negro da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton. Filho de mãe branca e pai negro nascido de imigrantes caribenhos, Hamilton juntou-se à McLaren para correr ao lado do espanhol Fernando Alonso. Logo nos treinos preparatórios, ele sofreu ofensas raciais pelos torcedores de Alonso, que o chamavam de “macaco”. Alguns dizem que o motivo das ofensas não era racial, e sim esportivo, pois os torcedores de Alonso amavam o piloto espanhol. Porém, se assim fosse, não seria mais lógico chamar Hamilton de “perdedor” ou dizer que Alonso iria “acabar com ele”? Chamá-lo de “macaco”, ofensa historicamente associada aos negros, prova que o ódio dos torcedores espanhóis contra Hamilton era sim, racismo.

Hamilton começou o ano com um pódio, teve sua primeira vitória, e se tornou vice-campeão de 2007. No ano seguinte, foi campeão ainda com a McLaren. Porém, mesmo com seus resultados brilhantes, o inglês ainda não estava livre da perseguição racial. No Grande Prêmio de Mônaco de 2011, os comissários puniram Hamilton por um choque com Felipe Massa, piloto brasileiro de ascendência italiana. Ele questionou a punição e acusou os comissários de tomar uma decisão com base na cor de pele dos pilotos, pois Massa era branco e Hamilton negro. Em vez de apurarem o caso, os responsáveis pela Fórmula 1 moveram uma censura ao piloto inglês, proibindo-o de acusar novamente os comissários de racismo. A melhor decisão nesse caso seria a de mostrar os vídeos da colisão para ambos os pilotos e esclarecer os motivos da punição. Ao silenciarem Hamilton, os administradores do esporte deixaram margem para que a hipótese de racismo fosse levada em conta.

 

Peter Revson (à esquerda) e Lewis Hamilton (à direita): respectivamente o primeiro piloto judeu e o primeiro piloto negro na Fórmula 1. [5]

 

Outro caso de racismo sofrido pelo britânico ocorreu no Grande Prêmio da Itália de 2019, cuja arbitragem é questionada até hoje. Correndo pela Mercedes, Hamilton tinha chances de ultrapassar Charles Leclerc, piloto monegasco que representava a Ferrari. Para bloquear o adversário, Leclerc o espremeu contra o muro e uma investigação foi iniciada. No entanto, os comissários decidiram apenas advertir Leclerc com uma bandeira preta e branca. Após a vitória do monegasco, Hamilton subiu ao segundo lugar do pódio e os torcedores italianos o vaiaram fortemente. Alguns inclusive fizeram gestos e sons imitando macacos. Hamilton postou uma mensagem em seu Instagram recomendando aos italianos não cometer esse desrespeito, pois mancharia a imagem de uma torcida lembrada por sua alegria e entusiasmo. Nenhuma autoridade da Fórmula 1 sequer chegou a comentar o caso.

Séculos de ensinamentos racistas de “superioridade branca” deixaram marcas profundas na sociedade europeia de modo que o fenômeno do racismo passe despercebido ou seja encarado como algo banal até os dias de hoje. É nítido que os movimentos contra o racismo são mais fortes na América do que na Europa, mas mesmo no continente americano existem aqueles que se negam a enxergar a discriminação racial como um problema. No Brasil, por exemplo, enquanto alguns imigrantes europeus se misturaram com indígenas e negros, outros preferiram se unir a outros europeus e criaram seus filhos com as mesmas ideias que eram repercutidas na Europa. Tal fenômeno levou alguns brasileiros a acreditar que o racismo não era algo sério e a aceitar a discriminação contra negros e índios, incluindo atletas dessas etnias. No Grande Prêmio do Brasil de 2008, após o resultado dar o título de campeão a Hamilton mesmo com a vitória de Massa, torcedores brasileiros vaiaram o inglês e o chamaram de “macaco”, provando que a “utopia racial brasileira” não passa de uma lenda.

 

4- Indígena e judeu: o bode expiatório perfeito

 

Lance Stroll pertence a dois povos historicamente perseguidos e massacrados: os ameríndios e os judeus. Esses dois grupos nunca foram bem-vistos pela sociedade europeia. Os indígenas eram “canibais”, “selvagens”, “animalescos”, “incivilizados” na visão eurocêntrica e, como tais, precisavam de conversão ou serem domados e escravizados. Os judeus eram “deicidas”, “hereges”, “controlavam os bancos, a mídia e a política” segundo as ideias vigentes e, como tais, deveriam ser convertidos ou queimados por “não aceitarem a verdade cristã e serem de uma raça inferior”. Mesmo com a queda do nazismo, essas ideias não foram apagadas da mentalidade europeia por completo. Ainda existem figuras no cenário mundial que negam o Holocausto, acusam os judeus de conspiração e defendem que os indígenas devem abrir mão de suas culturas originais.

 

Lance Stroll jogando futebol americano na infância. Repare nas características inuítes no menino. (Foto: Instagram) [6]

 

Muitas pessoas, tanto na Europa quanto na América, ainda veem os indígenas como parados no tempo, habitantes de florestas, que vivem da caça e pesca. Logo, causa estranheza para muitos ver que os indígenas podem ser empresários bem-sucedidos. Como a Fórmula 3 não recebe tanta atenção quanto a Fórmula 1, não eram todos os fãs do esporte que sabiam das conquistas de Lance Stroll. Tudo o que sabiam dele era que o piloto vinha do Canadá e seu pai era bilionário, ignorando que todos os pilotos recebem um investimento para manter suas carreiras. Até mesmo pilotos como Esteban Ocon possuem quem arque com os custos de suas estadias no esporte. Na pré-temporada de 2017, por não ter experiência com o carro de Fórmula 1, Stroll acabou batendo várias vezes. Enquanto uns aproveitavam a situação para fazer piadas, alguns precipitadamente acusaram o jovem de compra de vaga. Oras, mesmo que Stroll realmente tivesse pago para entrar na Fórmula 1, isso não seria motivo para tanto ódio. Afinal, ele havia sido contratado pela Williams para substituir um piloto que estava se aposentando, Felipe Massa. O brasileiro desistiu da aposentadoria após a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes para substituir o aposentado Nico Rosberg. Ninguém comprou a vaga de ninguém. Bottas e Stroll estavam simplesmente ocupando as vagas de pilotos que se aposentaram. Por que então tanto ódio a Stroll, que até então não era rival de ninguém?

A resposta para essa pergunta é simples: os fãs queriam ver outro europeu na Williams. Incomoda para muitos ter que aturar um piloto negro na Fórmula 1, agora um piloto indígena estava chegando ao esporte, na vaga que segundo os torcedores deveria ser ocupada por um piloto branco de etnia europeia. Este é o motivo pelo qual a fortuna de Lawrence Stroll causa tanto ódio nos internautas: mesmo ele sendo casado com uma europeia, mesmo suas empresas gerando empregos e sustentando famílias, mesmo seu dinheiro tendo sido obtido de maneira totalmente legal, sem envolvimento em nenhum escândalo, ele ainda era um “selvagem canibal incivilizado inferior aos europeus”. Imaginem o quanto que estes internautas devem ter se indignado ao ver pela primeira vez um piloto do continente americano ser campeão da Fórmula 3 EUROPEIA.

 

Lance Stroll foi o primeiro indígena a vencer a Fórmula 3 Europeia. Os racistas queriam ver um europeu como campeão. (Foto: Prema Powerteam) [7]

 

Motivados pelo ódio racial a Stroll, os racistas lançaram críticas ácidas à presença do canadense na Fórmula 1 como se ele fosse o culpado de todas as mazelas do mundo. Lance sentia na pele o que seu povo sofreu por séculos. Enquanto os supostos “justiceiros sociais” da internet (que não dão nem uma esmola a um mendigo necessitado) odeiam os Strolls por sua fortuna, Lance prova que não corresponde ao estereótipo de “rico egoísta” e se engaja em ações de caridade, como uma visita ao Montreal Children’s Hospital, uma campanha pela perfuração de poços de água na Gâmbia e uma generosa doação ao Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Os haters ignoram de propósito o fato de haver pilotos igualmente ricos cujos resultados não se aproximam dos de Lance. Por quê? Porque um branco rico não gera a mesma estranheza e desconforto do que um indígena rico. Eles veem um indígena judeu como o culpado de todos os infortúnios do mundo, como se um simples piloto canadense fosse o responsável pela fome e a miséria mundiais. Ao mesmo tempo, inocentam os brancos igualmente riquíssimos disso.

Afinal, qual foi o último piloto estreante que conseguiu um pódio em um carro de uma equipe mais fraca? Qual foi o último estreante que largou da primeira fila em um carro longe de ser competitivo? Qual foi o último piloto a quebrar dois recordes em seu ano de estreia? Todos esses feitos são apagados propositalmente da memória dos torcedores e jornalistas para inocular nos fãs a ideia de que Lance só está no esporte porque seu pai é bilionário. Por quê? Porque os racistas da internet e da mídia não suportam ver que um piloto indígena conseguiu feitos que muitos brancos não foram capazes de obter, e que oito pilotos brancos, incluindo Fernando Alonso (o mesmo ídolo dos racistas que chamaram Hamilton de “macaco”), ficaram atrás de um indígena em seu ano de estreia. Para isso, omitem não só seus feitos, como também omitem a etnia de Lance das discussões. Usam a desculpa de que a mãe de Stroll é branca para dizer que ele “não é mais índio”. Ninguém deixa de ser índio. É como deixar de ser velho. Etnia, assim como idade, é uma característica inerente de cada pessoa.

 

5- Pilotos pagantes brancos não são pagantes, só os índios

 

O fato é que o século XXI não é igual ao XX. Mesmo com a persistência do racismo, os movimentos de combate são mais fortes hoje em dia do que no século passado. A sociedade ocidental está mais consciente da importância do respeito e de que nenhuma etnia ou cultura é superior ou inferior a outra. Logo, até mesmo os racistas mais convictos procuram mascarar seu racismo para evitar serem condenados pela opinião pública.

A desculpa que os racistas encontraram para criticar a presença de um indígena na Fórmula 1 sem que se perceba os motivos raciais foi ressaltar a fortuna de seu pai. E como dizia o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, “uma mentira contada várias vezes torna-se uma verdade”. Com isso, há jornalistas e internautas tão entorpecidos com o preconceito e a ideia de que Stroll não merece a vaga que se recusam até a ler a história do piloto antes de julgá-lo, convencidos de que os indígenas devem ser ignorados, tratados com desprezo, do mesmo modo que foi séculos atrás, quando os colonizadores europeus massacraram tribos, escravizaram nativos e os obrigaram a abrir mão de suas culturas originais.

Mas os racistas acabam deixando escapar seu plano ao cometerem um deslize fatal: desconhecerem a etnia que eles julgam inferior. Muitos internautas em sua defesa afirmam não saber que Lance Stroll é indígena, e outros até negam com firmeza a etnia dele. A mesma desculpa era dada quando os mesmos racistas afirmavam não saber que Stroll é judeu. Os motivos: Stroll não usa kipá, o “chapeuzinho” judaico (e mesmo se usasse, ele ficaria escondido debaixo do capacete), não usa peyot (os cachinhos de cabelo nas têmporas) e não tem “nariz grande”. O primeiro passo para se identificar um racista é notar que ele generaliza todos os membros de um grupo como se todos fossem iguais. No caso, por Lance não ser um judeu ortodoxo hassídico, “não teria como saber que ele é judeu”. A internet facilita muito o trabalho de pesquisa, mas os racistas se julgam tão superiores que não veem a necessidade de pesquisar sobre aqueles que eles consideram inferiores.

 

O povo judeu é composto de diversas etnias. É errado pensar que todos os judeus são iguais. Na imagem acima é possível ver quatro etnias judaicas: os asquenazim, os sefaradim, os judeus etíopes (também chamados de Beta Israel) e os mizrahim. [8]

 

Mais absurda ainda é a desculpa de não saber que Stroll é indígena. Os motivos: ele não anda de cocar na cabeça, não caça e pesca com lança, não mora na floresta ou em reserva indígena, e sua pele é mais clara do que a pele “de índio”. Isso revela muito da ignorância da sociedade atual sobre os povos indígenas. Para começar, não existe apenas uma etnia indígena. Agrupar todos as tribos e nações nativas da América como um povo só foi um instrumento dos colonizadores para convencer os monarcas europeus de que os indígenas seriam facilmente derrotados e domados. Existem indígenas de diversas tonalidades de pele. No Canadá, os Métis, por exemplo, são mais claros que os Inuítes, e isso não os torna “menos índios” que os outros. Entre as tribos americanas, os Quileutes são diferentes dos Navajos, que são diferentes dos Cherokees, que são diferentes dos Ottawa, que são diferentes dos Potawatomi, que são diferentes dos Powhatans, e por aí vai. No Brasil, os Tupiniquins se diferem dos Guaranis, que se diferem dos Yanomamis, que se diferem dos Jês, entre outros. É verdade que a maioria dos indígenas possuem cabelos escuros, lisos e grossos, pele avermelhada, olhos levemente puxados e poucos pelos no corpo, mas nem todos são assim. Ironicamente, Stroll apresenta muitas dessas características, mas por não viver isolado da sociedade contemporânea, seus detratores omitem que ele seja indígena.

 

Existem milhares de etnias indígenas no continente americano. Cada tribo possui particularidades, como cultura, religião, vestimenta, língua e costumes. Na foto acima é possível ver quatro etnias indígenas: os Inuítes (Canadá), os Navajos (EUA), os Seris (México) e os Yanomamis (Brasil). [9]

Como podem ver, o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, possui o mesmo tipo de cabelo e de olhos de Lance Stroll. Morales é da etnia aimará e Stroll é mestiço da etnia inuíte com a etnia europeia. Ambos possuem origens indígenas. [10]

 

O problema do racismo com os indígenas é que ele passa despercebido pela população por não haver muita atenção midiática acerca disso como há para o preconceito contra outras etnias. A luta dos indígenas pelo respeito é silenciada pelo desprezo midiático, e há quem afirme que nunca ouviu falar em índio. Quando se ouve a palavra “racismo”, ela quase nunca é associada aos indígenas, e estes somente aparecem nos noticiários quando o governo ou algum fazendeiro ou garimpeiro invade as terras de uma reserva e entra em confronto com os membros da aldeia.

E a prova concreta de que a birra que os haters tem com Stroll não tem nada a ver com dinheiro e sim com cor de pele é a idolatria que os mesmos tem pelo piloto inglês Lando Norris. Lando é filho do magnata Adam Norris, um milionário dono da companhia Horatio Investments e detentor de uma fortuna pessoal de £205 milhões, sendo o 18⁰ homem mais rico do Reino Unido.

Ao contrário de Stroll, que estreou em uma equipe pouco competitiva, Norris estreou pela McLaren em um ano de atualizações no chassi que renderam à equipe um bom desempenho para competir pelos primeiros cinco lugares do ranking. Diferente de Stroll, que terminou seu ano de estreia a apenas três pontos de seu experiente companheiro (chegando até a ultrapassá-lo no ranking em alguns momentos do campeonato), Norris terminou o ano com 47 pontos a menos que o companheiro Carlos Sainz Jr., que possuia quatro anos de experiência. Sainz ainda conquistou o único pódio da equipe no ano, com um terceiro lugar no Grande Prêmio do Brasil de 2019.

Se formos comparar os resultados, não há dúvidas de que Lance Stroll é melhor que Lando Norris. Em seu ano de estreia, Lance teve um pódio, largou da primeira fila e quebrou dois recordes: mais jovem estreante a ter pódio e mais jovem piloto a largar da primeira fila. Seus feitos garantiram o quinto lugar de sua equipe no campeonato de construtoras. Lando em seu ano de estreia não conseguiu nenhum pódio e não quebrou nenhum recorde, tendo seu melhor resultado um sexto lugar no Bahrein e na Áustria, no mesmo ano em que Lance teve seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha. Para mascarar sua medianidade enquanto atleta, Norris lançou uma campanha de marketing para que os fãs e a própria Fórmula 1 o lembrassem como um piloto engraçado em vez de um piloto pagante que só está no esporte porque seu pai é um empresário milionário. Nessa campanha, são feitos vários memes, usam-se perfis falsos para divulgá-los e qualquer coisinha que Norris faça já é acompanhada de uma enxurrada de pessoas rindo e o considerando o melhor piloto do grid, mesmo ele não fazendo nada de impressionante. Somado a isso está o patrocínio da Petrobras à McLaren, garantindo que os narradores e comentaristas brasileiros elogiassem Norris como se ele fosse a própria reencarnação de Ayrton Senna.

Então, se Lando Norris também é milionário e tem resultados muito inferiores, por que é Lance Stroll que é chamado de “piloto pagante”? Realmente, até no ano de “glória” de Norris, o melhor resultado de Stroll foi melhor que o de Norris e o inglês ainda não tem os feitos do canadense. O diretor esportivo Nuno Pinto também aponta que o currículo de Lance é mais impressionante que o de Lando, e que ele foi o primeiro piloto a cumprir a regra da FIA contra pilotos pagantes (fazer ao menos 40 pontos na Superlicença). E mesmo assim os internautas e a mídia idolatram Norris e apedrejam Stroll. Isso prova que não é o dinheiro que importa, é a cor da pessoa que tem o dinheiro.

 

 

Lógica dos racistas: se você for indígena, você é pagante; se você for branco, pode ser o piloto mais medíocre possível que vamos te louvar. [11]

 

Outro caso de racismo foi quando a mídia tentou culpar Lance Stroll pela saída de Esteban Ocon da Fórmula 1 (ver “Entenda o Caso Esteban Ocon”) após o pai do canadense comprar a equipe, salvar 405 empregos e manter Ocon até o fim de seu contrato (pois é, mesmo com esse detalhe, os racistas chegam ao absurdo de acusar Lawrence de comprar equipe para Lance). Omitem que Ocon já estava de saída quando seu padrinho Toto Wolff o prometeu uma vaga na Mercedes, na Renault ou na McLaren, mas todas as outras equipes recusaram. Ou seja, a culpa é de Stroll ou de Wolff, que mentiu para o apadrinhado? E por que não culpam Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz Jr. ou George Russell pela saída de Ocon? Porque todos estes são brancos.

E falando em George Russell, ele provou que muitas vezes a mídia só critica as minorias, enquanto exime os brancos de culpa. Em 2018, com o fraco desempenho da Williams, por culpa de seu departamento de engenharia comandado por Paddy Lowe, a mídia culpou Lance Stroll por não trazer pontos suficientes para o time. Stroll terminou aquele ano em antepenúltimo lugar, vencendo Romain Grosjean e o companheiro Sergey Sirotkin. Quando George Russell e Robert Kubica vieram para o time inglês substituir Stroll e Sirotkin, o desempenho do carro da Williams piorou e a equipe fez apenas um ponto, marcado por Kubica. Em nenhum momento criticou-se a contratação de Russell, mesmo ele não sendo capaz de fazer um mísero ponto para seu time. A mídia preferiu apostar em Russell como um piloto excelente, vítima de uma equipe incompetente, título este que dariam a Stroll se ele não fosse indígena.

 

6- Você já sabia que ele é índio, só não quer admitir

 

Ao ser anunciado como piloto da Williams para 2017, Lance Stroll ficou em evidência. Houve um interesse por parte da mídia e dos internautas de conhecê-lo melhor. Uma coisa prontamente notada foi a semelhança entre Lance e o ator americano Taylor Lautner, famoso por interpretar o lobisomem indígena Jacob Black na saga “Crepúsculo”. O curioso é que mesmo Lautner sendo filho de uma indígena, ainda havia pessoas que duvidavam de sua etnia por seu pai ser descendente puramente de europeus. Se Lautner não fosse indígena, não teria sido chamado para interpretar um personagem indígena, certo? E se Stroll não fosse indígena, não faria sentido ele ser comparado com um ator indígena. Por que não compararam Stroll a Will Smith ou a Leonardo DiCaprio? Porque ele não tem a mesma etnia desses dois, e sim de Taylor Lautner.

 

Foto que compara Lance Stroll a Taylor Lautner. (Foto: Blig Groo) [12]

 

Site humorístico F1 Fanático chamando Stroll de “cover do lobisomem do crepúsculo”. Para quem não sabe, Jacob Black, o lobisomem na saga Crepúsculo, é um indígena da tribo Quileute. (Foto: F1 Fanático) [13]

 

7- O que aprendemos com isso?

 

  • Que Lance Stroll não está ocupando a vaga de ninguém. Ele foi contratado para substituir um piloto que havia se aposentado.
  • Que Lance Stroll possui mais conquistas que muitos pilotos brancos europeus, e isso incomoda muita gente.
  • Que mesmo sendo filho de mãe belga e neto de imigrante russo, Lance Stroll possui ancestrais inuítes, povo indígena nativo do Canadá, e não deixa de ter origens indígenas por ser mestiço.
  • Que não existe apenas uma aparência indígena. Há milhares de tribos indígenas na América, cada uma com sua etnia e cultura.
  • Que não importa o quão bom seja o piloto, ele sempre será vítima de racismo se pertencer a uma minoria étnica (ex.: Lewis Hamilton).
  • Que nenhum piloto chega à Fórmula 1 sem um suporte financeiro (incluindo os brasileiros). A implicância com a fortuna dos Strolls, obtida de maneira honesta e justa, é pura indignação de pessoas que acham que os indígenas não podem ser bem-sucedidos.
  • Que todos os haters de Lance Stroll, ou são racistas que não suportam ver indígenas no esporte (ainda mais vencendo brancos), ou são idiotas que repetem a falácia racista porque são incapazes de pensar com a própria cabeça e engolem tudo o que a mídia e a internet diz.

Sabendo disso, da próxima vez que ver ou ouvir um internauta ou apresentador de televisão (narrador ou comentarista) chamando Lance Stroll de “piloto pagante” (“pay driver”) ou de “garoto rico” (“rich boy”), ou acusando-o de roubar a vaga de alguém, saiba que está diante de um caso de racismo. Denuncie, confronte, diga a verdade para essa pessoa. Não deixe o racismo prosperar. Se queremos uma sociedade onde todos são iguais, não ignore o preconceito com o outro. Desmascare o racista. Obrigue-o a silenciar-se. Os indígenas são seres humanos como todas as outras etnias e origens, e como tais, merecem o nosso respeito e apoio.

 

Adendo (11/04/2020): No dia 11 de março de 2020, a página do The Racing Track no Instagram foi alvo de um comentário racista de um perfil chamado official_alexalbon, que afirmou que “Judeus merecem ‘Aushwitz’ não assentos na Fórmula 1”. Esta é a prova cabal do que foi demonstrado nesse artigo: quem é contra a presença de Lance Stroll na Fórmula 1 é contra a presença de pilotos indígenas e judeus no esporte, usando a fortuna da família do canadense como desculpa para o ódio desproporcional a uma pessoa que eles sequer conhecem. Lembrando que torcer para pilotos brancos e europeus, ou até mesmo não ser fã de Lance Stroll não torna o torcedor um racista (em momento algum a matéria deu a entender isso), mas usar padrão duplo para julgar os pilotos, ignorando os feitos de Stroll e rebaixando-os em relação a pilotos brancos igualmente ricos cujos resultados no esporte foram inferiores é sim um ato de racismo. Fica abaixo a foto do comentário:

 

Para quem duvidava que o racismo contra Lance Stroll fosse real, eis a prova.

 

Errata: Originalmente o texto dizia que Lance Stroll havia quebrado três recordes em seu ano de estreia: mais jovem estreante a ter pódio, mais jovem piloto a largar da primeira fila e pódio mais jovem (menor média de idade entre os integrantes do pódio). No entanto, o pódio mais jovem da história foi o do Grande Prêmio do Brasil de 2019, e antes desta prova, o pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017, do qual Stroll fez parte, era o décimo mais jovem. Ao sermos informados do erro, corrigimos o parágrafo.

 

8- Bibliografia

 

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Understand the Esteban Ocon Case

Article written on August 10th, 2019. Reading it nowadays can help you to understand why Esteban Ocon got without seat in 2019 and what actions he had to take to get back on the grid in 2020.

 

Esteban Ocon, a Hispano-French driver who raced in Formula One between 2016 and 2018, is one of the most talked names when speculation in the driver market begins. After all, the 22-year-old driver, patronized by Toto Wolff, was considered by many supporters as a promise of a future star. However, he got out of the 2019 grid. Why did this happen? Does he still have a chance? His case is complicated, but we will explain everything.

1- Early career

Esteban Ocon is a rare case in Formula One. As this is an expensive sport (pieces, engineers, mechanics, simulators, etc.), drivers are expected to bring sponsorship to help with their team expenses. Therefore, the overwhelming majority of drivers are of a wealthy background. Ocon is one of the rare exceptions. Born to a humble family of Spanish immigrants from Malaga, capital of the province of Andalusia (the poorest in the country), the young driver owes his entire career to Toto Wolff. Ocon even claimed that if it wasn’t for the current Mercedes’ Team Principal, who gave him an opportunity to join motorsport, he would be working in fast-food restaurants to help his family income. The relationship between Wolff and Ocon is the key to understanding the driver’s current situation.

Esteban Ocon and his parents, Laurent and Sabrina

In 2014, Ocon was the champion of European Formula Three, one of the main categories to the entry in Formula One. However, the young driver promoted that year was Max Emilian Verstappen. The young Dutchman, son of former driver Jos Verstappen, debuted at Toro Rosso in 2015, while champion Ocon remained anonymous until mid-2016 when Manor signed him to replace Indonesian Rio Haryanto at the Belgian Grand Prix. Ocon finished his debut year without points in 23rd place. His first point came with the following year’s Australian Grand Prix, which Esteban finished in 10th place.

2- Similar case

Pascal Wehrlein is a German driver who was also patronized by Toto Wolff. Son of a German father and African mother from Mauritius, he made his Formula One debut at Manor in 2016 at the Australian Grand Prix. He became Ocon’s mate after the resignation of Rio Haryanto. At the end of the season, Manor filed for bankruptcy and announced that it would no longer compete in Formula One.

Pascal Wehrlein

To ensure his patronized boys remained, Toto Wolff landed good deals: Wehrlein was sent to Sauber, replacing Brazilian Felipe Nasr, and Ocon to Force India in place of German Nico Hülkenberg. The Rede Globo, a Brazilian company that owns Formula One broadcasting rights in the country, even speculated that Nasr would go to Force India because he outperformed his fellow teammate, Swedish Marcus Ericsson. However, Nasr was left out of the category and Ocon got the seat. Initially, many Brazilian fans were angry at Toto Wolff and Esteban Ocon.

As Sauber’s car had the worst performance of the grid, Wehrlein only scored twice, with seventh place in the Spanish Grand Prix getting six points and tenth place in the Azerbaijan Grand Prix getting one point. His teammate was the only driver that did not score that year. By 2018, Sauber would have to sacrifice one of its drivers to hire Monegasque Charles Leclerc, GP2 champion (another great category to entry in Formula One) and a member of Ferrari Driver Academy. Leclerc is patronized by Nicolas Todt, son of current International Automobile Federation (FIA) president, Jean Todt (Ferrari Team Principal between 1993 and 2007). Sauber at the time was a team subordinate to Ferrari just like Toro Rosso is to Red Bull today. Having to choose between Tetra Pak-sponsored Swede and Toto Wolff-patronized German, the Swiss team opted for Ericsson, and Wehrlein was fired.

Wolff put Wehrlein in the position of Mercedes’ third driver, along with the young Englishman George Russell. Toto promised Pascal that he would fight until the end to secure him a seat in Formula One, but Wehrlein expects this until now. Displeased with the situation, the German joined Ferrari as a third driver, replacing Russian Daniil Kvyat, who was returning to Toro Rosso after being fired from the team.

3- Relationship with other drivers

In the days of the access categories, Ocon befriended Canadian Lance Stroll, whose father, Lawrence Stroll, was the owner of the best European Formula Three and GP2 team, Prema Powerteam. Ocon was champion of the 2014 European Formula Three season with this team. Lance did the same in 2016, breaking the record of “youngest champion” of the category and the first Canadian to win the title. Some critics measured that Verstappen drew more attention than champion Ocon for taking third place with a much lower car (Van Amsterfoot Racing, powered by Volkswagen). It is legitimate noting that Verstappen was the big sensation of 2015. The automotive newspapers only spoke about him, whether by his records, his accidents, or his bold moves that guaranteed him good scores. Max was elected FIA Rookie of the Year in 2015. All of this contributed to overshadowing Ocon’s image for a year and a half.

With Stroll, Ocon had a “Prince and Pauper” kind friendship, as both came from very different backgrounds. Nevertheless, the friendship between them both proved that wealth does not define character. Being rich does not mean being bad or good. Being poor does not mean being good or bad. And later on, let’s see that this really applies.

With Wehrlein, Ocon had no considerable conflict, a situation quite different from that of his Mexican counterpart Sergio Pérez, his Force India teammate. The two met on occasion, especially at the 2017 Belgian Grand Prix, when a touch between them at the Eau Rouge entrance squeezed Esteban against the pit wall. Ocon accused Pérez of “trying to kill him,” infuriating Mexican fans, who offended him on social media. Claiming security reasons, Esteban hired armed security for himself and his parents at that year’s Mexican Grand Prix. Another example of friction between the two was at the Singapore Grand Prix when Pérez beat Ocon out of the race.

The conflict between Pérez and Ocon at the 2017 Belgian Grand Prix. Ocon accused Pérez of trying to kill him

4- Beginning of the crisis: Force India’s bankruptcy

In 2018, Force India owner Vijay Mallya was investigated by the Indian authorities under suspicion of corruption. British courts were already negotiating his deportation to India. With accounts in the red and low reliability, the team started the bankruptcy process. According to Mariana Becker, a journalist for Rede Globo, an American businessman and a Russian were interested in buying it, but no agreement was reached.

Seeing an investment opportunity, Lawrence Stroll set up a consortium of businessmen and bought Force India, with Mallya assuming any pending issues regarding his term of office, including the lawsuit Sergio Pérez filed against the team. Stroll’s son Lance, who had had a good season with Williams in 2017 (getting a podium, a start from the front row and three records), suffered from an uncompetitive car in the English team. It was speculated that when Lawrence bought the team, Lance would transfer to it.

Article from the journal Independent, that mentions the 405 jobs saved by Lawrence Stroll

As explained at the beginning of this article, Formula One needs drivers to bring sponsorship to maintain the sport. Pérez is sponsored by companies such as Telmex and Claro and the state government of Jalisco, Mexico. Ocon, for its part, was sponsored only by Toto Wolff.

5- Attempts to contract with other teams

  • Mercedes: The sponsor upholds Niki Lauda’s wishes.

According to the press, Toto Wolff had adviced Ocon before the 2018 Monaco Grand Prix. He would have said that if it did not make it difficult for Lewis to overtake Hamilton after the pit stop, Esteban would take the second Mercedes seat, as Finnish Valtteri Bottas outperformed Hamilton. This would have occurred well before the purchase of Force India (which was made on drivers’ vacations before the Belgian Grand Prix). Ocon facilitated Englishman overtaking in all races.

That is, months before Force India went bankrupt and was sold, Esteban Ocon was already set to leave the team. However, then-Mercedes adviser, three-time champion Niki Lauda, ​​advised Wolff to give Bottas one more chance. The Team Principal accepted the request and renewed Finn’s contract for another year. In the case Ocon left Force India, which was most likely not to bring the same benefits as Pérez, Wolff would have to work hard to put his pupil into a new team.

  • Renault

In 2018, the French team had Spanish Carlos Sainz Jr. and German Nico Hülkenberg. The first was called in to replace Fernando Alonso at McLaren after the two-time champion announced his retirement. The second had its contract renewed. As a result, Renault had a seat available for 2019. According to press reports, Toto Wolff was negotiating the transfer of Ocon to this team, as the driver was no advantageous neither financially nor in terms of performance, as his results were below those of Pérez.

Nevertheless, nobody could have predicted a turnaround in Red Bull. The announcement that the Austrian team would run with Honda engine in 2019 displeased one of its drivers, Australian Daniel Ricciardo. Fearing to pass through a series of crashes like McLaren in 2016 and Toro Rosso in 2017, Ricciardo opted to leave Red Bull and signed a contract with Renault, filling the team’s second seat. This was the first door that closed to Ocon.

  • McLaren

Dissatisfied with the results of Belgian Stoffel Vandoorne, the English team dismissed the driver and hired Carlos Sainz Jr. to replace Fernando Alonso, who would retire at the end of 2018. Consequently, a seat would be available at McLaren too. Sources say Toto Wolff also contacted the British team to secure a seat for Ocon. However, the team opted for a young English driver who had been in the team development program for years. His name was Lando Norris, the son of an English billionaire businessman. With that, a second door closed for Esteban Ocon.

  • Williams: the Lance Stroll case

If 2017 was a glorious year for the English team, as Lance Stroll’s podium earned it fifth place in the constructors’ championship, 2018 was ruined by the incompetence of its engineers. Lawrence Stroll was one of the team’s main sponsors, along with the SMP bank, which sponsored Russian Sergey Sirotkin. The British engineering team led by Paddy Lowe failed to create a competitive car, with promises of improvements that were always postponed. Embittering in the last positions of the grid, the drivers were unfairly accused by the team’s problems, as they had more spotlight.

Obviously, Lance was unhappy with the team’s incompetence and unfair treatment by the press and fans. It was also clear the dislike of Claire Williams, Team Principal, and daughter of founder Frank Williams, for the Canadian driver, and the clash between Claire and Lawrence created a heavy mood in the squad. Remembering that it was the second time that the Williams family’s mismanagement had led the team into the hands of an outside investor (Toto Wolff in 2009 and Lawrence Stroll in 2017). Lawrence realized that the investment would not be worth it and found an opportunity on Force India purchase.

Although his father took over as the new owner of the team, Lance did not transfer to it. This is the first argument to rebut the accusation that has fallen on the Canadian: that his father would have bought Force India to give his son a better seat, even if he had to sacrifice his friend. If Lawrence were simply a father trying to please his son, he would have paid for Ocon’s contract termination and put Lance on the team immediately. That’s not what happened. Esteban remained on the team, now named Racing Point Force India, until the end of the year.

Many expected Lance and Esteban to switch teams. In other words, Stroll would go to Force India and Ocon to Williams. With Sirotkin’s underperforming performance and Stroll’s departure, the English team would have two vacancies. Toto Wolff stepped into action, placing his pupil in one of Williams’ seats. His name, GEORGE RUSSELL.

The young Englishman was a member of the Mercedes driver development program and served as the third driver of the German team. A long time ago, he had been waiting for an opportunity in Formula One. Wolff did not explain why he chose to secure a seat for a rookie rather than the sponsored who was running out of chances. He merely claimed that Russell had qualifications for the vacancy.

At the same time, there was speculation about Robert Kubica’s return to the grid. The Polish has been out since 2011 when he suffered a serious accident that left his left arm injured. His manager was none other than the champion of 2016, Nico Rosberg. Kubica’s return was a risky investment: his team would have to spend more money to adapt the car to his shortcomings, and there was no guarantee that he would perform well. Rosberg claimed that Polish companies would be willing to sponsor the pilot and that the country’s fans had been looking forward to Kubica’s return since the retirement of Brazilian Felipe Massa.

  • Toro Rosso: Pupil of Toto Wolff? No way!

Toro Rosso went through an unrivaled chair dance. Dissatisfied with Daniil Kvyat’s successive crashes, the team ran in 2018 with Pierre Gasly and Brendon Hartley. However, the second was also involved in a series of collisions that angered the leaders of the Italian team.

With Hartley fired and Gasly promoted to Red Bull after Daniel Ricciardo left for Renault, there were two seats available. However, two factors hindered Ocon’s chances. The first is the fact that Toro Rosso is a team subordinate to Red Bull, and usually, its drivers are linked to it: they are either young people from the development program or have been demoted from the team. Esteban had no ties to Red Bull. The second factor was Ocon’s connection with Toto Wolff. Team chief Franz Tost even claimed that he did not want drivers linked to Mercedes on the team. Perhaps the team feared an espionage scandal like McLaren’s in 2007 or that Ocon would tell Wolff the secrets of the team, that used Honda engines.

6- Esteban Ocon’s image

  • Stroll is thrown into the fire; Ocon delays to help his friend

Lance Stroll made his Formula One debut in 2017 for Williams at the age of 18 at the Australian Grand Prix. Three successive retirements and accidents at free practices made the press and fans forget about his European Formula Three achievements (like his title and record) and consider him a “pay driver”. This unfair fame accompanied Lance to his third-place finish in the Azerbaijan Grand Prix, where he broke the record for “youngest rookie to score a podium”. Ocon had no podium so far, even with a superior car, and remained so until the end of his career.

With the problems Williams faced in 2018, the reputation of “pay driver” came back to Stroll, mainly because the media blamed the drivers for the poor performance of the car, even though it was the engineers’ responsibility. When his father, Lawrence Stroll, bought Force India in the second half of the year, saving the jobs of 405 workers, fans of Esteban Ocon, full of deadly rage, attacked Lance on his social media with the most terrible offenses possible, some even of racial content. Little was said about the saved jobs, or the advantages Pérez and Stroll would bring to the team, or that Ocon’s lack of sponsorship and results hindered him in the case. Some simply would not admit that a Canadian Jewish driver of Amerindian descent who had a podium, a start from the front row and three records would replace a white European driver with no podiums and no records.

However, the most surprising in this case was Esteban Ocon’s reaction. Force India was bought in August 2018. Ocon only spoke out about the attacks on Lance in September 2018. Within a month, the media and fans had enough time to launch slanderous rumors about the Canadian, while his friend since Formula Three era watched all quietly. Ocon called the attacks “irrational” and launched a story on his Instagram in which he emphasized his friendship with Stroll despite their “different backgrounds”. Why did Ocon take a month to help his friend who was suffering one of the dirtiest defamation campaigns in Formula One history? Why did Ocon point out differences in their “background”, as Stroll suffered racial offenses and attacks for being rich (which 99.9% of pilots are)?

Ocon’s Instagram post defending Stroll a month later
  • Crash into Verstappen at Brazilian Grand Prix; the final gavel

With 99.9% of seats unavailable for Ocon, his chances of staying in Formula One were scarcer. On November 11th, 2018, the Brazilian Grand Prix happened at Interlagos Circuit in São Paulo. Although Lewis Hamilton took pole position, Max Verstappen took the lead and was on his way to victory. Esteban was 16th and coming out of pits when he accelerated and ignored the blue flag, crashing into Verstappen. The two drivers temporarily left the track, allowing Hamilton to overtake. Verstappen came back in second, with damage in the car. Ocon received a 10-seconds of stop-and-go penalty. Hamilton’s victory was credited by this incident.

After the podium ceremony, Verstappen sought Ocon to clarify the situation. With a smirk on his face, Esteban replied that he was “faster” and therefore had the right to be in front even with the blue flag.

(Note: Believe me, some people believe in this lame excuse to this day.)

Verstappen was enraged at the mockery and set off for physical aggression, successively pushing Ocon until both were separated. Max left the room visibly annoyed, while Esteban continued to laugh and mock the Dutchman. Then he dared to say that “Max didn’t act like a man”. Is disrespecting the blue flag, which obliges the lapped cars to let the front drivers pass, a man thing? Is making fun of the injured person instead of assuming the mistake and apologizing for it a man thing? Is seeing your friend being a victim of defamation and helping him only a month later a man thing? Is accusing the teammate of attempted murder a man thing?

Ocon makes fun of Verstappen after the move that prevented his victory
  • Verdict: guilty of maximum allegiance to Toto Wolff; Sentence: to be without a seat for 2019

Ocon’s reaction to the crash with Max Verstappen spawned two theories to explain it: the first is a possible resentment of Esteban for Max’ promotion to Formula One in 2015, even though he was third in 2014 European Formula Three while Hispano-Frenchman had been the champion; The other is that Ocon was sending a message to Toto Wolff that he would be a great driver for the team, as his actions undeniably secured Lewis Hamilton’s victory.

While this image would benefit him for Wolff, it earned Ocon a bad reputation with the other teams. Esteban came to be seen as a loyal agent to the Mercedes team leader, and his presence in other teams could mean espionage, betrayal, and double loyalty. Ocon gained nothing from the Verstappen accident: he did not score, received a penalty, and had his reputation tarnished. The only beneficiaries of the event were Hamilton for the win and Valtteri Bottas, who was fourth in the championship ahead of Verstappen. Nevertheless, that did not last until the end, as in the last race of the year in Abu Dhabi, Max took third place and took Bottas’ position in the championship, just three points behind third-placed Kimi Raikkonen.

After the Brazilian Grand Prix, Claire Williams announced that the British team had hired Robert Kubica, ending all chances for Esteban to continue in the top motoring category. Wolff had no choice but to place him as Mercedes’ third driver.

7- Myths and truths

  • Myth: Stroll is to blame for Ocon’s departure from Formula 1.

Stroll did not take the seat immediately after his father bought Force India with the help of a business consortium. Even though they could afford a contract termination, the new team owners let Ocon run for the team until the end of his contract. Ocon was also tipped to leave the team before purchase. Pérez brought advantages to the team by being the best performing driver and still having good sponsors, something Esteban did not do. The choice for Pérez was based on offer and demand, a golden rule of the market.

Ocon tried vacancies on other teams, but all had other plans. Renault opted for Daniel Ricciardo. McLaren chose Lando Norris. Mercedes has renewed Valtteri Bottas’s contract. Toro Rosso has hired Alexander Albon and Daniil Kvyat (who had a career podium at the time, one more than Esteban Ocon). Stroll is no more guilty than Ricciardo, Norris, Perez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell, and Kubica for Ocon’s exit. Remembering that Stroll has a podium, a start from the front row, and three records on his carrer, skills that Ocon does not have. Blaming Stroll for being in Formula 1 while Ocon is out is the same as blaming Ayrton Senna for having more titles than Rubens Barrichello.

  • Truth: Ties with Toto Wolff has reduced Ocon’s opportunities in Formula One

Esteban’s countless compliments to Mercedes’ team chief and the move into Max Verstappen’s at the 2018 Brazilian Grand Prix prove that Ocon is very devoted to Toto Wolff, his patronize on sports. The other teams feared that a double agent would generate an espionage scandal or that their secrets would be leaked to the German team.

Many may think that because Mercedes has one of the best cars on the grid (if not the best) it would not be interested in information about other teams. However, teams always watch the performance of their competitors (see McLaren in 2007) for improvements and strategies.

  • Myth: Ocon was an outstanding driver and his departure was a great injustice.

Ocon was surpassed by all his teammates during his Formula One career. In his debut year in 2016, he trailed Pascal Werhlein in the final results. , although both scored zero because they entered Formula 1 midway through the year. In 2017 and 2018 was surpassed by Sergio Pérez, with 87 points against 100 in the first year and 49 against 62 in the second. This myth was created by journalists who, for personal reasons, focus on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen rather than praising Ocon for themselves. The driver data proves this.

In two and a half years of career, Ocon failed to win a podium, a front row start, a pole position, or a record, totaling only 136 points. Comparing to other riders of the same age group: Max Verstappen broke two records in his debut year and four more the following year, the same year he got a victory, five podiums and a start from the front row; Lance Stroll got a podium, three records, and a start from the front row in his debut year; Charles Leclerc did not achieve great results in his debut year, but a year later he has so far achieved two poles and five podiums. Remembering that in his debut year, Ocon was unable to score.

  • Truth: Ocon’s choices earned him a bad name in the paddock

The 2017 Belgian Grand Prix case, where Esteban accused Sergio Pérez of “trying to kill him”, is one of the examples of the narrative war the driver fought in his career. Perez even claimed that Ocon likes to victimize himself and make his rivals look like villains. The theory has foundations.

During his career, Ocon’s choices, whether racing maneuvers or press statements (including their lack/delay), made Pérez look like an “impulsive driver who could even kill his teammate”, Stroll looks like “an evil capitalist who buys seats in Formula One” and Verstappen looks like “an uncontrolled brawler who assaults his opponents”. All these media figures eventually turned against Esteban, who in front of the other teams got the image of “a treacherous and incompetent driver who gets along with no one but Toto Wolff”. With such a reputation, it is difficult to get a seat in Formula 1 because the teams are not trusted.

8- Comparisons between Ocon and Wehrlein

Pascal Wehrlein entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Sauber, where he scored in the Spanish Grand Prix and Azerbaijan Grand Prix. No sponsors who could help the team’s accounts, although it outperformed teammate Marcus Ericsson, was fired from the team to make way for Ferrari protégé Charles Leclerc. In 2018, he was named third Mercedes driver by godfather Toto Wolff, who promised a return to Formula One. As the promise was never fulfilled, he joined Ferrari as the third driver and was never seen on the track again.

Esteban Ocon entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Force India, where he scored 18 times but finished the championship with 13 points less than his teammate Sergio Pérez, who won him in 2018 as well. No sponsors who could help the team’s accounts and underperforming his teammate were fired. In 2019 he was placed as the third driver of Mercedes by godfather Toto Wolff, who promised him a return to Formula 1 (earlier he would have promised Bottas’ seat).

9- Conclusion

Esteban Ocon’s departure from Formula One in 2019 and his uncertainty for the future are the result of the poor choices the Spanish-French driver made during his career. Leaving gratitude to Toto Wolff in his head, Ocon handed his future into the hands of his godfather, who had failed to secure a vacancy for his other sponsor, Pascal Wehrlein. The lousy relationship with Sergio Pérez, the delay in helping longtime friend Lance Stroll as he suffered defamation, and move into Max Verstappen that allowed Lewis Hamilton to win at the 2018 Brazilian Grand Prix earned Esteban a tarnished reputation (double-loyal and victimhood) and distrust of the other teams (who opted to sign Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell and Robert Kubica). His results were not enough to justify his deserving of the seat at Force Point, Force India’s heiress, and his choices set him apart from the rest of the grid. The image of an “excellent driver wronged by others” is just a media invention of malicious journalists whose interests focus more on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen than on extolling Esteban’s great achievements in Formula One, which have so far not materialized. If Ocon has a chance to return to Formula One? Yes, but it will depend on the strategy adopted by Toto Wolff. At the moment, Ocon’s situation is almost identical to Wehrlein’s.

Esteban Ocon and Toto Wolff: Formula One’s most troubled marriage

 

10- Sources

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Entenda o Caso Esteban Ocon

Matéria escrita em 10 de agosto de 2019. A leitura nos dias de hoje pode ajudar a entender porque Esteban Ocon ficou sem vagas em 2019 e quais as atitudes que teve que tomar para voltar ao grid em 2020.

 

Esteban Ocon, piloto hispano-francês que correu na Fórmula 1 entre 2016 e 2018, é um dos nomes mais comentados quando começam as especulações no mercado de pilotos. Afinal, o jovem de 22 anos, apadrinhado de Toto Wolff, era tido por muitos como a promessa de uma futura estrela. Porém, ele ficou de fora do grid de 2019. Por que isso aconteceu? Ele ainda tem chances? Seu caso é complicado, mas iremos explicar tudo.

1- Início de carreira

Esteban Ocon é um caso raro na Fórmula 1. Por esta ser um esporte com muitos custos (peças, engenheiros, mecânicos, simuladores, etc.), é esperado que os pilotos tragam patrocínio para ajudar nas despesas de suas equipes. Portanto, os pilotos em sua maioria esmagadora são de origem rica. Ocon é uma das raras exceções. Nascido em uma família humilde de imigrantes espanhóis de Málaga, cidade na província de Andaluzia (a mais pobre do país), o jovem deve toda a sua carreira a Toto Wolff. Ocon chegou a afirmar que se não fosse pelo atual chefe de equipe da Mercedes, que lhe deu uma oportunidade para ingressar no automobilismo, estaria trabalhando em lanchonetes para ajudar a renda familiar. A relação entre Wolff e Ocon é uma peça fundamental para entendermos a situação atual do piloto.

Esteban Ocon e seus pais, Laurent e Sabrina

Em 2014, Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia, uma das principais categorias de acesso à Fórmula 1. No entanto, o jovem promovido naquele ano foi Max Emilian Verstappen. O jovem holandês, filho do ex-piloto Jos Verstappen, estreou na Toro Rosso em 2015, enquanto que o campeão Ocon permaneceu no anonimato até a metade de 2016, quando a Manor o contratou para substituir o indonésio Rio Haryanto no Grande Prêmio da Bélgica. Ocon terminou seu ano de estreia sem pontos, em 23⁰ lugar. Seu primeiro ponto veio com o Grande Prêmio da Austrália do ano seguinte, o qual Esteban terminou em 10⁰ lugar.

2- Caso semelhante

Pascal Wehrlein é um piloto alemão que também fora apadrinhado por Toto Wolff. Filho de pai alemão e mãe africana das Ilhas Maurício, ele estreou na Fórmula 1 pela Manor em 2016, no Grande Prêmio da Austrália. Tornou-se companheiro de Ocon após a demissão de Rio Haryanto. No final da temporada, a Manor decretou falência e anunciou que não competiria mais na Fórmula 1.

Pascal Wehrlein

Para garantir que seus apadrinhados permanecessem, Toto Wolff conseguiu bons contratos: Wehrlein foi mandado para a Sauber, substituindo o brasileiro Felipe Nasr, e Ocon para a Force India no lugar do alemão Nico Hülkenberg. A Rede Globo, emissora brasileira que detém os direitos de transmissão da Fórmula 1 no país, chegou a especular que Nasr iria para a Force India por ter resultados superiores aos de seu companheiro, o sueco Marcus Ericsson. No entanto, Nasr ficou de fora da categoria e Ocon preencheu a vaga. Inicialmente, muitos fãs brasileiros ficaram com raiva de Toto Wolff e Esteban Ocon.

Como o carro da Sauber tinha o pior rendimento do grid, Wehrlein só chegou a pontuar duas vezes, com o sétimo lugar no Grande Prêmio da Espanha, obtendo seis pontos, e o décimo lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, conseguindo um ponto. Seu companheiro foi o único piloto daquele ano a não pontuar. Para 2018, a Sauber teria de sacrificar um de seus pilotos para contratar o monegasco Charles Leclerc, campeão da GP2 (outra categoria importante de acesso à Fórmula 1) e membro da Academia de Pilotos da Ferrari. Leclerc é apadrinhado de Nicolas Todt, filho do atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt (chefe de equipe da Ferrari entre 1993 e 2007). A Sauber na época era uma equipe subordinada à Ferrari tal qual a Toro Rosso é à Red Bull atualmente. Tendo que escolher entre o sueco patrocinado pela Tetra Pak e o alemão com resultados melhores apadrinhado por Toto Wolff, a equipe suíça optou por Ericsson e Wehrlein foi demitido.

Wolff colocou Wehrlein no cargo de terceiro piloto da Mercedes, juntamente com o jovem inglês George Russell. Toto prometia a Pascal que lutaria até o fim para lhe garantir um assento na Fórmula 1, porém Wehrlein espera isso até hoje. Descontente com a situação, o alemão se juntou à Ferrari como terceiro piloto, substituindo o russo Daniil Kvyat, que voltava para a Toro Rosso depois de ter sido demitido da equipe.

3- Relação com outros pilotos

Nos tempos das categorias de acesso, Ocon fez amizade com o canadense Lance Stroll, cujo pai, Lawrence Stroll, era o dono da melhor equipe da Fórmula 3 Europeia e da GP2, a Prema Powerteam. Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia em 2014 por essa equipe. Lance fez o mesmo em 2016, quebrando o recorde de mais jovem campeão da categoria e primeiro canadense a ganhar o título. Alguns críticos avaliaram que Verstappen chamou mais atenção que o campeão Ocon por ter conseguido o terceiro lugar com um carro bem inferior (Van Amsterfoot Racing, motorizada pela Volkswagen). É válido notar que Verstappen foi a grande sensação de 2015. Os jornais automotivos só falavam do menino Max, seja por seus recordes, seja por seus acidentes ou por suas manobras arrojadas que lhe garantiam boas pontuações. Max foi eleito Estreante do Ano pela FIA em 2015. Tudo isso contribuiu para ofuscar a imagem de Ocon durante um ano e meio.

Com Stroll, Ocon travava uma amizade ao estilo “O Príncipe e o Mendigo”, pois ambos vieram de situações bem diferentes. Mas a amizade entre os dois provou que a riqueza não define caráter. Ser rico não quer dizer ser mau ou bom. Ser pobre não quer dizer ser bom ou mau. E mais para frente, vamos ver que isso realmente se aplica.

Com Wehrlein, Ocon não teve atritos consideráveis, situação bem diferente da que teve com o mexicano Sergio Pérez, seu companheiro na Force India. Os dois se enfrentaram em algumas ocasiões, principalmente no Grande Prêmio da Bélgica de 2017, quando um toque entre os dois na entrada da Eau Rouge espremeu Esteban contra o muro dos boxes. Ocon acusou Pérez de “tentar matá-lo”, enfurecendo os torcedores mexicanos, que passaram a ofendê-lo nas redes sociais. Alegando motivos de segurança, Esteban contratou seguranças armados para si e seus pais no Grande Prêmio do México daquele ano. Outro exemplo de atrito entre os dois foi no Grande Prêmio de Singapura, quando Pérez bateu em Ocon, tirando-o da prova.

Atrito entre Pérez e Ocon no Grande Prêmio da Bélgica de 2017. Ocon acusou Pérez de tentar matá-lo

4- Início da crise: a falência da Force India

Em 2018, o dono da Force India, Vijay Mallya, passou a ser investigado pelas autoridades indianas por suspeita de corrupção. A justiça britânica já negociava sua deportação para a Índia. Com as contas no vermelho e a confiabilidade baixa, a escuderia iniciou o processo de falência. Segundo informações de Mariana Becker, jornalista da Rede Globo, um empresário americano e um russo estavam interessados em comprá-la, mas não se chegou a um acordo.

Vendo uma oportunidade de investimento, Lawrence Stroll montou um consórcio de empresários e comprou a Force India, com Mallya assumindo qualquer pendência relativa ao período de sua gestão, inclusive o processo que Sergio Pérez moveu contra a equipe. O filho de Stroll, Lance, que havia feito uma boa temporada com a Williams em 2017 (conseguindo um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes), sofria com um carro nada competitivo na escuderia inglesa. Especulava-se que quando Lawrence comprasse a equipe, Lance se transferiria para ela.

Matéria do jornal Independent, que menciona os 405 empregos salvos por Lawrence Stroll

Como explicado no começo dessa matéria, a Fórmula 1 precisa que os pilotos tragam patrocínio para manter o esporte. Pérez traz o patrocínio de empresas como Telmex e Claro e do governo do estado de Jalisco, no México. Ocon, por sua vez, era bancado unicamente por Toto Wolff.

5- Tentativas de contrato com outras equipes

  • Mercedes: o padrinho acata a vontade de Niki Lauda

Segundo a imprensa, Toto Wolff havia dado conselhos a Ocon antes do Grande Prêmio de Mônaco de 2018. Ele teria dito que, caso não dificultasse a ultrapassagem de Lewis Hamilton após o pit stop, Esteban assumiria a segunda vaga da Mercedes, já que o finlandês Valtteri Bottas tinha o desempenho bem inferior ao de Hamilton. Isso teria ocorrido bem antes da compra da Force India (que foi efetuada nas férias dos pilotos, antes do Grande Prêmio da Bélgica). Ocon facilitou a ultrapassagem do inglês em todas as corridas.

Ou seja, meses antes da Force India ir à falência e ser vendida, Esteban Ocon já estava cotado a deixar a equipe. Porém, o então conselheiro da Mercedes, o tricampeão Niki Lauda, recomendou a Wolff que desse mais uma chance a Bottas. O chefe de equipe acatou o pedido e renovou o contrato do finlandês por mais um ano. Caso Ocon deixasse a Force India, o que era o mais provável por não trazer os mesmos benefícios que Pérez, Wolff teria de se esforçar para encaixar seu pupilo em uma escuderia nova.

  • Renault

Em 2018, a equipe francesa contava com o espanhol Carlos Sainz Jr. e com o alemão Nico Hülkenberg. O primeiro foi chamado para substituir Fernando Alonso na McLaren depois que o bicampeão anunciou sua aposentadoria. O segundo teve seu contrato renovado. Com isso, a Renault tinha uma vaga disponível para 2019. Segundo a imprensa, Toto Wolff negociava a transferência de Ocon para essa escuderia, pois o piloto não era vantajoso nem financeiramente, nem em termos de desempenho, já que seus resultados estavam abaixo dos de Pérez.

Porém, ninguém contava com uma reviravolta na Red Bull. O anúncio de que a equipe austríaca correria com o motor da Honda em 2019 desagradou um de seus pilotos, o australiano Daniel Ricciardo. Temendo passar por uma série de quebras como houve com a McLaren em 2016 e a Toro Rosso em 2017, Ricciardo optou por deixar a Red Bull e assinou contrato com a Renault, preenchendo a segunda vaga da equipe. Essa era a primeira porta que se fechava para Ocon.

  • McLaren

Insatisfeita com os resultados do belga Stoffel Vandoorne, a escuderia inglesa demitiu o piloto e chamou Carlos Sainz Jr. para substituir Fernando Alonso, que se aposentaria no final de 2018. Consequentemente, uma vaga também estaria disponível na McLaren. Fontes afirmam que Toto Wolff também contatou os britânicos para garantir uma vaga para Ocon. No entanto, a equipe optou por um jovem piloto inglês que estava há anos no programa de treinamento da escuderia. Seu nome era Lando Norris, filho de um empresário inglês bilionário. Com isso, uma segunda porta se fechou para Esteban Ocon.

  • Williams: o caso Lance Stroll

Se 2017 foi um ano glorioso para a equipe inglesa, pois o pódio de Lance Stroll lhe garantiu o quinto lugar no campeonato de construtoras, 2018 foi arruinado pela incompetência de seus engenheiros. Lawrence Stroll era um dos principais financiadores da equipe, juntamente com o banco SMP, que patrocinava o russo Sergey Sirotkin. A equipe de engenharia liderada pelo britânico Paddy Lowe falhava em criar um carro competitivo, com promessas de melhorias que eram sempre adiadas. Amargando nas últimas posições do grid, os pilotos eram acusados injustamente pelos problemas da equipe, por estarem em maior evidência.

Obviamente, Lance estava descontente com a incompetência da equipe e tratamento injusto por parte da imprensa e dos torcedores. Também era nítida a antipatia de Claire Williams, chefe de equipe e filha do fundador Frank Williams, pelo piloto canadense e o embate entre Claire e Lawrence criava um clima pesado na escuderia. Lembrando que era a segunda vez que a má gestão da família Williams levava a equipe a ficar nas mãos de um investidor de fora (Toto Wolff em 2009 e Lawrence Stroll em 2017). Lawrence percebeu que o investimento não valeria a pena e encontrou uma oportunidade na compra da Force India.

Embora seu pai tenha assumido como o novo dono da equipe, Lance não se transferiu para a escuderia. Esse é o primeiro argumento que rebate a acusação que caiu sobre o canadense: de que seu pai teria comprado a Force India para que o filho tivesse um assento melhor, mesmo que tivesse que sacrificar seu amigo. Se Lawrence fosse simplesmente um pai tentando agradar o filho, teria pago a rescisão de contrato de Ocon e colocado Lance no time imediatamente. Não foi o que aconteceu. Esteban permaneceu na equipe, agora com o nome de Racing Point Force India, até o final do ano.

Muitos esperavam que Lance e Esteban trocassem de equipe. Em outras palavras, Stroll iria para a Force India e Ocon para a Williams. Com o desempenho de Sirotkin abaixo do esperado e com a partida de Stroll, a escuderia inglesa teria duas vagas disponíveis. Toto Wolff entrou em ação, colocando seu pupilo em uma das vagas da Williams. Seu nome, GEORGE RUSSELL.

O jovem inglês era membro do programa de desenvolvimento de pilotos da Mercedes e atuava como terceiro piloto da equipe alemã. Há muito tempo ele esperava uma oportunidade na Fórmula 1. Wolff não deu explicações sobre porque optou por garantir um assento a um novato em vez do apadrinhado que estava ficando sem chances. Apenas alegou que Russell tinha qualificações para a vaga.

Ao mesmo tempo, especulava-se sobre a volta de Robert Kubica às pistas. O polonês estava afastado desde 2011, quando sofreu um grave acidente que deixou seu braço esquerdo lesionado. Seu empresário era ninguém menos do que o campeão de 2016, Nico Rosberg. O retorno Kubica era um investimento arriscado: sua equipe teria que gastar mais dinheiro para adaptar o carro a suas deficiências e não havia garantia de que seu desempenho seria bom. Rosberg alegava que empresas polonesas estariam dispostas a patrocinar o piloto e que os torcedores do país ansiavam pela volta de Kubica desde a aposentadoria do brasileiro Felipe Massa.

  • Toro Rosso: apadrinhado do Toto Wolff? Nem pensar!

A Toro Rosso passava por uma dança das cadeiras inigualável. Insatisfeita com os sucessivos acidentes de Daniil Kvyat, a equipe correu em 2018 com Pierre Gasly e Brendon Hartley. No entanto, o segundo também se envolveu numa série de colisões que irritaram os dirigentes da equipe italiana.

Com Hartley demitido e Gasly promovido para a Red Bull após a saída de Daniel Ricciardo para a Renault, havia duas vagas disponíveis. No entanto, dois fatores dificultavam as chances de Ocon. O primeiro é o fato da Toro Rosso ser uma equipe subordinada à Red Bull, e normalmente seus pilotos estão ligados a ela: ou são jovens do programa de treinamento ou foram rebaixados da escuderia. Esteban não tinha laços com a Red Bull. O segundo fator era a ligação de Ocon com Toto Wolff. O chefe de equipe, Franz Tost, chegou a afirmar que não queria pilotos ligados à Mercedes na equipe. Talvez a escuderia temesse um escândalo de espionagem como o da McLaren em 2007 ou que Ocon contasse para Wolff os segredos do time, que usava motores Honda.

6- A imagem de Esteban Ocon

  • Stroll é jogado na fogueira; Ocon demora a socorrer o amigo

Lance Stroll estreou pela Fórmula 1 em 2017 pela Williams, aos 18 anos, no Grande Prêmio da Austrália. Três abandonos sucessivos e acidentes nos treinos livres fizeram a imprensa e os torcedores esquecerem de seus feitos na Fórmula 3 Europeia (como seu título e recorde) e o considerarem um “piloto pagante”. Essa fama injusta acompanhou Lance até seu terceiro lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, no qual quebrou o recorde de “mais jovem estreante a ter pódio”. Ocon até então não tinha pódio, mesmo com um carro superior, e assim permaneceu até o fim de sua carreira.

Com os problemas enfrentados pela Williams em 2018, a fama de “piloto pagante” voltou a pairar sobre Stroll, principalmente porque a mídia atribuía aos pilotos a culpa pelo mau rendimento do carro, mesmo isto sendo responsabilidade dos engenheiros. Quando seu pai, Lawrence Stroll, comprou a Force India na segunda metade do ano, salvando o emprego de 405 trabalhadores, os fãs de Esteban Ocon, envolvidos por uma raiva mortal, passaram a atacar Lance em suas redes sociais com as ofensas mais terríveis possíveis, algumas inclusive de teor racial. Pouco se falou dos empregos salvos, ou das vantagens que Pérez e Stroll trariam à equipe, ou que a falta de patrocínio e resultados de Ocon o atrapalhou na questão. Alguns simplesmente não admitiam que um piloto canadense judeu descendente de indígenas que possuía um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes substituísse um piloto branco de origem europeia sem pódios e sem recordes.

Mas o mais surpreendente nesse caso foi a reação de Esteban Ocon. A Force India foi comprada em agosto de 2018. Ocon só se manifestou sobre os ataques a Lance em setembro de 2018. Em um mês, a mídia e os torcedores tiveram tempo suficiente para lançar boatos caluniosos sobre o canadense, enquanto que seu amigo desde a época da Fórmula 3 assistia a tudo calado. Ocon classificou os ataques como “irracionais” e lançou um stories em seu Instagram no qual ressaltava sua amizade com Stroll apesar de suas “origens diferentes”. Por que Ocon demorou um mês para acudir o amigo que sofria uma das mais baixas campanhas de difamação na história da Fórmula 1? Por que Ocon ressaltou diferenças nas “origens” de ambos, sendo que Stroll sofria ofensas raciais e ataques por ser rico (coisa que 99,9% dos pilotos é)?

Postagem no Instagram de Ocon defendendo Stroll um mês depois
  • Batida em Verstappen no Grande Prêmio do Brasil; a martelada final

Com 99,9% das vagas indisponíveis para Ocon, suas chances de permanecer na Fórmula 1 estavam cada vez mais escassas. No dia 11 de novembro de 2018, ocorreu o Grande Prêmio do Brasil, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Embora Lewis Hamilton tenha obtido a pole position, Max Verstappen conseguiu a liderança da prova e caminhava rumo à vitória. Esteban era o 16º e saía dos boxes quando acelerou e ignorou a bandeira azul, chocando-se contra Verstappen. Os dois pilotos saíram temporariamente da pista, possibilitando a ultrapassagem de Hamilton. Verstappen voltou em segundo lugar, com danos no carro. Ocon foi punido com 10 segundos de stop-and-go. A vitória de Hamilton estava na conta desse incidente.

Depois da cerimônia do pódio, Verstappen procurou Ocon para esclarecer a situação. Com um sorrisinho debochado no rosto, Esteban lhe respondeu que “estava mais rápido” e portanto tinha o direito de estar na frente mesmo com a bandeira azul.

Nota: Acreditem, há quem engula essa desculpa esfarrapada até hoje.

Verstappen ficou irado com o deboche e partiu para a agressão física, empurrando sucessivamente Ocon até que ambos foram separados. Max deixou a sala visivelmente irritado, enquanto que Esteban continuava rindo e caçoando do holandês. Depois, ele teve a coragem de dizer que “Max não agiu como homem”. Desrespeitar a bandeira azul, que obriga os retardatários a deixar os pilotos da frente passar, é coisa de homem? Caçoar da pessoa prejudicada em vez de assumir o erro e pedir desculpas é coisa de homem? Ver o amigo sendo vítima de difamação e ajudá-lo somente um mês depois é coisa de homem? Acusar o companheiro de equipe de tentativa de homicídio é coisa de homem?

Ocon caçoa de Verstappen após manobra que impediu sua vitória
  • Veredito: culpado por fidelidade máxima a Toto Wolff; Sentença: ficar sem vaga para 2019

A reação de Ocon ao choque com Max Verstappen gerou duas teorias para explicá-la: a primeira é um possível ressentimento de Esteban pela promoção de Max à Fórmula 1 em 2015, mesmo este sendo o terceiro colocado na Fórmula 3 Europeia de 2014 enquanto que o hispano-francês havia sido o campeão; a outra é a de que Ocon estaria passando uma mensagem a Toto Wolff de que ele seria um ótimo piloto para a equipe, já que suas ações inegavelmente garantiram a vitória de Lewis Hamilton.

Se por um lado essa imagem lhe traria benefícios com Wolff, ela rendeu a Ocon uma péssima reputação com as outras equipes. Esteban passou a ser visto como um agente leal ao chefe de equipe da Mercedes, e sua presença em outras escuderias poderia significar espionagem, traição e dupla-lealdade. Ocon não ganhou nada com o acidente com Verstappen: não pontuou, recebeu punição e teve a reputação manchada. Os únicos beneficiados com o acontecimento foram Hamilton, pela vitória, e Valtteri Bottas, que permanecia em quarto lugar no campeonato, à frente de Verstappen. Mas isso não se manteve até o final, pois na última corrida do ano, em Abu Dhabi, Max conseguiu um terceiro lugar e tomou a posição de Bottas no campeonato, ficando a apenas três pontos do terceiro colocado, Kimi Raikkonen.

Depois do Grande Prêmio do Brasil, Claire Williams anunciou que a equipe britânica havia contratado Robert Kubica, encerrando todas as chances de Esteban continuar na categoria máxima do automobilismo. Wolff não teve outra alternativa a não ser colocá-lo como terceiro piloto da Mercedes.

7- Mitos e verdades

  • Mito: Stroll é o culpado pela saída de Ocon da Fórmula 1.

Stroll não assumiu a vaga logo após o pai ter comprado a Force India com a ajuda de um consórcio de empresários. Mesmo tendo condições de pagar uma rescisão de contrato, os novos donos da escuderia deixaram Ocon correr pela equipe até o final de seu contrato. Ocon também era cotado para sair da equipe antes da compra. Pérez trazia vantagens para a equipe por ser o piloto com melhor desempenho e ainda trazer bons patrocinadores, coisa que Esteban não fazia. A escolha por Pérez foi baseada em oferta e demanda, uma regra de ouro do mercado.

Ocon tentou vagas em outras equipes, porém todas tiveram outros planos. A Renault optou por Daniel Ricciardo. A McLaren escolheu Lando Norris. A Mercedes renovou o contrato de Valtteri Bottas. A Toro Rosso contratou Alexander Albon e Daniil Kvyat (que tinha na época um pódio na carreira, um a mais que Esteban Ocon). Stroll não é mais culpado que Ricciardo, Norris, Pérez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell e Kubica pela saída de Ocon. Lembrando que Stroll tem um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes na carreira, competências que Ocon não tem. Culpar Stroll por estar na Fórmula 1 enquanto que Ocon está fora é a mesma coisa que culpar Ayrton Senna por ter mais títulos que Rubens Barrichello.

  • Verdade: a ligação com Toto Wolff diminuiu as oportunidades de Ocon na Fórmula 1

Os incontáveis elogios de Esteban ao chefe de equipe da Mercedes e a manobra para cima de Max Verstappen no Grande Prêmio do Brasil de 2018 comprovam que Ocon tem muita devoção a Toto Wolff, seu padrinho no esporte. As outras equipes temiam que um agente-duplo gerasse um escândalo de espionagem ou que seus segredos fossem vazados para a escuderia alemã.

Muitos podem pensar que, devido ao fato da Mercedes ter um dos melhores carros do grid (se não o melhor) ela não estaria interessada em informações sobre os outros times. Porém, as equipes sempre observam o desempenho de suas concorrentes (vide McLaren em 2007) em busca de melhorias e estratégias.

  • Mito: Ocon era um piloto de desempenho excelente e sua saída foi uma grande injustiça

Ocon foi superado por todos os seus companheiros de equipe durante sua carreira na Fórmula 1. Em seu ano de estreia, em 2016, ficou atrás de Pascal Werhlein nos resultados finais (embora ambos tivessem pontuação nula) por ter entrado na Fórmula 1 no meio do ano. Em 2017 e 2018 foi superado por Sergio Pérez, com 87 pontos contra 100 no primeiro ano e 49 contra 62 no segundo. Esse mito foi criado por jornalistas que, por motivos pessoais, focam em difamar Pérez, Stroll e Verstappen mais do que em elogiar Ocon por si. Os dados do piloto provam isso.

Em dois anos e meio de carreira, Ocon não conseguiu UM pódio, UMA largada da primeira fila, UMA pole position nem UM recorde, somando apenas 136 pontos. Comparando com outros pilotos da mesma faixa etária: Max Verstappen quebrou dois recordes em seu ano de estreia e mais quatro no ano seguinte, mesmo ano que obteve uma vitória, cinco pódios e uma largada da primeira fila; Lance Stroll conseguiu um pódio, três recordes e uma largada da primeira fila em seu ano de estreia; Charles Leclerc não obteve grandes resultados em seu ano de estreia, mas um ano depois conseguiu, até o presente momento, duas poles e cinco pódios. Lembrando que em seu ano de estreia, Ocon foi incapaz de pontuar.

  • Verdade: as escolhas de Ocon lhe renderam má fama no paddock

O caso do Grande Prêmio da Bélgica de 2017, no qual Esteban acusou Sergio Pérez de “tentar matá-lo”, é um dos exemplos da guerra de narrativas que o piloto travou em sua carreira. Pérez chegou a afirmar que Ocon gosta de se vitimizar e fazer seus rivais parecerem vilões. A teoria tem embasamentos.

Durante sua carreira, as escolhas de Ocon, sejam elas manobras nas corridas ou declarações à imprensa (incluindo a falta/demora delas), fizeram Pérez parecer um “piloto impulsivo que seria capaz inclusive de matar o colega de equipe”, Stroll parecer “um capitalista malvadão que compra assentos na Fórmula 1” e Verstappen parecer “um brigão descontrolado que agride seus adversários”. Todas essas figuras midiáticas acabaram por se voltar contra Esteban, que perante às demais equipes ficou com a imagem de “um piloto traiçoeiro e incompetente que não se dá bem com ninguém a não ser com Toto Wolff”. Com essa reputação, é difícil arrumar um assento na Fórmula 1 porque não se tem a confiança das escuderias.

8- Comparações entre Ocon e Wehrlein

Pascal Wehrlein entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Sauber, onde pontuou no Grande Prêmio da Espanha e no Grande Prêmio do Azerbaijão. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe, embora tenha superado seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, foi demitido da equipe para dar lugar a Charles Leclerc, protegido da Ferrari. Em 2018 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1. Como a promessa jamais foi cumprida, juntou-se à Ferrari como terceiro piloto e nunca mais foi visto nas pistas.

Esteban Ocon entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Force India, onde pontuou 18 vezes, porém terminou o campeonato com 13 pontos a menos que seu companheiro, Sergio Pérez, que o venceu em 2018 também. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe e com um desempenho inferior ao do companheiro, foi demitido. Em 2019 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1 (antes teria prometido a vaga de Bottas).

9- Conclusão

A saída de Esteban Ocon da Fórmula 1 em 2019 e sua incerteza para o futuro são frutos das péssimas escolhas que o piloto hispano-francês realizou durante a carreira. Deixando a gratidão a Toto Wolff lhe subir à cabeça, Ocon entregou seu futuro nas mãos do padrinho, que havia falhado em conseguir uma vaga para seu outro apadrinhado, Pascal Wehrlein. O péssimo relacionamento com Sergio Pérez, a demora em socorrer o amigo de longa data Lance Stroll enquanto este sofria difamação e a manobra para cima de Max Verstappen que possibilitou a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prêmio do Brasil de 2018 renderam a Esteban uma reputação manchada (de vitimista com dupla-lealdade) e desconfiança das outras equipes (que optaram pelas contratações de Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell e Robert Kubica). Seus resultados não foram suficientes para justificar seu merecimento à vaga na Racing Point, herdeira da Force India, e suas escolhas o afastaram das demais escuderias do grid. A imagem de “piloto excelente injustiçado pelos demais” não passa de uma invenção midiática de jornalistas mal intencionados cujos interesses focam mais em difamar Pérez, Stroll e Verstappen do que em exaltar os grandes feitos de Esteban na Fórmula 1, que até agora não se materializaram. Se Ocon tem chances de voltar à Fórmula 1? Tem, mas isso dependerá da estratégia adotada por Toto Wolff. No momento, a situação de Ocon está praticamente idêntica à de Wehrlein.

Esteban Ocon e Toto Wolff: o casamento mais problemático da Fórmula 1

 

10- Fontes

Fotos

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