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Quem é Lawrence Stroll? O Papai Famoso de Lance

O empresário Lawrence Stroll vem atraindo a atenção da mídia esportiva nos últimos anos devido a seus investimentos na Fórmula 1. Desde o ingresso de seu filho caçula Lance na categoria até a compra da equipe Force India (atual Racing Point e futura Aston Martin) o nome de Stroll desperta curiosidade em jornalistas e torcedores.

No entanto, muitas vezes os fãs da Fórmula 1 acabam por acreditar em boatos e ter falsas impressões a respeito do canadense, e com isso não percebem as verdadeiras intenções de seus detratores. Nesta matéria, vamos explicar quem é Lawrence Stroll através de fatos e mostrar para o apaixonado por automobilismo quem é o famoso “Papai Stroll”.

 

1- A origem dos Strolls

 

A família Stroll, cujo nome original é Strulovitch, tem origens na Rússia. Durante a era dos czares, os judeus foram intensamente perseguidos. Uma das políticas de Estado eram os pogroms: invasões de aldeias judaicas acompanhadas de saques, incêndios e mortes. Logo, muitos judeus tinham esperança em novos tempos com as revoluções de 1917 (inclusive, alguns líderes dos movimentos contra o czar Nicolau II, como Leon Trotsky, eram judeus). No entanto, o período soviético não trouxe paz para esta comunidade, sobretudo no regime de Josef Stalin. As perseguições não apenas continuaram, como se intensificaram.

Com isso, muitos judeus fugiram da Rússia rumo a países democráticos. Uma grande parte fugiu para as Américas. Foi o caso de Leo Strulovitch. Recomeçando a vida no Novo Continente, Strulovitch e sua esposa Sandra (nascida no Canadá) tiveram dois filhos: Lawrence e Randy. O jovem Lawrence cresceu observando seu pai, que trabalhava como comerciante de roupas (tornando-se investidor anos depois, introduzindo a linha feminina da Pierre Cardin e a marca Ralph Lauren no Canadá), e decidiu seguir seus passos. Estudou, trabalhou, montou seus primeiros negócios, e alguns anos depois começou seus primeiros investimentos.

 

Lawrence Stroll e seu sócio Silas Chou. [1]

 

Lawrence Stroll é apontado como o responsável pela popularização da marca Polo Ralph Lauren no continente europeu e da expansão da Michael Kors no mercado. Em 1989, Stroll e seu sócio Silas Chou fundaram a Sportswear Holdings Limited, uma das maiores empresas do setor da moda de toda a história, como apontado pelo jornalista espanhol Jaime Cevallos. A companhia permitiu a popularização da marca Tommy Hilfiger, que conquistou um grande espaço no setor têxtil. Na década de 2000, Stroll e Chou viram algumas marcas que receberam seus investimentos, como a Michael Kors, entrar na Bolsa de Valores. A compra e venda de ações renderam uma boa fortuna aos empresários.

Em agosto de 1994, Stroll se casou com a estilista belga Claire-Anne Callens. Em 11 de março do ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal: Chloe. O segundo filho, Lance, nasceu em 29 de outubro de 1998. Dona da grife Callens, Claire-Anne administra seus negócios sozinha, e suas lojas se encontram em muitas cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá.

 

Claire-Anne Callens: estilista belga e esposa de Lawrence Stroll. [2]

 

2- Lawrence Stroll e o esporte: uma interação antiga

 

No documentário W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll relata que participou do Ferrari Challenge, uma competição feita por colecionadores que possuem o modelo Ferrari 348, por volta de seus 30 anos e continuou durante a infância de seus filhos, que eram levados para ver o pai no evento. Esta foi a primeira inserção de Stroll no mundo esportivo, muito antes de Lance pensar em ser piloto de Fórmula 1. Logo, cai por terra o primeiro mito sobre o empresário: de que ele só teria entrado no ramo do automobilismo porque seu filho queria ser piloto.

Assim como Lawrence adquiriu gosto pela moda ao observar o trabalho de seu pai Leo, Lance Stroll compartilha o amor pelo esporte com seu pai. O automobilismo é uma das categorias esportivas mais caras que existem devido ao custo de sua mão de obra e materiais. Consequentemente, é necessário que haja um suporte financeiro na carreira dos atletas, tornando impossível o ingresso de pilotos sem investimentos desde às categorias de base até as mais altas. Possuidor de uma fortuna decorrente de seus negócios no ramo têxtil, Lawrence Stroll foi um dos apoiadores do filho em seu caminho no esporte.

 

Lawrence Stroll no Ferrari Challenge com seus filhos. [3]

 

A formação de um piloto requer investimento e desempenho atlético. Neste caso, pouco importa se o patrocínio vem de sua família ou não. Um piloto talentoso sem um bom investimento não consegue ajudar nas contas da equipe, enquanto que um atleta sem aptidão não alcança bons resultados que se traduzem em ganhos financeiros para a escuderia. Com esses obstáculos, é quase impossível um piloto chegar à categoria máxima do automobilismo mundial apenas com aparato financeiro e com um desempenho frustrante. Atletas assim normalmente abandonam suas carreiras em etapas mais baixas, como o kart. Ainda, de acordo com Nuno Sousa Pinto, diretor esportivo, a própria FIA dificultou ainda mais o ingresso de pilotos cujos desempenhos não justificariam os investimentos em suas carreiras (os famosos “pilotos pagantes”): a partir de 2016, para entrar na Fórmula 1 seria preciso marcar 40 pontos na Superlicença.

 

3- Lance e Lawrence: pai e filho na Fórmula 1

 

Sendo campeão da Fórmula 4 Italiana em 2014 (o primeiro da categoria), da Toyota Racing Series em 2015, e da Fórmula 3 Europeia em 2016, Lance Stroll obteve os pontos necessários na Superlicença para ingressar na Fórmula 1 em 2017 pela equipe Williams. Nuno Sousa Pinto aponta que o currículo de Stroll é mais impressionante do que de muitos atletas jovens que também chegaram à Fórmula 1, e que apesar destes também virem de famílias ricas não são criticados pela imprensa. Isto revela que, infelizmente, alguns jornalistas deixam as preferências pessoais se sobressair ao profissionalismo esperado e espalham desinformação, ignorando um dos princípios mais importantes do jornalismo: a ética.

Os atletas têm um tempo de adaptação à categoria em que atuam. As críticas a Lance Stroll logo durante a pré-temporada foram, do ponto de vista jornalístico, precipitadas. Isso se comprovou ainda no primeiro semestre de 2017, quando Stroll marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio do Canadá e teve seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Azerbaijão, quebrando seu primeiro recorde: mais jovem estreante a ter pódio. Um piloto “pagante” jamais conseguiria resultados tão impressionantes, pois não teria aptidão para o esporte, apenas aporte financeiro. No Grande Prêmio da Itália, Stroll quebrou o recorde de mais jovem piloto a largar da primeira fila, comprovando seu potencial e talento para o automobilismo.

 

Pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017. [4]

 

Em uma entrevista para a emissora canadense RDS em agosto de 2018, Lance Stroll afirmou que seu pai é um homem de negócios, e que investe em empreendimentos que ele tem a certeza de que darão certo. Portanto, o interesse de Lawrence Stroll em escuderias, desde a Prema Powerteam à Racing Point, vai muito além de uma interação com seu filho: trata-se de oportunidades de bons investimentos.

Vale a pena ressaltar que os únicos pilotos do grid de 2020 que vieram de famílias mais humildes são Esteban Ocon e Valtteri Bottas. Todos os demais provém de família com boas condições financeiras: alguns de classe média como Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen, outros de classes mais abastadas. No entanto, todos, sem exceção, possuem aporte financeiro, seja de suas famílias, de empresas ou até de ambos. Alguns pilotos são filhos de empresários (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, etc.), que atuam em diferentes nichos (moda, investimentos, automóveis, engenharia, entre outros). Outros são filhos de atletas (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., Pierre Gasly), logo também têm condições privilegiadas desde o nascimento. A origem do piloto não interfere em seu desempenho pois, como definiu Lawrence Stroll, os pais não dirigem o carro pelos filhos.

 

4- Os rumores: noticiando antes de saber a verdade

 

Em 2018, quando a Force India foi vendida para o consórcio liderado por Lawrence Stroll (formado também por Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman e Andre Desmarais), especulava-se que Lance se mudaria para a equipe imediatamente, já que falhas contínuas do departamento de engenharia da Williams comprometeram o desempenho de seus carros. Com a saída de Esteban Ocon do time, no final daquele ano, os fãs do piloto francês e alguns jornalistas imediatamente jogaram a culpa nos Strolls, como se o futuro de Ocon já estivesse garantido antes da venda da escuderia.

Na verdade, como relatou Joas van Wingerden, Toto Wolff já cogitava tirar seu apadrinhado da Force India. As negociações falharam porque os laços entre Ocon e Wolff eram vistos com desconfiança pelas outras equipes, como afirmado por Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. Este fato se comprovou em 2019, quando Ocon desfez seus vínculos com Wolff para conseguir uma oportunidade de voltar à Fórmula 1 pela Renault.

Na época da compra da Force India, Sergio Pérez era mais atrativo para os investidores do que Esteban Ocon devido a sua consistência em pontuação e patrocinadores. Isso, somado às pretenções do empresário do piloto francês, garantiu que o mexicano fosse a melhor opção para correr ao lado de Lance Stroll. Além disso, o canadense apresentava boas perspectivas de futuro, devido aos investimentos e seus feitos no ano de estreia.

 

Lance Stroll e Sergio Pérez na Racing Point. [5]

 

Em 2020 ocorreu uma situação parecida. Sebastian Vettel não teve seu contrato com a Ferrari renovado pois seu trabalho não estava atendendo às expectativas do time. Os donos da Racing Point cogitaram contratá-lo em razão de seu passado como tetracampeão e de seu investimento financeiro. Embora parecesse óbvio que Lance Stroll não seria o escolhido para dar sua vaga a Vettel, isso não se deve simplesmente ao fato de ele ser filho de um dos donos. Existem de fato empresas que priorizam laços familiares e se os membros não são preparados para assumir as responsabilidades o negócio acaba por falir. Mas este não é o caso que se observa em Lawrence Stroll: o sucesso de seus investimentos se deve ao cuidado nas decisões.

Isso significa que laços familiares não são o fator decisivo para escolhas como esta. O que se discutia era qual dos dois pilotos, Stroll ou Pérez, teria mais chances de trazer os resultados que a equipe pretende alcançar em 2021. Ambos têm boas conquistas, diferindo no tempo de carreira na Fórmula 1: Pérez tem 10 e Stroll tem quatro. Em termos técnicos, os dois podem ser considerados pilotos experientes, mas o mexicano teria mais chances de se aposentar mais cedo, pois já tem 30 anos e está há uma década na Fórmula 1. Tendo ambos bons patrocínios, os investidores esportivos encontram mais perspectivas em atletas jovens, como é o caso de Stroll.

Percebe-se que os negócios envolvem questões muito mais profundas do que apenas laços de parentesco. O investimento na Fórmula 1 é de alto risco e, portanto, as decisões exigem cautela. É claro que a inconstância de narrativas na divulgação dos acontecimentos na Racing Point não facilitou a compreensão dos fatos, e quem não entende bem como funcionam os negócios pode impetuosamente julgar que se trata de um caso de pai protegendo o filho. Por isso se deve analisar friamente os fatos para divulgar as informações corretamente.

 

5- Conclusão

 

Esta é a história de Lawrence Stroll: um homem que construiu sua fortuna com investimentos e empreendedorismo, um trabalho que exige muito empenho e cautela. Se você esperava o estereótipo de um rico herdeiro de um grande capital, casado com uma socialite e com um filho boa vida, procure outra pessoa. Talvez você encontre algum pai de piloto com esse perfil, mas esse definitivamente não é Lawrence Stroll.

 

Atualização (09/10/2020): Como revelado por Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), Sebastian Vettel havia comprado ações da Aston Martin antes de assinar o contrato com a equipe. Logo, este fato reforça o que dizemos neste artigo: a contratação de Vettel em vez da renovação de contrato de Sergio Pérez foi feita com base em negócios, não em privilégio de Lance Stroll por ser filho do dono.

 

Bibliografia

 

 

Fotos

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Who’s Lawrence Stroll? Lance’s Famous Daddy

Businessman Lawrence Stroll has been attracting the attention of sports media in recent years due to his investments in Formula One. From the entry of his youngest son Lance into the category to the purchase of the Force India team (now Racing Point and future Aston Martin), the Stroll name arouses curiosity in journalists and fans.

However, Formula One fans often end up believing in rumors and having false impressions about the Canadian. Consequently, they do not realize the true intentions of his detractors. In this article, we will explain who is Lawrence Stroll through facts and show to the motorsports lovers who is famous Daddy Stroll.

 

1- The origin of the Strolls

 

The Stroll family, whose original name is Strulovitch, has origins in Russia. During the tsar era, there was intense persecution of Jews. One of the state policies was the pogroms: invasions of Jewish villages accompanied by raids, fires, and deaths. Soon, many Jews had hoped for new times with the revolutions of 1917 (including some leaders of the movements against Tsar Nicholas II, such as Leon Trotsky, were Jews). However, the Communist period did not bring peace to this community, especially in the regime of Josef Stalin. The persecutions not only continued but intensified.

As a part, many Jews fled Russia for democratic countries. A large part fled to the Americas. It was the case of Leo Strulovitch. Resuming life on the New Continent, Strulovitch and his wife Sandra (born in Canada) had two children: Lawrence and Randy. Lawrence decided to follow in the footsteps of his father, a clothing merchant who, years later, became an investor and introduced Ralph Lauren and Pierre Cardin’s feminine line in Canada. He studied, worked, set up his first businesses, and started his initial investments a few years later.

 

Lawrence Stroll and his partner Silas Chou. [1]

 

Specialists point Lawrence Stroll as responsible for the popularization of the Polo Ralph Lauren brand in the European continent and the expansion of Michael Kors in the market. In 1989, Stroll and his partner Silas Chou founded Sportswear Holdings Limited, one of the largest companies in the fashion industry in history, as pointed out by Spanish journalist Jaime Cevallos. The company allowed the popularization of the Tommy Hilfiger brand, which gained a large space in the textile sector. In the 2000s, Stroll and Chou saw some brands that received their investments entered the Stock Exchange, like Michael Kors. The purchase and sale of shares earned a good fortune to entrepreneurs.

In August 1994, Stroll married Belgian fashion designer Claire-Anne Callens; On March 11 of the following year, their first daughter Chloe was born. Their second son, Lance, was born on October 29, 1998. Owner of the Callens brand, Claire-Anne runs her business alone, and her stores are in many cities in Europe, the United States, and Canada.

 

Belgian fashin designer Claire-Anne Callens, Lawrence Stroll’s wife. [2]

 

2- Lawrence Stroll and sport: an ancient interaction

 

In the documentary W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll reports that he raced in the Ferrari Challenge, a competition made by collectors who own the Ferrari model 348, around his 30 years and continued during the childhood of his children, who used to see their father at the event. That was the first insertion of Stroll into the sporting world, long before Lance thought about being a Formula One driver. Soon, the first myth about the entrepreneur falls apart: that he would only have entered the motorsport business because his son wanted to be a driver.

Just as Lawrence acquired a taste for fashion by observing the work of his father Leo, Lance Stroll shares a love of the sport with his father. Motorsport is one of the most expensive sports categories that exist due to the cost of your labor and materials. Consequently, it is necessary to have financial support in the career of athletes, making it impossible for drivers without investments to enter from the basic categories to the highest. Possessing a fortune stemming from his textile business, Lawrence Stroll was one of his son’s supporters on his way into the sport.

 

Lawrence Stroll at the Ferrari challenge with his children. [3]

 

The training of a driver requires investment and athletic performance. In this case, it does not matter if the sponsorship comes from your family or not. A talented driver without a good investment cannot help the team’s budget, and an athlete without aptitude does not achieve impressive results that translate into financial gains for the team. With these obstacles, it is almost impossible for a driver to reach the top category of world motorsport with only financial and frustrating performance. Athletes like this usually abandon their careers in lower stages, such as karting. Also, according to Nuno Sousa Pinto, sports director, the FIA itself made it even more difficult for drivers whose performances would not justify investments in their careers (the famous pay drivers): from 2016, to enter Formula One, they would have to score 40 points in the Super license.

 

3- Lance and Lawrence: father and son in Formula One

 

As the 2014 Italian Formula 4 champion (the first in the category), the Toyota Racing Series in 2015, and European Formula Three in 2016, Lance Stroll earned the points needed in the Super license to join Formula 1 in 2017 for the Williams team. Nuno Sousa Pinto points out that Stroll’s curriculum is more impressive than that of many young athletes who also entered Formula One and, even though having wealthy families, do not receive criticism;

It reveals that, unfortunately, some journalists let personal preferences stand out from the expected professionalism and spread misinformation, ignoring one of the main principles of journalism: ethics.

Athletes need time to adapt to the category in which they work. The criticism of Lance Stroll during the pre-season was, from a journalistic point of view, hasty. The first half of 2017 confirmed it, as Stroll scored his first points at the Canadian Grand Prix and finished third at the Azerbaijan Grand Prix, breaking his first record: youngest rookie to score a podium;

A pay driver would never get such impressive results because he would not have an aptitude for the sport, only financial contribution. At the Italian Grand Prix, Stroll broke the record for the youngest driver to start from the front row, proving his potential and talent for motorsport.

 

2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium. [4]

 

In an interview with Canadian broadcaster RDS in 2018, Lance Stroll stated that his father is a businessman and that he invests in ventures that he is sure will work. Therefore, Lawrence Stroll’s interest in teams, from Prema Powerteam to Racing Point, goes far beyond interaction with his son: these are opportunities for high investments.

It is worth noting that the only drivers on the 2020 grid who came from more humble families are Esteban Ocon and Valtteri Bottas. Everyone else comes from families with high financial conditions: some from the middle class like Lewis Hamilton and Kimi Raikkonen, others from more affluent classes. However, all, without exception, have financial contributions, whether from their families, companies, or even both.

Some drivers were born to entrepreneurs (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, and Sebastian Vettel) who work in different areas such as fashion, investments, automobiles, engineering, among others;

Others are children of athletes (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., and Pierre Gasly), soon also have privileged conditions since birth. The driver’s origin does not interfere with his performance because, as Lawrence Stroll defined, parents do not drive the car for their children.

 

4- The rumors: reporting before knowing the truth

 

In 2018, with Force India sale to the consortium led by Lawrence Stroll (also formed by Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman, and Andre Desmarais), the media speculated that Lance would move to the team immediately, as the engineering department of Williams failed in making a competitive car;

When Esteban Ocon left the team after the season, his fans and some journalists immediately blamed the Strolls, as if the French driver had his situation already assured before the sale of the team;

However, as Joas van Wingerden reported, Toto Wolff was already considering taking his patron from Force India. The negotiations failed because the ties between Ocon and Wolff were viewed with suspicion by the other teams, as stated by Christian Horner, the team principal of Red Bull. That was proved in 2019 when Ocon undid his ties with Wolff to get an opportunity to return to Formula One for Renault.

At the time of the purchase of Force India, Sergio Pérez was more attractive to investors than Esteban Ocon due to his consistency in scoring and sponsors. That, added to the intentions of the French driver manager, ensured that the Mexican was the best option to race alongside Lance Stroll. Also, the Canadian presented good prospects for the next seasons due to investments and his achievements in the debut year.

 

Lance Stroll and Sergio Pérez at Racing Point. [5]

 

In 2020 there was a similar situation. Sebastian Vettel did not have his contract with Ferrari renewed because his work was not meeting their expectations. Racing Point owners considered contracting him because of his past as a four-time champion and his financial investment. Although it seemed apparent that the team would not choose Lance Stroll to give Vettel his seat, this is not just because he is the son of one of the owners. There are indeed companies that prioritize family ties and, if their members are not prepared to take this kind of responsibility, the business ends up going bankrupt. But this is not the case observed in Lawrence Stroll: the success of his investments is due to care in decisions.

That means that family ties are not the deciding factor for choices like this. What was discussed was which of the two drivers, Stroll or Pérez, would have more chances to bring the results that the team intends to achieve in 2021. Both have impressive achievements, differing in career time in Formula One: Pérez has ten, and Stroll has four. In technical terms, the two can be considered experienced drivers. However, the Mexican is more likely to retire early, as he is 30 years old and is in Formula One for a decade. Having both good sponsorships, sports investors find more prospects in young athletes, such as Stroll.

It perceives that business involves much deeper issues than just kinship ties. Investment in Formula One is high risk and therefore, decisions require caution. Of course, the inconstant narratives of Racing Point difficulted the understanding of the facts, so laypeople in business can judge this is a case of a father protecting his son. That is why one must coldly analyze the facts to disclose the information correctly.

 

5- Conclusion

 

That is the story of Lawrence Stroll: a man who built his fortune with investment and entrepreneurship, works that require a lot of commitment and caution. If you expected the stereotype of a wealthy heir to large capital, married to a socialite and a playboy child, look for someone else. Maybe you will find a driver’s father with that profile, but that is definitely not Lawrence Stroll.

 

Update (October 9th, 2020): As revealed by Adam Cooper in the website Motorsport (check here), Sebastian Vettel bought shares in Aston Martin before signing his contract. It proves what was said here: the hiring of Vettel instead of the renewal of Sergio Pérez was due to business, not a priviledge of Lance Stroll for being the son of the owner.

 

Bibliography

 

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Nota de repúdio | Rejection motion

O The Racing Track repudia os recentes ataques da mídia e de torcedores rivais contra Lance Stroll e seu pai, o empresário Lawrence Stroll (relatados pelo próprio piloto), devido à decisão da Racing Point de correr em 2021 com Sebastian Vettel em vez de Sergio Pérez. O papel de um jornalista é noticiar os fatos e suas opiniões devem ser embasadas em informações concretas, não em boatos.

Devido às contradições no anúncio da saída de Pérez do time, Lawrence Stroll foi acusado mais uma vez de beneficiar o filho indevidamente. Fomos informados que alguns veículos de imprensa chegaram até a acusar o empresário de ser um “boa vida”. Tal afirmação está completamente equivocada, pois Stroll trabalhou duro para construir suas empresas e mantê-las em bom funcionamento. Um de seus sócios, Silas Chou, diz que o canadense tem um “toque de ouro” para os negócios. É desonesto afirmar que Stroll não era conhecido antes de seu filho entrar na Fórmula 1, pois esta visão ignora os setores que o empresário é reconhecido, como moda e empreendedorismo. Suas posses, como iates e jatos, são investimentos e frutos de seu trabalho, tornando inválido qualquer descontentamento de terceiros em relação a eles.

Lance Stroll não deve ser lembrado apenas como o filho do dono da Racing Point, pois o mesmo teve boas conquistas em seus poucos anos de carreira: no ano de estreia teve um pódio, uma largada da primeira fila e quebrou dois recordes, ganhando prêmios e reconhecimento da própria Fórmula 1, que chamou sua atuação de “histórica” (cheque aqui). Em 2020, está à frente de Pérez no campeonato. Se Stroll não tivesse talento para o automobilismo, não conseguiria boas pontuações mesmo com a ausência do companheiro devido à Covid-19.

A contratação de Sebastian Vettel pela escuderia foi devido a critérios técnicos e financeiros. O time tem confiança de que o tetracampeão será um bom investimento. Vale lembrar que Sergio Pérez, embora seja um ótimo piloto, já tem 30 anos, uma idade considerada avançada para atletas. Em termos de negócios, é mais atrativo investir em um piloto jovem do que em um de 30 anos. Trata-se dos riscos de investimentos, que estão muito além de relações de amizade ou de parentesco.

Temos ciência de que a imprensa também tem seu papel crítico, e que as ações da Racing Point estavam sujeitas a isto. No entanto, nunca se deve omitir ou deturpar fatos em nome de uma narrativa. Lembramos que atitudes como esta podem refletir más intenções, como o assassinato de reputação e antissemitismo (já que um dos boatos que os judeus enfrentam há séculos é o de que eles controlam as finanças mundiais, e a imprensa não reagiu com a mesma intensidade à decisão da Sauber em 2018 de demitir Pascal Wehrlein em vez de Marcus Ericsson para contratar Charles Leclerc, mesmo Wehrlein tendo melhores resultados que Ericsson).

Nos solidarizamos com a família Stroll e esperamos que episódios lamentáveis como este não voltem a ocorrer.

Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2019

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de volta. Hoje relembraremos como foi o desempenho dos pilotos esse ano na Fórmula 1. Para melhor compreensão, eles serão agrupados de acordo com suas respectivas equipes. Sem mais enrolação, vamos à análise:

 

Atenção: Os quadrinhos contém uma análise humorística, já os textos uma análise séria. Não temos intenção de ofender ninguém, e buscamos brincar igualmente com todos.

 

  • Lewis Hamilton

 

 

Hamilton consagrou-se hexacampeão em 2019. Somando 413 pontos (cinco a mais que no ano passado), o inglês manteve uma constância de bons resultados, chegando ao pódio em 17 de 21 corridas e vencendo 11 vezes. No entanto, nem tudo no ano foi perfeito para Hamilton. Suas piores atuações foram na Alemanha, onde escorregou, bateu no muro, cortou caminho para o pit stop e foi penalizado com cinco segundos, e no Brasil, onde bateu em Alexander Albon e foi penalizado com a perda do terceiro lugar (embora tenha subido ao pódio para a celebração, pois os comissários demoraram a analisar o caso).

Essas duas exceções são surpreendentes para Hamilton, que sempre foi lembrado como um piloto prudente, que evita acidentes sempre que possível e, devido a isso, consegue manter uma sequência de bons resultados. No começo do ano, parecia que seu companheiro Valtteri Bottas traria uma ameaça. Porém, Bottas não é Nico Rosberg e não pôde aproveitar todo o potencial do carro da Mercedes para competir pelo título com Hamilton.

Hamilton também, infelizmente, foi alvo de um dos piores casos de racismo na história da Fórmula 1. No Grande Prêmio da Itália, após os comissários decidirem não penalizar Charles Leclerc, da Ferrari, por tê-lo espremido contra o muro (apenas o advertiram com uma bandeira branca e preta), os torcedores da tifosi vaiaram o inglês, segundo colocado na corrida, e imitaram macacos para ele. Hamilton respondeu com elegância, afirmando que os ferraristas não devem manchar seu conhecido entusiasmo com atitudes tão antiéticas. Hamilton foi a terceira vítima de decisões controvérsias dessa corrida, pois além dele, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Alexander Albon (da Red Bull), asiático, também foram vítimas de decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Se por um lado a carreira atlética do inglês vai bem, fora das pistas ele se meteu em polêmicas. Vegano convicto, Hamilton aposta em sua popularidade para fazer ativismo pela causa vegana e realizar um trabalho de conscientização. No entanto, às vezes a emoção supera a razão e isso atrapalha as ações. Hamilton se posicionou sobre os incêndios na Amazônia postando uma foto antiga (cujo autor até já faleceu) e divulgou uma fake news há muito tempo desmentida por especialistas: de que a Amazônia é o “pulmão do mundo”, que produz 20% do oxigênio consumido pelos seres vivos (a verdade é que o oxigênio que respiramos provém dos oceanos; a Amazônia produz apenas 2% do oxigênio atmosférico e, como comunidade clímax, ela produz o oxigênio que ela mesma consome). Ou seja, antes de criar uma animosidade com populações de outros países divulgando informações falsas, Hamilton deveria pesquisar mais sobre o assunto que pretende discutir antes de falar como o especialista que ele não é. Caso contrário, sua popularidade apenas vai prejudicá-lo, pois ficaria mais conhecido como mentiroso do que como um ativista bem-intencionado. Toto Wolff já havia dado esse conselho a ele.

Portanto, a Lewis Hamilton damos os parabéns pelo título merecido e desejamos a ele muito sucesso em sua carreira e projetos. Mas, sempre pensando antes de agir.

 

  • Valtteri Bottas

 

 

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2019, com 326 pontos (79 a mais que no ano passado). O finlandês teve uma temporada constante, com 15 pódios (entre eles quatro vitórias) em 21 corridas. Igual ao companheiro Lewis Hamilton, suas piores corridas foram na Alemanha e no Brasil. Na primeira, Bottas bateu no muro enquanto perseguia Lance Stroll, da Racing Point, na busca por um pódio. Na segunda, seu motor pifou.

Como a primeira corrida do ano foi vencida por Bottas, muitos achavam que ele seria o principal concorrente de Hamilton ao título de 2019. No entanto, embora o carro da Mercedes lhe rendesse bons resultados, Bottas não é o tipo de piloto que gosta de se arriscar por posições mais altas. Sua melhor corrida foi no Japão, onde passou Sebastian Vettel, da Ferrari, como um ninja, logo após a largada, e conseguiu uma ótima vitória. Porém, sua corrida em Mônaco escancarou o duplo-padrão que os comissários da FIA têm ao julgar os incidentes de prova. Bottas e Max Verstappen, da Red Bull, se enfrentaram nos boxes e o holandês perdeu o pódio ao ser punido com cinco segundos (o que promoveu Vettel ao segundo lugar e Bottas ao terceiro). No entanto, quando Charles Leclerc, da Ferrari, enfrentou Romain Grosjean, da Haas, nos boxes da Alemanha, os comissários simplesmente aplicaram uma multa à Cinderela.

Bottas pareceu mais confiante esse ano do que em 2018. De acordo com o que foi divulgado por Mariana Becker, repórter da Rede Globo, aparentemente esta confiança é resultado de um tratamento psicológico que o finlandês teria feito durante as férias. Também na vida pessoal de Bottas, ocorreu o divórcio de sua esposa Emilia Pikkarainen.

Desejamos boa sorte a Valtteri Bottas para o ano que vem e parabenizamos seu vice-campeonato. Esperamos que ele continue enfrentando suas dificuldades e consiga mais arrojo para ultrapassar seus adversários.

 

  • Max Verstappen

 

 

Max Verstappen foi o terceiro colocado no campeonato, com 278 pontos (29 a mais que no ano passado). Em 21 corridas, ele conseguiu nove pódios e três vitórias (Áustria, Alemanha e Brasil). Sua temporada foi mais constante que a de 2018, e Verstappen praticamente carregou sua equipe, a Red Bull, nas costas, pois seu primeiro companheiro do ano, Pierre Gasly, não era capaz de lutar por pódios e seu segundo companheiro, Alexander Albon, teve pouco tempo para conseguir os pontos necessários para a equipe subir no ranking. Consequentemente, mesmo com os problemas internos da Ferrari que prejudicavam a escuderia italiana, a Red Bull ficou atrás desta no campeonato de construtoras, em terceiro lugar.

Verstappen é o piloto que traz emoção às corridas, pois ele não tem medo de desafios e de se arriscar por posições melhores. Sua conduta não mudou muito em relação ao ano passado, porém teve menos acidentes: os únicos do ano foram com Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, na Bélgica, e com Charles Leclerc, da Ferrari, no Japão (este último incidente por culpa do piloto monegasco). Verstappen, no entanto, fica em desvantagem pela falta de competitividade do carro da Red Bull. Parece que os engenheiros da equipe austríaca são incapazes de produzir algo à altura do talento do jovem holandês. Consequentemente, Max perde oportunidades preciosas de vitória. Lembrando também que o motor Honda algumas vezes o deixou na mão durante as largadas, como na Áustria e na Alemanha, mas a vontade de Verstappen de vencer possibilitou que ele superasse esses contratempos e garantisse belas vitórias.

Muito se falou sobre a rivalidade travada entre Verstappen e Leclerc, principalmente depois do Grande Prêmio da Áustria, vencido por Max após uma bela ultrapassagem sobre o pole position Charles nas últimas voltas. Leclerc até hoje não superou esse trauma e, inclusive, até se recusou a cumprimentar o vencedor na sala dos pilotos (conduta mais mimada e antiesportiva possível). Entre estes dois jovens talentos, é nítido que embora Leclerc tenha um carro melhor, Verstappen tem mais experiência, mais coragem para enfrentar os adversários e mais destreza na direção. Caso o holandês fosse para uma equipe melhor (especula-se que Toto Wolff mais uma vez esteja tentando trazê-lo para a Mercedes), a disputa seria mais interessante.

Ano que vem termina o contrato de Max Verstappen com a Red Bull. Não sabemos se ele ficará nessa equipe, que não está à sua altura, ou se ele irá para a Mercedes. Mas desejamos a ele boa sorte e sabedoria em suas escolhas.

 

  • Alexander Albon

 

 

O estreante Alexander Albon começou o ano na Toro Rosso. Porém, a incompetência de Pierre Gasly fez com que Helmut Marko o trouxesse para a Red Bull, substituindo o francês. Albon marcou 92 pontos e quase conseguiu seu primeiro pódio, no Grande Prêmio do Brasil, mas foi acertado por Lewis Hamilton, da Mercedes, durante a corrida. Terminou o campeonato em oitavo lugar.

Até a sua promoção à Red Bull, Albon havia pontuado em cinco de 12 corridas com a Toro Rosso. Até a corrida na Alemanha, onde seu então companheiro Daniil Kvyat conseguiu um pódio, a disputa entre os dois pilotos estava equilibrada. Em sua primeira corrida com a nova equipe, na Bélgica, teve uma atuação digna de elogios, conquistando um quinto lugar. Outra atuação excelente foi na Rússia, onde largou dos boxes e conseguiu chegar em quinto. É nítido que Albon tem mais coragem e destreza que Gasly e, embora ainda não esteja ao nível de Verstappen, ele é o companheiro de equipe que a Red Bull esperava para o holandês desde a saída de Daniel Ricciardo para a Renault. Esperava-se que Gasly cumpriria o papel, mas este se revelou uma das maiores decepções do ano.

Além do acidente com Hamilton, outro acontecimento foi negativo para Albon. O tailandês foi jogado para fora da pista por Carlos Sainz Jr., piloto espanhol da McLaren, no Grande Prêmio da Itália. Porém, os comissários decidiram punir Albon, mesmo este sendo a vítima. Esta decisão, a segunda entre três controvérsias desta corrida, gerou suspeita de racismo, pois Albon (asiático) e mais dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point, indígena) e Lewis Hamilton (negro), foram prejudicados injustamente por ações que beneficiaram pilotos brancos.

Alexander Albon é, sem dúvida alguma, a maior revelação da Fórmula 1 de 2019. Não é à toa que foi escolhido pela FIA como o Estreante do Ano (ainda que os “fãs” tivessem optado por Lando Norris, da McLaren, cujos resultados medíocres nem se aproximam dos de Albon). Desejamos ao tailandês boa sorte para o ano que vem e que ele continue fazendo excelentes corridas.

 

  • Sebastian Vettel

 

 

Sebastian Vettel terminou o campeonato no quinto lugar, com 240 pontos (80 pontos a menos que no ano passado). Este não foi um ano auspicioso para o alemão, que assistiu a Mercedes aumentando sua vantagem, a Red Bull tornando-se uma forte concorrente com Max Verstappen, e a briga interna na Ferrari entre as políticas tradicionais da escuderia e o novo companheiro de Vettel, Charles Leclerc.

Como explicado anteriormente no The Racing Track, a Ferrari mantém uma política interna de “campeão e escudeiro” que protege o primeiro piloto e obriga o segundo a servir como ajudante para garantir pontuações valiosas para a equipe. Foi assim com Michael Schumacher (“campeão”) e Rubens Barrichello (“escudeiro”), entre Fernando Alonso (“campeão”) e Felipe Massa (“escudeiro”) e entre Vettel (“campeão”) e Kimi Raikkonen (“escudeiro”). No entanto, Leclerc não aceitava essa política, pois mesmo sendo obrigado a ceder suas posições para Vettel na Austrália e na China, o monegasco conseguia mais pole positions e se julgava no direito de ser tratado como o “campeão” da equipe. Mas seus protestos não foram atendidos pela Ferrari, que continuou protegendo Vettel. A indignação do monegasco gerou atrito entre ele e o alemão, resultando algumas vezes em acidentes, como o duplo-abandono ferrarista no Brasil.

Vettel também não perdeu seu estilo arrojado e sua sede por superações. Porém, por ser o tipo de piloto que mais age do que pensa, acabou por causar acidentes que prejudicaram não só ele mesmo como sua equipe. Um grande exemplo é o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, quando Vettel, indignado por ter sido ultrapassado por Verstappen, acelerou e bateu na traseira do holandês, tirando ambos da pista temporariamente. Verstappen voltou para a pista e cruzou a linha de chegada em quinto lugar, mas Vettel, além de ser punido com 10 segundos, voltou em último, chegando inclusive atrás das Williams. Outro exemplo foi a batida em Lance Stroll, da Racing Point, na Itália após o alemão ter rodado e saído da pista. Mesmo sendo Stroll a vítima e Vettel admitindo o erro (inclusive pedindo perdão pessoalmente a Stroll), os torcedores italianos lançaram insultos racistas ao canadense por suas origens indígenas e esta corrida também foi marcada por uma das arbitragens mais controversas da história da Fórmula 1, com pilotos de cor recebendo punições indevidas e pilotos brancos sendo beneficiados.

Em 21 corridas, Vettel teve nove pódios e apenas uma vitória, em Singapura. O resultado desta corrida também não foi bem aceito por Leclerc, que acusou a Ferrari de demorar em seu pit stop para beneficiar Vettel. A equipe assumiu depois que realmente visou ajudar o alemão para garantir que ele tivesse ânimo para continuar a temporada. Mas não se pode tirar o mérito de Vettel. Ele não é um tetracampeão à toa. Só está passando por uma fase ruim como acontece com qualquer atleta. E, se até ano passado ele era um forte candidato ao título, não se pode afirmar que ele não tem mais condições de continuar na disputa.

Desejamos a Sebastian Vettel um 2020 com muita sorte e prudência. Ele é um dos pilotos que deixa a Fórmula 1 atual mais interessante.

 

  • Charles Leclerc

 

 

Charles Leclerc terminou 2019 no quarto lugar no campeonato, com 264 pontos (225 pontos a mais que no ano passado). A “Cinderela da Fórmula 1”, como foi apelidado, conseguiu sete poles positions, mais do que qualquer outro piloto do grid. Em 21 corridas, Leclerc teve 10 pódios e duas vitórias (Bélgica e Itália). Mas nem tudo foram flores para ele, pois o monegasco também foi o protagonista de uma das maiores polêmicas do ano na Fórmula 1.

Embora a mídia especulasse que Leclerc seria a próxima aposta da Ferrari para conquistar títulos, era claro que o jovem havia sido contratado como “escudeiro”, “posto” já ocupado por Rubens Barrichello (“escudeiro” de Michael Schumacher), Felipe Massa (“escudeiro” de Fernando Alonso) e Kimi Raikkonen (“escudeiro” de Sebastian Vettel). O motivo? Era óbvio. Por que uma equipe de ponta tão tradicional como a Ferrari iria destronar Vettel (que foi uma ameaça a Lewis Hamilton por dois anos) para dar lugar a um jovem menino cuja única experiência havia sido um ano na Sauber e cujos resultados haviam sido piores que os anos de estreia de pilotos da mesma faixa etária, como Max Verstappen e Lance Stroll? Apenas os cegos pelo fanatismo acreditaram que a escuderia de Maranello faria uma exceção especialmente para Leclerc.

“Cinderela”, porém, não reagiu bem às ordens da “madrasta”, que havia obrigado o piloto a ficar atrás de Vettel na Austrália e na China. Como Leclerc havia feito mais poles positions, e seria burrice mandá-lo parar para esperar Vettel (o que permitiria que outros pilotos o ultrapassassem), o monegasco quis desafiar a política interna tradicional da Ferrari e algumas vezes enfrentou o alemão. Este confronto gerou problemas para a equipe, como no duplo-abandono no Brasil.

Leclerc também provou não lidar bem com situações adversas, como na Áustria, onde perdeu a vitória para Max Verstappen, da Red Bull, nas últimas voltas, e se recusou a cumprimentar o holandês na sala de espera. Apenas o fez pelo Twitter, e muito provavelmente a mensagem foi escrita pela assessora de imprensa. Outro exemplo da atitude mimada de Leclerc foi em Singapura, onde ele acusou a própria equipe de sabotar seu pit stop para entregar a vitória a Vettel, gerando um clima de desconforto na Ferrari. No Japão, após bater em Verstappen, ele ficou com uma peça presa em sua asa dianteira e se recusou a ir para o box retirá-la, colocando em risco a segurança de Lewis Hamilton, da Mercedes, que vinha logo atrás. A peça chegou inclusive a desprender-se do carro e acertar o halo de Hamilton. Na Alemanha, enfrentou Romain Grosjean nos boxes e levou apenas uma multa. Na Itália, espremeu Hamilton contra o muro e levou apenas uma advertência (em uma das arbitragens mais controversas da Fórmula 1). Em Abu Dhabi, seu carro tinha irregularidades no combustível, mas também só recebeu uma multa. Ao que parece, os comissários têm medo de punir a “Cinderela”. Com isso, ele se tornou o segundo piloto mais mimado do grid, atrás de Lando Norris, da McLaren.

Leclerc foi obrigado a lidar com outra perda importante no ano: a de seu amigo Antoine Hubert, que faleceu em um acidente na Fórmula 2, um dia antes do Grande Prêmio da Bélgica, vencido pelo monegasco. Ele passou o resto do ano pilotando com uma mensagem de “descanse em paz” no volante.

Desejamos a Charles Leclerc um 2020 cheio de sabedoria e prudência, além de boa sorte. Ele tem muito talento, só precisa aproveitá-lo mais.

 

  • Sergio Pérez

 

 

Sergio Pérez terminou 2019 no décimo lugar do campeonato, com 52 pontos (10 a menos que no ano passado). Infelizmente, não obteve pódios esse ano, mas lutou constantemente por melhores resultados, que garantiram uma boa posição para a Racing Point no ranking de construtoras.

A temporada de 2019 pode ser resumida em um ano de transição para a Racing Point, pois foi o primeiro ano completo com os novos donos. Pérez conseguiu provar que não é o “monstro” que seu companheiro de 2018, Esteban Ocon, tentou fazer parecer (ver Entenda o Caso Esteban Ocon). Ocon o havia acusado de ser uma pessoa descontrolada, capaz de matar um adversário, mas em 2019, Pérez provou ser uma pessoa prudente e equilibrada, dando as boas-vindas ao novo companheiro, Lance Stroll, e a dupla teve uma temporada de bom relacionamento, tanto dentro quanto fora das pistas. O mexicano pontuou em 11 das 21 corridas do ano, oscilando entre o sexto e o décimo lugar. Seu feito mais marcante foi a ultrapassagem sobre Lando Norris, da McLaren, no Grande Prêmio de Abu Dhabi, levando o inglês às lágrimas e desbancando-o do décimo lugar do campeonato.

A Racing Point não foi capaz de fazer um carro competitivo o suficiente para enfrentar a Red Bull, como era o esperado pela equipe no começo do ano. Consequentemente, a escuderia britânica terminou o ano em sétimo lugar no ranking após o pódio de Pierre Gasly garantir o sexto lugar para a Toro Rosso. Muito do desempenho da Racing Point foi obtido graças a Pérez, devido a um péssimo trabalho do estrategista de seu companheiro e à dificuldade de Stroll de manter suas posições durante as corridas, embora o melhor resultado do canadense no ano (um quarto lugar na Alemanha) tenha sido melhor do que o melhor resultado do mexicano (sexto lugar no Azerbaijão e na Bélgica).

Na vida pessoal, Pérez foi agraciado com o nascimento de sua filha Carlota, sua segunda criança com Carola Martínez. Eles também são pais de Júnior, nascido em 2018.

Sérgio Pérez será uma importante peça para as futuras conquistas da Racing Point. Desejamos a ele boa sorte para o ano que vem.

 

  • Lance Stroll

 

 

Lance Stroll terminou 2019 em 15º lugar no campeonato, com 21 pontos (15 a mais que no ano passado). O canadense suspirou aliviado em uma equipe muito melhor que a Williams, cuja incompetência de seu setor de engenharia (comandado por Paddy Lowe) e de seus administradores (notadamente Claire Williams) prejudicaram sua temporada em 2018. Porém, 2019 provou de quem realmente era a culpa pelos maus resultados da Williams: Lowe e a herdeira de Frank Williams. Stroll começou o ano pontuando e totalizou seis chegadas à zona de pontuação. Mas talvez sua característica mais notável na temporada foram suas excelentes largadas que eram prejudicadas por performances preguiçosas no decorrer das provas.

É claro que Stroll, assim como a Racing Point, passava por um período de transição. O canadense estava em uma equipe com profissionais mais competentes e não havia um clima de tensão e animosidade como havia na Williams. Ele era visto como o salvador da escuderia, e não mais como o bode expiatório que Claire Williams e Paddy Lowe tentaram torná-lo para esconderem suas próprias falhas. A Racing Point, por outro lado, vivia seu primeiro ano completo sob nova gestão. Porém, Stroll desperdiçou muitas oportunidades de pontuação que poderiam ter rendido posições melhores à escuderia no campeonato de construtoras.

Stroll foi aclamado pela Fórmula 1 como o piloto que mais ganhou posições durante as largadas. Todavia, este feito não se traduziu em pontos, pois algumas voltas depois da largada (momento em que o canadense costumava a ganhar de seis a dez posições), o carro não mantinha o desempenho esperado e o piloto era facilmente ultrapassado por seus adversários. Isto, somado à falha de seu estrategista, que o chamava para as trocas de pneus mais tarde do que o devido, prejudicaram a performance do canadense. Foi o caso do Grande Prêmio da França, onde Stroll conquistava o sexto lugar, mas sua troca tardia de pneus o levou para o 13º lugar. Outro momento ruim foi o Grande Prêmio da Itália, onde ele garantia o sétimo lugar quando foi acertado por Sebastian Vettel, da Ferrari. Jogado para fora da pista, Stroll voltou em situação normal, mas Pierre Gasly, da Toro Rosso, em uma manobra para garantir uma punição ao piloto indígena e se beneficiar com isso, saiu temporariamente da pista para parecer que a culpa havia sido de Stroll. Vendo uma oportunidade de se vingar por terem sido obrigados a punir um piloto da Ferrari, os comissários puniram Stroll injustamente, marcando a primeira entre três decisões controversas da arbitragem que levaram à suspeita de racismo. Vettel chegou a se desculpar pessoalmente com Stroll, mas isso não impediu os torcedores fanáticos a atacarem o canadense por suas origens indígenas, provando que, infelizmente, a mentalidade colonialista e racista ainda está viva na Europa.

Mas nem tudo estava perdido para o jovem Stroll. Sua melhor corrida foi na Alemanha, onde chegou a liderar a volta por algum tempo e terminou em quarto lugar (o melhor resultado de sua equipe no ano). O portal WTF1 declarou que ele é oficialmente o segundo adolescente mais bem-sucedido da história da categoria, somente atrás de Max Verstappen. Isso prova que, mesmo os racistas tentando emplacar Lando Norris e George Russell (pilotos brancos europeus com resultados inferiores) como melhores, o único indígena do Canadá a pilotar na Fórmula 1 ainda mantém seu legado e seu lugar merecido na história (ver O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

Desejamos a Lance Stroll um ano de 2020 com muita sorte e destreza. Esperamos que ele vença as dificuldades, supere seus limites e continue representando tão bem os indígenas na Fórmula 1.

 

  • Daniel Ricciardo

 

 

Daniel Ricciardo fez seu primeiro ano na Renault. Marcando 54 pontos (170 a menos que no ano passado), o australiano não teve o desempenho que esperava quando decidiu trocar a Red Bull pela escuderia francesa por não confiar no motor Honda. Terminou 2019 no nono lugar.

Ricciardo pontuou em oito de 21 corridas. Suas primeiras etapas resultaram em quebra. O motor Renault traiu sua confiança e o piloto ainda sofreu punições por irregularidades no carro que garantiam mais potência: como a largada do fim do grid em Singapura e a desclassificação no Japão. Com isso, a performance de Ricciardo foi altamente afetada e ele acabou comendo o pão que o diabo amassou.

O australiano pode ser considerado o piloto mais inteligente do grid, pois seus conhecimentos de engenharia estão acima dos de seus concorrentes. No entanto, a ineficiência da Renault desperdiçou o potencial que ele traria para a equipe. Ricciardo também é um dos nomes que mais luta por igualdade no tratamento entre as equipes e pilotos por parte da FIA e isso é uma qualidade muito nobre para o esporte.

Desejamos a Daniel Ricciardo um ano de sorte em 2020 e que ele consiga superar suas dificuldades. Talvez, como o próprio já esperava, não consiga lutar pelas melhores posições, mas que pelo menos ele possa manter uma constância de bons resultados.

 

  • Nico Hülkenberg

 

 

Nico Hülkenberg terminou 2019 no 14º lugar no campeonato, com 37 pontos (32 a menos que no ano passado). O alemão será substituído por Esteban Ocon na Renault em 2020, ficando sem vaga para o ano que vem.

A performance de Hülkenberg não foi das melhores. Pontuando em 10 de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quinto lugar no Grande Prêmio da Itália, sua falta de progresso se deve à ineficiência do motor Renault e à constante queda de desempenho que o piloto vem apresentando ao longo dos anos. O melhor momento de sua carreira foi sua pole position no Grande Prêmio do Brasil de 2010, corrida que ele não foi capaz nem de terminar no pódio. Mesmo assim, como todo mundo vira “lenda” ou quando morre ou quando se aposenta, de repente, os “fãs” de Hülkenberg saíram de sua hibernação de nove anos, e protestaram contra a volta de Ocon para a Fórmula 1, inclusive acusando o hispano-francês, baseado em fatos, de “piloto pagante” (ver mais sobre a polêmica em Entenda o Caso Esteban Ocon).

Desejamos a Nico Hülkenberg boa sorte em 2020 para onde quer que ele vá. Esperamos que seu substituto não traga mais problemas como os que ele trouxe em 2018.

 

  • Carlos Sainz Jr.

 

 

Carlos Sainz Jr. terminou 2019 no sexto lugar do campeonato, com 96 pontos (43 a mais que no ano passado). Sainz foi um dos três únicos pilotos fora de uma equipe de ponta a conseguir um pódio no ano (os outros foram Pierre Gasly e Daniil Kvyat, ambos da Toro Rosso), mas infelizmente não pôde comemorar devidamente porque os comissários demoraram para punir Lewis Hamilton, da Mercedes. Depois de herdar o terceiro lugar da corrida, ele recebeu uma homenagem de sua equipe, a McLaren, com direito a confetes, champanhe e Estrella Galicia (uma das patrocinadoras), mas sem público para assistir. Para piorar, durante a sessão de fotos, a equipe deixou seu companheiro Lando Norris tirar uma foto com a taça como se ele tivesse conquistado o título (parecia que ele tinha dito “Papai, quero a taça”, e o sr. Adam Norris havia pago para a equipe fingir que seu filho havia sido o conquistador do pódio).

Depois de um começo difícil, Sainz pontuou em 12 de 21 corridas, oscilando entre o quinto e o décimo lugar. Em algumas ocasiões, ele chegou a disputar posições com pilotos da Ferrari e da Red Bull logo após a largada, como no Grande Prêmio de Singapura, onde um choque com Alexander Albon, da Red Bull, o obrigou a parar mais cedo nos boxes.

Também com Albon, Sainz protagonizou um episódio lamentável de uma das corridas mais polêmicas da história da Fórmula 1: O Grande Prêmio da Itália de 2019. O espanhol jogou o tailandês para fora da pista e os comissários decidiram punir a vítima. O incidente entre Sainz e Albon foi o tira-teima para a acusação de racismo que pairou sobre a arbitragem da prova, pois além de Albon, que é asiático, outros dois pilotos de cor, Lance Stroll (da Racing Point), indígena, e Lewis Hamilton (da Mercedes), negro, foram prejudicados por decisões injustas que beneficiaram pilotos brancos.

Sainz foi o destaque da McLaren, vencendo seu companheiro de equipe por uma vantagem de 47 pontos. Mesmo assim, por uma questão de marketing, o espanhol não recebe o devido reconhecimento e as mídias digitais insistem em colocar Norris como melhor por ter largado à frente dele mais vezes do que o contrário. Tais marqueteiros e torcedores se esquecem que largada não quer dizer nada. O que conta não é o começo da corrida, e sim o final.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. um ano de 2020 com mais sorte e mais conquistas. Seria muito prazeroso vê-lo mais vezes no pódio.

 

  • Lando Norris

 

 

Ah, Lando Norris… em minha observação o piloto mais superestimado do grid. O estreante inglês pela McLaren terminou 2019 em 11º lugar com 49 pontos. Filho de um empresário multimilionário (Adam Norris, do setor de investimentos), Lando não obteve resultados impressionantes e, para contornar a fama de “piloto pagante” que começava a se desenvolver na mídia inglesa, apostou em uma vasta campanha de marketing para convencer os torcedores e a própria Fórmula 1 de que ele deveria ser lembrado como um “piloto engraçado” e não como o filho que sairia de um casamento entre Damian Wayne e Veruca Salt.

Norris pontuou em 11 de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o oitavo lugar. Apesar de ter largado à frente de seu companheiro Carlos Sainz Jr. mais vezes do que o contrário, o inglês foi derrotado pelo espanhol por 47 pontos. Seu ano de estreia não foi tão marcante como os de Max Verstappen e de Lance Stroll, por exemplo, pois não obteve pódios ou recordes.

Logo, suas condutas chamaram mais atenção que seu desempenho. No Grande Prêmio da Espanha, colidiu com Stroll, da Racing Point, e saiu xingando o canadense. O castigo veio a cavalo, quando seu carro pegou fogo no Grande Prêmio do Canadá. Na França, gritou com a equipe no rádio para que obrigasse Sainz a deixá-lo passar (requerimento que não foi atendido), e mesmo assim foi eleito “Piloto do Dia” por ter chegado em um simples nono lugar. Em Abu Dhabi, após ser ultrapassado por Sergio Pérez, da Racing Point, chorou no rádio. Ainda assim, os perfis oficiais da Fórmula 1 divulgavam cada peido que ele dava, tentando empurrá-lo goela abaixo dos torcedores mesmo suas atitudes na pista e no rádio não revelando carisma algum.

A campanha de marketing em torno de Norris contribuiu para o fortalecimento do racismo na Fórmula 1. É nítido que muitos torcedores e perfis midiáticos (sejam jornalísticos ou humorísticos) não se conformaram que a Fórmula 1 não é mais exclusividade de pilotos brancos europeus e não aceitaram a presença de um indígena na categoria. A solução encontrada foi uma guerra midiática, tentando emplacar a narrativa de que Stroll não merecia seu lugar na Fórmula 1 por ser bilionário (como se os pilotos brancos não tivessem patrocínio bilionário por trás de suas carreiras). Mesmo Stroll tendo conseguido em seu ano de estreia um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes, tudo em um carro nada competitivo, e tendo seu melhor resultado em 2019 um quarto lugar na Alemanha, enquanto que um sexto lugar no Bahrein e na Áustria foram o melhor que conseguiu Norris, que até agora não possui pódios, largadas da primeira fila ou recordes, os racistas se negam a chamar o inglês de “piloto pagante” e continuam a desmerecer o canadense. Mas, fatos não ligam para sentimentos. Os fanáticos podem tentar omitir a fortuna de Norris (pois para um racista, um branco rico não é tão surpreendente quanto um indígena rico) e tentar convencer os mal informados de que ele é melhor que Stroll, mas os fatos provam que na verdade seria mais lógico considerar Norris o verdadeiro “piloto pagante” da Fórmula 1, e Stroll continua sendo o segundo adolescente mais bem-sucedido da Fórmula 1 (para ver uma análise mais completa, veja a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

A verdade é que o apelido de “meme lord” ou “lorde dos memes” dado a Norris nada mais é do que uma tentativa de esconder o desempenho mediano do piloto e de convencer a todos de que os brancos devem ser tratados como superiores aos indígenas, não importa o quão bem-sucedidos os indígenas sejam. Devido a seu comportamento reprovável, Lando Norris ganhou o apelido de “Veruca Salt”, a menina mimada de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Desejamos a Lando Norris boa sorte para o ano que vem e mais maturidade, com menos postagens no Instagram e mais resultados na pista. Esperamos que a mídia pare de bajulá-lo e trate-o com o mesmo padrão que trataria qualquer outro piloto. Lembrando que não estamos dizendo que Norris é responsável pelo racismo na Fórmula 1, mas lamentavelmente ele é usado como escudo pelos racistas, pois usam um padrão duplo para julgar pilotos de cor em relação aos brancos.

 

  • Daniil Kvyat

 

 

Daniil Kvyat terminou o ano no 13º lugar, com 37 pontos. Foi o ano de retorno do russo à Fórmula 1 após um ano como terceiro piloto da Ferrari. Pontuou em 10 de 21 corridas e conquistou um pódio com o terceiro lugar na Alemanha, sendo um dos únicos três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir o feito (os outros foram seu companheiro Pierre Gasly e Carlos Sainz Jr., da McLaren).

Kvyat foi companheiro de Alexander Albon na primeira metade do ano, mantendo um equilíbrio de forças com relação ao tailandês. Esse equilíbrio se manteve com Gasly como novo companheiro. O lado “barbeiro” de Kvyat se manteve, com alguns acidentes como o do Grande Prêmio de Singapura, que tirou Kimi Raikkonen, da Alpha Romeo, da prova.

Na vida pessoal, Kvyat teve sua primeira filha, Penélope, do relacionamento com Kelly Piquet, filha do tricampeão Nelson Piquet. Seu pódio na Alemanha foi dedicado a ela.

Desejamos a Daniil Kvyat boa sorte para 2020. Esperamos que o próximo ano traga melhores resultados e menos acidentes.

 

  • Pierre Gasly

 

 

Pierre Gasly, a maior decepção do ano, terminou 2019 em sétimo lugar, com 95 pontos (66 a mais que no ano passado). Contratado pela Red Bull para substituir Daniel Ricciardo, que se mudou para a Renault, Gasly era a aposta da equipe austríaca para bons resultados, baseada no ótimo desempenho que ele teve com a Toro Rosso em 2018. No entanto, ele se revelou incapaz de lutar por posições à altura de uma equipe de ponta, não soube aproveitar as brigas internas da Ferrari que lhe trariam vantagens na pista, e fez com que a Red Bull não tivesse pontos o suficiente para vencer a Ferrari no ranking de construtoras. Um dos maiores exemplos de sua incompetência foi no Grande Prêmio da Áustria, onde não conseguiu passar Ricciardo mesmo tendo um carro muito superior. Com seu companheiro Max Verstappen carregando o time nas costas, o francês foi demitido e mandado de volta à Toro Rosso.

Provando que pilota melhor em equipe fraca do que em equipe de ponta, Gasly conseguiu um pódio no Grande Prêmio do Brasil com um segundo lugar. Ele foi o segundo de três pilotos de fora das equipes de ponta a conseguir um pódio (os outros foram seu companheiro Daniil Kvyat – que conseguiu o feito quando o francês estava na Red Bull – e Carlos Sainz Jr., da McLaren). No entanto, ele também protagonizou uma polêmica no Grande Prêmio da Itália: mesmo estando a metros de distância de Lance Stroll, piloto da Racing Point que havia sido atingido pelo ferrarista Sebastian Vettel, Gasly fingiu ter sido obrigado a deixar temporariamente a pista pela volta de Stroll. Os comissários, irritados por terem sido obrigados pelo regulamento a punir um piloto da Ferrari, encontraram uma oportunidade de vingança e puniram Stroll injustamente. Esta foi uma das três decisões controversas da corrida, somada à punição de Alexander Albon, piloto asiático da Red Bull, por ter sido jogado para fora da pista pelo piloto europeu Sainz, e a advertência branda ao ferrarista Charles Leclerc após ter espremido Lewis Hamilton, piloto da Mercedes e único negro no grid, contra o muro. Gasly parece ter algum problema pessoal contra pilotos indígenas (ou, no mínimo, apenas contra Stroll), pois no Grande Prêmio de Abu Dhabi, acusou o canadense de quebrar-lhe a asa dianteira, mesmo tendo sido o francês o autor de uma manobra imprudente numa tentativa de se colocar entre os dois pilotos da Racing Point. Numa tentativa de autopromoção, curtiu uma postagem mentirosa no Instagram do presidente de seu país, Emmanuel Macron, sobre os incêndios na Amazônia, provocando a indignação de torcedores brasileiros pelo suposto apoio de Gasly a uma mentalidade colonialista europeia.

Desejamos a Pierre Gasly um ano de 2020 com sorte e prudência. Esperamos que ele pare de concorrer com Lando Norris, da McLaren, o posto de piloto mais birrento do grid e tente valorizar o investimento que suas equipes fazem nele.

 

  • Kimi Raikkonen

 

 

Kimi Raikkonen terminou seu primeiro ano com a Alpha Romeo (herdeira da Sauber) em 12º lugar, com 43 pontos (208 a menos que no ano passado). Lembrando que Raikkonen já havia corrido antes pela Sauber, porém não se pode considerar Sauber e Alpha Romeo como a mesma equipe.

Com um carro nada competitivo, Raikkonen se esforçou ao máximo para garantir pontos preciosos a sua equipe. Pontuando em nove de 21 corridas, oscilando entre o sétimo e o décimo lugar (porém chegando em quarto no Grande Prêmio do Brasil), o finlandês teve ótimas atuações, como no Grande Prêmio da China, onde largou em 13º e cruzou a linha de chegada em nono após uma linda série de ultrapassagens. Raikkonen também superou seu companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, com 29 pontos de vantagem.

Desejamos a Kimi Raikkonen boa sorte para o ano que vem e esperamos que continue lutando por boas posições. Ele é um dos pilotos mais batalhadores do grid e suas disputas são sempre ótimas de se assistir.

 

  • Antonio Giovinazzi

 

 

Antonio Giovinazzi terminou 2019 no 17º lugar, com 14 pontos. Contratado pela Alpha Romeo para substituir o sueco Marcus Ericsson quando a Sauber mudou de gestão e de nome, o italiano pontuou em quatro de 21 corridas, tendo seu melhor resultado um quarto lugar no Grande Prêmio do Brasil.

O momento mais marcante do ano de Giovinazzi foi quando conseguiu liderar a volta no Grande Prêmio de Singapura (que terminou em décimo lugar). O carro nada competitivo da Alpha Romeo prejudicou seu desempenho, somado à falta de experiência considerável na Fórmula 1. Suas últimas corridas até sua contratação oficial foram os Grandes Prêmios da Austrália e da China de 2017, quando substituiu Pascal Wehrlein, que estava lesionado. Fora da categoria por quase dois anos (lembrando que em 2017 ele participou de apenas duas corridas), Giovinazzi passou por um ano de adaptação ao carro. E embora não tenha tido o mesmo desempenho de seu companheiro Kimi Raikkonen (que o venceu com uma vantagem de 29 pontos), Giovinazzi se manteve relativamente longe de incidentes, exceto pelo abandono na Grã-Bretanha (onde rodou e parou na caixa de brita) e o choque com Robert Kubica, da Williams, em Abu Dhabi.

Desejamos a Antonio Giovinazzi boa sorte para 2020 e que ele consiga se adaptar melhor ao carro. Cremos que ele tem o potencial suficiente para conseguir melhores resultados no futuro.

 

  • Romain Grosjean

 

 

Romain Grosjean terminou o ano em 18º lugar, com 8 pontos (29 a menos que no ano passado). Pontuando em apenas três das 21 corridas do ano, conseguindo um sétimo lugar na Alemanha e um décimo lugar na Espanha e em Mônaco, Grosjean teve um dos desempenhos mais medíocres de 2019 e a renovação de seu contrato gerou descontentamento por parte dos torcedores, pois a Haas estaria investindo em pilotos que há muito tempo deixam a desejar em vez de dar oportunidades a jovens que procuram uma oportunidade (como Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara).

Começando o ano batendo em Lance Stroll, da Racing Point, no treino classificatório do Grande Prêmio da Austrália e logo após a largada do Grande Prêmio do Bahrein, Grosjean se destacou por suas barbeiragens típicas e suas reclamações no rádio. Nem mesmo seu companheiro Kevin Magnussen escapou dos confrontos, como no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, onde os dois se chocaram e causaram um duplo-abandono.

Desejamos a Romain Grosjean sorte para o ano que vem e mais prudência em sua direção. Esperamos que ele justifique o investimento da Haas e traga melhores resultados para sua equipe.

 

  • Kevin Magnussen

 

 

Kevin Magnussen terminou 2019 no 16º lugar, com 20 pontos (36 a menos que no ano passado). Os torcedores também não reagiram bem à notícia da renovação de seu contrato com a Haas, pois o desempenho do dinamarquês estava bem longe do esperado.

Pontuando em quatro de 21 corridas, oscilando entre o sexto e o nono lugar, Magnussen teve uma temporada medíocre, marcada por conflitos com seu companheiro Romain Grosjean, como o duplo-abandono no Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Sua vantagem em relação ao francês se deve por ter pontuado em uma corrida a mais do que o companheiro. Porém, para um piloto que teve um bom começo de carreira, Magnussen vêm apresentando um declínio em rendimento e, na opinião de muitos torcedores, não justifica o investimento da Haas.

Desejamos a Kevin Magnussen um 2020 com mais sorte e sabedoria. Mesmo que não consiga os mesmos resultados do começo de sua carreira, esperamos que ele possa contornar as dificuldades e superar seus limites.

 

  • Robert Kubica

 

 

A surpresa de 2019, Robert Kubica terminou o ano em 19º lugar com apenas um ponto (o único de sua equipe), obtido no Grande Prêmio da Alemanha após ser promovido para o décimo lugar depois da dupla da Alpha Romeo (Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi) ser punida com 30 segundos para cada piloto. O polonês regressou à Fórmula 1 depois de anos afastado devido a um acidente em 2011. Pressionada pelo discurso dos empresários de Kubica (entre eles o campeão de 2016, Nico Rosberg), a Williams via na contratação do polonês uma oportunidade de atrair investimentos de empresas polonesas e conseguir mais atenção midiática. A escuderia inglesa, porém, percebeu que Kubica não resolveria os problemas administrativos e financeiros que enfrenta há alguns anos.

Após tentarem convencer a mídia e os torcedores de que seus pilotos eram os culpados pelos problemas da Williams em 2018, Paddy Lowe e Claire Williams apostaram em uma dupla nova para 2019. No entanto, o rendimento do carro piorou e não havia mais bodes expiatórios. Lowe optou por deixar o departamento de engenharia alegando problemas pessoais, e caiu em cima de Claire toda a culpa pelo mal funcionamento da escuderia de seu pai. Antes de contratarem Kubica, deveriam ter pensado que as sequelas do acidente que lesionou o braço esquerdo do piloto demandariam um carro adaptado, o que significaria mais gastos. Uma equipe com problemas financeiros não deveria assumir esse risco, até por que não havia garantias de que Kubica, afastado da categoria por oito anos, traria bons resultados que justificassem tal investimento.

Dois momentos marcaram o ano do polonês: sua temporária condecoração como “Piloto do Dia” do Grande Prêmio da Áustria (que depois se revelou como um erro de sistema, pois o verdadeiro eleito havia sido Max Verstappen, da Red Bull), e seu choque com o holandês nos boxes do Grande Prêmio do Brasil. Felizmente, o incidente não prejudicou a prova como havia ocorrido no ano anterior graças à imprudência de Esteban Ocon, e Kubica foi penalizado com cinco segundos.

Não podendo arcar com os custos do polonês, a equipe o demitiu e contratou o canadense de ascendência iraniana Nicholas Latifi para substituí-lo em 2020. Um fato curioso é que o volante adaptado de Kubica que havia sido encomendado para o começo do ano só chegou na segunda metade da temporada, provando que a Williams ainda sofre com problemas de prazo na entrega tanto de equipamentos quanto de resultados.

Desejamos a Robert Kubica boa sorte para ano que vem, seja lá qual for o seu destino. Foi muito legal ver que, apesar do resultado ter sido fruto de uma punição a adversários, ele conseguiu no mínimo trazer um ponto para sua equipe, coisa que seu companheiro de time, George Russell, não foi capaz de fazer mesmo estando com o corpo perfeitamente saudável. Kubica foi um exemplo de superação esse ano.

 

  • George Russell

 

 

George Russell foi o último colocado no campeonato (em 20º lugar), sendo o único piloto incapaz de pontuar em 2019. Grande parte da culpa por seu fraco desempenho foi a incompetência de sua equipe, a Williams, e a crise financeira e administrativa que a escuderia passa.

Uma curiosidade sobre Russell é que, mesmo sem querer, ele foi uma peça no jogo de uma guerra publicitária racista contra Lance Stroll, da Racing Point. Mesmo Stroll tendo pontuado em seis ocasiões, tendo seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha, e Russell sendo o único do grid a não pontuar sequer uma vez, alguns veículos midiáticos insistem que ele é melhor que o canadense. Este absurdo só tem uma explicação lógica: Russell é branco e europeu, Stroll é caboclo (mestiço de branco com indígena), e ainda há pessoas que desejam que a Fórmula 1 volte a ser dominada exclusivamente por brancos de etnia europeia (sejam estes nascidos na Europa ou descendentes exclusivamente de europeus). Para mais explicações, consultar a reportagem O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1.

Apesar deste lamentável fato, Russell não esteve blindado de ataques. Apesar de ter sido derrotado nos resultados finais pelo companheiro Robert Kubica, os torcedores poloneses não admitiram que o inglês tivesse largado à frente de Kubica em todas as corridas. Consequentemente, Russell foi alvo de ataques na internet, muitos de conotações homofóbicas. Isso prova que o esporte deve combater, além do racismo, a homofobia.

Desejamos a George Russell boa sorte para o ano que vem e que ele possa pontuar em várias corridas. Não se pode afirmar sobre o potencial de Russell, já que seu carro o impediu de triunfar, mas é nítido que, se ele espera melhores resultados em sua carreira, deve deixar a Williams.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2019 se diferenciou da de 2018 pela incapacidade da Ferrari de competir com a Mercedes pelo título. A Red Bull provou mais uma vez que detém pilotos excelentes, mas não consegue produzir um carro à altura. A Mercedes se beneficia por seu carro mais potente em relação ao grid, enquanto a Ferrari sai prejudicada pela falta de liderança de Mattia Binotto (substituto do veterano Maurizio Arrivabene) e o conflito interno entre a política tradicional da equipe e seus pilotos, Sebastian Vettel e Charles Leclerc. Corridas como a da Alemanha e do Brasil se destacaram pela emoção e adrenalina, enquanto que outras, como França, mereciam ser retiradas do calendário. O duplo-padrão adotado pelos comissários para julgar incidentes, como em Mônaco e na Itália, mancham a imagem da categoria, e existem pilotos que lutam contra essa política, como Max Verstappen, Sergio Pérez e Daniel Ricciardo. Não se sabe se 2020 trará mais mudanças, mas presenciamos em 2019 o princípio de uma revolução que contrasta com os anos de 2017 e 2018.

The Lance Stroll Case: An Amerindian in Formula One

 

Updated on September 1st, 2020

Revised on September 4th and 5th, 2020

 

Abstract: It is not racism to not support Lance Stroll, but it is when they deny his talent and praise White drivers with fewer deeds.

 

Canadian driver Lance Stroll is periodically subject to sports news and comments from Formula One fans. Unfortunately, most of them are offensive and discharge abnormal hate against an innocent boy (who did nothing to his detractors, who do not even know him personally). Several hypotheses are raised about the origin of this hatred: envy for the Stroll family fortune, fanaticism for rival drivers, ignorance about who Lance is, among others. But only one is closer to the truth: racism against indigenous peoples.

Some haters remember his mother is Belgian, while others say his skin is lighter. Such phrases relate to how much current society is unaware of the indigenous peoples of the Americas. In this article, we will prove the anger many netizens (and even press members) have about Lance Stroll is nothing more than the desire for an all-white sport.

 

1- An Amerindian driver in Formula One

 

Born in Montreal on October 29th, 1998, Lance Stroll is the second child of businessman Lawrence Stroll and fashion designer Claire-Anne Callens. Lance is of Russian-Jewish and Inuit (native people of Canada, including Quebec, the homeland of the Strolls) descent by his father’s side, and from Belgian and English descent by his mother’s side. Lawrence Stroll is the son of a Russian-Jewish immigrant father and a Canadian mother, has reddish skin, straight, thick hair, and slightly slanted eyes. Claire-Anne Callens has white skin and blue eyes. The result of miscegenation is noted in the couple’s children: Chloe, the eldest child, has her mother’s eyes, but her father’s face shape; Lance, the youngest child, has his mother’s face shape, but his father’s slightly slanted brown eyes and dark, straight, thick hair. Lance’s skin is lighter than Lawrence’s and redder than Claire’s.

 

The Strolls. From right to left: Claire-Anne (mother), Lance (son), Lawrence (father), and Chloe (daughter). (Photo: Thill Arthur / ATP) [1]

 

In the Americas, due to past colonization, slavery, and immigration, miscegenation is inevitable; it is no different in Canada, where Native peoples had contact with Europeans (white-skinned) and Africans (black-skinned);

When two people of different skin colors have children, these ones are called mixed-race. In Brazil, for example, mixed-race people receive names according to their origins. The children of a Black parent and a White one are called mulatos; those born to a Native parent and a Black one are called cafusos; children of a White parent and a Native one (such as Stroll) are called caboclos or mamelucos;

In genetics, there is a high probability that mixed-race people with white ancestors to have white children when they marry white people. In the nineteenth century, the United States banned interracial marriages. However, the Brazilian government encouraged marriage to whites to “whiten” future generations.

Having a lighter skin tone than their ancestors does not nullify mixed-race person origins. The Caboclos maintain their Amerindian origins even with their skin lighter than an ‘Indian’ one. They are of both Amerindian and European descent. Lance Stroll fits in this case.

 

Physical characteristics of Lance Stroll that prove his Amerindian origin. [2]

 

2- How the European people describe the Amerindians

 

Formula One was created in the 1950s. It was not even a decade since the fall of the Nazi-fascist regimes in Europe. These ones were characterized by intense state repression and persecution of minority ethnic groups (mainly Jews) under racial pretenses. Since the nineteenth century, with the formulation of social Darwinism, schools and intellectuals in Europe have taught that races are organized into a hierarchy. Then, the European-whites are considered superior to the others and the mixed-races inferior to all the so-called pure races.

Some anthropologists such as Edward Tylor used to defend that theory and to claim the social evolutionism, a hierarchy between cultures; Even with efforts by others, such as Franz Boas, in showing that it is not possible; European society was convinced about its advantage;

However, this phenomenon has older origins. Since the colonization of the Americas by nations of Europe, various power-holding groups have launched propaganda to support the colonizing process; In Brazil, for example, after the death of Bishop Pedro Fernandes Sardinha (who would have been devoured by anthropophagous Amerindians) in the 16th century, the Catholic Church promoted campaigns that treated Amerindians as animalistic, savage beings, to justify its catechizing campaigns and the Portuguese control; it led to catastrophic consequences and the extermination of the tribe accused of killing the bishop, the Caetés;

 

Image of the 1882 Brazilian Anthropological Exhibition, illustrating a Brazilian indigenous and an African slave being exhibited in Europe. Notice how Amerindians and blacks are portrayed in an animalistic way compared to whites. (Photo: National Museum of Rio de Janeiro) [3]

 

In the 1950s, the European population still did not understand what the native peoples of the Americas were like. Some decades earlier, in 1911, Scottish James Matthew Barrie released his most famous work, Peter Pan. In the story, a Native American tribe is portrayed as submissive to the protagonist;

It can be noted on the daughter of their chief: Princess Tiger Lily does everything for Peter, even his feelings for her not being the same he has for Wendy Darling, an English girl he brought to Neverland; In 1953, Walt Disney adapted the work into an animated film in which the natives take a larger role in the song What Makes the Red Man Red. In the scene, the tribe is made up of individuals standing in time, isolated from the rest of the world, and wearing the same clothes as their ancestors. The stereotype around Native American people has generated so much controversy for Disney that the studios chose to not include the characters in the sequel film Return to Neverland (2002).

 

Native American tribe from the movie Peter Pan (1953). (Photo: Disney) [4]

 

Since Amerindians lived only on the American continent, Europe had no interest in combating prejudice against them, let alone self-criticizing the interaction between Whites and Amerindians over the centuries. Even in countries of the Americas, the Natives were still marginalized and excluded from society. Only with the organization and struggle of these peoples, especially in the twentieth century, was the issue taken more seriously. On April 19th, 1940, the First Inter-American Indian Congress was held to promote the fight against racism and to pressure American countries to adopt policies to protect and guarantee indigenous rights. That is why in Argentina, Costa Rica, and Brazil, Indian Day is celebrated on April 19th.

Formula One aimed to encourage interest in the auto industry. At the time, consumers in this industry were White men. Women were forbidden to drive in many countries around the world, and Black and Amerindian people lived in segregation, rendering them unable to access vehicles. Therefore, the category focused on pleasing the European white male public, its consumer market. Due to this, Formula One was dominated by Europeans and their descendants for many years (Juan Manuel Fangio, Argentine driver who was the second champion of the category, was of Italian descent).

 

3- Revson and Hamilton: breaking the hegemony

 

In 1964, American Peter Revson debuted as the first Jew in the category, breaking years of European white rule in Formula One. It is worth remembering that the Jewish people have been persecuted since ancient times and were the majority group among Holocaust victims. Previously, they had suffered invasions of its lands by Assyrians, Persians, Greeks, and Romans, inquisitions by the Catholic Church, pogroms in the Russian Empire, and many other policies of segregation and extermination); Besides this, though a quarter of the Jews has white skin like Revson, racial theories do not consider they as White because they originate in the Middle East; then, White supremacy groups persecute them;

Revson drove for ten years with Revson Racing, Reg Parnell, Tyrell, McLaren, and Shadow Racing. He won two races, got eight podiums, scored 14 times, and accumulated 61 points throughout his career. He died in a training accident for the 1974 South African Grand Prix.

Forty-three years later, in 2007, the first Black Formula One driver, British Lewis Hamilton, debuted. Son of a White mother and Black father born to Caribbean immigrants, Hamilton joined McLaren to race alongside Spanish Fernando Alonso. Early at pre-season training sessions, he suffered racial offenses by Alonso’s fans, who called him a monkey. Some people say the reason behind the insults was not racial but sporting because Alonso’s fans loved the Spanish driver. But if so, wouldn’t it be more logical to call Hamilton a loser or to say that Alonso would finish him off? Calling him a monkey, an offense historically associated with Black people proves that Spanish fans’ hatred of Hamilton was, indeed, racism.

Hamilton started the year with a podium, got his first win, and became runner-up in 2007. The following year, he was still champion with McLaren. But even with his brilliant results, the Englishman was still not free from racial persecution. At the 2011 Monaco Grand Prix, the stewards punished Hamilton for a collision with Felipe Massa, a Brazilian driver of Italian descent. He questioned the punishment and accused the stewards of taking a decision based on the drivers’ skin color, as Massa was White and Hamilton Black. Instead of investigating the case, those responsible for Formula One filed a censure against the British driver, prohibiting him from accusing the stewards of racism again. The best decision, in this case, would be to show the crash video to both drivers and clarify the reasons for the punishment. By silencing Hamilton, sports administrators left room for the hypothesis of racism to be taken into account.

 

Peter Revson (left) and Lewis Hamilton (right): respectively the first Jewish driver and the first Black driver in Formula One. [5]

 

Another case of racism suffered by the British driver occurred at the 2019 Italian Grand Prix, whose arbitration is still questioned today. Racing for Mercedes, Hamilton had a chance of overtaking Charles Leclerc, a Monegasque driver who represented Ferrari. To block the opponent, Leclerc squeezed him against the wall, taking it to an investigation. However, the stewards decided to just warn Leclerc with a black and white flag. After the Monegasque driver’s victory, Hamilton climbed to second place on the podium, and Italian fans booed him hardly. Some even made gestures and sounds imitating monkeys. Hamilton posted a recommendation on Instagram to Italians to not be disrespectful as it would tarnish the image of a crowd known for its joy and enthusiasm. No Formula One’s official has even commented on the case.

Centuries of White superiority teachings have left deep marks on European society, so racism gets unnoticed and banalized until nowadays. In the Americas, antiracism movements have more supporters than in Europe, but some people refuse to recognize racial discrimination as a problem anyway;

In Brazil, for example, some European immigrants married Native and Black persons, while others preferred to marry other Europeans and raise their children on the dominant ideas in Europe; it led some Brazilians to believe racism is not a serious subject and to tolerate discrimination against Blacks and Amerindians; even athletes;

At the 2008 Brazilian Grand Prix, whose result guaranteed Hamilton as the champion, even with Massa winning the race, Brazilian fans booed the English driver and called him a monkey; it proved that the Brazilian racial utopia is just a legend;

 

4- Amerindian and Jewish: the perfect scapegoat

 

Lance Stroll belongs to two historically persecuted and massacred peoples: the Amerindians and the Jews. These two groups were never well regarded by European society. In the Eurocentric view, the Amerindians were cannibals, savages, animals, uncivilized, and needed conversion or to be tamed and enslaved; According to prevalent ideas, Jews were deicidal, heretics who controlled the banks, the media, and politics, and should be converted or burned for not accepting the Christian truth and being of an inferior race;

Even with the fall of Nazism, these ideas have not been erased from the European mindset altogether. There are still figures on the world scenario who deny the Holocaust, accuse the Jews of conspiracy, and argue that Amerindians should give up their original cultures.

 

Lance Stroll playing American football in childhood. Notice the Inuit characteristics in the boy. (Photo: Instagram) [6]

Many people in Europe and the Americas still view Amerindians as standing in time, forest dwellers, who live on hunting and fishing; so they cannot understand that Amerindians can be successful entrepreneurs;
Since Formula Three does not get as much attention as Formula One, not all sports fans knew about Lance Stroll’s achievements; all they knew about him was that he was from Canada and his father was a billionaire; they disregarded that all drivers receive an investment to maintain their careers; Even drivers as Esteban Ocon have sponsors to fund them in sports;

In pre-season 2017, having no experience with the Formula One car, Stroll crashed several times. While some took advantage of the situation to make jokes, some hastily accused the young man of buying a seat. Well, even if Stroll had paid to enter Formula One, that would not be cause for so much hatred. After all, he had been hired by Williams to replace a retiring driver, Felipe Massa. The Brazilian driver gave up his retirement after Valtteri Bottas left for Mercedes to replace retired Nico Rosberg. No one bought the seat from anyone. Bottas and Stroll were just replacing retired drivers. Why so much hatred on Stroll, who until then was no rival to anyone?

The answer to that question is simple: fans wanted to see another European at Williams. It bothers many people to deal with a Black driver in Formula One, then an Amerindian driver was coming, instead of a White one;
This is why Lawrence Stroll’s fortune causes such hatred to netizens: even though he is married to a European woman, even though his companies are creating jobs and supporting families, even though his money has been obtained legally, without involvement in any scandal, they still see him as an uncivilized savage cannibal inferior to the Europeans. Just imagine how outraged these netizens must have been to see for the first time a driver from the American continent be a EUROPEAN Formula 3 champion.

 

Lance Stroll was the first Amerindian to win the European Formula Three championship. Racists wanted to see a European driver as the champion. (Photo: Prema Powerteam) [7]

 

Motivated by racial hatred for Stroll, racists threw acid criticism of the Canadian driver’s presence in Formula One as if he were to blame for all the ills in the world. He felt in the skin what his people had suffered for centuries.

While self-called social avengers online, who do not even give alms to a needy beggar, hate the Strolls for their fortune, Lance proves that he does not match with the stereotype of the selfish rich man; He engages in charitable actions, like a visit to the Montreal Children’s Hospitala campaign to drill water wells in the Gambia, and a generous donation to the Los Angeles Fire Department Foundation to combat wildfires in California;

His haters purposely ignore the fact that there are equally rich drivers whose results are not close to Lance’s. Why? Because they are not disturbed by White people being rich as they are by wealthy Amerindians; They blame an Amerindian-Jewish man for all the misfortunes of the world as if a single Canadian driver were responsible for world hunger and misery; Wealthy White people are acquitted of it;

Why? Because racists on the internet and media cannot stand to see that an Amerindian driver has accomplished feats that many whites were unable to obtain. Nor that eight White drivers, including Fernando Alonso (the same idol of the racists who called Hamilton a monkey), went after an Amerindian in his debut year. To do so, they omit not only his deeds, but they also omit Lance’s ethnicity from the discussions. They use the excuse that Stroll’s mother is white to say that he is no longer an ‘Indian’. Nobody stops being ‘Indian’. It is like stopping being old: ethnicity, like age, is an inherent characteristic of each person.

 

5- White cannot be pay drivers, only the Amerindian ones

 

The fact is that the 21st century is not the same as the twentieth. Even with the persistence of racism, combat movements are stronger today than in the last century. Western society is more aware of the importance of respect and that no ethnicity or culture is superior or inferior to another. Therefore, even the most convinced racists try to mask their racism to avoid being condemned by public opinion.

The excuse racists found to criticize the presence of an Amerindian in Formula One without realizing the racial motives was to underscore his father’s fortune. And as Nazi propaganda minister Joseph Goebbels said, a lie told many times becomes a truth; Then, some journalists and netizens are so numb with prejudice and the idea that Stroll does not deserve his seat that they refuse to even read his story before judging him;

They convinced themselves that Amerindians should be ignored, treated with contempt like centuries ago, when European settlers massacred tribes, enslaved Natives, and forced them to give up their original cultures;

But racists end up missing their plan by committing a fatal slip: unaware of the ethnicity they deem inferior. Many netizens claim to not know that Lance Stroll is Amerindian, and others deny he is one; The same excuse was given when the same racists claimed not to know that Stroll is Jewish; The reasons: Stroll does not wear a kippah (and even if he did, it would be hidden under his helmet), has not peyot (the hair curls on his temples), and has no ‘big nose’;

The first step in identifying a racist is to note that they generalize all members of a group as if they were all equal. In this case, because Lance is not a Hasidic Orthodox Jew, they think there’s no way of knowing that he is Jewish. The internet makes research work easier; however, racists do not see the need to research those they consider inferior.

 

 

The Jewish people are made up of diverse ethnicities. It is wrong to think that all Jews are equal. In the image above you can see four Jewish ethnic groups: Ashkenazim, Sephardim, Ethiopian Jews (also called Beta Israel), and Mizrahim.  [8]

 

Even more absurd is the excuse of not knowing that Stroll is Amerindian. The reasons: he does not use an ‘Indian’ headdress, does not hunt and fish with a spear, does not live in the woods or an ‘Indian’ reservation, and his skin is lighter than ‘Indian’ skin. This reveals much of today’s society’s ignorance of indigenous peoples.

In the first place, there is not just one Amerindian ethnicity. Grouping all the native tribes and nations of the Americas as unique was only an instrument of the colonizers to convince the European monarchs that the Amerindians would be easily defeated and tamed. There are Amerindians of various skin tones.

For example, the skin tone of the Métis (a Native people from Canada) is lighter than the Inuits, and that does not make them fewer ‘Indian’ than the others. Among the American tribes, Quileutes are different from the Navajos, which are different from the Cherokees, which are different from Ottawas, which are different from Potawatomis, which are different from Powhatans, and so on. In Brazil, the Tupiniquins differ from the Guaranis, Yanomamis, Jês, among others.

Indeed, most Amerindians have a dark, straight, thick hair, a reddish skin, slightly drawn eyes, and few body hairs, but they are not all like that. Ironically, Stroll has many of these characteristics, but for not living isolated from contemporary society, his detractors omit he is Amerindian;

 

There are thousands of Amerindian ethnic groups on the American continent. Each tribe has particularities such as culture, religion, dress, language, and customs. In the picture above you can see four Amerindian ethnic groups: the Inuits (Canada), the Navajos (USA), the Seris (Mexico), and the Yanomamis (Brazil). [9]

 

As you can see, former Bolivian President Evo Morales has the same kind of hair and eyes as Lance Stroll. Morales is of Aymara ethnicity and Stroll is mixed-race of Inuit ethnicity with European ethnicity. Both have indigenous origins. [10]

 

The problem with racism against Amerindians is that it goes unnoticed by the population because there is not much media attention about it as there is for prejudice against other ethnicities. The Amerindians struggle for respect is silenced by media contempt, and some say they have never heard of an Amerindian. When the word racism is heard, it is rarely associated with Amerindians, and they only appear on the news when the government or a farmer or prospector invades the reserve lands and clashes with its members;

And the hard evidence that the haters’ hatred for Stroll has nothing to do with money but skin color is their idolatry for the English driver Lando Norris; He is the son of magnate Adam Norris, a millionaire owner of Horatio Investment whose personal fortune is £205 million, being the 18th richest man in the United Kingdom;

Unlike Stroll, who debuted in an uncompetitive team, Norris debuted in McLaren in a year it had upgrades which guaranteed it a performance good enough to compete for the top five places; Differently from Stroll, who finished his debut year just three points behind his experienced teammate (even surpassing him in the standings at times), Norris ended the year with 47 points less than teammate Carlos Sainz Jr., who had four years of experience; Sainz also got the team’s only podium of the year with a third-place finish at the 2019 Brazilian Grand Prix;

Compared their results, there is no doubt that Lance Stroll is better than Lando Norris. In his debut year, Lance got a podium, started from the front row, and broke two records (for the youngest rookie do both things). His achievements secured his team’s fifth place in the constructors’ championship. In his debut year, Lando did not achieve any podium or record. His best result was sixth place in Bahrain and Austria (Lance was fourth in Germany);

To mask his mediocrity as an athlete, Norris launched a marketing campaign for fans and Formula One itself to remind him as a funny driver rather than a pay driver who is only in sport because his father is a millionaire businessman; They make several memes, fake profiles spread them, and anything Norris does is followed by a lot of people laughing, considering him the best driver, even though he is not doing anything impressive; Also, Petrobras’ sponsorship of McLaren ensured that Brazilian narrators and commentators praised Norris as if he were the reincarnation of Ayrton Senna himself;

So, if Lando Norris is also a millionaire and has much lower results, why is Lance Stroll called a pay driver? Indeed, in Norris’ glory year, Stroll’s best performance was higher than his, and the English driver still does not have the same achievements as the Canadian; Sport director Nuno Pinto also points that Lance’s curriculum is more impressive than Lando’s, and that he was the first driver to fulfill the FIA’s rule against pay drivers (scoring at least 40 points in the Superlicense); And yet netizens and the media idolize Norris and stone Stroll; This proves that it is not money that matters, it is the color of the person who has the money;

 

 

The logic of racists: If you are Amerindian, you are a pay driver; if you are white, you may be the most mediocre driver that we will praise you. [11]

 

Another case of racism was when the media tried to blame Lance Stroll for Esteban Ocon’s departure from Formula One (see Understand the Esteban Ocon Case) after the Canadian’s father bought the team, saved 405 jobs, and kept Ocon until the end of his contract (you see, even with this detail, racists go into the absurdity of accusing Lawrence of buying teams for Lance); They omit that Ocon was already leaving when his sponsor Toto Wolff promised him a seat at Mercedes, Renault, or McLaren, but all the other teams refused;

In other words, is it Stroll or Wolff, who lied to his sponsored, to blame? And why do not they blame Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz Jr., or George Russell for Ocon’s departure? Because all of these men are White.

And speaking of George Russell, he proved that many times the media only criticizes minorities while evades whites from guilty. In 2018, with Williams’ poor performance due to its engineering department, headed by Paddy Lowe, the media blamed Lance Stroll for not scoring enough points; Stroll finished that year second to last, beating Romain Grosjean and teammate Sergey Sirotkin; When George Russell and Robert Kubica replaced Stroll and Sirotkin, Williams’ car performance worsened, and the team scored just one point, scored by Kubica; At no point was Russell’s hiring criticized, even though he was unable to get a meager point; The media preferred to consider Russell an excellent driver victim of an incompetent team, a title they would give Stroll if he were not Amerindian;

 

6- You already knew he is Amerindian; you just do not want to admit it

 

When announced as a 2017 Williams driver, Lance Stroll was in evidence. There was an interest from the media and netizens to get to know him better; It was readily noted a resemblance between Lance and American actor Taylor Lautner (famous for playing Native American werewolf Jacob Black in the Twilight saga); Interestingly, even though Lautner was the son of an Amerindian mother, there were still people who doubted his ethnicity because his father was of pure European descent;

If Lautner was not Amerindian, he would not have been called to play an Amerindian character, right? And if Stroll was not an Amerindian, it would not make sense comparing him to an Amerindian actor. Why not compare him to Will Smith or Leonardo DiCaprio? Because he does not have the same ethnicity as these two but as Taylor Lautner.

 

A photo that compares Lance Stroll to Taylor Lautner. (Photo: Blig Groo) [12]

 

Humorous site F1 Fanatic calling Stroll the “cover of Twilight werewolf” (“cover do lobisomem do crepúsculo). For those who do not know, Jacob Black, the werewolf in the Twilight saga, is a native of the Quileute tribe. (Photo: F1 Fanatic) [13]

 

7- What do we learn from this?

 

  • That Lance Stroll is not taking anyone’s seat. He was hired to replace a retiring driver.
  • That Lance Stroll has more achievements than many European White drivers, and this bothers a lot of people.
  • That despite having a Belgian mother and a Russian grandfather, Lance Stroll is also of Inuit descent; As a mixed-race person, he has both European and Amerindian origins;
  • That there is not just one Amerindian appearance; There are thousands of indigenous tribes in America, each with its ethnicity and culture;
  • No matter how good the driver is, he will always be a victim of racism if he belongs to an ethnic minority (ex: Lewis Hamilton);
  • That no driver gets to Formula One without financial support (including Brazilians); The problem with Strolls’ fortune, which earned honestly and fairly, is pure anger of people who think Amerindians cannot succeed;
  • That every Lance Stroll hater is either a racist, angry to see Amerindian athletes (and even beating White ones), or is an idiot who repeats the racist fallacy, as they are unable to think with their heads and swallow everything the media and the internet says;

Knowing this, the next time you see or hear a netizen or television host (narrator or commentator) calling Lance Stroll a pay driver or rich boy, or accusing him of stealing someone’s seat, know you are facing a case of racism; Report it, confront them, tell the truth to this person; Do not let racism thrive;

If we want a society where everyone is equal, do not ignore prejudice with others; Unmask the racist; Make them shut up; Amerindians are human beings like all other ethnicities and origins, and as such deserve our respect and support;

 

Addendum (March 11th, 2020): On March 11th, 2020, The Racing Track’s page on Instagram was a target of a racist comment from a profile called official_alexalbon, which stated that “Jews deserve ‘Aushwitz’ not f1 seats”. This is a clear proof of what was demonstrated in this article: who is against the presence of Lance Stroll in Formula One is against the presence of Amerindian and Jewish drivers in the sport, using the Canadian family’s fortune as an excuse for the disproportionate hatred of a person they do not even know. Bearing in mind that supporting European white drivers, or even not being a fan of Lance Stroll does not make the supporter a racist (at no time did the article imply this), but using a double standard to judge the drivers, ignoring the achievements of Stroll and demoting them compared to equally wealthy white drivers whose results in the sport were inferior is an act of racism. Below is the photo of the comment:

 

To those who doubted racism against Lance Stroll was real, there is the proof.

 

Erratum: Originally, the text said that Lance Stroll had broken three records on his debut year in Formula One: youngest rookie to get a podium, youngest driver to start from the first row, and youngest average age of podium finishers. However, this one was broken at the 2019 Brazilian Grand Prix, and before that round, the 2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium, which Stroll took part, had the tenth youngest average age of the finishers. After being informed about the mistake, we corrected the paragraph.

 

8- Bibliography

 

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1

 

Atualizado em 1º de setembro de 2020

 

Resumo: “Não é racismo não torcer por Lance Stroll, mas negar seu talento e diminuí-lo em relação a pilotos brancos com menos feitos é.

 

O piloto canadense Lance Stroll volta e meia é assunto dos jornais esportivos e comentários dos fãs da Fórmula 1. Infelizmente, grande parte dos comentários é ofensiva, descarregando uma carga de ódio anormal em cima de um rapaz que nunca fez mal para ninguém (muito menos para seus detratores, que sequer o conhecem pessoalmente). Várias hipóteses são levantadas sobre a origem desse ódio: inveja pela fortuna da família Stroll, fanatismo por pilotos rivais, ignorância acerca de quem Lance é, entre outras. Mas apenas uma está mais próxima da verdade: racismo contra os povos indígenas.

“Ah, mas a mãe dele é belga”, dizem alguns dos haters. “Ah, mas a pele dele é mais clara”, dizem outros. Tais frases relatam o quanto que a sociedade atual desconhece acerca dos povos indígenas da América. Neste artigo, vamos provar que esta raiva gigantesca que muitos internautas (e até membros da imprensa) têm de Lance Stroll nada mais é do que o desejo de que o esporte seja composto unicamente por pilotos brancos.

 

1- Um piloto indígena na Fórmula 1

 

Lance Stroll nasceu em Montreal no dia 29 de outubro de 1998, segundo filho do empresário Lawrence Stroll e da estilista Claire-Anne Callens. Lance é descendente de judeus russos e indígenas inuítes (povo nativo do Canadá, incluindo o Quebec, terra natal dos Strolls) por parte de pai, e de belgas e ingleses por parte de mãe. Lawrence Stroll é filho de um imigrante judeu russo e de uma canadense, possui a pele avermelhada, cabelos lisos e grossos, e olhos levemente puxados. Claire-Anne Callens tem pele branca e olhos azuis. O resultado da miscigenação é notado nos filhos do casal: Chloe, a filha mais velha, tem os olhos da mãe, mas o formato de rosto do pai. Lance, o filho mais novo, tem o formato de rosto da mãe, mas os olhos castanhos levemente puxados e os cabelos escuros, lisos e grossos do pai. A pele de Lance é mais clara que a de Lawrence e mais avermelhada que a de Claire.

 

Os Strolls. Da direita para a esquerda: Claire-Anne (mãe), Lance (filho), Lawrence (pai) e Chloe (filha). (Foto: Thill Arthur/ATP) [1]

 

O fenômeno da miscigenação é muito comum nos países americanos devido ao histórico de colonização, escravidão e imigração no continente. No Canadá, país natal de Lance, não foi diferente. Os povos nativos tiveram contato com os europeus (de pele branca) e os africanos (de pele negra). Os filhos de casais de cores de pele diferente são chamados mestiços. No Brasil, por exemplo, os mestiços ganham nomes diferentes de acordo com suas origens. Os filhos de brancos com negros são chamados de “mulatos”, os filhos de índios com negros são chamados de “cafuzos”, e os filhos de brancos com índios (como é o caso de Stroll), são chamados de “caboclos” ou “mamelucos”.

Na genética existe grande probabilidade de pessoas mestiças com ancestrais brancos terem filhos brancos quando se casam com brancos. Países como os Estados Unidos chegaram a proibir o casamento entre pessoas de cores diferentes no século XIX, enquanto que o governo brasileiro incentivava o casamento com brancos para “branquear” as futuras gerações. No entanto, o fato do mestiço ter a pele mais clara que seus ancestrais não anula sua origem. Logo, um “caboclo” não deixa de ter origens indígenas por sua pele ser mais clara que a dos “índios”. Ele possui tanto origem indígena quanto europeia, e este é o caso de Lance Stroll.

 

Características físicas de Lance Stroll que comprovam sua origem indígena. [2]

 

2- Os indígenas de acordo com os europeus

 

A Fórmula 1 foi criada na década de 1950. Não haviam se passado nem uma década da queda dos regimes nazifascistas na Europa, que se caracterizavam pela intensa repressão do Estado e perseguição de grupos étnicos minoritários (principalmente os judeus) sob pretextos raciais. Desde o século XIX, com a formulação do “darwinismo social”, as escolas e intelectuais europeus ensinavam à população de que as raças se organizavam em uma hierarquia, na qual a raça branca europeia era considerada superior às demais e os mestiços inferiores a todas as “raças puras”. Antropólogos como inglês Edward Tylor aplicaram essa teoria para a defesa do “evolucionismo social”, tese que defende uma hierarquia entre as culturas. Mesmo com esforços de outros antropólogos, como o alemão judeu Franz Boas, em mostrar que não se pode afirmar em superioridade de culturas ou raças, a sociedade europeia abraçou com firmeza a ideia de que estava em vantagem em relação aos demais povos do planeta.

Porém, esse fenômeno tem origens mais antigas. Desde a colonização da América por nações da Europa, diversos grupos detentores do poder lançavam propagandas para obter apoio ao processo colonizador. No Brasil, por exemplo, após a morte do bispo Pedro Fernandes Sardinha (que teria sido devorado por indígenas antropófagos) no século XVI, a Igreja Católica promoveu campanhas que tratavam os indígenas como seres animalescos e selvagens para justificar as campanhas catequizadoras e o controle português em território brasileiro. As consequências foram catastróficas e a tribo acusada de matar o bispo, os Caetés, foi exterminada no processo.

 

Imagem da Exposição Antropológica Brasileira de 1882, ilustrando um indígena brasileiro e um escravo africano sendo exibidos na Europa. Note como os indígenas e os negros são retratados de maneira animalesca comparado aos brancos. (Foto: Museu Nacional do Rio de Janeiro) [3]

 

Na década de 50 a população europeia ainda não entendia como eram os povos nativos da América. Décadas antes, em 1911, o escocês James Matthew Barrie lançou sua obra mais famosa: “Peter Pan”. Na história, uma tribo indígena é retratada como pessoas submissas ao protagonista e a filha do chefe, a princesa Tigrinha, se dispõe a fazer tudo por Peter, mesmo ele não tendo por ela o mesmo sentimento que tem por Wendy Darling, menina inglesa que ele leva para a Terra do Nunca. Em 1953, Walt Disney adaptou a obra em um filme de animação no qual os indígenas assumem um papel maior na música “Por Que Ele Diz ‘Au’?” (“What Makes the Red Man Red?” no original em inglês). Na cena, a tribo é composta de indivíduos parados no tempo, isolados do resto do mundo e que usam as mesmas vestes de seus antepassados. O estereótipo em torno dos indígenas gerou tanta polêmica para a Disney que os estúdios optaram por não incluir os personagens na sequela do filme: “De Volta à Terra do Nunca”, de 2002 (título original “Return to Neverland”).

 

Tribo indígena do filme “Peter Pan” (1953). (Foto: Disney) [4]

 

Como os indígenas viviam apenas no continente americano, não havia nenhum interesse na Europa em combater o preconceito contra eles, muito menos em fazer uma autocrítica sobre a interação entre brancos e indígenas ao longo dos séculos. Mesmo nos países americanos, os nativos ainda eram marginalizados e excluídos da sociedade. Somente com a organização e luta desses povos, principalmente no século XX, é que a questão foi levada mais a sério. No dia 19 de abril de 1940 foi realizado o Congresso Indigenista Interamericano, visando promover o combate ao racismo e pressionar os países americanos a adotar políticas de proteção e garantia dos direitos indígenas. É por isso que na Argentina, na Costa Rica e no Brasil, no dia 19 de abril é comemorado o Dia do Índio.

A Fórmula 1 visava incentivar o interesse à indústria automobilística. À época, os consumidores desse setor eram homens brancos. Mulheres eram proibidas de dirigir em muitos países do mundo, e negros e indígenas viviam em segregação, impossibilitando-os de ter acesso a veículos. Logo, o esporte se concentrava em agradar ao público masculino, branco e europeu, seu mercado consumidor. É devido a isso que por anos a Fórmula 1 foi dominada por europeus e seus descendentes (Juan Manuel Fangio, piloto argentino que foi o segundo campeão da categoria, era descendente de italianos).

 

3- Revson e Hamilton: quebrando a hegemonia

 

Em 1964, o norte-americano Peter Revson estreou como o primeiro judeu na categoria, quebrando anos de domínio branco europeu na Fórmula 1. Vale lembrar que o povo judeu sofre perseguições desde a Antiguidade e foi o grupo majoritário entre as vítimas do Holocausto (antes havia sofrido invasões de suas terras por assírios, persas, gregos e romanos, inquisições por parte da Igreja Católica, pogroms no Império Russo e muitas outras políticas de segregação e extermínio). Também importante ressaltar que mesmo um quarto da população judaica tendo pele branca (caso de Revson), eles não são considerados brancos pelas teorias raciais (por terem origem no Oriente Médio) e são perseguidos pelos grupos de supremacia branca. Revson correu por 10 anos com as equipes Revson Racing, Reg Parnell, Tyrell, McLaren e Shadow Racing. Teve duas vitórias e oito pódios, pontuou 14 vezes e acumulou 61 pontos em toda a carreira. Faleceu em um acidente nos treinos para o Grande Prêmio da África do Sul de 1974.

Quarenta e três anos depois, em 2007, estreou o primeiro piloto negro da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton. Filho de mãe branca e pai negro nascido de imigrantes caribenhos, Hamilton juntou-se à McLaren para correr ao lado do espanhol Fernando Alonso. Logo nos treinos preparatórios, ele sofreu ofensas raciais pelos torcedores de Alonso, que o chamavam de “macaco”. Alguns dizem que o motivo das ofensas não era racial, e sim esportivo, pois os torcedores de Alonso amavam o piloto espanhol. Porém, se assim fosse, não seria mais lógico chamar Hamilton de “perdedor” ou dizer que Alonso iria “acabar com ele”? Chamá-lo de “macaco”, ofensa historicamente associada aos negros, prova que o ódio dos torcedores espanhóis contra Hamilton era sim, racismo.

Hamilton começou o ano com um pódio, teve sua primeira vitória, e se tornou vice-campeão de 2007. No ano seguinte, foi campeão ainda com a McLaren. Porém, mesmo com seus resultados brilhantes, o inglês ainda não estava livre da perseguição racial. No Grande Prêmio de Mônaco de 2011, os comissários puniram Hamilton por um choque com Felipe Massa, piloto brasileiro de ascendência italiana. Ele questionou a punição e acusou os comissários de tomar uma decisão com base na cor de pele dos pilotos, pois Massa era branco e Hamilton negro. Em vez de apurarem o caso, os responsáveis pela Fórmula 1 moveram uma censura ao piloto inglês, proibindo-o de acusar novamente os comissários de racismo. A melhor decisão nesse caso seria a de mostrar os vídeos da colisão para ambos os pilotos e esclarecer os motivos da punição. Ao silenciarem Hamilton, os administradores do esporte deixaram margem para que a hipótese de racismo fosse levada em conta.

 

Peter Revson (à esquerda) e Lewis Hamilton (à direita): respectivamente o primeiro piloto judeu e o primeiro piloto negro na Fórmula 1. [5]

 

Outro caso de racismo sofrido pelo britânico ocorreu no Grande Prêmio da Itália de 2019, cuja arbitragem é questionada até hoje. Correndo pela Mercedes, Hamilton tinha chances de ultrapassar Charles Leclerc, piloto monegasco que representava a Ferrari. Para bloquear o adversário, Leclerc o espremeu contra o muro e uma investigação foi iniciada. No entanto, os comissários decidiram apenas advertir Leclerc com uma bandeira preta e branca. Após a vitória do monegasco, Hamilton subiu ao segundo lugar do pódio e os torcedores italianos o vaiaram fortemente. Alguns inclusive fizeram gestos e sons imitando macacos. Hamilton postou uma mensagem em seu Instagram recomendando aos italianos não cometer esse desrespeito, pois mancharia a imagem de uma torcida lembrada por sua alegria e entusiasmo. Nenhuma autoridade da Fórmula 1 sequer chegou a comentar o caso.

Séculos de ensinamentos racistas de “superioridade branca” deixaram marcas profundas na sociedade europeia de modo que o fenômeno do racismo passe despercebido ou seja encarado como algo banal até os dias de hoje. É nítido que os movimentos contra o racismo são mais fortes na América do que na Europa, mas mesmo no continente americano existem aqueles que se negam a enxergar a discriminação racial como um problema. No Brasil, por exemplo, enquanto alguns imigrantes europeus se misturaram com indígenas e negros, outros preferiram se unir a outros europeus e criaram seus filhos com as mesmas ideias que eram repercutidas na Europa. Tal fenômeno levou alguns brasileiros a acreditar que o racismo não era algo sério e a aceitar a discriminação contra negros e índios, incluindo atletas dessas etnias. No Grande Prêmio do Brasil de 2008, após o resultado dar o título de campeão a Hamilton mesmo com a vitória de Massa, torcedores brasileiros vaiaram o inglês e o chamaram de “macaco”, provando que a “utopia racial brasileira” não passa de uma lenda.

 

4- Indígena e judeu: o bode expiatório perfeito

 

Lance Stroll pertence a dois povos historicamente perseguidos e massacrados: os ameríndios e os judeus. Esses dois grupos nunca foram bem-vistos pela sociedade europeia. Os indígenas eram “canibais”, “selvagens”, “animalescos”, “incivilizados” na visão eurocêntrica e, como tais, precisavam de conversão ou serem domados e escravizados. Os judeus eram “deicidas”, “hereges”, “controlavam os bancos, a mídia e a política” segundo as ideias vigentes e, como tais, deveriam ser convertidos ou queimados por “não aceitarem a verdade cristã e serem de uma raça inferior”. Mesmo com a queda do nazismo, essas ideias não foram apagadas da mentalidade europeia por completo. Ainda existem figuras no cenário mundial que negam o Holocausto, acusam os judeus de conspiração e defendem que os indígenas devem abrir mão de suas culturas originais.

 

Lance Stroll jogando futebol americano na infância. Repare nas características inuítes no menino. (Foto: Instagram) [6]

 

Muitas pessoas, tanto na Europa quanto na América, ainda veem os indígenas como parados no tempo, habitantes de florestas, que vivem da caça e pesca. Logo, causa estranheza para muitos ver que os indígenas podem ser empresários bem-sucedidos. Como a Fórmula 3 não recebe tanta atenção quanto a Fórmula 1, não eram todos os fãs do esporte que sabiam das conquistas de Lance Stroll. Tudo o que sabiam dele era que o piloto vinha do Canadá e seu pai era bilionário, ignorando que todos os pilotos recebem um investimento para manter suas carreiras. Até mesmo pilotos como Esteban Ocon possuem quem arque com os custos de suas estadias no esporte. Na pré-temporada de 2017, por não ter experiência com o carro de Fórmula 1, Stroll acabou batendo várias vezes. Enquanto uns aproveitavam a situação para fazer piadas, alguns precipitadamente acusaram o jovem de compra de vaga. Oras, mesmo que Stroll realmente tivesse pago para entrar na Fórmula 1, isso não seria motivo para tanto ódio. Afinal, ele havia sido contratado pela Williams para substituir um piloto que estava se aposentando, Felipe Massa. O brasileiro desistiu da aposentadoria após a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes para substituir o aposentado Nico Rosberg. Ninguém comprou a vaga de ninguém. Bottas e Stroll estavam simplesmente ocupando as vagas de pilotos que se aposentaram. Por que então tanto ódio a Stroll, que até então não era rival de ninguém?

A resposta para essa pergunta é simples: os fãs queriam ver outro europeu na Williams. Incomoda para muitos ter que aturar um piloto negro na Fórmula 1, agora um piloto indígena estava chegando ao esporte, na vaga que segundo os torcedores deveria ser ocupada por um piloto branco de etnia europeia. Este é o motivo pelo qual a fortuna de Lawrence Stroll causa tanto ódio nos internautas: mesmo ele sendo casado com uma europeia, mesmo suas empresas gerando empregos e sustentando famílias, mesmo seu dinheiro tendo sido obtido de maneira totalmente legal, sem envolvimento em nenhum escândalo, ele ainda era um “selvagem canibal incivilizado inferior aos europeus”. Imaginem o quanto que estes internautas devem ter se indignado ao ver pela primeira vez um piloto do continente americano ser campeão da Fórmula 3 EUROPEIA.

 

Lance Stroll foi o primeiro indígena a vencer a Fórmula 3 Europeia. Os racistas queriam ver um europeu como campeão. (Foto: Prema Powerteam) [7]

 

Motivados pelo ódio racial a Stroll, os racistas lançaram críticas ácidas à presença do canadense na Fórmula 1 como se ele fosse o culpado de todas as mazelas do mundo. Lance sentia na pele o que seu povo sofreu por séculos. Enquanto os supostos “justiceiros sociais” da internet (que não dão nem uma esmola a um mendigo necessitado) odeiam os Strolls por sua fortuna, Lance prova que não corresponde ao estereótipo de “rico egoísta” e se engaja em ações de caridade, como uma visita ao Montreal Children’s Hospital, uma campanha pela perfuração de poços de água na Gâmbia e uma generosa doação ao Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Os haters ignoram de propósito o fato de haver pilotos igualmente ricos cujos resultados não se aproximam dos de Lance. Por quê? Porque um branco rico não gera a mesma estranheza e desconforto do que um indígena rico. Eles veem um indígena judeu como o culpado de todos os infortúnios do mundo, como se um simples piloto canadense fosse o responsável pela fome e a miséria mundiais. Ao mesmo tempo, inocentam os brancos igualmente riquíssimos disso.

Afinal, qual foi o último piloto estreante que conseguiu um pódio em um carro de uma equipe mais fraca? Qual foi o último estreante que largou da primeira fila em um carro longe de ser competitivo? Qual foi o último piloto a quebrar dois recordes em seu ano de estreia? Todos esses feitos são apagados propositalmente da memória dos torcedores e jornalistas para inocular nos fãs a ideia de que Lance só está no esporte porque seu pai é bilionário. Por quê? Porque os racistas da internet e da mídia não suportam ver que um piloto indígena conseguiu feitos que muitos brancos não foram capazes de obter, e que oito pilotos brancos, incluindo Fernando Alonso (o mesmo ídolo dos racistas que chamaram Hamilton de “macaco”), ficaram atrás de um indígena em seu ano de estreia. Para isso, omitem não só seus feitos, como também omitem a etnia de Lance das discussões. Usam a desculpa de que a mãe de Stroll é branca para dizer que ele “não é mais índio”. Ninguém deixa de ser índio. É como deixar de ser velho. Etnia, assim como idade, é uma característica inerente de cada pessoa.

 

5- Pilotos pagantes brancos não são pagantes, só os índios

 

O fato é que o século XXI não é igual ao XX. Mesmo com a persistência do racismo, os movimentos de combate são mais fortes hoje em dia do que no século passado. A sociedade ocidental está mais consciente da importância do respeito e de que nenhuma etnia ou cultura é superior ou inferior a outra. Logo, até mesmo os racistas mais convictos procuram mascarar seu racismo para evitar serem condenados pela opinião pública.

A desculpa que os racistas encontraram para criticar a presença de um indígena na Fórmula 1 sem que se perceba os motivos raciais foi ressaltar a fortuna de seu pai. E como dizia o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, “uma mentira contada várias vezes torna-se uma verdade”. Com isso, há jornalistas e internautas tão entorpecidos com o preconceito e a ideia de que Stroll não merece a vaga que se recusam até a ler a história do piloto antes de julgá-lo, convencidos de que os indígenas devem ser ignorados, tratados com desprezo, do mesmo modo que foi séculos atrás, quando os colonizadores europeus massacraram tribos, escravizaram nativos e os obrigaram a abrir mão de suas culturas originais.

Mas os racistas acabam deixando escapar seu plano ao cometerem um deslize fatal: desconhecerem a etnia que eles julgam inferior. Muitos internautas em sua defesa afirmam não saber que Lance Stroll é indígena, e outros até negam com firmeza a etnia dele. A mesma desculpa era dada quando os mesmos racistas afirmavam não saber que Stroll é judeu. Os motivos: Stroll não usa kipá, o “chapeuzinho” judaico (e mesmo se usasse, ele ficaria escondido debaixo do capacete), não usa peyot (os cachinhos de cabelo nas têmporas) e não tem “nariz grande”. O primeiro passo para se identificar um racista é notar que ele generaliza todos os membros de um grupo como se todos fossem iguais. No caso, por Lance não ser um judeu ortodoxo hassídico, “não teria como saber que ele é judeu”. A internet facilita muito o trabalho de pesquisa, mas os racistas se julgam tão superiores que não veem a necessidade de pesquisar sobre aqueles que eles consideram inferiores.

 

O povo judeu é composto de diversas etnias. É errado pensar que todos os judeus são iguais. Na imagem acima é possível ver quatro etnias judaicas: os asquenazim, os sefaradim, os judeus etíopes (também chamados de Beta Israel) e os mizrahim. [8]

 

Mais absurda ainda é a desculpa de não saber que Stroll é indígena. Os motivos: ele não anda de cocar na cabeça, não caça e pesca com lança, não mora na floresta ou em reserva indígena, e sua pele é mais clara do que a pele “de índio”. Isso revela muito da ignorância da sociedade atual sobre os povos indígenas. Para começar, não existe apenas uma etnia indígena. Agrupar todos as tribos e nações nativas da América como um povo só foi um instrumento dos colonizadores para convencer os monarcas europeus de que os indígenas seriam facilmente derrotados e domados. Existem indígenas de diversas tonalidades de pele. No Canadá, os Métis, por exemplo, são mais claros que os Inuítes, e isso não os torna “menos índios” que os outros. Entre as tribos americanas, os Quileutes são diferentes dos Navajos, que são diferentes dos Cherokees, que são diferentes dos Ottawa, que são diferentes dos Potawatomi, que são diferentes dos Powhatans, e por aí vai. No Brasil, os Tupiniquins se diferem dos Guaranis, que se diferem dos Yanomamis, que se diferem dos Jês, entre outros. É verdade que a maioria dos indígenas possuem cabelos escuros, lisos e grossos, pele avermelhada, olhos levemente puxados e poucos pelos no corpo, mas nem todos são assim. Ironicamente, Stroll apresenta muitas dessas características, mas por não viver isolado da sociedade contemporânea, seus detratores omitem que ele seja indígena.

 

Existem milhares de etnias indígenas no continente americano. Cada tribo possui particularidades, como cultura, religião, vestimenta, língua e costumes. Na foto acima é possível ver quatro etnias indígenas: os Inuítes (Canadá), os Navajos (EUA), os Seris (México) e os Yanomamis (Brasil). [9]

Como podem ver, o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, possui o mesmo tipo de cabelo e de olhos de Lance Stroll. Morales é da etnia aimará e Stroll é mestiço da etnia inuíte com a etnia europeia. Ambos possuem origens indígenas. [10]

 

O problema do racismo com os indígenas é que ele passa despercebido pela população por não haver muita atenção midiática acerca disso como há para o preconceito contra outras etnias. A luta dos indígenas pelo respeito é silenciada pelo desprezo midiático, e há quem afirme que nunca ouviu falar em índio. Quando se ouve a palavra “racismo”, ela quase nunca é associada aos indígenas, e estes somente aparecem nos noticiários quando o governo ou algum fazendeiro ou garimpeiro invade as terras de uma reserva e entra em confronto com os membros da aldeia.

E a prova concreta de que a birra que os haters tem com Stroll não tem nada a ver com dinheiro e sim com cor de pele é a idolatria que os mesmos tem pelo piloto inglês Lando Norris. Lando é filho do magnata Adam Norris, um milionário dono da companhia Horatio Investments e detentor de uma fortuna pessoal de £205 milhões, sendo o 18⁰ homem mais rico do Reino Unido.

Ao contrário de Stroll, que estreou em uma equipe pouco competitiva, Norris estreou pela McLaren em um ano de atualizações no chassi que renderam à equipe um bom desempenho para competir pelos primeiros cinco lugares do ranking. Diferente de Stroll, que terminou seu ano de estreia a apenas três pontos de seu experiente companheiro (chegando até a ultrapassá-lo no ranking em alguns momentos do campeonato), Norris terminou o ano com 47 pontos a menos que o companheiro Carlos Sainz Jr., que possuia quatro anos de experiência. Sainz ainda conquistou o único pódio da equipe no ano, com um terceiro lugar no Grande Prêmio do Brasil de 2019.

Se formos comparar os resultados, não há dúvidas de que Lance Stroll é melhor que Lando Norris. Em seu ano de estreia, Lance teve um pódio, largou da primeira fila e quebrou dois recordes: mais jovem estreante a ter pódio e mais jovem piloto a largar da primeira fila. Seus feitos garantiram o quinto lugar de sua equipe no campeonato de construtoras. Lando em seu ano de estreia não conseguiu nenhum pódio e não quebrou nenhum recorde, tendo seu melhor resultado um sexto lugar no Bahrein e na Áustria, no mesmo ano em que Lance teve seu melhor resultado um quarto lugar na Alemanha. Para mascarar sua medianidade enquanto atleta, Norris lançou uma campanha de marketing para que os fãs e a própria Fórmula 1 o lembrassem como um piloto engraçado em vez de um piloto pagante que só está no esporte porque seu pai é um empresário milionário. Nessa campanha, são feitos vários memes, usam-se perfis falsos para divulgá-los e qualquer coisinha que Norris faça já é acompanhada de uma enxurrada de pessoas rindo e o considerando o melhor piloto do grid, mesmo ele não fazendo nada de impressionante. Somado a isso está o patrocínio da Petrobras à McLaren, garantindo que os narradores e comentaristas brasileiros elogiassem Norris como se ele fosse a própria reencarnação de Ayrton Senna.

Então, se Lando Norris também é milionário e tem resultados muito inferiores, por que é Lance Stroll que é chamado de “piloto pagante”? Realmente, até no ano de “glória” de Norris, o melhor resultado de Stroll foi melhor que o de Norris e o inglês ainda não tem os feitos do canadense. O diretor esportivo Nuno Pinto também aponta que o currículo de Lance é mais impressionante que o de Lando, e que ele foi o primeiro piloto a cumprir a regra da FIA contra pilotos pagantes (fazer ao menos 40 pontos na Superlicença). E mesmo assim os internautas e a mídia idolatram Norris e apedrejam Stroll. Isso prova que não é o dinheiro que importa, é a cor da pessoa que tem o dinheiro.

 

 

Lógica dos racistas: se você for indígena, você é pagante; se você for branco, pode ser o piloto mais medíocre possível que vamos te louvar. [11]

 

Outro caso de racismo foi quando a mídia tentou culpar Lance Stroll pela saída de Esteban Ocon da Fórmula 1 (ver “Entenda o Caso Esteban Ocon”) após o pai do canadense comprar a equipe, salvar 405 empregos e manter Ocon até o fim de seu contrato (pois é, mesmo com esse detalhe, os racistas chegam ao absurdo de acusar Lawrence de comprar equipe para Lance). Omitem que Ocon já estava de saída quando seu padrinho Toto Wolff o prometeu uma vaga na Mercedes, na Renault ou na McLaren, mas todas as outras equipes recusaram. Ou seja, a culpa é de Stroll ou de Wolff, que mentiu para o apadrinhado? E por que não culpam Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz Jr. ou George Russell pela saída de Ocon? Porque todos estes são brancos.

E falando em George Russell, ele provou que muitas vezes a mídia só critica as minorias, enquanto exime os brancos de culpa. Em 2018, com o fraco desempenho da Williams, por culpa de seu departamento de engenharia comandado por Paddy Lowe, a mídia culpou Lance Stroll por não trazer pontos suficientes para o time. Stroll terminou aquele ano em antepenúltimo lugar, vencendo Romain Grosjean e o companheiro Sergey Sirotkin. Quando George Russell e Robert Kubica vieram para o time inglês substituir Stroll e Sirotkin, o desempenho do carro da Williams piorou e a equipe fez apenas um ponto, marcado por Kubica. Em nenhum momento criticou-se a contratação de Russell, mesmo ele não sendo capaz de fazer um mísero ponto para seu time. A mídia preferiu apostar em Russell como um piloto excelente, vítima de uma equipe incompetente, título este que dariam a Stroll se ele não fosse indígena.

 

6- Você já sabia que ele é índio, só não quer admitir

 

Ao ser anunciado como piloto da Williams para 2017, Lance Stroll ficou em evidência. Houve um interesse por parte da mídia e dos internautas de conhecê-lo melhor. Uma coisa prontamente notada foi a semelhança entre Lance e o ator americano Taylor Lautner, famoso por interpretar o lobisomem indígena Jacob Black na saga “Crepúsculo”. O curioso é que mesmo Lautner sendo filho de uma indígena, ainda havia pessoas que duvidavam de sua etnia por seu pai ser descendente puramente de europeus. Se Lautner não fosse indígena, não teria sido chamado para interpretar um personagem indígena, certo? E se Stroll não fosse indígena, não faria sentido ele ser comparado com um ator indígena. Por que não compararam Stroll a Will Smith ou a Leonardo DiCaprio? Porque ele não tem a mesma etnia desses dois, e sim de Taylor Lautner.

 

Foto que compara Lance Stroll a Taylor Lautner. (Foto: Blig Groo) [12]

 

Site humorístico F1 Fanático chamando Stroll de “cover do lobisomem do crepúsculo”. Para quem não sabe, Jacob Black, o lobisomem na saga Crepúsculo, é um indígena da tribo Quileute. (Foto: F1 Fanático) [13]

 

7- O que aprendemos com isso?

 

  • Que Lance Stroll não está ocupando a vaga de ninguém. Ele foi contratado para substituir um piloto que havia se aposentado.
  • Que Lance Stroll possui mais conquistas que muitos pilotos brancos europeus, e isso incomoda muita gente.
  • Que mesmo sendo filho de mãe belga e neto de imigrante russo, Lance Stroll possui ancestrais inuítes, povo indígena nativo do Canadá, e não deixa de ter origens indígenas por ser mestiço.
  • Que não existe apenas uma aparência indígena. Há milhares de tribos indígenas na América, cada uma com sua etnia e cultura.
  • Que não importa o quão bom seja o piloto, ele sempre será vítima de racismo se pertencer a uma minoria étnica (ex.: Lewis Hamilton).
  • Que nenhum piloto chega à Fórmula 1 sem um suporte financeiro (incluindo os brasileiros). A implicância com a fortuna dos Strolls, obtida de maneira honesta e justa, é pura indignação de pessoas que acham que os indígenas não podem ser bem-sucedidos.
  • Que todos os haters de Lance Stroll, ou são racistas que não suportam ver indígenas no esporte (ainda mais vencendo brancos), ou são idiotas que repetem a falácia racista porque são incapazes de pensar com a própria cabeça e engolem tudo o que a mídia e a internet diz.

Sabendo disso, da próxima vez que ver ou ouvir um internauta ou apresentador de televisão (narrador ou comentarista) chamando Lance Stroll de “piloto pagante” (“pay driver”) ou de “garoto rico” (“rich boy”), ou acusando-o de roubar a vaga de alguém, saiba que está diante de um caso de racismo. Denuncie, confronte, diga a verdade para essa pessoa. Não deixe o racismo prosperar. Se queremos uma sociedade onde todos são iguais, não ignore o preconceito com o outro. Desmascare o racista. Obrigue-o a silenciar-se. Os indígenas são seres humanos como todas as outras etnias e origens, e como tais, merecem o nosso respeito e apoio.

 

Adendo (11/04/2020): No dia 11 de março de 2020, a página do The Racing Track no Instagram foi alvo de um comentário racista de um perfil chamado official_alexalbon, que afirmou que “Judeus merecem ‘Aushwitz’ não assentos na Fórmula 1”. Esta é a prova cabal do que foi demonstrado nesse artigo: quem é contra a presença de Lance Stroll na Fórmula 1 é contra a presença de pilotos indígenas e judeus no esporte, usando a fortuna da família do canadense como desculpa para o ódio desproporcional a uma pessoa que eles sequer conhecem. Lembrando que torcer para pilotos brancos e europeus, ou até mesmo não ser fã de Lance Stroll não torna o torcedor um racista (em momento algum a matéria deu a entender isso), mas usar padrão duplo para julgar os pilotos, ignorando os feitos de Stroll e rebaixando-os em relação a pilotos brancos igualmente ricos cujos resultados no esporte foram inferiores é sim um ato de racismo. Fica abaixo a foto do comentário:

 

Para quem duvidava que o racismo contra Lance Stroll fosse real, eis a prova.

 

Errata: Originalmente o texto dizia que Lance Stroll havia quebrado três recordes em seu ano de estreia: mais jovem estreante a ter pódio, mais jovem piloto a largar da primeira fila e pódio mais jovem (menor média de idade entre os integrantes do pódio). No entanto, o pódio mais jovem da história foi o do Grande Prêmio do Brasil de 2019, e antes desta prova, o pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017, do qual Stroll fez parte, era o décimo mais jovem. Ao sermos informados do erro, corrigimos o parágrafo.

 

8- Bibliografia

 

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Análise GP da Alemanha de 2019 | 2019 German Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 28 de julho de 2019, o Grande Prêmio da Alemanha começou debaixo de chuva. Nos treinos classificatórios, a Ferrari enfrentou sérios problemas: Sebastian Vettel não participou da sessão devido a um problema no turbo, sendo obrigado a largar em último, enquanto Charles Leclerc teve um imprevisto com o combustível e teve que largar em 10º.

Lewis Hamilton (Mercedes), que sofria de amidalite no sábado, largou da pole position, com Max Verstappen (Red Bull) em segundo. O safety car foi acionado ainda na volta de apresentação, que acabou se prolongando mais do que o esperado (houve, praticamente, seis voltas de apresentação). Na largada, o carro de Verstappen não acelerou em tempo e ele acabou sendo ultrapassado por alguns pilotos (como houve na largada do Grande Prêmio da Áustria desse ano). No entanto, isso não atrapalhou o ótimo desempenho do holandês.

A chuva dificultava o desempenho dos carros. O primeiro a abandonar a prova foi Sergio Pérez (Racing Point), que escorregou, rodou na pista e bateu no muro. O safety car foi acionado. Esta corrida foi marcada por muitos acidentes devido ao piso escorregadio nas voltas. Vettel fazia uma boa recuperação, enquanto Valtteri Bottas (Mercedes), o mais beneficiado pela largada ruim de Verstappen, sentia a ameaça holandesa se aproximando, para delírio dos torcedores de Max que lotaram algumas arquibancadas do circuito de Hockenheim.

Se por um lado Max ia bem, por outro seu companheiro Pierre Gasly lutava contra adversários de equipes como Haas e Renault. Lembrando que o francês também perdeu muitas posições na largada, revelando alguns problemas a serem resolvidos pela Red Bull. Para a sorte de Gasly, Daniel Ricciardo (Renault) enfrentou uma falha no motor semelhante à que ocorria frequentemente em 2017 e 2018 quando o australiano ainda estava na Red Bull. Ele foi o segundo piloto a abandonar a prova. Algum tempo depois, Lando Norris (McLaren) também bateu o carro no muro e deixou a corrida.

Kevin Magnussen (Haas) partiu para uma manobra arriscada e colocou pneus macios de pista seca enquanto o circuito ainda estava com partes molhadas. Muitos pilotos da ponta fizeram o mesmo, menos a Red Bull, que trocou os pneus de Verstappen para médios. Como teve um pequeno escorregão e acabou rodando, Max chegou a se irritar com a escolha, mas depois ela se revelou vantajosa. Leclerc, que havia colocado pneus macios, terminou batendo no muro e parando na brita, abandonando a corrida em lágrimas sob uma chuva de aplausos.

Com o safety car na pista, Verstappen assumiu a liderança, seguido por Nico Hülkenberg (Renault) e Bottas. Porém, com a saída do safety car, o finlandês passou o alemão e Hamilton, que estava em quarto, fez o mesmo. Pouco tempo depois, Hülkenberg teve uma batida semelhante à de Leclerc e deixou a prova. Hamilton acabou escorregando na mesma curva, bateu no muro e quebrou a asa dianteira. Por cortar o caminho para o pit stop (o qual a Mercedes fez da forma mais atrapalhada possível), o inglês foi penalizado com 5 segundos. Vale lembrar que no começo da corrida, Leclerc e Romain Grosjean (Haas) se enfrentaram nos boxes, mas os comissários multaram a Ferrari em vez de punir o monegasco.

Com as paradas nos boxes, Lance Stroll (Racing Point) chegou a liderar a prova, mas Verstappen recuperou a posição. Em seguida, Daniil Kvyat (Toro Rosso) assumiu o segundo lugar. Quando Bottas se aproximou de Stroll para ameaçá-lo, acabou batendo no muro e abandonando a prova também. Sem dúvida, o piloto do dia deveria ser esse muro…

Hamilton foi obrigado a fazer outras trocas de pneu, caindo para último e conseguindo apenas passar a dupla da Williams. Vettel conseguiu alcançar o segundo lugar, mas Verstappen estava muito longe. Na última volta, Gasly bateu perto dos boxes e abandonou.

Max Verstappen foi o grande vencedor da prova, com Sebastian Vettel em segundo, Daniil Kvyat em terceiro e Lance Stroll em quarto. A Mercedes sai humilhada da Alemanha, sem pontos e com um abandono. Verstappen novamente dá provas de seu grande talento, enquanto Stroll prova para seus críticos que ele pode sim lidar com situações adversas. Sem dúvidas, foi uma corrida excelente.

Atualização: Os comissários da FIA decidiram punir a dupla da Alfa Romeo (Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi) com 30 segundos para cada piloto por irregularidades na embreagem que teriam dado vantagens na largada. Consequentemente, eles perderam as posições de 7º e 8º e terminaram a corrida em 12º e 13º. Com isso, Lewis Hamilton ganhou dois pontos e Robert Kubica (Williams) um ponto.

Alguém deve ter feito a dança da chuva para essa corrida, não é, Lance?

Notas

Corrida: 9

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Sebastian Vettel: 9
  3. Daniil Kvyat: 8
  4. Lance Stroll: 10
  5. Carlos Sainz Jr.: 8
  6. Alexander Albon: 8
  7. Romain Grosjean: 6
  8. Kevin Magnussen: 6
  9. Lewis Hamilton: 8
  10. Robert Kubica: 5
  11. George Russell: 5
  12. Kimi Raikkonen: 9
  13. Antonio Giovinazzi: 7

Abandonaram

  1. 14.Pierre Gasly: 4
  2. 15. Valtteri Bottas: 7
  3. 16. Nico Hülkenberg: 7
  4. 17. Charles Leclerc: 7
  5. 18. Lando Norris: 6
  6. 19. Daniel Ricciardo: 6
  7. 20. Sergio Pérez: 6

Driver of the Day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhores pilotos: Max Verstappen e Lance Stroll

Pior piloto: Pierre Gasly

Lance Stroll

Article dedicated to my mother Elizete, a big fan of Lance Stroll, and to all Jewish people | Artigo dedicado à minha mãe Elizete, grande fã de Lance Stroll, e a todos os judeus do mundo

 

Last updade on October 21th, 2020 | Última atualização em 21 de outubro de 2020

 

English

Technical file

Full name: Lance Stroll

Birth date: October 29th, 1998

Birthplace: Montreal, Quebec, Canada

Height: 1,82 m (5 ft 11)

Weight: 76 kg (167,55 lbs)

Astrological sign: Scorpio

Religion: Reform Jew

Formula One debut: 2017 Australian Grand Prix (18 years old)

Country: Canada

Português

Ficha técnica

Nome completo: Lance Stroll

Data de nascimento: 29 de outubro de 1998

Local de nascimento: Montreal, Quebec, Canadá

Altura: 1,82 m

Peso: 76 kg

Signo: Escorpião

Religião: Judeu (Reformista)

Estreia na Fórmula 1: Grande Prêmio da Austrália de 2017 (18 anos)

País: Canadá