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Análise Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2020 | 2020 British Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | by Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2020 ocorreu no dia 2 de agosto. Antes mesmo de começar, a corrida passou por uma situação atípica: Sergio Pérez (Racing Point) foi diagnosticado com Covid-19 e ficou de fora da prova, sendo substituído por Nico Hülkenberg. O mexicano talvez fique de fora de outras provas devido à doença. No entanto, devido a problemas hidráulicos, Hülkenberg não chegou a largar. Lance Stroll foi o único piloto da Racing Point a correr em Silverstone.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou na pole position ao lado de seu companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Vários duelos começaram após a largada. Lando Norris (McLaren) tentou avançar sobre Leclerc, mas não obteve sucesso. Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Daniel Ricciardo (Renault) ganharam posições enquanto Norris e Stroll perderam duas cada um. Porém, o que mais chamou atenção foi o acidente na segunda volta entre Kevin Magnussen (Haas) e Alexander Albon (Red Bull). O dinamarquês tentou “fechar a porta” quando o tailandês tentou a ultrapassagem e os dois colidiram. Magnussen foi lançado para a caixa de brita. O safety car foi acionado.

A grande maioria dos pilotos aproveitou o safety car para trocar os pneus. Romain Grosjean (Haas) foi o único que não fez o pit stop. Após a relargada, o grid permaneceu praticamente o mesmo. Algumas voltas depois, Daniil Kvyat (Alpha Tauri) passou pela zebra, rodou e colidiu fortemente com o muro, causando mais uma bandeira amarela e, consequentemente, a volta do safety car.

Depois da segunda relargada, Grosjean foi praticamente o único a apresentar resistência aos adversários. O francês foi ultrapassado por Norris, Sainz, Ricciardo e Stroll antes de fazer a troca de pneus. Infelizmente, uma situação lamentável para a Racing Point surgiu durante a prova: como em uma reprise do Grande Prêmio da Estíria, Stroll se aproximou muito de Ricciardo, mas não conseguia ultrapassar. Diferente da segunda corrida do ano, dessa vez o canadense não pôde superar o australiano nem no final da prova e acabou perdendo a posição para três pilotos. Um deles foi Albon, que havia recebido uma punição de 5 segundos pelo acidente com Magnussen.

Faltando quatro voltas para o fim da corrida, Bottas teve um grave problema em uma das rodas, mas se recusou a ir para o pit stop tão cedo. Ele ainda correu uma volta antes de parar para a troca, perdendo muitas posições e entregando o segundo lugar a Verstappen. Sainz passou pelo mesmo. Em uma situação parecida, Hamilton também apresentou problemas nas rodas, mas como faltava apenas uma volta, o inglês continuou na pista e cruzou a linha de chegada em primeiro com o carro caindo aos pedaços.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Charles Leclerc em terceiro. Devido aos acidentes de Alexander Albon e Daniil Kvyat, o safety car permaneceu muito tempo na pista, impossibilitando bons confrontos na corrida. O meio do grid protagonizou as disputas mais emocionantes, enquanto que o pódio parecia ser o trivial Hamilton-Bottas-Verstappen até o problema nas rodas do finlandês mudar a classificação final. Um dos destaques negativos da prova foi Sebastian Vettel (Ferrari), que havia largado em décimo e passou boa parte da prova fora da zona de pontuação, sendo ultrapassado inclusive por Pierre Gasly (Alpha Tauri), piloto que foi demitido da Red Bull em seu primeiro ano pelo time austríaco por falta de resultados satisfatórios. A Racing Point também não teve um fim de semana agradável, com Lance Stroll decepcionado com seu sexto lugar de largada e nono de chegada, e com Nico Hülkenberg incapaz de substituir Sergio Pérez na pista. A tortuosa pista de Silverstone raramente traz corridas emocionantes, e com esta não foi diferente.

Ganhar com o carro em ruinas não é para qualquer um.

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha se mostrou até agora a corrida mais chata e monótona de 2020 pelos motivos mencionados na análise. Quando o safety car domina boa parte da prova, perde-se boa parte da emoção porque os pilotos são impedidos de ultrapassar. Com certeza o momento em que Hamilton cruzou a linha de chegada em primeiro com o carro arruinado foi brilhante, mas foi uma gota de surpresa em um oceano de marasmo.

Deixo meus elogios à atitude bonita de Norris de usar um capacete feito por uma fã de 6 anos chamada Eva, bem como deixo minha crítica à Racing Point por ter escolhido Hülkenberg para substituir Pérez. O alemão não teve uma boa carreira na Fórmula 1, tendo apenas sua pole no Grande Prêmio do Brasil de 2010 como momento marcante. Hülkenberg coleciona polêmicas, como não ter reconhecido a importância do halo no salvamento da vida de Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 e suas falas machistas a respeito do papel da mulher no automobilismo. Creio que é incorente da parte de uma equipe como a Racing Point, cuja dupla de pilotos é formada por atletas de minorias étnicas (um latino e um indígena judeu), contratar como substituto de Pérez um piloto que tenha apresentado um comportamento tão antiético no passado.

Opinião da Adriana:

O que foram as duas últimas voltas? Ainda estou tentando me recuperar. Ver Bottas com um pneu danificado, Verstappen ultrapassando, Ricciardo subindo de posições, Sainz perdendo posições, Albon conseguindo terminar nos pontos depois de uma corrida cheia de problemas e um toque com Magnussen logo no começo… Que corrida.

Admito que no começo estava um pouco entediada mas as batalhas por posições entre Sainz, Norris, Ricciardo e Stroll foi só o começo. Norris mostrou mais uma vez que é melhor que Sainz e mesmo com aquela escapada na primeira tentativa de ultrapassagem, conseguiu manter o ritmo durante a corrida e ainda desafiou Ricciardo, que estava a sua frente. Ocon também mostrou que, mesmo com um carro inferior comparado à Racing Point, ainda consegue desafiar seus rivais.

Preciso falar aqui da felicidade em ver Ricciardo brilhando de novo, mesmo com essa Renault. Se a corrida durasse por mais duas voltas, poderíamos ter o Australiano no pódio de novo. Durante a corrida, ele teve problemas de aderência e ritmo mas isso não o impediu de dar um show no final da corrida. Mal posso esperar em ver seu desempenho na McLaren ano que vem.

Outro que deu um show foi Hamilton. O que foi ver o pneu dele danificado e mesmo assim, o Inglês conseguiu cruzar a linha em primeiro? Isso é o que faz Lewis Hamilton ser o melhor piloto da atualidade, quiçá, de todos os tempos.

Deixo aqui também meu reconhecimento ao Russell, que conseguiu terminar em 12º com uma Williams! O que seria dele com uma Mercedes, hein? Toto, mais uma vez eu venho te avisar que você precisa considerar o Britânico para substituir Bottas.

Notas

Corrida: 6 (Rebeca) 8,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 8 (Rebeca) 10 (Adriana)
  2. Max Verstappen: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  4. Daniel Ricciardo: 10 (Rebeca e Adriana)
  5. Lando Norris: 9 (Rebeca e Adriana)
  6.       ? (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Pierre Gasly: 8 (Rebeca e Adriana)
  8. Alexander Albon: 3 (Rebeca) 9 (Adriana)
  9. Lance Stroll: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  10. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca) 4 (Adriana)
  12. George Russell: 6 (Rebeca) 8 (Adriana)
  13. Carlos Sainz Jr.: 7 (Rebeca) 4 (Adriana)
  14. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  15. Nicholas Latifi: 6 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Romain Grosjean: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)
  17. Kimi Raikkonen: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)

 

Abandonaram:

  1. Daniil Kvyat: 5 (Rebeca) 0 (Adriana)
  2. Kevin Magnussen: 10 de consolação

 

Não largou:

  1. Nico Hülkenberg:

Driver of the Day (escolhido pelo público): Lewis Hamilton

Melhor piloto: Daniel Ricciardo (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Alexander Albon (Rebeca) | Romain Grosjean e Valtteri Bottas (Adriana)