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Análise do Grande Prêmio da Estíria de 2021 | 2021 Styrian Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Estíria de 2021 ocorreu no dia 27 de junho. Pelo segundo ano consecutivo, a Fórmula 1 decidiu realizar uma corrida extra no Red Bull Ring (palco do Grande Prêmio da Áustria) para compensar as provas canceladas devido à pandemia de Covid-19.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Pelo resultado dos treinos classificatórios, Valtteri Bottas (Mercedes) teria largado na segunda posição. Porém, sua rodada no pit lane durante a segunda sessão de treinos livres lhe rendeu uma punição de três lugares. Lando Norris (McLaren) e Sergio Pérez (Red Bull) completaram a segunda fila. Verstappen começou a prova bloqueando qualquer possibilidade de ataque de Hamilton. Pérez e Norris disputaram a terceira posição. Lance Stroll (Aston Martin) ultrapassou dois adversários de uma vez, Fernando Alonso (Alpine) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri), e chegou ao sexto lugar após um incidente entre Pierre Gasly (AlphaTauri) e Charles Leclerc (Ferrari). O francês tocou o monegasco e foi parar no fim do grid, onde se chocou com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e fez com que Nicholas Latifi (Williams) saísse temporariamente da pista. Por causa do incidente com Gasly, Leclerc foi obrigado a fazer um pit stop. Muitos acreditavam que a corrida estava acabada para o monegasco, mas ele continuou firme em sua luta pelos pontos.

Pouco depois, Pérez conseguiu superar Norris, tendo antes pedido mais potência à equipe. Bottas aos poucos se aproximou e entrou na briga pelo pódio. Outro piloto que teve destaque foi George Russell (Williams), que estava no oitavo lugar, seguido por Tsunoda. O inglês se mantia firme na zona de pontuação até fazer seu pit stop, que o colocou no 18º lugar. Enquanto isso, Leclerc enfrentava vários adversários e ficava cada vez mais próximo do décimo lugar. Mais uma vez houve um toque entre os pilotos da Haas, Mick Schumacher e Nikita Mazepin. Russell foi forçado a abandonar a corrida algumas voltas depois.

A Mercedes buscou um undercut e trocou os pneus de seus pilotos antes da Red Bull chamar Verstappen aos boxes. Pelos gráficos, os pneus de Hamilton estavam menos desgastados que os do holandês. No entanto, Verstappen conseguiu voltar à frente de Hamilton. O piloto da Red Bull chegou a relatar problemas nos freios, mas em nenhum momento da corrida isso apreceu ter efeito sobre seu desempenho. Verstappen abria vantagens cada vez maiores sobre Hamilton, que não via esperança de vitória.

A Ferrari passou a mostrar mais força perto das 15 voltas para o fim. Carlos Sainz Jr. conseguiu passar Stroll, e Leclerc iniciou uma série de ultrapassagens. Seu primeiro adversário foi Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), depois desbancou Sebastian Vettel (Aston Martin), e superou Tsunoda, Alonso e Stroll. Depois Raikkonen ultrapassou Vettel, enquanto Leclerc mostrava que não importa como a corrida começa e sim como termina.

Nas últimas voltas, Hamilton trocou os pneus para tentar a volta mais rápida. A Red Bull havia tentado antes com Pérez, que estava muito à frente de Norris e não teria sua posição ameaçada. Hamilton foi bem sucedido, buscando o ponto extra para se manter firme na disputa pelo título. As previsões indicavam que Pérez conseguiria ultrapassar Bottas, mas o finlandês terminou a corrida com uma vantagem de meio segundo para o mexicano.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Tal como foi no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020, a vitória de Verstappen foi bem simples, partindo da pole e se mantendo na liderança até o fim. Corridas em que o holandês conquista a vitória em cima de muitas disputas são, obviamente, mais emocionantes. No entanto, o Grande Prêmio da Estíria de 2021 não foi uma corrida completamente monótona. O desempenho de Charles Leclerc foi digno de elogios, lembrando o que houve com Sergio Pérez no Grande Prêmio do Bahrein do mesmo ano. Ainda que ultimamente a mídia tenha ignorado o jovem monegasco nos últimos tempos, motivada pelo desempenho da Ferrari abaixo do esperado, Leclerc prova que é um piloto destemido e corajoso. Afinal, palavras podem até melhorar ou piorar a reputação de alguém, mas o talento é provado com a performance e os resultados, e isso só a pista pode revelar.

Não é à toa que o apelido de Leclerc é Cinderela: as coisas podem começar mal, mas depois ele dá um baile.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Max Verstappen: 9,5
  2. Lewis Hamilton: 9
  3. Valtteri Bottas: 8,5
  4. Sergio Pérez: 9
  5. Lando Norris: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 8
  7. Charles Leclerc: 10
  8. Lance Stroll: 9
  9. Fernando Alonso: 8
  10. Yuki Tsunoda: 8
  11. Kimi Raikkonen: 7
  12. Sebastian Vettel: 6
  13. Daniel Ricciardo: 6
  14. Esteban Ocon: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Mick Schumacher: 3
  17. Nicholas Latifi: 3
  18. Nikita Mazepin: 3

 

Abandonaram:

  1. George Russell
  2. Pierre Gasly

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhor piloto: Charles Leclerc

Pior piloto: Pierre Gasly

Análise Grande Prêmio da Estíria de 2020 | 2020 Styrian Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | by Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

O Grande Prêmio da Estíria, ocorrido no dia 12 de julho, foi a segunda etapa da temporada de 2020. A corrida foi disputada no Red Bull Ring, mesma pista do Grande Prêmio da Áustria. Porém, diferente da prova anterior, esta apresentou muitos momentos emocionantes.

Lewis Hamilton (Mercedes) foi o pole position, largando ao lado de Max Verstappen (Red Bull). Pouco depois do início da prova, Charles Leclerc (Ferrari) se chocou com o companheiro Sebastian Vettel e quebrou a asa traseira do alemão. O carro do monegasco deu um pulo e também teve danos. Vettel foi o primeiro a abandonar. Leclerc fez um pit stop, mas poucas voltas depois abandonou a corrida.

A surpresa do dia foram os carros da Racing Point, que tiveram problemas durante a qualificação no dia anterior devido à forte chuva. Sergio Pérez e Lance Stroll conseguiram boas ultrapassagens, como em cima de Lando Norris (McLaren) e de Pierre Gasly (Alpha Tauri). Um pouco a diante, Daniel Ricciardo (Renault) travou uma boa disputa com seu companheiro Esteban Ocon. O hispano-francês, que como previsto pelo The Racing Track precisou repensar suas táticas para voltar à Fórmula 1, teve problemas mecânicos no carro e foi forçado a deixar a prova. George Russell (Williams) saiu da pista e foi parar na caixa de brita, mas voltou para a corrida normalmente.

Muitos carros do fim do grid protagonizaram boas lutas por posições, notadamente Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), Romain Grosjean (Haas) e Kevin Magnussen (Haas). Após o abandono de Ocon, Pérez e Stroll brigaram entre si pelo sexto lugar, com o mexicano conseguindo a ultrapassagem. Logo depois, Pérez chegou em Ricciardo e também o ultrapassou. Stroll se aproximou muito do australiano e a disputa pela posição durou até o final da corrida.

Enquanto isso, a Red Bull tentava um undercut para evitar que Verstappen perdesse o segundo lugar para Valtteri Bottas (Mercedes). A estratégia funcionou por um tempo, pois o holandês conseguiu superar o finlandês quando este foi para os boxes. No entanto, o carro da Red Bull mais uma vez revelou sua inferioridade em relação à Mercedes. Além disso, Verstappen tinha um detrito na asa dianteira. Ele e Bottas brigaram intensamente pelo segundo lugar, chegando a trocar de posições algumas vezes, mas o finlandês conseguiu a ultrapassagem.

Pérez tentou ultrapassar Alexander Albon (Red Bull), mas acabou sendo tocado pelo carro do tailandês quando este defendeu sua posição. O mexicano deveria desacelerar para garantir a integridade do carro, mas acelerou e provocou o toque. Com o dano no carro, Pérez perdeu forças e acabou sendo utrapassado por Norris, que após superar seu companheiro Carlos Sainz Jr. ainda se envolveu em uma disputa tripla com Stroll e Ricciardo.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Max Verstappen em terceiro. Como dito anteriormente, o Grande Prêmio da Estíria atendeu as expectativas e foi bem mais emocionante que o Grande Prêmio da Áustria. Isso revela que uma pista pode ser palco de corridas totalmente diferentes. A Ferrari sai derrotada de mais uma etapa do campeonato, com o primeiro duplo abandono desde o Grande Prêmio do Brasil de 2019. Já a Mercedes consolida seu domínio na categoria, enquanto Racing Point e McLaren protagonizam espetáculos que ofuscam a atuação da Red Bull. Mesmo com o calendário alterado e diversas mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19, a temporada de 2020 mostra que seu cenário pode ser bem diferente dos anos anteriores (que foram bem semelhantes um do outro).

Ferrari mais uma vez vai por água abaixo.

Opinião da Rebeca: 

Creio que o Grande Prêmio da Estíria mostrou que a Racing Point pode ser considerada uma “equipe de ponta” em breve. Lance Stroll mostrou grandes habilidades na chuva (vide classificação do Grande Prêmio da Itália de 2017 e Grande Prêmio da Alemanha de 2019), porém o carro da equipe inglesa falhou consideravelmente no sábado. Seus dois pilotos conseguiram superar as adversidades e terminar a corrida em ótimos lugares. Vejo que McLaren e Racing Point travarão uma boa briga, parecida com a que a Mercedes e a Ferrari tiveram em 2017 e 2018 pela liderança do campeonato.

Alexander Albon, por sua vez, demonstrou ser muito esforçado e mais merecedor da vaga na Red Bull do que Pierre Gasly. As dificuldades enfrentadas por ele durante a briga com Valtteri Bottas são resultado da inferioridade do carro da equipe austríaca, assim como a vitória de Bottas em sua disputa com Max Verstappen. Como já demonstrado no The Racing Track, a Red Bull precisa provar para o holandês que é merecedora de seus serviços.

Opinião da Adriana:

Em comparação com a última corrida, essa foi menos emocionante. Ter um pódio previsível, com duas Mercedes e a Red Bull de Verstappen ao invés de ver uma cara nova no pódio – seja com Albon ou Pérez – tirou a minha emoção comparada ao pódio passado. Porém, o protesto de Lewis Hamilton, ao lado de dois pilotos brancos – Bottas, seu companheiro de equipe e que até a Mercedes “obrigá-lo” a falar alguma coisa em relação ao movimento Black Lives Matter, ficou calado sobre o assunto e Verstappen, que sequer ajoelhou no fim de semana passada e tampouco apareceu nessa cerimônia antes do começo da corrida – foi marcante e muito emocionante.

Tirando as três primeiras posições e excluindo a batalha Bottas vs Verstappen nas últimas voltas, a corrida foi cheia de ultrapassagens a serem lembradas. O que foi Norris conseguindo ultrapassar três carros na última volta? Não me surpreenderia em vê-lo em mais pódios nesta temporada atípica. Ricciardo mostrou que, mesmo com um carro ruim, continua afiado no que faz de melhor: ultrapassagens. Seu estilo em frear um pouco mais tarde lhe rendeu boas batalhas com Stroll mas vamos combinar que Racing Point não é apelidada de Mercedes Rosa por acaso. No asfalto seco, Stroll e Pérez brilharam e com isso, o mexicano conseguiu ganhar o prêmio de Piloto do Dia, o que na minha opinião, foi merecidíssimo. Já nos últimos lugares, Raikkonen e Magnussen batalharam por melhores posições mas vem cá, alguém de fato prestou atenção?  

Os destaques da corrida, para mim, vai mais uma vez ao britânico Norris, que mesmo com dores durante todo o fim de semana, conseguiu uma performance brilhante no domingo, ofuscando seu companheiro de equipe, Sainz, que conseguiu a 3ª colocação no sábado e perdeu 6 posições durante a corrida. Será que ele parou para pensar na situação da Ferrari? E também, não posso esquecer de Sergio Pérez, que conseguiu fazer uma ótima corrida de superação, brigou com boa parte do grid e ainda protagonizou um momento fofo com seu engenheiro no rádio. Quem não sorriu com a felicidade do mexicano, bom sujeito não é. Também reconheço o talento de Russell conseguir lutar com aquela Williams por algumas voltas. Pena que teve um pequeno erro, o que lhe custou muitas posições no grid.

Já um momento para se esquecer dessa corrida foi a ultrapassagem impensada, equivocada e totalmente afobada de Leclerc para cima de Vettel. Sabemos que numa corrida, qualquer espaço é o suficiente para um piloto arrojado se jogar e ultrapassar seu adversário, mas onde o monegasco estava com a cabeça de tentar ultrapassar seu companheiro de equipe na zebra? Falta de cálculo e perspicácia, na minha humilde opinião.

Hamilton, em seu protesto contra o racismo. Fonte: The Guardian. Fotógrafo:  Joe Klamar/AP

Notas

Corrida: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)

Pilotos:

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  3. Max Verstappen: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  4. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Lando Norris: 9 (Rebeca e Adriana)
  6. Sergio Pérez: 9,5 (Rebeca) 10 (Adriana)
  7. Lance Stroll: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  9. Carlos Sainz Jr.: 7 (Rebeca e Adriana)
  10. Daniil Kvyat: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 7 (Rebeca) 6 (Adriana)
  12. Kevin Magnussen: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Romain Grosjean: 6 (Rebeca) 5 (Adriana)
  14. Antonio Giovinazzi: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Pierre Gasly: 4 (Rebeca e Adriana)
  16. George Russell: 2 (Rebeca) 7 (Adriana)
  17. Nicholas Latifi: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)

Abandonaram

  1. Esteban Ocon
  2. Charles Leclerc
  3. Sebastian Vettel

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca) | Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: George Russell (Rebeca) | Charles Leclerc (Adriana)

Errata: O texto original afirmava que Esteban Ocon havia desfeito seus laços com Toto Wolff para retornar à Fórmula 1. No entanto, como apontado pelo jornalista Kadu Gouvêa em 18 de junho de 2021, o piloto continua tendo sua carreira gerenciada pela Mercedes, equipe na qual Wolff é chefe de equipe.