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Análise do Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 | 2021 British Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 ocorreu no dia 18 de julho. A Fórmula 1 aplicou um novo modelo de classificação para decidir a pole position no final de semana. Na sexta feira, a segunda sessão de treinos livres definiu o grid de largada para uma corrida sprint, realizada no sábado. O resultado dessa, por sua vez, decidiu a classificação para a corrida oficial, no domingo.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Verstappen e Hamilton travaram um duelo intenso pela liderança, já Leclerc conseguiu ultrapassar Bottas com facilidade. Antes da primeira volta ser completada, Max fez um movimento tardio para se defender de Lewis, que também freou tarde, e acabou batendo forte no muro. Leclerc aproveitou o momento e tomou a liderança. A direção de prova acionou a bandeira vermelha. O holandês saiu do carro sentindo tonturas e foi levado para o centro médico.

Durante a bandeira vermelha, os comissários ouviram representantes da Red Bull e da Mercedes e decidiram punir Hamilton com 10 segundos. Após a relargada, Leclerc se manteve à frente e Lando Norris (McLaren) ultrapassou Bottas. No fim do grid, Sergio Pérez (Red Bull), que largou do pit lane por ter abandonado a corrida sprint, superava vários adversários. Sebastian Vettel (Aston Martin) rodou na pista e perdeu muitas posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) escapou da pista e foi obrigado a deixar seus concorrentes passarem.

Como o traçado de Silverstone tem muitas curvas, muitos pilotos se aproximavam de seus rivais, mas não conseguiam ultrapassá-los. Foi o que houve, por exemplo, com Pérez, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Fernando Alonso (Alpine). Leclerc relatou problemas no motor para a equipe e a Ferrari trabalhou rapidamente para resolver a situação. Esperando manter-se na pista por mais tempo para compensar a largada de uma posição desfavorável, Pérez foi o primeiro a ir para os boxes. Entre os quatro primeiros pilotos do grid, Norris foi o primeiro a trocar os pneus, mas seu pit stop foi muito lento (seis segundos) e o levou para o sexto lugar. Com isso, embora Bottas tenha saído dos boxes muito próximo ao piloto da McLaren, o finlandês se manteve à frente.

Hamilton fez a troca de pneus e cumpriu a punição. Ele acelerou ao máximo para compensar o tempo perdido. Em poucas voltas, alcançou Norris e o tirou do terceiro lugar. As paradas dos carros da Ferrari foram lentas (a de Carlos Sainz Jr. demorou muito devido a um problema na retirada de um dos pneus), mas Leclerc continuou à frente. Sainz tentava superar Daniel Ricciardo (McLaren), mas apesar de se aproximar bastante, não conseguiu melhorar sua posição. Embora Pérez estivesse lutando por lugares mais altos na zona de pontuação, buscando ultrapassar Lance Stroll (Aston Martin) e Alonso para chegar ao sétimo lugar, a sorte não estava do seu lado. A Red Bull o chamou para uma segunda troca de pneus e o mexicano perdeu as chances de pontuar. A equipe ainda fez uma terceira troca, perto do fim, que apenas serviu para tirar o ponto extra de Hamilton pela volta mais rápida. Raikkonen, que foi um de seus adversários mais difíceis, acabou saindo da pista em uma disputa com Checo. Os comissários decidiram investigar o ocorrido depois do fim. Vettel teve que abandonar devido a problemas no carro.

Enquanto isso, Hamilton ia à caça de Leclerc. A Mercedes havia decidido inverter sua posição com a de Bottas, já que o companheiro estava com problemas nos pneus e não havia expectativa de ultrapassar o monegasco. O inglês superou o piloto da Ferrari na penúltima volta, quando Leclerc cometeu um pequeno erro que o fez sair da pista momentaneamente.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Charles Leclerc em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Com sua vitória e o abandono de Max Verstappen, a diferença entre o líder e o vice-líder do campeonato cai para oito pontos. A Red Bull foi a maior derrotada no Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021, pois nenhum de seus pilotos pontuou e Hamilton está mais próximo de Verstappen na disputa pelo título. O inglês provou mais uma vez que sua determinação supera as maiores adversidades. Um ponto no mínimo curioso foi a Fórmula 1 ter decorado a área do pódio com o rosto de Lando Norris sem nenhuma razão aparente. Não é o aniversário do piloto, nem de sua equipe, e ele não é o único inglês do grid, muito menos o piloto dessa nacionalidade com mais feitos (nem na atualidade, nem em toda a história do esporte). Isso acaba comprovando a análise de Ricardo Hernandes Meyer sobre a conveniência da Fórmula 1 com a idolatria injustificada a Lando Norris.

Quando o piloto é bom de verdade, não tem para ninguém. E Lewis Hamilton é a prova disso.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Charles Leclerc: 10
  3. Valtteri Bottas: 7,5
  4. Lando Norris: 7,5
  5. Daniel Ricciardo: 6
  6. Carlos Sainz Jr.: 6
  7. Fernando Alonso: 7
  8. Lance Stroll: 7
  9. Esteban Ocon: 6,5
  10. Yuki Tsunoda: 5
  11. Pierre Gasly: 6,5
  12. George Russell: 5
  13. Antonio Giovinazzi: 4
  14. Nicholas Latifi: 4
  15. Kimi Raikkonen: 2
  16. Sérgio Pérez: 6,5
  17. Nikita Mazepin: 3
  18. Mick Schumacher: 3

Abandonaram

  1. Sebastian Vettel: 3
  2. Max Verstappen

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhores pilotos: Charles Leclerc e Lewis Hamilton

Pior piloto: Kimi Raikkonen

Análise do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 | 2021 Azerbaijan Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 ocorreu no dia 06 de junho. Como é de costume, o Circuito de Baku foi palco de mais uma corrida na qual a maior atração foram os acidentes. Sendo um circuito de rua, a pista dificulta ultrapassagens. Mas, diferente de Mônaco, os resultados são imprevisíveis

Charles Leclerc (Ferrari) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (Alpha Tauri) completaram a segunda fila. Após a largada, não houve muitas mudanças no grid. Os pilotos da Haas, Nikita Mazepin e Mick Schumacher, tiveram um pequeno toque, já Lance Stroll (Aston Martin) começava a ganhar várias posições. O canadense havia largado em penúltimo lugar, pois um acidente nos últimos treinos livres o impediu de correr no treino classificatório.

Algum tempo depois, Esteban Ocon (Alpine) se tornou o primeiro piloto a abandonar a corrida, devido a uma falha no motor. Hamilton e Verstappen ultrapassaram Leclerc, cujo carro perdia muito rendimento. Logo foi a vez de Sergio Pérez (Red Bull) superar o monegasco, depois de ter conseguido as posições de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Gasly. A Mercedes chamou Hamilton aos boxes primeiro, esperando dificultar para a Red Bull. No entanto, o pit stop foi muito lento (durando mais de quatro segundos). Em contraste, a parada de Verstappen foi a mais rápida da corrida, com 1,9 segundos. A demora na troca de pneus prejudicou Hamilton, pois Pérez conseguiu voltar à pista à frente do inglês mesmo que sua parada tenha sido lenta.

A situação não estava fácil para a Mercedes. Seu outro piloto, Valtteri Bottas, não conseguia sair do décimo lugar. Sua maior briga foi com Lando Norris (McLaren), que havia largado em nono lugar por ter desobedecido as regras de bandeira vermelha nos treinos classificatórios (os comissários o puniram com três posições). Por outro lado, a AlphaTauri estava com sorte, pois tanto Gasly quanto Yuki Tsunoda, que havia largado em sétimo lugar, se mantinham firmes na zona de pontuação.

No meio da prova, um dos pneus traseiros de Stroll furou, fazendo com que o canadense, que estava em quarto lugar, perdesse o controle do carro e batesse no muro do setor 2. Diferente do que costuma fazer em situações como essa em Baku, a direção de prova não acionou a bandeira vermelha, optando pelo safety car. Na relargada, Hamilton tentou se aproximar de Pérez, mas o rendimento do carro da Mercedes não estava muito bom. Quando a vitória de Verstappen era dada como certa, ocorreu o mesmo que com Stroll: um dos pneus traseiros furou e o holandês bateu no muro oposto ao da reta dos boxes. A direção de prova acionou a bandeira vermelha, tomando uma atitude no mínimo curiosa, pois o local onde Verstappen se acidentou era mais amplo e daria menos margem para acidentes do que o lugar onde houve o acidente de Stroll. Com a segunda relargada, Hamilton novamente tentou superar Pérez, mas acabou parando na área de escape, onde Sainz havia entrado no começo da prova. Com isso, o beneficiado foi Sebastian Vettel (Aston Martin), que havia conseguido ultrapassar vários adversários durante a corrida.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Sebastian Vettel em segundo e Pierre Gasly em terceiro. Embora o resultado possa chamar muito a atenção, pois não houve pilotos da Mercedes no pódio, nem o primeiro piloto da Red Bull, reviravoltas como essa são esperadas para Baku. Como explicado anteriormente, esse circuito de rua cria um ambiente muito propício para acidentes. Alguns torcedores chegam a considerar essa pista pior do que Mônaco em termos de segurança e dificuldade de ultrapassagem. O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 deixa a Mercedes em alerta. Fica implícito para quem acompanha as notícias que a equipe alemã deseja contratar Max Verstappen no futuro para substituir Lewis Hamilton quando o inglês se aposentar. No entanto, o holandês se mostra muito fiel à Red Bull, equipe que até então não havia conseguido lhe dar um carro à altura de disputar o campeonato (ver “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”). Com os sucessivos erros nos pit stops, como houve por exemplo em Mônaco, Verstappen pode se sentir menos motivado a se juntar à Mercedes, pois as trocas de pneus são fundamentais para o resultado das corridas, principalmente em circuitos de rua. Quanto à Red Bull, o pódio de hoje é uma grande prova de que a impaciência de Helmut Marko não pode ser levada a sério, pois Sergio Pérez e Pierre Gasly, muito criticados pelo consultor, mostram que têm muito a oferecer para a Fórmula 1. Para entender o quanto Marko prejudica novos talentos, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Corrida com muito acidente e pouca ultrapassagem? Teria sido melhor ir ver o Pelé.

Notas

Corrida: 6

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10
  2. Sebastian Vettel: 8
  3. Pierre Gasly: 10
  4. Charles Leclerc: 8,5
  5. Lando Norris: 6
  6. Fernando Alonso: 7
  7. Yuki Tsunoda: 9
  8. Carlos Sainz: 6
  9. Daniel Ricciardo: 6
  10. Kimi Raikkonen: 6
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Valtteri Bottas: 3
  13. Mick Schumacher: 3
  14. Nikita Mazepin: 3
  15. Lewis Hamilton: 8
  16. Nicholas Latifi: 3

Abandonaram

  1. George Russell: 3
  2. Max Verstappen: 10
  3. Lance Stroll: 10
  4. Esteban Ocon:

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Valtteri Bottas

Análise do Grande Prêmio de Mônaco de 2021 | 2021 Monaco Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio de Mônaco de 2021 ocorreu no dia 23 de maio. Foi a primeira edição da corrida mais tradicional na Fórmula 1 na década, pois em 2020 o evento teve de ser cancelado devido à pandemia de Covid-19.

Charles Leclerc (Ferrari) largaria da pole position ao lado de Max Verstappen (Red Bull). No entanto, um problema na suspensão impediu o monegasco de participar da corrida. A vaga da pole ficou fazia. Apesar do terceiro colocado, Valtteri Bottas (Mercedes), tentar uma ultrapassagem, Verstappen largou em um movimento defensivo e se manteve à frente.

Como esperado para Mônaco, não houve muitas variações no grid, e umas das pouquíssimas ultrapassagens em pista foi a de Mick Schumacher (Haas) em cima do colega de equipe Nikita Mazepin, embora o russo tenha recuperado a posição algumas voltas depois. Somente no pit stop houve uma reviravolta: o pneu dianteiro direito de Bottas não soltou na hora da troca e o piloto foi obrigado a deixar a prova. Sergio Pérez (Red Bull) conseguiu assumir a liderança enquanto Verstappen estava no box, mas o holandês recuperou a posição depois da parada do mexicano.

A poucas voltas do fim, Pérez tentou ultrapassar Lando Norris (McLaren), mas embora se aproximasse bastante e os retardatários não atrapalhassem, a pista dificultou o trabalho e não foi possível sair do quarto lugar. Durante a corrida, alguns pilotos receberam a bandeira preta e branca por exceder os limites da pista. Foram os casos de Mazepin, Norris e Yuki Tsunoda (AlphaTauri). Lance Stroll (Aston Martin) foi investigado por ter falhado em se manter à direita da saída dos boxes, mas nenhuma ação foi tomada.

Max Verstappen foi o vencedor, com Carlos Sainz Jr. (Ferrari) em segundo e Lando Norris em terceiro. Como explicado anteriormente, o Circuito de Monte Carlo dificulta ultrapassagens. Logo, na prática, as posições só mudam quando alguém entra nos boxes ou quebra, e a emoção de Mônaco se resume a ver se o piloto vai bater ou não. Infelizmente, um conjunto de fatores (sobretudo financeiros) mantém Mônaco como uma corrida “tradicional” na Fórmula 1 mesmo que ela em si seja uma das mais monótonas. Mas é louvável lembrar que Verstappen venceu com uma diferença de 9 segundos em relação a Sainz, o que reflete muito do talento do holandês. Agora, Verstappen lidera o campeonato, pois Lewis Hamilton (Mercedes), que largou em sétimo e terminou na mesma posição, não conseguiu pontos o suficiente para manter a vantagem. As emoções da disputa do campeonato estão apenas começando.

Tal como no Bahrein em 2019, o sonho de Charles Leclerc não pôde se realizar.

Opinião da Rebeca:

Eu, particularmente, fiquei com muita pena de Charles Leclerc por não ter conseguido largar na corrida. O piloto nunca conseguiu pontuar em um GP sediado em sua terra natal, e largar da pole indicatia uma provável vitória. Mas Max Verstappen merece muitos elogios, pois seu primeiro pódio em Mônaco coincide com sua primeira vitória na “jóia da coroa da Fórmula 1”.

Exceto por esses dois pontos, e pela louvável tentativa de ultrapassagem de Sergio Pérez em cima de Lando Norris, não encontro nada para ressaltar nessa prova. Não gostei muito do resultado do segundo lugar para baixo. Mas já era esperada acontecer alguma zica em Mônaco.

Opinião da Adriana:

Notas

Corrida: 6 (Rebeca) | 5 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  2. Carlos Sainz Jr.: 7 (Rebeca e Adriana)
  3. Lando Norris: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  4. Sergio Pérez: 8 (Rebeca e Adriana)
  5. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  7. Lewis Hamilton: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  9. Esteban Ocon: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  10. Antonio Giovinazzi: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  12. Daniel Ricciardo: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  13. Fernando Alonso: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  14. George Russell: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  15. Nicholas Latifi: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  16. Yuki Tsunoda: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Nikita Mazepin: 3 (Rebeca)
  18. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 4 (Adriana)

Abandonou

  1. Valtteri Bottas

Não largou

  1. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen (Rebeca) | Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Kimi Raikkonen (Adriana)

Análise do Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 | 2021 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 ocorreu no dia 18 de abril. Debaixo de chuva, a corrida teve muitas reviravoltas e tinha todos os ingredientes para ser um espetáculo. No entanto, uma velha conhecida estragou uma parte do show: a famigerada ordem de equipe.

Lewis Hamilton (Mercedes) foi o pole position, largando ao lado de Sergio Pérez (Red Bull). Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari), que havia escapado na volta de apresentação, completaram a segunda fila. Logo após a largada, houve uma briga tripla entre Hamilton, Pérez e Verstappen, com o holandês levando a melhor. Passou o inglês após as duas primeiras curvas e tomou uma grande distância. Com a pista molhada, houve muitas escapadas, entre elas a de Nicholas Latifi (Williams), que bateu no muro e provocou a entrada do safety car. Outro piloto que passou por um infortúnio foi Mick Schumacher (Haas), que rodou na saída dos boxes e perdeu a asa dianteira. O alemão completou algumas voltas antes de repor a peça.

Com a saída do safety car, houve uma disputa no meio do grid entre Pierre Gasly (AlphaTauri), Lando Norris (McLaren), Carlos Sainz Jr. (Ferrari), Lance Stroll (Aston Martin) e Valtteri Bottas (Mercedes). Norris disparou na frente enquanto Gasly perdia posições constantemente. Logo foi a vez de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri) ultrapassarem o francês. Pouco depois, houve mais um caso lamentável de ordens de equipe: Norris disse para a McLaren que “andaria mais rápido se a pista estivesse livre”, insinuando que a equipe deveria mandar seu companheiro Daniel Ricciardo lhe ceder a posição. A McLaren acatou o pedido e ordenou ao australiano que deixasse Norris passar.

A pista molhada ainda prejudicava o andamento da corrida. Pérez foi punido pelos comissários com 10 segundos de stop-and-go por ter recuperado na pista as duas posições que havia perdido após sair temporariamente do traçado. Sebastian Vettel (Aston Martin) recebeu a mesma punição por ter saído do pit stop antes da placa de 5 segundos. No entanto, enquanto a chuva dificultava a vida de uns, para outros ela não foi problema. Foi o caso de Verstappen, que trocou os pneus antes de Hamilton e voltou para o primeiro lugar após a parada do inglês. Aproveitando a abertura de Bottas (retardatário) para o líder, Stroll ultrapassou o finlandês.

Logo após, houve mais dois incidentes. Ao ultrapassar o retardatário George Russell (Williams), Hamilton escorregou e parou no muro. Parecia fim de prova para o piloto britânico, mas o heptacampeão, mesmo com dificuldade devido à brita, colocou seu carro novamente na pista e seguiu a corrida. Pouco depois, Russell escorregou e tocou a traseira de Bottas, que fazia uma prova decepcionante. Ambos bateram no muro e deixaram muitos detritos na pista. Houve bandeira vermelha.

Na relargada, Raikkonen escapou do traçado e facilitou o trabalho de alguns pilotos que estavam atrás. Um deles foi Hamilton, que do nono lugar, passou para o sétimo em poucas voltas. Logo estava à caça de Sainz. Enquanto isso, Leclerc perdia o segundo lugar para Norris e não conseguia atacar o piloto da McLaren. Hamilton veio como um furacão para cima de Sainz e, apesar da defesa acirrada de Leclerc, conseguiu superar os dois pilotos da Ferrari e ultrapassou Norris com maestria. Tsunoda havia levado duas advertência por exceder os limites da pista e depois foi punido com 5 segundos. Vettel foi o último a abandonar, recolhendo seu carro para a garagem a poucos minutos do fim.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo lugar e Lando Norris em terceiro. Diferente da edição anterior, na qual os acidentes provocaram uma corrida sem grandes ações, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 teve grandes reviravoltas. A expectativa era alta para Sergio Pérez, que estava largando em segundo lugar, mas terminou fora da zona de pontuação. Verstappen outra vez deu uma demonstração de seu talento na chuva, chegando a colocar 20 segundos de diferença para o segundo colocado. Ao mesmo tempo, Norris repetiu a atitude que tomou no Grande Prêmio da França de 2019, ao mandar novamente a equipe parar seu companheiro para que possa ultrapassá-lo. Manobras como essa sempre mancharam a história da Fórmula 1 (dois exemplos memoráveis foram as trocas de posição entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Áustria de 2002 e entre Fernando Alonso e Felipe Massa no Grande Prêmio da Alemanha de 2010). É lamentável que a McLaren tenha optado por essa atitude antiética e antiesportiva e que Norris seja condecorado pela imprensa e pelos torcedores por isso. A corrida poderia ter sido perfeita se não fosse pelo fantasma das ordens de equipe pairando sobre o paddock novamente.

Atualização 1: Lance Stroll cruzou a linha de chegada em sétimo, mas foi punido após a prova por ultrapassar Pierre Gasly fora do traçado. Com isso, as posições dos pilotos foram invertidas.

Atualização 2: Kimi Raikkonen terminou a corrida em nono, mas foi punido com 30 segundos por ter falhado em entrar no pit lane para a relargada. Fernando Alonso e Esteban Ocon ganharam posições e o finlandês terminou fora da zona de pontuação.

“Papai, mande o Ricciardo parar para eu passar, AGORA!”

Opinião da Rebeca:

Em minha humilde opinião, Lewis Hamilton foi o nome do dia. O painel da Fórmula 1 chegou a colocar “FORA” (em inglês, “OUT”) ao lado de sua sigla, indicando que o piloto estava abandonando. Mas estamos falando daquele que venceu o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2020 com apenas três rodas. Hamilton não conhece a palavra “desistir”. Ele é um piloto destemido, talentoso e persistente, um colírio para os olhos dos torcedores. Sua recuperação foi impressionante, e o pódio devidamente merecido. Outro piloto que merece elogios é Max Verstappen, que fez uma prova praticamente sem erros. A equação (chuva) + (Verstappen) quase sempre resulta em corridas incríveis. Um exemplo é o Grande Prêmio do Brasil de 2016 (que, inclusive, foi no meu aniversário).

Agora, com relação a Lando Norris, repito: atitude lamentável. Piloto que precisa pedir para a equipe parar o companheiro não merece créditos por seu resultado na corrida. Daniel Ricciardo não merecia passar por essa humilhação. O piloto australiano, que tem poles, pódios e vitórias na carreira, anda comendo o pão que o diabo amassou desde suas duas temporadas na Renault, e esperava uma situação diferente na McLaren. Curiosamente, a narração brasileira aplaudiu o pedido de Norris, e antes havia insinuado que a AlphaTauri deveria ter feito o mesmo entre Yuki Tsunoda e Pierre Gasly. No entanto, o piloto japonês não precisa de ordens de equipe, pois pode passar por mérito próprio. Ao contrário do filho de Adam Norris, que não esconde sua antipatia e falta de espírito esportivo. Norris quase nunca é repreendido por suas atitudes, e a explicação talvez seja a mesma da questão apresentada no episódio “Todo Mundo Odeia Bad Boys”, da série “Todo Mundo Odeia o Chris” (me refiro à cena em que a família de Chris é humilhada em um restaurante enquanto a família dos Banks, que estava nas mesmas condições, é tratada com muita cortesia).

Outro que decepcionou foi Charles Leclerc, que foi muito macho para se defender, mas uma princesa para atacar. Mais um motivo para o apelido de “Cinderela”.

Opinião da Adriana:

É incrível como as corridas na Itália conseguem ser dramáticas e entregar corridas que são definidas na última volta. Assim como no ano passado, Imola nos entregou um pódio diferente, com Verstappen, Hamilton e Norris, demonstrando a força do motor Mercedes com os últimos dois.

Desde antes da corrida, sabíamos que essa corrida seria caótica, seja pela pista molhada ou pelos incidentes: um dano no carro de Bottas, os freios de Stroll pegando fogo, Vettel começando do pitlane e Alonso tendo problemas. 

Na largada, Verstappen mostrou que esse ano, ele será o competidor direto de Hamilton, que deve estar ansioso para mais batalhas ao decorrer da temporada. Norris também demonstrou estar com sede de resultados. Logo no começo, o britânico sofreu um toque mas logo depois, conseguiu se recuperar e conquistar o pódio. Talvez a ordem de equipe tenha tirado um pouco do brilho de sua performance (pelo menos, para mim) mas não podemos negar que ele tem o que precisa para se tornar um grande piloto. 

O incidente de Russell e Bottas foi bizarro, para dizer o mínimo e o pequeno “tapa” do britânico foi quase uma homenagem a Piquet, quando deu um soco em Salazar após uma colisão. Temos que entender que, além de um incidente de corrida, a rivalidade entre os dois vai muito além de pontos e sim, de uma possível vaga para o mais jovem. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa novela com muita atenção.

E o que foi Sir Lewis salvando o carro de ré da brita? Só essa manobra deveria lhe garantir o prêmio de piloto do dia. Somando com a sua corrida de recuperação, ele prova que mesmo com todas as dificuldades, seu talento é indiscutível.

Já sobre a corrida de Ricciardo, a sexta posição foi um resultado ótimo. Temporadas de adaptação com uma nova equipe tendem a ser assim e se compararmos seu começo na McLaren com a temporada de 2019, percebemos a notável diferença que um carro bom faz. Essa ainda é sua segunda corrida e o australiano ainda tem muitas corridas pela frente para conseguir extrair o potencial completo do carro. 

Acho que para a próxima corrida, vou preparar uma cartela de bingo para ver se não fico tão nervosa. 

Notas

Corrida: 9,5 (Rebeca) | 7,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  2. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Lando Norris: 6 (Rebeca) | 8,5 (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 6,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  7. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 8 (Rebeca e Adriana)
  9. Esteban Ocon: 5 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  10. Fernando Alonso: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 6 (Rebeca e Adriana)
  12. Sergio Pérez: 7 (Rebeca e Adriana)
  13. Yuki Tsunoda: 7 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  14. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  15. Sebastian Vettel*: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  16. Mick Schumacher: 2 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  17. Nikita Mazepin: 2

 

Abandonaram

  1. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca e Adriana)
  2. George Russell: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  3. Nicholas Latifi: 10 de consolação (Rebeca) | 6 (Adriana)

(*Nota: Sebastian Vettel também abandonou, mas como Mick Schumacher e Nikita Mazepin estavam muito longe, ele foi classificado como 15º colocado, por ter se retirado com 95% da prova concluída)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): O filho do Príncipe Adam da Disney (aquele que foi transformado em Fera) com a Veruca Salt (a menina mimada da Fantástica Fábrica de Chocolate)

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)