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The Racing Track Awards 2020 – Premiação

Por Adriana Perantoni e Rebeca Pinheiro

 

Antes de divulgar os resultados, nós queríamos agradecer a todos que votaram, tanto nas enquetes no Instagram como no Google Forms. Foram cerca de 400 votos no total e ficamos muito felizes em ver a participação e interação com a premiação. Obrigada mesmo! ❤️ 

Um agradecimento especial aos leitores Henrique Meyer Pinheiro e Helena Silva, por terem votado e compartilhado a premiação com todos os conhecidos. ❤️ 

E agora, vamos aos vencedores!

 

CATEGORIA BOCA DE FOGO

VENCEDOR: LANDO NORRIS (69,65%) 

 

Escolha das autoras:

Nesta categoria, houve um empate entre as autoras. Os dois pilotos mostraram em situações diferentes – Verstappen no lamentável episódio no GP de Portugal e logo após o acidente de Grosjean no GP de Bahrein e Norris pela recorrência de declarações um tanto mal educadas (inclusive com sua própria equipe) -, que merecem o prêmio e por isso, decidimos considerar um empate (no nosso ponto de vista).

 

Essa só quem assistiu Êta Mundo Bom vai entender.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Lando Norris (94,3%) | Max Verstappen (5,7%) 

INSTAGRAM: Lando Norris (45%) | Max Verstappen (55%)

MÉDIA GERAL: Lando Norris (69,65%) | Max Verstappen (30,35%) 

 

CATEGORIA DICK VIGARISTA

VENCEDOR: Charles Leclerc (59,80%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: A escolha entre Charles Leclerc e Daniil Kvyat foi bem difícil. Embora o russo tenha fama de barbeiro (inclusive recebendo o apelido de “torpedo”), o monegasco não ficou muito atrás em 2020. O diferencial entre ambos foi a postura diante dos acidentes. Leclerc agiu com muita arrogância ao se recusar a pedir desculpas aos pilotos que prejudicou (Lance Stroll na Rússia e Sergio Pérez em Sakhir). Por isso, creio que ele mereceu não só o meu voto, como a vitória nesta categoria.

Adriana: nessa categoria, eu escolhi o Charles. Para mim, o ápice dele foi na colisão em Sakhir, onde ele tentou se fazer de desentendido mas não tinha como negar ou esconder sua culpa nesse acidente. O monegasco tem talento mas ainda é muito afobado em suas atitudes, então na minha opinião, mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Charles Leclerc (61,60%) | Daniil Kvyat (38,40%) 

INSTAGRAM: Charles Leclerc (58%) | Daniil Kvyat (42%)

MÉDIA GERAL: Charles Leclerc (59,80%) | Daniil Kvyat (40,20%) 

 

CATEGORIA VITÓRIA INESPERADA

VENCEDOR: Pierre Gasly (51,40%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Outra categoria difícil de escolher um vencedor. Mas, sem querer desmerecer a vitória de Pierre Gasly, creio que a de Sergio Pérez foi mais impressionante. O mexicano havia sofrido um acidente logo no começo do Grande Prêmio do Sakhir, sendo forçado a fazer um pit stop prematuro. Tudo levava a crer que Checo sairia derrotado, mas ele persistiu e superou cada adversário para terminar a corrida com uma belíssima vitória. Gasly também teve um ótimo desempenho na Itália, guiando um carro de uma equipe considerada não suficientemente competitiva até o primeiro lugar do pódio, resistindo aos ataques constantes de Carlos Sainz Jr. Por este motivo, mesmo minha escolha sendo Pérez, acho que Gasly mereceu o prêmio.

Adriana: com toda a certeza, a vitória mais inesperada para mim foi a de Checo em Sakhir. Ele conseguiu sua primeira vitória do último lugar (graças ao “Dick Vigarista”) e quebrou um jejum de 50 anos desde a última vitória mexicana. A reviravolta dessa corrida, junto com a possibilidade do mexicano não ter uma vaga em 2021 (o que finalmente foi descartada com a sua contratação pela Red Bull) e a emoção do mexicano (latinos são todos chorões, não é mesmo?) foram o combo perfeito para tornar essa vitória emocionante do jeito que foi.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Pierre Gasly (44,80%) | Sergio Pérez (55,20%) 

INSTAGRAM: Pierre Gasly (58%) | Sergio Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Pierre Gasly (51,40%) | Sergio Pérez (48,60%)

 

CATEGORIA SURPRESA DA TEMPORADA

VENCEDOR: Desempenho de Gasly (73,95%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na minha análise sobre a categoria “Vitória Inesperada”, Gasly foi um grande destaque no Grande Prêmio da Itália, vencendo com uma AlphaTauri uma corrida difícil, com vários acidentes e imprevistos. Particularmente, acho que a conduta antidesportiva da Renault durante o ano me impede de fazer elogios a seu desempenho (falo da equipe, pois seus pilotos são outro assunto). Daniel Ricciardo definitivamente mereceu seus pódios (o mesmo não posso dizer sobre seu companheiro, minha opinião). Gasly, por outro lado, renasceu das cinzas como uma fênix. Ano passado seu trabalho na Red Bull desagradou a muitos (inclusive essa que vos fala), mas 2020 lhe trouxe merecidos triunfos. E por isso meu voto foi para ele.

Adriana: para mim, os três pódios da Renault foram a surpresa da temporada. A evolução da equipe francesa foi visível e após tantos quase (pelo menos, com Ricciardo), os três pódios mostraram que a Renault era capaz de um bom desenvolvimento do carro, diferente da péssima temporada de 2019. Os pódios foram uma ótima despedida para Ricciardo e Cyril Abiteboul, que não seguirá como chefe de equipe na Alpine, a nova era da Renault na Fórmula 1.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Desempenho de Gasly (80,90%) | Pódios da Renault (19,10%) 

INSTAGRAM: Desempenho de Gasly (67%) | Pódios da Renault (33%) 

MÉDIA GERAL: Desempenho de Gasly (73,95%) | Pódios da Renault (26,05%) 

 

CATEGORIA MOMENTO EMOCIONANTE

VENCEDOR: Resgate de Grosjean no Bahrain (89,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Quando vi o acidente de Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, fiquei muito assustada. Já cogitava a hipótese de o piloto ter se acidentado gravemente. Graças a Deus tudo ficou bem. Sem contar que este momento relembrou a importância do halo (para o caso de haver mais pessoas como Nico Hülkenberg, que priorizam a beleza em vez da segurança). Por isso, meu voto foi para o resgate de Grosjean.

Adriana: Escolhi o heptacampeonato de Hamilton como o momento mais emocionante dessa temporada. Tanto pelo significado do único piloto negro na maior categoria de automobilismo do mundo e por sua representatividade a tantas pessoas que podem se identificar com sua luta e valores. Ver a história sendo feita nessa temporada atípica foi sensacional e ver a emoção de Hamilton ao sair do carro foi indescritível e com certeza, me lembrarei desse evento por muito tempo.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Resgate de Grosjean (87,10%) | Heptacampeonato de Hamilton (12,90%) 

INSTAGRAM: Resgate de Grosjean (92%) | Heptacampeonato de Hamilton (8%)

MÉDIA GERAL: Resgate de Grosjean (89,50%) | Heptacampeonato de Hamilton (10,45%)

 

CATEGORIA GAFE DO ANO

VENCEDOR: Estratégias da Racing Point (57,10%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca:

Uma categoria também bem difícil. A Racing Point fez um ótimo trabalho na engenharia de seus carros e no preparo de seus pilotos, mas os estrategistas foram verdadeiros jumentos em algumas corridas, como o Grande Prêmio da Turquia. A falha no carro de Lance Stroll poderia muito bem ser evitada se a equipe fizesse uma boa vistoria no carro. Creio que, se era inevitável que tanto Stroll quanto Sergio Pérez fossem ultrapassados por Lewis Hamilton (que vinha em alta velocidade), seria melhor deixar o canadense na pista e perder apenas uma posição. Pelo menos haveria um pódio duplo da Racing Point. Em vez disso, o chamaram para uma troca de pneus desnecessária, e a redução da velocidade (devido ao pit stop) somada ao problema na asa dianteira fez com que ele perdesse muitas posições. Ao ver essa trapalhada da equipe, que sempre tem uma desculpa na ponta da língua para enrolar a mídia e os fãs (em vez de contar a verdade: que os estrategistas são incompetentes), me pareceu que o time queria sabotar Stroll de propósito só para os haters pararem de acusar a equipe de favorecê-lo (uma acusação infundada, como você pode ver no artigo de Ricardo Hernandes Meyer). Vou considerar que foi só uma incompetência mesmo, pois seria muita burrice de uma escuderia se autosabotar só para conseguir uma trégua com pessoas infantis que nunca vão mudar seu discurso. Por isso, meu voto foi para as estratégias da Racing Point, embora o pit stop da Mercedes em Sakhir tenha sido vergonhoso, e um ótimo concorrente ao título.

 

 

Adriana: Para mim, a maior gafe foi, sem dúvidas, o pitstop da Mercedes em Sakhir. Eu li em algum lugar que a Mercedes só funciona certinho quando o Lewis está por perto (mas o GP da Alemanha de 2019 tá aí para provar o contrário) e eu acho que essa teoria da conspiração pode até ter um pouco de verdade. 

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Estratégias da Racing Point (89,20%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (10,80%) 

INSTAGRAM: Estratégias da Racing Point (25%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (75%)

MÉDIA GERAL: Estratégias da Racing Point (57,10%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (42,90%)

 

CATEGORIA FOFOCA DO ANO  

VENCEDOR: Demissão do Pérez (65,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu particularmente não soube do lance entre Max Verstappen e Kelly Piquet até a Adriana me contar. Só por este motivo, meu voto foi para a demissão de Sergio Pérez, que foi acompanhada de uma inconstância na narrativa da Racing Point, como já foi muito discutido aqui no site The Racing Track.

Adriana: Essa é para as fofoqueiras de plantão. Quem acompanhou os posts do novo casal do momento sabe que essa fofoca estava cheia de viradas e easter eggs, então sem dúvidas, eu escolhi a vida amorosa de Max. Até o casal se assumir, os pombinhos trocaram emojis, frases de efeito nos comentários e até teve foto vazada dos dois por aí. Leo Dias chorou com o poder de CSI das fãs de F1 naquele dia.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Vida Amorosa de Verstappen (10,30%) | Demissão de Pérez (89,70%) 

INSTAGRAM: Vida Amorosa de Verstappen (58%) | Demissão de Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Vida Amorosa de Verstappen (34,15%) | Demissão de Pérez (65,85%)

 

CATEGORIA ERRRROU

VENCEDOR: Sebastian Vettel (77,05%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sebastian Vettel mais uma vez cometeu erros grosseiros durante o ano. Ele, na verdade, quase foi indicado à categoria Dick Vigarista junto com Charles Leclerc e Daniil Kvyat. É certo que o carro da Ferrari em 2020 não estava nas melhores condições, mas os erros de Vettel ocorrem continuamente desde 2017. Logo, ainda que seus fãs aleguem seu glorioso passado na Red Bull para justificar a trama da compra de ações da Aston Martin para continuar no grid em 2021, o alemão não age exatamente como um campeão, mas como os pilotos que ele tanto criticou por provocarem acidentes (como o próprio Kvyat). Por este motivo, meu voto foi para ele.

 

Volta o cão arrependido…

 

Adriana: Na minha opinião, o próprio Faustão tinha que entregar o prêmio pro vencedor e que também foi o meu escolhido. Não é de hoje que Vettel vem cometendo erros de principiante, como rodadas ou escapadas para fora da pista e essa temporada, com um carro muito aquém do que o tetracampeão está acostumado a guiar, sua pilotagem não foi das melhores. Muitos fãs juram que seu carro foi “sabotado” e que era inferior ao de Leclerc (o que, na minha visão, seria muita burrice por parte da Ferrari se isso fosse verdade), mas tá tudo bem admitir que ele não rende mais como rendia nos tempos da Red Bull, isso pode acontecer com todo e qualquer piloto. Por isso, Vettel mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Alex Albon (12,90%) | Sebastian Vettel (87,10%)

INSTAGRAM: Alex Albon (33%) | Sebastian Vettel (67%)

MÉDIA GERAL: Alex Albon (22,95%) | Sebastian Vettel (77,05%)

 

CATEGORIA VERGONHA DO ANO

VENCEDOR: Pilotos que não ajoelharam (67,90%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Mais uma categoria com duas escolhas bem difíceis. Acredito que o caso de Nikita Mazepin, embora esteja relacionado a sua vida pessoal e não profissional, foi mais do que suficiente para que a Haas o demitisse. Escândalos como este (do assédio sexual a uma moça) são gravíssimos, e mesmo que a escuderia não tenha responsabilidade pelo ato, manter-se ligada a ele pode manchar sua imagem. Mas meu voto foi para os pilotos que não se ajoelharam, pois estes deixaram suas preferências político-partidárias prevalecer sobre a empatia ao próximo. O racismo, na minha opinião, é um mal universal, e deveria ser combatido por todas as vertentes políticas, mas infelizmente não é o que ocorre na vida real. É certo que alguns pilotos se ajoelharam unicamente para se promover (embora sejam a minoria), mas este simples ato de se abaixar demonstraria uma união contra o racismo e apoio às vítimas, que sofrem muito com a discriminação e a violência. Infelizmente, parece nem todos os pilotos pensam em união apesar das diferenças.

Adriana: Essa categoria foi difícil de escolher. Eu escolhi os pilotos que não ajoelharam, pela falta de empatia que tiveram com o único piloto negro da categoria e com toda a comunidade negra. Em momentos como esse, quando se trata sobre vidas negras sendo perdidas por brutalidade policial, temos que avaliar nosso comportamento e além de tudo, adotarmos uma posição antirracista e praticarmos isso no nosso dia a dia. E parece que, mesmo com todo o acesso à informação que esses pilotos têm, escolheram permanecer em sua zona de conforto e ignorância, passando vergonha todo domingo. 

Já sobre Mazepin, infelizmente, o dinheiro fala muito mais alto nestas situações. Para quem não sabe, o russo postou em seu Instagram um vídeo nos stories em que aparece apalpando uma garota, que claramente não quer que isso aconteça e que muito menos seja filmada durante essa situação extremamente humilhante. Algumas horas depois desse infortúnio, Mazepin deletou o vídeo de seu perfil, mas é claro que ele já estava salvo e sendo divulgado pela internet. Mesmo com a repercussão e diversos abaixo-assinados pela internet, especulou-se na época que a Haas teria demitido o sem noção, mas isso não se passou de um mero rumor. Através de um comunicado (a melhor definição, nesse caso, é uma bela “passada de pano”), a equipe divulgou que Mazepin continuaria na equipe e que “o caso seria resolvido internamente”. Com isso, a vítima – que falou sobre o caso em seu Instagram, mas não convém expor a identidade da garota, que já deve ter sofrido o bastante tendo seu trauma exposto e revivido diversas vezes por toda a internet -, terá que ver seu abusador por aí, seguindo sua carreira como se nada tivesse acontecido. 

Então, por isso, tanto faz quem ganhasse essa categoria, pois ambos são uma vergonha catastrófica que marcou a temporada de 2020. E não preciso dizer que vou fingir que esse cara nem está no grid esse ano, não é mesmo?

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Pilotos que não ajoelharam (93,80%) | Mazepin na Haas (6,20%)

INSTAGRAM: Pilotos que não ajoelharam (42%) | Mazepin na Haas (58%)

MÉDIA GERAL: Pilotos que não ajoelharam (67,90%) | Mazepin na Haas (32,10%)

 

CATEGORIA JUMENTO

VENCEDOR: Max Verstappen e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu acompanhei muitas entrevistas com Lance Stroll em minha carreira jornalística (tanto em texto quanto em vídeo e áudio). E devido a algumas pérolas que ele soltou, como responder gêneros musicais ao perguntado sobre artistas e responder bandas ao ser perguntado sobre canções, não saber dizer o nome de um herói nacional de seu país natal (o Canadá) nem o mascote do time de hóquei que ele torce, não saber o que é um Papai Noel (mesmo tendo usado um gorro de Natal anos antes), não saber identificar a bandeira da Espanha (mesmo estando todo ano no país), e dizer que 30 – 29 = 2, eu já comecei a me perguntar se esse piloto não teria fugido da escola. Mas o que lhe deu a indicação à categoria “Jumento” foi sua lealdade a Esteban Ocon. Vamos analisar: imagine que você está sendo acusado de prejudicar uma pessoa, e esta sabe que você é inocente, mas deixa você levar a culpa e ter a reputação linchada, se pronunciando apenas um mês depois que todo mundo já te destruiu. Você consideraria esta pessoa sua “amiga”? Foi exatamente o que aconteceu entre Lance Stroll e Esteban Ocon (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Eu não convivo com nenhum piloto pessoalmente, mas não me lembro de ter visto Ocon interagindo com Stroll durante todo o ano de 2019 (conversei com fã-clubes ligados ao canadense, e eles também não viram). Lembrando que em 2019, Ocon era piloto reserva da Mercedes e vivia no paddock. De repente, em 2020, o hispano-francês volta a se aproximar “magicamente” dele. Não me lembro de ter visto tanta ingenuidade assim desde que li “Chapeuzinho Vermelho”. Também é importante lembrar que houve momentos em que Stroll parecia estar entregando sua posição a Ocon, como no Grande Prêmio de Abu Dhabi, não trazendo benefícios a Ocon, mas prejudicando a posição de Stroll na classificação final do campeonato. Ainda por cima, Stroll brinca com a situação, como se a Fórmula 1 fosse um jogo entre ele e Ocon. Fica a minha pergunta: Lance Stroll é burro, ou simplesmente a pessoa mais ingênua do planeta?

 

 

Mas meu voto foi para Max Verstappen e sua confiança doentia na Red Bull, mesmo que a equipe tenha provado com todas as forças que nunca vai dar ao holandês um carro à altura de seu talento. Leia mais em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

 

 

Adriana: Nessa categoria, fui com a maioria e também escolhi Max e sua confiança na Red Bull. Não sabemos como o carro taurino estará nessa temporada, mas é claro que o próximo campeão com a Red Bull só sairá por um milagre ou eventual falha da Mercedes. O segredo para os tempos dourados da Red Bull estava na mão de Adrian Newey, um dos melhores projetistas da categoria. Com a mudança nas regras e seu afastamento da liderança dos projetos, a Red Bull sofre em achar o acerto perfeito para voltar ao topo, como no início da década de 2010. A confiança que o holandês tem em acreditar que a Red Bull pode lhe tornar um campeão do mundo é louvável, pois demonstra que Verstappen é leal à sua equipe, mas às vezes, beira a burrice. O carro ainda sofre com confiabilidade e por muitas vezes, o deixa na mão mas mesmo assim, ele continua firme e acreditando nas promessas da Red Bull. Também, quem deixaria uma equipe em que seu posto de primeiro piloto é garantido? 

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Lance e sua lealdade (19,60%) | Max e sua confiança na Red Bull (80,40%)

INSTAGRAM: Lance e sua lealdade (50%) | Max e sua confiança na Red Bull (50%)

MÉDIA GERAL: Lance e sua lealdade (34,80%) | Max e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

CATEGORIA PALESTRINHA

VENCEDOR: Esteban Ocon (56,15%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na categoria anterior, na minha opinião, até o Lobo Mau da história da Chapeuzinho Vermelho merece mais confiança do que Esteban Ocon. Este piloto sabe como manipular a mídia a seu favor e a destruir a reputação de seus adversários para que suas más ações sejam mascaradas e ele pose de “coitadinho” (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Mas Ocon não conseguiu repetir o feito com Pierre Gasly no Grande Prêmio da Itália, pois se recusou a cumprimentar o vencedor devido a uma questão pessoal, demonstrando falta de espírito esportivo. Ao final da mesma corrida, ele chegou a receber uma reprimenda do chefe de equipe Cyril Abiteboul por reclamar exageradamente de sua posição final (atrás do companheiro Daniel Ricciardo). Esta atitude imatura lhe rendeu o meu voto.

Adriana: Sabe quando você sente seus olhos dando aquele 360? Essa sou eu quando eu vejo o gráfico do rádio de Sainz na TV. Não é possível que esse menino só abra a boca no rádio para reclamar. Reclama dos outros, reclama do carro, reclama de tudo. O Ocon não fica muito atrás (vide aquela corrida que o Ricciardo ficou na frente dele e ele quis lavar a roupa suja no rádio e levou um chega pra lá de Cyril) mas para mim, o Sainz merece esse prêmio por ser chato ao extremo em toda oportunidade que pode.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Esteban Ocon (76,30%) | Carlos Sainz Jr (23,70%)

INSTAGRAM: Esteban Ocon (36%) | Carlos Sainz Jr (64%)

MÉDIA GERAL: Esteban Ocon (56,15%) | Carlos Sainz Jr (43,85%)

 

CATEGORIA DEBOCHADO

VENCEDOR: Cyril Abiteboul (64,65%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sinceramente, na minha opinião, os dois mereciam concorrer à categoria “Boca de Fogo” com Max Verstappen e Lando Norris. Tanto Zak Brown quanto Cyril Abiteboul se destacaram por fazerem comentários deselegantes sobre assuntos que não lhes diziam respeito, adotando uma postura que não condiz com o ambiente da Fórmula 1. Por isso, creio que os dois mereciam levar o título. No entanto, votei em Zak Brown por extrapolar os limites e querer induzir a mídia a questionar seus adversários em termos pessoais.

 

 

Adriana: De um lado, temos Cyril Abiteboul, que manteve o protesto contra a Racing Point até quando pode e não perde a chance de dar uma alfinetada em Horner (ou até mesmo em Ricciardo, quando o mesmo anunciou que estava de saída da Renault) e do outro, temos Zak Brown, que sabe manter sua postura de debochado ao perguntar qual foi o médico que atendeu Stroll (Dr. Dre? Dr. Seuss? Ainda não sabemos) e sempre tem uma resposta na ponta da língua quando questionam sua capacidade em ser CEO de uma equipe histórica como a McLaren. Por sempre ser elegante e perspicaz em suas alfinetadas, votei em Brown porque ele consegue manter sua postura e raramente, se afeta com as críticas.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Cyril Abiteboul (69,30%) | Zak Brown (30,70%) 

INSTAGRAM: Cyril Abiteboul (60%) | Zak Brown (40%)

MÉDIA GERAL: Cyril Abiteboul (64,65%) | Zak Brown (35,35%)

 

CATEGORIA TROCA DO ANO 

VENCEDOR: Sergio Pérez na Red Bull (68,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Estava em dúvida entre a troca de Sergio Pérez e a de Daniel Ricciardo, então optei pela primeira, pois o mexicano conseguiu um merecido lugar em uma equipe de ponta depois de ser obrigado a deixar a Racing Point devido à manobra financeira de Sebastian Vettel (que comprou ações da Aston Martin, atual dona do time, e assegurou uma vaga). A contratação de Pérez não só foi um alívio para os torcedores do mexicano, como frustrou os planos daqueles que estavam prontos para demonizar Lance Stroll como fizeram em 2018 no Caso Esteban Ocon. Logo, pela justiça feita a Pérez e Stroll, escolhi a ida do mexicano para a Red Bull. Mas também elogio a ida de Daniel Ricciardo para a McLaren, onde terá um aporte maior que na Renault.

Adriana: Até a contratação de Pérez pela Red Bull, a melhor troca do ano, na minha opinião, foi Ricciardo na McLaren. Assim como na Renault, o australiano aposta mais uma vez na mudança e dessa vez, conta com a melhor equipe “do resto” (best of the rest) e que fechou a temporada de 2020 com a terceira colocação no campeonato de construtores. 

Além disso, Zak Brown vem construindo um ambiente com cara e espírito de campeões: escalou Andreas Seidl, que teve uma campanha de sucesso com a Porsche no campeonato de Endurance; James Key, conhecido engenheiro, que agora é o diretor de engenharia; Andrea Stella, que passou anos na Ferrari como engenheiro de Fernando Alonso, que o acompanhou na troca para a McLaren e agora ocupa a posição de diretor de corridas e claro, a troca de motores para a Mercedes e a construção de seu próprio túnel de vento (que é fundamental para o desenvolvimento aerodinâmico do carro) trazem a esperança de que isso é apenas o começo da volta da McLaren ao lugar mais alto do pódio. Então, ao meu ver, Ricciardo acertou em cheio ao trocar a (agora extinta) Renault pela McLaren.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: D. Ricciardo na McLaren (7,2%) | S. Vettel na Aston Martin (7,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (3,4%) | S. Pérez na Red Bull (82%)

INSTAGRAM: D. Ricciardo na McLaren (22,5%) | S. Vettel na Aston Martin (22,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (0%) | S. Pérez na Red Bull (55%)

MÉDIA GERAL: D. Ricciardo na McLaren (14,9%) | S. Vettel na Aston Martin (15%) | C. Sainz Jr na Ferrari (1,70%) | S. Pérez na Red Bull (68,5%)

 

CATEGORIA AZARÃO 

VENCEDOR: Charles Leclerc (73,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Esta categoria é um pouco delicada de opinar, pois ela vai contra a narrativa dominante na mídia (que assim é por motivos financeiros e ideológicos). A imprensa tenta, a todo custo, vender George Russell como uma nova lenda, e até usa depoimentos de pessoas ligadas à Fórmula 1 para justificar essa narrativa. Porém, os fatos contradizem esta versão. A verdade é que Russell só foi capaz de pontuar quando estava em uma Mercedes, substituindo Lewis Hamilton no Grande Prêmio de Sakhir quando o piloto titular estava com Covid. Em sua equipe oficial, a Williams, Russell não fez sequer um ponto. Até aí não teria problemas (pois é sabido que o carro da Williams é longe de ser competitivo) se não fosse por um ponto: a precariedade do carro já era notada em 2018, quando a Williams tinha Lance Stroll e Sergey Sirotkin como pilotos, mas na época a imprensa culpou os atletas pelo desempenho do carro. Nota-se quando o problema está no piloto quando seu companheiro vai muito bem e ele não, mas quando ambos os pilotos não conseguem boas posições é sinal de que o problema está no carro. A mídia só foi “perceber” isto quando Stroll não estava mais lá, e mesmo Russell também tendo origem rica e apresentado dificuldades em pontuar, a imprensa passa a mão na cabeça do inglês, mesmo que o canadense, com todas os problemas para enfrentar, conseguiu no mínimo pontos para a escuderia (inclusive o último pódio do time). Este racismo implícito da mídia se agravou quando Russell foi escolhido para substituir Hamilton, quando alguns haters de Stroll usaram a imagem de Russell como escudo para difamar o canadense. É claro que a culpa não é de Russell, que é uma pessoa antirracista e ética e que não tem nenhum problema pessoal com Stroll (até o cumprimentou por sua pole na Turquia). A culpa é unicamente dos racistas covardes que usam a imagem dos outros para promover intrigas entre os torcedores. No entanto, embora eu reconheça que Russell tenha talento e que o mesmo não consegue ser aproveitado nas condições precárias da Williams, na posição de jornalista (profissional da comunicação), preciso me ater aos fatos e não colaborar para a continuidade da falácia criada pela mídia. Por isso, meu voto foi para Charles Leclerc, que mesmo enfrentando muita dificuldade em uma Ferrari de desempenho abaixo do esperado, terminou várias posições à frente de Vettel e muitas vezes carregou o time nas costas (como no Grande Prêmio da Toscana). Ressalto que tanto Russell quanto Leclerc são pilotos muito dedicados e desejo a eles uma boa temporada em 2021.

Adriana: Tudo bem que o Leclerc conseguiu dois pódios (quase três se não fosse por seu erro na última volta na Turquia) com a sofrida SF1000, mas na verdade, o azarão para mim foi Russell. Conseguir passar para o Q2 inúmeras vezes com o pior carro do grid é para poucos e o britânico conseguiu isso com facilidade. Sua performance com a Mercedes em Sakhir também provou que ele tem talento e quase tomou a pole de Bottas, que está há 4 temporadas com a Mercedes. Sem falar nas ultrapassagens de Russell no finlandês, que sequer teve tempo para reagir ou retomar sua posição do então “novato”. Por isso, escolhi Russell como o azarão da temporada.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: George Russell (2,3%) | Charles Leclerc (97,7%) 

INSTAGRAM: George Russell (50%) | Charles Leclerc (50%)

MÉDIA GERAL: George Russell (26,15%) | Charles Leclerc (73,85%)

The Racing Track Awards 2020

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni

 

O The Racing Track Awards 2020 pretende relembrar alguns dos destaques (positivos e negativos) da temporada de Fórmula 1 de 2020.

Para participar, vote nas enquetes de nosso perfil no Instagram (nos destaques) ou no Google Forms abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1v0PaC41Ep11Bx8ezESLUPBxoX-PXHQAdBpnmsiSW_ms/edit

A votação se encerra no próximo sábado, dia 16 de janeiro de 2o21.

Participe e divirta-se.

Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2020

Análise por Rebeca Pinheiro, com comentários e artes de Adriana Perantoni

 

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de novo. Dessa vez com a análise da temporada de Fórmula 1 de 2020. Foi um ano atípico, com cancelamentos e adiamentos de algumas corridas e o ingresso de outras devido à pandemia de Covid-19. No entanto, a FOM se organizou para que a Fórmula 1 continuasse. Mesmo com todos os imprevistos, houve boas corridas, quebras de recordes, e outros momentos marcantes. Sem mais enrolações, vamos recapitular como foi a temporada de cada um dos pilotos.

 

  • Lewis Hamilton

Lewis Hamilton foi o grande vencedor de 2020. Conquistou seu sétimo título mundial com 347 pontos (66 a menos que no ano passado), vencendo 11 das 17 corridas e tendo 14 pódios. Hamilton pontuou em todas as corridas que participou, se ausentando unicamente no Grande Prêmio do Sakhir, pois havia sido diagnosticado com Covid-19. De bônus, quebrou dois recordes: mais vitórias na carreira (95) e mais vitórias vitórias com o mesmo time (74). Além disso, igualou o número de campeonatos de Michael Schumacher e há enormes chances de se tornar octacampeão mundial em 2021. Seu sucesso é fruto de seu talento e trabalho duro, e ninguém pode extinguir seu legado na Fórmula 1.

O inglês também se destacou por seu ativismo antirracista, liderando movimentos de apoio às vítimas de racismo antes de cada corrida. Apesar de muitos torcedores, e até parte da imprensa, terem criticado esta nobre ação, Hamilton cumpriu muito bem o seu papel, não apenas como um dos únicos três pilotos pertencentes a minorias étnicas do grid de 2020 (juntamente com Lance Stroll e Alexander Albon)*, mas também como uma personalidade famosa que pode influenciar a opinião pública. O racismo é algo terrível, que destrói vidas, e é extremamente importante que as pessoas se conscientizem desse mal que assola a humanidade. Deixamos nossos parabéns à liderança de Hamilton na luta contra o racismo.

*Nota: Considerando-se os critérios brasileiros de classificação de minorias étnicas. Se formos adotar o padrão de outros países, como os Estados Unidos, Sergio Pérez seria incluído, por ser latino-americano.

Desejamos que 2021 seja um ótimo ano para Lewis Hamilton, um piloto guerreiro, prudente e talentoso.

Fotos: FIA/F1 handout/EPA | Reprodução / Instagram | Getty Images | Pool via REUTERS | EPA | Getty Images

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Essa temporada foi A temporada para Lewis Hamilton. O britânico quebrou recordes, se consagrou como o melhor de todos os tempos na Fórmula 1, igualou os títulos de Michael Schumacher e brilhou dentro e fora das pistas. Seus protestos por igualdade racial após a morte do americano George Floyd nas redes sociais pressionaram a FIA para fazer algo contra a discriminação e a favor da diversidade no grid, sendo assim, criada a campanha We Race As One (que não tem nada de correr como um só, visto que o britânico foi até investigado por usar uma camiseta pedindo justiça pela morte de outra negra nos Estados Unidos, a jovem Breonna Taylor).

Apesar disso, Hamilton deu um show nas etapas em que disputou (menos Sakhir, na qual estava infectado pela COVID-19) e mostrou que seu talento vai muito além do ótimo carro que guia. Seus erros foram mínimos e quando não errou, pilotou com maestria e deu uma aula na pista. Um momento mais marcante, para mim, além da corrida em que conquistou seu heptacampeonato, foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em que levou seu carro na última volta com um dos pneus dianteiros furados. Essa proeza é para poucos.

 

  • Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2020, com 223 pontos (106 a menos que no ano passado), mas ressalta-se que se não fosse seu pódio no Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria perdido a segunda colocação do campeonato para Max Verstappen. Bottas teve duas vitórias (Áustria e Rússia) e 11 pódios, mas embora tivesse uma certa constância em pontuar (pois ficou fora da zona de pontuação apenas na Grã-Bretanha e Turquia), o finlandês decepcionou em algumas corridas, como Bahrein e Sakhir, as quais terminou em oitavo lugar e teve muita dificuldade para ultrapassar seus adversários. Embora “certas pessoas” tentem relativizar o talento de Lewis Hamilton, reduzindo-o ao bom desempenho do carro da Mercedes, Bottas é a prova de que o carro não anda sozinho. Se o piloto não tem garra o suficiente, o carro não faz milagres. E o finlandês, com o mesmo carro, estava muito atrás do inglês em performance.

Bottas teve duas condutas reprováveis no ano. Uma foi quando fez uma piada contra os chineses, e a outra foi no final do Grande Prêmio da Rússia, quando desferiu palavras de baixo calão a seus críticos. Embora ninguém goste de ser criticado, deve-se diferenciar críticas construtivas de destrutivas. Uma coisa é criticar pilotos que estão começando há pouco tempo e arrumar justificativas patéticas para isso (tal como fez Jacques Villeneuve contra Max Verstappen e Lance Stroll). Outra bem diferente é cobrar bons resultados de um piloto que está no melhor carro do grid. O caso de Bottas se encaixa no segundo tipo. Mandar seus críticos para “aquele lugar” não é uma ação defensiva, mas sim uma imaturidade do atleta que se recusa a fazer uma autocrítica. O próprio Bottas afirmou ter evitado a internet e as notícias após o Grande Prêmio do Sakhir, o qual perdeu a liderança para o novato George Russell* na primeira curva. Pode ter sido uma boa estratégia para fortalecer seu psicológico, mas o finlandês não vai poder se esconder da verdade por muito tempo.

*Nota: Lembrando que George Russell estava em sua primeira corrida pela Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid), por isso foi considerado aqui como “novato”. Russell estava em seu segundo ano na Fórmula 1, mas havia corrido apenas pela Williams.

Desejamos a Valtteri Bottas que 2021 seja um ano melhor, que ele tenha mais prudência nas ações e palavras e que mostre sua função na Mercedes.

Foto: Getty Images

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O que dizer de Valtteri Bottas? O finlandês tem a difícil tarefa de ser companheiro de equipe do melhor do mundo e ainda tem que aguentar um “novato” na espreita, esperando apenas a oportunidade certa de dar um bote em sua vaga na Mercedes. Esse ano, Bottas assumiu mais uma vez o posto de vice e até disse em uma entrevista que acreditava que poderia bater Hamilton. Nem nos seus sonhos, Valtteri.

O finlandês pouco entregou nesta temporada, servindo apenas para ajudar a Mercedes a conquistar com folga o campeonato de construtores. Mesmo quando Hamilton desfalcou a equipe e Russell o substituiu, ele não conseguiu superá-lo, levando uma bela ultrapassagem, dessas que você assiste e se arrepia, no GP de Sakhir. Mais uma temporada morna de um piloto mediano que guia um carro que não merece.

 

  • Max Verstappen

Max Verstappen foi o terceiro colocado do campeonato de 2020, com 214 pontos (64 a menos que no ano passado). Teve duas vitórias (70º Aniversário e Abu Dhabi) e 11 pódios, e como dito na análise de Valtteri Bottas, se não fosse o pódio do finlandês na última corrida do ano, Max teria sido vice-campeão. Verstappen teve cinco abandonos, pontuando em todas as demais corridas. Além disso, o holandês foi um dos dois únicos pilotos de fora da Mercedes a largar da pole position em 2020 (juntamente com Lance Stroll) e um dos três únicos de fora da Mercedes a vencer no ano (ao lado de Pierre Gasly e Sergio Pérez).

Mas nem tudo foi elogiável na temporada de Verstappen. Para começar, ele foi um dos seis pilotos que decidiu não se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Nos treinos do Grande Prêmio de Portugal, fez uma ofensa racista contra Stroll, chamando-o de “mongol”. Ainda que muitos tentem amenizar esta atitude, não é correto associar uma doença mental a uma etnia (por isso que o termo “mongol” é sim, racista), nem insinuar que o adversário tenha tal enfermidade apenas por um acidente (que se forem analisadas as imagens, foi causado não por Stroll, mas por Verstappen). No Grande Prêmio do Bahrein, disse que se algum piloto não quisesse retornar à corrida após o grave acidente de Romain Grosjean, este não merece um assento na Fórmula 1. É lamentável que um dos pilotos mais talentosos do grid, e um dos favoritos da criadora deste site, tenha uma atitude tão baixa e antiética. Verstappen sempre se destacou na Fórmula 1 por sua determinação, resultados brilhantes, e capacidade de calar aqueles que duvidavam de seu potencial. Ele não deveria seguir o exemplo de outros atletas que ficaram conhecidos pelas frases polêmicas. Por este motivo, Max Verstappen é um dos candidatos ao Troféu Boca de Fogo que será dado em 2021 no The Racing Track Awards.

O nível de competitividade da Fórmula 1 em 2020 estava abaixo do esperado. Logo, apesar de ter sido uma presença constante no pódio, Max não teve muitas chances de propiciar um espetáculo aos fãs (uma exceção foi o Grande Prêmio do 70º Aniversário). A Red Bull foi a segunda colocada entre as construtoras porque o desempenho da Ferrari caiu drasticamente, pois a escuderia austríaca ainda não foi capaz de providenciar um carro vencedor a Verstappen que possibilite que ele dispute de igual para igual com Lewis Hamilton. E apesar disso, o holandês ama tanto a equipe que se recusa a sair dela, arruinando suas chances de progredir na carreira e se estagnando como um “piloto de pódios que às vezes vence”. Leia mais sobre isso em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

Desejamos a Max Verstappen que em 2021 ele tenha mais prudência nas palavras e ações, e que tenha mais oportunidades de brilhar.

Fotos: Getty Images / Red Bull Content Pool

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O holandês, mais uma vez, mostrou que é bom no que faz. Pelo menos nas pistas. Verstappen fez parte de 90% dos pódios nesta temporada, completando o top 3 do campeonato junto com Hamilton e Bottas. As falhas do holandês vieram por conta de problemas com seu carro, muitas vezes motivadas pelo motor Honda. Contudo, ele continua tendo atitudes desportivas em relação aos seus rivais, vide seu rádio lamentável no treino livre do GP de Portugal, onde ofendeu Stroll com expressões capacitistas e racistas, no qual até mesmo o governo da Mongólia cobrou uma posição do piloto, o que ainda não teve resposta.

Verstappen ainda precisa amadurecer em suas atitudes com seus colegas de trabalho e espero que no ano que vem, episódios desse tipo não aconteçam, sejam dele ou de qualquer outro piloto no grid.

 

  • Alexander Albon

Alexander Albon foi o sétimo colocado de 2020, com 105 pontos (13 a mais que no ano passado). Teve dois pódios (terceiro lugar na Toscana e no Bahrein) e apenas um abandono, no Grande Prêmio do Eifel, pontuando em 12 corridas de um total de 17. Embora a Red Bull estivesse mais forte nesse ano devido ao fracasso da Ferrari, Albon não conseguiu acompanhar o desempenho de Max Verstappen, oscilando constantemente entre o sexto e o décimo lugar, o que não é desejável para um piloto de equipe de ponta. Apenas na Estíria e em Abu Dhabi que o tailandês conseguiu o quarto lugar e se aproximou do companheiro.

Devido a uma série de fatores, Albon foi rebaixado à posição de terceiro piloto da Red Bull. Sergio Pérez o substituirá como piloto titular. O mexicano teve de sair da Racing Point após Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprar ações da futura dona da equipe, a Aston Martin. Consequentemente, o tailandês foi sacrificado por uma pressa da Red Bull em ter dois pilotos competitivos o suficiente para agradar Helmut Marko. Havia muita pressão em Albon para ser como Verstappen desde que o tailandês substituiu Pierre Gasly em 2019, e infelizemente teve o mesmo destino do francês. Albon teve pouco tempo para desenvolver todo o seu potencial. Para entender melhor a situação, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Desejamos a Alexander Albon boa sorte nessa nova etapa da carreira e que em 2021 apareça uma boa oportunidade para superar a frustração desse rebaixamento injusto.

Fotos: FIA Pool Image for Editorial Use

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O que parecia uma temporada promissora para Albon, logo mostrou-se sua temporada de despedida (por enquanto). Logo na primeira corrida, Albon se envolveu em um acidente com Hamilton, muito parecido com a colisão do GP do Brasil do ano passado. E a partir daí, parece que o tailandês diminuiu, quase sumiu. Nem seus dois pódios foram o bastante para ele se reerguer e mostrar ao que veio.

Na minha opinião, parece que ele desistiu. A pressão imposta pelos dirigentes da equipe taurina é cruel, temos Gasly como um exemplo recente, mas o tailandês se apequenou diante das dificuldades. Em um de seus rádios, após quase colidir com Gasly, o tailandês disse que “eram duros demais com ele” na pista. Tanto Horner quanto Helmut Marko se aproveitaram dessa brecha e começaram a fazer seus costumeiros jogos mentais com Albon, soltando uma nota aqui na imprensa, outra acolá em uma entrevista após a corrida. Mas não adiantou, Albon foi rebaixado ao cargo de piloto reserva da Red Bull Racing para 2021. Espero que o tailandês se reerga e ache seu lugar, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria, encontrando uma equipe que o acolha, ao invés de simplesmente tratá-lo como a Red Bull o tratou.

 

  • Sergio Pérez

Sergio Pérez foi uma das grandes surpresas de 2020. Terminou o campeonato em quarto lugar, com 125 pontos (73 a mais que no ano passado). Apesar de ter ficado de fora de duas corridas (Grã-Bretanha e 70º Aniversário) devido à Covid-19, o mexicano foi bem consistente, pontuando em 13 corridas, tendo um pódio na Turquia (segundo lugar) e uma incrível vitória no Sakhir (a primeira de sua carreira). Esta ocorreu após Pérez ser tocado por Charles Leclerc e obrigado a trocar os pneus ainda na primeira volta. Por esta razão, sua vitória é candidata ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards em 2021.

Por muito pouco, o mexicano não ficou de fora do grid do ano que vem. Isso porque depois que Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprou as ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point, a equipe inglesa não renovou o contrato de Pérez para que o alemão se juntasse ao time. Obviamente, a imprensa tentou culpar Lance Stroll pela situação, mesmo que o canadense não tivesse culpa nenhuma disso. Mas os fatos não mentem: Vettel sabia que estava sem opções para 2021 e preferiu garantir seu assento comprando-o (ou alguém realmente acredita que ele investiria em uma equipe na qual não teria interesse em participar?). Temos duas fontes muito confiáveis dessa informação: as matérias de Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), e de Sergio Quintanilha no portal Terra (veja aqui). Para entender o caso como um todo, leia e “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Seria muito ruim se Pérez ficasse de fora do grid (leia mais em “A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina”), mas há males que vêm para o bem, e o piloto agora está oficialmente em uma equipe de ponta. Um aviso aos fãs de Pérez: o inimigo de vocês não se chama Lance Stroll, nem Lawrence Stroll (que, inclusive, estava hesitante com o ingresso de Vettel, mas seus sócios eram a favor), o inimigo de vocês se chama Sebastian Vettel. Demos as fontes para vocês checarem. O que houve é que o alemão não quis colher o que plantou e usou uma ferramenta poderosa para se manter no grid: o dinheiro.

Desejamos a Sergio Pérez que 2021 seja um ano de muito sucesso e realizações.

Fotos: Motorsport Images | Glenn Dunbar

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A temporada foi emocionante para Pérez, em todos os sentidos. Como esperado, o mexicano teve resultados consistentes no começo da temporada, conquistando bons pontos e colocações nas corridas. Até que, antes do GP da Inglaterra, Pérez testou positivo para a COVID-19, perdendo assim duas corridas. Ao retornar, no GP da Espanha, ele conseguiu um bom quinto lugar (quarto, se não fosse por uma punição) e algumas corridas depois, anunciou sua saída da Racing Point no final da temporada para dar lugar a Sebastian Vettel. A notícia veio como uma surpresa para o mexicano, que até então, tinha um contrato até 2021. Mesmo com essa notícia, Pérez conseguiu três pódios e sua primeira vitória, no GP de Sakhir.

Ano que vem, Checo correrá pela Red Bull, tendo assim sua segunda chance em uma equipe de ponta (a primeira foi com a McLaren em 2013, o que não deu certo graças ao péssimo carro daquele ano). Será que veremos o mexicano mais vezes no degrau mais alto do pódio? É o que esperamos.

 

  • Lance Stroll

Ah, Lance Stroll… o piloto que fez a criadora do site ficar igual ao Hiashi Hyuuga em pelo menos três corridas (fãs de Naruto entenderão a referência). O canadense marcou 75 pontos (54 a mais que no ano passado), o mesmo total de Pierre Gasly. Se não tivesse aberto passagem a Esteban Ocon na última volta do Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria conseguido um ponto a mais e terminado o campeonato em décimo. Por causa dessa “gracinha” desnecessária, o critério de desempate entre Stroll e Gasly foi o número de vitórias. Com isso, o francês ficou em décimo lugar e o canadense em décimo primeiro. Vou me abster de comentar mais sobre isso, senão vou ao cartório mudar meu nome oficialmente para Hiashi.

Stroll conseguiu dois pódios em 2020, na Itália e no Sakhir (chegando em terceiro em ambas as corridas), teve a primeira pole position da carreira na Turquia, e ótimas atuações na Hungria e na Espanha. Apesar dos contratempos, Lance pontuou em 10 corridas. Alguns fatores o atrapalharam, como a Covid-19 (que o tirou do Grande Prêmio do Eifel), um acidente provocado por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Rússia e, principalmente, a incompetência dos estrategistas de sua equipe (que impediram seu pódio na Turquia). Os erros grosseiros da Racing Point nos pit stops são uma das prova de que Stroll não tem privilégios na equipe (se tivesse, no mínimo teria pedido ao pai para demitir esse estrategista “jênio” que não acerta uma). E antes que alguém abra a boca para falar do caso de Sergio Pérez, que teve de sair da Racing Point para dar lugar a Sebastian Vettel, saiba que o motivo dessa mudança foi a compra de ações da Aston Martin por Vettel (pode checar as matérias de Adam Cooper (veja aqui) e de Sergio Quintanilha (veja aqui)).

Ainda em 2020, Stroll teve atitudes louváveis, como o apoio às vítimas de racismo, o cavamento de poços d’água na Gâmbia e a doação à Fundação do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Além disso, se mostrou um gentleman e respondeu com classe às grosserias de Max Verstappen e Lando Norris (provando que os indígenas não são “selvagens” e que nem sempre os europeus agem como “civilizados”).

Desejamos a Lance Stroll um 2021 ainda melhor, com muito sucesso e realizações. E um conselho meu: preste atenção em suas amizades.

Fotos: Getty Images | Pool via REUTERS | Wires Pool

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A temporada de Stroll foi agridoce. Com bons resultados no começo da temporada, o canadense mostrava confiança, talvez nunca vista antes. Um terceiro lugar na classificação no GP da Hungria e seu pódio em Monza foram fatores decisivos para a tal confiança. Porém, uma onda de azar o atingiu: abandonos, batidas e até COVID-19 são incluídos nessa lista. Porém, após ter um pouco de dificuldades em se recuperar totalmente do COVID, Stroll respondeu às críticas na pista: ele foi o único piloto além de Bottas, Hamilton e Verstappen a conquistar uma pole (Turquia), a primeira de sua carreira e ainda conquistou o pódio em Sakhir, garantindo a primeira dobradinha no pódio para a Racing Point.

Mesmo sendo superado por Pérez, sofrendo com erros de estratégia (se comparados a Pérez, estes foram mínimos) e tendo vários infortúnios durante a temporada, Stroll consegue tirar alguns pontos bons dessa temporada. Basta esperar para ver o que a Aston Martin reserva para Stroll.

 

  • Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. terminou o ano em sexto lugar, com 105 pontos (nove a mais que no ano passado). Teve um pódio na Itália (segundo lugar), pontuou 12 vezes, e seu pior momento foi no Grande Prêmio da Bélgica, pois um problema no motor o impediu de largar. Sainz teve apenas dois abandonos, na Toscana e na Rússia.

Assim como Max Verstappen, o espanhol teve momentos lamentáveis referentes a suas condutas. Antes da temporada começar, ele havia feito uma piada contra os chineses, e depois foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Tais comportamentos não são aceitáveis a um piloto com tanta visibilidade, que ainda por cima correrá pela Ferrari em 2021 após a demissão de Sebastian Vettel.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. que 2021 lhe traga mais sabedoria e consciência, para que possa ter uma temporada com um bom aproveitamento do carro e dar um bom exemplo aos ferraristas.

Foto: XPB Images

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De saída da McLaren em sua melhor temporada, Sainz teve seus bons momentos na temporada. O segundo lugar em Monza (que, se não fosse por um erro na relargada, o espanhol tinha grandes chances de vencer aquela corrida) foi o ponto alto de Sainz. Em uma disputa equilibrada com Norris, o espanhol mostrou que consegue desafiar seus companheiros de equipe mas, ao meu ver, ele ainda foi ofuscado pelo britânico. Minhas diferenças com Sainz, seja pela falta de respeito e sensibilidade à Lewis Hamilton ao não ajoelhar antes das corridas e também, ao episódio xenófobo protagonizado em uma parceira paga por um de seus grandes patrocinadores me impede de prestar mais atenção no espanhol.

Confiante com a recuperação da Ferrari para a próxima temporada, ele diz que não se arrepende em ter deixado o time de Woking… Vamos aguardar para ver se o arrependimento vai bater em 2021 e se ele resistirá à pressão de Leclerc, que está longe de ser um Norris da vida.

 

  • Lando Norris

Lando Norris terminou o ano em nono lugar, com 97 pontos (48 a mais que no ano passado). Conseguiu seu primeiro pódio da carreira no Grande Prêmio da Áustria, após Lewis Hamilton ter sido punido por colidir com Alexander Albon. Além disso, pontuou 12 vezes e só teve um abandono, no Grande Prêmio do Eifel. Apesar de ter se ajoelhado em solidariedade às vítimas de racismo, Norris tentou “passar pano” para aqueles que não se ajoelharam, o que levou a um questionamento dos motivos por sua escolha: se realmente se importava com o racismo, ou se participou do ato apenas para se promover. Mas esta não foi a única polêmica do inglês neste ano.

Infelizmente, o comportamento infantil de 2019 se repetiu em 2020. No Grande Prêmio da Bélgica, ofendeu seu engenheiro com palavrões por ele ter apenas alertado o piloto sobre suas saídas do traçado. Na Itália, apesar de ter cometido uma infração (ter sido excessivamente lento no pit stop), reclamou de Lance Stroll por trocar os pneus durante a bandeira vermelha (apesar de isto estar de acordo com o regulamento), demonstrando despeito pelo canadense ter tido um pódio na corrida e ele não. No Eifel, agiu grosseiramente com sua equipe. Mas a conduta mais lamentável ocorreu no Grande Prêmio de Portugal, quando ofendeu dois pilotos: primeiro, esbravejou contra Lance Stroll devido a uma colisão e disse que o canadense “nunca aprende com seus erros” (como se Norris aprendesse, pelo que vemos aqui), depois desmereceu o sucesso de Lewis Hamilton em uma entrevista, afirmando que seus resultados se davam pelo piloto da Mercedes “ter o melhor carro”. Como sua fala não foi bem recebida pelos torcedores, Norris se retratou no dia seguinte, mas não da maneira mais correta, dizendo que disse coisas ruins sobre “certas pessoas”, revelando falta de humildade e de autocrítica, por não ter coragem de dizer os nomes dos pilotos que ofendeu.

No entanto, a equipe de marketing por trás de Norris merece um prêmio, pois mesmo com todas essas atitudes, a mídia ainda o trata como um piloto perfeito, e seus fãs o defendem com unhas e dentes, mesmo quando está nitidamente errado (se fosse outro piloto agindo dessa forma, já teria sido linchado). A própria Fórmula 1 parece supervalorizá-lo, pois Norris aparece mais nas postagens da categoria no Instagram do que o próprio Hamilton, que é campeão. Devido à sua conduta antiética em 2020, principalmente no Grande Prêmio de Portugual, Norris é candidato ao Troféu Boca de Fogo no The Racing Track Awards. Isso não significa que temos algo contra ele pessoalmente (uma de nossas colunistas é fã dele e outra divide o aniversário com ele), mas devemos ser coerentes: elogiar o que deve ser elogiado (como ter usado o capacete desenhado por uma fã de 6 anos no Grande Prêmio da Grã-Bretanha) e criticar o que deve ser criticado. Aqui, todos os pilotos são iguais, nenhum está acima de outro para receber tratamento privilegiado.

Desejamos a Lando Norris que em 2021 ele “dê o exemplo” e realmente aprenda com seus erros. Apesar de seu pai se chamar Adam, não fica bem para um piloto agir como o príncipe antes de ser transformado em Fera (fãs da Disney entenderão a referência).

Foto: Pirelli

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Em sua segunda temporada, Norris foi a peça chave para o triunfo da McLaren e a evolução da histórica equipe para chegar ao terceiro lugar no campeonato de construtores. Com contrato confirmado para a próxima temporada, o britânico não perdeu tempo em mostrar que seu bom desempenho em 2019 não foi apenas fogo de palha e logo na primeira corrida da temporada, conseguiu seu primeiro pódio: um terceiro lugar no GP da Áustria. Dessa corrida em diante, seus resultados foram consistentes e ele não teve medo de desafiar os pilotos mais experientes na pista, vide sua disputa por posições na ultima volta com as duas Racing Point e Ricciardo no GP de , na qual ele levou a melhor.

Se Norris conseguiu se manter estável e obter bons resultados para seu campeonato e de sua equipe com um motor Renault – que no bólido da McLaren, não teve problemas de confiabilidade -, ele também pode incomodar seus concorrentes mais próximos no ano que vem, já que a McLaren terá motores Mercedes. Basta esperar e ver. E como Rebeca bem observou na análise, espero que Lando reveja suas atitudes, inclusive sua “boca de fogo”.

 

  • Pierre Gasly

Pierre Gasly terminou o ano com 75 pontos (20 a menos que no ano passado), em décimo lugar. Se 2019 foi um ano decepcionante, por não ter conseguido acompanhar o desempenho de Max Verstappen e ter sido rebaixado de volta para a Red Bull, em 2020 Gasly renasceu das cinzas como uma fênix e conseguiu sua primeira vitória da carreira, no Grande Prêmio da Itália, que concorre ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards. O francês pontuou em 10 corridas e teve três abandonos (Hungria, Toscana e Emília-Romanha).

Gasly provou que os pilotos têm tempos diferentes de adaptação, e que a Red Bull age de maneira impulsiva com seus pilotos, exigindo perfeição a curto prazo. Isso acaba sacrificando a reputação e o trabalho de jovens atletas, como foi o caso de Alexander Albon, que substituiu o francês em 2019 e sofreu o mesmo destino em 2020. A vitória na Itália trouxe os holofotes para Gasly, e há especulações de que a Alpine (futuro nome da Renault) planeja contratá-lo em 2022. Vamos aguardar novas informações sobre este caso.

Desejamos a Pierre Gasly muito sucesso para 2021 e esperamos que seus resultados sejam ainda melhores.

Fotos: XPB Images/PA Images

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Monza foi uma das corridas mais emocionantes dessa temporada e muito dessa emoção é devido ao triunfo de Gasly. Ver uma vitória inesperada após diversos pódios com os mesmos pilotos foi um alívio e ver Gasly tendo a sua primeira vitória com a Alpha Tauri, um ano após ser rebaixado da Red Bull por “falta de resultados” foi emocionante. Lembro que vi uma entrevista em que Gasly disse que, após ser rebaixado ao time B da Red Bull, Anthoine Hubert, um de seus amigos de longa data, lhe ligou e disse “prove que eles estão errados” e de fato, ele provou. Além disso, provou que em um ambiente de trabalho saudável, consegue entregar os resultados esperados. Sua vitória foi um misto de sorte e talento, no qual o último foi provado no restante da temporada.

 

  • Daniil Kvyat

Daniil Kvyat terminou a temporada no décimo-terceiro lugar, com 32 pontos (cinco a menos que no ano passado). Pontuando em sete corridas, o russo teve como seu melhor resultado o quarto lugar no Grande Prêmio da Emília-Romanha. Dessa vez, Kvyat esteve bem abaixo de Pierre Gasly em termos de desempenho. Além disso, um episódio lamentável foi sua recusa em se ajoelhar em apoio às vítimas do racismo.

O ex-namorado de Kelly Piquet não largou o jeito “torpedo” de direção. Embora não tivesse culpa, ele quase se envolveu no acidente com Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, e na mesma corrida, dessa vez por sua culpa, colidiu com Lance Stroll e tirou o canadense da prova. Por causa disso, Kvyat é um dos candidatos ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. O estilo barbeiro e o desempenho abaixo do esperado contribuíram para a decisão da AlphaTauri de demití-lo para dar lugar ao japonês Yuki Tsunoda (a quem desejamos boa sorte). O russo agora deve repensar sua carreira pois sua imprudência lhe custou a vaga, como houve com Esteban Ocon em 2018 e Sebastian Vettel na Ferrari em 2020 (talvez se Kvyat tivesse comprado ações de algum time, teria se mantido no grid tal como fez Vettel).

Desejamos boa sorte a Daniil Kvyat em 2021, seja qual for seu destino.

Foto: Planet F1

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Em sua terceira passagem pela AlphaTauri (as duas anteriores foram com a Toro Rosso), Kvyat não impressionou e mais uma vez, foi superado pelo seu companheiro de equipe. Não se sabe ao certo o porquê o russo ficou tão longe de Gasly mas isso não agradou a alta cúpula taurina, que o dispensou de forma fria no final da temporada. Sem saber ao certo seu futuro na categoria, Kvyat diz adeus a Fórmula 1, com uma temporada fraca e com vários incidentes em seu currículo, reforçando apenas a alcunha de “torpedo”.

 

  • Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo foi o quinto colocado de 2020, com 119 pontos (65 a mais que no ano passado). O ítalo-australiano teve dois pódios (terceiro lugar no Eifel e na Emília-Romanha) e pontuou 14 vezes, tendo apenas um abandono, na Áustria. Sua atuação também foi elogiável na Grã-Bretanha, BélgicaToscana. Embora longe de seus dias áureos, ele teve um grande avanço em relação a 2019, e no ano que vem estará na McLaren em busca de resultados melhores.

Ricciardo é um dos pilotos mais inteligentes do grid, e a troca da Renault pela escuderia inglesa é uma decisão muito boa, pois o time tem muito a ganhar com a experiência e conhecimento automobilístico do piloto. Ao mesmo tempo, a Renault de mostrou indigna de tê-lo como atleta, pois focou mais em tentar desqualificar suas concorrentes do que em melhorar seu carro, agindo de maneira hipócrita dado o seu histórico. Leia mais em “Renault: Um Passado Que Condena”.

Desejamos a Daniel Ricciardo boa sorte em sua nova etapa da carreira e que 2021 lhe traga sucesso e brilho.

Fotos: Formula 1 via Getty Images

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Em sua temporada de despedida da Renault, com um carro um pouco melhor comparado ao ano de 2019, Ricciardo surpreendeu ao conquistar dois pódios nos GPs de Eifel e Emilia Romagna. O australiano ficou no ‘quase’ em outras ocasiões também, como no GP de Toscana, perdendo a terceira posição para Albon. Só sei que, depois dos dois ataques de nervoso que eu tive em seus pódios, o australiano terá que pagar minhas consultas na terapia.

Em muitas análises, eu bati na tecla que o carro é um fator importante nos bons resultados mas nada adianta ser um piloto mediano. Ricciardo evoluiu durante a temporada junto com seu carro e conseguiu tirar leite de pedra em muitas ocasiões. De destino certo para a McLaren no ano que vem, o australiano tem ótimos motivos para não tirar o sorriso do rosto, contando com a evolução da equipe “papaia” e com uma chance de voltar ao pódio mais vezes. Será bom ver Ricciardo sendo, de fato, competitivo mais uma vez.

 

  • Esteban Ocon

Como previsto pelo The Racing Track em 2019, Esteban Ocon precisou desatar os laços com a Mercedes para conseguir voltar à Fórmula 1. A Renault lhe deu uma chance, substituindo Nico Hülkenberg, e o hispano-francês terminou a temporada em décimo-segundo lugar, com 62 pontos. Nota-se que seu retorno não foi tão celebrado pela mídia quanto sua saída foi lamentada em 2018. Para entender as razões disso, leia “Entenda o Caso Esteban Ocon”. Conseguiu seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Sakhir (segundo lugar) e pontuou 10 vezes. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Lamentavelmente, embora tenha crescido como atleta, Ocon ainda manteve um perfil imaturo como em 2018. Por motivos pessoais, decidiu não cumprimentar Pierre Gasly por sua vitória no Grande Prêmio da Itália, demonstrando falta de espírito esportivo (uma coisa que sempre lhe faltou, veja os casos na matéria citada no parágrafo anterior). Apesar de sua conduta antiesportiva, Ocon parece encantar alguns como o canto de uma sereia. Uma de suas vítimas é Lance Stroll, que acredita fielmente que o hispano-francês é seu amigo mesmo com todas as sacanagens que ele aprontou para o canadense.

Desejamos a Esteban Ocon mais sabedoria para 2021, para que sua postura mude e ele possa alcançar melhores resultados.

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Foto: Formula 1 via Getty Images

O francês ficou um ano longe da Fórmula 1 após a demissão da Racing Point no final de 2019 e quando voltou, provou que ainda é o piloto arrojado que conhecemos. Mesmo com alguns abandonos e perdendo de lavada de Ricciardo tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, Ocon não deixou que isso o abalasse e terminou a temporada de forma consistente, conquistando seu primeiro pódio em Sakhir.

Ano que vem, o francês enfrenta o bicampeão Fernando Alonso, que também não deixa barato as disputas nas pistas e muito menos fora delas. O gênio do espanhol colidirá com o de Ocon ou a versão good vibes do francês continuará por mais tempo? Essa será uma disputa interessante de se ver. Netflix, trate de filmar tudo.

  • Sebastian Vettel

Sebastian Vettel terminou 2020 no décimo-terceiro lugar, com 33 pontos (207 a menos que no ano passado). Sua temporada foi drasticamente diferente em relação à anterior: teve apenas um pódio (terceiro lugar na Turquia) e pontuou em apenas seis corridas. Em compensação, teve dois únicos abandonos (Estíria e Itália). Nota-se que o carro da Ferrari teve um desempenho muito abaixo do esperado, e não pode-se considerar que ela foi uma equipe de ponta em 2020. Outro ponto a ser considerado é que a escuderia italiana decidiu não renovar o contrato do alemão para 2021 antes mesmo da temporada de 2020 começar, o que agravou o mal-estar entre piloto e time. Ele será substituído por Carlos Sainz Jr.

A verdade é que os acidentes e a imprudência de Vettel contribuíram para a decisão da Ferrari (leia mais em “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”), mas o alemão não se deu por vencido e se recusou a tirar um ano sabático. Comprou ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point e movimentou o mercado de pilotos: Sergio Pérez teve de sair para que Vettel entrasse, indo para a Red Bull e substituindo Alexander Albon (leia mais em “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”). A mídia, como sempre, tentou culpar um piloto indígena inocente para não admitir que o europeu estava nitidamente comprando vaga. A prova das intenções de Vettel foi o desdém deste pela situação de Pérez (pode checar na reportagem de Adam Cooper aqui).

É triste que um tetracampeão tenha recorrido a isto para permanecer no grid, e é por seu passado glorioso na Red Bull que alguns torcedores duvidam de sua manobra. Mas daí fica a pergunta: Por que Vettel investiria seu dinheiro em uma equipe que não fosse de seu interesse?

Desejamos que em 2021 Sebastian Vettel se recupere de seu prejuízo em 2020 e tenha uma temporada com ótimos resultados.

Foto: Scuderia Ferrari Press Office

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Sua última temporada na Ferrari deixou um gosto amargo na boca do alemão. Pilotar para a escuderia era o sonho de Vettel, que deixou a Red Bull no final de 2014 para tentar o tão sonhado pentacampeonato com a mesma equipe que viveu tempos de glória com Schumacher, seu ídolo. Porém, o sonho não foi bem assim. Quase sempre ficando no quase, Vettel deu seu adeus aos italianos com um dos piores carros que pilotou na carreira, apostando na promessa da Aston Martin em 2022.

Muitas vezes, o alemão tinha que traçar suas próprias estratégias durante a corrida e mesmo assim, seus resultados foram abaixo da média. Seu pódio na Turquia pode ser considerado como um presente de Leclerc, talvez de despedida, quem sabe. Ironicamente, acabou no pódio com seu rival nas pistas por alguns campeonatos – Hamilton – e viu o britânico conquistar um sonho que ele tinha, se igualar a Schumacher e, justamente o piloto que substituirá na próxima temporada – Pérez. Vamos ver se a Aston Martin consegue manter os resultados consistentes ano que vem, dando assim um alívio ao alemão.

 

  • Charles Leclerc

Charles Leclerc foi outra vítima do fraco desempenho da Ferrari em 2020. Terminou o campeonato em oitavo lugar, com 98 pontos (166 a menos que no ano passado), tendo apenas dois pódios (segundo lugar na Áustria e terceiro na Grã-Bretanha) e pontuando em 10 corridas. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Sua melhor sequência de pontuações foi entre os Grandes Prêmios da Toscana e do Bahrein, oscilando entre o quarto e o décimo lugar. Leclerc enfrentou muita dificuldade para superar seus adversários, dirigindo uma Ferrari longe de ser competitiva, mas teve algumas atuações boas, como na Toscana. Entretanto, sua colisão com Lance Stroll no Grande Prêmio da Rússia (e sua recusa em se desculpar por algo que ele assume ser de sua responsabilidade) lhe rendeu uma indicação ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. Além disso, Leclerc foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, e se mostrou indignado com as acusações por parte da mídia e dos torcedores de que ele fosse racista. O piloto deve estar ciente de que suas decisões estão sujeitas a interpretações, mas foi louvável que ele tenha condenado o racismo em declarações posteriores.

Desejamos a Charles Leclerc sucesso em 2021 e esperamos que ele tenha mais chances de demonstrar seu potencial.

Fotos: 2020 Pool | Formula 1 via Getty Images

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Com o carro (se é que podemos chamar o SF1000 de carro) desafiador que tinha em mãos, Leclerc superou as expectativas em algumas corridas e levou algum sorriso aos tifosi nessa temporada. O monegasco conseguiu dois pódios – na Áustria e na Inglaterra – e assim, não deixou que a Ferrari ficasse em uma posição mais difícil do que já se encontrava.

Porém, nem tudo são flores. Leclerc teve alguns erros questionáveis durante algumas corridas. Na Estíria, quando colidiu com Vettel em uma manobra horrorosa; na Turquia, quando escapou da pista e deu de bandeja o pódio para Vettel e em Sakhir, em que colidiu com Pérez e Verstappen, causando o seu próprio abandono e o de Verstappen, além de deixar Pérez em último (o final desse GP já sabemos) e se fez de desentendido ao perguntar a Verstappen o que tinha acontecido. Se fazer de bobo não colou muito bem, nem com o holandês e nem com o público. Resta ver se ano que vem, o monegasco consegue “meter o louco” para cima de Sainz.

Apenas para adicionar ao parágrafo de Rebeca sobre Leclerc e o ato de não ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, no Twitter, Leclerc curtiu alguns tweets duvidosos (leia-se mentirosos) sobre o movimento Vidas Negras Importam, o que caiu mal para alguns fãs; além de ter quebrado a sua bolha durante alguns fins de semanas de corridas. Cadê a consciência e empatia, Charles?

 

  • Romain Grosjean

Romain Grosjean terminou o ano em décimo-nono lugar, com apenas dois pontos (seis a menos que no ano passado), resultantes de sua única pontuação na temporada, o nono lugar no Grande Prêmio do Eifel. Infelizmente, seu momento mais notável foi seu grave acidente no Bahrein (do qual, graças a Deus, saiu apenas com queimaduras nas mãos), que o impediu de correr no Sakhir e em Abu Dhabi. Nestas corridas, foi substituído por Pietro Fittipaldi.

Devido ao seu desempenho bem abaixo do desejado, a Haas optou por não renovar seu contrato para 2021. Com isso, o francês não estará no grid no ano que vem. O time americano contratou o russo Nikita Mazepin para substituí-lo, mas seu ingresso está acompanhado de controvérsias, pois o piloto compartilhou um vídeo impróprio no Instagram e, embora a Haas tenha sido pressionada a substituí-lo, ela não quer perder os investimentos de Dmitry Mazepin, pai de Nikita.

Desejamos a Romain Grosjean boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: acervo pessoal | Instagram

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Em mais uma temporada, Grosjean foi deixado na mão por seu carro, raramente conseguindo um bom resultado durante as corridas em que disputou. Pouco tempo depois de descobrir que não ficaria com a vaga para 2021 e seria substituído por Mick Schumacher, o francês se envolveu em um acidente impressionante durante o GP de Bahrain, que encerrou sua temporada duas corridas antes.

O francês compartilha sua recuperação pelo seu Instagram pessoal e com seu conhecido bom humor, Grosjean mostra sua evolução e tranquiliza os fãs que testemunharam o acidente.

 

  • Kevin Magnussen

Kevin Magnussen terminou 2020 em vigésimo lugar, com apenas um ponto (19 a menos que no ano passado), resultado de sua única pontuação no campeonato: o décimo lugar no Grande Prêmio da Hungria. Embora o grid conte com 20 pilotos, as enfermidades de Sergio Pérez, Lance Stroll, Lewis Hamilton e Romain Grosjean levaram outros três pilotos a ingressar oficialmente no campeonato (Nico Hülkenberg, Pietro Fittipaldi e Jack Aitken). Magnussen foi o último colocado entre os que marcaram pontos em 2020.

Assim como houve com Grosjean, a Haas não ficou satisfeita com o desempenho do dinamarquês e decidiu não renovar seu contrato. Ele será substituído por Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, em 2021.

Desejamos a Kevin Magnussen boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: XPB Images

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Ironicamente, a melhor coisa que Magnussen fez durante a temporada foi seu abandono durante o GP de Monza, causando a primeira de muitas confusões. Além disso, o dinamarquês pouco evoluiu durante a temporada e assim como Grosjean, foi dispensado e será substituído por Nikita Mazepin, que também tem atitudes questionáveis.

 

  • Kimi Raikkonen

Kimi Raikkonen terminou o campeonato no décimo-sexto lugar, com quatro pontos (39 a menos que no ano passado). Pontuou apenas em duas corridas, na Toscana e na Emília-Romanha. Esta última foi sua melhor atuação do ano, pois conseguiu superar vários adversários com um carro inferior.

Infelizmente, Raikkonen parece estar longe de seus tempos de glória. Além de seus resultados estarem bem abaixo do desejável, o finlandês foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Sabe-se que Raikkonen é conhecido por seu jeito frio e despreocupado (que lhe renderam o apelido de “Homem de Gelo”), mas esta é uma situação que deve ser encarada com seriedade, não com desprezo. Ainda que Raikkonen, em sua posição como um homem branco e europeu, não tenha sofrido racismo em sua vida, deveria no mínimo ter empatia aos que são injustamente vítimas desse mal da humanidade.

Desejamos a Kimi Raikkonen que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: PA Images

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Um que já deveria estar aproveitando sua aposentadoria em alguma ilha luxuosa ou na fria Finlândia. Talvez pelo peso que seu nome carrega ou simplesmente para esquentar seu assento até um novo piloto estar pronto, Raikkonen segue sem impressionar em mais uma temporada. Na segunda temporada de Drive to Survive, a série documental da Netflix, Raikkonen diz indiretamente que pouco se importa em estar na F1, o que importa é o dinheiro. E é exatamente isso que suas performances demonstram. Mais um ano, veremos finlandês apenas completar o grid, seja pelos benefícios que sua imagem traz (mesmo sendo um piloto rude e pouco carismático) ou por falta de opção da Alfa Romeo. Uma pena para os novos pilotos que esperam sua oportunidade no esporte.

A falta de tato em suas atitudes e declarações sobre o racismo são repugnantes e demonstram como Raikkonen é ignorante e imerso em seu privilégio. Além de não se ajoelhar antes das corridas e muito menos se importar com a questão por trás deste ato, Raikkonen anda por aí com uma cruz muito parecida com um símbolo nazista, a Cruz de Ferro, projetada por Jesse G. James, ator e empresário conhecido por simpatizar com o nazismo (matéria em inglês).

 

  • Antonio Giovinazzi

Antonio Giovinazzi terminou o campeonato em décimo-sétimo lugar com quatro pontos (10 a menos que no ano passado). Pontuou em apenas três corridas: Áustria, Eifel e Emília-Romanha. Embora tenha terminado com a mesma pontuação de seu companheiro Kimi Raikkonen e tendo pontuado em mais ocasiões, a melhor posição de cada um foi adotada como critério de desempate: Raikkonen terminou duas vezes no nono lugar, Giovinazzi teve um nono e dois décimos lugares.

Giovinazzi foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Com isso, a Alfa Romeo se tornou a única equipe que não teve nenhum atleta a se compadecer com a situação. É lamentável que Giovinazzi e Raikkonen tenham manchado o nome de sua equipe dessa forma.

Desejamos a Antonio Giovinazzi que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: Motorsport Images

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Por muitas vezes, esqueci que Giovinazzi estava sequer correndo. Seja por limitações do carro ou por ser apenas um piloto mediano, o italiano ainda não mostrou ao que veio. Por isso, é difícil ter alguma opinião formada sobre ele.

 

  • George Russell

O caso de George Russell é um pouco diferente dos demais pilotos. Na Williams, não foi capaz de pontuar uma única vez. Em sua única corrida pela Mercedes, no Grande Prêmio do Sakhir, como substituto de Lewis Hamilton (que estava com Covid), conseguiu apenas o nono lugar (devido a um erro no pit stop). Por um lado, é uma pena que a própria equipe tenha ceifado a oportunidade de Russell de demonstrar um bom serviço, já que o mesmo superou o titular Valtteri Bottas logo no início da prova. Por outro, foi um belo castigo aos racistas que o utilizaram como escudo para atacar Lance Stroll (alguns usuários do Twitter declararam que estavam torcendo para Russell com todas as forças para que ele superasse Stroll, mesmo o canadense tendo resultados mais brilhantes na carreira – inclusive na Williams – porque Stroll é índio e Russell é branco). Ressaltamos que entre Russell e Stroll não há nenhuma inimizade e que o inglês chegou a cumprimentar o canadense por sua primeira pole. Por causa disso, parabenizamos a primeira pontuação de Russell na carreira, pois ele não tem culpa que gente de moral questionável use seu nome e imagem para fins maléficos.

Se em 2019 Russell foi o único a não pontuar, perdendo para o companheiro Robert Kubica que dirigia com apenas um braço, em 2020 o inglês foi o décimo-oitavo colocado no campeonato, com três pontos (dois pelo nono lugar e um pela volta mais rápida no Grande Prêmio do Sakhir, no qual foi substituído na Williams por Jack Aitken). Ainda é cedo para concluir algo de concreto sobre o talento de Russell, mas já se pode afirmar que ele provou que Bottas não está merecendo sua vaga na Mercedes (o finlandês parece ter medo de enfrentar pilotos jovens, como quando perdeu para Charles Leclerc em 2019 na Áustria na Bélgica). Ele inegavelmente tem muito potencial, mas este não será aproveitado na Williams. Se Max Verstappen recusar a Mercedes novamente, tanto Stroll quanto Russell se mostram ótimos candidatos a substituir Bottas.

Desejamos a George Russell boa sorte em 2021 para que ele consiga mostrar mais do que é capaz.

Foto: DPA

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Depois de tantos pedidos dos fãs nas redes sociais (na verdade, para que Russell substituísse Bottas na Mercedes), o britânico finalmente teve a sua chance de mostrar seu talento no melhor carro do grid e por um erro no pitstop da Mercedes, não conseguiu sua primeira vitória na F1 no movimentado GP de Sakhir. Porém, essa experiencia com a Mercedes serviu apenas para mostrar que ele está pronto para assumir o lugar de qualquer um dos pilotos quando for necessário. O britânico ainda é jovem, tanto em idade quanto em tempo de “casa” e terá tempo o suficiente para mostrar seu talento em equipes mais competitivas.

 

  • Nicholas Latifi

O estreante Nicholas Latifi, da Williams, foi o vigésimo-primeiro colocado do campeonato, sendo o único dos pilotos titulares que não conseguiu pontuar. Mas deve-se notar que foi vencido pelo companheiro George Russell em pontos unicamente porque o inglês participou do Grande Prêmio do Sakhir com a Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid). Isso não significa que um seja melhor do que o outro, mas sim que o desempenho do carro da Williams é tão ruim que nenhum de seus atletas consegue pontuar com aquela carroça.

Desejamos a Nicholas Latifi boa sorte em 2021 para que ele consiga desenvolver seu potencial.

Foto: F1 News

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O vice-campeão da Fórmula 2 de 2019 teve um pouco de dificuldade de desafiar seu companheiro de equipe, seja por conta das deficiências de seu carro ou da expêriencia de Russell. No comparativo lançado no final da temporada pelo perfil da F1, Latifi ficou atrás de Russell em todos os quesitos. O canadense terá a próxima temporada para se aproximar de Russell e quem sabe, superá-lo em alguma etapa. Pelo menos, o canandense tem bom humor para lidar com a longa fase ruim da Williams.

 

  • Bônus: Nico Hülkenberg

 

Como Sergio Pérez e Lance Stroll contraíram Covid, Nico Hülkenberg foi escolhido para substituí-los nas corridas em que ficaram ausentes (Grã-Bretanha, 70º Aniversário – Pérez – e Eifel – Stroll). Com isso, o alemão terminou o campeonato em décimo-quinto lugar, com 10 pontos (obtidos nos Grandes Prêmios do  70º Aniversário e do Eifel, pois na Grã-Bretanha um problema no motor o impediu de largar). Nota-se que ele ficou à frente de seis pilotos titulares e de oito no total (considerando as participações de Jack Aitken e Pietro Fittipaldi, que não conseguiram pontuar).

Sua atuação mais elogiável foi no Grande Prêmio do Eifel, no qual foi eleito o “Piloto do Dia” após terminar a corrida em oitavo lugar. Embora tenha apresentado um bom trabalho como substituto, a conduta de Hülkenberg na Fórmula 1 não é das mais éticas. Basta lembrar que ele se recusou a reconhecer a importância do halo quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 após um acidente causado pelo próprio Hülkenberg, e quando fez declarações misóginas ao defender a permanência das infames grid girls na Fórmula 1, revelando ser uma pessoa apática que acha que os carros devem ser perigosos (desde que sejam bonitos esteticamente) e que as mulheres devem, em pleno século XXI, serem vistas como objetos). Não conseguimos entender porque a Racing Point escolheu um sujeito destes para substituir pilotos tão educados e gentis como Pérez e Stroll.

Comentários

Bom, como Rebeca já usou essa reação em outros momentos da temporada, é a minha vez de usar uma foto para o meu comentário sobre Hülkenberg:

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De qualquer maneira, o alemão continua sem pódios, mesmo após 10 anos como piloto de Fórmula 1. Equipes, por favor, não insistam mais nesse cara para o ano que vem e busquem saber mais sobre os outros pilotos reservas disponíveis e com muito mais talento que Hülkenberg, como o próprio Pietro Fittipaldi, que teve um ótimo desempenho nos GPs em que substituiu Grosjean – dentro do permitido pelo carro da Haas – e Alex Albon, que será reserva da Red Bull, que por sinal, já anunciou que o tailandês estará disponível para empréstimos às outras equipes na temporada de 2021. Por favor, o Hülkenberg já deu o que tinha que dar e provou que não é o bastante.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2020 trouxe um agravante na crise da Ferrari, a evolução da Racing Point e a continuação do desenvolvimento da McLaren, que permitiu que as duas equipes inglesas se mostrassem como potências na Fórmula 1, enquanto que o time italiano perde espaço. A Mercedes ainda é a força comandante da categoria, e a Red Bull continua em sua busca desesperada por uma oportunidade de lutar de igual para igual com a escuderia alemã. Algumas corridas, como Toscana , Turquia e Emília-Romanha decepcionaram em seus papéis como substitutas das corridas canceladas pela pandemia de Covid-19, enquanto outras, como Estíria e Sakhir proporcionaram belos show à categoria. Em 2021 haverá novos pilotos e outros desafios, tornando imprevisível seu resultado, mas esperamos que não haja outra pandemia para que a Fórmula 1 continue firme e forte de acordo com sua organização inicial.

Análise Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 | 2020 Abu Dhabi Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 13 de dezembro, o Grande Prêmio de Abu Dhabi foi a última corrida da temporada de 2020. O circuito de Yas Marina traz uma paisagem linda ao espetáculo da Fórmula 1, no entanto seu traçado não é propício a ultrapassagens. Logo, as corridas em Abu Dhabi costumam terminar de maneira semelhante à que começam.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Valtteri Bottas (Mercedes). Esta é apenas a segunda vez que um carro de uma equipe diferente da Mercedes começa a corrida do primeiro lugar, a primeira foi com Lance Stroll (Racing Point) no Grande Prêmio da Turquia. Lewis Hamilton (Mercedes) voltou ao grid após se recuperar da Covid-19. Durante as primeiras voltas não houve muitas surpresas, mas Sergio Pérez (Racing Point) indicava que mudaria o rumo da corrida. Largando em 19º devido a uma troca no motor, o mexicano foi passando os adversários um a um. Infelizmente, foi obrigado a abandonar devido a um problema no mesmo motor. Com isso, o safety car foi acionado.

Muitos pilotos aproveitaram para trocar os pneus. Um deles foi Carlos Sainz Jr. (McLaren), que andou excessivamente lento nos boxes e foi investigado pelos comissários. No entanto, estes decidiram analisar o caso após a corrida. Os pilotos da Ferrari, Charles Leclerc e Sebastian Vettel, foram alguns dos que não fizeram trocas de pneus, consequentemente acabaram atrapalhando o desempenho de alguns pilotos, como Stroll, Pierre Gasly (AlphaTauri) e seu companheiro Daniil Kvyat. Outro que não fez pit stop durante o safety car foi Daniel Ricciardo (Renault). Lando Norris (McLaren) foi orientado pela equipe a passá-lo, mas isso só foi possível quando Ricciardo trocou os pneus.

Max Verstappen foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Lewis Hamilton emm terceiro. A análise de hoje foi curta porque não houve praticamente nenhum momento emocionante. Foi uma pena que Sergio Pérez tenha abandonado, pois sua última corrida foi excelente: foi de vítima de um acidente a vencedor. No mais, o Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 só provou o que foi dito no começo da análise: pista bonita, corrida chata. Nos vemos em breve na análise da temporada. Este ano teremos surpresas.

É a segunda vez que eu (Rebeca) fico igual ao Hiashi depois de uma corrida.

Nota: Como Adriana não está se sentindo bem, hoje apenas Rebeca dará opinião e notas. Desejamos melhoras à Adriana

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 foi uma corrida tediosa. A FOM acabou mostrando praticamente apenas o meio do grid porque a ponta estava tranquila. Uma vez disse a um amigo (que por sinal é editor-chefe de um grande site de Fórmula 1 aqui do Brasil e esteve na minha banca de TCC: abraços para o Gabriel) que toda corrida vencida por Max Verstappen é emocionante (lembrem-se por exemplo do Grande Prêmio da Espanha de 2016 e do Grande Prêmio da Alemanha de 2019). Mas esta foi a exceção.

Sem falar no quão é ruim quando temos um comentarista que só fala besteira: é o caso de Luciano Burti, que agiu como cheerleader da McLaren, alegando uma conduta imprópria da Racing Point (como se a McLaren fosse exemplo de ética esportiva, vide o escândalo de espionagem em 2007). Espero que para o ano que vem a equipe brasileira responsável pela narração e comentários da Fórmula 1 seja outra, pois esta definitivamente já deu o que tinha que dar.

Notas

Corrida: 3

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Valtteri Bottas: 9
  3. Lewis Hamilton: 9
  4. Alexander Albon: 9
  5. Lando Norris: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 8
  7. Daniel Ricciardo: 8
  8. Pierre Gasly: 7,5
  9. Lance Stroll: 7
  10. Daniil Kvyat: 6
  11. Kimi Raikkonen: 6
  12. Charles Leclerc: 3
  13. Sebastian Vettel: 3
  14. George Russell: 5
  15. Antonio Giovinazzi: 5
  16. Nicholas Latifi: 6
  17. Kevin Magnussen: 5
  18. Pietro Fittipaldi: 5

 

Abandonou

  1. Sergio Pérez: 10 de consolação

 

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Max Verstappen

Piores pilotos: Charles Leclerc e Sebastian Vettel

Análise Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 | 2020 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 1º de novembro, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola. Esta pista, usada pela última vez na categoria em 2006, foi palco de duas das maiores tragédias da história do automobilismo: as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em 1994. Para suprir o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia de Covid-19, a Fórmula 1 optou por reviver provas que há muito tempo não eram disputadas. No caso de Ímola, a etapa teve o nome alterado: foi batizada de “Grande Prêmio da Emília-Romanha” depois de anos sendo chamada de “Grande Prêmio de San Marino”.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (AlphaTauri) completaram a segunda fila. O francês, inclusive, usou um capacete em homenagem a Senna. Logo na primeira volta, Kevin Magnussen (Haas). Lance Stroll (Racing Point) teve um toque com a traseira de Esteban Ocon (Renault), forçando o canadense a trocar a asa dianteira. Além disso, foi o primeiro da corrida a colocar pneus duros.

Durante a primeira metade da prova, não houve muitos momentos marcantes. Carlos Sainz Jr. (McLaren) fez a única ultrapassagem desse tempo, sobre o companheiro Lando Norris. Gasly foi o primeiro a abandonar devido a um problema de motor. Verstappen se aproximava de Bottas, mantendo um ritmo melhor que o do finlandês. Mais tarde, o motor de Ocon obrigou o hispano-francês a estacionar o carro na grama. O safety car virtual foi acionado.

Daniil Kvyat (AlphaTauri) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) faziam uma boa corrida. O russo disputava posições constantemente com Alexander Albon (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari). O finlandês se manteve firme entre os seis primeiros colocados. Enquanto isso, na frente do grid, Verstappen ultrapassou Bottas e Hamilton se consolidou como líder.

No entanto, a alegria do holandês não durou muito, pois rodou e parou na brita. O safety car entrou na pista e muitos aproveitaram para trocar os pneus. George Russell (Williams) rodou sozinho e quase bateu em Sainz, sendo o quarto a abandonar. O último a se retirar foi Magnussen, que após a saída do safety car sentiu enxaqueca.

A estratégia de troca de pneus foi essencial para o destino da corrida. A Racing Point chamou Sergio Pérez, que estava em terceiro lugar, para trocar os pneus, e o mexicano foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Kvyat, Albon e Leclerc. Em nenhum momento Bottas foi capaz de ameaçar Hamilton.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo lugar e Daniel Ricciardo em terceiro. O Grande Prêmio da Emília-Romanha deixou escancarado que Ímola é uma pista de emergência, pois houve pouquíssimas ultrapassagens e a corrida foi bem monótona até a segunda metade. A Fórmula 1 precisou improvisar para manter os investimentos pré-pandemia, e é compreensivo que algumas pistas não muito atrativas tiveram que ser usadas. No entanto, o resultado não é muito agradável, pois a corrida de hoje parecia com o Grande Prêmio da França em termos de marasmo. É como se a Fórmula 1 quisesse compensar o cancelamento de uma corrida chata fazendo outra corrida chata.

E aí, Kimi? Como foi a corrida?

Opinião da Rebeca:

Eu sinceramente acho uma falta de respeito reutilizar o Circuito de Ímola na Fórmula 1. Em uma época em que os carros são mais velozes, a categoria deveria aproveitar pistas que facilitam ultrapassagens, não que dificultam. Como descrito na análise, a primeira metade da corrida foi muito chata, com praticamente uma única ultrapassagem (de Carlos Sainz Jr. sobre Lando Norris). Estava quase desistindo de assistir àquela chatice, mas o meu trabalho falou mais alto.

Uma observação pessoal: não sei se apenas eu reparei nisso, mas o Autódromo Enzo e Dino Ferrari tem um formato de um ânus. Aí fica meio previsível como que vai terminar a corrida, não é?

Opinião da Adriana:

Eu vou ser sincera (como sempre sou) e dizer que eu quase desisti dessa corrida. E que bom que eu não desisti. 

Hoje, vou desconsiderar as primeiras 50 e poucas voltas e falar só das últimas porque foi aí que tudo começou a ficar bom. Eu fiquei muito triste com o abandono do Russell, foi de cortar o coração vê-lo daquele jeito. Mas eu tenho certeza que ele consegue um ponto até o final dessa temporada (ou pelo menos espero).

Não pensei que Ricciardo iria tão bem esse fim de semana. Inclusive sonhei que ele tinha um fim de semana horrível e não é que ele falou “hoje não”? E que bom, porque só um pódio incomum salvaria essa corrida.

Que alegria vê-lo mais uma vez no pódio, se consagrando como um grande piloto que sempre foi. As sete vitórias na Red Bull demonstraram isso mas os dois pódios pela Renault, que não promete em nada com seu carro intermediário, ele apenas confirma sua grandeza. E que venha a McLaren com motor Mercedes!

Mais uma vez, fico muito feliz com o desempenho de Pérez, que prova mais uma vez como merece uma vaga para o ano que vem. Por outro lado, Gasly, que vinha de um fim de semana forte e com um ótimo desempenho, teve que abandonar o GP logo nas primeiras voltas. Uma pena para o francês.

Kvyat parece que finalmente acordou (agora, você jura?) mas pelo o que Helmut Marko disse em entrevistas neste sábado, a vaga já é de Tsunoda. Já estou torcendo pelo japonês.

Enfim, eu tremi, gritei, fiquei nervosa e não acreditei que Ricciardo conseguiria outro pódio e ele conseguiu. Essa temporada está de parabéns por nos proporcionar esse tipo de entretenimento durante tempos tão difíceis para o mundo.

Notas

Corrida: 5 (Rebeca) 7 (Adriana: ela ainda foi chata pela maior parte do tempo, então é essa a nota)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  3. Daniel Ricciardo: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  4. Daniil Kvyat: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Charles Leclerc: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  8. Lando Norris: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  9. Kimi Raikkonen: 10 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Antonio Giovinazzi: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Nicholas Latifi: 8 (Rebeca e Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Lance Stroll: 6 (Rebeca e Adriana)
  14. Romain Grosjean: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Alexander Albon: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)

Abandonaram

  1. George Russell: 3 (Rebeca) 8 (Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  3. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 4 (Adriana)
  4. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 10 de consolação (Rebeca) 8 (Adriana: ele estava indo muito bem até abandonar, deu dó)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Kimi Raikkonen

Melhor piloto: Kimi Raikkonen (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Alexander Albon (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio de Portugal de 2020 | 2020 Portuguese Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 25 de outubro, o Grande Prêmio de Portugal de 2020 teve como palco o Circuito de Portimão (Autódromo Internacional do Algarve), uma pista usada em competições como a Fórmula 3. A última vez que a Fórmula 1 esteve no país foi em 1996, sendo usado o Circuito do Estoril. E, como dizem os portugueses, esta prova foi “bestial”.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Logo na primeira volta houve várias ultrapassagens e um toque entre Verstappen e Sergio Pérez (Racing Point) que colocou o mexicano no último lugar do grid. Seu companheiro Lance Stroll superava vários adversários e chegou à zona de pontuação em pouco tempo.

Carlos Sainz Jr. (McLaren) chegou a liderar a prova na primeira volta, mas logo foi ultrapassado por Bottas e Hamilton. Enquanto isso, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Stroll subiam de posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) chegou a ficar entre os 10 colocados, mas logo foi superado. Pérez também conseguiu compensar o prejuízo e chegou à zona de pontuação com menos de 1/3 da prova concluída. Hamilton recuperou a liderança.

Na volta 22, numa tentativa de ultrapassar Lando Norris (McLaren), Stroll colidiu com o inglês, obrigando ambos a fazer pit stop. O canadense foi punido com 5 segundos e em seguida com mais 5 por ter excedido os limites da pista. Como bem notado pela Adriana, quando Verstappen colidiu com Stroll exatamente do mesmo jeito nos treinos livres, os comissários optaram por não punir ninguém, mas na corrida penalizaram Stroll (triste coincidência um indígena sofrer numa corrida em Portugal). O piloto da Racing Point abandonou a prova depois por problemas no carro.

Na volta 50, Daniel Ricciardo (Renault) foi ultrapassado por Gasly e Sainz. O australiano também havia conseguido boas posições até então.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Max Verstappen em terceiro. O Grande Prêmio de Portugal teve muitas reviravoltas e ultrapassagens, o que torna a corrida muito emocionante, embora nem sempre as emoções sejam positivas. Os eventos mostraram que há pilotos com muita sede de vitória, ou no mínimo de melhores posições, mas a prudência sempre deve vir antes.

Resumo da corrida, por Dilma Rousseff.

Opinião da Rebeca:

No começo o Grande Prêmio de Portugal parecia surpreender, mas no fim acabou do mesmo jeito que a maioria das corridas de 2020. Como apontado na análise, reconheço que Lance Stroll teve responsabilidade pela colisão com Lando Norris, mas os comissários deveriam ter coerência em suas decisões e punir todos os pilotos que fazem o mesmo (inclusive Max Verstappen). É como disse Luciano Burti sobre o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2017: “se você só faz justiça com um, está fazendo uma injustiça”. Na ocasião, os comissários haviam punido Verstappen por ter excedido os limites da pista, mas outros fizeram o mesmo e não foram punidos. Em minha sincera opinião, a FIA deveria importar os juízes da FIFA (e olha que também não confio totalmente nestes).

Minha reação à batida na volta 22.

Opinião da Adriana:

E temos um novo recorde na Fórmula 1! Que privilégio ver Hamilton sendo o maior vencedor de todos os tempos! Ele merece e muito, que exemplo de piloto e pessoa. Sem dúvidas, o maior de todos os tempos.

E para falar a verdade, ainda bem que alguma coisa boa aconteceu nessa corrida. Eu detesto corridas onde eu fico mais nervosa do que qualquer coisa. O que começou com uma confusão, prometendo mais uma corrida com novos resultados, acabou do mesmo jeito e só serviu para nos entregar mais uma conquista arrasadora de Hamilton.

Acho que o comissário dessa corrida foi a Oprah porque o tanto de bandeira preta e branca que tivemos foi surreal. Tirando isso, mais uma corrida morna. 

Merecidíssimo o Piloto do Dia ser de Pérez, que após o incidente com Verstappen, conseguiu fazer uma corrida de recuperação maravilhosa. Quero dar uma ligadinha pra Racing Point e perguntar como eles estão depois de dispensar o mexicano…

Também noto aqui a destreza de Ocon em conseguir tantas voltas com seus pneus, parando apenas nas últimas voltas da corrida. 

E aproveito do meu espaço para manifestar o meu repúdio às atitudes de Verstappen na sexta-feira, logo após seu incidente com Stroll. Usar de palavras ofensivas que atinge pessoas de deficiência intelectual, não se desculpar depois por classificar “não ser um problema seu” e ter sua atitude justificada pelo “calor do momento” é repugnante e não deveria ter nem espaço na Fórmula 1 para esse tipo de atitude. Até porque todos corremos como um, não é mesmo?

Notas

Corrida: 7 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Max Verstappen: 7 (Rebeca: era para ser 8, mas vou tirar um ponto pela grosseria nos treinos) (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  6. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  8. Esteban Ocon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  10. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 5 (Adriana)
  12. Alexander Albon: 6 (Rebeca) 5 (Adriana)
  13. Lando Norris: 6 (Rebeca: se eu souber que você andou xingando o Lance na imprensa, a nota muda para 0; entendo a frustração, mas cortesia em primeiro lugar) 5 (Adriana)
  14. George Russell: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  15. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  16. Kevin Magnussen: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)
  17. Romain Grosjean: 4 (Rebeca e Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  19. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonou

  1. Lance Stroll: 9/3 (Rebeca: diferente dos comissários eu serei coerente; como no Grande Prêmio da China de 2018 eu dei uma nota alta para o Verstappen mesmo com a batida no Vettel porque o holandês havia feito uma boa prova, darei duas notas ao Lance, 9 pelo ótimo começo de corrida, 3 pela batida) 6 (Adriana)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca) | Lewis Hamilton e Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca) | Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat (Adriana: já tão fazendo hora extra já)

Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina

Nota: esse é um artigo de opinião. Mesmo assim, baseio minha opinião em fatos e estes estarão devidamente linkados ao decorrer do artigo. O texto é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a opinião do site.

Como é cediço e comentei um pouco sobre essa situação na opinião do GP da Toscana, decidi fazer com que meu primeiro post completamente independente seja sobre essa novela da demissão de Sergio Pérez e a contratação de Sebastian Vettel pela futura Aston Martin, anunciada nas últimas quarta e quinta-feiras (9 e 10), respectivamente.

A Racing Point decidiu rescindir seu contrato com o mexicano Sergio Pérez, que estava garantido na equipe para a próxima temporada. Contudo, para dar espaço ao novo contratado, a “Mercedes rosa” decidiu sacrificar Pérez. 

Em uma das milhares de redes sociais que temos na internet, houve uma grande mobilização dos fãs de ambos os lados – tanto comemorando o fato de Vettel continuar na F1 e lamentando a despedida de Checo – e foi aí que me surgiu a inspiração para tornar meu ponto de vista em um devido artigo de opinião aqui.

Mesmo sabendo que esse esporte é movido por dinheiro, negociações e movimentações políticas, dói ver um piloto que de algum jeito lhe representa em um esporte majoritariamente branco e europeu. Eu, que tenho muitas ressalvas quanto a essa negociação, o piloto contratado para substituir Pérez e a maneira com que o mexicano foi tirado de sua equipe, não pude deixar de sentir tristeza por Checo. Afinal de contas, estamos lidando com pessoas que, além de simples atletas, têm suas histórias de superação e ainda mais considerando que o México não é historicamente conhecido na Fórmula 1.

Pérez saiu do México aos 15 anos para morar sozinho na Alemanha, a fim de começar sua carreira na Europa. Passando pelas categorias de base como a Fórmula BMW, A1 Grand Prix, Fórmula 3 e a GP2 (agora conhecida como a Fórmula 2), o mexicano provou seu talento e conseguiu entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari, onde continuou até 2012. Sua carreira na Fórmula 1 também é marcada por times tradicionais, como a Sauber – 2011 a 2012 -, McLaren – 2013, onde sofreu uma quebra de contrato muito parecida com sua situação atual – e desde 2014, está na Racing Point, que também já foi chamada de Force India.

Durante sua carreira, Checo teve apoio do, até então, homem mais rico do mundo, Carlos Slim, apelidado de “Rei Midas das telecomunicações”. Uma de suas empresas mais conhecida é a Claro, que é muito popular por toda a América Latina por ser provedora de operadora para celulares e pelo menos no Brasil, internet banda larga, serviços de telefonia fixa e até mesmo TV a cabo. Slim também organiza a Escudería Telmex, que apoia e divulga pilotos latino-americanos, como Tatiana Calderón (primeira mulher latino americana a pilotar um F1, durante o 1º treino livre GP do México de 2018), Pietro Fittipaldi e o próprio Pérez.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (algum dos) pilotos latinos apoiados pela Escudería Telmex [1, 2, 3]

O debate, que por um lado, lamentava a falta de representatividade latina no esporte, apresentava argumentos lúcidos, elencando as dificuldades enfrentadas por pessoas da América Latina e o quanto esses países perderam seus representantes durante os anos. No Brasil, por exemplo, seu último piloto foi Felipe Massa, que deixou a categoria em 2018. Vale ressaltar que, além de estar dois anos sem um piloto brasileiro, a maior emissora de canal aberto do Brasil, Globo, não exibirá mais as corridas a partir de 2021. Outro ponto é que o circuito de Interlagos também corre o risco de ficar de fora do calendário de 2021, visto que seu contrato vence em 2020, sem previsões para renovação visto a batalha judicial para a construção do circuito em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A segunda corrida sediada na América Latina é justamente no México, que tem uma previsão quase certa para ser renovado por mais temporadas (link em inglês).

Durante sua então longa carreira com a Racing Point, em 2018, quando a então Force India passava por dificuldades financeiras após a declaração de falência do  ex-dono e chefe de equipe Vijay Mallya, o mexicano entrou com uma ação contra a equipe, no qual alegou ser “necessário” a fim de salvá-la e garantir o emprego de seus funcionários. Logo depois, Lawrence Stroll comprou de vez a equipe e concretizou isso, tornando-se hoje a conhecida Racing Point.

Após o comunicado de sua saída, Pérez não escondeu sua surpresa com a decisão de Lawrence Stroll, que teve sua confirmação na última quarta-feira. Inclusive, alguns sites afirmam que Checo escutou “pelas paredes” uma conversa do empresário com a equipe jurídica da Racing Point sobre a contratação de Vettel durante o GP de Monza. Imagine você estar na equipe há anos, ajudar na recuperação financeira a fim de evitar seu fechamento e escutar pelas paredes que estavam contratando outra pessoa para te substituir? Eu, no mínimo, viraria uma arara.

O mexicano também não escondeu sua gratidão ao time na nota oficial que postou em seus perfis, afirmando que “manterá em sua memória os momentos felizes que viveu com a equipe, as amizades e a satisfação em sempre dar o seu melhor”. Além disso, desejou sorte à equipe, chefiada por Lawrence, ainda mais com o novo projeto da Aston Martin. O comunicado na íntegra pode ser lido em seu tweet, escrito em inglês e espanhol.

Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que uma equipe rompe o contrato com Checo, mesmo tendo um ano já garantido. Em 2013, a McLaren decidiu dispensá-lo para contratar o dinamarquês Kevin Magnussen. O comunicado da saída também foi anunciado por Pérez, que agradeceu pela oportunidade na histórica equipe. “Foi uma honra estar em uma das equipes mais competitivas do esporte e nunca imaginei que faria parte do time. Sempre dei o meu melhor para a equipe e infelizmente não consegui o resultado que gostaria neste histórico time”, disse. Da mesma maneira que destacou em sua despedida à Racing Point, Checo também lembrou das amizades que conquistou dentro da equipe.

Tradução: “Estou muito triste, cara. Você sabe disso, toda a nossa equipe técnica está” – Mikey
“Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu #amigosparaavida” 15- Sergio

Mikey é um dos mecânicos de Checo e esse foi o seu comentário no post de despedida [4]

Com toda essa repercussão e pegando os fãs de surpresa, as reações foram rápidas de ambas as partes, seja de apoiadores de Vettel e Pérez. Os fãs do alemão comemoraram a nova oportunidade e os do mexicano (e até mesmo quem não o apoiava) ficaram chocados com a maneira que a negociação, conforme exposta por Checo, repentina foi levada. Com isso, começou a discussão citada no começo deste artigo.

É importante contextualizar a carreira de Sergio, desde o começo com as categorias de base, as equipes pelas quais passou pela F1 até o derradeiro momento de sua demissão para chegar no ponto em que quero focar neste artigo: a representatividade latina. 

Como apontado por uma amiga, durante a era de 2010 na F1, tivemos muitos pilotos latinos como os brasileiros Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; os mexicanos Esteban Gutierrez e Sergio Pérez e o venezuelano Pastor Maldonado. Cada um teve o seu destino dentro do esporte e por diversas situações, não continuaram na Fórmula 1. Olhando para o cenário de hoje em dia, vemos como isso foi bom na época, afinal, tínhamos finalmente um pouco de diversidade! Mas desde 2018, Checo é o único latino no esporte. Isso não soa um pouco estranho?

Muitos dos pilotos listados acima sofreram com o escracho da mídia, como por exemplo, Pastor Maldonado. Quantas vezes o venezuelano não foi motivo de chacota? Quantas vezes não encontramos um meme no Facebook, por exemplo, zombando de sua fama de “bate-bate”? E com Rubinho? Até hoje, vemos memes com o “atrasado”, “lento”, “eterno segundo piloto”.

Quando as vozes dos fãs latinos se uniram e começaram a apresentar argumentos extremamente válidos com a sua tristeza quanto à situação envolvendo Checo, é lógico que surgiriam opiniões contrárias. “Mas aonde fica a representação dos pilotos balcãs?”, alguém postou em tom extremamente sarcástico, dando a entender que “não são só os latinos que sofrem com falta de representatividade”. “Mas se Kvyat, que é do leste europeu, saísse da categoria, vocês vão se chatear desse jeito?”, questionou outro.

E é aí que tudo desandou. O debate em si não era mais sobre pilotos e sim sobre representatividade. Assim como a carreira icônica de Senna motivou várias crianças brasileiras – e do mundo afora, como aconteceu com o atual hexacampeão Lewis Hamilton -, a serem pilotos. Quantos programas voltados ao kart surgiram no Brasil, graças a essa visibilidade de Senna? Vários, inúmeros e acho que não conseguiríamos contar nem se quiséssemos. Seu sobrinho, Bruno, seguiu a carreira automobilística e ainda é piloto profissional, agora competindo pelo Campeonato Mundial de Endurance.

Agora, imagine como uma criança mexicana que viu Checo conquistando seu espaço no esporte ano após ano, superando todas as dificuldades, até a ameaça de falência da equipe pela qual competiu na F1, se sentiu ao saber desse rompimento abrupto de seu contrato. Imagine saber que a pessoa que mais se parece com você no grid pode não estar lá em 2021. Isso excede a disputa entre pilotos. Isso não é mais sobre Fulano ou Sicrano.

Sauber, McLaren, Force India e Racing Point… qual será a próxima equipe de Checo? [5, 6, 7, 8]

O ponto que mais me revoltou nessa tour toda foi saber que a dor do outro, de alguém que se vê representado em um piloto da mesma etnia serve de zombaria. Serve de comparação. E o engraçado, de uma forma trágica, é saber que muitas dessas pessoas apoiaram o movimento Vidas Negras Importam e criticaram fervorosamente os pilotos que não se ajoelharam, em respeito ao movimento e ao único piloto negro do grid. Você não pode simplesmente defender uma comunidade que sempre sofreu com o racismo e quando tem a oportunidade de escutar e aprender com uma outra etnia que sofre diariamente com racismo e xenofobia, você opta por fazer pouco caso. 

Como eu comentei com meus amigos mais próximos, além de ser performativo, é nojento. Sabe aquela expressão “lacrastes?” usada muito no Twitter? Então, isso se aplica nessa situação perfeitamente. Você chega a se questionar se a posição antirracista performada no perfil da pessoa era sincera ou apenas um personagem criado para likes. Eu fico com a segunda opção.

Uma pessoa, nesse debate todo, disse que não estava triste pela perda do piloto em si e sim, pela perda de representação no automobilismo. Justo no ano em que a F1 se viu obrigada a criar uma campanha para a diversidade – basicamente pressionada por Lewis, o que acho correto a imposição do britânico -, é difícil engolir isso apenas como uma simples “dança das cadeiras”. Sabemos, enquanto latinos, como somos discriminados por padrões e estereótipos forçados pela mídia e esse tipo de racismo estrutural nos força a ocupar um espaço de coadjuvante, reforça a necessidade de apagar a nossa narrativa, nos mantém invisível e nos impede de ocupar espaços.

Eu, como sempre vi Checo no grid desde quando comecei a ver F1, senti uma profunda tristeza ao saber de sua saída. Considero o mexicano um piloto talentoso, com potencial de desenvolver sua pilotagem a cada temporada e vejo nele o amor pelo esporte. Considerei essa movimentação interna da Racing Point truculenta com o mexicano e agora, interpreto as declarações de Otmar como meros blefes (que foram péssimos, afinal). [1, 2, 3]

Já existem rumores de sua ida à Indy com a McLaren e até mesmo para a Red Bull (vídeo em espanhol). Vale lembrar que essa informação veio da mesma jornalista que cravou a volta de Alonso com a Renault, mas até agora, não se passam de rumores. A Fórmula E parece um mercado bom para ele, que já abrigou ex-pilotos como Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr e Antonio Félix da Costa, que ou já foram dispensados de forma não muito amigável, para ser legal, da Fórmula 1 ou de seus programas de formação, no caso de da Costa.

Espero que Checo consiga algum lugar na Fórmula 1 e em alguma outra categoria em que seja tratado com o respeito que merece. Afinal de contas, não é esse tipo de tratamento que o “prodígio mexicano” (em inglês) merece.

Enquanto aguardamos seu próximo passo, Checo terá o restante da temporada para orgulhar todos os latinos [9]

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

4. Captura de tela da seção de comentários do Instagram de Sergio Pérez

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

Análise Grande Prêmio da Espanha de 2020 | 2020 Spanish Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 16 de agosto, o Grande Prêmio da Espanha de 2020 foi uma corrida emocionante. Realizada no Circuito da Catalunha, a prova teve disputas impressionantes e uma boa amostra do trabalho dos estrategistas, fundamentais para o resultado final.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position ao lado de Valtteri Bottas, seu companheiro de equipe. Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point) completaram a segunda fila. Mas a surpresa da largada foi Lance Stroll (Racing Point), que fez uma brilhante ultrapassagem em cima de Pérez e Bottas. O canadense se manteve à frente do finlandês por muito tempo. Verstappen assumiu a segunda posição.

No final da parte do meio do grid, Sebastian Vettel (Ferrari) era ameaçado por Daniil Kvyat (Alpha Tauri) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se defendia de Esteban Ocon (Renault). Algumas voltas depois, outro piloto se juntaria a essas brigas. Alexander Albon (Red Bull) não conseguia se aproximar da dupla da Racing Point. Com a troca de pneus, ele foi parar próximo ao fim do grid. O tailandês teve algumas dificuldades para recuperar as posições.

Verstappen teve atritos com a equipe por causa do gerenciamento dos pneus. Em suas duas paradas, o holandês conseguiu superar Bottas, mas permaneceu atrás de Hamilton. Enquanto isso, Charles Leclerc (Ferrari) perseguia Lando Norris (McLaren), mas seu carro simplesmente desligou, parando em cima de uma curva. O monegasco conseguiu religá-lo e levá-lo para os boxes para se retirar da corrida. Seu abandono foi o único da prova. Pouco depois, Albon enfrentou Carlos Sainz Jr. (McLaren) e os dois quase bateram.

Alguns pilotos demoraram mais para fazer a troca de pneus do que outros. Consequentemente, muitas posições mudariam. Mas mesmo aqueles que só haviam feito uma parada também foram superados na pista. Daniel Ricciardo (Renault) e Vettel foram alguns exemplos. Ambos foram ultrapassados por Stroll. Perto do fim, Pérez e Kvyat receberam punições de cinco segundos por não respeitarem a bandeira azul. O mexicano permaneceu na pista, seguindo a melhor estratégia, pois se parasse para uma troca, perderia mais tempo.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. As corridas no Circuito da Catalunha tendem a precisar do safety car, mas felizmente ele não foi necessário e os pilotos puderam duelar livremente. Apesar do ponto extra pela volta mais rápida, Bottas se mantém atrás de Verstappen no campeonato de pilotos. A Racing Point faz outra corrida excelente, com Lance Stroll vencendo seus adversários e Sergio Pérez mantendo o ritmo que tinha antes de sua pausa devido à Covid-19. A Ferrari e a McLaren, por outro lado, não tiveram sorte. Aguardaremos qual dessas três equipes terá a melhor posição no campeonato.

Qual o feito de Vettel hoje? Perder para todo mundo? Esse é o Driver of the Day…

Opinião da Rebeca:

A edição deste ano do Grande Prêmio da Espanha foi gratificante, pois houve boas disputas durante a prova que garantiram a emoção da corrida. Lance Stroll foi um dos maiores destaques, conseguindo ultrapassar adversários experientes, como Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel (este em uma Ferrari). Isso mostra que tanto ele quanto seu companheiro Sergio Pérez proporcionam resultados formidáveis para a Racing Point, uma das equipes mais invejadas esse ano. Mas não adianta, a Renault pode lançar mil protestos, pode recorrer até o papa, nada vai tirar o talento dos pilotos da Racing Point.

Opinião da Adriana:

Essa temporada começou promissora e agora, todas as corridas são previsíveis. O circuito de Barcelona não é conhecido por proporcionar corridas emocionantes e essa não fugiu do padrão.

Mais uma vez, tivemos algumas disputas entre as equipes intermediárias, mas nada muito emocionante. A largada de Stroll foi sensacional e o baile que ele deu em Bottas nas primeiras voltas mostrou que não basta ter apenas um carro bom, é preciso ser um bom piloto também. 

A rodada de Leclerc mostra que até mesmo com seu primeiro piloto, a Ferrari ainda tem dificuldade em ter um bom ritmo de corrida. A estratégia de Vettel em ficar até o final com seu jogo de pneus lhe rendeu bons pontos, mas o alemão ainda sofre com esse chassi.

Mesmo com a punição de 5 segundos por ignorar a bandeira azul, Pérez é o melhor piloto da corrida para mim. Conseguiu se recuperar da Covid, voltou à pista depois de duas corridas, foi o melhor do resto e conseguiu manter um bom ritmo durante as 55 voltas, somando mais um bom resultado na temporada.

Notas

Corrida: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca) 9 (Adriana)
  2. Max Verstappen: 10 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Lance Stroll: 10 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  5. Sergio Pérez: 9 (Rebeca e Adriana)
  6. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca e Adriana)
  7. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  8. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  9. Pierre Gasly: 8 (Rebeca e Adriana)
  10. Lando Norris: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  11. Daniel Ricciardo: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  12. Daniil Kvyat: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Esteban Ocon: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 7 (Rebeca) 7 (Adriana)
  15. Kevin Magnussen: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  16. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  17. George Russell: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  19. Romain Grosjean: 3 (Rebeca) 4 (Adriana)

 

Abandonou:

  1. Charles Leclerc: 8 (Rebeca) 0 (Adriana)

Driver of the Day (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Romain Grosjean (Rebeca e Adriana)

Renault: Um Passado Que Condena

Durante a temporada de 2020, a Renault F1 Team lançou quatro protestos contra a Racing Point F1 Team alegando que a rival havia copiado o projeto de freios da Mercedes-Benz Grand Prix Limited. As reclamações começaram após o Grande Prêmio da Estíria, o qual os carros do time inglês terminaram à frente dos da escuderia francesa (Sergio Pérez e Lance Stroll cruzaram a linha de chegada respectivamente em sexto e sétimo lugar, enquanto Daniel Ricciardo foi o oitavo colocado e Esteban Ocon abandonou). Desde então, em toda corrida em que os pilotos da Racing Point superavam os da Renault, o time comandado pelo controverso Cyril Abiteboul lançava um novo protesto. Apenas no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em que Ricciardo e Ocon terminaram à frente de Stroll, não houve reclamações.

A priori parece infantil a postura da Renault de querer desclassificar sua adversária porque não consegue vencê-la nas pistas. Todavia, se for analisado o passado da equipe, marcado por trapaças e falcatruas que, inclusive, custaram a carreira de um jovem piloto brasileiro filho de um tricampeão, é possível notar a leviandade e hipocrisia do time francês e levantar a hipótese de que, além de querer subir na classificação do campeonato sem mérito, ela procura apagar seu histórico manchado. Esta matéria fará um breve retrospecto da história da Renault na Fórmula 1 para identificar qual é o verdadeiro objetivo da escuderia em se prestar a esse papel tão baixo.

 

1- Origens obscuras: colaboração com o nazismo

 

A Renault foi fundada como empresa em 1899 por Louis Renault, um industrial de Paris. Em 1938, o empresário se reuniu com Adolf Hitler em pessoa e no ano seguinte se tornou um dos principais fornecedores do exército francês. A Resistência Francesa passou a rejeitá-lo por sua aparente colaboração com o governo de Vichy, que estava a serviço dos nazistas. Em 1942, a força aérea britânica bombardeou as instalações da Renault para enfraquecer o abastecimento das tropas aliadas à Alemanha. Dois anos depois, Louis Renault foi preso acusado de colaborar com os nazistas. Suas fábricas foram expropriadas pelo governo francês.

 

Louis Renault, fundador da Renault e colaborador do regime nazista. (Foto: Famous People) [1]

 

A figura de Louis Renault ainda gera controvérsia entre os historiadores. Alguns afirmam que ele apoiou o nazismo por interesses econômicos, outros dizem que ele foi forçado a colaborar com o regime de Vichy. De qualquer maneira, a empresa teve um papel ativo na Segunda Guerra Mundial, abastecendo o exército francês, aliado de Hitler na época. Muitas fabricantes de carro europeias tiveram experiências parecidas, principalmente as alemãs, e hoje tentam apagar essa mancha em seu passado. Com a Renault não é diferente.

 

2- A Renault enquanto escuderia: um começo desastroso

 

O irmão de Louis Renault, Michel, era apaixonado por automobilismo. Isso despertou o interesse da empresa pelo esporte. No entanto, a Renault ingressou na Fórmula 1 como escuderia somente em 1977. Seu primeiro ano na categoria foi um fracasso. Correndo com apenas um piloto, Jean-Pierre Jabouille, a Équipe Renault Elf encerrou a temporada sem pontos e sem um lugar de classificação. Das oito corridas que participaria, Jabouille desistiu de três, abandonou quatro e não se qualificou para uma.

 

Jean-Pierre Jabouille: primeiro piloto da Renault. (Foto: Carthrottle) [2]

 

No ano seguinte, a escuderia marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio dos Estados Unidos, o qual Jabouille terminou em quarto lugar. A Renault foi a 12ª colocada na classificação final, com três pontos. A primeira vitória do time ocorreu no Grande Prêmio da França de 1979, que colocou a equipe no sexto lugar entre as construtoras, mas também foi a única corrida no qual a Renault pontuou.

 

3- Anos 80: do céu ao primeiro hiato

 

Assim como a Williams, a Renault teve boas temporadas na década de 80. Correndo com Jean-Pierre Jabouille e René Arnoux, a Renault foi a quarta colocada em 1980 (com 38 pontos). No ano seguinte, Alain Prost substituiu Jabouille e o time ficou em terceiro lugar no campeonato, com 54 pontos, repetindo a classificação em 1982, com 62 pontos. O americano Eddie Cheever substituiu Arnoux em 1983, tornando-se o primeiro piloto não-francês a competir pela escuderia, que foi a vice-campeã daquele ano com 79 pontos.

 

Alain Prost foi um dos pilotos da Renault nos anos 80. Hoje, é um de seus embaixadores. (Foto: Renault) [3]

 

Em 1984, a Renault foi a quinta colocada na classificação final, com 34 pontos, e no ano seguinte ficou em sétimo lugar entre as construtoras, com 16 pontos. Patrick Tambay foi seu principal piloto nesses anos, sendo companheiro de Derek Warwick em 1984 e de François Henault em 1985. No ano seguinte, a Renault deixou de participar na Fórmula 1 como escuderia, limitando-se ao papel de fornecedora de motor para as equipes Lotus, Ligier e Tyrrell. Em 1987, ela deixou de fornecer motores, entrando em um hiato que só foi encerrado dois anos depois, quando equipou a vice-campeã Williams.

 

4- Anos 90: sucesso com as campeãs e segundo hiato

 

Durante quase toda a década de 90, a Renault permaneceu como fornecedora de motor na Fórmula 1. Suas parcerias mais bem-sucedidas foram com a Williams e a Benetton, que conquistaram títulos entre 1992 e 1997 (sendo cinco campeonatos vencidos pela Williams e um pela Benetton). No entanto, em 1998, apesar do auge de seus motores, a Renault saiu novamente da Fórmula 1, voltando novamente apenas em 2001, como fornecedora de motor da Benetton, que encerrou o ano no sétimo lugar, com 10 pontos.

 

Michael Schumacher na Benetton em 1994. A equipe utilizava motores Renault. (Foto: site oficial de Michael Schumacher) [4]

 

Até então, a atitude da Renault era encarada como estranha aos olhos de suas concorrentes. Sabe-se que o automobilismo é uma categoria esportiva com muitos custos, mas os resultados obtidos pelas clientes da marca francesa justificariam os investimentos, pois as recompensas pagas pela FIA seriam altas. Nas décadas seguintes, a Renault evitou hiatos, mas embora seus resultados tivessem melhorado, sua participação na Fórmula 1 foi acompanhada de episódios polêmicos.

 

5- Anos 2000: o auge, a ruína e o Singaporegate (ou Crashgate)

 

Em 2002, a Renault voltou para a Fórmula 1 como escuderia, sob o nome de Mild Seven Renault F1 Team. Seus pilotos eram Jarno Trulli e Jenson Button, que lhe renderam 23 pontos e colocaram a equipe no quarto lugar do campeonato. No ano seguinte, o qual o time repetiu a posição de classificação (com 88 pontos), Button foi substituído por um dos pilotos mais controversos da história do esporte: o espanhol Fernando Alonso. Embora responsável pelos melhores momentos da Renault, Alonso foi também um dos personagens de um episódio tão polêmico que atingiu várias equipes e pilotos naquela década.

 

Fernando Alonso ao lado de Michael Schumacher no Grande Prêmio de San Marino de 2005. Aquele ano marcou o primeiro título da Renault na Fórmula 1. (Foto: EssentiallySports) [5]

 

Depois de terminar a temporada de 2004 em terceiro lugar, a Renault conquistou seu primeiro título em 2005. Alonso teve sete vitórias, 15 pódios e mais uma chegada na zona de pontuação, somando 133 pontos. Seu companheiro, Giancarlo Fisichella, somou 58 pontos, com uma vitória, três pódios e mais oito chegadas na zona de pontuação. Além do título, foi a primeira vez que a Renault ultrapassou os 100 pontos em uma temporada, conquistando 191 no total. Em 2006, Alonso repetiu o feito, tornando-se bicampeão com sete vitórias, 14 pódios e mais duas chegadas na zona de pontuação. Fisichella obteve 72 pontos, com uma vitória, cinco pódios e mais 11 chegadas na zona de pontuação. Tendo marcado 206 pontos em 2006, a Renault perdeu Alonso no ano seguinte para a McLaren, na qual o espanhol correu ao lado do estreante Lewis Hamilton, mas o recebeu de volta em 2008. Mesmo com um bom resultado (terceiro lugar entre as construtoras, com 51 pontos) o time francês passou pelo primeiro aperto de sua história no Grande Prêmio do Canadá, no qual Fisichella foi desclassificado após sair do pit lane quando a luz vermelha estava acesa.

 

Giancarlo Fisichella correndo pela Renault. (Foto: Pinterest) [6]

 

Mas a punição a Fisichella estava longe do estrago que viria a acontecer em 2008. Correndo sob o nome de ING Renault F1 Team, a escuderia contratou Nelson Piquet Jr., filho do tricampeão Nelson Piquet, para substituir Fisichella. Naquele ano, Alonso estava longe de seus brilhantes resultados de outrora, e Piquet Jr. (conhecido no Brasil como “Nelsinho”) enfrentava dificuldades para pontuar. Foi então que, na 15ª etapa da temporada, o chefe de equipe Flavio Briatore colocou em prática um plano mirabolante para que o espanhol voltasse a vencer. Ordenou a Nelsinho que batesse seu carro na curva 17 para forçar a entrada do safety car. Com essa manobra, o grid mudou radicalmente. Fernando Alonso venceu a corrida, com Nico Rosberg em segundo e Lewis Hamilton em terceiro. Felipe Massa, que havia liderado boa parte da prova, foi o mais prejudicado a curto prazo: cruzou a linha de chegada em 13º lugar, tendo perdido muito tempo em um pit stop desastroso feito às pressas pelos mecânicos da Ferrari. Alguns torcedores e analistas afirmam que uma vitória de Massa em Singapura, que era dada como certa até a batida de Nelsinho, possibilitaria a conquista do título, que foi vencido por Hamilton.

 

Nelson Piquet Jr. (“Nelsinho”) batendo na curva 17 no Grande Prêmio de Singapura de 2008, conhecido como “Singaporegate” ou “Crashgate”. (Foto: EssentiallySports) [7]

 

Nelsinho foi demitido após o Grande Prêmio da Hungria de 2009. Seu pai recomendou ao filho que delatasse o esquema de Briatore, pois não era justo que o jovem piloto fosse prejudicado por uma ideia de seus superiores. Um inquérito foi instaurado, resultando no banimento de Briatore da Fórmula 1 para toda sua vida e de Pat Symonds, diretor de engenharia da Renault, por cinco anos. Alonso foi inocentado após dizer em tribunal que não sabia do esquema. A justiça francesa intercedeu pela Renault e revogou os banimentos, mas tanto Briatore quanto Symonds aceitaram não voltar mais à Fórmula 1.

 

Flavio Briatore: chefe de equipe da Renault em 2006 e mentor do Crashgate. (Foto: Gero Breloer/EPA) [8]

 

Se na época todas as equipes tivessem agido como a Renault fez em 2020, a escuderia francesa teria sido banida da Fórmula 1 igual a Briatore. O caso, apelidado de “Singaporegate” e de “Crashgate”, não apenas beneficiou Alonso e sua equipe, como prejudicou diretamente a luta de Massa pelo título e a carreira de Nelsinho.

 

6- Renault F1 Team: um velho lobo em nova pele de cordeiro

 

Apesar do vexame do Singaporegate, a Renault não foi banida da Fórmula 1. Com a saída de seus principais patrocinadores, o grupo ING e a Mutua Madrileña, devido à polêmica, o time adotou o nome de Renault F1 Team a partir da temporada de 2010. Tendo sua dupla de pilotos formada por Robert Kubica e Vitaly Petrov, a escuderia começou a década ficando em quinto lugar entre as construtoras, com 163 pontos. No ano seguinte, fez uma fusão com a Lotus que durou até 2014 (a palavra “Renault” saiu do nome da escuderia em 2012). Em 2015, a Lotus correu seu último ano na Fórmula 1, utilizando motores Mercedes. Um ano depois, a Renault saiu dos bastidores e voltou para a categoria como escuderia. Sua principal cliente, a Red Bull (que foi tetracampeã entre 2010 e 2013 com Sebastian Vettel), continuou usando os motores da Renault, mas sob o nome TAG-Heuer.

O primeiro ano do novo retorno da escuderia francesa não foi muito bom. Seus pilotos eram Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Pontuando em apenas três corridas, a Renault foi a nona colocada entre as construtoras, com apenas nove pontos. O ano seguinte foi melhor, com um sexto lugar na classificação final e 57 pontos. Nico Hülkenberg substituiu Palmer no meio da temporada. Em 2018, Carlos Sainz Jr. se juntou ao time em busca de oportunidades de crescimento na carreira. Pontuando em mais ocasiões, a Renault conseguiu o quarto lugar no campeonato.

 

Nico Hülkenberg e Daniel Ricciardo foram desclassificados do Grande Prêmio do Japão de 2019. (Foto: Instagram) [9]

 

No ano seguinte, porém, a situação foi bem diferente. Mesmo contando com bons pilotos, o desempenho do carro apresentou vários problemas, impedindo que Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg alcançassem melhores posições. Seu pior momento foi no Grande Prêmio do Japão, do qual seus dois pilotos foram desclassificados por irregularidades no carro. A Renault somou 91 pontos, fechando 2019 com o quinto lugar. Em 2020, com a saída de Hülkenberg, o time francês contratou um piloto quase tão polêmico quanto Alonso: Esteban Ocon. O hispano-francês havia ficado um ano fora da Fórmula 1 após suas escolhas e decisões terem lhe custado chances em praticamente todas as escuderias (para saber mais, leia Entenda o caso Esteban Ocon).

Terminando 2019 à frente da Racing Point, a Renault não se conformou com o excelente desempenho de sua rival no começo de 2020. Acusou a escuderia britânica de copiar os sistemas da Mercedes, visando desclassificar Sergio Pérez e Lance Stroll das corridas concluídas até então e garantir pontos extras a Ricciardo e Ocon. A “denúncia” tem duas faces, que serão desvendadas a seguir.

 

7- Denunciando a Racing Point: o sujo falando do mal lavado

 

É óbvio que, se houve de fato irregularidades, a Racing Point deveria ser responsabilizada por seus atos e sofrer as devidas sanções. Afinal, nenhuma equipe está acima do regulamento. No entanto, os julgamentos da FIA tendem a ser questionáveis. Um bom exemplo foi a cumplicidade do órgão com a Ferrari, quando a federação acobertou as alterações no carro da escuderia italiana em 2019, abrindo espaço para dúvidas a respeito da legalidade dos ajustes. Das nove equipes restantes, sete se juntaram em uma queixa coletiva contra o acordo entre Ferrari e FIA (apenas as equipes clientes dos motores Ferrari, Alfa Romeo e Haas, ficaram de fora, porém, a Mercedes retirou a queixa semanas depois). As explicações do presidente da federação, Jean Todt (ex-chefe de equipe da Ferrari) não foram convincentes, e o mesmo chegou a declarar que não podia revelar mais detalhes sem a aprovação do time italiano.

 

O famoso duplo-padrão da FIA [10]

 

Como a Racing Point foi uma das integrantes da queixa coletiva, a Ferrari foi uma das equipes a se intrometer no protesto da Renault (mesmo o time francês também fazendo parte da queixa), insinuando que o time inglês deveria ser punido. A McLaren, concorrente da Racing Point em 2020, insinuou que houve cópia, mas que esta não merecia nenhuma sanção. A Mercedes negou participação no projeto da Racing Point, e esta por sua vez sempre alegou sua inocência, afirmando que o desenvolvimento de cada parte do carro foi feito sob a fiscalização da própria FIA.

No dia 7 de agosto, a FIA anunciou que a Racing Point perderia 15 pontos e receberia uma multa, mas a pontuação de seus pilotos permanece inalterada. No entanto, cabe recurso contra a decisão. Com isso, Renault e Ferrari saíram beneficiadas, subindo de posição no ranking das construtoras. A denúncia em si, aparentemente, visaria justiça, pois uma das equipes competidoras estaria burlando o regulamento. No entanto, por que justamente a Renault, cujo passado foi marcado por escândalos, foi a responsável pelo protesto? Se tantos times depois se atreveram a comentar o caso, insinuando culpa da Racing Point, por que nenhum deles moveu o protesto? A resposta é simples: a Renault sabe que não é capaz de produzir um carro para competir de igual para igual com a Racing Point e a McLaren em 2020, portanto, recorrendo aos valores de Flavio Briatore, resolveu arrancar uma “vitória” à força, mexendo na classificação das construtoras. O órgão que julgou o caso também não seria o mais indicado para a função, já que possui histórico de favorecimento à Ferrari, mas é o único que a Fórmula 1 tem para situações como esta.

 

Resumo da ópera [11]

 

8- Conclusão

 

A história da Renault foi construída em cima de episódios lamentáveis. O fundador da marca foi um colaborador do regime nazista. A escuderia passou por dois hiatos entre os anos 80 e 90. Seus dirigentes destruíram a carreira de Nelson Piquet Jr. para que Fernando Alonso tivesse uma vitória em 2008, atrapalhando o rumo de Felipe Massa ao título. Na década de 2010, escondeu seu nome para não passar a vergonha de ser lembrada pelo Singaporegate (ou Crashgate). Atualmente, incapaz de fazer frente à concorrência, se utiliza de meios judiciais para subir de posição no campeonato.

Se a Renault estivesse mesmo sedenta por justiça, se desculparia a todos que prejudicou em sua história e, no mínimo, se retiraria da Fórmula 1 e pararia de manchar o esporte com sua participação vergonhosa. Valores morais é o que esse time não pode alegar, pois deseja que sua concorrente assuma um papel coadjuvante no esporte e que seja conhecida mais pelos memes feitos por torcedores de equipes rivais do que por resultados. A história prova que a verdadeira intenção da Renault é, como se diz no Brasil, ganhar no “tapetão” (sem méritos e por meio de decisões fora dos eventos esportivos). Afinal, se todos os campeonatos forem decididos na justiça, não há necessidade de os carros irem para a pista. Se tem uma coisa que a Renault definitivamente não pode acusar a Racing Point é de agir de má fé, pois nisso a equipe francesa já é especialista.

 

Que coisa, não? [12]

 

9- Bibliografia

 

 

10- Fotos

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