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The Racing Track Awards 2020 – Premiação

Por Adriana Perantoni e Rebeca Pinheiro

 

Antes de divulgar os resultados, nós queríamos agradecer a todos que votaram, tanto nas enquetes no Instagram como no Google Forms. Foram cerca de 400 votos no total e ficamos muito felizes em ver a participação e interação com a premiação. Obrigada mesmo! ❤️ 

Um agradecimento especial aos leitores Henrique Meyer Pinheiro e Helena Silva, por terem votado e compartilhado a premiação com todos os conhecidos. ❤️ 

E agora, vamos aos vencedores!

 

CATEGORIA BOCA DE FOGO

VENCEDOR: LANDO NORRIS (69,65%) 

 

Escolha das autoras:

Nesta categoria, houve um empate entre as autoras. Os dois pilotos mostraram em situações diferentes – Verstappen no lamentável episódio no GP de Portugal e logo após o acidente de Grosjean no GP de Bahrein e Norris pela recorrência de declarações um tanto mal educadas (inclusive com sua própria equipe) -, que merecem o prêmio e por isso, decidimos considerar um empate (no nosso ponto de vista).

 

Essa só quem assistiu Êta Mundo Bom vai entender.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Lando Norris (94,3%) | Max Verstappen (5,7%) 

INSTAGRAM: Lando Norris (45%) | Max Verstappen (55%)

MÉDIA GERAL: Lando Norris (69,65%) | Max Verstappen (30,35%) 

 

CATEGORIA DICK VIGARISTA

VENCEDOR: Charles Leclerc (59,80%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: A escolha entre Charles Leclerc e Daniil Kvyat foi bem difícil. Embora o russo tenha fama de barbeiro (inclusive recebendo o apelido de “torpedo”), o monegasco não ficou muito atrás em 2020. O diferencial entre ambos foi a postura diante dos acidentes. Leclerc agiu com muita arrogância ao se recusar a pedir desculpas aos pilotos que prejudicou (Lance Stroll na Rússia e Sergio Pérez em Sakhir). Por isso, creio que ele mereceu não só o meu voto, como a vitória nesta categoria.

Adriana: nessa categoria, eu escolhi o Charles. Para mim, o ápice dele foi na colisão em Sakhir, onde ele tentou se fazer de desentendido mas não tinha como negar ou esconder sua culpa nesse acidente. O monegasco tem talento mas ainda é muito afobado em suas atitudes, então na minha opinião, mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Charles Leclerc (61,60%) | Daniil Kvyat (38,40%) 

INSTAGRAM: Charles Leclerc (58%) | Daniil Kvyat (42%)

MÉDIA GERAL: Charles Leclerc (59,80%) | Daniil Kvyat (40,20%) 

 

CATEGORIA VITÓRIA INESPERADA

VENCEDOR: Pierre Gasly (51,40%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Outra categoria difícil de escolher um vencedor. Mas, sem querer desmerecer a vitória de Pierre Gasly, creio que a de Sergio Pérez foi mais impressionante. O mexicano havia sofrido um acidente logo no começo do Grande Prêmio do Sakhir, sendo forçado a fazer um pit stop prematuro. Tudo levava a crer que Checo sairia derrotado, mas ele persistiu e superou cada adversário para terminar a corrida com uma belíssima vitória. Gasly também teve um ótimo desempenho na Itália, guiando um carro de uma equipe considerada não suficientemente competitiva até o primeiro lugar do pódio, resistindo aos ataques constantes de Carlos Sainz Jr. Por este motivo, mesmo minha escolha sendo Pérez, acho que Gasly mereceu o prêmio.

Adriana: com toda a certeza, a vitória mais inesperada para mim foi a de Checo em Sakhir. Ele conseguiu sua primeira vitória do último lugar (graças ao “Dick Vigarista”) e quebrou um jejum de 50 anos desde a última vitória mexicana. A reviravolta dessa corrida, junto com a possibilidade do mexicano não ter uma vaga em 2021 (o que finalmente foi descartada com a sua contratação pela Red Bull) e a emoção do mexicano (latinos são todos chorões, não é mesmo?) foram o combo perfeito para tornar essa vitória emocionante do jeito que foi.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Pierre Gasly (44,80%) | Sergio Pérez (55,20%) 

INSTAGRAM: Pierre Gasly (58%) | Sergio Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Pierre Gasly (51,40%) | Sergio Pérez (48,60%)

 

CATEGORIA SURPRESA DA TEMPORADA

VENCEDOR: Desempenho de Gasly (73,95%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na minha análise sobre a categoria “Vitória Inesperada”, Gasly foi um grande destaque no Grande Prêmio da Itália, vencendo com uma AlphaTauri uma corrida difícil, com vários acidentes e imprevistos. Particularmente, acho que a conduta antidesportiva da Renault durante o ano me impede de fazer elogios a seu desempenho (falo da equipe, pois seus pilotos são outro assunto). Daniel Ricciardo definitivamente mereceu seus pódios (o mesmo não posso dizer sobre seu companheiro, minha opinião). Gasly, por outro lado, renasceu das cinzas como uma fênix. Ano passado seu trabalho na Red Bull desagradou a muitos (inclusive essa que vos fala), mas 2020 lhe trouxe merecidos triunfos. E por isso meu voto foi para ele.

Adriana: para mim, os três pódios da Renault foram a surpresa da temporada. A evolução da equipe francesa foi visível e após tantos quase (pelo menos, com Ricciardo), os três pódios mostraram que a Renault era capaz de um bom desenvolvimento do carro, diferente da péssima temporada de 2019. Os pódios foram uma ótima despedida para Ricciardo e Cyril Abiteboul, que não seguirá como chefe de equipe na Alpine, a nova era da Renault na Fórmula 1.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Desempenho de Gasly (80,90%) | Pódios da Renault (19,10%) 

INSTAGRAM: Desempenho de Gasly (67%) | Pódios da Renault (33%) 

MÉDIA GERAL: Desempenho de Gasly (73,95%) | Pódios da Renault (26,05%) 

 

CATEGORIA MOMENTO EMOCIONANTE

VENCEDOR: Resgate de Grosjean no Bahrain (89,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Quando vi o acidente de Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, fiquei muito assustada. Já cogitava a hipótese de o piloto ter se acidentado gravemente. Graças a Deus tudo ficou bem. Sem contar que este momento relembrou a importância do halo (para o caso de haver mais pessoas como Nico Hülkenberg, que priorizam a beleza em vez da segurança). Por isso, meu voto foi para o resgate de Grosjean.

Adriana: Escolhi o heptacampeonato de Hamilton como o momento mais emocionante dessa temporada. Tanto pelo significado do único piloto negro na maior categoria de automobilismo do mundo e por sua representatividade a tantas pessoas que podem se identificar com sua luta e valores. Ver a história sendo feita nessa temporada atípica foi sensacional e ver a emoção de Hamilton ao sair do carro foi indescritível e com certeza, me lembrarei desse evento por muito tempo.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Resgate de Grosjean (87,10%) | Heptacampeonato de Hamilton (12,90%) 

INSTAGRAM: Resgate de Grosjean (92%) | Heptacampeonato de Hamilton (8%)

MÉDIA GERAL: Resgate de Grosjean (89,50%) | Heptacampeonato de Hamilton (10,45%)

 

CATEGORIA GAFE DO ANO

VENCEDOR: Estratégias da Racing Point (57,10%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca:

Uma categoria também bem difícil. A Racing Point fez um ótimo trabalho na engenharia de seus carros e no preparo de seus pilotos, mas os estrategistas foram verdadeiros jumentos em algumas corridas, como o Grande Prêmio da Turquia. A falha no carro de Lance Stroll poderia muito bem ser evitada se a equipe fizesse uma boa vistoria no carro. Creio que, se era inevitável que tanto Stroll quanto Sergio Pérez fossem ultrapassados por Lewis Hamilton (que vinha em alta velocidade), seria melhor deixar o canadense na pista e perder apenas uma posição. Pelo menos haveria um pódio duplo da Racing Point. Em vez disso, o chamaram para uma troca de pneus desnecessária, e a redução da velocidade (devido ao pit stop) somada ao problema na asa dianteira fez com que ele perdesse muitas posições. Ao ver essa trapalhada da equipe, que sempre tem uma desculpa na ponta da língua para enrolar a mídia e os fãs (em vez de contar a verdade: que os estrategistas são incompetentes), me pareceu que o time queria sabotar Stroll de propósito só para os haters pararem de acusar a equipe de favorecê-lo (uma acusação infundada, como você pode ver no artigo de Ricardo Hernandes Meyer). Vou considerar que foi só uma incompetência mesmo, pois seria muita burrice de uma escuderia se autosabotar só para conseguir uma trégua com pessoas infantis que nunca vão mudar seu discurso. Por isso, meu voto foi para as estratégias da Racing Point, embora o pit stop da Mercedes em Sakhir tenha sido vergonhoso, e um ótimo concorrente ao título.

 

 

Adriana: Para mim, a maior gafe foi, sem dúvidas, o pitstop da Mercedes em Sakhir. Eu li em algum lugar que a Mercedes só funciona certinho quando o Lewis está por perto (mas o GP da Alemanha de 2019 tá aí para provar o contrário) e eu acho que essa teoria da conspiração pode até ter um pouco de verdade. 

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Estratégias da Racing Point (89,20%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (10,80%) 

INSTAGRAM: Estratégias da Racing Point (25%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (75%)

MÉDIA GERAL: Estratégias da Racing Point (57,10%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (42,90%)

 

CATEGORIA FOFOCA DO ANO  

VENCEDOR: Demissão do Pérez (65,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu particularmente não soube do lance entre Max Verstappen e Kelly Piquet até a Adriana me contar. Só por este motivo, meu voto foi para a demissão de Sergio Pérez, que foi acompanhada de uma inconstância na narrativa da Racing Point, como já foi muito discutido aqui no site The Racing Track.

Adriana: Essa é para as fofoqueiras de plantão. Quem acompanhou os posts do novo casal do momento sabe que essa fofoca estava cheia de viradas e easter eggs, então sem dúvidas, eu escolhi a vida amorosa de Max. Até o casal se assumir, os pombinhos trocaram emojis, frases de efeito nos comentários e até teve foto vazada dos dois por aí. Leo Dias chorou com o poder de CSI das fãs de F1 naquele dia.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Vida Amorosa de Verstappen (10,30%) | Demissão de Pérez (89,70%) 

INSTAGRAM: Vida Amorosa de Verstappen (58%) | Demissão de Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Vida Amorosa de Verstappen (34,15%) | Demissão de Pérez (65,85%)

 

CATEGORIA ERRRROU

VENCEDOR: Sebastian Vettel (77,05%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sebastian Vettel mais uma vez cometeu erros grosseiros durante o ano. Ele, na verdade, quase foi indicado à categoria Dick Vigarista junto com Charles Leclerc e Daniil Kvyat. É certo que o carro da Ferrari em 2020 não estava nas melhores condições, mas os erros de Vettel ocorrem continuamente desde 2017. Logo, ainda que seus fãs aleguem seu glorioso passado na Red Bull para justificar a trama da compra de ações da Aston Martin para continuar no grid em 2021, o alemão não age exatamente como um campeão, mas como os pilotos que ele tanto criticou por provocarem acidentes (como o próprio Kvyat). Por este motivo, meu voto foi para ele.

 

Volta o cão arrependido…

 

Adriana: Na minha opinião, o próprio Faustão tinha que entregar o prêmio pro vencedor e que também foi o meu escolhido. Não é de hoje que Vettel vem cometendo erros de principiante, como rodadas ou escapadas para fora da pista e essa temporada, com um carro muito aquém do que o tetracampeão está acostumado a guiar, sua pilotagem não foi das melhores. Muitos fãs juram que seu carro foi “sabotado” e que era inferior ao de Leclerc (o que, na minha visão, seria muita burrice por parte da Ferrari se isso fosse verdade), mas tá tudo bem admitir que ele não rende mais como rendia nos tempos da Red Bull, isso pode acontecer com todo e qualquer piloto. Por isso, Vettel mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Alex Albon (12,90%) | Sebastian Vettel (87,10%)

INSTAGRAM: Alex Albon (33%) | Sebastian Vettel (67%)

MÉDIA GERAL: Alex Albon (22,95%) | Sebastian Vettel (77,05%)

 

CATEGORIA VERGONHA DO ANO

VENCEDOR: Pilotos que não ajoelharam (67,90%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Mais uma categoria com duas escolhas bem difíceis. Acredito que o caso de Nikita Mazepin, embora esteja relacionado a sua vida pessoal e não profissional, foi mais do que suficiente para que a Haas o demitisse. Escândalos como este (do assédio sexual a uma moça) são gravíssimos, e mesmo que a escuderia não tenha responsabilidade pelo ato, manter-se ligada a ele pode manchar sua imagem. Mas meu voto foi para os pilotos que não se ajoelharam, pois estes deixaram suas preferências político-partidárias prevalecer sobre a empatia ao próximo. O racismo, na minha opinião, é um mal universal, e deveria ser combatido por todas as vertentes políticas, mas infelizmente não é o que ocorre na vida real. É certo que alguns pilotos se ajoelharam unicamente para se promover (embora sejam a minoria), mas este simples ato de se abaixar demonstraria uma união contra o racismo e apoio às vítimas, que sofrem muito com a discriminação e a violência. Infelizmente, parece nem todos os pilotos pensam em união apesar das diferenças.

Adriana: Essa categoria foi difícil de escolher. Eu escolhi os pilotos que não ajoelharam, pela falta de empatia que tiveram com o único piloto negro da categoria e com toda a comunidade negra. Em momentos como esse, quando se trata sobre vidas negras sendo perdidas por brutalidade policial, temos que avaliar nosso comportamento e além de tudo, adotarmos uma posição antirracista e praticarmos isso no nosso dia a dia. E parece que, mesmo com todo o acesso à informação que esses pilotos têm, escolheram permanecer em sua zona de conforto e ignorância, passando vergonha todo domingo. 

Já sobre Mazepin, infelizmente, o dinheiro fala muito mais alto nestas situações. Para quem não sabe, o russo postou em seu Instagram um vídeo nos stories em que aparece apalpando uma garota, que claramente não quer que isso aconteça e que muito menos seja filmada durante essa situação extremamente humilhante. Algumas horas depois desse infortúnio, Mazepin deletou o vídeo de seu perfil, mas é claro que ele já estava salvo e sendo divulgado pela internet. Mesmo com a repercussão e diversos abaixo-assinados pela internet, especulou-se na época que a Haas teria demitido o sem noção, mas isso não se passou de um mero rumor. Através de um comunicado (a melhor definição, nesse caso, é uma bela “passada de pano”), a equipe divulgou que Mazepin continuaria na equipe e que “o caso seria resolvido internamente”. Com isso, a vítima – que falou sobre o caso em seu Instagram, mas não convém expor a identidade da garota, que já deve ter sofrido o bastante tendo seu trauma exposto e revivido diversas vezes por toda a internet -, terá que ver seu abusador por aí, seguindo sua carreira como se nada tivesse acontecido. 

Então, por isso, tanto faz quem ganhasse essa categoria, pois ambos são uma vergonha catastrófica que marcou a temporada de 2020. E não preciso dizer que vou fingir que esse cara nem está no grid esse ano, não é mesmo?

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Pilotos que não ajoelharam (93,80%) | Mazepin na Haas (6,20%)

INSTAGRAM: Pilotos que não ajoelharam (42%) | Mazepin na Haas (58%)

MÉDIA GERAL: Pilotos que não ajoelharam (67,90%) | Mazepin na Haas (32,10%)

 

CATEGORIA JUMENTO

VENCEDOR: Max Verstappen e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu acompanhei muitas entrevistas com Lance Stroll em minha carreira jornalística (tanto em texto quanto em vídeo e áudio). E devido a algumas pérolas que ele soltou, como responder gêneros musicais ao perguntado sobre artistas e responder bandas ao ser perguntado sobre canções, não saber dizer o nome de um herói nacional de seu país natal (o Canadá) nem o mascote do time de hóquei que ele torce, não saber o que é um Papai Noel (mesmo tendo usado um gorro de Natal anos antes), não saber identificar a bandeira da Espanha (mesmo estando todo ano no país), e dizer que 30 – 29 = 2, eu já comecei a me perguntar se esse piloto não teria fugido da escola. Mas o que lhe deu a indicação à categoria “Jumento” foi sua lealdade a Esteban Ocon. Vamos analisar: imagine que você está sendo acusado de prejudicar uma pessoa, e esta sabe que você é inocente, mas deixa você levar a culpa e ter a reputação linchada, se pronunciando apenas um mês depois que todo mundo já te destruiu. Você consideraria esta pessoa sua “amiga”? Foi exatamente o que aconteceu entre Lance Stroll e Esteban Ocon (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Eu não convivo com nenhum piloto pessoalmente, mas não me lembro de ter visto Ocon interagindo com Stroll durante todo o ano de 2019 (conversei com fã-clubes ligados ao canadense, e eles também não viram). Lembrando que em 2019, Ocon era piloto reserva da Mercedes e vivia no paddock. De repente, em 2020, o hispano-francês volta a se aproximar “magicamente” dele. Não me lembro de ter visto tanta ingenuidade assim desde que li “Chapeuzinho Vermelho”. Também é importante lembrar que houve momentos em que Stroll parecia estar entregando sua posição a Ocon, como no Grande Prêmio de Abu Dhabi, não trazendo benefícios a Ocon, mas prejudicando a posição de Stroll na classificação final do campeonato. Ainda por cima, Stroll brinca com a situação, como se a Fórmula 1 fosse um jogo entre ele e Ocon. Fica a minha pergunta: Lance Stroll é burro, ou simplesmente a pessoa mais ingênua do planeta?

 

 

Mas meu voto foi para Max Verstappen e sua confiança doentia na Red Bull, mesmo que a equipe tenha provado com todas as forças que nunca vai dar ao holandês um carro à altura de seu talento. Leia mais em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

 

 

Adriana: Nessa categoria, fui com a maioria e também escolhi Max e sua confiança na Red Bull. Não sabemos como o carro taurino estará nessa temporada, mas é claro que o próximo campeão com a Red Bull só sairá por um milagre ou eventual falha da Mercedes. O segredo para os tempos dourados da Red Bull estava na mão de Adrian Newey, um dos melhores projetistas da categoria. Com a mudança nas regras e seu afastamento da liderança dos projetos, a Red Bull sofre em achar o acerto perfeito para voltar ao topo, como no início da década de 2010. A confiança que o holandês tem em acreditar que a Red Bull pode lhe tornar um campeão do mundo é louvável, pois demonstra que Verstappen é leal à sua equipe, mas às vezes, beira a burrice. O carro ainda sofre com confiabilidade e por muitas vezes, o deixa na mão mas mesmo assim, ele continua firme e acreditando nas promessas da Red Bull. Também, quem deixaria uma equipe em que seu posto de primeiro piloto é garantido? 

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Lance e sua lealdade (19,60%) | Max e sua confiança na Red Bull (80,40%)

INSTAGRAM: Lance e sua lealdade (50%) | Max e sua confiança na Red Bull (50%)

MÉDIA GERAL: Lance e sua lealdade (34,80%) | Max e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

CATEGORIA PALESTRINHA

VENCEDOR: Esteban Ocon (56,15%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na categoria anterior, na minha opinião, até o Lobo Mau da história da Chapeuzinho Vermelho merece mais confiança do que Esteban Ocon. Este piloto sabe como manipular a mídia a seu favor e a destruir a reputação de seus adversários para que suas más ações sejam mascaradas e ele pose de “coitadinho” (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Mas Ocon não conseguiu repetir o feito com Pierre Gasly no Grande Prêmio da Itália, pois se recusou a cumprimentar o vencedor devido a uma questão pessoal, demonstrando falta de espírito esportivo. Ao final da mesma corrida, ele chegou a receber uma reprimenda do chefe de equipe Cyril Abiteboul por reclamar exageradamente de sua posição final (atrás do companheiro Daniel Ricciardo). Esta atitude imatura lhe rendeu o meu voto.

Adriana: Sabe quando você sente seus olhos dando aquele 360? Essa sou eu quando eu vejo o gráfico do rádio de Sainz na TV. Não é possível que esse menino só abra a boca no rádio para reclamar. Reclama dos outros, reclama do carro, reclama de tudo. O Ocon não fica muito atrás (vide aquela corrida que o Ricciardo ficou na frente dele e ele quis lavar a roupa suja no rádio e levou um chega pra lá de Cyril) mas para mim, o Sainz merece esse prêmio por ser chato ao extremo em toda oportunidade que pode.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Esteban Ocon (76,30%) | Carlos Sainz Jr (23,70%)

INSTAGRAM: Esteban Ocon (36%) | Carlos Sainz Jr (64%)

MÉDIA GERAL: Esteban Ocon (56,15%) | Carlos Sainz Jr (43,85%)

 

CATEGORIA DEBOCHADO

VENCEDOR: Cyril Abiteboul (64,65%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sinceramente, na minha opinião, os dois mereciam concorrer à categoria “Boca de Fogo” com Max Verstappen e Lando Norris. Tanto Zak Brown quanto Cyril Abiteboul se destacaram por fazerem comentários deselegantes sobre assuntos que não lhes diziam respeito, adotando uma postura que não condiz com o ambiente da Fórmula 1. Por isso, creio que os dois mereciam levar o título. No entanto, votei em Zak Brown por extrapolar os limites e querer induzir a mídia a questionar seus adversários em termos pessoais.

 

 

Adriana: De um lado, temos Cyril Abiteboul, que manteve o protesto contra a Racing Point até quando pode e não perde a chance de dar uma alfinetada em Horner (ou até mesmo em Ricciardo, quando o mesmo anunciou que estava de saída da Renault) e do outro, temos Zak Brown, que sabe manter sua postura de debochado ao perguntar qual foi o médico que atendeu Stroll (Dr. Dre? Dr. Seuss? Ainda não sabemos) e sempre tem uma resposta na ponta da língua quando questionam sua capacidade em ser CEO de uma equipe histórica como a McLaren. Por sempre ser elegante e perspicaz em suas alfinetadas, votei em Brown porque ele consegue manter sua postura e raramente, se afeta com as críticas.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Cyril Abiteboul (69,30%) | Zak Brown (30,70%) 

INSTAGRAM: Cyril Abiteboul (60%) | Zak Brown (40%)

MÉDIA GERAL: Cyril Abiteboul (64,65%) | Zak Brown (35,35%)

 

CATEGORIA TROCA DO ANO 

VENCEDOR: Sergio Pérez na Red Bull (68,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Estava em dúvida entre a troca de Sergio Pérez e a de Daniel Ricciardo, então optei pela primeira, pois o mexicano conseguiu um merecido lugar em uma equipe de ponta depois de ser obrigado a deixar a Racing Point devido à manobra financeira de Sebastian Vettel (que comprou ações da Aston Martin, atual dona do time, e assegurou uma vaga). A contratação de Pérez não só foi um alívio para os torcedores do mexicano, como frustrou os planos daqueles que estavam prontos para demonizar Lance Stroll como fizeram em 2018 no Caso Esteban Ocon. Logo, pela justiça feita a Pérez e Stroll, escolhi a ida do mexicano para a Red Bull. Mas também elogio a ida de Daniel Ricciardo para a McLaren, onde terá um aporte maior que na Renault.

Adriana: Até a contratação de Pérez pela Red Bull, a melhor troca do ano, na minha opinião, foi Ricciardo na McLaren. Assim como na Renault, o australiano aposta mais uma vez na mudança e dessa vez, conta com a melhor equipe “do resto” (best of the rest) e que fechou a temporada de 2020 com a terceira colocação no campeonato de construtores. 

Além disso, Zak Brown vem construindo um ambiente com cara e espírito de campeões: escalou Andreas Seidl, que teve uma campanha de sucesso com a Porsche no campeonato de Endurance; James Key, conhecido engenheiro, que agora é o diretor de engenharia; Andrea Stella, que passou anos na Ferrari como engenheiro de Fernando Alonso, que o acompanhou na troca para a McLaren e agora ocupa a posição de diretor de corridas e claro, a troca de motores para a Mercedes e a construção de seu próprio túnel de vento (que é fundamental para o desenvolvimento aerodinâmico do carro) trazem a esperança de que isso é apenas o começo da volta da McLaren ao lugar mais alto do pódio. Então, ao meu ver, Ricciardo acertou em cheio ao trocar a (agora extinta) Renault pela McLaren.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: D. Ricciardo na McLaren (7,2%) | S. Vettel na Aston Martin (7,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (3,4%) | S. Pérez na Red Bull (82%)

INSTAGRAM: D. Ricciardo na McLaren (22,5%) | S. Vettel na Aston Martin (22,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (0%) | S. Pérez na Red Bull (55%)

MÉDIA GERAL: D. Ricciardo na McLaren (14,9%) | S. Vettel na Aston Martin (15%) | C. Sainz Jr na Ferrari (1,70%) | S. Pérez na Red Bull (68,5%)

 

CATEGORIA AZARÃO 

VENCEDOR: Charles Leclerc (73,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Esta categoria é um pouco delicada de opinar, pois ela vai contra a narrativa dominante na mídia (que assim é por motivos financeiros e ideológicos). A imprensa tenta, a todo custo, vender George Russell como uma nova lenda, e até usa depoimentos de pessoas ligadas à Fórmula 1 para justificar essa narrativa. Porém, os fatos contradizem esta versão. A verdade é que Russell só foi capaz de pontuar quando estava em uma Mercedes, substituindo Lewis Hamilton no Grande Prêmio de Sakhir quando o piloto titular estava com Covid. Em sua equipe oficial, a Williams, Russell não fez sequer um ponto. Até aí não teria problemas (pois é sabido que o carro da Williams é longe de ser competitivo) se não fosse por um ponto: a precariedade do carro já era notada em 2018, quando a Williams tinha Lance Stroll e Sergey Sirotkin como pilotos, mas na época a imprensa culpou os atletas pelo desempenho do carro. Nota-se quando o problema está no piloto quando seu companheiro vai muito bem e ele não, mas quando ambos os pilotos não conseguem boas posições é sinal de que o problema está no carro. A mídia só foi “perceber” isto quando Stroll não estava mais lá, e mesmo Russell também tendo origem rica e apresentado dificuldades em pontuar, a imprensa passa a mão na cabeça do inglês, mesmo que o canadense, com todas os problemas para enfrentar, conseguiu no mínimo pontos para a escuderia (inclusive o último pódio do time). Este racismo implícito da mídia se agravou quando Russell foi escolhido para substituir Hamilton, quando alguns haters de Stroll usaram a imagem de Russell como escudo para difamar o canadense. É claro que a culpa não é de Russell, que é uma pessoa antirracista e ética e que não tem nenhum problema pessoal com Stroll (até o cumprimentou por sua pole na Turquia). A culpa é unicamente dos racistas covardes que usam a imagem dos outros para promover intrigas entre os torcedores. No entanto, embora eu reconheça que Russell tenha talento e que o mesmo não consegue ser aproveitado nas condições precárias da Williams, na posição de jornalista (profissional da comunicação), preciso me ater aos fatos e não colaborar para a continuidade da falácia criada pela mídia. Por isso, meu voto foi para Charles Leclerc, que mesmo enfrentando muita dificuldade em uma Ferrari de desempenho abaixo do esperado, terminou várias posições à frente de Vettel e muitas vezes carregou o time nas costas (como no Grande Prêmio da Toscana). Ressalto que tanto Russell quanto Leclerc são pilotos muito dedicados e desejo a eles uma boa temporada em 2021.

Adriana: Tudo bem que o Leclerc conseguiu dois pódios (quase três se não fosse por seu erro na última volta na Turquia) com a sofrida SF1000, mas na verdade, o azarão para mim foi Russell. Conseguir passar para o Q2 inúmeras vezes com o pior carro do grid é para poucos e o britânico conseguiu isso com facilidade. Sua performance com a Mercedes em Sakhir também provou que ele tem talento e quase tomou a pole de Bottas, que está há 4 temporadas com a Mercedes. Sem falar nas ultrapassagens de Russell no finlandês, que sequer teve tempo para reagir ou retomar sua posição do então “novato”. Por isso, escolhi Russell como o azarão da temporada.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: George Russell (2,3%) | Charles Leclerc (97,7%) 

INSTAGRAM: George Russell (50%) | Charles Leclerc (50%)

MÉDIA GERAL: George Russell (26,15%) | Charles Leclerc (73,85%)

The Racing Track Awards 2020

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni

 

O The Racing Track Awards 2020 pretende relembrar alguns dos destaques (positivos e negativos) da temporada de Fórmula 1 de 2020.

Para participar, vote nas enquetes de nosso perfil no Instagram (nos destaques) ou no Google Forms abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1v0PaC41Ep11Bx8ezESLUPBxoX-PXHQAdBpnmsiSW_ms/edit

A votação se encerra no próximo sábado, dia 16 de janeiro de 2o21.

Participe e divirta-se.

Fórmula 1: O Esporte dos Negócios

Praticamente todos os fãs de Fórmula 1 gostam do esporte por sua competição. Uma prova disso são os índices de audiência televisiva na década de 2010: no Brasil, pelo menos, o número de espectadores estava caindo ano após ano durante a “Era Turbo”, que marcou o domínio de Sebastian Vettel, enquanto que começou a aumentar em níveis recorde quando começou um certo equilíbrio entre Mercedes, Ferrari e Red Bull. No entanto, os fãs se emocionam tanto com as disputas entre os carros que se esquecem de um fator definitivo na Fórmula 1: o dinheiro.

Resolvi fazer este artigo por causa de um episódio desagradável que aconteceu com uma amiga minha. Em uma conversa em um grupo de Whatsapp, ela estava conversando com um professor e, para reforçar seu ponto de vista, incluiu um link de uma matéria do site Motorsport assinada por Adam Cooper, que relatava sobre os investimentos de Sebastian Vettel na Aston Martin. Eis que um sujeito aparece e simplesmente ri do comentário dela, achando um absurdo que alguém diga que um “tetracampeão” compre uma vaga em uma equipe, mesmo que os fatos mostrem exatamente isso. Minha amiga soube responder bem, argumentando que Vettel não estava exatamente agindo como um “tetracampeão” (basta ver seus acidentes e resultados, que em nada se assemelham a seus tempos de campeão). Mas o homem continuou debochando (e ainda questionou a qualidade jornalística de Cooper, um jornalista experiente e conceituado no meio), ignorando uma simples questão: Por que alguém investiria em uma equipe da qual não pudesse participar?

Essa história provou que o sujeito em questão não conhece bem a Fórmula 1, mas sei que muitos fãs também não percebem o caráter financeiro do esporte. Não é à toa que muitos jornalistas tentam vender manchetes sensacionalistas com base em criar polêmicas sobre o dinheiro em vez de informar os torcedores sobre o papel deste na Fórmula 1. Como nossa proposta é informar e conscientizar, aqui está a verdadeira face dos negócios da “categoria máxima do automobilismo mundial”.

 

1- Esporte caro, investidores mandam

 

Quem acessa o site da Fórmula 1 nota que há uma parte reservada aos “partners” (ou seja, aos “parceiros”), que nada mais são do que os patrocinadores. Como bem definiu Paulo Mourão em seu livro “The Economics of Motorsports: The Case of Formula One” (2017), os custos da realização de cada corrida giram em torno de milhões de euros, pois há uma grande demanda material e humana. Tudo custa dinheiro na Fórmula 1: as estruturas da pista e do paddock, a engenharia dos carros, a preparação física dos pilotos, o transporte, o salário dos funcionários, entre outros componentes da categoria. Isso sem falar nos inúmeros setores beneficiados nesse processo (hotelaria, combustíveis, turismo, etc.). Como devem saber, “dinheiro não nasce em árvore”, é preciso uma fonte de recursos para viabilizar tudo isso. Logo, são as empresas patrocinadoras que investem na categoria para tal propósito (fora outras receitas da Fórmula 1, como a venda de ingressos e artigos de consumo, impostos, acordos de transmissão, taxas de contribuição das escuderias e organizadores).

 

Bernie Ecclestone (antigo dono da Fórmula 1) e Chase Carey (atual CEO da Fórmula 1). [1]

 

Como bem explicado na matéria “Entenda o Caso Esteban Ocon” (2019), os altos custos da Fórmula 1 dificultam o ingresso de pilotos que não tenham um suporte financeiro significativo para arcar com as despesas da equipe. Infelizmente, a mídia esportiva falha em ensinar ao público que esta é uma característica intrínseca da categoria, embora isso possa ser explicado pela seguinte lógica: normalmente os veículos de imprensa são patrocinados e por isso evitam falar mal de investimentos de maneira geral, e o sensacionalismo acaba sendo um negócio rentável, pois prende mais atenção das pessoas e ajuda a disseminar as matérias. Em outras palavras: é mais fácil rotular pilotos e equipes do que mostrar que tudo na Fórmula 1 está relacionado ao dinheiro.

 

2- O caso de Sebastian Vettel

 

Não é raro ver pilotos expandindo sua área de atuação. Tivemos os casos de Jack Brabham, Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi como donos de escuderias, Niki Lauda foi acionista e conselheiro da Mercedes, Alain Prost se tornou embaixador da Renault, entre outros. Mais recentemente, tivemos Lawrence Stroll, pai de Lance, como sócio majoritário da Racing Point, e Nico Rosberg como empresário de Robert Kubica (embora tenha se desligado da função meses depois). Mas o caso de Sebastian Vettel tem peculiaridades que são fundamentais para entender a situação.

 

Demitido da Ferrari, Vettel investiu na Aston Martin. O fato não gerou tanta polêmica (se fosse com outro piloto…) [2]

 

Para começar, com exceção de Jack Brabham, todos os pilotos citados anteriormente (Fittipaldi, Prost, Roberg e Stewart) entraram no mundo dos negócios quando já não estavam mais nas pistas. Sebastian Vettel é um membro do grid atual e se viu na beira de um precipício quando foi demitido da Ferrari, afinal, como explicado na matéria “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”, a equipe estava perdendo dinheiro e credibilidade com os constantes acidentes do alemão. Lembrando que as escuderias recebem um pagamento por seus resultados, que são melhores quando os pilotos têm performance consistente. De nada adiantava ele ter vencido quatro títulos com a Red Bull no começo dos anos 2010 se nos tempos atuais com a Ferrari estava desperdiçando boas oportunidades de pontuação. Mas Vettel não se deu por vencido e estava disposto a tudo para continuar na Fórmula 1, para isso buscou uma oportunidade de investir em uma equipe: ele ganharia dinheiro como piloto e acionista.

Mas não poderia ser qualquer time, teria que ser um com grande potencial e chances reais de triunfo. Ninguém se indagou o porquê de Vettel não ter comprado ações da Williams como fez Toto Wolff? Ou da Haas? Basta ver a evolução da Racing Point em 2020 e todo o projeto em torno do crescimento da escuderia para entender porque o alemão se interessou tanto pela “Mercedes Rosa”. E diferente de Wolff, que estava pensando nos ganhos mercadológicos, Vettel deseja limpar sua imagem e trazer um novo capítulo glorioso à sua carreira atlética.

 

3- Conclusão

 

Mesmo que os fãs não percebam, o esporte é um negócio, e este não é o caso único da Fórmula 1 (os brasileiros vão lembrar bem da transferência do Neymar do Santos para o Barcelona, conhecida como “Neymargate”). Às vezes a imprensa não instrui corretamente os torcedores, pois quanto mais leiga acerca do tema for a pessoa, maiores as chances de a mesma acreditar em manchetes sensacionalistas e de alimentar um fanatismo através de polêmicas. Logo, muitos torcedores ainda não percebem que os negócios são uma parte constituinte muito mais significativa da Fórmula 1 do que a competição em si.

 

O caso de Neymar é mais uma prova da relação intrínseca entre o dinheiro e o esporte. [3]

 

Agora, se você pensa que Sebastian Vettel não precisa comprar vagas porque foi vitorioso no passado (mesmo sendo exatamente esta a situação), e que Nico Rosberg empresariou Robert Kubica por caridade, saiba que está analisando o caso de maneira rasa. E não adianta rir ou tentar desqualificar o outro baseado em sexo ou idade. Para fazer um debate razoável, é preciso que ambos os lados estejam devidamente informados.


Bibliografia

Sobre a audiência

  • ANDRADE, Vinícius. Mais vista em oito anos, temporada da F1 na Globo alcança 98 milhões de pessoas. Notícias da TV. 03 dez. 2019. Disponível em: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/mais-vista-em-oito-anos-temporada-da-f1-na-globo-alcanca-98-milhoes-de-pessoas-31408>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • BETTING, Erich. F-1 voltou a ser esporte de nicho. É o adeus à TV aberta? UOL. 16 nov. 2015. Disponível em: <https://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2015/11/16/f-1-voltou-a-ser-esporte-de-nicho-e-o-adeus-a-tv-aberta/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • CARUSO, Ricardo. Ladeira abaixo: despenca a audiência da Fórmula 1. Band.com.br. São Paulo, 17 jun. 2014. Disponível em: <http://autoetecnica.band.uol.com.br/ladeira-abaixo-despenca-a-audiencia-da-formula-1/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • FELTRIN, Ricardo. Em dez anos, ibope da Fórmula 1 despenca 55% na Globo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 27 dez. 2012. Disponível em: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/ricardofeltrin/1159661-em-dez-anos-ibope-da-formula-1-despenca-55-na-globo.shtml>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LANCEPRESS. Com novo domínio de Vettel, Fórmula 1 registra queda de audiência em 2013. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/esportes/com-novo-dominio-de-vettel-formula-1-registra-queda-de-audiencia-em-2013-11499993>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • NOTÍCIAS DA TV. Fórmula 1 derruba audiência da Globo e é ultrapassada pela Record. Notícias da TV. 08 jun. 2014. Disponível em: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/formula-1-derruba-audiencia-da-globo-e-e-ultrapassada-pela-record-3678>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • QUINTANILHA, Sergio. Por que a Fórmula 1 se tornou o programa mais chato do mundo. Terra. 30 abr. 2017. Disponível em: <https://motorshow.com.br/por-que-formula-1-se-tornou-o-programa-mais-chato-mundo/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • ROVADOSCHI, Guilherme. Domingo emudecido. Beta Redação. 11 abr. 2016. Disponível em: <http://www.betaredacao.com.br/domingo-emudecido/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LUCAS, Naian. Fórmula 1 é vista por quase 100 milhões e tem melhor Ibope em 8 anos na Globo. Na Telinha. 03 dez. 2019. Disponível em: <https://natelinha.uol.com.br/televisao/2019/12/03/formula-1-e-vista-por-quase-100-milhoes-e-tem-melhor-ibope-em-8-anos-na-globo-137622.php>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOTORSPORT. Globo tem melhor audiência da F1 em oito anos e 13% de crescimento em relação a 2018. Motorsport. São Paulo, 03 dez. 2019. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/globo-tem-melhor-audiencia-da-f1-em-oito-anos-e-13-de-crescimento-em-relacao-a-2018/4606412/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOTORSPORT. GP de 70 anos faz Globo ter recordes de audiência em 2020. Motorsport. 10 ago. 2020. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/gp-de-70-anos-da-f1-faz-globo-ter-recordes-de-audiencia-em-2020/4854125/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PADIGLIONE, Cristina. Globo perdeu 50% da audiência da F-1 em 19 anos, mas já teve dias piores. TelePadi. São Paulo, 28 ago. 2020. Disponível em: <https://telepadi.folha.uol.com.br/globo-perdeu-50-da-audiencia-da-f-1-em-18-anos-mas-ja-teve-dias-piores/>. Acesso em 07 dez. 2020.

Sobre a matéria em si

  • FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE AUTOMOBILISMO. Formula 1 Partners. Formula1.com. Disponível em: <https://www.formula1.com/en/toolbar/partners.html>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOURÃO, Paulo. The Economics of Motorsports: The Case of Formula One. 1. ed. Vila Real, Portugal. Palgrave Macmillan, 2017. 303 p.
  • GAVINELLI, Gabriel. Após prejuízos seguidos, Fórmula 1 volta a lucrar em 2019. F1Mania. 27 fev. 2020. Disponível em: <https://f1mania.lance.com.br/f1/apos-prejuizos-seguidos-formula-1-voltar-a-lucrar-em-2019/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. Entenda o Caso Esteban Ocon. The Racing Track. São Paulo, 10 ago. 2019. Disponível em: <https://theracingtrack.com/entenda-o-caso-esteban-ocon/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 abr. 2011. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • NOBLE, Jonathan. Rosberg recua e não é mais empresário de Kubica. Motorsport. 20 abr. 2018. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/rosberg-recua-e-nao-e-mais-de-empresario-de-kubica-1028256/3059907/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça? The Racing Track. São Paulo, 12 mai. 2020. Disponível em: <https://theracingtrack.com/a-demissao-de-sebastian-vettel-justica-ou-injustica/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • COOPER, Adam. F1: Vettel adquire ações da Aston Martin antes da mudança em 2021. Motorsport. 09 out. 2020. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/f1-vettel-adquire-acoes-da-aston-martin-antes-da-mudanca-em-2021/4888660/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PLANETF1. Wolff purchases stake in former team Williams. PlanetF1. 07 jun. 2020. Disponível em: <https://www.planetf1.com/news/wolff-repurchases-stake-in-williams/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MEYER, Ricardo Hernandes. Quem é Lawrence Stroll? O Famoso Papai de Lance. The Racing Track. São Paulo, 28 set. 2020. Disponível em: <https://theracingtrack.com/quem-e-lawrence-stroll-o-papai-famoso-de-lance/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PRATES, Renan. No ‘Neymargate’, maior enganado é o torcedor. Vaidapé. 18 fev. 2014. Disponível em: <http://vaidape.com.br/2014/02/no-neymargate-maior-enganado-e-o-torcedor/>. Acesso em 07 dez. 2020.

 

Nota: Algumas das fontes consultadas para este artigo estão presentes no TCC “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país” (2020), que ainda será publicado pela Faculdade Cásper Líbero (cedi fontes para a autora na elaboração do trabalho e ela me cedeu fontes para minha publicação). Estou esclarecendo esse ponto para que não haja acusações de plágio.

 

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Análise Grande Prêmio do Sakhir de 2020 | 2020 Sakhir Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 6 de dezembro, o Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi mais uma etapa improvisada para compensar o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia mundial de Covid-19. A prova foi realizada no Bahrein, mas com o circuito remodelado. Pela primeira vez desde sua estreia em 2007, Lewis Hamilton (Mercedes) não participou de uma corrida, pois foi diagnosticado com Covid. Sua equipe optou por chamar o jovem George Russell, da Williams, para substituí-lo e esta, por sua vez, colocou Jack Aitken, conterrâneo de Hamilton e Russell, para correr ao lado de Nicholas Latifi. Outra substituição ocorreu na Haas, que escalou o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, para substituir Romain Grosjean, que está se recuperando de um terrível acidente na corrida anterior.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Russell. Logo no começo, o filandês foi ultrapassado pelo inglês, e depois ameaçado por Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Infelizmente, ocorreram dois acidentes: primeiro, Kevin Magnussen (Haas) rodou e bateu no mesmo lugar onde houve o desastre com Romain Grosjean uma semana atrás; depois, Charles Leclerc (Ferrari) fez uma manobra arriscada e tocou em Pérez. Verstappen tentou desviar, mas acabou batendo no muro. Leclerc teve o mesmo destino. O safety car foi acionado e o mexicano precisou parar nos boxes, mas nem tudo estava perdido.

Russell permanecia liderando a prova, enquanto Bottas tinha dificuldades para acompanhar o ritmo. Com o acidente provocado pelo monegasco, Carlos Sainz Jr. (McLaren) assumiu o terceiro lugar. Seu companheiro, Lando Norris, conseguiu avançar no grid devido aos acidentes, compensando o prejuízo de ter largado em penúltimo. Uma de suas melhores ultrapassagens foi sobre Sebastian Vettel (Ferrari). No entanto, Checo veio destemidamente para cima de seus adversários, e em pouco tempo já estava novamente na zona de pontuação. Alexander Albon (Red Bull) travou uma boa briga com Norris, e o inglês foi superado pelo tailandês e logo em seguida pelo mexicano.

No meio do grid, formava-se uma fila indiana. Pierre Gasly (AlphaTauri) estava atrás de Lance Stroll (Racing Point), Daniil Kvyat (AlphaTauri), e da dupla da Renault (formada por Daniel Ricciardo e Esteban Ocon). Embora os carros estivessem bem próximos nas passagens pela reta perto dos boxes, não havia tentativas de ultrapassagem. Kvyat brigou um pouco com Ricciardo, mas não teve sucesso. Algumas voltas depois, Latifi bateu e a bandeira amarela foi acionada. Aitken rodou e quebrou a asa dianteira. Além da Williams precisar consertar seu carro, a direção acionou o safety car virtual.

Parecia que a vitória de Russell seria inevitável, até a Mercedes jogar tudo fora. Chamando ambos os pilotos para os boxes, a equipe alemã se atrapalhou com ambas as trocas de pneus. No caso de Bottas, chegaram a lhe colocar um pneu enquanto a roda pegava fogo, e liberaram o piloto mesmo assim. Pérez herdou a liderança e não se intimidou mesmo com o avanço de Russell. Apesar de ter voltado em uma boa posição, Bottas foi ultrapassado gradativamente por todos os pilotos da zona de pontuação. Sentindo que havia um problema com os pneus de Russell, a Mercedes o chamou novamente para os boxes, fazendo com que o inglês perdesse muitas posições. Aguardamos o julgamento dos comissários em relação a este caso, pois se o inglês correu com os pneus destinados a Bottas, pode ser desclassificado. No fim da prova, Sainz tentou passar Stroll, mas não conseguiu.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Esteban Ocon em segundo e Lance Stroll em terceiro. O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi uma corrida emocionante, com reviravoltas inimagináveis e um desfecho merecido. Pérez se destacou em seus anos na Fórmula 1 como um piloto consistente e batalhador. Sua vitória mostrou que seu potencial é alto e sua coragem infinita. Por outro lado, o dia não foi auspicioso para a Mercedes, que não agiu com prudência por pensar que a vitória era certa. Valtteri Bottas decepcionou muito, perdendo posições logo no início para um piloto em sua primeira corrida com um novo carro. Se por um lado isso mostrou que o carro da Mercedes está acima da média, por outro prova que não basta um carro bom: o piloto precisa ser bom. Todo aquele teatro em cima de sua vitória na Rússia de nada adiantou, pois Bottas pode xingar seus críticos à vontade, eles ainda terão motivos para questionar o desempenho do finlandês.

“Eu teria conseguido se não fossem esses mecânicos metidos e esse cachorro burro”

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 serviu para calar a boca daqueles que dizem que qualquer um pode vencer em uma Mercedes. Valtteri Bottas teve uma atuação vergonhosa, como se estivesse tramando para que George Russell ganhasse (não foi dessa vez para aqueles que o usam como escudo para atacar outros pilotos). Curiosamente, o inglês conseguiu abandonar o Movimento Sem Ponto na mesma corrida em que Esteban Ocon largou o Movimento Sem Pódio.

Quanto à vitória de Checo, foi bem merecida. Checo mostrou que resiliência é seu ponto forte, pois é a segunda vez que o vejo saindo de uma grande desvantagem devido a um acidente causado por terceiro e consegue uma excelente posição. Tanto Sergio Pérez quanto Lance Stroll sobem no campeonato de pilotos e a Racing Point volta ao top-3 entre as construtoras (se eu disser o que eu gostaria de dizer à Renault, meu site será censurado).

Opinião da Adriana:

Eu comecei essa corrida esperando mais uma corrida chata e eu fui extremamente surpreendida. Sensacional!

Na minha sincera e humilde opinião, esse deveria ser o novo traçado do GP de Bahrain. Uma volta com 56 segundos, no máximo, é capaz de entregar corridas assim e eu achei simplesmente fantástico ter uma corrida tão imprevisível como essa.

Agora, o que foi essa corrida do Checo? De último lugar após o toque com Leclerc, escalou o grid aos poucos e terminou com essa vitória linda. Ele merece demais! Após 10 anos na Fórmula 1, ele finalmente conseguiu sua merecida vitória. É assim que se faz uma corrida de recuperação. De novo, bato na tecla de que não é a hora do mexicano dizer adeus à Fórmula 1.

A maior felicidade é saber que, dentre esses 10 anos de carreira na F1, Pérez esteve nos lugares certos nas horas erradas e finalmente, ele conseguiu o que um piloto almeja: uma vitória. Ele merece demais e eu não poderia estar mais feliz por ele.

Ao mesmo tempo que estou muito feliz por Pérez, fico muito triste por Russell. Eu, que sempre defendi que ele deveria ir para a Mercedes, brilhou o fim de semana inteiro e infelizmente, foi prejudicado por uma série de estratégias erradas da Mercedes. Pitstop com os pneus errados, furo nos pneus e terminar em 8º correndo o risco de ser desclassificado por conta de um erro da equipe (o que eu acho errado punir o piloto) é desolador. Uma pena para o britânico.

Por falar em brilhar o fim de semana inteiro, o que foram aquelas ultrapassagens logo após a saída do safety car? Ele é bom e merece um carro à sua altura. Bottas, acho bom você se preparar para o adeus em 2022 porque o Russell não está para brincadeira.

O pior piloto de hoje vai ser unânime e vai pro Leclerc. Além de fazer aquela barbeiragem na pista, ainda joga a culpa em Pérez, sendo que ele estava errado. Foi preciso um outro piloto – Verstappen, no caso – envolvido no acidente dizer que ele que causou a colisão, e não o mexicano, para o monegasco admitir a culpa. Lamentável. 

Notas

Corrida: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Scooby-Doo: (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  3. Lance Stroll: 8 (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  4. Carlos Sainz Jr.: 7,5 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  7. Daniil Kvyat: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. George Russell: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  10. Lando Norris: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  11. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Jack Aitken: 2 (Rebeca) 3 (Adriana)
  17. Pietro Fittipaldi: 4 (Rebeca e Adriana) – E o Palmeiras não tem mundial. 51 é pinga

 

Abandonaram

  1. Nicholas Latifi
  2. Max Verstappen
  3. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): George Russell

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Charles Leclerc e Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio da Turquia de 2020 | 2020 Turkish Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 15 de novembro, o Grande Prêmio da Turquia de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao país depois de nove anos. Um treino classificatório embaixo de chuva trouxe um grid de largada maravilhoso: pela primeira vez no ano, um piloto de uma equipe que não a Mercedes começa a prova do primeiro lugar. No entanto, imprevistos tornaram o resultado uma grande frustração.

Lance Stroll (Racing Point) largou da pole position ao lado de Max Verstappen (Red Bull). É a primeira vez que um canadense obtém a pole desde Jacques Villeneuve em 1997. Além disso, Stroll é o 101º piloto e o quinto mais jovem a ter esta conquista. Verstappen não teve uma boa largada e foi ultrapassado por vários concorrentes. Com o asfalto molhado, a primeira volta teve um toque entre Esteban Ocon (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes) e ambos saíram da pista, voltando logo em seguida, porém perdendo várias posições.

Na primeira metade da corrida não houve muitas ultrapassagens porque os pilotos buscaram dirigir cautelosamente. Lewis Hamilton (Mercedes) disputava o quinto lugar com Sebastian Vettel (Ferrari), mas saía da pista constantemente. Alexander Albon (Red Bull) acabou ultrapassando ambos. Com a troca de pneus de Stroll, Verstappen chegou a liderar a prova, mas depois de Sergio Pérez (Racing Point) parar nos boxes, a equipe chamou o holandês. Max e Checo lutaram pelo segundo lugar, com o mexicano à frente, mas o piloto da Red Bull rodou e perdeu a oportunidade de ultrapassar. O primeiro abandono foi de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que estacionou seu carro na grama.

Muitos pilotos saíram prejudicados com a pista escorregadia. Um deles foi George Russell (Williams), que foi tocado por Lando Norris (McLaren). Parece que os comissários nem perceberam isso, mas notaram que Verstappen cruzou a linha do pit lane na saída dos boxes. Decidiram investigar o caso após a corrida.

Por incrível que pareça, a Racing Point se auto-sabotou: chamou Stroll para a troca de pneus, pois outros haviam feito o mesmo. No entanto, isso só prejudicou o canadense, cujo carro perdeu rendimento e, consequentemente, acabou terminando a prova em nono lugar. O maior beneficiado foi Hamilton, que depois de uma primeira metade de prova cheia de rodadas, fez um final de corrida quase sem erros (maneira semelhante à de Stroll até a burrada de sua equipe). Por outro lado, Bottas rodava mais e mais vezes, e por incrível que pareça continuou no páreo. Nicholas Latifi (Williams) e Romain Grosjean (Haas) se tocaram e o canadense abandonou a prova. O francês e seu companheiro de equipe Kevin Magnussen também se retiraram, mas próximo ao final da corrida.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Sergio Pérez em segundo e Sebastian Vettel em terceiro. O resultado do Grande Prêmio da Turquia de 2020 não foi como esperado, o que não significa que tenha sido dos melhores. Para melhor entendimento da questão, ler as opiniões das colunistas. Apesar de tudo, há uma coisa boa: Hamilton agora se consagrou heptacampeão mundial de Fórmula 1, igualando o recorde de Michael Schumacher.

A imagem fala por si própria.

Opinião da Rebeca:

A pole position de Lance Stroll é mais do que merecida. Sua estrela brilha cada vez mais forte. Ele e Max Verstappen são ótimos correndo na chuva. É uma pena que a capacidade cognitiva de seus estrategistas não seja diretamente proporcional. Mas isso não tira o valor da conquista.

Peço perdão a quem tenha gostado do resultado, mas eu particularmente não curti. Acredito que uma boa oportunidade de mudanças foi perdida por mais uma ideia jeguial da Racing Point. Entretanto, devemos continuar firmes e seguir em frente. Afinal, corridas são imprevisíveis e esta é a graça da Fórmula 1.

Opinião da Adriana:

Para mim, a corrida hoje foi agridoce. Mais uma vez vimos Lewis Hamilton provando sua grandeza ao conquistar mais um campeonato mundial, igualando Michael Schumacher e ele merece demais. Em um fim de semana que não foi perfeito, ele foi lá e mostrou do que é feito. O melhor do mundo fazendo o que sabe de melhor.

Outra coisa que me deixou muito feliz na corrida foi o segundo lugar de Pérez. O mexicano é bom, merece um lugar pro ano que vem e eu espero que consiga porque a performance de hoje foi perfeita.

Por outro lado, mais uma vez a Racing Point estragou a corrida de um de seus pilotos com uma estratégia péssima. Tantas equipes para copiarem e me copiam a Ferrari? Como diz um meme que eu amo usar: olha, sinceramente Britto… Stroll tinha tudo para ganhar sua primeira corrida, ganhar bons pontos para a equipe com uma sobrinha de primeiro e segundo lugar e eles fazem aquilo. Eu não tenho nem mais o que comentar sobre isso, além de que eu entendo os fãs do Checo agora.

Nunca achei Istambul Park aquele circuito todo, que muitos fãs alegam ser, e hoje a corrida foi extremamente anticlímax: prometeu mas não entregou nada. Não tenho dúvidas em quem escolher como melhor piloto, que é Hamilton. E como pior, assim como já fiz com a Renault antes, escolho uma equipe e esse prêmio vai para a Racing Point.

Notas

Corrida: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  2. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Sebastian Vettel: 4 (Rebeca)
  4. Charles Leclerc: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Max Verstappen: 5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 5,5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  7. Lando Norris: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 10 (Rebeca: você é maravilhoso, mas sua equipe que não presta) 9 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca) 6 (Adriana)
  12. Pierre Gasly: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Valtteri Bottas: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca e Adriana)
  15. George Russell: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Kevin Magnussen
  2. Romain Grosjean
  3. Nicholas Latifi
  4. Antonio Giovinazzi

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel (definitivamente, a voz do povo NÃO é a voz de Deus)

Melhor piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Lewis Hamilton (Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Pior equipe: Racing Point

Análise Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 | 2020 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 1º de novembro, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola. Esta pista, usada pela última vez na categoria em 2006, foi palco de duas das maiores tragédias da história do automobilismo: as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em 1994. Para suprir o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia de Covid-19, a Fórmula 1 optou por reviver provas que há muito tempo não eram disputadas. No caso de Ímola, a etapa teve o nome alterado: foi batizada de “Grande Prêmio da Emília-Romanha” depois de anos sendo chamada de “Grande Prêmio de San Marino”.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (AlphaTauri) completaram a segunda fila. O francês, inclusive, usou um capacete em homenagem a Senna. Logo na primeira volta, Kevin Magnussen (Haas). Lance Stroll (Racing Point) teve um toque com a traseira de Esteban Ocon (Renault), forçando o canadense a trocar a asa dianteira. Além disso, foi o primeiro da corrida a colocar pneus duros.

Durante a primeira metade da prova, não houve muitos momentos marcantes. Carlos Sainz Jr. (McLaren) fez a única ultrapassagem desse tempo, sobre o companheiro Lando Norris. Gasly foi o primeiro a abandonar devido a um problema de motor. Verstappen se aproximava de Bottas, mantendo um ritmo melhor que o do finlandês. Mais tarde, o motor de Ocon obrigou o hispano-francês a estacionar o carro na grama. O safety car virtual foi acionado.

Daniil Kvyat (AlphaTauri) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) faziam uma boa corrida. O russo disputava posições constantemente com Alexander Albon (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari). O finlandês se manteve firme entre os seis primeiros colocados. Enquanto isso, na frente do grid, Verstappen ultrapassou Bottas e Hamilton se consolidou como líder.

No entanto, a alegria do holandês não durou muito, pois rodou e parou na brita. O safety car entrou na pista e muitos aproveitaram para trocar os pneus. George Russell (Williams) rodou sozinho e quase bateu em Sainz, sendo o quarto a abandonar. O último a se retirar foi Magnussen, que após a saída do safety car sentiu enxaqueca.

A estratégia de troca de pneus foi essencial para o destino da corrida. A Racing Point chamou Sergio Pérez, que estava em terceiro lugar, para trocar os pneus, e o mexicano foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Kvyat, Albon e Leclerc. Em nenhum momento Bottas foi capaz de ameaçar Hamilton.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo lugar e Daniel Ricciardo em terceiro. O Grande Prêmio da Emília-Romanha deixou escancarado que Ímola é uma pista de emergência, pois houve pouquíssimas ultrapassagens e a corrida foi bem monótona até a segunda metade. A Fórmula 1 precisou improvisar para manter os investimentos pré-pandemia, e é compreensivo que algumas pistas não muito atrativas tiveram que ser usadas. No entanto, o resultado não é muito agradável, pois a corrida de hoje parecia com o Grande Prêmio da França em termos de marasmo. É como se a Fórmula 1 quisesse compensar o cancelamento de uma corrida chata fazendo outra corrida chata.

E aí, Kimi? Como foi a corrida?

Opinião da Rebeca:

Eu sinceramente acho uma falta de respeito reutilizar o Circuito de Ímola na Fórmula 1. Em uma época em que os carros são mais velozes, a categoria deveria aproveitar pistas que facilitam ultrapassagens, não que dificultam. Como descrito na análise, a primeira metade da corrida foi muito chata, com praticamente uma única ultrapassagem (de Carlos Sainz Jr. sobre Lando Norris). Estava quase desistindo de assistir àquela chatice, mas o meu trabalho falou mais alto.

Uma observação pessoal: não sei se apenas eu reparei nisso, mas o Autódromo Enzo e Dino Ferrari tem um formato de um ânus. Aí fica meio previsível como que vai terminar a corrida, não é?

Opinião da Adriana:

Eu vou ser sincera (como sempre sou) e dizer que eu quase desisti dessa corrida. E que bom que eu não desisti. 

Hoje, vou desconsiderar as primeiras 50 e poucas voltas e falar só das últimas porque foi aí que tudo começou a ficar bom. Eu fiquei muito triste com o abandono do Russell, foi de cortar o coração vê-lo daquele jeito. Mas eu tenho certeza que ele consegue um ponto até o final dessa temporada (ou pelo menos espero).

Não pensei que Ricciardo iria tão bem esse fim de semana. Inclusive sonhei que ele tinha um fim de semana horrível e não é que ele falou “hoje não”? E que bom, porque só um pódio incomum salvaria essa corrida.

Que alegria vê-lo mais uma vez no pódio, se consagrando como um grande piloto que sempre foi. As sete vitórias na Red Bull demonstraram isso mas os dois pódios pela Renault, que não promete em nada com seu carro intermediário, ele apenas confirma sua grandeza. E que venha a McLaren com motor Mercedes!

Mais uma vez, fico muito feliz com o desempenho de Pérez, que prova mais uma vez como merece uma vaga para o ano que vem. Por outro lado, Gasly, que vinha de um fim de semana forte e com um ótimo desempenho, teve que abandonar o GP logo nas primeiras voltas. Uma pena para o francês.

Kvyat parece que finalmente acordou (agora, você jura?) mas pelo o que Helmut Marko disse em entrevistas neste sábado, a vaga já é de Tsunoda. Já estou torcendo pelo japonês.

Enfim, eu tremi, gritei, fiquei nervosa e não acreditei que Ricciardo conseguiria outro pódio e ele conseguiu. Essa temporada está de parabéns por nos proporcionar esse tipo de entretenimento durante tempos tão difíceis para o mundo.

Notas

Corrida: 5 (Rebeca) 7 (Adriana: ela ainda foi chata pela maior parte do tempo, então é essa a nota)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  3. Daniel Ricciardo: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  4. Daniil Kvyat: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Charles Leclerc: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  8. Lando Norris: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  9. Kimi Raikkonen: 10 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Antonio Giovinazzi: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Nicholas Latifi: 8 (Rebeca e Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Lance Stroll: 6 (Rebeca e Adriana)
  14. Romain Grosjean: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Alexander Albon: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)

Abandonaram

  1. George Russell: 3 (Rebeca) 8 (Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  3. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 4 (Adriana)
  4. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 10 de consolação (Rebeca) 8 (Adriana: ele estava indo muito bem até abandonar, deu dó)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Kimi Raikkonen

Melhor piloto: Kimi Raikkonen (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Alexander Albon (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio da Rússia de 2020 | 2020 Russian Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 27 de setembro, Grande Prêmio da Rússia de 2020 começou movimentado. Desde o treino de classificação, o circuito russo demonstrava que a corrida não seria parada. A expectativa de que Lewis Hamilton (Mercedes) iguale o número de vitórias de Michael Schumacher foi ameaçada por duas punições de 5 segundos cada por ter treinado a largada na volta de instalação. 

Logo na primeira volta, Carlos Sainz Jr (McLaren) escapou na primeira curva e bateu no muro, deixando muitos detritos na pista. Logo depois, Lance Stroll (Racing Point) foi tocado por Charles Leclerc (Ferrari) e também bateu no muro, abandonando a corrida.

Com isso, o Safety Car entrou na pista e ficou até a volta 5. Logo após a liberação da pista, Hamilton ficou ciente de sua punição e então tentou abrir vantagem de seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas (Mercedes) até a sua parada na volta 17. O inglês não conseguiu e por isso, voltou à pista na 11ª colocação. Graças a diversos pit stops e seu carro superior a todos do grid, ele conseguiu recuperar suas posições tranquilamente, voltando a ameaçar Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Durante algumas voltas, o que surpreendeu foi a briga no final do grid, entre Lando Norris (McLaren), Alex Albon (Red Bull) – que cumpriu punições por troca de motor – e George Russell (Williams), tendo Norris a vantagem sobre seus dois rivais, mesmo apresentando problemas em sua McLaren.

Daniel Ricciardo (Renault) foi outro piloto que também levou uma punição. Depois de um pit stop lento, o australiano voltou na 13ª posição e começou a recuperar suas posições para voltar ao top 10. Contudo, ao ultrapassar Esteban Ocon (Renault), Ricciardo escapou e ultrapassou Ocon fora dos limites da pista, também levando uma punição de 5 segundos. O australiano conseguiu abrir vantagem sobre Leclerc e mesmo com a punição, manteve a 5ª posição na corrida.

Na volta 43, Romain Grosjean (Haas) colidiu com a sinalização, o que causou a entrada do Safety Car virtual, que logo foi retirado porque os detritos foram tirados da pista.

Mesmo com um começo promissor, o GP da Rússia não teve grandes surpresas, com a vitória de Valtteri Bottas, Verstappen em segundo e Hamilton em terceiro. O hexacampeão continua na batalha em igualar Schumacher em vitórias, que poderá ser feito no GP de Eifel, ironicamente no país do heptacampeão.

A FIA estava extremamente generosa hoje… (Charge feita por Adriana Perantoni)

Opinião da Rebeca:

Opinião da Adriana:

O que começou como uma corrida promissora, virou isso aí que a gente viu. Eu sei que eu já usei aqui na análise do GP de 70 anos de F1: essa festa virou um enterro. Para falar a verdade, não sei porque eu tive esperanças sobre essa corrida já que o circuito não ajuda muito e honestamente, espero que a FIA não tente voltar com esse circuito chato para o calendário.

Confesso que mantive minhas esperanças por conta do bom desempenho de Ricciardo durante os treinos mas mais uma vez, a Renault fez o que a Renault sabe fazer melhor: trapalhada. O primeiro pit stop de Ricciardo foi mais lento que a Ferrari e prejudicou que ele lutasse desde o começo por boas posições. Sua punição por escapar ao ultrapassar Ocon foi a cereja no bolo. O australiano disse no rádio que “conseguiria” não tomar prejuízo e não é que ele conseguiu? Como eu já disse, piloto que é piloto consegue resultado mesmo com um carro ruim. Aliás, quero saber aonde estão aquelas pessoas que juraram que o Ocon ia botar ele no bolso, será que estão bem?

Uma corrida chata com a vitória de um piloto que não merece o carro que tem. Eu só consegui rir do discurso de Bottas no final da corrida porque, convenhamos, ele só ganhou essa corrida por causa da punição de Hamilton. Bottas tem que comer muito feijão com arroz para chegar no potencial que ele deseja ter e esse tipo de atitude só demonstra isso.

Com uma corrida que deixou a desejar, só consigo eleger o pior piloto com base em um erro e que erro grotesco foi o de Sainz. Que batida foi aquela?

Já sobre o melhor piloto, tenho que ir com o óbvio e escolher Hamilton. Uma ótima corrida de recuperação para terminar um fim de semana que não foi do jeito que ele esperava mas que ainda garantiu bons pontos para o inglês.

Notas

Observação: como só a autora que vos fala (Adriana) suportou essa corrida, as notas serão dadas apenas por mim.

Corrida: 6

Pilotos:

  1. Valtteri Bottas: 7
  2. Max Verstappen: 8
  3. Lewis Hamilton: 8,5
  4. Sergio Pérez: 7
  5. Daniel Ricciardo: 8
  6. Charles Leclerc: 6
  7. Esteban Ocon: 6
  8. Daniil Kvyat: 6 (olha, finalmente conseguiu superar o Gasly, hein 🤭)
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Alexander Albon: 5
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Kevin Magnussen: 4
  13. Sebastian Vettel: 4 
  14. Kimi Räikkönen: 3
  15. Lando Norris: 4,5
  16. Nicholas Latifi: 4
  17. Romain Grosjean: 3
  18. George Russell: 3

Abandonaram

19. Carlos Sainz Jr: 0
    20. Lance Stroll: 10 de consolação (o que a Rebeca não me pede chorando, que eu faço rindo, né? ❤️)

Driver of the day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Lewis Hamilton

Pior piloto: Carlos Sainz Jr.

Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina

Nota: esse é um artigo de opinião. Mesmo assim, baseio minha opinião em fatos e estes estarão devidamente linkados ao decorrer do artigo. O texto é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a opinião do site.

Como é cediço e comentei um pouco sobre essa situação na opinião do GP da Toscana, decidi fazer com que meu primeiro post completamente independente seja sobre essa novela da demissão de Sergio Pérez e a contratação de Sebastian Vettel pela futura Aston Martin, anunciada nas últimas quarta e quinta-feiras (9 e 10), respectivamente.

A Racing Point decidiu rescindir seu contrato com o mexicano Sergio Pérez, que estava garantido na equipe para a próxima temporada. Contudo, para dar espaço ao novo contratado, a “Mercedes rosa” decidiu sacrificar Pérez. 

Em uma das milhares de redes sociais que temos na internet, houve uma grande mobilização dos fãs de ambos os lados – tanto comemorando o fato de Vettel continuar na F1 e lamentando a despedida de Checo – e foi aí que me surgiu a inspiração para tornar meu ponto de vista em um devido artigo de opinião aqui.

Mesmo sabendo que esse esporte é movido por dinheiro, negociações e movimentações políticas, dói ver um piloto que de algum jeito lhe representa em um esporte majoritariamente branco e europeu. Eu, que tenho muitas ressalvas quanto a essa negociação, o piloto contratado para substituir Pérez e a maneira com que o mexicano foi tirado de sua equipe, não pude deixar de sentir tristeza por Checo. Afinal de contas, estamos lidando com pessoas que, além de simples atletas, têm suas histórias de superação e ainda mais considerando que o México não é historicamente conhecido na Fórmula 1.

Pérez saiu do México aos 15 anos para morar sozinho na Alemanha, a fim de começar sua carreira na Europa. Passando pelas categorias de base como a Fórmula BMW, A1 Grand Prix, Fórmula 3 e a GP2 (agora conhecida como a Fórmula 2), o mexicano provou seu talento e conseguiu entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari, onde continuou até 2012. Sua carreira na Fórmula 1 também é marcada por times tradicionais, como a Sauber – 2011 a 2012 -, McLaren – 2013, onde sofreu uma quebra de contrato muito parecida com sua situação atual – e desde 2014, está na Racing Point, que também já foi chamada de Force India.

Durante sua carreira, Checo teve apoio do, até então, homem mais rico do mundo, Carlos Slim, apelidado de “Rei Midas das telecomunicações”. Uma de suas empresas mais conhecida é a Claro, que é muito popular por toda a América Latina por ser provedora de operadora para celulares e pelo menos no Brasil, internet banda larga, serviços de telefonia fixa e até mesmo TV a cabo. Slim também organiza a Escudería Telmex, que apoia e divulga pilotos latino-americanos, como Tatiana Calderón (primeira mulher latino americana a pilotar um F1, durante o 1º treino livre GP do México de 2018), Pietro Fittipaldi e o próprio Pérez.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (algum dos) pilotos latinos apoiados pela Escudería Telmex [1, 2, 3]

O debate, que por um lado, lamentava a falta de representatividade latina no esporte, apresentava argumentos lúcidos, elencando as dificuldades enfrentadas por pessoas da América Latina e o quanto esses países perderam seus representantes durante os anos. No Brasil, por exemplo, seu último piloto foi Felipe Massa, que deixou a categoria em 2018. Vale ressaltar que, além de estar dois anos sem um piloto brasileiro, a maior emissora de canal aberto do Brasil, Globo, não exibirá mais as corridas a partir de 2021. Outro ponto é que o circuito de Interlagos também corre o risco de ficar de fora do calendário de 2021, visto que seu contrato vence em 2020, sem previsões para renovação visto a batalha judicial para a construção do circuito em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A segunda corrida sediada na América Latina é justamente no México, que tem uma previsão quase certa para ser renovado por mais temporadas (link em inglês).

Durante sua então longa carreira com a Racing Point, em 2018, quando a então Force India passava por dificuldades financeiras após a declaração de falência do  ex-dono e chefe de equipe Vijay Mallya, o mexicano entrou com uma ação contra a equipe, no qual alegou ser “necessário” a fim de salvá-la e garantir o emprego de seus funcionários. Logo depois, Lawrence Stroll comprou de vez a equipe e concretizou isso, tornando-se hoje a conhecida Racing Point.

Após o comunicado de sua saída, Pérez não escondeu sua surpresa com a decisão de Lawrence Stroll, que teve sua confirmação na última quarta-feira. Inclusive, alguns sites afirmam que Checo escutou “pelas paredes” uma conversa do empresário com a equipe jurídica da Racing Point sobre a contratação de Vettel durante o GP de Monza. Imagine você estar na equipe há anos, ajudar na recuperação financeira a fim de evitar seu fechamento e escutar pelas paredes que estavam contratando outra pessoa para te substituir? Eu, no mínimo, viraria uma arara.

O mexicano também não escondeu sua gratidão ao time na nota oficial que postou em seus perfis, afirmando que “manterá em sua memória os momentos felizes que viveu com a equipe, as amizades e a satisfação em sempre dar o seu melhor”. Além disso, desejou sorte à equipe, chefiada por Lawrence, ainda mais com o novo projeto da Aston Martin. O comunicado na íntegra pode ser lido em seu tweet, escrito em inglês e espanhol.

Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que uma equipe rompe o contrato com Checo, mesmo tendo um ano já garantido. Em 2013, a McLaren decidiu dispensá-lo para contratar o dinamarquês Kevin Magnussen. O comunicado da saída também foi anunciado por Pérez, que agradeceu pela oportunidade na histórica equipe. “Foi uma honra estar em uma das equipes mais competitivas do esporte e nunca imaginei que faria parte do time. Sempre dei o meu melhor para a equipe e infelizmente não consegui o resultado que gostaria neste histórico time”, disse. Da mesma maneira que destacou em sua despedida à Racing Point, Checo também lembrou das amizades que conquistou dentro da equipe.

Tradução: “Estou muito triste, cara. Você sabe disso, toda a nossa equipe técnica está” – Mikey
“Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu #amigosparaavida” 15- Sergio

Mikey é um dos mecânicos de Checo e esse foi o seu comentário no post de despedida [4]

Com toda essa repercussão e pegando os fãs de surpresa, as reações foram rápidas de ambas as partes, seja de apoiadores de Vettel e Pérez. Os fãs do alemão comemoraram a nova oportunidade e os do mexicano (e até mesmo quem não o apoiava) ficaram chocados com a maneira que a negociação, conforme exposta por Checo, repentina foi levada. Com isso, começou a discussão citada no começo deste artigo.

É importante contextualizar a carreira de Sergio, desde o começo com as categorias de base, as equipes pelas quais passou pela F1 até o derradeiro momento de sua demissão para chegar no ponto em que quero focar neste artigo: a representatividade latina. 

Como apontado por uma amiga, durante a era de 2010 na F1, tivemos muitos pilotos latinos como os brasileiros Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; os mexicanos Esteban Gutierrez e Sergio Pérez e o venezuelano Pastor Maldonado. Cada um teve o seu destino dentro do esporte e por diversas situações, não continuaram na Fórmula 1. Olhando para o cenário de hoje em dia, vemos como isso foi bom na época, afinal, tínhamos finalmente um pouco de diversidade! Mas desde 2018, Checo é o único latino no esporte. Isso não soa um pouco estranho?

Muitos dos pilotos listados acima sofreram com o escracho da mídia, como por exemplo, Pastor Maldonado. Quantas vezes o venezuelano não foi motivo de chacota? Quantas vezes não encontramos um meme no Facebook, por exemplo, zombando de sua fama de “bate-bate”? E com Rubinho? Até hoje, vemos memes com o “atrasado”, “lento”, “eterno segundo piloto”.

Quando as vozes dos fãs latinos se uniram e começaram a apresentar argumentos extremamente válidos com a sua tristeza quanto à situação envolvendo Checo, é lógico que surgiriam opiniões contrárias. “Mas aonde fica a representação dos pilotos balcãs?”, alguém postou em tom extremamente sarcástico, dando a entender que “não são só os latinos que sofrem com falta de representatividade”. “Mas se Kvyat, que é do leste europeu, saísse da categoria, vocês vão se chatear desse jeito?”, questionou outro.

E é aí que tudo desandou. O debate em si não era mais sobre pilotos e sim sobre representatividade. Assim como a carreira icônica de Senna motivou várias crianças brasileiras – e do mundo afora, como aconteceu com o atual hexacampeão Lewis Hamilton -, a serem pilotos. Quantos programas voltados ao kart surgiram no Brasil, graças a essa visibilidade de Senna? Vários, inúmeros e acho que não conseguiríamos contar nem se quiséssemos. Seu sobrinho, Bruno, seguiu a carreira automobilística e ainda é piloto profissional, agora competindo pelo Campeonato Mundial de Endurance.

Agora, imagine como uma criança mexicana que viu Checo conquistando seu espaço no esporte ano após ano, superando todas as dificuldades, até a ameaça de falência da equipe pela qual competiu na F1, se sentiu ao saber desse rompimento abrupto de seu contrato. Imagine saber que a pessoa que mais se parece com você no grid pode não estar lá em 2021. Isso excede a disputa entre pilotos. Isso não é mais sobre Fulano ou Sicrano.

Sauber, McLaren, Force India e Racing Point… qual será a próxima equipe de Checo? [5, 6, 7, 8]

O ponto que mais me revoltou nessa tour toda foi saber que a dor do outro, de alguém que se vê representado em um piloto da mesma etnia serve de zombaria. Serve de comparação. E o engraçado, de uma forma trágica, é saber que muitas dessas pessoas apoiaram o movimento Vidas Negras Importam e criticaram fervorosamente os pilotos que não se ajoelharam, em respeito ao movimento e ao único piloto negro do grid. Você não pode simplesmente defender uma comunidade que sempre sofreu com o racismo e quando tem a oportunidade de escutar e aprender com uma outra etnia que sofre diariamente com racismo e xenofobia, você opta por fazer pouco caso. 

Como eu comentei com meus amigos mais próximos, além de ser performativo, é nojento. Sabe aquela expressão “lacrastes?” usada muito no Twitter? Então, isso se aplica nessa situação perfeitamente. Você chega a se questionar se a posição antirracista performada no perfil da pessoa era sincera ou apenas um personagem criado para likes. Eu fico com a segunda opção.

Uma pessoa, nesse debate todo, disse que não estava triste pela perda do piloto em si e sim, pela perda de representação no automobilismo. Justo no ano em que a F1 se viu obrigada a criar uma campanha para a diversidade – basicamente pressionada por Lewis, o que acho correto a imposição do britânico -, é difícil engolir isso apenas como uma simples “dança das cadeiras”. Sabemos, enquanto latinos, como somos discriminados por padrões e estereótipos forçados pela mídia e esse tipo de racismo estrutural nos força a ocupar um espaço de coadjuvante, reforça a necessidade de apagar a nossa narrativa, nos mantém invisível e nos impede de ocupar espaços.

Eu, como sempre vi Checo no grid desde quando comecei a ver F1, senti uma profunda tristeza ao saber de sua saída. Considero o mexicano um piloto talentoso, com potencial de desenvolver sua pilotagem a cada temporada e vejo nele o amor pelo esporte. Considerei essa movimentação interna da Racing Point truculenta com o mexicano e agora, interpreto as declarações de Otmar como meros blefes (que foram péssimos, afinal). [1, 2, 3]

Já existem rumores de sua ida à Indy com a McLaren e até mesmo para a Red Bull (vídeo em espanhol). Vale lembrar que essa informação veio da mesma jornalista que cravou a volta de Alonso com a Renault, mas até agora, não se passam de rumores. A Fórmula E parece um mercado bom para ele, que já abrigou ex-pilotos como Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr e Antonio Félix da Costa, que ou já foram dispensados de forma não muito amigável, para ser legal, da Fórmula 1 ou de seus programas de formação, no caso de da Costa.

Espero que Checo consiga algum lugar na Fórmula 1 e em alguma outra categoria em que seja tratado com o respeito que merece. Afinal de contas, não é esse tipo de tratamento que o “prodígio mexicano” (em inglês) merece.

Enquanto aguardamos seu próximo passo, Checo terá o restante da temporada para orgulhar todos os latinos [9]

Fotos

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Montagem feita a partir da foto encontrada em:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

4. Captura de tela da seção de comentários do Instagram de Sergio Pérez

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/