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A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país

Olá, meus queridos leitores. Tudo bem com vocês?

Estou compartilhando com vocês meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre como é feita a transmissão televisiva da Fórmula 1 no Brasil, destacando sua parte técnica, financeira e narrativa. Esse TCC foi realizado em 2020 e foi lançado após o Grande Prêmio de Portugal, antes de alguns acontecimentos, como a primeira pole de Lance Stroll no Grande Prêmio da Turquia, os primeiros pontos de George Russell (com a Mercedes) no Grande Prêmio do Sakhir, e a ida dos direitos de transmissão para a Rede Bandeirantes. Embora sua publicação depois de concluído tenha demorado um pouquinho, aqui estou eu para mostrá-lo a vocês.

O reccorte escolhido foi a temporada de 2019, pois ela havia sido a última completa da Fórmula 1 até a data de finalização. Como analisei o estilo narrativo dos quatro narradores da época (Luís Roberto de Múcio, Cléber Machado, Sérgio Maurício e Galvão Bueno), selecionei uma corrida narrada por cada um deles para desenvolver o trabalho. Logo, os GP’s escolhidos foram os de MônacoFrançaJapãoBrasil. Contém entrevistas com especialistas em Fórmula 1, incluindo Sergio Quintanilha, do portal Terra.

Vale ressaltar que o trabalho foi aprovado com nota máxima pelos três avaliadores: meus professores Renato Tavares Júnior (orientador) e João Alexandre Peschanski, e o editor-chefe do site F1Mania Gabriel Gavinelli. Se você é estudante e está fazendo trabalhos sobre Fórmula 1, talvez o meu TCC possa te ajudar. Ele tem uma ampla bibliografia que fornece muitas informações úteis, e serviu de base para alguns artigos aqui no site.

Só para saber, eu me formei em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo-SP. Espero em breve trazer uma versão traduzida para o inglês e postá-la aqui.

Para mais informações, entre em contato comigo pela aba “Contato” do site. Para acessar o arquivo, clique no título abaixo.

 

A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país

 

Veja o trailer do projeto no YouTube:

 

Análise Grande Prêmio do Brasil de 2019 | 2019 Brazilian Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 17 de novembro, o Grande Prêmio do Brasil de 2019 foi uma corrida enérgica e emocionante. Abandonos imprevisíveis e lutas impressionantes marcaram a penúltima etapa do ano, no Autódromo José Carlos Pace, no bairro de Interlagos, zona sul de São Paulo.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, dividindo a primeira fila com Sebastian Vettel (Ferrari). Pouco depois da largada, Lewis Hamilton (Mercedes) ultrapassou o alemão e começou a caça ao holandês. O companheiro de Vettel. Charles Leclerc, largou em 14º após levar uma punição, porém em poucas voltas chegou ao sexto lugar. Também no começo da prova, Daniel Ricciardo (Renault) e Kevin Magnussen (Haas) se chocaram, levando o dinamarquês a sair da pista e o ítalo-australiano a trocar a asa dianteira. Ricciardo foi punido com 5 segundos pela colisão.

A Mercedes chamou Hamilton para os boxes para tentar um undercut em Verstappen, porém trocou os pneus macios por outros do mesmo tipo. A Red Bull reagiu e chamou Max para a troca de pneus na volta seguinte, também trocando os pneus macios por outros macios. Com isso, tanto Lewis quanto Verstappen seriam obrigados a fazer mais uma troca para usar dois tipos diferentes de pneus. Max voltou à frente (mesmo com Robert Kubica, da Williams, atrapalhando sua saída dos boxes) e conseguiu recuperar a liderança após as paradas de Vettel e Valtteri Bottas (Mercedes). Os líderes algumas voltas mais tarde trocaram seus pneus macios por médios. Kubica foi punido com 5 segundos pela “gracinha”.

Algum tempo depois, Bottas começou a perseguir Leclerc. O carro da Mercedes se aproximava bem da Ferrari, mas não conseguia ultrapassá-la. O motor de Bottas começou a fumar e o finlandês parou seu carro perto da saída dos boxes. O safety car foi chamado e Verstappen foi para os boxes trocar seus pneus médios por macios, tornando Lewis novamente o líder da prova. No entanto, após a saída do safety car, Max o ultrapassou e retomou o primeiro lugar. Em seguida, Alexander Albon (Red Bull) conseguiu bloquear um ataque de Vettel. Pouco tempo depois, Leclerc tentou ultrapassar o companheiro, mas Sebastian não deu muito espaço para Charles. Os dois acabaram batendo, causando um duplo abandono da equipe. Lance Stroll (Racing Point) acabou passando por cima de um pedaço das Ferraris e foi obrigado a deixar a prova. Esse foi o primeiro abandono do piloto indígena desde o Grande Prêmio da Espanha de 2019.

Com Verstappen na liderança, houve uma briga entre Albon e Hamilton que fez com que o tailandês virasse o carro e fosse para o fim do grid. Com isso, o beneficiado foi Pierre Gasly (Toro Rosso), que assumiu o segundo lugar. Os comissários (sempre eles) decidiram analisar o incidente após o fim da corrida. Nico Hülkenberg (Renault) foi penalizado com 5 segundos por ultrapassar Magnussen antes da re-largada.

Max Verstappen foi o grande vencedor, com Pierre Gasly em segundo e Lewis Hamilton em terceiro. Com certeza, o Grande Prêmio do Brasil de 2019 foi melhor do que a edição do ano anterior, arruinada pelo infame piloto sem talento Esteban Ocon. Max sai vitorioso, com uma corrida vencida por seu talento e arrojo. Como recompensa, recebeu um troféu que homenageia Ayrton Senna. Hamilton pode até ser o campeão e ser lembrado como um fã de Senna, mas se a alma de Ayrton já reencarnou, muito provavelmente ela está agora no corpo de Verstappen.  

Atualização: Hamilton foi punido com 5 segundos pela colisão com Albon. Com isso, Sainz herda o pódio.

Max Verstappen: a reencarnação de Ayrton Senna

Notas  

Corrida: 10

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Pierre Gasly: 7
  3. Carlos Sainz Jr.: 9
  4. Kimi Raikkonen.: 9
  5. Antonio Giovinazzi: 9
  6. Daniel Ricciardo: 9
  7. Lewis Hamilton: 8
  8. Lando Norris: 5
  9. Sergio Pérez: 9
  10. Daniil Kvyat: 7
  11. Kevin Magnussen: 6
  12. George Russel: 2
  13. Romain Grosjean: 3
  14. Alexander Albon: 9
  15. Nico Hülkenberg: 5
  16. Robert Kubica: 0

  Abandonaram:

  1. Sebastian Vettel
  2. Charles Leclerc
  3. Lance Stroll
  4. Valtteri Bottas

 Driver of the Day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Robert Kubica (graças a Deus sai da Fórmula 1 ano que vem!!!)

Análise Grande Prêmio do Japão de 2019 | 2019 Japanese Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 13 de outubro, durante o primeiro dia do feriado de Sucot, o Grande Prêmio do Japão de 2019 ocorreu poucas horas depois do treino classificatório, pois o tufão Hagibis atingiu o país durante a semana e seus ventos e chuvas poderiam colocar em risco a vida de todos os presentes no evento. Com a tempestade se deslocou para longe de Suzuka, o tempo para a corrida estava ensolarado, porém com muito vento.

Sebastian Vettel (Ferrari) foi o pole position e largou ao lado de seu companheiro de equipe, Charles Leclerc. Na segunda fila estavam os pilotos da Mercedes, Valtteri Bottas e Lewis Hamilton. Logo após a largada, Bottas ultrapassou Leclerc e Vettel e assumiu a liderança. Ainda na primeira volta, Leclerc jogou o carro em cima de Max Verstappen, tirando causando sérios danos ao carro do holandês, que mais tarde foi obrigado a abandonar a corrida. Os comissários primeiramente decidiram não investigar, depois voltaram atrás, mas decidiram investigar apenas depois da prova. Leclerc foi instruído pela equipe a parar nos boxes devido à asa quebrada, mas Charles não acatou, e um pedaço de sua asa acertou o carro de Hamilton. O monegasco só foi parar para a troca duas voltas depois. Mantendo a tradição da FIArrari, ops, FIA, os comissários decidiram não punir Vettel por ele ter queimado a largada, mesmo com o vídeo provando que ele o fez.

No meio do grid, Lance Stroll (Racing Point) fazia uma ótima prova, conseguindo boa posições, como oitavo e sétimo lugar. Porém o piloto canadense tinha muita dificuldade em ultrapassar Pierre Gasly (Toro Rosso), mesmo se aproximando bastante do piloto francês. Alexander Albon (Red Bull), que havia sido superado pela dupla da McLaren (Carlos Sainz Jr. e Lando Norris) também dava seu melhor e conseguiu ultrapassar os rivais. Nessa disputa, um choque entre ele e Norris fez o inglês parar no fundo do grid. Outro piloto que se destacou foi Daniel Ricciardo (Renault), que superou as consequências de um desempenho ruim da equipe nos treinos classificatórios e conseguiu boas posições ao longo da prova.

Hamilton e Vettel tinham desempenhos semelhantes, mas o inglês não conseguia ultrapassar o alemão. Temendo um undercut, a Ferrari chamou Vettel aos boxes para trocar os pneus antes da dupla da Mercedes. Bottas parou antes de Hamilton e com isso perdeu a liderança. Durante um tempo, Hamilton esteve à frente do grid, porém havia uma suspeita de manobra da escuderia alemã pois Bottas havia sido chamado aos boxes pela segunda vez e Lewis permaneceu na pista mesmo com pneus mais desgastados. No entanto, perto do fim, Hamilton fez a troca e a liderança da prova voltou para Bottas.

Na última volta, quando Hamilton estava quase ultrapassando Vettel, ocorreu um milagre: Sergio Pérez (Racing Point), foi acertado por Gasly e foi parar no muro. Sob bandeira amarela, todos os pilotos tiveram que reduzir suas velocidades. Depois da corrida, Leclerc foi punido com 15 segundos por causar uma colisão e não acatar as ordens de equipe, perdendo sua posição para Ricciardo.

Valtteri Bottas foi o vencedor, com Sebastian Vettel em segundo e Lewis Hamilton em terceiro. Com o resultado, a Mercedes ganhou o campeonato de construtores devido à vantagem de 15 segundos em relação à Ferrari (14 pontos em corrida e um ponto extra pela volta mais rápida de Hamilton). As decisões da FIA revelam três coisas: a segurança e a vida humana vêm antes do show, é possível fazer um grande prêmio com apenas dois dias de preparação, e não importa o quão errado estejam os pilotos da Ferrari, a FIA sempre vai ajudá-la.

Valtteri Bottas: o ninja da Mercedes

Notas

Corrida: 7,5

Pilotos

  1. Valtteri Bottas: 10
  2. Sebastian Vettel: 8
  3. Lewis Hamilton: 8
  4. Alexander Albon: 10
  5. Carlos Sainz Jr.: 8
  6. Daniel Ricciardo: 9,5 (desclassificado)
  7. Charles Leclerc: 0
  8. Pierre Gasly: 6
  9. Nico Hülkenberg: 6
  10. Lance Stroll: 7
  11. Daniil Kvyat: 6
  12. Lando Norris: 4
  13. Kimi Raikkonen: 4
  14. Romain Grosjean: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Kevin Magnussen: 4
  17. George Russell: 4
  18. Robert Kubica: 4

Abandonaram

  1. Sergio Pérez
  2. Max Verstappen

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Valtteri Bottas

Melhores pilotos: Valtteri Bottas e Alexander Albon

Pior piloto: Charles Leclerc

Atualização 1: Devido a um erro no painel eletrônico de Suzuka, que deu a bandeirada antes da última volta, mesmo tendo batido, Sergio Pérez manteve o nono lugar e sua pontuação. Essa corrida conseguiu ser a segunda pior do ano, perdendo apenas para o GP da Itália.

Atualização 2: A Renault foi desclassificada da prova após uma fiscalização descobrir irregularidades em seus carros. Com isso, a punição de Charles Leclerc se torna praticamente anulada, pois devolve o monegasco para o sexto lugar. Pierre Gasly consegue o sétimo lugar, Sergio Pérez o oitavo (mesmo com o abandono), Lance Stroll o nono e Daniil Kvyat o décimo.

Análise GP da França de 2019 | 2019 French GP Analysis

O Grande Prêmio da França de 2019 ocorreu no dia 23 de junho, no confuso circuito de Paul Ricard, em Le Castellet. Esta foi a segunda edição do evento nesta pista desde a sua volta ao calendário da Fórmula 1. Paul Ricard tem o traçado caótico por causa da pintura e das diversas curvas que se mesclam ao caminho dos pilotos. O resultado não poderia ser diferente: corridas chatas e sem emoção. Foi assim em 2018, e aconteceu de novo em 2019.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position acompanhado do companheiro de equipe Valtteri Bottas. Charles Leclerc (Ferrari) e Max Verstappen (Red Bull) completaram a segunda fila. Logo na largada, a dupla da McLaren, composta por Carlos Sainz Jr. e Lando Norris, tentou fechar Verstappen e dificultou a briga com Leclerc pelo terceiro lugar. Houve disputa, mas as posições permaneceram as mesmas. Pouco tempo depois, Sebastian Vettel (Ferrari), que largou do 7º lugar, conseguiu ultrapassar os dois. Também no começo da corrida, Sergio Pérez (Racing Point) cortou caminho para não bater nos concorrentes e voltou para a pista ganhando posições. Os comissários o penalizaram com 5 segundos.

Sem muitas surpresas na frente do grid, as melhores brigas ocorreram na parte de trás. Lance Stroll (Racing Point) conseguiu ultrapassar Kevin Magnussen (Haas) depois de muito esforço e foi guiando firmemente seu carro até a zona de pontuação. Algumas voltas mais tarde, ele estava em 8º. Alexander Albon (Toro Rosso) também conseguiu passar Magnussen. Daniel Ricciardo (Renault) e Pierre Gasly (Red Bull) se enfrentaram, com o australiano de ascendência italiana levando a melhor. Kimi Raikkonen (Alpha Romeo) conseguia atingir a zona de pontuação, enquanto seu companheiro Antonio Giovinazzi, que havia largado em 10º, era facilmente ultrapassado pelos concorrentes.

O carro de Verstappen apresentava problemas de torque e isso impediu que ele se aproximasse de Leclerc, mas Vettel estava bem longe e não foi uma ameaça. O pit stop lento da Red Bull o fez perder posições, que ele só recuperaria bem depois. Outra equipe que fez um péssimo trabalho, e ainda pior que a Red Bull, foi a Racing Point, que esperou Stroll chegar a 6º lugar a apenas algumas voltas do fim para trocar os pneus, fazendo com que todo o ótimo trabalho do canadense terminasse em 13º lugar. Percebo que é muito fácil para certos comentaristas idosos culparem Lance pelos erros de seus engenheiros e estrategistas. Tal trabalho era esperado da fraca equipe Williams, não da herdeira da antiga Force India. Cabe a Stroll explicar isso para a imprensa e cobrar bastante da equipe, que está manchando a imagem de seu piloto injustamente. O único abandono da corrida foi o de Romain Grosjean, com problemas hidráulicos.

Perto do fim, Norris ficou reclamando à equipe por uma ordem a lá Ferrari para que Sainz lhe cedesse o lugar. A escuderia não acatou o pedido e o jovem ficou reclamando até o fim da corrida. Não é a primeira vez que o piloto age dessa maneira. Quem acusava Lance Stroll de ser um “riquinho mimado” mesmo com toda a humildade do canadense, e se cala hoje diante deste comportamento de Lando Norris, nada mais é do que um grandissíssimo HIPÓCRITA.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Charles Leclerc em terceiro. O GP da França é uma daquelas corridas antigas que no passado geraram grandes momentos mas hoje não acrescentam nada de relevante ao calendário. Paul Ricard, repito, é uma pista confusa e suas corridas são muito monótonas. É uma pena que em 2020 não teremos o Grande Prêmio do México, cujo Autódromo Hermanos Rodríguez, é fascinante, enquanto que seremos obrigados a aguentar mais uma chatice de Paul Ricard.

Não é o tipo de comportamento adequado para um piloto de Fórmula 1.

Notas

 

Corrida: 4

 

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9
  2. Valtteri Bottas: 8
  3. Charles Leclerc: 8
  4. Max Verstappen: 9
  5. Sebastian Vettel: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 7
  7. Daniel Ricciardo: 9
  8. Kimi Raikkonen: 9
  9. Nico Hülkenberg: 8
  10. Lando Norris: 6
  11. Pierre Gasly: 3
  12. Sergio Pérez: 4
  13. Lance Stroll: 10
  14. Daniil Kvyat: 5
  15. Alexander Albon: 8
  16. Antonio Giovinazzi: 6
  17. Kevin Magnussen: 4
  18. Robert Kubica: 3
  19. George Russell: 3

 

Abandonou

  1. Romain Grosjean: 3

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Lando Norris

Melhor piloto: Lance Stroll

Pior piloto: Pierre Gasly (11º lugar em uma Red Bull é um resultado vergonhoso)

Análise GP de Mônaco de 2019 | 2019 Monaco GP Analysis

 

 

Como não estou em condições para tal, optei por não analisar essa corrida. Nos vemos na próxima.

 

Atualização (22/05/2021): Posteriormente, o Grande Prêmio de Mônaco de 2019 foi uma das corridas que tive que analisar para o meu TCC da faculdade. Você pode conferir a análise no capítulo 3, subtítulo 3.2.1, páginas 73-79 (74-80 no arquivo), no seguinte link: https://theracingtrack.com/wp-content/uploads/2021/05/A-Formula-1-no-Brasil-Uma-analise-sobre-a-transmissao-televisiva-no-pais.pdf.