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Análise Grande Prêmio do 70.º Aniversário | 70th Anniversary Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | by Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

No dia 8 de agosto de 2020, a Fórmula 1 realizou no Circuito de Silverstone, o mesmo do Grande Prêmio da Grã-Bretanha, o Grande Prêmio do 70º Aniversário como forma de relembrar a primeira corrida de Fórmula 1 da história: o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1950. A data do evento comemorativo coincide com o segundo domingo de agosto, no qual é celebrado o Dia dos Pais no Brasil. Embora tenha sido realizada em Silverstone, esta prova marcou uma grande diferença em relação à etapa anterior. Talvez devido às mudanças implementadas pela Pirelli para evitar o alto desgaste de pneus, houve muito mais disputas por posições.

Publicação feita em 2019 pelo The Racing Track para comemorar o Dia dos Pais. Está um pouco desatualizada (porque alguns pilotos saíram e outros entraram), mas vamos deixar assim porque queremos evitar a fadiga.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Nico Hülkenberg, substituindo Sergio Pérez na Racing Point mais uma vez, largou em terceiro e dividiu a segunda fila com Max Verstappen (Red Bull). Pouco depois do início, Verstappen ultrapassou Hülkenberg, Hamilton atacou Bottas e Sebastian Vettel (Ferrari) rodou, perdendo muitas posições.

Aparentemente, seria mais uma prova em que os melhores momentos se passariam no meio do grid. No entanto, o desgaste de pneus da Mercedes favoreceu a briga entre seus pilotos e Verstappen. A Red Bull tinha uma estratégia diferente de troca, que parecia ser apenas uma contra duas da Mercedes. Porém, embora ambas tivessem duas trocas, a equipe austríaca saiu melhor. Bottas foi o primeiro a parar nos boxes, entregando a liderança a Hamilton. Depois, o inglês parou e Max assumiu a ponta. Bottas e Verstappen chegaram a se enfrentar duas vezes, uma delas após a saída dos boxes de ambos, mas o holandês foi vitorioso. Um fato importante de ser lembrado foi que os pneus da Red Bull tinham mais resistência ao desgaste, enquanto que os de Hamilton praticamente se esfarelaram antes da troca.

Outro momento notável foi o confronto entre Kevin Magnussen (Haas) e Nicholas Latifi (Williams). Durante a disputa por posição, o dinamarquês saiu da pista e voltou para o traçado batendo no canadense. Por causa disso, recebeu uma punição de cinco segundos. Outros pilotos que não tiveram sorte foram Vettel, que permaneceu fora da zona de pontuação por toda a corrida, e Daniel Ricciardo (cuja equipe protagonizou um dos maiores vexames da história da Fórmula 1), que rodou enquanto tentava se defender de um ataque de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e teve de fazer ao todo três trocas de pneus.

Verstappen praticamente correu tranquilo nas últimas voltas. Após voltar em quarto lugar para a pista devido ao pit stop, Hamilton conseguiu superar Charles Leclerc (Ferrari) e travou um duelo com Bottas, do qual saiu vencedor. Magnussen foi o único a abandonar. Diferente do que foi dito no comentário leviano do comentarista brasileiro Luciano Burti, a Racing Point não chamou Hülkenberg aos boxes para que este cedesse a posição ao companheiro Lance Stroll, mas sim porque o alemão sentiu vibrações no carro e precisou fazer uma terceira parada (declaração da própria Racing Point). Hamilton fez a volta mais rápida da prova.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Agora, o holandês é o segundo colocado no campeonato. É gratificante ver uma prova onde não há safety car e os pilotos podem correr livremente pelo traçado e disputar posições. Embora houvesse alguns infortúnios para bons pilotos, como Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel, deve-se ressaltar que a própria Fórmula 1 tomou providências para que a corrida que comemora os 70 anos do primeiro grande prêmio da história não fosse uma carnificina como foi a última prova em Silverstone. Com isto, a categoria prova que pode realizar bons espetáculos se trabalhar duro por isso.

Corpo de menino, alma de campeão: esse é Max Verstappen. (Charge de Rebeca Pinheiro)

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio do 70.º Aniversário não foi a prova mais emocionante que eu já vi, mas posso afirmar com toda a certeza que foi melhor que o Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Como mencionado na análise, o trabalho conjunto da Pirelli com a organização da Fórmula 1 contribuiu para que o safety car fosse evitado.

Max Verstappen teve um desempenho excelente, enfrentando o domínio da Mercedes e vencendo a prova com maestria. A Racing Point também merece elogios, pois seus pilotos foram consistentes e marcaram juntos 14 pontos contra quatro da equipe francesa que se utilizou de meios antiéticos para lhe tomar 15 pontos. Agora, enquanto a concorrente sofre o karma por sua leviandade, o time inglês recupera uma posição no campeonato e desbanca a escuderia responsável pelo Crashgate em 2008.

Por outro lado, Alexander Albon, companheiro de Verstappen, se mostra cada vez mais indigno de sua posição na Red Bull. O tailandês começa suas corridas em posições desfavoráveis, se mantém fora da zona de pontuação durante boa parte das provas, e só consegue superar seus adversários no final. É o típico piloto que apelidamos de “ejaculação tardia”.

Opinião da Adriana:

Nessa corrida, não vou conseguir separar meu lado fã do meu lado profissional. Que corrida desastrosa pro Ricciardo. Sei que aqui temos o costume de eleger o melhor e pior piloto durante a corrida mas hoje, eu escolho a pior equipe como a Renault. É incrível como os franceses são péssimos quando se trata de estratégia. Sei que a rodada do australiano não ajudou seu desempenho na reta final da corrida mas o ritmo da Renault é terrível. Mais uma corrida horrível para Ricciardo pilotando essa coisa chocha, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente. Fecha a conta e passa a régua que eu não aguento mais. Boa sorte ao Alonso em 2021.

Outro piloto que não nos desaponta em nada é Vettel, que entregou mais uma rodada no começo da corrida. É fácil culpar a equipe mas o conjunto da obra – a incapacidade dos italianos em não terem um carro que esperam e a falta de maturidade emocional de Vettel em momentos de crise – não ajuda nenhuma das partes. Mas me compadeço do alemão, deve ser horrível ver o companheiro de equipe ir melhor do que ele com o mesmo carro. Mas ainda sim, meu prêmio de pior piloto da corrida vai para ele. Como disseram na transmissão da Globo: que fase! 

Abro um parênteses para dizer que, mesmo com a Mercedes Rosa, o Hülkenberg não conseguiu um pódio. Queria dizer que fico triste com uma notícia dessas mas eu não consigo gostar do alemão. Fica pra próxima, querido.

Já um piloto que me deu alguns sorrisos durante a corrida foi Albon. Mesmo sendo preterido na equipe austríaca, ele consegue mostrar que consegue sim entregar resultados bons em corridas com condições desfavoráveis. Mais uma vez, o tailandês saiu do fundo do grid e conseguiu chegar na área de pontuação. Quem conhece a Red Bull, sabe muito bem o tratamento dos touros em relação ao segundo piloto mas Albon luta com unhas e dentes para conseguir se destacar do seu jeito. Para mim, ele deveria ser o piloto do dia.

Como destaquei a incapacidade da Renault como equipe, tenho que elogiar a estratégia da Red Bull no pitstop do Verstappen, que conseguiu sair na frente de Bottas e segurar o primeiro lugar. Mas mesmo assim, eu queria esquecer que essa corrida existiu.

Toda a expectativa foi pro brejo. (Charge de Adriana Perantoni)

Notas

Corrida: 8 (Rebeca) 6 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) 8 (Adriana)
  2. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca) 8 (Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 8 (Rebeca) 6 (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  5. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 8 (Adriana)
  6. Lance Stroll: 8,5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  7. Nico Hülkenberg: 8,5 (Rebeca) 5 (Adriana)
  8. Esteban Ocon: 7 (Rebeca) 6 (Adriana)
  9. Lando Norris: 7 (Rebeca e Adriana)
  10. Daniil Kvyat: 8 (Rebeca e Adriana)
  11. Pierre Gasly: 7 (Rebeca e Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)
  13. Carlos Sainz Jr.: 5 (Rebeca e Adriana)
  14. Daniel Ricciardo: 7 (Rebeca) 6 (Adriana – que afirma “Renault, você me paga!”)
  15. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 4 (Adriana)
  16. Romain Grosjean: 6 (Rebeca) 4 (Adriana)
  17. Antonio Giovinazzi: 6 (Rebeca) 4 (Adriana)
  18. George Russell: 6 (Rebeca) 4 (Adriana)
  19. Nicholas Latifi: 6 (Rebeca) 4 (Adriana)

 

Abandonou

  1. Kevin Magnussen: 1 (Rebeca) 0 (Adriana)

Driver of the Day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhores pilotos: Max Verstappen e Lewis Hamilton (Rebeca) | Alexander Albon (Adriana)

Pior piloto: Kevin Magnussen (Rebeca) | Sebastian Vettel (Adriana)