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Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2020

Análise por Rebeca Pinheiro, com comentários e artes de Adriana Perantoni

 

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de novo. Dessa vez com a análise da temporada de Fórmula 1 de 2020. Foi um ano atípico, com cancelamentos e adiamentos de algumas corridas e o ingresso de outras devido à pandemia de Covid-19. No entanto, a FOM se organizou para que a Fórmula 1 continuasse. Mesmo com todos os imprevistos, houve boas corridas, quebras de recordes, e outros momentos marcantes. Sem mais enrolações, vamos recapitular como foi a temporada de cada um dos pilotos.

 

  • Lewis Hamilton

Lewis Hamilton foi o grande vencedor de 2020. Conquistou seu sétimo título mundial com 347 pontos (66 a menos que no ano passado), vencendo 11 das 17 corridas e tendo 14 pódios. Hamilton pontuou em todas as corridas que participou, se ausentando unicamente no Grande Prêmio do Sakhir, pois havia sido diagnosticado com Covid-19. De bônus, quebrou dois recordes: mais vitórias na carreira (95) e mais vitórias vitórias com o mesmo time (74). Além disso, igualou o número de campeonatos de Michael Schumacher e há enormes chances de se tornar octacampeão mundial em 2021. Seu sucesso é fruto de seu talento e trabalho duro, e ninguém pode extinguir seu legado na Fórmula 1.

O inglês também se destacou por seu ativismo antirracista, liderando movimentos de apoio às vítimas de racismo antes de cada corrida. Apesar de muitos torcedores, e até parte da imprensa, terem criticado esta nobre ação, Hamilton cumpriu muito bem o seu papel, não apenas como um dos únicos três pilotos pertencentes a minorias étnicas do grid de 2020 (juntamente com Lance Stroll e Alexander Albon)*, mas também como uma personalidade famosa que pode influenciar a opinião pública. O racismo é algo terrível, que destrói vidas, e é extremamente importante que as pessoas se conscientizem desse mal que assola a humanidade. Deixamos nossos parabéns à liderança de Hamilton na luta contra o racismo.

*Nota: Considerando-se os critérios brasileiros de classificação de minorias étnicas. Se formos adotar o padrão de outros países, como os Estados Unidos, Sergio Pérez seria incluído, por ser latino-americano.

Desejamos que 2021 seja um ótimo ano para Lewis Hamilton, um piloto guerreiro, prudente e talentoso.

Fotos: FIA/F1 handout/EPA | Reprodução / Instagram | Getty Images | Pool via REUTERS | EPA | Getty Images

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Essa temporada foi A temporada para Lewis Hamilton. O britânico quebrou recordes, se consagrou como o melhor de todos os tempos na Fórmula 1, igualou os títulos de Michael Schumacher e brilhou dentro e fora das pistas. Seus protestos por igualdade racial após a morte do americano George Floyd nas redes sociais pressionaram a FIA para fazer algo contra a discriminação e a favor da diversidade no grid, sendo assim, criada a campanha We Race As One (que não tem nada de correr como um só, visto que o britânico foi até investigado por usar uma camiseta pedindo justiça pela morte de outra negra nos Estados Unidos, a jovem Breonna Taylor).

Apesar disso, Hamilton deu um show nas etapas em que disputou (menos Sakhir, na qual estava infectado pela COVID-19) e mostrou que seu talento vai muito além do ótimo carro que guia. Seus erros foram mínimos e quando não errou, pilotou com maestria e deu uma aula na pista. Um momento mais marcante, para mim, além da corrida em que conquistou seu heptacampeonato, foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em que levou seu carro na última volta com um dos pneus dianteiros furados. Essa proeza é para poucos.

 

  • Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2020, com 223 pontos (106 a menos que no ano passado), mas ressalta-se que se não fosse seu pódio no Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria perdido a segunda colocação do campeonato para Max Verstappen. Bottas teve duas vitórias (Áustria e Rússia) e 11 pódios, mas embora tivesse uma certa constância em pontuar (pois ficou fora da zona de pontuação apenas na Grã-Bretanha e Turquia), o finlandês decepcionou em algumas corridas, como Bahrein e Sakhir, as quais terminou em oitavo lugar e teve muita dificuldade para ultrapassar seus adversários. Embora “certas pessoas” tentem relativizar o talento de Lewis Hamilton, reduzindo-o ao bom desempenho do carro da Mercedes, Bottas é a prova de que o carro não anda sozinho. Se o piloto não tem garra o suficiente, o carro não faz milagres. E o finlandês, com o mesmo carro, estava muito atrás do inglês em performance.

Bottas teve duas condutas reprováveis no ano. Uma foi quando fez uma piada contra os chineses, e a outra foi no final do Grande Prêmio da Rússia, quando desferiu palavras de baixo calão a seus críticos. Embora ninguém goste de ser criticado, deve-se diferenciar críticas construtivas de destrutivas. Uma coisa é criticar pilotos que estão começando há pouco tempo e arrumar justificativas patéticas para isso (tal como fez Jacques Villeneuve contra Max Verstappen e Lance Stroll). Outra bem diferente é cobrar bons resultados de um piloto que está no melhor carro do grid. O caso de Bottas se encaixa no segundo tipo. Mandar seus críticos para “aquele lugar” não é uma ação defensiva, mas sim uma imaturidade do atleta que se recusa a fazer uma autocrítica. O próprio Bottas afirmou ter evitado a internet e as notícias após o Grande Prêmio do Sakhir, o qual perdeu a liderança para o novato George Russell* na primeira curva. Pode ter sido uma boa estratégia para fortalecer seu psicológico, mas o finlandês não vai poder se esconder da verdade por muito tempo.

*Nota: Lembrando que George Russell estava em sua primeira corrida pela Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid), por isso foi considerado aqui como “novato”. Russell estava em seu segundo ano na Fórmula 1, mas havia corrido apenas pela Williams.

Desejamos a Valtteri Bottas que 2021 seja um ano melhor, que ele tenha mais prudência nas ações e palavras e que mostre sua função na Mercedes.

Foto: Getty Images

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O que dizer de Valtteri Bottas? O finlandês tem a difícil tarefa de ser companheiro de equipe do melhor do mundo e ainda tem que aguentar um “novato” na espreita, esperando apenas a oportunidade certa de dar um bote em sua vaga na Mercedes. Esse ano, Bottas assumiu mais uma vez o posto de vice e até disse em uma entrevista que acreditava que poderia bater Hamilton. Nem nos seus sonhos, Valtteri.

O finlandês pouco entregou nesta temporada, servindo apenas para ajudar a Mercedes a conquistar com folga o campeonato de construtores. Mesmo quando Hamilton desfalcou a equipe e Russell o substituiu, ele não conseguiu superá-lo, levando uma bela ultrapassagem, dessas que você assiste e se arrepia, no GP de Sakhir. Mais uma temporada morna de um piloto mediano que guia um carro que não merece.

 

  • Max Verstappen

Max Verstappen foi o terceiro colocado do campeonato de 2020, com 214 pontos (64 a menos que no ano passado). Teve duas vitórias (70º Aniversário e Abu Dhabi) e 11 pódios, e como dito na análise de Valtteri Bottas, se não fosse o pódio do finlandês na última corrida do ano, Max teria sido vice-campeão. Verstappen teve cinco abandonos, pontuando em todas as demais corridas. Além disso, o holandês foi um dos dois únicos pilotos de fora da Mercedes a largar da pole position em 2020 (juntamente com Lance Stroll) e um dos três únicos de fora da Mercedes a vencer no ano (ao lado de Pierre Gasly e Sergio Pérez).

Mas nem tudo foi elogiável na temporada de Verstappen. Para começar, ele foi um dos seis pilotos que decidiu não se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Nos treinos do Grande Prêmio de Portugal, fez uma ofensa racista contra Stroll, chamando-o de “mongol”. Ainda que muitos tentem amenizar esta atitude, não é correto associar uma doença mental a uma etnia (por isso que o termo “mongol” é sim, racista), nem insinuar que o adversário tenha tal enfermidade apenas por um acidente (que se forem analisadas as imagens, foi causado não por Stroll, mas por Verstappen). No Grande Prêmio do Bahrein, disse que se algum piloto não quisesse retornar à corrida após o grave acidente de Romain Grosjean, este não merece um assento na Fórmula 1. É lamentável que um dos pilotos mais talentosos do grid, e um dos favoritos da criadora deste site, tenha uma atitude tão baixa e antiética. Verstappen sempre se destacou na Fórmula 1 por sua determinação, resultados brilhantes, e capacidade de calar aqueles que duvidavam de seu potencial. Ele não deveria seguir o exemplo de outros atletas que ficaram conhecidos pelas frases polêmicas. Por este motivo, Max Verstappen é um dos candidatos ao Troféu Boca de Fogo que será dado em 2021 no The Racing Track Awards.

O nível de competitividade da Fórmula 1 em 2020 estava abaixo do esperado. Logo, apesar de ter sido uma presença constante no pódio, Max não teve muitas chances de propiciar um espetáculo aos fãs (uma exceção foi o Grande Prêmio do 70º Aniversário). A Red Bull foi a segunda colocada entre as construtoras porque o desempenho da Ferrari caiu drasticamente, pois a escuderia austríaca ainda não foi capaz de providenciar um carro vencedor a Verstappen que possibilite que ele dispute de igual para igual com Lewis Hamilton. E apesar disso, o holandês ama tanto a equipe que se recusa a sair dela, arruinando suas chances de progredir na carreira e se estagnando como um “piloto de pódios que às vezes vence”. Leia mais sobre isso em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

Desejamos a Max Verstappen que em 2021 ele tenha mais prudência nas palavras e ações, e que tenha mais oportunidades de brilhar.

Fotos: Getty Images / Red Bull Content Pool

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O holandês, mais uma vez, mostrou que é bom no que faz. Pelo menos nas pistas. Verstappen fez parte de 90% dos pódios nesta temporada, completando o top 3 do campeonato junto com Hamilton e Bottas. As falhas do holandês vieram por conta de problemas com seu carro, muitas vezes motivadas pelo motor Honda. Contudo, ele continua tendo atitudes desportivas em relação aos seus rivais, vide seu rádio lamentável no treino livre do GP de Portugal, onde ofendeu Stroll com expressões capacitistas e racistas, no qual até mesmo o governo da Mongólia cobrou uma posição do piloto, o que ainda não teve resposta.

Verstappen ainda precisa amadurecer em suas atitudes com seus colegas de trabalho e espero que no ano que vem, episódios desse tipo não aconteçam, sejam dele ou de qualquer outro piloto no grid.

 

  • Alexander Albon

Alexander Albon foi o sétimo colocado de 2020, com 105 pontos (13 a mais que no ano passado). Teve dois pódios (terceiro lugar na Toscana e no Bahrein) e apenas um abandono, no Grande Prêmio do Eifel, pontuando em 12 corridas de um total de 17. Embora a Red Bull estivesse mais forte nesse ano devido ao fracasso da Ferrari, Albon não conseguiu acompanhar o desempenho de Max Verstappen, oscilando constantemente entre o sexto e o décimo lugar, o que não é desejável para um piloto de equipe de ponta. Apenas na Estíria e em Abu Dhabi que o tailandês conseguiu o quarto lugar e se aproximou do companheiro.

Devido a uma série de fatores, Albon foi rebaixado à posição de terceiro piloto da Red Bull. Sergio Pérez o substituirá como piloto titular. O mexicano teve de sair da Racing Point após Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprar ações da futura dona da equipe, a Aston Martin. Consequentemente, o tailandês foi sacrificado por uma pressa da Red Bull em ter dois pilotos competitivos o suficiente para agradar Helmut Marko. Havia muita pressão em Albon para ser como Verstappen desde que o tailandês substituiu Pierre Gasly em 2019, e infelizemente teve o mesmo destino do francês. Albon teve pouco tempo para desenvolver todo o seu potencial. Para entender melhor a situação, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Desejamos a Alexander Albon boa sorte nessa nova etapa da carreira e que em 2021 apareça uma boa oportunidade para superar a frustração desse rebaixamento injusto.

Fotos: FIA Pool Image for Editorial Use

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O que parecia uma temporada promissora para Albon, logo mostrou-se sua temporada de despedida (por enquanto). Logo na primeira corrida, Albon se envolveu em um acidente com Hamilton, muito parecido com a colisão do GP do Brasil do ano passado. E a partir daí, parece que o tailandês diminuiu, quase sumiu. Nem seus dois pódios foram o bastante para ele se reerguer e mostrar ao que veio.

Na minha opinião, parece que ele desistiu. A pressão imposta pelos dirigentes da equipe taurina é cruel, temos Gasly como um exemplo recente, mas o tailandês se apequenou diante das dificuldades. Em um de seus rádios, após quase colidir com Gasly, o tailandês disse que “eram duros demais com ele” na pista. Tanto Horner quanto Helmut Marko se aproveitaram dessa brecha e começaram a fazer seus costumeiros jogos mentais com Albon, soltando uma nota aqui na imprensa, outra acolá em uma entrevista após a corrida. Mas não adiantou, Albon foi rebaixado ao cargo de piloto reserva da Red Bull Racing para 2021. Espero que o tailandês se reerga e ache seu lugar, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria, encontrando uma equipe que o acolha, ao invés de simplesmente tratá-lo como a Red Bull o tratou.

 

  • Sergio Pérez

Sergio Pérez foi uma das grandes surpresas de 2020. Terminou o campeonato em quarto lugar, com 125 pontos (73 a mais que no ano passado). Apesar de ter ficado de fora de duas corridas (Grã-Bretanha e 70º Aniversário) devido à Covid-19, o mexicano foi bem consistente, pontuando em 13 corridas, tendo um pódio na Turquia (segundo lugar) e uma incrível vitória no Sakhir (a primeira de sua carreira). Esta ocorreu após Pérez ser tocado por Charles Leclerc e obrigado a trocar os pneus ainda na primeira volta. Por esta razão, sua vitória é candidata ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards em 2021.

Por muito pouco, o mexicano não ficou de fora do grid do ano que vem. Isso porque depois que Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprou as ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point, a equipe inglesa não renovou o contrato de Pérez para que o alemão se juntasse ao time. Obviamente, a imprensa tentou culpar Lance Stroll pela situação, mesmo que o canadense não tivesse culpa nenhuma disso. Mas os fatos não mentem: Vettel sabia que estava sem opções para 2021 e preferiu garantir seu assento comprando-o (ou alguém realmente acredita que ele investiria em uma equipe na qual não teria interesse em participar?). Temos duas fontes muito confiáveis dessa informação: as matérias de Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), e de Sergio Quintanilha no portal Terra (veja aqui). Para entender o caso como um todo, leia e “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Seria muito ruim se Pérez ficasse de fora do grid (leia mais em “A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina”), mas há males que vêm para o bem, e o piloto agora está oficialmente em uma equipe de ponta. Um aviso aos fãs de Pérez: o inimigo de vocês não se chama Lance Stroll, nem Lawrence Stroll (que, inclusive, estava hesitante com o ingresso de Vettel, mas seus sócios eram a favor), o inimigo de vocês se chama Sebastian Vettel. Demos as fontes para vocês checarem. O que houve é que o alemão não quis colher o que plantou e usou uma ferramenta poderosa para se manter no grid: o dinheiro.

Desejamos a Sergio Pérez que 2021 seja um ano de muito sucesso e realizações.

Fotos: Motorsport Images | Glenn Dunbar

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A temporada foi emocionante para Pérez, em todos os sentidos. Como esperado, o mexicano teve resultados consistentes no começo da temporada, conquistando bons pontos e colocações nas corridas. Até que, antes do GP da Inglaterra, Pérez testou positivo para a COVID-19, perdendo assim duas corridas. Ao retornar, no GP da Espanha, ele conseguiu um bom quinto lugar (quarto, se não fosse por uma punição) e algumas corridas depois, anunciou sua saída da Racing Point no final da temporada para dar lugar a Sebastian Vettel. A notícia veio como uma surpresa para o mexicano, que até então, tinha um contrato até 2021. Mesmo com essa notícia, Pérez conseguiu três pódios e sua primeira vitória, no GP de Sakhir.

Ano que vem, Checo correrá pela Red Bull, tendo assim sua segunda chance em uma equipe de ponta (a primeira foi com a McLaren em 2013, o que não deu certo graças ao péssimo carro daquele ano). Será que veremos o mexicano mais vezes no degrau mais alto do pódio? É o que esperamos.

 

  • Lance Stroll

Ah, Lance Stroll… o piloto que fez a criadora do site ficar igual ao Hiashi Hyuuga em pelo menos três corridas (fãs de Naruto entenderão a referência). O canadense marcou 75 pontos (54 a mais que no ano passado), o mesmo total de Pierre Gasly. Se não tivesse aberto passagem a Esteban Ocon na última volta do Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria conseguido um ponto a mais e terminado o campeonato em décimo. Por causa dessa “gracinha” desnecessária, o critério de desempate entre Stroll e Gasly foi o número de vitórias. Com isso, o francês ficou em décimo lugar e o canadense em décimo primeiro. Vou me abster de comentar mais sobre isso, senão vou ao cartório mudar meu nome oficialmente para Hiashi.

Stroll conseguiu dois pódios em 2020, na Itália e no Sakhir (chegando em terceiro em ambas as corridas), teve a primeira pole position da carreira na Turquia, e ótimas atuações na Hungria e na Espanha. Apesar dos contratempos, Lance pontuou em 10 corridas. Alguns fatores o atrapalharam, como a Covid-19 (que o tirou do Grande Prêmio do Eifel), um acidente provocado por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Rússia e, principalmente, a incompetência dos estrategistas de sua equipe (que impediram seu pódio na Turquia). Os erros grosseiros da Racing Point nos pit stops são uma das prova de que Stroll não tem privilégios na equipe (se tivesse, no mínimo teria pedido ao pai para demitir esse estrategista “jênio” que não acerta uma). E antes que alguém abra a boca para falar do caso de Sergio Pérez, que teve de sair da Racing Point para dar lugar a Sebastian Vettel, saiba que o motivo dessa mudança foi a compra de ações da Aston Martin por Vettel (pode checar as matérias de Adam Cooper (veja aqui) e de Sergio Quintanilha (veja aqui)).

Ainda em 2020, Stroll teve atitudes louváveis, como o apoio às vítimas de racismo, o cavamento de poços d’água na Gâmbia e a doação à Fundação do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Além disso, se mostrou um gentleman e respondeu com classe às grosserias de Max Verstappen e Lando Norris (provando que os indígenas não são “selvagens” e que nem sempre os europeus agem como “civilizados”).

Desejamos a Lance Stroll um 2021 ainda melhor, com muito sucesso e realizações. E um conselho meu: preste atenção em suas amizades.

Fotos: Getty Images | Pool via REUTERS | Wires Pool

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A temporada de Stroll foi agridoce. Com bons resultados no começo da temporada, o canadense mostrava confiança, talvez nunca vista antes. Um terceiro lugar na classificação no GP da Hungria e seu pódio em Monza foram fatores decisivos para a tal confiança. Porém, uma onda de azar o atingiu: abandonos, batidas e até COVID-19 são incluídos nessa lista. Porém, após ter um pouco de dificuldades em se recuperar totalmente do COVID, Stroll respondeu às críticas na pista: ele foi o único piloto além de Bottas, Hamilton e Verstappen a conquistar uma pole (Turquia), a primeira de sua carreira e ainda conquistou o pódio em Sakhir, garantindo a primeira dobradinha no pódio para a Racing Point.

Mesmo sendo superado por Pérez, sofrendo com erros de estratégia (se comparados a Pérez, estes foram mínimos) e tendo vários infortúnios durante a temporada, Stroll consegue tirar alguns pontos bons dessa temporada. Basta esperar para ver o que a Aston Martin reserva para Stroll.

 

  • Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. terminou o ano em sexto lugar, com 105 pontos (nove a mais que no ano passado). Teve um pódio na Itália (segundo lugar), pontuou 12 vezes, e seu pior momento foi no Grande Prêmio da Bélgica, pois um problema no motor o impediu de largar. Sainz teve apenas dois abandonos, na Toscana e na Rússia.

Assim como Max Verstappen, o espanhol teve momentos lamentáveis referentes a suas condutas. Antes da temporada começar, ele havia feito uma piada contra os chineses, e depois foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Tais comportamentos não são aceitáveis a um piloto com tanta visibilidade, que ainda por cima correrá pela Ferrari em 2021 após a demissão de Sebastian Vettel.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. que 2021 lhe traga mais sabedoria e consciência, para que possa ter uma temporada com um bom aproveitamento do carro e dar um bom exemplo aos ferraristas.

Foto: XPB Images

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De saída da McLaren em sua melhor temporada, Sainz teve seus bons momentos na temporada. O segundo lugar em Monza (que, se não fosse por um erro na relargada, o espanhol tinha grandes chances de vencer aquela corrida) foi o ponto alto de Sainz. Em uma disputa equilibrada com Norris, o espanhol mostrou que consegue desafiar seus companheiros de equipe mas, ao meu ver, ele ainda foi ofuscado pelo britânico. Minhas diferenças com Sainz, seja pela falta de respeito e sensibilidade à Lewis Hamilton ao não ajoelhar antes das corridas e também, ao episódio xenófobo protagonizado em uma parceira paga por um de seus grandes patrocinadores me impede de prestar mais atenção no espanhol.

Confiante com a recuperação da Ferrari para a próxima temporada, ele diz que não se arrepende em ter deixado o time de Woking… Vamos aguardar para ver se o arrependimento vai bater em 2021 e se ele resistirá à pressão de Leclerc, que está longe de ser um Norris da vida.

 

  • Lando Norris

Lando Norris terminou o ano em nono lugar, com 97 pontos (48 a mais que no ano passado). Conseguiu seu primeiro pódio da carreira no Grande Prêmio da Áustria, após Lewis Hamilton ter sido punido por colidir com Alexander Albon. Além disso, pontuou 12 vezes e só teve um abandono, no Grande Prêmio do Eifel. Apesar de ter se ajoelhado em solidariedade às vítimas de racismo, Norris tentou “passar pano” para aqueles que não se ajoelharam, o que levou a um questionamento dos motivos por sua escolha: se realmente se importava com o racismo, ou se participou do ato apenas para se promover. Mas esta não foi a única polêmica do inglês neste ano.

Infelizmente, o comportamento infantil de 2019 se repetiu em 2020. No Grande Prêmio da Bélgica, ofendeu seu engenheiro com palavrões por ele ter apenas alertado o piloto sobre suas saídas do traçado. Na Itália, apesar de ter cometido uma infração (ter sido excessivamente lento no pit stop), reclamou de Lance Stroll por trocar os pneus durante a bandeira vermelha (apesar de isto estar de acordo com o regulamento), demonstrando despeito pelo canadense ter tido um pódio na corrida e ele não. No Eifel, agiu grosseiramente com sua equipe. Mas a conduta mais lamentável ocorreu no Grande Prêmio de Portugal, quando ofendeu dois pilotos: primeiro, esbravejou contra Lance Stroll devido a uma colisão e disse que o canadense “nunca aprende com seus erros” (como se Norris aprendesse, pelo que vemos aqui), depois desmereceu o sucesso de Lewis Hamilton em uma entrevista, afirmando que seus resultados se davam pelo piloto da Mercedes “ter o melhor carro”. Como sua fala não foi bem recebida pelos torcedores, Norris se retratou no dia seguinte, mas não da maneira mais correta, dizendo que disse coisas ruins sobre “certas pessoas”, revelando falta de humildade e de autocrítica, por não ter coragem de dizer os nomes dos pilotos que ofendeu.

No entanto, a equipe de marketing por trás de Norris merece um prêmio, pois mesmo com todas essas atitudes, a mídia ainda o trata como um piloto perfeito, e seus fãs o defendem com unhas e dentes, mesmo quando está nitidamente errado (se fosse outro piloto agindo dessa forma, já teria sido linchado). A própria Fórmula 1 parece supervalorizá-lo, pois Norris aparece mais nas postagens da categoria no Instagram do que o próprio Hamilton, que é campeão. Devido à sua conduta antiética em 2020, principalmente no Grande Prêmio de Portugual, Norris é candidato ao Troféu Boca de Fogo no The Racing Track Awards. Isso não significa que temos algo contra ele pessoalmente (uma de nossas colunistas é fã dele e outra divide o aniversário com ele), mas devemos ser coerentes: elogiar o que deve ser elogiado (como ter usado o capacete desenhado por uma fã de 6 anos no Grande Prêmio da Grã-Bretanha) e criticar o que deve ser criticado. Aqui, todos os pilotos são iguais, nenhum está acima de outro para receber tratamento privilegiado.

Desejamos a Lando Norris que em 2021 ele “dê o exemplo” e realmente aprenda com seus erros. Apesar de seu pai se chamar Adam, não fica bem para um piloto agir como o príncipe antes de ser transformado em Fera (fãs da Disney entenderão a referência).

Foto: Pirelli

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Em sua segunda temporada, Norris foi a peça chave para o triunfo da McLaren e a evolução da histórica equipe para chegar ao terceiro lugar no campeonato de construtores. Com contrato confirmado para a próxima temporada, o britânico não perdeu tempo em mostrar que seu bom desempenho em 2019 não foi apenas fogo de palha e logo na primeira corrida da temporada, conseguiu seu primeiro pódio: um terceiro lugar no GP da Áustria. Dessa corrida em diante, seus resultados foram consistentes e ele não teve medo de desafiar os pilotos mais experientes na pista, vide sua disputa por posições na ultima volta com as duas Racing Point e Ricciardo no GP de , na qual ele levou a melhor.

Se Norris conseguiu se manter estável e obter bons resultados para seu campeonato e de sua equipe com um motor Renault – que no bólido da McLaren, não teve problemas de confiabilidade -, ele também pode incomodar seus concorrentes mais próximos no ano que vem, já que a McLaren terá motores Mercedes. Basta esperar e ver. E como Rebeca bem observou na análise, espero que Lando reveja suas atitudes, inclusive sua “boca de fogo”.

 

  • Pierre Gasly

Pierre Gasly terminou o ano com 75 pontos (20 a menos que no ano passado), em décimo lugar. Se 2019 foi um ano decepcionante, por não ter conseguido acompanhar o desempenho de Max Verstappen e ter sido rebaixado de volta para a Red Bull, em 2020 Gasly renasceu das cinzas como uma fênix e conseguiu sua primeira vitória da carreira, no Grande Prêmio da Itália, que concorre ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards. O francês pontuou em 10 corridas e teve três abandonos (Hungria, Toscana e Emília-Romanha).

Gasly provou que os pilotos têm tempos diferentes de adaptação, e que a Red Bull age de maneira impulsiva com seus pilotos, exigindo perfeição a curto prazo. Isso acaba sacrificando a reputação e o trabalho de jovens atletas, como foi o caso de Alexander Albon, que substituiu o francês em 2019 e sofreu o mesmo destino em 2020. A vitória na Itália trouxe os holofotes para Gasly, e há especulações de que a Alpine (futuro nome da Renault) planeja contratá-lo em 2022. Vamos aguardar novas informações sobre este caso.

Desejamos a Pierre Gasly muito sucesso para 2021 e esperamos que seus resultados sejam ainda melhores.

Fotos: XPB Images/PA Images

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Monza foi uma das corridas mais emocionantes dessa temporada e muito dessa emoção é devido ao triunfo de Gasly. Ver uma vitória inesperada após diversos pódios com os mesmos pilotos foi um alívio e ver Gasly tendo a sua primeira vitória com a Alpha Tauri, um ano após ser rebaixado da Red Bull por “falta de resultados” foi emocionante. Lembro que vi uma entrevista em que Gasly disse que, após ser rebaixado ao time B da Red Bull, Anthoine Hubert, um de seus amigos de longa data, lhe ligou e disse “prove que eles estão errados” e de fato, ele provou. Além disso, provou que em um ambiente de trabalho saudável, consegue entregar os resultados esperados. Sua vitória foi um misto de sorte e talento, no qual o último foi provado no restante da temporada.

 

  • Daniil Kvyat

Daniil Kvyat terminou a temporada no décimo-terceiro lugar, com 32 pontos (cinco a menos que no ano passado). Pontuando em sete corridas, o russo teve como seu melhor resultado o quarto lugar no Grande Prêmio da Emília-Romanha. Dessa vez, Kvyat esteve bem abaixo de Pierre Gasly em termos de desempenho. Além disso, um episódio lamentável foi sua recusa em se ajoelhar em apoio às vítimas do racismo.

O ex-namorado de Kelly Piquet não largou o jeito “torpedo” de direção. Embora não tivesse culpa, ele quase se envolveu no acidente com Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, e na mesma corrida, dessa vez por sua culpa, colidiu com Lance Stroll e tirou o canadense da prova. Por causa disso, Kvyat é um dos candidatos ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. O estilo barbeiro e o desempenho abaixo do esperado contribuíram para a decisão da AlphaTauri de demití-lo para dar lugar ao japonês Yuki Tsunoda (a quem desejamos boa sorte). O russo agora deve repensar sua carreira pois sua imprudência lhe custou a vaga, como houve com Esteban Ocon em 2018 e Sebastian Vettel na Ferrari em 2020 (talvez se Kvyat tivesse comprado ações de algum time, teria se mantido no grid tal como fez Vettel).

Desejamos boa sorte a Daniil Kvyat em 2021, seja qual for seu destino.

Foto: Planet F1

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Em sua terceira passagem pela AlphaTauri (as duas anteriores foram com a Toro Rosso), Kvyat não impressionou e mais uma vez, foi superado pelo seu companheiro de equipe. Não se sabe ao certo o porquê o russo ficou tão longe de Gasly mas isso não agradou a alta cúpula taurina, que o dispensou de forma fria no final da temporada. Sem saber ao certo seu futuro na categoria, Kvyat diz adeus a Fórmula 1, com uma temporada fraca e com vários incidentes em seu currículo, reforçando apenas a alcunha de “torpedo”.

 

  • Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo foi o quinto colocado de 2020, com 119 pontos (65 a mais que no ano passado). O ítalo-australiano teve dois pódios (terceiro lugar no Eifel e na Emília-Romanha) e pontuou 14 vezes, tendo apenas um abandono, na Áustria. Sua atuação também foi elogiável na Grã-Bretanha, BélgicaToscana. Embora longe de seus dias áureos, ele teve um grande avanço em relação a 2019, e no ano que vem estará na McLaren em busca de resultados melhores.

Ricciardo é um dos pilotos mais inteligentes do grid, e a troca da Renault pela escuderia inglesa é uma decisão muito boa, pois o time tem muito a ganhar com a experiência e conhecimento automobilístico do piloto. Ao mesmo tempo, a Renault de mostrou indigna de tê-lo como atleta, pois focou mais em tentar desqualificar suas concorrentes do que em melhorar seu carro, agindo de maneira hipócrita dado o seu histórico. Leia mais em “Renault: Um Passado Que Condena”.

Desejamos a Daniel Ricciardo boa sorte em sua nova etapa da carreira e que 2021 lhe traga sucesso e brilho.

Fotos: Formula 1 via Getty Images

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Em sua temporada de despedida da Renault, com um carro um pouco melhor comparado ao ano de 2019, Ricciardo surpreendeu ao conquistar dois pódios nos GPs de Eifel e Emilia Romagna. O australiano ficou no ‘quase’ em outras ocasiões também, como no GP de Toscana, perdendo a terceira posição para Albon. Só sei que, depois dos dois ataques de nervoso que eu tive em seus pódios, o australiano terá que pagar minhas consultas na terapia.

Em muitas análises, eu bati na tecla que o carro é um fator importante nos bons resultados mas nada adianta ser um piloto mediano. Ricciardo evoluiu durante a temporada junto com seu carro e conseguiu tirar leite de pedra em muitas ocasiões. De destino certo para a McLaren no ano que vem, o australiano tem ótimos motivos para não tirar o sorriso do rosto, contando com a evolução da equipe “papaia” e com uma chance de voltar ao pódio mais vezes. Será bom ver Ricciardo sendo, de fato, competitivo mais uma vez.

 

  • Esteban Ocon

Como previsto pelo The Racing Track em 2019, Esteban Ocon precisou desatar os laços com a Mercedes para conseguir voltar à Fórmula 1. A Renault lhe deu uma chance, substituindo Nico Hülkenberg, e o hispano-francês terminou a temporada em décimo-segundo lugar, com 62 pontos. Nota-se que seu retorno não foi tão celebrado pela mídia quanto sua saída foi lamentada em 2018. Para entender as razões disso, leia “Entenda o Caso Esteban Ocon”. Conseguiu seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Sakhir (segundo lugar) e pontuou 10 vezes. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Lamentavelmente, embora tenha crescido como atleta, Ocon ainda manteve um perfil imaturo como em 2018. Por motivos pessoais, decidiu não cumprimentar Pierre Gasly por sua vitória no Grande Prêmio da Itália, demonstrando falta de espírito esportivo (uma coisa que sempre lhe faltou, veja os casos na matéria citada no parágrafo anterior). Apesar de sua conduta antiesportiva, Ocon parece encantar alguns como o canto de uma sereia. Uma de suas vítimas é Lance Stroll, que acredita fielmente que o hispano-francês é seu amigo mesmo com todas as sacanagens que ele aprontou para o canadense.

Desejamos a Esteban Ocon mais sabedoria para 2021, para que sua postura mude e ele possa alcançar melhores resultados.

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Foto: Formula 1 via Getty Images

O francês ficou um ano longe da Fórmula 1 após a demissão da Racing Point no final de 2019 e quando voltou, provou que ainda é o piloto arrojado que conhecemos. Mesmo com alguns abandonos e perdendo de lavada de Ricciardo tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, Ocon não deixou que isso o abalasse e terminou a temporada de forma consistente, conquistando seu primeiro pódio em Sakhir.

Ano que vem, o francês enfrenta o bicampeão Fernando Alonso, que também não deixa barato as disputas nas pistas e muito menos fora delas. O gênio do espanhol colidirá com o de Ocon ou a versão good vibes do francês continuará por mais tempo? Essa será uma disputa interessante de se ver. Netflix, trate de filmar tudo.

  • Sebastian Vettel

Sebastian Vettel terminou 2020 no décimo-terceiro lugar, com 33 pontos (207 a menos que no ano passado). Sua temporada foi drasticamente diferente em relação à anterior: teve apenas um pódio (terceiro lugar na Turquia) e pontuou em apenas seis corridas. Em compensação, teve dois únicos abandonos (Estíria e Itália). Nota-se que o carro da Ferrari teve um desempenho muito abaixo do esperado, e não pode-se considerar que ela foi uma equipe de ponta em 2020. Outro ponto a ser considerado é que a escuderia italiana decidiu não renovar o contrato do alemão para 2021 antes mesmo da temporada de 2020 começar, o que agravou o mal-estar entre piloto e time. Ele será substituído por Carlos Sainz Jr.

A verdade é que os acidentes e a imprudência de Vettel contribuíram para a decisão da Ferrari (leia mais em “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”), mas o alemão não se deu por vencido e se recusou a tirar um ano sabático. Comprou ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point e movimentou o mercado de pilotos: Sergio Pérez teve de sair para que Vettel entrasse, indo para a Red Bull e substituindo Alexander Albon (leia mais em “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”). A mídia, como sempre, tentou culpar um piloto indígena inocente para não admitir que o europeu estava nitidamente comprando vaga. A prova das intenções de Vettel foi o desdém deste pela situação de Pérez (pode checar na reportagem de Adam Cooper aqui).

É triste que um tetracampeão tenha recorrido a isto para permanecer no grid, e é por seu passado glorioso na Red Bull que alguns torcedores duvidam de sua manobra. Mas daí fica a pergunta: Por que Vettel investiria seu dinheiro em uma equipe que não fosse de seu interesse?

Desejamos que em 2021 Sebastian Vettel se recupere de seu prejuízo em 2020 e tenha uma temporada com ótimos resultados.

Foto: Scuderia Ferrari Press Office

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Sua última temporada na Ferrari deixou um gosto amargo na boca do alemão. Pilotar para a escuderia era o sonho de Vettel, que deixou a Red Bull no final de 2014 para tentar o tão sonhado pentacampeonato com a mesma equipe que viveu tempos de glória com Schumacher, seu ídolo. Porém, o sonho não foi bem assim. Quase sempre ficando no quase, Vettel deu seu adeus aos italianos com um dos piores carros que pilotou na carreira, apostando na promessa da Aston Martin em 2022.

Muitas vezes, o alemão tinha que traçar suas próprias estratégias durante a corrida e mesmo assim, seus resultados foram abaixo da média. Seu pódio na Turquia pode ser considerado como um presente de Leclerc, talvez de despedida, quem sabe. Ironicamente, acabou no pódio com seu rival nas pistas por alguns campeonatos – Hamilton – e viu o britânico conquistar um sonho que ele tinha, se igualar a Schumacher e, justamente o piloto que substituirá na próxima temporada – Pérez. Vamos ver se a Aston Martin consegue manter os resultados consistentes ano que vem, dando assim um alívio ao alemão.

 

  • Charles Leclerc

Charles Leclerc foi outra vítima do fraco desempenho da Ferrari em 2020. Terminou o campeonato em oitavo lugar, com 98 pontos (166 a menos que no ano passado), tendo apenas dois pódios (segundo lugar na Áustria e terceiro na Grã-Bretanha) e pontuando em 10 corridas. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Sua melhor sequência de pontuações foi entre os Grandes Prêmios da Toscana e do Bahrein, oscilando entre o quarto e o décimo lugar. Leclerc enfrentou muita dificuldade para superar seus adversários, dirigindo uma Ferrari longe de ser competitiva, mas teve algumas atuações boas, como na Toscana. Entretanto, sua colisão com Lance Stroll no Grande Prêmio da Rússia (e sua recusa em se desculpar por algo que ele assume ser de sua responsabilidade) lhe rendeu uma indicação ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. Além disso, Leclerc foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, e se mostrou indignado com as acusações por parte da mídia e dos torcedores de que ele fosse racista. O piloto deve estar ciente de que suas decisões estão sujeitas a interpretações, mas foi louvável que ele tenha condenado o racismo em declarações posteriores.

Desejamos a Charles Leclerc sucesso em 2021 e esperamos que ele tenha mais chances de demonstrar seu potencial.

Fotos: 2020 Pool | Formula 1 via Getty Images

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Com o carro (se é que podemos chamar o SF1000 de carro) desafiador que tinha em mãos, Leclerc superou as expectativas em algumas corridas e levou algum sorriso aos tifosi nessa temporada. O monegasco conseguiu dois pódios – na Áustria e na Inglaterra – e assim, não deixou que a Ferrari ficasse em uma posição mais difícil do que já se encontrava.

Porém, nem tudo são flores. Leclerc teve alguns erros questionáveis durante algumas corridas. Na Estíria, quando colidiu com Vettel em uma manobra horrorosa; na Turquia, quando escapou da pista e deu de bandeja o pódio para Vettel e em Sakhir, em que colidiu com Pérez e Verstappen, causando o seu próprio abandono e o de Verstappen, além de deixar Pérez em último (o final desse GP já sabemos) e se fez de desentendido ao perguntar a Verstappen o que tinha acontecido. Se fazer de bobo não colou muito bem, nem com o holandês e nem com o público. Resta ver se ano que vem, o monegasco consegue “meter o louco” para cima de Sainz.

Apenas para adicionar ao parágrafo de Rebeca sobre Leclerc e o ato de não ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, no Twitter, Leclerc curtiu alguns tweets duvidosos (leia-se mentirosos) sobre o movimento Vidas Negras Importam, o que caiu mal para alguns fãs; além de ter quebrado a sua bolha durante alguns fins de semanas de corridas. Cadê a consciência e empatia, Charles?

 

  • Romain Grosjean

Romain Grosjean terminou o ano em décimo-nono lugar, com apenas dois pontos (seis a menos que no ano passado), resultantes de sua única pontuação na temporada, o nono lugar no Grande Prêmio do Eifel. Infelizmente, seu momento mais notável foi seu grave acidente no Bahrein (do qual, graças a Deus, saiu apenas com queimaduras nas mãos), que o impediu de correr no Sakhir e em Abu Dhabi. Nestas corridas, foi substituído por Pietro Fittipaldi.

Devido ao seu desempenho bem abaixo do desejado, a Haas optou por não renovar seu contrato para 2021. Com isso, o francês não estará no grid no ano que vem. O time americano contratou o russo Nikita Mazepin para substituí-lo, mas seu ingresso está acompanhado de controvérsias, pois o piloto compartilhou um vídeo impróprio no Instagram e, embora a Haas tenha sido pressionada a substituí-lo, ela não quer perder os investimentos de Dmitry Mazepin, pai de Nikita.

Desejamos a Romain Grosjean boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: acervo pessoal | Instagram

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Em mais uma temporada, Grosjean foi deixado na mão por seu carro, raramente conseguindo um bom resultado durante as corridas em que disputou. Pouco tempo depois de descobrir que não ficaria com a vaga para 2021 e seria substituído por Mick Schumacher, o francês se envolveu em um acidente impressionante durante o GP de Bahrain, que encerrou sua temporada duas corridas antes.

O francês compartilha sua recuperação pelo seu Instagram pessoal e com seu conhecido bom humor, Grosjean mostra sua evolução e tranquiliza os fãs que testemunharam o acidente.

 

  • Kevin Magnussen

Kevin Magnussen terminou 2020 em vigésimo lugar, com apenas um ponto (19 a menos que no ano passado), resultado de sua única pontuação no campeonato: o décimo lugar no Grande Prêmio da Hungria. Embora o grid conte com 20 pilotos, as enfermidades de Sergio Pérez, Lance Stroll, Lewis Hamilton e Romain Grosjean levaram outros três pilotos a ingressar oficialmente no campeonato (Nico Hülkenberg, Pietro Fittipaldi e Jack Aitken). Magnussen foi o último colocado entre os que marcaram pontos em 2020.

Assim como houve com Grosjean, a Haas não ficou satisfeita com o desempenho do dinamarquês e decidiu não renovar seu contrato. Ele será substituído por Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, em 2021.

Desejamos a Kevin Magnussen boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: XPB Images

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Ironicamente, a melhor coisa que Magnussen fez durante a temporada foi seu abandono durante o GP de Monza, causando a primeira de muitas confusões. Além disso, o dinamarquês pouco evoluiu durante a temporada e assim como Grosjean, foi dispensado e será substituído por Nikita Mazepin, que também tem atitudes questionáveis.

 

  • Kimi Raikkonen

Kimi Raikkonen terminou o campeonato no décimo-sexto lugar, com quatro pontos (39 a menos que no ano passado). Pontuou apenas em duas corridas, na Toscana e na Emília-Romanha. Esta última foi sua melhor atuação do ano, pois conseguiu superar vários adversários com um carro inferior.

Infelizmente, Raikkonen parece estar longe de seus tempos de glória. Além de seus resultados estarem bem abaixo do desejável, o finlandês foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Sabe-se que Raikkonen é conhecido por seu jeito frio e despreocupado (que lhe renderam o apelido de “Homem de Gelo”), mas esta é uma situação que deve ser encarada com seriedade, não com desprezo. Ainda que Raikkonen, em sua posição como um homem branco e europeu, não tenha sofrido racismo em sua vida, deveria no mínimo ter empatia aos que são injustamente vítimas desse mal da humanidade.

Desejamos a Kimi Raikkonen que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: PA Images

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Um que já deveria estar aproveitando sua aposentadoria em alguma ilha luxuosa ou na fria Finlândia. Talvez pelo peso que seu nome carrega ou simplesmente para esquentar seu assento até um novo piloto estar pronto, Raikkonen segue sem impressionar em mais uma temporada. Na segunda temporada de Drive to Survive, a série documental da Netflix, Raikkonen diz indiretamente que pouco se importa em estar na F1, o que importa é o dinheiro. E é exatamente isso que suas performances demonstram. Mais um ano, veremos finlandês apenas completar o grid, seja pelos benefícios que sua imagem traz (mesmo sendo um piloto rude e pouco carismático) ou por falta de opção da Alfa Romeo. Uma pena para os novos pilotos que esperam sua oportunidade no esporte.

A falta de tato em suas atitudes e declarações sobre o racismo são repugnantes e demonstram como Raikkonen é ignorante e imerso em seu privilégio. Além de não se ajoelhar antes das corridas e muito menos se importar com a questão por trás deste ato, Raikkonen anda por aí com uma cruz muito parecida com um símbolo nazista, a Cruz de Ferro, projetada por Jesse G. James, ator e empresário conhecido por simpatizar com o nazismo (matéria em inglês).

 

  • Antonio Giovinazzi

Antonio Giovinazzi terminou o campeonato em décimo-sétimo lugar com quatro pontos (10 a menos que no ano passado). Pontuou em apenas três corridas: Áustria, Eifel e Emília-Romanha. Embora tenha terminado com a mesma pontuação de seu companheiro Kimi Raikkonen e tendo pontuado em mais ocasiões, a melhor posição de cada um foi adotada como critério de desempate: Raikkonen terminou duas vezes no nono lugar, Giovinazzi teve um nono e dois décimos lugares.

Giovinazzi foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Com isso, a Alfa Romeo se tornou a única equipe que não teve nenhum atleta a se compadecer com a situação. É lamentável que Giovinazzi e Raikkonen tenham manchado o nome de sua equipe dessa forma.

Desejamos a Antonio Giovinazzi que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: Motorsport Images

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Por muitas vezes, esqueci que Giovinazzi estava sequer correndo. Seja por limitações do carro ou por ser apenas um piloto mediano, o italiano ainda não mostrou ao que veio. Por isso, é difícil ter alguma opinião formada sobre ele.

 

  • George Russell

O caso de George Russell é um pouco diferente dos demais pilotos. Na Williams, não foi capaz de pontuar uma única vez. Em sua única corrida pela Mercedes, no Grande Prêmio do Sakhir, como substituto de Lewis Hamilton (que estava com Covid), conseguiu apenas o nono lugar (devido a um erro no pit stop). Por um lado, é uma pena que a própria equipe tenha ceifado a oportunidade de Russell de demonstrar um bom serviço, já que o mesmo superou o titular Valtteri Bottas logo no início da prova. Por outro, foi um belo castigo aos racistas que o utilizaram como escudo para atacar Lance Stroll (alguns usuários do Twitter declararam que estavam torcendo para Russell com todas as forças para que ele superasse Stroll, mesmo o canadense tendo resultados mais brilhantes na carreira – inclusive na Williams – porque Stroll é índio e Russell é branco). Ressaltamos que entre Russell e Stroll não há nenhuma inimizade e que o inglês chegou a cumprimentar o canadense por sua primeira pole. Por causa disso, parabenizamos a primeira pontuação de Russell na carreira, pois ele não tem culpa que gente de moral questionável use seu nome e imagem para fins maléficos.

Se em 2019 Russell foi o único a não pontuar, perdendo para o companheiro Robert Kubica que dirigia com apenas um braço, em 2020 o inglês foi o décimo-oitavo colocado no campeonato, com três pontos (dois pelo nono lugar e um pela volta mais rápida no Grande Prêmio do Sakhir, no qual foi substituído na Williams por Jack Aitken). Ainda é cedo para concluir algo de concreto sobre o talento de Russell, mas já se pode afirmar que ele provou que Bottas não está merecendo sua vaga na Mercedes (o finlandês parece ter medo de enfrentar pilotos jovens, como quando perdeu para Charles Leclerc em 2019 na Áustria na Bélgica). Ele inegavelmente tem muito potencial, mas este não será aproveitado na Williams. Se Max Verstappen recusar a Mercedes novamente, tanto Stroll quanto Russell se mostram ótimos candidatos a substituir Bottas.

Desejamos a George Russell boa sorte em 2021 para que ele consiga mostrar mais do que é capaz.

Foto: DPA

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Depois de tantos pedidos dos fãs nas redes sociais (na verdade, para que Russell substituísse Bottas na Mercedes), o britânico finalmente teve a sua chance de mostrar seu talento no melhor carro do grid e por um erro no pitstop da Mercedes, não conseguiu sua primeira vitória na F1 no movimentado GP de Sakhir. Porém, essa experiencia com a Mercedes serviu apenas para mostrar que ele está pronto para assumir o lugar de qualquer um dos pilotos quando for necessário. O britânico ainda é jovem, tanto em idade quanto em tempo de “casa” e terá tempo o suficiente para mostrar seu talento em equipes mais competitivas.

 

  • Nicholas Latifi

O estreante Nicholas Latifi, da Williams, foi o vigésimo-primeiro colocado do campeonato, sendo o único dos pilotos titulares que não conseguiu pontuar. Mas deve-se notar que foi vencido pelo companheiro George Russell em pontos unicamente porque o inglês participou do Grande Prêmio do Sakhir com a Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid). Isso não significa que um seja melhor do que o outro, mas sim que o desempenho do carro da Williams é tão ruim que nenhum de seus atletas consegue pontuar com aquela carroça.

Desejamos a Nicholas Latifi boa sorte em 2021 para que ele consiga desenvolver seu potencial.

Foto: F1 News

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O vice-campeão da Fórmula 2 de 2019 teve um pouco de dificuldade de desafiar seu companheiro de equipe, seja por conta das deficiências de seu carro ou da expêriencia de Russell. No comparativo lançado no final da temporada pelo perfil da F1, Latifi ficou atrás de Russell em todos os quesitos. O canadense terá a próxima temporada para se aproximar de Russell e quem sabe, superá-lo em alguma etapa. Pelo menos, o canandense tem bom humor para lidar com a longa fase ruim da Williams.

 

  • Bônus: Nico Hülkenberg

 

Como Sergio Pérez e Lance Stroll contraíram Covid, Nico Hülkenberg foi escolhido para substituí-los nas corridas em que ficaram ausentes (Grã-Bretanha, 70º Aniversário – Pérez – e Eifel – Stroll). Com isso, o alemão terminou o campeonato em décimo-quinto lugar, com 10 pontos (obtidos nos Grandes Prêmios do  70º Aniversário e do Eifel, pois na Grã-Bretanha um problema no motor o impediu de largar). Nota-se que ele ficou à frente de seis pilotos titulares e de oito no total (considerando as participações de Jack Aitken e Pietro Fittipaldi, que não conseguiram pontuar).

Sua atuação mais elogiável foi no Grande Prêmio do Eifel, no qual foi eleito o “Piloto do Dia” após terminar a corrida em oitavo lugar. Embora tenha apresentado um bom trabalho como substituto, a conduta de Hülkenberg na Fórmula 1 não é das mais éticas. Basta lembrar que ele se recusou a reconhecer a importância do halo quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 após um acidente causado pelo próprio Hülkenberg, e quando fez declarações misóginas ao defender a permanência das infames grid girls na Fórmula 1, revelando ser uma pessoa apática que acha que os carros devem ser perigosos (desde que sejam bonitos esteticamente) e que as mulheres devem, em pleno século XXI, serem vistas como objetos). Não conseguimos entender porque a Racing Point escolheu um sujeito destes para substituir pilotos tão educados e gentis como Pérez e Stroll.

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Bom, como Rebeca já usou essa reação em outros momentos da temporada, é a minha vez de usar uma foto para o meu comentário sobre Hülkenberg:

não sou capaz de opinar | Memes, Memes famosos, Novos memes

De qualquer maneira, o alemão continua sem pódios, mesmo após 10 anos como piloto de Fórmula 1. Equipes, por favor, não insistam mais nesse cara para o ano que vem e busquem saber mais sobre os outros pilotos reservas disponíveis e com muito mais talento que Hülkenberg, como o próprio Pietro Fittipaldi, que teve um ótimo desempenho nos GPs em que substituiu Grosjean – dentro do permitido pelo carro da Haas – e Alex Albon, que será reserva da Red Bull, que por sinal, já anunciou que o tailandês estará disponível para empréstimos às outras equipes na temporada de 2021. Por favor, o Hülkenberg já deu o que tinha que dar e provou que não é o bastante.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2020 trouxe um agravante na crise da Ferrari, a evolução da Racing Point e a continuação do desenvolvimento da McLaren, que permitiu que as duas equipes inglesas se mostrassem como potências na Fórmula 1, enquanto que o time italiano perde espaço. A Mercedes ainda é a força comandante da categoria, e a Red Bull continua em sua busca desesperada por uma oportunidade de lutar de igual para igual com a escuderia alemã. Algumas corridas, como Toscana , Turquia e Emília-Romanha decepcionaram em seus papéis como substitutas das corridas canceladas pela pandemia de Covid-19, enquanto outras, como Estíria e Sakhir proporcionaram belos show à categoria. Em 2021 haverá novos pilotos e outros desafios, tornando imprevisível seu resultado, mas esperamos que não haja outra pandemia para que a Fórmula 1 continue firme e forte de acordo com sua organização inicial.

Formula One: The Business Sport

Virtually all the Formula One fans love the sport for its competition. A proof of this is the television audience rates in the 2010s: in Brazil, at least, the number of viewers was falling year after year during the Turbo Era, which marked the dominance of Sebastian Vettel, while it began to increase at record levels when it started a certain balance between Mercedes, Ferrari, and Red Bull. However, fans get so emotional from the cars’ disputes that they forget about a definitive factor in Formula One: money.

I decided to do this article because of an unpleasant episode that happened to a friend of mine. In a Whatsapp group, she was talking to a professor and, to reinforce her point of view, included a weblink to an article on the Motorsport website signed by Adam Cooper, which reported on the investments of Sebastian Vettel in Aston Martin. Behold, a man appears and then laughs at her comment, finding it absurd that someone says that a four-time champion buys a place in a team, even if the facts show just that. My friend responded well, arguing that Vettel was not indeed acting as a four-time champion (look at his accidents and results, which in no way resemble his champion days). But the man kept making fun of (and still questioned the journalistic quality of Cooper, an experienced and respected journalist in the area), ignoring a simple question: Why would anyone invest in a team in which they could not participate?

This story proved that the mentioned guy does not know Formula One well, but I know that many fans also do not realize the sport’s financial character. It is no wonder that many journalists try to sell sensationalist headlines based on creating controversies about money instead of informing fans about the role of money in Formula One. As we propose to inform and raise awareness, here is the real face of world motorsport’s top category.

 

1- Expensive sport, investors rule

 

Anyone who accesses the Formula One website notes that there is a part reserved for partners, in other words, the sponsors. As Paulo Mourão well defined in his book The Economics of Motorsports: The Case of Formula One (2017), the costs of running each race are around millions of euros, as there are high material and human demands. Everything costs money in Formula One: the structures of the track and the paddock, the cars’ engineering, the physical preparation of the drivers, transport, the salary of the employees, among other components of the category. Not to mention the many sectors that benefit from this process (hospitality, fuel, tourism, etc.). As you may know, money does not grow on trees, so resources are needed to make all of this possible. Therefore, it is the sponsoring companies that invest in the category for this purpose (other than Formula One revenues, such as selling tickets and consumables, taxes, transmission agreements, contribution rates for teams and organizers).

 

Bernie Ecclestone (the former owner of Formula One) and Chase Carey (the current CEO of Fórmula One). [1]

 

As well explained in the article Understand the Esteban Ocon Case (2019), the high costs of Formula One make it difficult for drivers who do not have significant financial support to cover the team’s expenses. Unfortunately, the sports media fails to teach the public that this is an intrinsic characteristic of the category. However, the following logic can explain it: the press vehicles are usually sponsored and therefore avoid demolishing investments in general, and sensationalism ends up being a profitable business, as it holds more people’s attention and helps to disseminate the materials. In other words: it is easier to label drivers and teams than to show that everything in Formula One is related to money.

 

2- The case of Sebastian Vettel

 

It is not uncommon to see drivers expanding their area of expertise. We had the cases of Jack Brabham, Jackie Stewart, and Emerson Fittipaldi as team owners, Niki Lauda was a shareholder and adviser to Mercedes, Alain Prost became an ambassador for Renault, among others. More recently, we had Lawrence Stroll, father of Lance, as a majority partner at Racing Point, and Nico Rosberg as the manager of Robert Kubica (although he quit from the role months later). But the case of Sebastian Vettel has peculiarities that are fundamental to understanding the situation.

 

Fired from Ferrari, Vettel invested in Aston Martin. The event did not generate much controversy (if it were with other driver…) [2]

 

To start, except for Jack Brabham, all the drivers mentioned above (Fittipaldi, Prost, Roberg, and Stewart) entered the business world when they were no longer on the tracks. Sebastian Vettel is a member of the current grid and found himself on the edge of a precipice when Ferrari fired him. After all, as explained in the article The Dismissal of Sebastian Vettel, they were losing money and credibility with the German driver’s constant accidents; Remembering that the teams receive for their results, which are better when the drivers have consistent performances. It was useless to have won four titles with Red Bull in the early 2010s as nowadays, with Ferrari, he was wasting good chances to score points. But Vettel did not give up and was willing to do anything to continue in Formula One, so he looked for an opportunity to invest in a team: he would make money as a driver and shareholder.

However, it could not be any team but one with great potential and real chances of triumph. Nobody wondered why Vettel did not buy Williams shares as Toto Wolff did? Or Haas? To realize why he got so interested in Racing Point, look at its growth in 2020; And unlike Wolff, who was thinking about marketing gains, Vettel wants to clean up his image and bring a glorious new chapter to his athletic career.

 

3- Conclusion

 

Even if the fans do not realize it, sport is a business. That is not the only case of Formula One (Brazilians will remember Neymar’s transfer from Santos to Barcelona, known as Neymargate). Sometimes the press does not instruct the fans properly because as much are people lay on the subject, the greater the chances of believing in sensationalist headlines and feeding a certain fanaticism through controversies. Therefore, many fans still do not realize that business is a much more significant component of Formula One than the competition itself.

 

The case of Neymar is one more proof of the inherent relation between money and sports. [3]

 

So, if you think that Sebastian Vettel does not need to buy seats because he was victorious in the past (even though this is, indeed, the current situation) or that Nico Rosberg managed Robert Kubica for charity, know that you are analyzing the case in a shallow way. And there is no point in laughing or trying to disqualify the other based on sex or age. Both sides must inform themselves to have a reasonable debate.


Bibliography

About Brazilian television audience rates

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  • BETTING, Erich. F-1 voltou a ser esporte de nicho. É o adeus à TV aberta? UOL. 16 Nov. 2015. Available on: <https://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2015/11/16/f-1-voltou-a-ser-esporte-de-nicho-e-o-adeus-a-tv-aberta/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • CARUSO, Ricardo. Ladeira abaixo: despenca a audiência da Fórmula 1. Band.com.br. São Paulo, 17 Jun. 2014. Available on: <http://autoetecnica.band.uol.com.br/ladeira-abaixo-despenca-a-audiencia-da-formula-1/>. Accessed on 07 dez. 2020.
  • FELTRIN, Ricardo. Em dez anos, ibope da Fórmula 1 despenca 55% na Globo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 27 Dec. 2012. Available on: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/ricardofeltrin/1159661-em-dez-anos-ibope-da-formula-1-despenca-55-na-globo.shtml>. Accessed em 07 Dec. 2020.
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  • NOTÍCIAS DA TV. Fórmula 1 derruba audiência da Globo e é ultrapassada pela Record. Notícias da TV. 08 Jun. 2014. Available on: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/formula-1-derruba-audiencia-da-globo-e-e-ultrapassada-pela-record-3678>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • QUINTANILHA, Sergio. Por que a Fórmula 1 se tornou o programa mais chato do mundo. Terra. 30 Apr. 2017. Available: <https://motorshow.com.br/por-que-formula-1-se-tornou-o-programa-mais-chato-mundo/>. Accessed on 07 Dez. 2020.
  • ROVADOSCHI, Guilherme. Domingo emudecido. Beta Redação. 11 abr. 2016. Available on: <http://www.betaredacao.com.br/domingo-emudecido/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LUCAS, Naian. Fórmula 1 é vista por quase 100 milhões e tem melhor Ibope em 8 anos na Globo. Na Telinha. 03 Dec. 2019. Available on: <https://natelinha.uol.com.br/televisao/2019/12/03/formula-1-e-vista-por-quase-100-milhoes-e-tem-melhor-ibope-em-8-anos-na-globo-137622.php>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOTORSPORT. Globo tem melhor audiência da F1 em oito anos e 13% de crescimento em relação a 2018. Motorsport. São Paulo, 03 dez. 2019. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/globo-tem-melhor-audiencia-da-f1-em-oito-anos-e-13-de-crescimento-em-relacao-a-2018/4606412/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOTORSPORT. GP de 70 anos faz Globo ter recordes de audiência em 2020. Motorsport. 10 ago. 2020. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/gp-de-70-anos-da-f1-faz-globo-ter-recordes-de-audiencia-em-2020/4854125/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PADIGLIONE, Cristina. Globo perdeu 50% da audiência da F-1 em 19 anos, mas já teve dias piores. TelePadi. São Paulo, 28 ago. 2020. Available on: <https://telepadi.folha.uol.com.br/globo-perdeu-50-da-audiencia-da-f-1-em-18-anos-mas-ja-teve-dias-piores/>. Accessed on 07 Dec. 2020.

About the article itself

  • FEDERATION INTERNACIONAL DE L’AUTOMOBILE. Formula 1 Partners. Formula1.com. Available on: <https://www.formula1.com/en/toolbar/partners.html>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOURÃO, Paulo. The Economics of Motorsports: The Case of Formula One. 1. ed. Vila Real, Portugal. Palgrave Macmillan, 2017. 303 p.
  • GAVINELLI, Gabriel. Após prejuízos seguidos, Fórmula 1 volta a lucrar em 2019. F1Mania. 27 Feb. 2020. Available on: <https://f1mania.lance.com.br/f1/apos-prejuizos-seguidos-formula-1-voltar-a-lucrar-em-2019/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. Understand the Esteban Ocon Case. The Racing Track. São Paulo, 10 Aug. 2019. Available on: <https://theracingtrack.com/understand-the-esteban-ocon-case/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 Apr. 2011. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • NOBLE, Jonathan. Rosberg recua e não é mais empresário de Kubica. Motorsport. 20 Apr. 2018. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/rosberg-recua-e-nao-e-mais-de-empresario-de-kubica-1028256/3059907/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. The Dismissal of Sebastian Vettel: Justice or Injustice? The Racing Track. São Paulo, 12 May. 2020. Available on: <https://theracingtrack.com/the-dismissal-of-sebastian-vettel-justice-or-injustice/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • COOPER, Adam. Vettel acquires shares in Aston Martin ahead of 2021 move. Motorsport. 09 Oct. 2020. Available on: <https://www.motorsport.com/f1/news/vettel-acquires-shares-in-aston-martin/4888000/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PLANETF1. Wolff purchases stake in former team Williams. PlanetF1. 07 Jun. 2020. Available on: <https://www.planetf1.com/news/wolff-repurchases-stake-in-williams/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MEYER, Ricardo Hernandes. Who’s Lawrence Stroll: Lance’s Famous Daddy. The Racing Track. São Paulo, 28 Sep. 2020. Available on: <https://theracingtrack.com/whos-lawrence-stroll-lances-famous-daddy/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PRATES, Renan. No ‘Neymargate’, maior enganado é o torcedor. Vaidapé. 18 Feb. 2014. Available on: <http://vaidape.com.br/2014/02/no-neymargate-maior-enganado-e-o-torcedor/>. Accessed on 07 Dec. 2020.

 

Note: Some sources consulted for this articles are present in the thesis “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país” (2020), that will be published by Faculdade Cásper Líbero (I gave sources for the author during the elaboration of the thesis and she gave me resources for my publication). I am clarifying his point so that there will be no accusations of plagiarism.

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The weblinks where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Análise Grande Prêmio do Sakhir de 2020 | 2020 Sakhir Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 6 de dezembro, o Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi mais uma etapa improvisada para compensar o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia mundial de Covid-19. A prova foi realizada no Bahrein, mas com o circuito remodelado. Pela primeira vez desde sua estreia em 2007, Lewis Hamilton (Mercedes) não participou de uma corrida, pois foi diagnosticado com Covid. Sua equipe optou por chamar o jovem George Russell, da Williams, para substituí-lo e esta, por sua vez, colocou Jack Aitken, conterrâneo de Hamilton e Russell, para correr ao lado de Nicholas Latifi. Outra substituição ocorreu na Haas, que escalou o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, para substituir Romain Grosjean, que está se recuperando de um terrível acidente na corrida anterior.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Russell. Logo no começo, o filandês foi ultrapassado pelo inglês, e depois ameaçado por Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Infelizmente, ocorreram dois acidentes: primeiro, Kevin Magnussen (Haas) rodou e bateu no mesmo lugar onde houve o desastre com Romain Grosjean uma semana atrás; depois, Charles Leclerc (Ferrari) fez uma manobra arriscada e tocou em Pérez. Verstappen tentou desviar, mas acabou batendo no muro. Leclerc teve o mesmo destino. O safety car foi acionado e o mexicano precisou parar nos boxes, mas nem tudo estava perdido.

Russell permanecia liderando a prova, enquanto Bottas tinha dificuldades para acompanhar o ritmo. Com o acidente provocado pelo monegasco, Carlos Sainz Jr. (McLaren) assumiu o terceiro lugar. Seu companheiro, Lando Norris, conseguiu avançar no grid devido aos acidentes, compensando o prejuízo de ter largado em penúltimo. Uma de suas melhores ultrapassagens foi sobre Sebastian Vettel (Ferrari). No entanto, Checo veio destemidamente para cima de seus adversários, e em pouco tempo já estava novamente na zona de pontuação. Alexander Albon (Red Bull) travou uma boa briga com Norris, e o inglês foi superado pelo tailandês e logo em seguida pelo mexicano.

No meio do grid, formava-se uma fila indiana. Pierre Gasly (AlphaTauri) estava atrás de Lance Stroll (Racing Point), Daniil Kvyat (AlphaTauri), e da dupla da Renault (formada por Daniel Ricciardo e Esteban Ocon). Embora os carros estivessem bem próximos nas passagens pela reta perto dos boxes, não havia tentativas de ultrapassagem. Kvyat brigou um pouco com Ricciardo, mas não teve sucesso. Algumas voltas depois, Latifi bateu e a bandeira amarela foi acionada. Aitken rodou e quebrou a asa dianteira. Além da Williams precisar consertar seu carro, a direção acionou o safety car virtual.

Parecia que a vitória de Russell seria inevitável, até a Mercedes jogar tudo fora. Chamando ambos os pilotos para os boxes, a equipe alemã se atrapalhou com ambas as trocas de pneus. No caso de Bottas, chegaram a lhe colocar um pneu enquanto a roda pegava fogo, e liberaram o piloto mesmo assim. Pérez herdou a liderança e não se intimidou mesmo com o avanço de Russell. Apesar de ter voltado em uma boa posição, Bottas foi ultrapassado gradativamente por todos os pilotos da zona de pontuação. Sentindo que havia um problema com os pneus de Russell, a Mercedes o chamou novamente para os boxes, fazendo com que o inglês perdesse muitas posições. Aguardamos o julgamento dos comissários em relação a este caso, pois se o inglês correu com os pneus destinados a Bottas, pode ser desclassificado. No fim da prova, Sainz tentou passar Stroll, mas não conseguiu.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Esteban Ocon em segundo e Lance Stroll em terceiro. O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi uma corrida emocionante, com reviravoltas inimagináveis e um desfecho merecido. Pérez se destacou em seus anos na Fórmula 1 como um piloto consistente e batalhador. Sua vitória mostrou que seu potencial é alto e sua coragem infinita. Por outro lado, o dia não foi auspicioso para a Mercedes, que não agiu com prudência por pensar que a vitória era certa. Valtteri Bottas decepcionou muito, perdendo posições logo no início para um piloto em sua primeira corrida com um novo carro. Se por um lado isso mostrou que o carro da Mercedes está acima da média, por outro prova que não basta um carro bom: o piloto precisa ser bom. Todo aquele teatro em cima de sua vitória na Rússia de nada adiantou, pois Bottas pode xingar seus críticos à vontade, eles ainda terão motivos para questionar o desempenho do finlandês.

“Eu teria conseguido se não fossem esses mecânicos metidos e esse cachorro burro”

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 serviu para calar a boca daqueles que dizem que qualquer um pode vencer em uma Mercedes. Valtteri Bottas teve uma atuação vergonhosa, como se estivesse tramando para que George Russell ganhasse (não foi dessa vez para aqueles que o usam como escudo para atacar outros pilotos). Curiosamente, o inglês conseguiu abandonar o Movimento Sem Ponto na mesma corrida em que Esteban Ocon largou o Movimento Sem Pódio.

Quanto à vitória de Checo, foi bem merecida. Checo mostrou que resiliência é seu ponto forte, pois é a segunda vez que o vejo saindo de uma grande desvantagem devido a um acidente causado por terceiro e consegue uma excelente posição. Tanto Sergio Pérez quanto Lance Stroll sobem no campeonato de pilotos e a Racing Point volta ao top-3 entre as construtoras (se eu disser o que eu gostaria de dizer à Renault, meu site será censurado).

Opinião da Adriana:

Eu comecei essa corrida esperando mais uma corrida chata e eu fui extremamente surpreendida. Sensacional!

Na minha sincera e humilde opinião, esse deveria ser o novo traçado do GP de Bahrain. Uma volta com 56 segundos, no máximo, é capaz de entregar corridas assim e eu achei simplesmente fantástico ter uma corrida tão imprevisível como essa.

Agora, o que foi essa corrida do Checo? De último lugar após o toque com Leclerc, escalou o grid aos poucos e terminou com essa vitória linda. Ele merece demais! Após 10 anos na Fórmula 1, ele finalmente conseguiu sua merecida vitória. É assim que se faz uma corrida de recuperação. De novo, bato na tecla de que não é a hora do mexicano dizer adeus à Fórmula 1.

A maior felicidade é saber que, dentre esses 10 anos de carreira na F1, Pérez esteve nos lugares certos nas horas erradas e finalmente, ele conseguiu o que um piloto almeja: uma vitória. Ele merece demais e eu não poderia estar mais feliz por ele.

Ao mesmo tempo que estou muito feliz por Pérez, fico muito triste por Russell. Eu, que sempre defendi que ele deveria ir para a Mercedes, brilhou o fim de semana inteiro e infelizmente, foi prejudicado por uma série de estratégias erradas da Mercedes. Pitstop com os pneus errados, furo nos pneus e terminar em 8º correndo o risco de ser desclassificado por conta de um erro da equipe (o que eu acho errado punir o piloto) é desolador. Uma pena para o britânico.

Por falar em brilhar o fim de semana inteiro, o que foram aquelas ultrapassagens logo após a saída do safety car? Ele é bom e merece um carro à sua altura. Bottas, acho bom você se preparar para o adeus em 2022 porque o Russell não está para brincadeira.

O pior piloto de hoje vai ser unânime e vai pro Leclerc. Além de fazer aquela barbeiragem na pista, ainda joga a culpa em Pérez, sendo que ele estava errado. Foi preciso um outro piloto – Verstappen, no caso – envolvido no acidente dizer que ele que causou a colisão, e não o mexicano, para o monegasco admitir a culpa. Lamentável. 

Notas

Corrida: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Scooby-Doo: (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  3. Lance Stroll: 8 (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  4. Carlos Sainz Jr.: 7,5 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  7. Daniil Kvyat: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. George Russell: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  10. Lando Norris: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  11. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Jack Aitken: 2 (Rebeca) 3 (Adriana)
  17. Pietro Fittipaldi: 4 (Rebeca e Adriana) – E o Palmeiras não tem mundial. 51 é pinga

 

Abandonaram

  1. Nicholas Latifi
  2. Max Verstappen
  3. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): George Russell

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Charles Leclerc e Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio do Bahrein de 2020 | 2020 Bahrain Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 29 de novembro, o Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi uma corrida chocante. Um terrível acidente com Romain Grosjean (Haas) logo na primeira volta assustou a todos, mas graças a Deus o piloto francês saiu com poucos ferimentos. O resto da prova foi marcado por boas disputas por posições e abandonos inimagináveis.

Lewis Hamilton (Marcedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point), que completavam a segunda fila, ultrapassaram o finlandês logo nos primeiros momentos. Na parte de trás do grid, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Esteban Ocon (Renault) espremeram Lando Norris (McLaren), que quebrou uma parte da asa dianteira. Charles Leclerc (Ferrari) tentou bloquear um avanço do companheiro Sebastian Vettel, que se moveu para a direita e forçou Lance Stroll (Racing Point) a sair do traçado para evitar uma batida. Logo após, Grosjean avançou contra Daniil Kvyat (AlphaTauri) e se chocou contra as barreiras. Seu carro se partiu ao meio e a metade onde ficou o piloto se incendiou. Um trabalho rápido da equipe de bombeiros salvou a vida de Grosjean, que foi encaminhado para o ambulatório e depois levado de helicóptero para o hospital. Desejamos uma boa recuperação a ele.

Com a gravidade do acidente, a bandeira vermelha foi acionada. Esperava-se que os pilotos seriam mais cautelosos após a relargada, mas Kvyat manteve seu conhecido estilo barbeiro e se chocou com Stroll. O carro do canadense virou de cabeça para baixo, mas graças a Deus o piloto saiu bem, sem ferimentos. O russo mais tarde foi punido com 10 segundos pela colisão. Além disso, Bottas teve um furo no pneu e precisou fazer uma troca, indo para os últimos lugares do grid. Por razões não explicadas, Vettel chegou a ficar em 18º por um bom tempo.

Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) foi um dos pilotos que mais tentou ultrapassagens, como em seu duelo com Kevin Magnussen (Haas). Outros destaques foram Carlos Sainz Jr. (McLaren), que travou uma disputa acirrada com Leclerc, e Daniel Ricciardo (Renault), que lutou constantemente contra Ocon. Os carros da Ferrari não tiveram um bom desempenho, fazendo com que Leclerc perdesse posições para Gasly e Alexander Albon (Red Bull) e Vettel tivesse dificuldades para superar adversários como Magnussen, George Russell (Williams) e seu companheiro Nicholas Latifi. No entanto, o monegasco se esforçou bastante para no mínimo chegar à zona de pontuação.

Faltando três voltas para o fim, Gasly sentiu um desgaste nos pneus e foi ultrapassado por Sainz. Algum tempo depois, após enfrentar um Latifi que não estava cumprindo a bandeira azul, Pérez foi forçado a abandonar pois seu motor falhou, incendiando a traseira do carro. O safety car foi acionado para a última volta. Albon herdou a posição do mexicano.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Alexander Albon em terceiro. Um dos maiores legados do Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi o reforço nas lições de segurança, principalmente a questão do halo. Desde 2018, quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica, a imprensa e os fãs diminuíram as críticas em relação à estética que ela garantia ao carro (apenas os “tiozões” que não saíram do século XX e Nico Hülkenberg em um exemplo de falta de humildade continuaram questionando o halo). Na corrida de hoje, temos mais um caso de como é importante que a estrutura do carro seja segura, pois se não fosse o halo, a cabeça de Romain Grosjean estaria exposta e ele seria decapitado, pois seu carro ultrapassou a barreira. Automobilismo é um esporte de risco, sim, mas as vidas humanas sempre devem ser a prioridade, e com os pilotos não é diferente. Esperamos que com o caso de Grosjean, aqueles que teimam em discutir a beleza dos carros de hoje em comparação com os de antigamente façam uma autocrítica, pois apostamos que se no lugar do francês fosse o filho de cada um desses “especialistas de moda”, eles estariam torcendo para que o halo “feio” salvasse a vida deste.

Quer deixar de ser barbeiro pelo menos uma vez na sua vida, camarada Kvyat?

Opinião da Rebeca:

Como explicado na análise, eu fico feliz de que aos poucos as últimas críticas ao halo estão caindo em descrédito. A vida de Romain Grosjean deve ser valorizada, o esporte não deve ser manchado por mais sangue inocente, como foram por exemplo os casos de Jules Bianchi e Ayrton Senna (só para citar dois). O acidente de hoje me lembrou um pouco do incêndio do carro de Niki Lauda no Grande Prêmio da Alemanha de 1976 e do de Jos Verstappen no Grande Prêmio da Alemanha de 1994, e como eu havia escrito em minha matéria sobre o tricampeão para o site Super Danilo F1 Page, os carros de hoje em dia utilizam um material menos tóxico justamente para evitar a inalação de substâncias altamente danosas em caso de incêndios. Lembrando que a fumaça do carro foi catastrófica para o pulmão de Lauda, que precisou de um transplante.

Falando sobre o resto da corrida, não foi uma das provas mais agradáveis na minha humilde opinião. Para não colocar em cheque minha credibilidade como jornalista e não correr riscos de ser processada, não direi o que Daniil Kvyat merece por ter sido um atleta totalmente anti-profissional. Também é uma pena que Sergio Pérez tenha tido um problema no motor faltando tão pouco para o fim. O mexicano merecia muito outro pódio. Por fim, deixo meu repúdio às reclamações sem sentido de Sebastian Vettel (“deveria ter batido mesmo”) e aos xingamentos de Lando Norris no rádio (embora o mesmo tivesse seus motivos, afinal um dos fiscais atravessou a pista quando o inglês estava passando).

Opinião da Adriana:

Eu nunca fui tão grata por uma corrida morna após o acidente de Grosjean logo na primeira volta e o acidente de Stroll na terceira volta. É um alívio ver em como a Fórmula 1 investiu em segurança após o acidente de Jules Bianchi. Obrigada, halo!

Tirando essas emoções fortes das primeiras voltas, a corrida foi calma (ainda bem!) e vimos mais uma vez o Bottas provando que mesmo que você tenha o melhor carro, nada vale se você não é um bom piloto. Entendo que seu pneu tenha furado logo no começo mas nem a sua corrida de recuperação gera algum tipo de animação ou ele prova que é competitivo. Tá difícil pro finlândes.

Todas as ultrapassagens me deixaram na ponta do sofá e o alívio dessa corrida ter terminado foi ótimo. Uma pena para Pérez que fazia uma ótima corrida e abandonou nas últimas voltas por uma falha no motor. Admito que o pânico voltou quando vi o fogo saindo. Mas ainda bem que ele saiu a tempo e está a salvo também.

Existem corridas que são para testar nosso coração e essa foi uma delas. Espero que as próximas emoções sejam apenas por conta de ultrapassagens e resultados inesperados.

Notas

Corrida: 8 (Rebeca) 6 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 8 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Alexander Albon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  4. Lando Norris: 6 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 9 (Rebeca e Adriana)
  6. Pierre Gasly: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. Esteban Ocon: 7 (Rebeca e Adriana)
  10. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 0 (Rebeca e Adriana)
  12. George Russell: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  14. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 4 (Adriana)
  16. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Kevin Magnussen: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Sergio Pérez: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Lance Stroll: 10 de consolação
  3. Romain Grosjean: 10 de consolação

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Romain Grosjean

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Carlos Sainz Jr. (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio da Turquia de 2020 | 2020 Turkish Grand Prix

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 15 de novembro, o Grande Prêmio da Turquia de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao país depois de nove anos. Um treino classificatório embaixo de chuva trouxe um grid de largada maravilhoso: pela primeira vez no ano, um piloto de uma equipe que não a Mercedes começa a prova do primeiro lugar. No entanto, imprevistos tornaram o resultado uma grande frustração.

Lance Stroll (Racing Point) largou da pole position ao lado de Max Verstappen (Red Bull). É a primeira vez que um canadense obtém a pole desde Jacques Villeneuve em 1997. Além disso, Stroll é o 101º piloto e o quinto mais jovem a ter esta conquista. Verstappen não teve uma boa largada e foi ultrapassado por vários concorrentes. Com o asfalto molhado, a primeira volta teve um toque entre Esteban Ocon (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes) e ambos saíram da pista, voltando logo em seguida, porém perdendo várias posições.

Na primeira metade da corrida não houve muitas ultrapassagens porque os pilotos buscaram dirigir cautelosamente. Lewis Hamilton (Mercedes) disputava o quinto lugar com Sebastian Vettel (Ferrari), mas saía da pista constantemente. Alexander Albon (Red Bull) acabou ultrapassando ambos. Com a troca de pneus de Stroll, Verstappen chegou a liderar a prova, mas depois de Sergio Pérez (Racing Point) parar nos boxes, a equipe chamou o holandês. Max e Checo lutaram pelo segundo lugar, com o mexicano à frente, mas o piloto da Red Bull rodou e perdeu a oportunidade de ultrapassar. O primeiro abandono foi de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que estacionou seu carro na grama.

Muitos pilotos saíram prejudicados com a pista escorregadia. Um deles foi George Russell (Williams), que foi tocado por Lando Norris (McLaren). Parece que os comissários nem perceberam isso, mas notaram que Verstappen cruzou a linha do pit lane na saída dos boxes. Decidiram investigar o caso após a corrida.

Por incrível que pareça, a Racing Point se auto-sabotou: chamou Stroll para a troca de pneus, pois outros haviam feito o mesmo. No entanto, isso só prejudicou o canadense, cujo carro perdeu rendimento e, consequentemente, acabou terminando a prova em nono lugar. O maior beneficiado foi Hamilton, que depois de uma primeira metade de prova cheia de rodadas, fez um final de corrida quase sem erros (maneira semelhante à de Stroll até a burrada de sua equipe). Por outro lado, Bottas rodava mais e mais vezes, e por incrível que pareça continuou no páreo. Nicholas Latifi (Williams) e Romain Grosjean (Haas) se tocaram e o canadense abandonou a prova. O francês e seu companheiro de equipe Kevin Magnussen também se retiraram, mas próximo ao final da corrida.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Sergio Pérez em segundo e Sebastian Vettel em terceiro. O resultado do Grande Prêmio da Turquia de 2020 não foi como esperado, o que não significa que tenha sido dos melhores. Para melhor entendimento da questão, ler as opiniões das colunistas. Apesar de tudo, há uma coisa boa: Hamilton agora se consagrou heptacampeão mundial de Fórmula 1, igualando o recorde de Michael Schumacher.

A imagem fala por si própria.

Opinião da Rebeca:

A pole position de Lance Stroll é mais do que merecida. Sua estrela brilha cada vez mais forte. Ele e Max Verstappen são ótimos correndo na chuva. É uma pena que a capacidade cognitiva de seus estrategistas não seja diretamente proporcional. Mas isso não tira o valor da conquista.

Peço perdão a quem tenha gostado do resultado, mas eu particularmente não curti. Acredito que uma boa oportunidade de mudanças foi perdida por mais uma ideia jeguial da Racing Point. Entretanto, devemos continuar firmes e seguir em frente. Afinal, corridas são imprevisíveis e esta é a graça da Fórmula 1.

Opinião da Adriana:

Para mim, a corrida hoje foi agridoce. Mais uma vez vimos Lewis Hamilton provando sua grandeza ao conquistar mais um campeonato mundial, igualando Michael Schumacher e ele merece demais. Em um fim de semana que não foi perfeito, ele foi lá e mostrou do que é feito. O melhor do mundo fazendo o que sabe de melhor.

Outra coisa que me deixou muito feliz na corrida foi o segundo lugar de Pérez. O mexicano é bom, merece um lugar pro ano que vem e eu espero que consiga porque a performance de hoje foi perfeita.

Por outro lado, mais uma vez a Racing Point estragou a corrida de um de seus pilotos com uma estratégia péssima. Tantas equipes para copiarem e me copiam a Ferrari? Como diz um meme que eu amo usar: olha, sinceramente Britto… Stroll tinha tudo para ganhar sua primeira corrida, ganhar bons pontos para a equipe com uma sobrinha de primeiro e segundo lugar e eles fazem aquilo. Eu não tenho nem mais o que comentar sobre isso, além de que eu entendo os fãs do Checo agora.

Nunca achei Istambul Park aquele circuito todo, que muitos fãs alegam ser, e hoje a corrida foi extremamente anticlímax: prometeu mas não entregou nada. Não tenho dúvidas em quem escolher como melhor piloto, que é Hamilton. E como pior, assim como já fiz com a Renault antes, escolho uma equipe e esse prêmio vai para a Racing Point.

Notas

Corrida: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  2. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Sebastian Vettel: 4 (Rebeca)
  4. Charles Leclerc: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Max Verstappen: 5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 5,5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  7. Lando Norris: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 10 (Rebeca: você é maravilhoso, mas sua equipe que não presta) 9 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca) 6 (Adriana)
  12. Pierre Gasly: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Valtteri Bottas: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca e Adriana)
  15. George Russell: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Kevin Magnussen
  2. Romain Grosjean
  3. Nicholas Latifi
  4. Antonio Giovinazzi

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel (definitivamente, a voz do povo NÃO é a voz de Deus)

Melhor piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Lewis Hamilton (Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Pior equipe: Racing Point

Análise Grande Prêmio de Portugal de 2020 | 2020 Portuguese Grand Prix

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 25 de outubro, o Grande Prêmio de Portugal de 2020 teve como palco o Circuito de Portimão (Autódromo Internacional do Algarve), uma pista usada em competições como a Fórmula 3. A última vez que a Fórmula 1 esteve no país foi em 1996, sendo usado o Circuito do Estoril. E, como dizem os portugueses, esta prova foi “bestial”.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Logo na primeira volta houve várias ultrapassagens e um toque entre Verstappen e Sergio Pérez (Racing Point) que colocou o mexicano no último lugar do grid. Seu companheiro Lance Stroll superava vários adversários e chegou à zona de pontuação em pouco tempo.

Carlos Sainz Jr. (McLaren) chegou a liderar a prova na primeira volta, mas logo foi ultrapassado por Bottas e Hamilton. Enquanto isso, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Stroll subiam de posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) chegou a ficar entre os 10 colocados, mas logo foi superado. Pérez também conseguiu compensar o prejuízo e chegou à zona de pontuação com menos de 1/3 da prova concluída. Hamilton recuperou a liderança.

Na volta 22, numa tentativa de ultrapassar Lando Norris (McLaren), Stroll colidiu com o inglês, obrigando ambos a fazer pit stop. O canadense foi punido com 5 segundos e em seguida com mais 5 por ter excedido os limites da pista. Como bem notado pela Adriana, quando Verstappen colidiu com Stroll exatamente do mesmo jeito nos treinos livres, os comissários optaram por não punir ninguém, mas na corrida penalizaram Stroll (triste coincidência um indígena sofrer numa corrida em Portugal). O piloto da Racing Point abandonou a prova depois por problemas no carro.

Na volta 50, Daniel Ricciardo (Renault) foi ultrapassado por Gasly e Sainz. O australiano também havia conseguido boas posições até então.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Max Verstappen em terceiro. O Grande Prêmio de Portugal teve muitas reviravoltas e ultrapassagens, o que torna a corrida muito emocionante, embora nem sempre as emoções sejam positivas. Os eventos mostraram que há pilotos com muita sede de vitória, ou no mínimo de melhores posições, mas a prudência sempre deve vir antes.

Resumo da corrida, por Dilma Rousseff.

Opinião da Rebeca:

No começo o Grande Prêmio de Portugal parecia surpreender, mas no fim acabou do mesmo jeito que a maioria das corridas de 2020. Como apontado na análise, reconheço que Lance Stroll teve responsabilidade pela colisão com Lando Norris, mas os comissários deveriam ter coerência em suas decisões e punir todos os pilotos que fazem o mesmo (inclusive Max Verstappen). É como disse Luciano Burti sobre o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2017: “se você só faz justiça com um, está fazendo uma injustiça”. Na ocasião, os comissários haviam punido Verstappen por ter excedido os limites da pista, mas outros fizeram o mesmo e não foram punidos. Em minha sincera opinião, a FIA deveria importar os juízes da FIFA (e olha que também não confio totalmente nestes).

Minha reação à batida na volta 22.

Opinião da Adriana:

E temos um novo recorde na Fórmula 1! Que privilégio ver Hamilton sendo o maior vencedor de todos os tempos! Ele merece e muito, que exemplo de piloto e pessoa. Sem dúvidas, o maior de todos os tempos.

E para falar a verdade, ainda bem que alguma coisa boa aconteceu nessa corrida. Eu detesto corridas onde eu fico mais nervosa do que qualquer coisa. O que começou com uma confusão, prometendo mais uma corrida com novos resultados, acabou do mesmo jeito e só serviu para nos entregar mais uma conquista arrasadora de Hamilton.

Acho que o comissário dessa corrida foi a Oprah porque o tanto de bandeira preta e branca que tivemos foi surreal. Tirando isso, mais uma corrida morna. 

Merecidíssimo o Piloto do Dia ser de Pérez, que após o incidente com Verstappen, conseguiu fazer uma corrida de recuperação maravilhosa. Quero dar uma ligadinha pra Racing Point e perguntar como eles estão depois de dispensar o mexicano…

Também noto aqui a destreza de Ocon em conseguir tantas voltas com seus pneus, parando apenas nas últimas voltas da corrida. 

E aproveito do meu espaço para manifestar o meu repúdio às atitudes de Verstappen na sexta-feira, logo após seu incidente com Stroll. Usar de palavras ofensivas que atinge pessoas de deficiência intelectual, não se desculpar depois por classificar “não ser um problema seu” e ter sua atitude justificada pelo “calor do momento” é repugnante e não deveria ter nem espaço na Fórmula 1 para esse tipo de atitude. Até porque todos corremos como um, não é mesmo?

Notas

Corrida: 7 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Max Verstappen: 7 (Rebeca: era para ser 8, mas vou tirar um ponto pela grosseria nos treinos) (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  6. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  8. Esteban Ocon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  10. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 5 (Adriana)
  12. Alexander Albon: 6 (Rebeca) 5 (Adriana)
  13. Lando Norris: 6 (Rebeca: se eu souber que você andou xingando o Lance na imprensa, a nota muda para 0; entendo a frustração, mas cortesia em primeiro lugar) 5 (Adriana)
  14. George Russell: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  15. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  16. Kevin Magnussen: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)
  17. Romain Grosjean: 4 (Rebeca e Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  19. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonou

  1. Lance Stroll: 9/3 (Rebeca: diferente dos comissários eu serei coerente; como no Grande Prêmio da China de 2018 eu dei uma nota alta para o Verstappen mesmo com a batida no Vettel porque o holandês havia feito uma boa prova, darei duas notas ao Lance, 9 pelo ótimo começo de corrida, 3 pela batida) 6 (Adriana)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca) | Lewis Hamilton e Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca) | Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat (Adriana: já tão fazendo hora extra já)

Análise Grande Prêmio do Eifel de 2020 | 2020 Eifel Grand Prix Analysis

Por Adriana Perantoni e Rebeca Pinheiro | By Adriana Perantoni and Rebeca Pinheiro

Ocorrido no dia 11 de outubro, o Grande Prêmio do Eifel de 2020 teve como cenário o Circuito de Nürburgring, que não era usado na Fórmula 1 desde 2014. Esse GP contou com o retorno de Nico Hulkenberg (Racing Point), substituindo Lance Stroll, que estava com problemas intestinais desde o sábado. A corrida começou como esperado, com uma batalha pela primeira posição entre Valtteri Bottas e Lewis Hamilton (ambos da Mercedes), no qual o finlandês leva vantagem. Logo na primeira curva, Daniel Ricciardo (Renault) ultrapassou Alexander Albon (Red Bull Racing) e desde a primeira volta, o australiano ameaçou Charles Leclerc (Ferrari) pela quarta posição. Na 5ª volta, durante um rádio para Carlos Sainz Jr (McLaren), foi avisado que a chuva estava se aproximando do circuito.

Após 10 voltas, Ricciardo finalmente consegue ultrapassar Leclerc, conquistando a 4ª posição. A partir daqui, alguns lances importantes começaram a acontecer.

Na 11ª volta, Sebastian Vettel (Ferrari) tocou na zebra e acabou rodando sozinho. Na 12ª volta, Bottas errou e travou seus pneus, então Hamilton ultrapassou seu companheiro e assumiu a liderança.

Na 14ª volta, em uma manobra lamentável, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) colidiu com George Russell (Williams) na Volta 1, o que fez o inglês quase tombar seu carro. Por isso, o finlandês levou uma punição de 10 segundos. Essa colisão fez com que Russell abandonasse a corrida na 16ª volta. Na volta 17, foi a vez de Daniil Kvyat (Alpha Tauri) e Albon colidirem. Em um toque durante uma tentativa de ultrapassagem, Albon tocou em Kvyat, fazendo com que a asa dianteira do russo quebrasse, levando o russo para o último lugar. Por esse acidente, Albon também foi punido, com 5 segundos no pit stop and go.

Bottas começou a desacelerar na 18ª volta, apresentando problemas em sua Mercedes. O finlandês abandona na próxima volta, por falta de potência. Na 23ª volta, foi a vez de Esteban Ocon (Renault) abandonar a corrida, também por problemas em seu motor.

Ao parar nos pits para cumprir sua punição na volta 25, Albon abandonou a corrida com a alegação de problemas, mas sem muitas explicações do que aconteceu. Vale lembrar que antes de parar, o tailandês quase colidiu com Pierre Gasly (Alpha Tauri) na Volta 1. Em seu rádio, Albon disse que “(Gasly) estava pressionando demais”.

Na 26ª volta, foi a vez de Lando Norris (McLaren) relatar problemas de falta de potência (em um jeito nada cortês). Mesmo assim, o inglês parou nos boxes para trocar os pneus e voltou à pista e mesmo com problemas, ele conseguiu brigar por posições com Sergio Pérez (Racing Point), porém o mexicano levou a melhor. A partir daí, Pérez batalhou pela 4ª posição com Leclerc, que perdeu a posição para o mexicano na 34ª volta. Na 42ª volta, Hulkenberg ultrapassou Vettel e garantiu a nona posição, voltando aos pontos após largar em último. 

Mesmo após tentar continuar na corrida, Norris não conseguiu superar os problemas em seu carro e abandonou na 44ª volta, acionando assim o Safety Car, que permaneceu na pista até a 49ª volta. 

Na relargada, Ricciardo ameaçou Max Verstappen (Red Bull Racing) pela segunda posição, mas o holandês levou vantagem e conseguiu manter a posição. Com isso, o australiano começou a ser atacado por Pérez, mas conseguiu manter sua terceira posição. 

Depois de tantas tentativas falhas, Ricciardo finalmente conseguiu o seu pódio, subindo em um pódio histórico onde Hamilton iguala as vitórias de Michael Schumacher. Com isso, o pódio do GP de Eifel contou com Lewis Hamilton em 1º, Max Verstappen em 2º e Daniel Ricciardo em 3º.

E a gente fica como? Só esperando isso tudo passar… (Charge feita por Adriana Perantoni)

Opinião da Rebeca:

Mais uma vez deixo Neji falar por mim.

Opinião da Adriana:

EU ESTOU FORA DE MIM. Ninguém encosta em mim. Por favor. FINALMENTE! Não teve Albon que passasse ele, não teve Pérez. Não teve ninguém. Eu realmente não consigo esquecer meu lado fã nessa hora e vocês me desculpem. Foram 2 anos desde a vitória no GP de Mônaco em 2018. Quantas coisas aconteceram para Daniel nesse meio tempo? Ele foi do céu ao inferno, trocou de equipe, não conseguiu o que esperava com a Renault, acertou com a McLaren e agora, conseguiu um pódio com uma RENAULT! Quando eu digo que o fator piloto conta mais que o fator carro, eu não minto.

Vou falar a verdade e dizer que eu não prestei atenção em mais ninguém nessa corrida além de Daniel. Nem com a rodada (mais uma pro meu bingo) de Vettel, Bottas abandonando, Albon cometendo erros de principiante em ultrapassagens, Raikkonen sendo um babaca para cima de Russell (sério, gente, esse cara não se aposenta nunca? Já deu!) e nem mesmo o absurdo do Hulkenberg ganhando como piloto do dia tiraram minha atenção do australiano. Que corrida! E aguentem o menino com um motor Mercedes ano que vem. Um beijo, Zak Brown, obrigada pelos mimos!

Que homenagem linda da família Schumacher em entregar o capacete de Michael à Lewis. Um momento que também me levou às lágrimas, devo confessar. Que lindo ver o único piloto negro no grid fazendo história, sendo o melhor piloto dos últimos tempos e ainda assim, homenageando Schumacher, levando seu capacete ao pódio. Um verdadeiro lorde inglês. Que exemplo, Lewis, que exemplo!

Bom, eu não tenho muito mais o que dizer. Não sei nem se consigo eleger um pior piloto (mentira, consigo sim) e não sei nem se vou sair dessa animação que estou até agora. Como diz Ricciardo: ele lambeu o selo e mandou. Mandou com tudo.

Notas

Observação: as notas dessa corrida serão dadas apenas pela Adriana, que se encontra tremendo feito um pinscher.

Corrida: 10

Pilotos:

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Max Verstappen: 9 
  3. Daniel Ricciardo: 10
  4. Sergio Perez: 8
  5. Carlos Sainz: 7
  6. Pierre Gasly: 8 
  7. Charles Leclerc: 7
  8. Nico Hulkenberg: 7,5
  9. Romain Grosjean: 8
  10. Antonio Giovinazzi: 7
  11. Sebastian Vettel: 5
  12. Kimi Raikkonen: 0 
  13. Kevin Magnussen: 4
  14. Nicholas Latifi: 6
  15. Daniil Kvyat: 5

Abandonaram

  1. Lando Norris: 7 (por ter conseguido ultrapassagens e ainda se manter na pista mesmo com problemas de potência, ele mereceu essa nota)
  2. Alex Albon: 0 (lamentável os toques provocados pelo tailandês)
  3. Esteban Ocon: 3 (nem percebi ele na corrida até abandonar…)
  4. Valtteri Bottas: 3 (bem… o que dizer dele, né?)
  5. George Russell: 5 (estava indo bem até o torpedo Raikkonen atingi-lo) 

Piloto do dia (eleito pelo público): Nico Hülkenberg

Melhor piloto: Daniel Ricciardo e Lewis Hamilton

Pior piloto: Kimi Raikkonen

Análise Grande Prêmio da Rússia de 2020 | 2020 Russian Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 27 de setembro, Grande Prêmio da Rússia de 2020 começou movimentado. Desde o treino de classificação, o circuito russo demonstrava que a corrida não seria parada. A expectativa de que Lewis Hamilton (Mercedes) iguale o número de vitórias de Michael Schumacher foi ameaçada por duas punições de 5 segundos cada por ter treinado a largada na volta de instalação. 

Logo na primeira volta, Carlos Sainz Jr (McLaren) escapou na primeira curva e bateu no muro, deixando muitos detritos na pista. Logo depois, Lance Stroll (Racing Point) foi tocado por Charles Leclerc (Ferrari) e também bateu no muro, abandonando a corrida.

Com isso, o Safety Car entrou na pista e ficou até a volta 5. Logo após a liberação da pista, Hamilton ficou ciente de sua punição e então tentou abrir vantagem de seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas (Mercedes) até a sua parada na volta 17. O inglês não conseguiu e por isso, voltou à pista na 11ª colocação. Graças a diversos pit stops e seu carro superior a todos do grid, ele conseguiu recuperar suas posições tranquilamente, voltando a ameaçar Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Durante algumas voltas, o que surpreendeu foi a briga no final do grid, entre Lando Norris (McLaren), Alex Albon (Red Bull) – que cumpriu punições por troca de motor – e George Russell (Williams), tendo Norris a vantagem sobre seus dois rivais, mesmo apresentando problemas em sua McLaren.

Daniel Ricciardo (Renault) foi outro piloto que também levou uma punição. Depois de um pit stop lento, o australiano voltou na 13ª posição e começou a recuperar suas posições para voltar ao top 10. Contudo, ao ultrapassar Esteban Ocon (Renault), Ricciardo escapou e ultrapassou Ocon fora dos limites da pista, também levando uma punição de 5 segundos. O australiano conseguiu abrir vantagem sobre Leclerc e mesmo com a punição, manteve a 5ª posição na corrida.

Na volta 43, Romain Grosjean (Haas) colidiu com a sinalização, o que causou a entrada do Safety Car virtual, que logo foi retirado porque os detritos foram tirados da pista.

Mesmo com um começo promissor, o GP da Rússia não teve grandes surpresas, com a vitória de Valtteri Bottas, Verstappen em segundo e Hamilton em terceiro. O hexacampeão continua na batalha em igualar Schumacher em vitórias, que poderá ser feito no GP de Eifel, ironicamente no país do heptacampeão.

A FIA estava extremamente generosa hoje… (Charge feita por Adriana Perantoni)

Opinião da Rebeca:

Opinião da Adriana:

O que começou como uma corrida promissora, virou isso aí que a gente viu. Eu sei que eu já usei aqui na análise do GP de 70 anos de F1: essa festa virou um enterro. Para falar a verdade, não sei porque eu tive esperanças sobre essa corrida já que o circuito não ajuda muito e honestamente, espero que a FIA não tente voltar com esse circuito chato para o calendário.

Confesso que mantive minhas esperanças por conta do bom desempenho de Ricciardo durante os treinos mas mais uma vez, a Renault fez o que a Renault sabe fazer melhor: trapalhada. O primeiro pit stop de Ricciardo foi mais lento que a Ferrari e prejudicou que ele lutasse desde o começo por boas posições. Sua punição por escapar ao ultrapassar Ocon foi a cereja no bolo. O australiano disse no rádio que “conseguiria” não tomar prejuízo e não é que ele conseguiu? Como eu já disse, piloto que é piloto consegue resultado mesmo com um carro ruim. Aliás, quero saber aonde estão aquelas pessoas que juraram que o Ocon ia botar ele no bolso, será que estão bem?

Uma corrida chata com a vitória de um piloto que não merece o carro que tem. Eu só consegui rir do discurso de Bottas no final da corrida porque, convenhamos, ele só ganhou essa corrida por causa da punição de Hamilton. Bottas tem que comer muito feijão com arroz para chegar no potencial que ele deseja ter e esse tipo de atitude só demonstra isso.

Com uma corrida que deixou a desejar, só consigo eleger o pior piloto com base em um erro e que erro grotesco foi o de Sainz. Que batida foi aquela?

Já sobre o melhor piloto, tenho que ir com o óbvio e escolher Hamilton. Uma ótima corrida de recuperação para terminar um fim de semana que não foi do jeito que ele esperava mas que ainda garantiu bons pontos para o inglês.

Notas

Observação: como só a autora que vos fala (Adriana) suportou essa corrida, as notas serão dadas apenas por mim.

Corrida: 6

Pilotos:

  1. Valtteri Bottas: 7
  2. Max Verstappen: 8
  3. Lewis Hamilton: 8,5
  4. Sergio Pérez: 7
  5. Daniel Ricciardo: 8
  6. Charles Leclerc: 6
  7. Esteban Ocon: 6
  8. Daniil Kvyat: 6 (olha, finalmente conseguiu superar o Gasly, hein 🤭)
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Alexander Albon: 5
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Kevin Magnussen: 4
  13. Sebastian Vettel: 4 
  14. Kimi Räikkönen: 3
  15. Lando Norris: 4,5
  16. Nicholas Latifi: 4
  17. Romain Grosjean: 3
  18. George Russell: 3

Abandonaram

19. Carlos Sainz Jr: 0
    20. Lance Stroll: 10 de consolação (o que a Rebeca não me pede chorando, que eu faço rindo, né? ❤️)

Driver of the day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Lewis Hamilton

Pior piloto: Carlos Sainz Jr.

Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina

Nota: esse é um artigo de opinião. Mesmo assim, baseio minha opinião em fatos e estes estarão devidamente linkados ao decorrer do artigo. O texto é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a opinião do site.

Como é cediço e comentei um pouco sobre essa situação na opinião do GP da Toscana, decidi fazer com que meu primeiro post completamente independente seja sobre essa novela da demissão de Sergio Pérez e a contratação de Sebastian Vettel pela futura Aston Martin, anunciada nas últimas quarta e quinta-feiras (9 e 10), respectivamente.

A Racing Point decidiu rescindir seu contrato com o mexicano Sergio Pérez, que estava garantido na equipe para a próxima temporada. Contudo, para dar espaço ao novo contratado, a “Mercedes rosa” decidiu sacrificar Pérez. 

Em uma das milhares de redes sociais que temos na internet, houve uma grande mobilização dos fãs de ambos os lados – tanto comemorando o fato de Vettel continuar na F1 e lamentando a despedida de Checo – e foi aí que me surgiu a inspiração para tornar meu ponto de vista em um devido artigo de opinião aqui.

Mesmo sabendo que esse esporte é movido por dinheiro, negociações e movimentações políticas, dói ver um piloto que de algum jeito lhe representa em um esporte majoritariamente branco e europeu. Eu, que tenho muitas ressalvas quanto a essa negociação, o piloto contratado para substituir Pérez e a maneira com que o mexicano foi tirado de sua equipe, não pude deixar de sentir tristeza por Checo. Afinal de contas, estamos lidando com pessoas que, além de simples atletas, têm suas histórias de superação e ainda mais considerando que o México não é historicamente conhecido na Fórmula 1.

Pérez saiu do México aos 15 anos para morar sozinho na Alemanha, a fim de começar sua carreira na Europa. Passando pelas categorias de base como a Fórmula BMW, A1 Grand Prix, Fórmula 3 e a GP2 (agora conhecida como a Fórmula 2), o mexicano provou seu talento e conseguiu entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari, onde continuou até 2012. Sua carreira na Fórmula 1 também é marcada por times tradicionais, como a Sauber – 2011 a 2012 -, McLaren – 2013, onde sofreu uma quebra de contrato muito parecida com sua situação atual – e desde 2014, está na Racing Point, que também já foi chamada de Force India.

Durante sua carreira, Checo teve apoio do, até então, homem mais rico do mundo, Carlos Slim, apelidado de “Rei Midas das telecomunicações”. Uma de suas empresas mais conhecida é a Claro, que é muito popular por toda a América Latina por ser provedora de operadora para celulares e pelo menos no Brasil, internet banda larga, serviços de telefonia fixa e até mesmo TV a cabo. Slim também organiza a Escudería Telmex, que apoia e divulga pilotos latino-americanos, como Tatiana Calderón (primeira mulher latino americana a pilotar um F1, durante o 1º treino livre GP do México de 2018), Pietro Fittipaldi e o próprio Pérez.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (algum dos) pilotos latinos apoiados pela Escudería Telmex [1, 2, 3]

O debate, que por um lado, lamentava a falta de representatividade latina no esporte, apresentava argumentos lúcidos, elencando as dificuldades enfrentadas por pessoas da América Latina e o quanto esses países perderam seus representantes durante os anos. No Brasil, por exemplo, seu último piloto foi Felipe Massa, que deixou a categoria em 2018. Vale ressaltar que, além de estar dois anos sem um piloto brasileiro, a maior emissora de canal aberto do Brasil, Globo, não exibirá mais as corridas a partir de 2021. Outro ponto é que o circuito de Interlagos também corre o risco de ficar de fora do calendário de 2021, visto que seu contrato vence em 2020, sem previsões para renovação visto a batalha judicial para a construção do circuito em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A segunda corrida sediada na América Latina é justamente no México, que tem uma previsão quase certa para ser renovado por mais temporadas (link em inglês).

Durante sua então longa carreira com a Racing Point, em 2018, quando a então Force India passava por dificuldades financeiras após a declaração de falência do  ex-dono e chefe de equipe Vijay Mallya, o mexicano entrou com uma ação contra a equipe, no qual alegou ser “necessário” a fim de salvá-la e garantir o emprego de seus funcionários. Logo depois, Lawrence Stroll comprou de vez a equipe e concretizou isso, tornando-se hoje a conhecida Racing Point.

Após o comunicado de sua saída, Pérez não escondeu sua surpresa com a decisão de Lawrence Stroll, que teve sua confirmação na última quarta-feira. Inclusive, alguns sites afirmam que Checo escutou “pelas paredes” uma conversa do empresário com a equipe jurídica da Racing Point sobre a contratação de Vettel durante o GP de Monza. Imagine você estar na equipe há anos, ajudar na recuperação financeira a fim de evitar seu fechamento e escutar pelas paredes que estavam contratando outra pessoa para te substituir? Eu, no mínimo, viraria uma arara.

O mexicano também não escondeu sua gratidão ao time na nota oficial que postou em seus perfis, afirmando que “manterá em sua memória os momentos felizes que viveu com a equipe, as amizades e a satisfação em sempre dar o seu melhor”. Além disso, desejou sorte à equipe, chefiada por Lawrence, ainda mais com o novo projeto da Aston Martin. O comunicado na íntegra pode ser lido em seu tweet, escrito em inglês e espanhol.

Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que uma equipe rompe o contrato com Checo, mesmo tendo um ano já garantido. Em 2013, a McLaren decidiu dispensá-lo para contratar o dinamarquês Kevin Magnussen. O comunicado da saída também foi anunciado por Pérez, que agradeceu pela oportunidade na histórica equipe. “Foi uma honra estar em uma das equipes mais competitivas do esporte e nunca imaginei que faria parte do time. Sempre dei o meu melhor para a equipe e infelizmente não consegui o resultado que gostaria neste histórico time”, disse. Da mesma maneira que destacou em sua despedida à Racing Point, Checo também lembrou das amizades que conquistou dentro da equipe.

Tradução: “Estou muito triste, cara. Você sabe disso, toda a nossa equipe técnica está” – Mikey
“Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu #amigosparaavida” 15- Sergio

Mikey é um dos mecânicos de Checo e esse foi o seu comentário no post de despedida [4]

Com toda essa repercussão e pegando os fãs de surpresa, as reações foram rápidas de ambas as partes, seja de apoiadores de Vettel e Pérez. Os fãs do alemão comemoraram a nova oportunidade e os do mexicano (e até mesmo quem não o apoiava) ficaram chocados com a maneira que a negociação, conforme exposta por Checo, repentina foi levada. Com isso, começou a discussão citada no começo deste artigo.

É importante contextualizar a carreira de Sergio, desde o começo com as categorias de base, as equipes pelas quais passou pela F1 até o derradeiro momento de sua demissão para chegar no ponto em que quero focar neste artigo: a representatividade latina. 

Como apontado por uma amiga, durante a era de 2010 na F1, tivemos muitos pilotos latinos como os brasileiros Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; os mexicanos Esteban Gutierrez e Sergio Pérez e o venezuelano Pastor Maldonado. Cada um teve o seu destino dentro do esporte e por diversas situações, não continuaram na Fórmula 1. Olhando para o cenário de hoje em dia, vemos como isso foi bom na época, afinal, tínhamos finalmente um pouco de diversidade! Mas desde 2018, Checo é o único latino no esporte. Isso não soa um pouco estranho?

Muitos dos pilotos listados acima sofreram com o escracho da mídia, como por exemplo, Pastor Maldonado. Quantas vezes o venezuelano não foi motivo de chacota? Quantas vezes não encontramos um meme no Facebook, por exemplo, zombando de sua fama de “bate-bate”? E com Rubinho? Até hoje, vemos memes com o “atrasado”, “lento”, “eterno segundo piloto”.

Quando as vozes dos fãs latinos se uniram e começaram a apresentar argumentos extremamente válidos com a sua tristeza quanto à situação envolvendo Checo, é lógico que surgiriam opiniões contrárias. “Mas aonde fica a representação dos pilotos balcãs?”, alguém postou em tom extremamente sarcástico, dando a entender que “não são só os latinos que sofrem com falta de representatividade”. “Mas se Kvyat, que é do leste europeu, saísse da categoria, vocês vão se chatear desse jeito?”, questionou outro.

E é aí que tudo desandou. O debate em si não era mais sobre pilotos e sim sobre representatividade. Assim como a carreira icônica de Senna motivou várias crianças brasileiras – e do mundo afora, como aconteceu com o atual hexacampeão Lewis Hamilton -, a serem pilotos. Quantos programas voltados ao kart surgiram no Brasil, graças a essa visibilidade de Senna? Vários, inúmeros e acho que não conseguiríamos contar nem se quiséssemos. Seu sobrinho, Bruno, seguiu a carreira automobilística e ainda é piloto profissional, agora competindo pelo Campeonato Mundial de Endurance.

Agora, imagine como uma criança mexicana que viu Checo conquistando seu espaço no esporte ano após ano, superando todas as dificuldades, até a ameaça de falência da equipe pela qual competiu na F1, se sentiu ao saber desse rompimento abrupto de seu contrato. Imagine saber que a pessoa que mais se parece com você no grid pode não estar lá em 2021. Isso excede a disputa entre pilotos. Isso não é mais sobre Fulano ou Sicrano.

Sauber, McLaren, Force India e Racing Point… qual será a próxima equipe de Checo? [5, 6, 7, 8]

O ponto que mais me revoltou nessa tour toda foi saber que a dor do outro, de alguém que se vê representado em um piloto da mesma etnia serve de zombaria. Serve de comparação. E o engraçado, de uma forma trágica, é saber que muitas dessas pessoas apoiaram o movimento Vidas Negras Importam e criticaram fervorosamente os pilotos que não se ajoelharam, em respeito ao movimento e ao único piloto negro do grid. Você não pode simplesmente defender uma comunidade que sempre sofreu com o racismo e quando tem a oportunidade de escutar e aprender com uma outra etnia que sofre diariamente com racismo e xenofobia, você opta por fazer pouco caso. 

Como eu comentei com meus amigos mais próximos, além de ser performativo, é nojento. Sabe aquela expressão “lacrastes?” usada muito no Twitter? Então, isso se aplica nessa situação perfeitamente. Você chega a se questionar se a posição antirracista performada no perfil da pessoa era sincera ou apenas um personagem criado para likes. Eu fico com a segunda opção.

Uma pessoa, nesse debate todo, disse que não estava triste pela perda do piloto em si e sim, pela perda de representação no automobilismo. Justo no ano em que a F1 se viu obrigada a criar uma campanha para a diversidade – basicamente pressionada por Lewis, o que acho correto a imposição do britânico -, é difícil engolir isso apenas como uma simples “dança das cadeiras”. Sabemos, enquanto latinos, como somos discriminados por padrões e estereótipos forçados pela mídia e esse tipo de racismo estrutural nos força a ocupar um espaço de coadjuvante, reforça a necessidade de apagar a nossa narrativa, nos mantém invisível e nos impede de ocupar espaços.

Eu, como sempre vi Checo no grid desde quando comecei a ver F1, senti uma profunda tristeza ao saber de sua saída. Considero o mexicano um piloto talentoso, com potencial de desenvolver sua pilotagem a cada temporada e vejo nele o amor pelo esporte. Considerei essa movimentação interna da Racing Point truculenta com o mexicano e agora, interpreto as declarações de Otmar como meros blefes (que foram péssimos, afinal). [1, 2, 3]

Já existem rumores de sua ida à Indy com a McLaren e até mesmo para a Red Bull (vídeo em espanhol). Vale lembrar que essa informação veio da mesma jornalista que cravou a volta de Alonso com a Renault, mas até agora, não se passam de rumores. A Fórmula E parece um mercado bom para ele, que já abrigou ex-pilotos como Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr e Antonio Félix da Costa, que ou já foram dispensados de forma não muito amigável, para ser legal, da Fórmula 1 ou de seus programas de formação, no caso de da Costa.

Espero que Checo consiga algum lugar na Fórmula 1 e em alguma outra categoria em que seja tratado com o respeito que merece. Afinal de contas, não é esse tipo de tratamento que o “prodígio mexicano” (em inglês) merece.

Enquanto aguardamos seu próximo passo, Checo terá o restante da temporada para orgulhar todos os latinos [9]

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

Montagem feita a partir da foto encontrada em:

4. Captura de tela da seção de comentários do Instagram de Sergio Pérez

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/