Análise do Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 | 2021 British Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 ocorreu no dia 18 de julho. A Fórmula 1 aplicou um novo modelo de classificação para decidir a pole position no final de semana. Na sexta feira, a segunda sessão de treinos livres definiu o grid de largada para uma corrida sprint, realizada no sábado. O resultado dessa, por sua vez, decidiu a classificação para a corrida oficial, no domingo.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Verstappen e Hamilton travaram um duelo intenso pela liderança, já Leclerc conseguiu ultrapassar Bottas com facilidade. Antes da primeira volta ser completada, Max fez um movimento tardio para se defender de Lewis, que também freou tarde, e acabou batendo forte no muro. Leclerc aproveitou o momento e tomou a liderança. A direção de prova acionou a bandeira vermelha. O holandês saiu do carro sentindo tonturas e foi levado para o centro médico.

Durante a bandeira vermelha, os comissários ouviram representantes da Red Bull e da Mercedes e decidiram punir Hamilton com 10 segundos. Após a relargada, Leclerc se manteve à frente e Lando Norris (McLaren) ultrapassou Bottas. No fim do grid, Sergio Pérez (Red Bull), que largou do pit lane por ter abandonado a corrida sprint, superava vários adversários. Sebastian Vettel (Aston Martin) rodou na pista e perdeu muitas posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) escapou da pista e foi obrigado a deixar seus concorrentes passarem.

Como o traçado de Silverstone tem muitas curvas, muitos pilotos se aproximavam de seus rivais, mas não conseguiam ultrapassá-los. Foi o que houve, por exemplo, com Pérez, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Fernando Alonso (Alpine). Leclerc relatou problemas no motor para a equipe e a Ferrari trabalhou rapidamente para resolver a situação. Esperando manter-se na pista por mais tempo para compensar a largada de uma posição desfavorável, Pérez foi o primeiro a ir para os boxes. Entre os quatro primeiros pilotos do grid, Norris foi o primeiro a trocar os pneus, mas seu pit stop foi muito lento (seis segundos) e o levou para o sexto lugar. Com isso, embora Bottas tenha saído dos boxes muito próximo ao piloto da McLaren, o finlandês se manteve à frente.

Hamilton fez a troca de pneus e cumpriu a punição. Ele acelerou ao máximo para compensar o tempo perdido. Em poucas voltas, alcançou Norris e o tirou do terceiro lugar. As paradas dos carros da Ferrari foram lentas (a de Carlos Sainz Jr. demorou muito devido a um problema na retirada de um dos pneus), mas Leclerc continuou à frente. Sainz tentava superar Daniel Ricciardo (McLaren), mas apesar de se aproximar bastante, não conseguiu melhorar sua posição. Embora Pérez estivesse lutando por lugares mais altos na zona de pontuação, buscando ultrapassar Lance Stroll (Aston Martin) e Alonso para chegar ao sétimo lugar, a sorte não estava do seu lado. A Red Bull o chamou para uma segunda troca de pneus e o mexicano perdeu as chances de pontuar. A equipe ainda fez uma terceira troca, perto do fim, que apenas serviu para tirar o ponto extra de Hamilton pela volta mais rápida. Raikkonen, que foi um de seus adversários mais difíceis, acabou saindo da pista em uma disputa com Checo. Os comissários decidiram investigar o ocorrido depois do fim. Vettel teve que abandonar devido a problemas no carro.

Enquanto isso, Hamilton ia à caça de Leclerc. A Mercedes havia decidido inverter sua posição com a de Bottas, já que o companheiro estava com problemas nos pneus e não havia expectativa de ultrapassar o monegasco. O inglês superou o piloto da Ferrari na penúltima volta, quando Leclerc cometeu um pequeno erro que o fez sair da pista momentaneamente.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Charles Leclerc em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Com sua vitória e o abandono de Max Verstappen, a diferença entre o líder e o vice-líder do campeonato cai para oito pontos. A Red Bull foi a maior derrotada no Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021, pois nenhum de seus pilotos pontuou e Hamilton está mais próximo de Verstappen na disputa pelo título. O inglês provou mais uma vez que sua determinação supera as maiores adversidades. Um ponto no mínimo curioso foi a Fórmula 1 ter decorado a área do pódio com o rosto de Lando Norris sem nenhuma razão aparente. Não é o aniversário do piloto, nem de sua equipe, e ele não é o único inglês do grid, muito menos o piloto dessa nacionalidade com mais feitos (nem na atualidade, nem em toda a história do esporte). Isso acaba comprovando a análise de Ricardo Hernandes Meyer sobre a conveniência da Fórmula 1 com a idolatria injustificada a Lando Norris.

Quando o piloto é bom de verdade, não tem para ninguém. E Lewis Hamilton é a prova disso.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Charles Leclerc: 10
  3. Valtteri Bottas: 7,5
  4. Lando Norris: 7,5
  5. Daniel Ricciardo: 6
  6. Carlos Sainz Jr.: 6
  7. Fernando Alonso: 7
  8. Lance Stroll: 7
  9. Esteban Ocon: 6,5
  10. Yuki Tsunoda: 5
  11. Pierre Gasly: 6,5
  12. George Russell: 5
  13. Antonio Giovinazzi: 4
  14. Nicholas Latifi: 4
  15. Kimi Raikkonen: 2
  16. Sérgio Pérez: 6,5
  17. Nikita Mazepin: 3
  18. Mick Schumacher: 3

Abandonaram

  1. Sebastian Vettel: 3
  2. Max Verstappen

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhores pilotos: Charles Leclerc e Lewis Hamilton

Pior piloto: Kimi Raikkonen

Análise do Grande Prêmio da Áustria de 2021 | 2021 Austrian Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Áustria de 2021 ocorreu no dia 4 de julho. Foi a segunda corrida do ano a ser realizada no Red Bull Ring, após o Grande Prêmio da Estíria. Depois de um treino classificatório fora do comum, o grid de largada trouxe algumas surpresas. Os carros da Ferrari não chegaram ao Q3, George Russell (Williams) partiu da nona posição, e um piloto não-pertencente a Mercedes, Red Bull ou Ferrari, começou a prova da primeira fila.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lando Norris. Sergio Pérez (Red Bull) e Lewis Hamilton (Mercedes) completaram a segunda fila. Não houve muitas mudanças no grid logo no começo. O que chamou mais atenção foi o incidente com Esteban Ocon (Alpine), que foi expremido por Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e Mick Schumacher (Haas), e teve que abandonar. O safety car foi acionado e a corrida foi liberada na terceira volta. Com isso, Giovinazzi foi o primeiro a trocar pneus.

Valtteri Bottas (Mercedes) ultrapassou Hamilton, mas o inglês recuperou a posição. Pouco depois, Pérez tentou ultrapassar Norris, mas foi forçado para fora da pista e acabou no décimo lugar. Os pilotos da AlphaTauri foram os primeiros do meio do grid a fazer a troca de pneus, com Yuki Tsunoda parando antes de Pierre Gasly. Ambos acabaram no fim do grid. Daniel Ricciardo (McLaren) fez uma boa ultrapassagem sobre Sebastian Vettel antes do piloto alemão ir para os boxes.

Os comissários puniram Norris com 5 segundos por ter forçado Pérez para fora da pista. Pouco depois do anúncio, Hamilton o ultrapassou. Tsunoda levou a mesma punição por ter cruzado a linha do pit lane (e mais tarde foi novamente punido por reincidência). Na volta 27 houve uma briga pelo quinto lugar entre Ricciardo, Charles Leclerc (Ferrari) e Pérez. O ítalo-australiano foi o primeiro dos três a parar. A McLaren chamou Norris aos boxes para a troca de pneus e pagamento da punição, mas a Mercedes previu a manobra e chamou Bottas. O finlandês voltou à frente do inglês. Em seguida foram as vezes de Hamilton e Verstappen trocar os pneus.

Leclerc tentou ultrapassar Pérez, mas o mexicano o forçou para fora da pista. Isso lhe rendeu uma punição de 5 segundos. Não sei se houve o mesmo na narração dos outros países, mas no Brasil, tanto o narrador Sérgio Maurício quanto os comentaristas Reginaldo Leme e Felipe Giaffone usaram dois pesos e duas medidas para descrever o ocorrido. Quando Norris jogou Pérez para fora, os três defenderam o piloto da McLaren, dizendo que “ele não tinha o que fazer”. Já quando Pérez fez o mesmo com Leclerc, tanto o narrador quanto os comentaristas clamaram furiosos pela punição ao mexicano, deixando bem claro a torcida e simpatia pelo filho de Adam Norris.

Mais tarde, Pérez voltou a forçar Leclerc para fora, levando mais uma punição de 5 segundos. Hamilton começou a enfrentar problemas no carro e a Mercedes invertei sua posição com Bottas para evitar ataques de Norris. O atual heptacampeão precisou trocar os pneus e acabou no quarto lugar. No fim da corrida, Carlos Sainz Jr. (Ferrari), que foi o último do grid a ir para os boxes, ultrapassou Leclerc e Fernando Alonso (Alpine) superou Russell, acabando com as chances do piloto da Williams marcar seu primeiro ponto pela equipe. Pouco depois da bandeira quadriculada, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se chocou contra Vettel quando este tentava ultrapassá-lo. Os dois acabaram na brita.

Max Verstappen foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Lando Norris em terceiro. Tal como houve na corrida anterior, o Grande Prêmio da Áustria de 2021 não foi muito emocionante devido à imensa facilidade de vitória do pole position. A atuação de Charles Leclerc foi novamente motivo de aplausos, pois mesmo com vários problemas, conseguiu uma boa pontuação. Sua equipe está duelando com a McLaren no campeonato de construtoras e cada ponto faz a diferença. Por outro lado, a performance de Sergio Pérez deixou a desejar. Perdeu as chances de ultrapassar Lando Norris e forçou duas vezes Leclerc para fora da pista. Outro destaque negativo foi o carro da Mercedes, que deixou Lewis Hamilton na mão em um momento importante do campeonato. Agora, Verstappen tem uma grande vantagem e se consolida líder. Se a equipe alemã quer vencer a Red Bull, vai precisar cobrar mais do departamento de engenharia.

Mais um trabalho lamentável da narração brasileira

Notas

Corrida: 7

Pilotos

  1. Max Verstappen: 9
  2. Valtteri Bottas: 8
  3. Lando Norris: 8
  4. Lewis Hamilton: 9
  5. Carlos Sainz Jr.: 8
  6. Sérgio Pérez: 3
  7. Daniel Ricciardo: 7
  8. Charles Leclerc: 9
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Fernando Alonso: 7
  11. George Russell: 8
  12. Yuki Tsunoda: 7
  13. Lance Stroll: 3
  14. Antonio Giovinazzi: 3
  15. Nicholas Latifi: 3
  16. Kimi Raikkonen: 3*
  17. Sebastian Vettel: 3*
  18. Mick Schumacher: 3
  19. Nikita Mazepin: 3

 

Abandonou

  1. Esteban Ocon

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Lando Norris

Melhor piloto: Charles Leclerc

Pior piloto: Sergio Pérez

*Como a batida entre ambos ocorreu depois da bandeira quadriculada, Raikkonen e Vettel se classificaram, respectivamente em 16º e 17º lugar.

Análise do Grande Prêmio da Estíria de 2021 | 2021 Styrian Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Estíria de 2021 ocorreu no dia 27 de junho. Pelo segundo ano consecutivo, a Fórmula 1 decidiu realizar uma corrida extra no Red Bull Ring (palco do Grande Prêmio da Áustria) para compensar as provas canceladas devido à pandemia de Covid-19.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Pelo resultado dos treinos classificatórios, Valtteri Bottas (Mercedes) teria largado na segunda posição. Porém, sua rodada no pit lane durante a segunda sessão de treinos livres lhe rendeu uma punição de três lugares. Lando Norris (McLaren) e Sergio Pérez (Red Bull) completaram a segunda fila. Verstappen começou a prova bloqueando qualquer possibilidade de ataque de Hamilton. Pérez e Norris disputaram a terceira posição. Lance Stroll (Aston Martin) ultrapassou dois adversários de uma vez, Fernando Alonso (Alpine) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri), e chegou ao sexto lugar após um incidente entre Pierre Gasly (AlphaTauri) e Charles Leclerc (Ferrari). O francês tocou o monegasco e foi parar no fim do grid, onde se chocou com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e fez com que Nicholas Latifi (Williams) saísse temporariamente da pista. Por causa do incidente com Gasly, Leclerc foi obrigado a fazer um pit stop. Muitos acreditavam que a corrida estava acabada para o monegasco, mas ele continuou firme em sua luta pelos pontos.

Pouco depois, Pérez conseguiu superar Norris, tendo antes pedido mais potência à equipe. Bottas aos poucos se aproximou e entrou na briga pelo pódio. Outro piloto que teve destaque foi George Russell (Williams), que estava no oitavo lugar, seguido por Tsunoda. O inglês se mantia firme na zona de pontuação até fazer seu pit stop, que o colocou no 18º lugar. Enquanto isso, Leclerc enfrentava vários adversários e ficava cada vez mais próximo do décimo lugar. Mais uma vez houve um toque entre os pilotos da Haas, Mick Schumacher e Nikita Mazepin. Russell foi forçado a abandonar a corrida algumas voltas depois.

A Mercedes buscou um undercut e trocou os pneus de seus pilotos antes da Red Bull chamar Verstappen aos boxes. Pelos gráficos, os pneus de Hamilton estavam menos desgastados que os do holandês. No entanto, Verstappen conseguiu voltar à frente de Hamilton. O piloto da Red Bull chegou a relatar problemas nos freios, mas em nenhum momento da corrida isso apreceu ter efeito sobre seu desempenho. Verstappen abria vantagens cada vez maiores sobre Hamilton, que não via esperança de vitória.

A Ferrari passou a mostrar mais força perto das 15 voltas para o fim. Carlos Sainz Jr. conseguiu passar Stroll, e Leclerc iniciou uma série de ultrapassagens. Seu primeiro adversário foi Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), depois desbancou Sebastian Vettel (Aston Martin), e superou Tsunoda, Alonso e Stroll. Depois Raikkonen ultrapassou Vettel, enquanto Leclerc mostrava que não importa como a corrida começa e sim como termina.

Nas últimas voltas, Hamilton trocou os pneus para tentar a volta mais rápida. A Red Bull havia tentado antes com Pérez, que estava muito à frente de Norris e não teria sua posição ameaçada. Hamilton foi bem sucedido, buscando o ponto extra para se manter firme na disputa pelo título. As previsões indicavam que Pérez conseguiria ultrapassar Bottas, mas o finlandês terminou a corrida com uma vantagem de meio segundo para o mexicano.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Tal como foi no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020, a vitória de Verstappen foi bem simples, partindo da pole e se mantendo na liderança até o fim. Corridas em que o holandês conquista a vitória em cima de muitas disputas são, obviamente, mais emocionantes. No entanto, o Grande Prêmio da Estíria de 2021 não foi uma corrida completamente monótona. O desempenho de Charles Leclerc foi digno de elogios, lembrando o que houve com Sergio Pérez no Grande Prêmio do Bahrein do mesmo ano. Ainda que ultimamente a mídia tenha ignorado o jovem monegasco nos últimos tempos, motivada pelo desempenho da Ferrari abaixo do esperado, Leclerc prova que é um piloto destemido e corajoso. Afinal, palavras podem até melhorar ou piorar a reputação de alguém, mas o talento é provado com a performance e os resultados, e isso só a pista pode revelar.

Não é à toa que o apelido de Leclerc é Cinderela: as coisas podem começar mal, mas depois ele dá um baile.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Max Verstappen: 9,5
  2. Lewis Hamilton: 9
  3. Valtteri Bottas: 8,5
  4. Sergio Pérez: 9
  5. Lando Norris: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 8
  7. Charles Leclerc: 10
  8. Lance Stroll: 9
  9. Fernando Alonso: 8
  10. Yuki Tsunoda: 8
  11. Kimi Raikkonen: 7
  12. Sebastian Vettel: 6
  13. Daniel Ricciardo: 6
  14. Esteban Ocon: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Mick Schumacher: 3
  17. Nicholas Latifi: 3
  18. Nikita Mazepin: 3

 

Abandonaram:

  1. George Russell
  2. Pierre Gasly

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhor piloto: Charles Leclerc

Pior piloto: Pierre Gasly

Análise do Grande Prêmio da França de 2021 | 2021 French Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da França de 2021 ocorreu no dia 20 de junho. O esperado era uma corrida sem emoção, pois o palco era o Circuito de Paul Ricard. No entanto, as últimas voltas surpreenderam.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Sergio Pérez (Red Bull) completaram a segunda fila. Embora tenha feito uma boa largada, Verstappen quase perdeu o controle do carro na curva 2 e acabou sendo ultrapassado por Hamilton. Pérez e Bottas também disputaram posições, mas o carro do finlandês tinha um rendimento melhor. Já Charles Leclerc (Ferrari) não tinha a mesma sorte: foi ultrapassado por muitos concorrentes devido ao fraco desempenho de seu carro. Os dois pilotos da Haas, Nikita Mazepin e Mick Schumacher tiveram um toque, como houve no Azerbaijão.

Ainda no começo da prova, no fim do grid, Lance Stroll (Aston Martin) conseguia superar vários adversários. O canadense largou em penúltimo lugar devido a complicações no treino classificatório (teve sua volta deletada por exceder os limites de pista, e a bandeira vermelha causada pela batida de Mick Schumacher o impediu de tentar uma boa classificação). O mesmo ocorreu com Yuki Tsunoda (AlphaTauri), que largou dos boxes porque alguns problemas no carro o impossibilitaram de participar do treino classificatório.

Outro piloto de destaque foi Pierre Gasly (AlphaTauri), que travou boas disputas, por exemplo com Esteban Ocon (Alpine) e Carlos Sainz Jr. (Ferrari). Lando Norris (McLaren), falhou em ultrapassar o companheiro Daniel Ricciardo e acabou na área de escape. Ele só conseguiu a ultrapassagem no meio da corrida, com Ricciardo não apresentando resistência. O ítalo-australiano fez um bom começo de prova, tendo um de seus principais momentos uma notável ultrapassagem sobre Fernando Alonso (Alpine). Seu pit stop também foi um dos mais rápidos da corrida, durando 2.3 segundos. Enquanto isso, os pit stops de Leclerc o colocavam em situações cada vez mais difíceis. O primeiro deles o levou para o penúltimo lugar do grid.

A pista abrasiva levou muitos pilotos a trocarem seus pneus perto da volta 10. Aparentemente as equipes da frente do grid, que haviam largado de pneus mais macios, fariam duas trocas, enquanto os pilotos com pneus duros apenas uma. Verstappen fez sua troca antes das Mercedes, planejando um undercut. A parada de Hamilton foi mais rápida e o inglês voltou bem próximo de Max. Pérez assumiu temporariamente a liderança, mas após o pit stop, as Mercedes levaram vantagem. Enquanto isso, a Aston Martin protelava ao máximo as trocas de pneus de seus pilotos. Consequentemente, tanto Stroll quanto Sebastian Vettel tiveram que lutar pelos últimos lugares da zona de prontuação. É a segunda vez na carreira de Stroll que as más estratégias de pit stops de sua equipe o impedem de terminar a corrida em um lugar mais alto (isso aconteceu também em 2019, quando a escuderia se chamava Racing Point).

Nas últimas voltas, Verstappen trocou os pneus, em mais uma tentativa de undercut. A Mercedes, no entanto, optou por não chamar nenhum de seus pilotos para o box. Isso acabou sendo uma má estratégia. Algum tempo depois de ultrapassar Pérez, Verstappen chegou em Bottas. O finlandês apresentou certa resistência, mas a ultrapassagem do holandês foi inevitável. Depois, Verstappen alcançou Hamilton, e embora tenha pego um pouco de trânsito com os retardatários na volta 51, o piloto da Red Bull duelou com o inglês até o fim e o ultrapassou na penúltima volta. Como um bônus, fez a volta mais rápida e conquistou um ponto extra. Além disso, Pérez superou Bottas na curva 11, e embora os comissários tivessem suspeitado de que o mexicano tivesse excedido os limites da pista, nenhuma investigação foi feita.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Sergio Pérez. Consequentemente, o holandês se mantém como o líder, com 12 pontos de vantagem para o inglês. Verstappen tinha muitas expectativas para essa corrida, buscando “recuperar os 25 pontos que perdeu em Baku” (se referindo ao furo em seu pneu que o impediu de vencer o Grande Prêmio do Azerbaijão). Se as expectativas do jovem piloto da Red Bull foram atendidas, a dos torcedores foram superadas. As corridas em Paul Ricard tendem a ser chatas, pois a pintura do autódromo dificulta a compreensão do traçado e perde-se muito tempo nos pit stops. No entanto, a batalha entre Verstappen e Hamilton mudou completamente a configuração da prova, com Max mais uma vez superando cada dificuldade com maestria. Nada consegue parar esse príncipe da Fórmula 1.

Quando Max Verstappen está inspirado, nada consegue pará-lo.

Notas

Corrida:

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Lewis Hamilton: 9,5
  3. Sergio Pérez: 9,5
  4. Valtteri Bottas: 8,5
  5. Lando Norris: 8
  6. Daniel Ricciardo: 8
  7. Pierre Gasly: 9
  8. Fernando Alonso: 8
  9. Sebastian Vettel: 7
  10. Lance Stroll: 10
  11. Carlos Sainz Jr.: 5
  12. George Russell: 5
  13. Yuki Tsunoda: 10
  14. Esteban Ocon: 5
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Charles Leclerc: 4
  17. Kimi Raikkonen: 4
  18. Nicholas Latifi: 4
  19. Mick Schumacher: 1
  20. Nikita Mazepin: 1

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhores pilotos: Max Verstappen, Lance Stroll e Yuki Tsunoda

Pior piloto: Mick Schumacher

Análise do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 | 2021 Azerbaijan Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 ocorreu no dia 06 de junho. Como é de costume, o Circuito de Baku foi palco de mais uma corrida na qual a maior atração foram os acidentes. Sendo um circuito de rua, a pista dificulta ultrapassagens. Mas, diferente de Mônaco, os resultados são imprevisíveis

Charles Leclerc (Ferrari) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (Alpha Tauri) completaram a segunda fila. Após a largada, não houve muitas mudanças no grid. Os pilotos da Haas, Nikita Mazepin e Mick Schumacher, tiveram um pequeno toque, já Lance Stroll (Aston Martin) começava a ganhar várias posições. O canadense havia largado em penúltimo lugar, pois um acidente nos últimos treinos livres o impediu de correr no treino classificatório.

Algum tempo depois, Esteban Ocon (Alpine) se tornou o primeiro piloto a abandonar a corrida, devido a uma falha no motor. Hamilton e Verstappen ultrapassaram Leclerc, cujo carro perdia muito rendimento. Logo foi a vez de Sergio Pérez (Red Bull) superar o monegasco, depois de ter conseguido as posições de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Gasly. A Mercedes chamou Hamilton aos boxes primeiro, esperando dificultar para a Red Bull. No entanto, o pit stop foi muito lento (durando mais de quatro segundos). Em contraste, a parada de Verstappen foi a mais rápida da corrida, com 1,9 segundos. A demora na troca de pneus prejudicou Hamilton, pois Pérez conseguiu voltar à pista à frente do inglês mesmo que sua parada tenha sido lenta.

A situação não estava fácil para a Mercedes. Seu outro piloto, Valtteri Bottas, não conseguia sair do décimo lugar. Sua maior briga foi com Lando Norris (McLaren), que havia largado em nono lugar por ter desobedecido as regras de bandeira vermelha nos treinos classificatórios (os comissários o puniram com três posições). Por outro lado, a AlphaTauri estava com sorte, pois tanto Gasly quanto Yuki Tsunoda, que havia largado em sétimo lugar, se mantinham firmes na zona de pontuação.

No meio da prova, um dos pneus traseiros de Stroll furou, fazendo com que o canadense, que estava em quarto lugar, perdesse o controle do carro e batesse no muro do setor 2. Diferente do que costuma fazer em situações como essa em Baku, a direção de prova não acionou a bandeira vermelha, optando pelo safety car. Na relargada, Hamilton tentou se aproximar de Pérez, mas o rendimento do carro da Mercedes não estava muito bom. Quando a vitória de Verstappen era dada como certa, ocorreu o mesmo que com Stroll: um dos pneus traseiros furou e o holandês bateu no muro oposto ao da reta dos boxes. A direção de prova acionou a bandeira vermelha, tomando uma atitude no mínimo curiosa, pois o local onde Verstappen se acidentou era mais amplo e daria menos margem para acidentes do que o lugar onde houve o acidente de Stroll. Com a segunda relargada, Hamilton novamente tentou superar Pérez, mas acabou parando na área de escape, onde Sainz havia entrado no começo da prova. Com isso, o beneficiado foi Sebastian Vettel (Aston Martin), que havia conseguido ultrapassar vários adversários durante a corrida.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Sebastian Vettel em segundo e Pierre Gasly em terceiro. Embora o resultado possa chamar muito a atenção, pois não houve pilotos da Mercedes no pódio, nem o primeiro piloto da Red Bull, reviravoltas como essa são esperadas para Baku. Como explicado anteriormente, esse circuito de rua cria um ambiente muito propício para acidentes. Alguns torcedores chegam a considerar essa pista pior do que Mônaco em termos de segurança e dificuldade de ultrapassagem. O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 deixa a Mercedes em alerta. Fica implícito para quem acompanha as notícias que a equipe alemã deseja contratar Max Verstappen no futuro para substituir Lewis Hamilton quando o inglês se aposentar. No entanto, o holandês se mostra muito fiel à Red Bull, equipe que até então não havia conseguido lhe dar um carro à altura de disputar o campeonato (ver “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”). Com os sucessivos erros nos pit stops, como houve por exemplo em Mônaco, Verstappen pode se sentir menos motivado a se juntar à Mercedes, pois as trocas de pneus são fundamentais para o resultado das corridas, principalmente em circuitos de rua. Quanto à Red Bull, o pódio de hoje é uma grande prova de que a impaciência de Helmut Marko não pode ser levada a sério, pois Sergio Pérez e Pierre Gasly, muito criticados pelo consultor, mostram que têm muito a oferecer para a Fórmula 1. Para entender o quanto Marko prejudica novos talentos, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Corrida com muito acidente e pouca ultrapassagem? Teria sido melhor ir ver o Pelé.

Notas

Corrida: 6

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10
  2. Sebastian Vettel: 8
  3. Pierre Gasly: 10
  4. Charles Leclerc: 8,5
  5. Lando Norris: 6
  6. Fernando Alonso: 7
  7. Yuki Tsunoda: 9
  8. Carlos Sainz: 6
  9. Daniel Ricciardo: 6
  10. Kimi Raikkonen: 6
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Valtteri Bottas: 3
  13. Mick Schumacher: 3
  14. Nikita Mazepin: 3
  15. Lewis Hamilton: 8
  16. Nicholas Latifi: 3

Abandonaram

  1. George Russell: 3
  2. Max Verstappen: 10
  3. Lance Stroll: 10
  4. Esteban Ocon:

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Valtteri Bottas

Lando Norris: The Darling of Formula One

All drivers are equal, but some drivers are more equal than others.

Paraphrase of George Orwell’s “Animal Farm” (1945)

 

Unlike Max Verstappen and Lance Stroll, Lando Norris entered Formula One under a shower of praise from the sports press. Journalists, narrators, and commentators extolled the young English driver in the same way they did to Charles Leclerc in 2018 and 2019. The impression the fans had was that a big star was coming to the tracks.

However, compared to other drivers of his generation, Norris has not achieved great things. Still, this did not prevent the media from treating him as one of the greatest athletes in Formula One. That fueled the fanaticism of many fans, who are even aggressive towards those who doubt the driver’s alleged mastery. In this article, we will analyze Norris’s profile and the media’s intentions behind his idolatry.

 

1- Lando Norris’s origins

 

Born in Bristol on November 13th, 1999, Lando Norris is the second child of businessman Adam Norris and his wife, Cisca Wauman. The couple is also the parents of Oliver, Flo, and Cisca. According to a report in the Bristol Post, Adam Norris’s fortune reached £ 205 million in 2019, making him one of the richest men in the United Kingdom.

His family’s financial conditions allowed Norris to have certain privileges compared with most of the world’s population, like a full-time tutor to assist him in mathematics and physics subjects. The driver studied at the traditional Millifield School but dropped out of school before graduating. Norris is not modest in saying that “If I wasn’t a very good driver it would not be a wise decision.”

 

Lando Norris and his father Adam. (Photo: F1i.com) [1]

 

From 2014 to 2018, Norris participated in 16 editions of single-seat championships before debuting in Formula One. He won five of them: the MSA Formula in 2015, Eurocup Formula Renault 2.0, Formula Renault 2.0 NEC, and Toyota Racing Series in 2016, and European Formula Three in 2017.

Considering the media treatment given to drivers who had previously debuted in Formula One in a similar situation, and bearing in mind his bourgeois origin, Norris would be a good candidate for the nickname “pay driver.” However, traditional media outlets avoid associating it with the category’s inherent elitism.

 

2- The internet’s teen sensation

 

It is almost a consensus among sociologists that social networks greatly influence a company or public figure’s reputation. Bought by Liberty Media at the end of 2016, Formula One itself began to invest heavily in online advertising in the hope of attracting young audiences. The result was positive, with a considerable increase in audience and interaction with the category, in addition to significant financial gains.

Lando Norris knew how to take advantage of that resource. Through humorous posts on social networks, the driver shaped his reputation among Internet users. Consequently, he formed a young fan base, which was one of the goals of Formula One. However, most new fans could not distinguish Norris from the internet from Norris from the tracks. Soon, delighted by the content of social networks, they started to consider the driver as one of the best in the sport, even though the facts prove otherwise.

 

Unlike what happens on the tracks, Norris’ posture on social media is usually very humorous, which attracted many fans. (Photo: Drive Tribe) [2]

 

To analyze the performance of the English driver, we consider seven drivers on the 2021 grid from the so-called “new generation of Formula One”: Max Verstappen, Lance Stroll, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Pierre Gasly, Lando Norris, and George Russell. Yuki Tsunoda, Mick Schumacher, and Nikita Mazepin are left out since they are rookies in 2021, not having enough time to reach a substantial verdict. The same goes for Nicholas Latifi, who debuted in 2020. Among the seven previously mentioned, Verstappen had the best performance during his career, followed by Leclerc, Stroll, and Gasly. Norris is the third from the bottom’s list, just ahead of Ocon and Russell, as shown in the table below.

 

 

To classify someone as “talented” or “pay driver,” it is necessary to establish evaluation criteria. According to the impacts on the driver’s history and the championship table, the ones adopted are wins, podiums, pole positions, records, and points*. Through the joint analysis of the data, we arrive at the verdict on the athlete’s performance. Gasly, for example, has a win so far and Stroll none, but the Canadian has one pole, three podiums, and two records against two podiums by the Frenchman. Therefore, Stroll is ahead of Gasly, beating him on three of the five established criteria.

(*The points affect the championship table, but the records are more remarkable for the driver’s history, so they were placed ahead in the order of relevance for the analysis. In addition, the points are dependent on the particularity of each race.)

In the case of Norris, who so far has three podiums, he overcomes Ocon and Russell, drivers with a certain peculiarity. Until the 2020 Sakhir Grand Prix, that year’s penultimate race, Ocon had not had a podium, and Russell had not scored. It is clear from official data that it would be more reasonable to consider Verstappen, Leclerc, Stroll, and Gasly “more talented” than Norris. But traditional sports media has another approach.

 

An internet user expresses support for Norris on Twitter with a generalist phrase. (Photo: 9GAG) [3]

 

Unfortunately, the financial interests of a media outlet outweigh the commitment to the facts. In the sports environment, it is observed that sponsors of athletes and teams also fund broadcasters and websites, influencing the way their advisors are represented in the media. Therefore, the athlete’s reputation results from his press office’s work and his sponsors’ influence in the media. The driver’s posture can also have some impact on reputation (especially in scandals). But sometimes, in less severe cases, it falls into the shadow of the other two factors.

That explains, for example, the situations of Stroll and Norris. Facts indicate Stroll has talent and cannot be considered a “pay driver.” However, he will still be crucified in the media due to his advisers’ incompetence and the driver’s passivity before image crises (see “Racing Point: A Poorly Managed Image”). At the same time, Norris will be portrayed as a very talented and generous driver, even though his results and behavior show the opposite.

 

3- Humble Lando Norris: a character from children’s stories

 

During the 2021 Monaco Grand Prix broadcast, Brazilian narrator Sérgio Maurício and commentators Reginaldo Leme and Max Wilson took the time to praise Lando Norris. The most used adjective was “humble.” However, none of the three cited an event that proved this alleged “humility” of the driver. In real life, Norris’s behavior is far from what can be considered “humble.”

Norris’s first heated moment was at the 2019 Spanish Grand Prix when he collided with Lance Stroll. He apologized to the team for the crash, admitting his responsibility, but then raged against the Canadian. The Englishman blamed Stroll even though the commissioners had cleared him. At the French Grand Prix, he ordered McLaren to tell Carlos Sainz Jr. to swap positions. When Sergio Pérez overtook him at the Abu Dhabi Grand Prix, Norris cried on the radio and belittled the Mexican’s performance.

 

Norris’s acid comments don’t spare even his teammates. The most recent case was Ricciardo. (Photo: GPBlog) [4]

 

In 2020, during the Belgian Grand Prix, the driver verbally assaulted his engineer, who had warned him about exceeding the track limits (which could lead to a penalty). At the Italian Grand Prix, annoyed that Stroll had won the podium, Norris acted hypocritically. He made unfounded criticisms of the FIA ​​regulation that allows tire changes during the red flag. However, he omitted that the stewards investigated him for being too slow in the pits, which in fact, runs counter to the rules. At the Eifel Grand Prix, the driver was rude to his team, using a foul vocabulary again. After a collision with Stroll at the Portuguese Grand Prix, Norris offended the opponent’s learning ability. In an interview the same week, he belittled Lewis Hamilton’s seventh world title and credited it to the Mercedes car. After severe criticism for the arrogant stance, Norris apologized to Stroll and Hamilton but did not even mention their names, referring to both as “certain people.”

At the 2021 Emilia Romagna Grand Prix, Norris demanded McLaren to order Daniel Ricciardo swapping positions. Unlike what happened in France in 2019, the team accepted the English driver’s wishes. Despite the maneuver, considered unsportsmanlike by many experts, the audience elected Norris as “Driver of the Day.” However, the most impressive performance of that race was that of Hamilton, who reached the second place after a hit in the wall almost took him out. In addition, Norris said openly that he “has no sympathy” for Ricciardo before the difficulties faced by his teammate and that he considers him “less adaptable” than Sainz. The Englishman also reports that he aims for a “leading” position within McLaren.

 

An article on the Formula One official website reports that there were team orders in Norris and Ricciardo swap positions. (Photo: Formula One official website) [5]

 

The facts listed above prove that Norris has no ethical and respectful posture within the sports environment, both with his team and other competitors. Therefore, the word “humble” does not describe his conduct, even though the Brazilian narrators and commentators insist on treating him as such. It is noteworthy that the same Sérgio Maurício, who applauds Norris, despite all the rudeness spoken by the English, criticized Max Verstappen for responding harshly to a journalist’s rude question in 2018. We return to the paraphrase at the beginning of the text: “All drivers are equal, but some drivers are more equal than others.”

While the mainstream media overlooks Norris’s inappropriate behavior and sells him as the best and most humble driver of all time, independent journalists and internet users have unmasked this fraud. Initially, the driver was compared to Veruca Salt, from the children’s book “The Fantastic Chocolate Factory” (1964). They have characteristics in common: both are English, very wealthy, and demand that all their wishes be met, no matter how much they need to shout for it.

 

Although the sports media tries to disguise it, Norris has many characteristics in common with Veruca Salt. [5]

 

Also, they compared Norris with other fictional characters. One of them is Quico, from the Mexican series “El Chavo del Ocho” (1973-1980), famous for shouting his catchphrase “Shut up, shut up, shut up, you make me crazy.” The reference is due to the several times Norris yelled at his engineer on the radio. Another character compared to Norris is Prince Adam, from Disney’s franchise “Beauty and the Beast” (this, in turn, is an adaptation of the French tale by Suzanne de Villeneuve, written in 1740). The movie “The Enchanted Christmas” (1998) revealed that Adam acted very rude to his servants and was indifferent to the suffering of others. As a result, a witch decided to turn him into a beast. In addition to the prince, Norris’s father’s namesake, another French character with behavior similar to that of the driver is Chloé Bourgeois, from the cartoon “Miraculous.” Unable to love anyone other than herself, Chloé mistreats anyone who crosses her path. Also, she thinks that serving and idolizing her is everyone’s duty. Although Chloé shows no respect for anyone, she has a large fan base (mainly Americans), just like Norris; these relativize her crude profile and hope for her triumph in the end.

 

Journalists treat Norris as a “humble rich one” (like Adrien Agreste), but in real life, he acts like a “spoiled rich one” (like Chloé Bourgeois). [6]

 

Unfortunately, because it is not in line with its interests, the mainstream media will not treat Norris and his rudeness in the same way as other drivers. In addition, his most passionate fans will continue to promote hostile environments on the internet on his behalf until his wave of popularity dissipates.

Also, people must take the racial factor into account. Hamilton said in an interview that he “would be more popular in the UK if he were White,” which allows one more hypothesis to be raised. Aware that Hamilton is the most successful British driver in history, perhaps the media will try to invest in Norris’s image (just as George Russell’s), hoping that the audience will believe that the post will one day be filled by a White driver. Consequently, the media in other countries adopt the same stance once the central bodies of the official Formula One press are based in the United Kingdom.

 

4- Conclusion

 

The sports media elected Lando Norris as its favorite driver mainly due to the financial benefits he brings to both his sponsors and Formula One.  His popularity on social media has attracted many young fans to the category, but these see him through a celebrity filter. Then, they do not realize that the athlete is far from being the gentle star the press sells. Since Norris is well-advised and Formula One keeps money as its most significant factor, we may not see him being treated like other drivers anytime soon.

 

Addendum (23/07/2021): Lando Norris confirmed that McLaren received more sponsors when he debuted. Also, his participation on Twitch attracted more public. That information (checked here) proves the article’s main argument.

 


Sources:

 

1- Lando Norris’s origins

 

2- The internet’s teen sensation

*Sources of the table

 

3- Humble Lando Norris: a character from children’s stories

 

Addendum

 

Photos:

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The weblinks where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

 

 

Lando Norris: O Queridinho da Fórmula 1

Todos os pilotos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros.

Paráfrase de George Orwell, “A Revolução dos Bichos” (1945)

 

Ao contrário de Max Verstappen e Lance Stroll, Lando Norris entrou na Fórmula 1 sob uma chuva de elogios da imprensa esportiva. Jornalistas, narradores e comentaristas exaltavam o jovem piloto inglês da mesma maneira que faziam com Charles Leclerc em 2018 e 2019. A impressão que os torcedores tinham era de que uma grande estrela estava chegando às pistas.

No entanto, comparado a outros pilotos de sua geração, Norris não conseguiu muitos grandes feitos. Porém, isso não impediu a mídia de continuar tratando-o como um dos maiores atletas da Fórmula 1. Isso alimentou o fanatismo de muitos torcedores, que chegam a ser agressivos com quem duvida da suposta maestria do piloto. Nesta matéria, vamos analisar o perfil de Norris e as intenções da mídia por trás de sua idolatria.

 

1- As origens de Lando Norris

 

Nascido em Bristol no dia 13 de novembro de 1999, Lando Norris é o segundo filho do empresário Adam Norris e de sua esposa Cisca Wauman. O casal também é pai de Oliver, Flo e Cisca. De acordo com uma matéria do jornal Bristol Post, a fortuna pessoal de Adam Norris chegava a £205 milhões em 2019, tornando-o o um dos homens mais ricos do Reino Unido.

As condições financeiras de sua família permitiram que Norris tivesse certos privilégios em relação à maior parte da população mundial, como um tutor disponível em tempo integral para auxiliá-lo nas matérias de matemática e física. O piloto estudou na tradicional Millifield School, mas abandonou os estudos antes de se formar. Norris não é modesto ao afirmar que “se eu não fosse um bom piloto, essa não seria uma decisão sábia”.

 

Lando Norris e seu pai, Adam. (Foto: F1i.com) [1]

 

De 2014 a 2018, Norris participou de 16 edições de campeonatos de monoposto antes de estrear na Fórmula 1. Venceu cinco deles: a Fórmula MSA de 2015, a Eurocup Formula Renault 2.0, a Fórmula Renault 2.0 NEC e a Toyota Racing Series em 2016 e a Fórmula 3 Europeia de 2017.

Considerando o tratamento midiático dado a pilotos que estrearam antes na Fórmula 1 em situação semelhante, e tendo em vista sua origem burguesa, Norris seria um bom candidato à alcunha de “piloto pagante”. No entanto, veículos tradicionais de imprensa evitam associá-lo ao elitismo inerente à categoria.

 

2- A sensação teen da internet

 

É quase um consenso entre os sociólogos que as redes sociais influenciam muito na reputação de uma empresa ou figura pública. Comprada pela Liberty Media no final de 2016, a própria Fórmula 1 passou a investir pesadamente na divulgação online na esperança de atrair o público jovem. O resultado foi positivo, com um aumento considerável na audiência e na interação com a categoria, além de ganhos financeiros significativos.

Lando Norris soube aproveitar bem esse recurso. Através de postagens humoradas nas redes sociais, o piloto moldou sua reputação entre os internautas. Consequentemente, formou uma base de fãs jovens, que era um dos objetivos da Fórmula 1. No entanto, boa parte dos novos torcedores não conseguia distinguir o Norris da internet do Norris das pistas. Logo, encantados pelo conteúdo das redes sociais, eles passaram a considerar o piloto como um dos melhores do esporte, ainda que os fatos provem o contrário.

 

Diferente do que ocorre nas pistas, a postura de Norris nas redes sociais costuma ser bem humorada, o que atraiu muitos fãs. (Foto: Drive Tribe) [2]

 

Para analisar o desempenho do piloto inglês, consideramos sete pilotos do grid de 2021 da chamada “nova geração da Fórmula 1”: Max Verstappen, Lance Stroll, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Pierre Gasly, Lando Norris e George Russell. Ficam de fora Yuki Tsunoda, Mick Schumacher e Nikita Mazepin por serem estreantes em 2021, não tendo tempo o suficiente para se chegar a um veredito concreto. O mesmo vale para Nicholas Latifi, estreante em 2020. Entre os sete citados previamente, Verstappen teve o melhor desempenho durante a carreira, seguido por Leclerc, Stroll e Gasly. Norris é o antepenúltimo da lista, à frente apenas de Ocon e Russell, como indica a tabela abaixo.

 

 

Para se classificar um piloto como “talentoso” ou “pagante”, é preciso estabelecer critérios de avaliação. De acordo com os impactos no histórico do piloto e na tabela do campeonato, os critérios adotados são vitórias, pódios, pole positions, recordes e pontos*. Através da análise conjunta dos dados, chegamos ao veredicto sobre a performance do atleta. Gasly, por exemplo, tem uma vitória até o momento e Stroll nenhuma, mas o canadense tem uma pole, três pódios e dois recordes, contra dois pódios e um recorde do francês. Portanto, Stroll fica à frente de Gasly, vencendo-o em três dos cinco critérios estabelecidos.

(*Os pontos afetam a tabela do campeonato, mas os recordes são mais marcantes para o histórico do piloto, portanto foram colocados à frente na ordem de relevância para a análise. Além disso, os pontos são totalmente dependentes da particularidade de cada corrida.)

No caso de Norris, que até agora possui três pódios, supera Ocon e Russell, pilotos com uma certa peculiaridade. Até o Grande Prêmio do Sakhir de 2020, penúltima corrida daquele ano, Ocon não havia tido pódio e Russell não havia pontuado. Percebe-se pelos dados oficiais que seria mais razoável considerar Verstappen, Leclerc, Stroll e Gasly “mais talentosos” que Norris. Mas a mídia esportiva tradicional tem outra abordagem.

 

Internauta expressa apoio a Norris no Twitter com frase generalista. (Foto: 9GAG) [3]

 

Infelizmente, os interesses financeiros de um veículo de comunicação acabam se sobressaindo ao comprometimento com os fatos. No ambiente esportivo, observa-se que os patrocinadores de atletas e equipes também financiam emissoras e sites, influenciando na maneira como seus assessorados são representados na mídia. A reputação do atleta, portanto, resulta do trabalho de sua assessoria de imprensa e da influência de seus patrocinadores nos veículos de comunicação. A postura do piloto também pode ter certo impacto na reputação (principalmente em escândalos). Mas, algumas vezes, em casos menos graves, ela fica na sombra dos outros dois fatores.

Isso explica, por exemplo, as situações de Stroll e Norris. Por mais que os fatos indiquem que ele tem talento e que não pode ser considerado “pagante”, Stroll ainda será crucificado na mídia devido à incompetência de seus assessores e à sua própria passividade diante das crises de imagem (ver “Racing Point: Uma Imagem Mal Gerida”). Ao mesmo tempo, Norris será retratado como um piloto de grande talento e generosidade, ainda que seus resultados e comportamento mostrem o contrário.

 

3- Lando Norris humilde: um personagem de histórias infantis

 

Durante a transmissão do Grande Prêmio de Mônaco de 2021, o narrador brasileiro Sérgio Maurício e os comentaristas Reginaldo Leme e Max Wilson dedicaram um tempo para elogiar Lando Norris. O adjetivo mais usado foi “humilde”. No entanto, nenhum dos três citou qualquer evento que comprovasse essa suposta “humildade” do piloto. Na vida real, o comportamento de Norris está longe do que pode ser considerado “humilde”.

O primeiro “surto” de Norris ocorreu no Grande Prêmio da Espanha de 2019, ao colidir com Lance Stroll. Embora tenha se desculpado com a equipe pela batida, admitindo sua responsabilidade, o inglês esbravejou contra o canadense, culpando-o pelo ocorrido mesmo que os comissários o tivessem inocentado. No Grande Prêmio da França, ordenou à McLaren que mandasse Carlos Sainz Jr. lhe ceder sua posição. Ao ser ultrapassado por Sergio Pérez no Grande Prêmio de Abu Dhabi, Norris chorou no rádio e desmereceu a atuação do mexicano.

 

Os comentários ácidos de Norris não poupam nem seus companheiros de equipe. O caso mais recente foi Ricciardo. (Foto: GPBlog) [4]

 

Em 2020, durante o Grande Prêmio da Bélgica, o piloto agrediu verbalmente seu engenheiro, que o havia alertado sobre exceder os limites da pista (que poderia gerar uma punição). No Grande Prêmio da Itália, irritado por Stroll ter conquistado o pódio, Norris agiu de maneira hipócrita. Fez críticas infundadas ao regulamento da FIA que permite a troca de pneus durante a bandeira vermelha, mas omitiu que os comissários o investigaram por ter sido excessivamente lento nos boxes, o que de fato contraria as regras. No Grande Prêmio do Eifel, o piloto foi grosseiro com sua equipe, novamente se utilizando de vocabulário chulo. Após uma colisão com Stroll no Grande Prêmio de Portugal, Norris ofendeu a capacidade de aprendizagem do adversário. Em entrevista na mesma semana, desmereceu o heptacampeonato de Lewis Hamilton, creditando-o totalmente ao carro da Mercedes. Após muitas críticas pela postura arrogante, Norris lançou um pedido de desculpas a Stroll e Hamilton, mas sequer mencionou seus nomes, referindo-se a ambos como “certas pessoas”.

No Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021, Norris exigiu que a McLaren ordenasse a Daniel Ricciardo a ceder-lhe a posição. Diferente do que houve na França em 2019, a equipe acatou a vontade do piloto inglês. Apesar da manobra, considerada antiesportiva por muitos especialistas, Norris foi eleito o “Piloto do Dia” pelo público. A performance mais impressionante daquela corrida, no entanto, foi a de Hamilton, que conquistou o segundo lugar após uma batida no muro quase o tirar da prova. Além disso, Norris disse abertamente que “não tem simpatia” por Ricciardo diante das dificuldades enfrentadas pelo companheiro, e que o considera “menos adaptável” que Sainz. O inglês também relata que almeja uma posição de “liderança” dentro da McLaren.

 

Matéria do site oficial da Fórmula 1 relata que houve ordens de equipe na troca de posições entre Norris e Ricciardo. (Foto: Site oficial da Fórmula 1) [5]

 

Os fatos elencados anteriormente provam que Norris não tem uma postura ética e respeitosa dentro do ambiente esportivo, tanto com os demais competidores quanto com sua própria equipe. Portanto, a palavra “humilde” não descreve sua conduta, mesmo que os narradores e comentaristas brasileiros insistam em tratá-lo como tal. Ressalta-se que o mesmo Sérgio Maurício que aplaude Norris, mesmo com todas as grosserias ditas pelo inglês, criticou Max Verstappen por responder duramente a uma pergunta indelicada de um jornalista em 2018. Voltamos à paráfrase do início da matéria: “Todos os pilotos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”.

Enquanto a mídia tradicional omite o comportamento inadequado de Norris e o vende como o melhor e mais humilde piloto de todos os tempos, jornalistas independentes e internautas desmascaram essa fraude. Inicialmente, o piloto foi comparado à personagem Veruca Salt, do livro infantil “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1964). Eles têm características em comum: ambos são ingleses, muito ricos e exigem que todas as suas vontades sejam atendidas, não importa o quanto precisem gritar por isso.

 

Embora a mídia esportiva tente disfarçar, Norris tem muitas características em comum com a personagem Veruca Salt. [5]

 

Norris também foi comparado a outros personagens fictícios. Um deles é Quico, do seriado mexicano “Chaves” (1973-1980), famoso por gritar seu bordão “Cale-se, cale-se, cale-se, você me deixa louco”. A referência se deve ao fato de Norris ter berrado várias vezes com seu engenheiro no rádio. Outro personagem comparado a Norris é o Príncipe Adam, da franquia “A Bela e a Fera” da Disney (esta, por sua vez, é uma adaptação do conto francês de Suzanne de Villeneuve, escrito em 1740). No filme “O Natal Encantado” (1998), é revelado que Adam agia de maneira deveras rude com seus criados e era indiferente ao sofrimento alheio. Por conta disso, uma feiticeira decidiu transformá-lo em fera. Além do príncipe, que tem o mesmo nome que o pai de Norris, outra personagem francesa com comportamento semelhante ao do piloto é Chloé Bourgeois, do desenho animado “Miraculous”. Incapaz de amar alguém além de si mesma, Chloé maltrata todo e qualquer um que cruze seu caminho, e acha que é obrigação de todos servi-la e idolatrá-la. Apesar de ela não demonstrar respeito por ninguém, possui uma grande base de fãs (principalmente americanos), tal como Norris. Esses relativizam seu perfil grosseiro e torcem por seu triunfo no final.

 

Os jornalistas tratam Norris como “o rico humilde” (como Adrien Agreste), mas na vida real ele age como “o rico mimado” (como Chloé Bourgeois). [6]

 

Infelizmente, por não estar de acordo com seus interesses, a mídia tradicional não tratará Norris e suas grosserias da mesma forma que o faz com outros pilotos. Somado a isso, seus torcedores mais fanáticos continuarão promovendo ambientes hostis na internet em seu nome até que sua onda de popularidade se dissipe.

Além disso, o fator racial deve ser levado em conta. Hamilton afirmou em entrevista que “seria mais popular no Reino Unido se fosse branco”, o que permite o levantamento de mais uma hipótese. Ciente de que Hamilton é o piloto britânico mais bem sucedido da história, talvez a mídia tente investir na imagem de Norris (bem como na de George Russell) na esperança de que o público acredite que o posto um dia será ocupado por um piloto branco. Consequentemente, a mídia dos outros países adota a mesma postura, já que os principais órgãos da imprensa oficial da Fórmula 1 se encontram no Reino Unido.

 

4- Conclusão

 

A mídia esportiva elegeu Lando Norris como seu piloto favorito devido, principalmente, à vantagem econômica que ele traz a seus patrocinadores e à Fórmula 1. Sua popularidade nas redes sociais atraiu muitos torcedores jovens à categoria, mas estes o enxergam por um filtro de celebridade e não percebem que o atleta está longe de ser o astro gentil que a imprensa vende. Como Norris é bem assessorado e o dinheiro continua sendo o principal motor da Fórmula 1, talvez não o veremos sendo tratado igual aos outros pilotos tão cedo.

 

Adendo (23/07/2021): Lando Norris confirmou que sua equipe ganhou muitos patrocinadores com seu ingresso. Além disso, sua participação no Twitch atraiu bastante público. Essas informações (conferidas aqui) comprovam o argumento principal da matéria.

 


Fontes:

 

1- As origens de Lando Norris

 

2- A sensação teen da internet

*Fontes da tabela

 

3- Lando Norris humilde: um personagem de histórias infantis

 

Adendo

 

Fotos:

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto as montagens, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

 

 

A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país

Olá, meus queridos leitores. Tudo bem com vocês?

Estou compartilhando com vocês meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre como é feita a transmissão televisiva da Fórmula 1 no Brasil, destacando sua parte técnica, financeira e narrativa. Esse TCC foi realizado em 2020 e foi lançado após o Grande Prêmio de Portugal, antes de alguns acontecimentos, como a primeira pole de Lance Stroll no Grande Prêmio da Turquia, os primeiros pontos de George Russell (com a Mercedes) no Grande Prêmio do Sakhir, e a ida dos direitos de transmissão para a Rede Bandeirantes. Embora sua publicação depois de concluído tenha demorado um pouquinho, aqui estou eu para mostrá-lo a vocês.

O reccorte escolhido foi a temporada de 2019, pois ela havia sido a última completa da Fórmula 1 até a data de finalização. Como analisei o estilo narrativo dos quatro narradores da época (Luís Roberto de Múcio, Cléber Machado, Sérgio Maurício e Galvão Bueno), selecionei uma corrida narrada por cada um deles para desenvolver o trabalho. Logo, os GP’s escolhidos foram os de MônacoFrançaJapãoBrasil. Contém entrevistas com especialistas em Fórmula 1, incluindo Sergio Quintanilha, do portal Terra.

Vale ressaltar que o trabalho foi aprovado com nota máxima pelos três avaliadores: meus professores Renato Tavares Júnior (orientador) e João Alexandre Peschanski, e o editor-chefe do site F1Mania Gabriel Gavinelli. Se você é estudante e está fazendo trabalhos sobre Fórmula 1, talvez o meu TCC possa te ajudar. Ele tem uma ampla bibliografia que fornece muitas informações úteis, e serviu de base para alguns artigos aqui no site.

Só para saber, eu me formei em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo-SP. Espero em breve trazer uma versão traduzida para o inglês e postá-la aqui.

Para mais informações, entre em contato comigo pela aba “Contato” do site. Para acessar o arquivo, clique no título abaixo.

 

A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país

 

Veja o trailer do projeto no YouTube:

 

Racing Point: A Poorly Managed Image

The case of Racing Point’s image management between 2018 and 2020 should be studied by the faculties of Public Relations as much as those of Journalism in Brazil analyzes the Base School case. The reason is the same: it is an example of what an excellent professional should not do.

Successive errors and negligence made the team and its drivers (mainly Lance Stroll) the target of constant attacks and misinformation by the press. There was likely a conflict between the solutions to the image problems and the interests of the team. This article analyzes Racing Point’s failures to deal with successive image crises before its transformation into Aston Martin.

(The author of the article has a degree in Broadcasting from Faculdade Cásper Líbero and took courses in Press Office and Crisis Management by the same institution and Senac. Her teachers were Neuza Serra and Aurora Seles.)

 

1- The beginning of Racing Point and the first crisis: the Esteban Ocon Case

 

In 2018, Indian businessman Vijay Mallya faced legal problems in his home country’s justice system, which accused him of fraud and money laundering. His team in Formula One, Force India, declared bankruptcy in July of that year due to successive debts. Amid various speculations about the team’s future (among them that the Mexican businessman Carlos Slim, one of Sergio Pérez’s sponsors, would buy it), Canadian Lawrence Stroll, Lance’s father, joined an entrepreneur group to set up a consortium and buy Force India. Consequently, the team ran the rest of the 2018 season as Racing Point Force India.

 

Vijay Mallya: Force India’s owner from 2007 to 2018. (Photo: Getty Images) [1]

 

Lance Stroll, until then, drove for Williams, a team marked by severe administrative problems. Team principal Claire Williams and chief engineer Paddy Lowe blamed the drivers for the team’s poor performance. However, this problem lay in the low structure of the car assembled by the engineering department. The press adopted Claire and Lowe’s narrative and attacked Stroll and his teammate Sergey Sirotkin.

Since one of the new owners of Force India was the father of a driver, they speculated that either Sergio Pérez or Esteban Ocon would leave to make way for him. Pérez brought in more sponsorships and got higher scores, making him the most likely to stay on the team. On the other hand, Esteban Ocon was a personal friend of Lance Stroll, although the emotional component is not definitive in business decisions. However, they highly omitted that Ocon was already quoted to leave Force India. His then patron Toto Wolff, Mercedes’s team principal, would have offered him a seat on his team if he hadn’t made it difficult for Lewis Hamilton in a possible dispute for positions at the 2018 Monaco Grand Prix.

 

Toto Wolff failed to give Esteban Ocon a seat in 2019, but the driver choose to let the media blame Lance Stroll. (Photo: EsporteNET) [2]

 

According to the American podcaster and communication theorist Ben Shapiro, the facts become irrelevant to the media when it creates a narrative to follow its agenda. In the analysis of the German sociologist and communication theorist Theodor Adorno (1903-1969), the media has a purely market view of its target audience. Reconciling the two theses, we see that it was not enjoyable for the press to divulge the truth: Esteban Ocon was leaving. It would be more in line with its plan and financial interests to create controversies to sell headlines, even if this would damage Lance Stroll’s reputation.

The Canadian driver’s press officers never learned how to manage his image crisis generated by the media persecution. Many journalists refused to acknowledge their achievements in Formula One, which the category considers ‘historic.’ The strategy adopted was to ignore malicious comments from the press and fans. Although this is an excellent plan to maintain emotional control, “silence is never the best answer,” Professor Neuza Serra said. Stroll’s advisers’ duty was to clarify that he never fit into the ‘pay driver’ profile. One proof is that the Canadian fulfilled all the FIA prerequisites for entering Formula One, like the 40 points in the Superlicence (these are earned and cannot be bought). The other is that he achieved a podium and two records in his debut year by a team that is not very competitive.

 

Lance Stroll’s podium at the 2017 Azerbaijan Grand Prix: the last Williams had. (Foto: FORMULA1) [3]

 

Esteban Ocon took advantage of the controversy to disregard the case. He knew that was Toto Wolff’s fault for his probable exit from Formula One, as he failed to get him a seat on another team (the others viewed the relations between Ocon and Mercedes with suspicion). However, Ocon preferred to let the media blame Force India’s purchase by Lawrence Stroll and his partners. Only after months did the driver speak out against the attacks on Lance Stroll, even though he was not sincere about those responsible for his delicate situation. Maintaining the controversy despite the announcement was an excellent self-promotion strategy for Ocon.

 

Esteban Ocon clarifying the controversy, pero no mucho. (Photo: Instagram) [4]

 

2- The second crisis: the departure of Sergio Pérez and the entry of Sebastian Vettel

 

During 2019, Lance Stroll took longer to adapt to the new car, and consequently, his scores were below those of Sergio Pérez. Soon, some press sectors continued to doubt its capacity, as did Brazilian commentator Reginaldo Leme during the broadcast of the French Grand Prix by Rede Globo. Despite this, it had some impressive results, like fourth place in Germany.

In 2020 Racing Point started the season as a candidate for ‘top team,’ as its cars and drivers had an excellent performance. However, the team was accused of copying Mercedes’ brake systems and gaining advantages. Although FIA ordered Racing Point to pay a fine and lose 15 championship points after an investigation, the drivers managed to bring it back to the top. At the time, Lawrence Stroll commented on the case, stressing that he does not usually appear in the press but intends to clarify the situation, proving his team’s integrity.

 

Renault took the leadership of the movement against Racing Point, though its past is not exactly the most ethical in Formula One. [5]

 

They soon forgot this case due to a second image crisis. Again, the media found an opportunity to tarnish Lance Stroll’s reputation by accusing him of influencing Racing Point’s decisions for being the son of one of the owners. Fired from Ferrari due to a series of wrong choices that costed points for the team, Sebastian Vettel was out of options for the 2021 grid.. He decided to buy shares in Aston Martin, the company that would own Racing Point the following year, and soon secured his place. The problem was in the disclosure of events: Racing Point, sometimes denied, then confirmed the arrival of Vettel, and there was also inconsistency in the narratives about whether they warned Sergio Pérez or not.

The fact is that Racing Point never mentioned in its releases that Sebastian Vettel was more than a driver but a shareholder. And even big names in the media reporting the fact (like Adam Cooper and Sergio Quintanilha), the press reinvested in insinuating that Sergio Pérez was dismissed because firing Lance Stroll was out of the question. The natural thing for a press relations team would be to clarify two main points in this case: that Stroll is a driver with an excellent start to his career, and because he is young, he can be a good investment in the long run, and that Vettel bought his seat. Instead, both the team’s and Stroll’s advisors preferred to omit what would be crucial to ending the crisis.

 

3- The passivity of Lance Stroll (and his press office)

 

Given the facts listed, it is essential to note that Lance Stroll’s stance in the face of the successive crises through which his image goes is, at least, curious. As stated earlier, the driver and his press office prefer to ignore the insults because they know they are unfounded but end up wasting a good opportunity to reveal the truth to the press and improve his image. Ignoring the crisis is not going to make it go away; it just increases it.

The proof that Lance Stroll does not have privileges at Racing Point (as many in the media suggest) is that there is no complaint from him or his family on the constant fails of his strategists who persistently fail to plan for the races. It happens mainly at pit stops, as in the Turkish Grand Prix, where Stroll started from pole position and ended in ninth place. And his staff could use a handy resource to silence these rumors permanently.

 

Though the strategists are constantly failing, neither Lance Stroll nor his family complains about it. This is just one from the many proofs that Lance is not receiving privileges in the team. [6]

 

As evidenced in “Formula One in Brazil: An analysis of the television broadcasting in the country,” those who criticize the wealth of Lance Stroll, an indigenous and Jewish driver, and do not do the same with white drivers with fewer achievements, are racist. The same goes for those who criticized Lawrence Stroll’s investments in Force India and did not do the same with Sebastian Vettel’s investments in Aston Martin. In its marketing view, the press pretends to be a supporter of the fight against social inequalities, and – as stated by Ben Shapiro – it invests in the class struggle discourse to engage its target audience. But it is very suspicious that the convict in this narrative is precisely a Jewish-Amerindian driver, a member of ethnic minorities, and involved in social causes.

By this logic, what would apparently be a narrative case of promoting a class struggle (between the driver “lucky to be rich” and the fans “without the same luck”) turns out to be a reactionary discourse that reinforces a system of oppression of minorities, because it denies the athlete of historically persecuted ethnic groups (Jews and Amerindians) the right to fortune while allowing those belonging to the dominant group (white Europeans).

(Translated from Portuguese to English from “Formula One in Brazil: An analysis of the television broadcasting in the country”, p. 120-121)

 

Therefore, it is strange that Lance Stroll’s advisers do not point out the racist character in the media attacks on the driver. If it did, the press would be forced to report, and journalists, fearing that they would be labeled as ‘racist’ by public opinion, would change the discourse. Also suspicious is that Stroll still considers Esteban Ocon his friend, even when he used the Canadian driver’s image crisis to promote himself instead of helping him.

 

As Robin would say, “Holy Naivety, Batman!” [7]

 

Also, Sebastian Vettel’s entry into Aston Martin caused a suspicious attitude in Lawrence Stroll himself, whose position is inconsistent with reality and puts his own son’s reputation in check. The businessman blamed Vettel’s dismissal from Ferrari before the beginning of the 2020 season for the German’s poor performance that year. He ignores the fact that this ‘bad phase’ had already occurred in recent years due to Vettel’s “individual mistakes,” leading him to be fired, as reported by journalist and former driver Martin Brundle). He also blamed the Ferrari car for the driver’s misfortune, ignoring that Vettel’s situation is quite different from that of Lance Stroll and Sergey Sirotkin at Williams in 2018 (both drivers had difficulties on the track due to the car). Charles Leclerc’s performance in 2020, far above Vettel’s, proves that, although it has an impact, the Ferrari car was not the main factor for the German’s underperforming performance. Finally, in trusting that Vettel will benefit the team for having been a four-time champion with Red Bull between 2010 and 2013, the businessman resorts to the fallacy argumentum ad antiquitatem (appeal to tradition or the past), presenting the future as a continuity of the past distant, ignoring the changes that occur in the present. However, Mercedes also did not have a four-time champion in 2014, when their team was composed of Lewis Hamilton and Nico Rosberg, and won all championships from that year. Lawrence Stroll himself does not mention Vettel’s purchase of shares, as if he also wanted to hide this fact so that the German is not remembered as a ‘seat buyer’ (using his past to help with the disclosure strategy). Consequently, as for lack of science (or, maybe, even with his consent), he allows the media to continue distorting his son Lance’s image to satisfy the team’s marketing goals.

 

4- Conclusion

 

Racing Point’s press office has consistently failed to protect its drivers, especially Lance Stroll, from the media’s unreasonable and sensationalist attacks. And even if it means that Stroll does not have privileges on his team, the press prefers to ignore the facts to obtain financial advantages through controversies.

Sometimes, companies end up allowing specific image crises to hide their real interests. In the case of Racing Point, it is evident that Sebastian Vettel did not want to be remembered as ‘the driver who had to buy his seat because, despite his glorious past, his present was a disaster.’ Therefore, the team omitted information that would be essential to save Lance Stroll’s reputation. Consequently, it is clear that if there is a privileged person at Racing Point (now Aston Martin), that someone is Vettel. The passivity of the Canadian driver and his press office is a clear example of how not to face an image crisis caused by the media.

 

They are doing a great job in engineering. They only need to improve in press office. [8]

 

5- Bibliography

To better understand the sources, the bibliography was divided into sections according to the information presented in the article.

 

1- The creation of Racing Point

 

2- The Esteban Ocon Case

 

3- The Williams Case

3.1 Claire Williams and Paddy Lowe blaiming the drivers for the team’s problems (from 2017 to 2018)

3.2 The real causes for the problems

 

4- Reginaldo Leme’s comment

 

5- Lance Stroll’s deeds in Formula One

 

6- Philanthropic actions and social causes defended by Lance Stroll

 

7- The brakes’ scandall

 

8- “Individual mistakes” led Sebastian Vettel to be fired from Ferrari (Martin Brundle’s testimony)

 

9- Sebastian Vettel buys shares from Aston Martin

 

10- Discrepancy of narratives about Sergio Pérez’s situation

 

11- Lawrence Stroll’s fallacious testimony in favor of Sebastian Vettel

 

12- The impact of the car on the drivers’ performance

 

12- Theoretical basis

 

6- Photos

Note: None of the photos used in this article, except the montages, belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

 

Racing Point: Uma Imagem Mal Gerida

O caso da gestão de imagem da Racing Point entre 2018 e 2020 deveria ser estudado pelas faculdades de Relações Públicas tanto quanto o caso da Escola Base é abordado nas de Jornalismo. O motivo é o mesmo: trata-se de um exemplo do que um bom profissional definitivamente não deve fazer.

Sucessivos erros e negligências tornaram a equipe e seus pilotos (principalmente Lance Stroll) alvos de constantes ataques e desinformações por parte da imprensa. É provável que houvesse um conflito entre as soluções para os problemas de imagem e os interesses da escuderia. Esta matéria tem por objetivo analisar as falhas da Racing Point em lidar com as sucessivas crises de imagem antes de sua transformação em Aston Martin.

 

(A autora da matéria é formada em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero, e fez cursos de Assessoria de Imprensa e Gerenciamento de Crise pela mesma instituição e pelo Senac. Suas professoras foram Neuza Serra e Aurora Seles.)

 

1- O início da Racing Point e a primeira crise: o Caso Esteban Ocon

 

Em 2018, o empresário indiano Vijay Mallya enfrentou problemas judiciais na justiça de seu país natal, que o acusava de fraude e lavagem de dinheiro. Somado a isso, sua escuderia na Fórmula 1, a Force India, decretou falência em julho daquele ano devido ao acúmulo de dívidas. Em meio às várias especulações sobre o futuro do time (entre elas a de que seria comprado pelo empresário mexicano Carlos Slim, um dos patrocinadores de Sergio Pérez), o canadense Lawrence Stroll, pai de Lance, se juntou a um grupo de empresários para montar um consórcio e comprar a Force India. Consequentemente, a escuderia correu o resto da temporada de 2018 sob o nome de Racing Point Force India.

 

Vijay Mallya: dono da Force India de 2007 a 2018. (Foto: Getty Images) [1]

 

Lance Stroll até então corria pela Williams, uma equipe marcada por sérios problemas administrativos. A chefe de equipe, Claire Williams, e o engenheiro-chefe, Paddy Lowe, buscavam transferir a culpa do mau desempenho do time aos pilotos, embora o motivo deste problema estivesse na estrutura precária do carro montado pelo departamento de engenharia. A imprensa adotou a narrativa de Claire e Lowe e passou a atacar Stroll e seu companheiro de equipe Sergey Sirotkin.

Devido ao fato de um dos novos donos da Force India ser pai de um piloto, especulou-se que ou Sergio Pérez ou Esteban Ocon sairia para dar lugar a ele. Pérez trazia mais patrocínios e conseguia pontuações mais altas, tornando-o a escolha mais provável para continuar na equipe. Por outro lado, Ocon era amigo pessoal de Lance Stroll, embora o componente emocional não seja definitivo em decisões de negócios. No entanto, o que pouco se falou foi que Ocon já era cotado para deixar a Force India, pois seu então padrinho Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, teria lhe oferecido uma vaga em seu time se não dificultasse para Lewis Hamilton em uma possível disputa por posições no Grande Prêmio de Mônaco de 2018.

 

Toto Wolff falhou em arranjar um assento a Esteban Ocon 2019, mas o piloto preferiu deixar a mídia culpar Lance Stroll. (Photo: EsporteNET) [2]

 

Segundo o radialista e teórico da comunicação americano Ben Shapiro, os fatos tornam-se irrelevantes para a mídia quando esta cria uma narrativa para seguir sua agenda. Na análise do sociólogo e teórico da comunicação alemão Theodor Adorno (1903-1969), a mídia tem uma visão puramente mercadológica de seu público-alvo. Conciliando as duas teses, vemos que não era interessante para a imprensa divulgar a verdade (de que Esteban Ocon estava de partida), pois atenderia mais à sua agenda e a seus interesses financeiros criar polêmicas para vender manchetes, mesmo que isso prejudicasse a reputação de Lance Stroll.

A equipe de assessoria de imprensa do canadense nunca conseguiu administrar bem a crise de imagem gerada pela perseguição midiática. Muitos jornalistas se recusavam a reconhecer seus feitos na Fórmula 1, que a própria categoria considera “históricos”. A estratégia adotada era de simplesmente ignorar comentários maldosos da imprensa e dos torcedores. Embora isso seja um bom plano para manter o controle emocional, “o silêncio nunca é a melhor resposta”, como dizia a professora Neuza Serra. Era dever dos assessores de Stroll deixar bem claro que o mesmo nunca se enquadrou no perfil de “piloto pagante”, pois cumpriu todos os pré-requisitos da FIA para o ingresso na Fórmula 1 (como os 40 pontos na Superlicença, que são obtidos, nunca comprados) e conseguiu um pódio e dois recordes em seu ano de estreia, por uma equipe pouco competitiva.

 

Pódio de Lance Stroll no Grande Prêmio do Azerbaijão: o último da Williams. (Foto: FORMULA1) [3]

 

Esteban Ocon se aproveitou da polêmica para se omitir sobre o caso. Mesmo sabendo que a culpa de sua provável saída da Fórmula 1 era da falha de Toto Wolff em lhe arrumar um assento em outra equipe (já que as outras escuderias viam com desconfiança as relações entre Ocon e Mercedes), ele preferiu deixar a mídia culpar a compra da Force India por Lawrence Stroll e seus sócios. Só depois de meses que o piloto se pronunciou contra os ataques a Lance Stroll, mesmo não sendo sincero sobre os responsáveis por sua situação delicada. Manter a polêmica apesar do pronunciamento foi uma ótima estratégia de autopromoção para Ocon.

 

Esteban Ocon esclarecendo a polêmica, pero no mucho. (Foto: Instagram) [4]

 

2- A segunda crise: a saída de Sergio Pérez e o ingresso de Sebastian Vettel

 

Durante o ano de 2019, Lance Stroll levou mais tempo para se adaptar ao novo carro, e consequentemente suas pontuações estavam abaixo das de Sergio Pérez. Logo, alguns setores da imprensa continuavam a duvidar de sua capacidade, como foi o caso do comentarista Reginaldo Leme durante a transmissão do Grande Prêmio da França pela Rede Globo. Apesar disso, teve alguns resultados impressionantes, como o quarto lugar na Alemanha.

Em 2020 a Racing Point começou a temporada como uma candidata a “equipe de ponta”, com um ótimo desempenho dos carros e pilotos. Entretanto, o time foi acusado de copiar os sistemas de freios da Mercedes e, com isso, ganhar vantagens. Apesar da equipe ter sido condenada a pagar uma multa e perder 15 pontos no campeonato depois de uma investigação, os pilotos conseguiram trazê-la de volta ao topo. Na época, Lawrence Stroll se pronunciou sobre o caso, ressaltando que não costuma aparecer na imprensa, mas que pretende esclarecer a situação, provando a integridade de sua escuderia.

 

 

A Renault liderou o movimento contra a Racing Point, embora seu passado não seja exatamente o mais ético na Fórmula 1. [5]

 

O caso logo foi esquecido com uma segunda crise de imagem: novamente, a mídia encontrou uma oportunidade de manchar a reputação de Lance Stroll em acusá-lo de ter influência sobre as decisões da Racing Point por ser filho de um dos donos. Após ser demitido da Ferrari, devido a uma série de decisões erradas que custaram pontos à equipe, Sebastian Vettel estava sem opções para o grid de 2021. Decidiu comprar ações da Aston Martin, empresa que seria a dona da Racing Point no ano seguinte, e logo garantiu sua vaga. O problema estava na divulgação dos acontecimentos: a Racing Point ora negava, ora confirmava a vinda de Vettel, e também havia inconstância nas narrativas sobre se Sergio Pérez havia sido avisado ou não.

O fato é que a Racing Point jamais abordou em seus releases que Sebastian Vettel era mais do que um piloto, mas sim um acionista. E mesmo grandes nomes da mídia noticiando o fato (como Sergio Quintanilha e Adam Cooper), a imprensa investiu novamente em insinuar que Sergio Pérez foi dispensado porque demitir Lance Stroll estava fora de cogitação. O natural de uma equipe de assessoria de imprensa seria justamente esclarecer dois pontos primordiais neste caso: o de que Stroll é um piloto com um bom começo de carreira, e por ser jovem pode ser um bom investimento a longo prazo, e que Vettel comprou seu assento. Em vez disso, tanto a assessoria da equipe quanto a de Stroll preferiram omitir o que seria crucial para encerrar a crise.

 

3- A passividade de Lance Stroll (e de sua assessoria de imprensa)

 

Diante dos fatos elencados, também não se deve ignorar que a postura de Lance Stroll diante das sucessivas crises pelas quais passa sua imagem é no mínimo curiosa. Como dito anteriormente, o piloto e sua assessoria de imprensa preferem ignorar os insultos porque sabem que estes não possuem fundamento, mas acabam desperdiçando uma boa oportunidade de revelar a verdade à imprensa e melhorar sua imagem. Ignorar a crise não vai fazê-la sumir, só a faz aumentar.

A prova de que Lance Stroll não possui privilégios na Racing Point (como muitos da mídia insinuam) é que seus estrategistas falham constantemente nos planos para as corridas (principalmente nos pit stops, como no Grande Prêmio da Turquia, de onde Stroll largou da pole position e acabou em nono lugar), e não há nenhuma queixa do piloto ou de sua família quanto a isto. E sua assessoria poderia usar um recurso muito útil para silenciar por definitivo esses boatos.

 

Embora os estrategistas estejam falhando constantemente, nem Lance Stroll nem sua família reclamam disso. Esta é apenas uma das muitas provas de que Lance não está recebendo privilégios na equipe. [6]

 

Como comprovado em “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país”, aqueles que criticam a fortuna de Lance Stroll, um piloto indígena e judeu, e não fazem o mesmo com pilotos brancos com menos feitos, são racistas. O mesmo vale para aqueles que criticaram os investimentos de Lawrence Stroll na Force India e não fizeram o mesmo com os de Sebastian Vettel na Aston Martin. A imprensa, em sua visão mercadológica, se passa por apoiadora da luta contra as desigualdades sociais, e como afirmado por Ben Shapiro, investe no discurso da luta de classes para engajar seu público-alvo. Mas é muito suspeito que o condenado nessa narrativa seja justamente um piloto indígena e judeu, membro de minorias étnicas e engajado em causas sociais.

Por esta lógica, o que aparentemente seria um caso de narrativa de promover uma luta de classes (entre o piloto “sortudo por ser rico” e os torcedores “sem a mesma sorte”) acaba por se revelar um discurso reacionário que reforça um sistema de opressão de minorias, pois nega o direito de fortuna ao atleta de etnias historicamente perseguidas (judeus e indígenas) ao mesmo tempo que permite ao que pertence ao grupo dominante (europeus brancos).

(“A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país”, p. 120-121)

 

Portanto, é estranho que a assessoria de Lance Stroll não aponte o caráter racista nos ataques da mídia ao piloto. Se assim fizesse, a imprensa seria obrigada a noticiar, e os jornalistas, temendo serem taxados como “racistas” pela opinião pública, mudariam o discurso. Também suspeito é o fato de Stroll ainda considerar Esteban Ocon seu amigo, mesmo quando este usou uma crise da imagem do canadense para se autopromover em vez de ajudá-lo.

 

Como diria o Robin, “Santa Ingenuidade, Batman!” [7]

 

Além disso, o ingresso de Sebastian Vettel na Aston Martin provocou uma atitude suspeita no próprio Lawrence Stroll, cujo posicionamento não condiz com a realidade e coloca em xeque a reputação do próprio filho. O empresário culpou a demissão de Vettel da Ferrari antes do início da temporada de 2020 pelo mau desempenho do alemão naquele ano (ignorando que essa “má fase” já ocorria nos últimos anos devido a “erros individuais” de Vettel, levando-o a ser demitido, como relatou o jornalista e ex-piloto Martin Brundle). Também responsabilizou o carro da Ferrari pelo infortúnio do piloto, ignorando que, diferente do que houve com seu filho e Sergey Sirotkin na Williams em 2018 (no qual ambos os pilotos tinham dificuldades nas pistas devido ao carro), o desempenho de Charles Leclerc em 2020 muito acima do de Vettel prova que, embora tenha um impacto, o carro da Ferrari não foi o fator principal pelo rendimento abaixo do esperado do alemão. Por fim, ao confiar que Vettel trará benefícios à equipe por ter sido tetracampeão com a Red Bull entre 2010 e 2013, o empresário recorre à falácia argumentum ad antiquitatem (apelo à tradição ou ao passado), apresentando o futuro como uma continuidade de um passado distante, ignorando as mudanças que ocorrem no presente. Ora, a Mercedes também não tinha um tetracampeão em 2014, quando sua equipe era composta por Lewis Hamilton e Nico Rosberg, e venceu todos os campeonatos a partir daquele ano. O próprio Lawrence Stroll não menciona a compra de ações de Vettel, como se quisesse também esconder esse fato para que o alemão não seja lembrado como “comprador de vaga” (recorrendo a seu passado para ajudar na estratégia de divulgação). Consequentemente, por falta de ciência (ou, talvez, até por seu próprio consentimento), permite que a mídia continue distorcendo a imagem de seu filho Lance para satisfazer os objetivos mercadológicos da equipe.

 

4- Conclusão

 

A assessoria de imprensa da Racing Point falhou constantemente em proteger seus pilotos, principalmente Lance Stroll, de ataques descabidos e sensacionalistas por parte da mídia. E mesmo que isso signifique que Stroll não possui privilégios em sua equipe, a imprensa prefere ignorar os fatos para obter vantagens financeiras através de polêmicas.

Às vezes, as empresas acabam por permitir certas crises de imagem para esconder seus reais interesses. No caso da Racing Point, era óbvio que Sebastian Vettel não queria ser lembrado como “o piloto que precisou comprar sua vaga porque, apesar de seu passado glorioso, seu presente estava um desastre”. Logo, a equipe omitiu uma informação que seria essencial para salvar a reputação de Lance Stroll. Percebe-se, portanto, que se há um privilegiado na Racing Point (atual Aston Martin), esse alguém é Vettel. A passividade do piloto canadense e de sua assessoria de imprensa é um exemplo claro de como não encarar uma crise de imagem causada pela mídia.

 

Estão fazendo um ótimo trabalho na engenharia. Só falta melhorar na assessoria de imprensa. [8]

 

5- Bibliografia

Para melhor compreensão das fontes, a bibliografia foi dividida em seções de acordo com as informações apresentadas na matéria.

 

1- Criação da Racing Point

 

2- Caso Esteban Ocon

 

3- Caso Williams

3.1 Claire Williams e Paddy Lowe responsabilizando os pilotos pelos problemas da escuderia (de 2017 a 2018)

3.2 Reais causas dos problemas

 

4- Comentário de Reginaldo Leme

 

5- Feitos de Lance Stroll na Fórmula 1

 

6- Ações filantrópicas e causas sociais defendidas por Lance Stroll

 

7- Escândalo dos freios

 

8- “Erros individuais” levaram Sebastian Vettel a ser demitido pela Ferrari (depoimento de Martin Brundle)

 

9- Sebastian Vettel compra ações da Aston Martin

 

10- Discrepância de narrativas sobre a situação de Sergio Pérez

 

11- Depoimento falacioso de Lawrence Stroll em favor de Sebastian Vettel

 

12- Impacto do carro no desempenho dos pilotos

 

12- Embasamento teórico

 

6- Fotos

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