The Racing Track Awards 2020

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni

 

O The Racing Track Awards 2020 pretende relembrar alguns dos destaques (positivos e negativos) da temporada de Fórmula 1 de 2020.

Para participar, vote nas enquetes de nosso perfil no Instagram (nos destaques) ou no Google Forms abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1v0PaC41Ep11Bx8ezESLUPBxoX-PXHQAdBpnmsiSW_ms/edit

A votação se encerra no próximo sábado, dia 16 de janeiro de 2o21.

Participe e divirta-se.

Análise da Temporada de Fórmula 1 de 2020

Análise por Rebeca Pinheiro, com comentários e artes de Adriana Perantoni

 

Olá, meus queridos leitores. Depois de muito tempo, nos encontramos de novo. Dessa vez com a análise da temporada de Fórmula 1 de 2020. Foi um ano atípico, com cancelamentos e adiamentos de algumas corridas e o ingresso de outras devido à pandemia de Covid-19. No entanto, a FOM se organizou para que a Fórmula 1 continuasse. Mesmo com todos os imprevistos, houve boas corridas, quebras de recordes, e outros momentos marcantes. Sem mais enrolações, vamos recapitular como foi a temporada de cada um dos pilotos.

 

  • Lewis Hamilton

Lewis Hamilton foi o grande vencedor de 2020. Conquistou seu sétimo título mundial com 347 pontos (66 a menos que no ano passado), vencendo 11 das 17 corridas e tendo 14 pódios. Hamilton pontuou em todas as corridas que participou, se ausentando unicamente no Grande Prêmio do Sakhir, pois havia sido diagnosticado com Covid-19. De bônus, quebrou dois recordes: mais vitórias na carreira (95) e mais vitórias vitórias com o mesmo time (74). Além disso, igualou o número de campeonatos de Michael Schumacher e há enormes chances de se tornar octacampeão mundial em 2021. Seu sucesso é fruto de seu talento e trabalho duro, e ninguém pode extinguir seu legado na Fórmula 1.

O inglês também se destacou por seu ativismo antirracista, liderando movimentos de apoio às vítimas de racismo antes de cada corrida. Apesar de muitos torcedores, e até parte da imprensa, terem criticado esta nobre ação, Hamilton cumpriu muito bem o seu papel, não apenas como um dos únicos três pilotos pertencentes a minorias étnicas do grid de 2020 (juntamente com Lance Stroll e Alexander Albon)*, mas também como uma personalidade famosa que pode influenciar a opinião pública. O racismo é algo terrível, que destrói vidas, e é extremamente importante que as pessoas se conscientizem desse mal que assola a humanidade. Deixamos nossos parabéns à liderança de Hamilton na luta contra o racismo.

*Nota: Considerando-se os critérios brasileiros de classificação de minorias étnicas. Se formos adotar o padrão de outros países, como os Estados Unidos, Sergio Pérez seria incluído, por ser latino-americano.

Desejamos que 2021 seja um ótimo ano para Lewis Hamilton, um piloto guerreiro, prudente e talentoso.

Fotos: FIA/F1 handout/EPA | Reprodução / Instagram | Getty Images | Pool via REUTERS | EPA | Getty Images

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Essa temporada foi A temporada para Lewis Hamilton. O britânico quebrou recordes, se consagrou como o melhor de todos os tempos na Fórmula 1, igualou os títulos de Michael Schumacher e brilhou dentro e fora das pistas. Seus protestos por igualdade racial após a morte do americano George Floyd nas redes sociais pressionaram a FIA para fazer algo contra a discriminação e a favor da diversidade no grid, sendo assim, criada a campanha We Race As One (que não tem nada de correr como um só, visto que o britânico foi até investigado por usar uma camiseta pedindo justiça pela morte de outra negra nos Estados Unidos, a jovem Breonna Taylor).

Apesar disso, Hamilton deu um show nas etapas em que disputou (menos Sakhir, na qual estava infectado pela COVID-19) e mostrou que seu talento vai muito além do ótimo carro que guia. Seus erros foram mínimos e quando não errou, pilotou com maestria e deu uma aula na pista. Um momento mais marcante, para mim, além da corrida em que conquistou seu heptacampeonato, foi no Grande Prêmio da Inglaterra, em que levou seu carro na última volta com um dos pneus dianteiros furados. Essa proeza é para poucos.

 

  • Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o vice-campeão de 2020, com 223 pontos (106 a menos que no ano passado), mas ressalta-se que se não fosse seu pódio no Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria perdido a segunda colocação do campeonato para Max Verstappen. Bottas teve duas vitórias (Áustria e Rússia) e 11 pódios, mas embora tivesse uma certa constância em pontuar (pois ficou fora da zona de pontuação apenas na Grã-Bretanha e Turquia), o finlandês decepcionou em algumas corridas, como Bahrein e Sakhir, as quais terminou em oitavo lugar e teve muita dificuldade para ultrapassar seus adversários. Embora “certas pessoas” tentem relativizar o talento de Lewis Hamilton, reduzindo-o ao bom desempenho do carro da Mercedes, Bottas é a prova de que o carro não anda sozinho. Se o piloto não tem garra o suficiente, o carro não faz milagres. E o finlandês, com o mesmo carro, estava muito atrás do inglês em performance.

Bottas teve duas condutas reprováveis no ano. Uma foi quando fez uma piada contra os chineses, e a outra foi no final do Grande Prêmio da Rússia, quando desferiu palavras de baixo calão a seus críticos. Embora ninguém goste de ser criticado, deve-se diferenciar críticas construtivas de destrutivas. Uma coisa é criticar pilotos que estão começando há pouco tempo e arrumar justificativas patéticas para isso (tal como fez Jacques Villeneuve contra Max Verstappen e Lance Stroll). Outra bem diferente é cobrar bons resultados de um piloto que está no melhor carro do grid. O caso de Bottas se encaixa no segundo tipo. Mandar seus críticos para “aquele lugar” não é uma ação defensiva, mas sim uma imaturidade do atleta que se recusa a fazer uma autocrítica. O próprio Bottas afirmou ter evitado a internet e as notícias após o Grande Prêmio do Sakhir, o qual perdeu a liderança para o novato George Russell* na primeira curva. Pode ter sido uma boa estratégia para fortalecer seu psicológico, mas o finlandês não vai poder se esconder da verdade por muito tempo.

*Nota: Lembrando que George Russell estava em sua primeira corrida pela Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid), por isso foi considerado aqui como “novato”. Russell estava em seu segundo ano na Fórmula 1, mas havia corrido apenas pela Williams.

Desejamos a Valtteri Bottas que 2021 seja um ano melhor, que ele tenha mais prudência nas ações e palavras e que mostre sua função na Mercedes.

Foto: Getty Images

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O que dizer de Valtteri Bottas? O finlandês tem a difícil tarefa de ser companheiro de equipe do melhor do mundo e ainda tem que aguentar um “novato” na espreita, esperando apenas a oportunidade certa de dar um bote em sua vaga na Mercedes. Esse ano, Bottas assumiu mais uma vez o posto de vice e até disse em uma entrevista que acreditava que poderia bater Hamilton. Nem nos seus sonhos, Valtteri.

O finlandês pouco entregou nesta temporada, servindo apenas para ajudar a Mercedes a conquistar com folga o campeonato de construtores. Mesmo quando Hamilton desfalcou a equipe e Russell o substituiu, ele não conseguiu superá-lo, levando uma bela ultrapassagem, dessas que você assiste e se arrepia, no GP de Sakhir. Mais uma temporada morna de um piloto mediano que guia um carro que não merece.

 

  • Max Verstappen

Max Verstappen foi o terceiro colocado do campeonato de 2020, com 214 pontos (64 a menos que no ano passado). Teve duas vitórias (70º Aniversário e Abu Dhabi) e 11 pódios, e como dito na análise de Valtteri Bottas, se não fosse o pódio do finlandês na última corrida do ano, Max teria sido vice-campeão. Verstappen teve cinco abandonos, pontuando em todas as demais corridas. Além disso, o holandês foi um dos dois únicos pilotos de fora da Mercedes a largar da pole position em 2020 (juntamente com Lance Stroll) e um dos três únicos de fora da Mercedes a vencer no ano (ao lado de Pierre Gasly e Sergio Pérez).

Mas nem tudo foi elogiável na temporada de Verstappen. Para começar, ele foi um dos seis pilotos que decidiu não se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Nos treinos do Grande Prêmio de Portugal, fez uma ofensa racista contra Stroll, chamando-o de “mongol”. Ainda que muitos tentem amenizar esta atitude, não é correto associar uma doença mental a uma etnia (por isso que o termo “mongol” é sim, racista), nem insinuar que o adversário tenha tal enfermidade apenas por um acidente (que se forem analisadas as imagens, foi causado não por Stroll, mas por Verstappen). No Grande Prêmio do Bahrein, disse que se algum piloto não quisesse retornar à corrida após o grave acidente de Romain Grosjean, este não merece um assento na Fórmula 1. É lamentável que um dos pilotos mais talentosos do grid, e um dos favoritos da criadora deste site, tenha uma atitude tão baixa e antiética. Verstappen sempre se destacou na Fórmula 1 por sua determinação, resultados brilhantes, e capacidade de calar aqueles que duvidavam de seu potencial. Ele não deveria seguir o exemplo de outros atletas que ficaram conhecidos pelas frases polêmicas. Por este motivo, Max Verstappen é um dos candidatos ao Troféu Boca de Fogo que será dado em 2021 no The Racing Track Awards.

O nível de competitividade da Fórmula 1 em 2020 estava abaixo do esperado. Logo, apesar de ter sido uma presença constante no pódio, Max não teve muitas chances de propiciar um espetáculo aos fãs (uma exceção foi o Grande Prêmio do 70º Aniversário). A Red Bull foi a segunda colocada entre as construtoras porque o desempenho da Ferrari caiu drasticamente, pois a escuderia austríaca ainda não foi capaz de providenciar um carro vencedor a Verstappen que possibilite que ele dispute de igual para igual com Lewis Hamilton. E apesar disso, o holandês ama tanto a equipe que se recusa a sair dela, arruinando suas chances de progredir na carreira e se estagnando como um “piloto de pódios que às vezes vence”. Leia mais sobre isso em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

Desejamos a Max Verstappen que em 2021 ele tenha mais prudência nas palavras e ações, e que tenha mais oportunidades de brilhar.

Fotos: Getty Images / Red Bull Content Pool

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O holandês, mais uma vez, mostrou que é bom no que faz. Pelo menos nas pistas. Verstappen fez parte de 90% dos pódios nesta temporada, completando o top 3 do campeonato junto com Hamilton e Bottas. As falhas do holandês vieram por conta de problemas com seu carro, muitas vezes motivadas pelo motor Honda. Contudo, ele continua tendo atitudes desportivas em relação aos seus rivais, vide seu rádio lamentável no treino livre do GP de Portugal, onde ofendeu Stroll com expressões capacitistas e racistas, no qual até mesmo o governo da Mongólia cobrou uma posição do piloto, o que ainda não teve resposta.

Verstappen ainda precisa amadurecer em suas atitudes com seus colegas de trabalho e espero que no ano que vem, episódios desse tipo não aconteçam, sejam dele ou de qualquer outro piloto no grid.

 

  • Alexander Albon

Alexander Albon foi o sétimo colocado de 2020, com 105 pontos (13 a mais que no ano passado). Teve dois pódios (terceiro lugar na Toscana e no Bahrein) e apenas um abandono, no Grande Prêmio do Eifel, pontuando em 12 corridas de um total de 17. Embora a Red Bull estivesse mais forte nesse ano devido ao fracasso da Ferrari, Albon não conseguiu acompanhar o desempenho de Max Verstappen, oscilando constantemente entre o sexto e o décimo lugar, o que não é desejável para um piloto de equipe de ponta. Apenas na Estíria e em Abu Dhabi que o tailandês conseguiu o quarto lugar e se aproximou do companheiro.

Devido a uma série de fatores, Albon foi rebaixado à posição de terceiro piloto da Red Bull. Sergio Pérez o substituirá como piloto titular. O mexicano teve de sair da Racing Point após Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprar ações da futura dona da equipe, a Aston Martin. Consequentemente, o tailandês foi sacrificado por uma pressa da Red Bull em ter dois pilotos competitivos o suficiente para agradar Helmut Marko. Havia muita pressão em Albon para ser como Verstappen desde que o tailandês substituiu Pierre Gasly em 2019, e infelizemente teve o mesmo destino do francês. Albon teve pouco tempo para desenvolver todo o seu potencial. Para entender melhor a situação, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Desejamos a Alexander Albon boa sorte nessa nova etapa da carreira e que em 2021 apareça uma boa oportunidade para superar a frustração desse rebaixamento injusto.

Fotos: FIA Pool Image for Editorial Use

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O que parecia uma temporada promissora para Albon, logo mostrou-se sua temporada de despedida (por enquanto). Logo na primeira corrida, Albon se envolveu em um acidente com Hamilton, muito parecido com a colisão do GP do Brasil do ano passado. E a partir daí, parece que o tailandês diminuiu, quase sumiu. Nem seus dois pódios foram o bastante para ele se reerguer e mostrar ao que veio.

Na minha opinião, parece que ele desistiu. A pressão imposta pelos dirigentes da equipe taurina é cruel, temos Gasly como um exemplo recente, mas o tailandês se apequenou diante das dificuldades. Em um de seus rádios, após quase colidir com Gasly, o tailandês disse que “eram duros demais com ele” na pista. Tanto Horner quanto Helmut Marko se aproveitaram dessa brecha e começaram a fazer seus costumeiros jogos mentais com Albon, soltando uma nota aqui na imprensa, outra acolá em uma entrevista após a corrida. Mas não adiantou, Albon foi rebaixado ao cargo de piloto reserva da Red Bull Racing para 2021. Espero que o tailandês se reerga e ache seu lugar, seja na Fórmula 1 ou em outra categoria, encontrando uma equipe que o acolha, ao invés de simplesmente tratá-lo como a Red Bull o tratou.

 

  • Sergio Pérez

Sergio Pérez foi uma das grandes surpresas de 2020. Terminou o campeonato em quarto lugar, com 125 pontos (73 a mais que no ano passado). Apesar de ter ficado de fora de duas corridas (Grã-Bretanha e 70º Aniversário) devido à Covid-19, o mexicano foi bem consistente, pontuando em 13 corridas, tendo um pódio na Turquia (segundo lugar) e uma incrível vitória no Sakhir (a primeira de sua carreira). Esta ocorreu após Pérez ser tocado por Charles Leclerc e obrigado a trocar os pneus ainda na primeira volta. Por esta razão, sua vitória é candidata ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards em 2021.

Por muito pouco, o mexicano não ficou de fora do grid do ano que vem. Isso porque depois que Sebastian Vettel, demitido da Ferrari, comprou as ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point, a equipe inglesa não renovou o contrato de Pérez para que o alemão se juntasse ao time. Obviamente, a imprensa tentou culpar Lance Stroll pela situação, mesmo que o canadense não tivesse culpa nenhuma disso. Mas os fatos não mentem: Vettel sabia que estava sem opções para 2021 e preferiu garantir seu assento comprando-o (ou alguém realmente acredita que ele investiria em uma equipe na qual não teria interesse em participar?). Temos duas fontes muito confiáveis dessa informação: as matérias de Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), e de Sergio Quintanilha no portal Terra (veja aqui). Para entender o caso como um todo, leia e “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Seria muito ruim se Pérez ficasse de fora do grid (leia mais em “A saída de Pérez da Racing Point e como isso é ruim para a representatividade latina”), mas há males que vêm para o bem, e o piloto agora está oficialmente em uma equipe de ponta. Um aviso aos fãs de Pérez: o inimigo de vocês não se chama Lance Stroll, nem Lawrence Stroll (que, inclusive, estava hesitante com o ingresso de Vettel, mas seus sócios eram a favor), o inimigo de vocês se chama Sebastian Vettel. Demos as fontes para vocês checarem. O que houve é que o alemão não quis colher o que plantou e usou uma ferramenta poderosa para se manter no grid: o dinheiro.

Desejamos a Sergio Pérez que 2021 seja um ano de muito sucesso e realizações.

Fotos: Motorsport Images | Glenn Dunbar

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A temporada foi emocionante para Pérez, em todos os sentidos. Como esperado, o mexicano teve resultados consistentes no começo da temporada, conquistando bons pontos e colocações nas corridas. Até que, antes do GP da Inglaterra, Pérez testou positivo para a COVID-19, perdendo assim duas corridas. Ao retornar, no GP da Espanha, ele conseguiu um bom quinto lugar (quarto, se não fosse por uma punição) e algumas corridas depois, anunciou sua saída da Racing Point no final da temporada para dar lugar a Sebastian Vettel. A notícia veio como uma surpresa para o mexicano, que até então, tinha um contrato até 2021. Mesmo com essa notícia, Pérez conseguiu três pódios e sua primeira vitória, no GP de Sakhir.

Ano que vem, Checo correrá pela Red Bull, tendo assim sua segunda chance em uma equipe de ponta (a primeira foi com a McLaren em 2013, o que não deu certo graças ao péssimo carro daquele ano). Será que veremos o mexicano mais vezes no degrau mais alto do pódio? É o que esperamos.

 

  • Lance Stroll

Ah, Lance Stroll… o piloto que fez a criadora do site ficar igual ao Hiashi Hyuuga em pelo menos três corridas (fãs de Naruto entenderão a referência). O canadense marcou 75 pontos (54 a mais que no ano passado), o mesmo total de Pierre Gasly. Se não tivesse aberto passagem a Esteban Ocon na última volta do Grande Prêmio de Abu Dhabi, teria conseguido um ponto a mais e terminado o campeonato em décimo. Por causa dessa “gracinha” desnecessária, o critério de desempate entre Stroll e Gasly foi o número de vitórias. Com isso, o francês ficou em décimo lugar e o canadense em décimo primeiro. Vou me abster de comentar mais sobre isso, senão vou ao cartório mudar meu nome oficialmente para Hiashi.

Stroll conseguiu dois pódios em 2020, na Itália e no Sakhir (chegando em terceiro em ambas as corridas), teve a primeira pole position da carreira na Turquia, e ótimas atuações na Hungria e na Espanha. Apesar dos contratempos, Lance pontuou em 10 corridas. Alguns fatores o atrapalharam, como a Covid-19 (que o tirou do Grande Prêmio do Eifel), um acidente provocado por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Rússia e, principalmente, a incompetência dos estrategistas de sua equipe (que impediram seu pódio na Turquia). Os erros grosseiros da Racing Point nos pit stops são uma das prova de que Stroll não tem privilégios na equipe (se tivesse, no mínimo teria pedido ao pai para demitir esse estrategista “jênio” que não acerta uma). E antes que alguém abra a boca para falar do caso de Sergio Pérez, que teve de sair da Racing Point para dar lugar a Sebastian Vettel, saiba que o motivo dessa mudança foi a compra de ações da Aston Martin por Vettel (pode checar as matérias de Adam Cooper (veja aqui) e de Sergio Quintanilha (veja aqui)).

Ainda em 2020, Stroll teve atitudes louváveis, como o apoio às vítimas de racismo, o cavamento de poços d’água na Gâmbia e a doação à Fundação do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para combater os incêndios florestais na Califórnia. Além disso, se mostrou um gentleman e respondeu com classe às grosserias de Max Verstappen e Lando Norris (provando que os indígenas não são “selvagens” e que nem sempre os europeus agem como “civilizados”).

Desejamos a Lance Stroll um 2021 ainda melhor, com muito sucesso e realizações. E um conselho meu: preste atenção em suas amizades.

Fotos: Getty Images | Pool via REUTERS | Wires Pool

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A temporada de Stroll foi agridoce. Com bons resultados no começo da temporada, o canadense mostrava confiança, talvez nunca vista antes. Um terceiro lugar na classificação no GP da Hungria e seu pódio em Monza foram fatores decisivos para a tal confiança. Porém, uma onda de azar o atingiu: abandonos, batidas e até COVID-19 são incluídos nessa lista. Porém, após ter um pouco de dificuldades em se recuperar totalmente do COVID, Stroll respondeu às críticas na pista: ele foi o único piloto além de Bottas, Hamilton e Verstappen a conquistar uma pole (Turquia), a primeira de sua carreira e ainda conquistou o pódio em Sakhir, garantindo a primeira dobradinha no pódio para a Racing Point.

Mesmo sendo superado por Pérez, sofrendo com erros de estratégia (se comparados a Pérez, estes foram mínimos) e tendo vários infortúnios durante a temporada, Stroll consegue tirar alguns pontos bons dessa temporada. Basta esperar para ver o que a Aston Martin reserva para Stroll.

 

  • Carlos Sainz Jr.

Carlos Sainz Jr. terminou o ano em sexto lugar, com 105 pontos (nove a mais que no ano passado). Teve um pódio na Itália (segundo lugar), pontuou 12 vezes, e seu pior momento foi no Grande Prêmio da Bélgica, pois um problema no motor o impediu de largar. Sainz teve apenas dois abandonos, na Toscana e na Rússia.

Assim como Max Verstappen, o espanhol teve momentos lamentáveis referentes a suas condutas. Antes da temporada começar, ele havia feito uma piada contra os chineses, e depois foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Tais comportamentos não são aceitáveis a um piloto com tanta visibilidade, que ainda por cima correrá pela Ferrari em 2021 após a demissão de Sebastian Vettel.

Desejamos a Carlos Sainz Jr. que 2021 lhe traga mais sabedoria e consciência, para que possa ter uma temporada com um bom aproveitamento do carro e dar um bom exemplo aos ferraristas.

Foto: XPB Images

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De saída da McLaren em sua melhor temporada, Sainz teve seus bons momentos na temporada. O segundo lugar em Monza (que, se não fosse por um erro na relargada, o espanhol tinha grandes chances de vencer aquela corrida) foi o ponto alto de Sainz. Em uma disputa equilibrada com Norris, o espanhol mostrou que consegue desafiar seus companheiros de equipe mas, ao meu ver, ele ainda foi ofuscado pelo britânico. Minhas diferenças com Sainz, seja pela falta de respeito e sensibilidade à Lewis Hamilton ao não ajoelhar antes das corridas e também, ao episódio xenófobo protagonizado em uma parceira paga por um de seus grandes patrocinadores me impede de prestar mais atenção no espanhol.

Confiante com a recuperação da Ferrari para a próxima temporada, ele diz que não se arrepende em ter deixado o time de Woking… Vamos aguardar para ver se o arrependimento vai bater em 2021 e se ele resistirá à pressão de Leclerc, que está longe de ser um Norris da vida.

 

  • Lando Norris

Lando Norris terminou o ano em nono lugar, com 97 pontos (48 a mais que no ano passado). Conseguiu seu primeiro pódio da carreira no Grande Prêmio da Áustria, após Lewis Hamilton ter sido punido por colidir com Alexander Albon. Além disso, pontuou 12 vezes e só teve um abandono, no Grande Prêmio do Eifel. Apesar de ter se ajoelhado em solidariedade às vítimas de racismo, Norris tentou “passar pano” para aqueles que não se ajoelharam, o que levou a um questionamento dos motivos por sua escolha: se realmente se importava com o racismo, ou se participou do ato apenas para se promover. Mas esta não foi a única polêmica do inglês neste ano.

Infelizmente, o comportamento infantil de 2019 se repetiu em 2020. No Grande Prêmio da Bélgica, ofendeu seu engenheiro com palavrões por ele ter apenas alertado o piloto sobre suas saídas do traçado. Na Itália, apesar de ter cometido uma infração (ter sido excessivamente lento no pit stop), reclamou de Lance Stroll por trocar os pneus durante a bandeira vermelha (apesar de isto estar de acordo com o regulamento), demonstrando despeito pelo canadense ter tido um pódio na corrida e ele não. No Eifel, agiu grosseiramente com sua equipe. Mas a conduta mais lamentável ocorreu no Grande Prêmio de Portugal, quando ofendeu dois pilotos: primeiro, esbravejou contra Lance Stroll devido a uma colisão e disse que o canadense “nunca aprende com seus erros” (como se Norris aprendesse, pelo que vemos aqui), depois desmereceu o sucesso de Lewis Hamilton em uma entrevista, afirmando que seus resultados se davam pelo piloto da Mercedes “ter o melhor carro”. Como sua fala não foi bem recebida pelos torcedores, Norris se retratou no dia seguinte, mas não da maneira mais correta, dizendo que disse coisas ruins sobre “certas pessoas”, revelando falta de humildade e de autocrítica, por não ter coragem de dizer os nomes dos pilotos que ofendeu.

No entanto, a equipe de marketing por trás de Norris merece um prêmio, pois mesmo com todas essas atitudes, a mídia ainda o trata como um piloto perfeito, e seus fãs o defendem com unhas e dentes, mesmo quando está nitidamente errado (se fosse outro piloto agindo dessa forma, já teria sido linchado). A própria Fórmula 1 parece supervalorizá-lo, pois Norris aparece mais nas postagens da categoria no Instagram do que o próprio Hamilton, que é campeão. Devido à sua conduta antiética em 2020, principalmente no Grande Prêmio de Portugual, Norris é candidato ao Troféu Boca de Fogo no The Racing Track Awards. Isso não significa que temos algo contra ele pessoalmente (uma de nossas colunistas é fã dele e outra divide o aniversário com ele), mas devemos ser coerentes: elogiar o que deve ser elogiado (como ter usado o capacete desenhado por uma fã de 6 anos no Grande Prêmio da Grã-Bretanha) e criticar o que deve ser criticado. Aqui, todos os pilotos são iguais, nenhum está acima de outro para receber tratamento privilegiado.

Desejamos a Lando Norris que em 2021 ele “dê o exemplo” e realmente aprenda com seus erros. Apesar de seu pai se chamar Adam, não fica bem para um piloto agir como o príncipe antes de ser transformado em Fera (fãs da Disney entenderão a referência).

Foto: Pirelli

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Em sua segunda temporada, Norris foi a peça chave para o triunfo da McLaren e a evolução da histórica equipe para chegar ao terceiro lugar no campeonato de construtores. Com contrato confirmado para a próxima temporada, o britânico não perdeu tempo em mostrar que seu bom desempenho em 2019 não foi apenas fogo de palha e logo na primeira corrida da temporada, conseguiu seu primeiro pódio: um terceiro lugar no GP da Áustria. Dessa corrida em diante, seus resultados foram consistentes e ele não teve medo de desafiar os pilotos mais experientes na pista, vide sua disputa por posições na ultima volta com as duas Racing Point e Ricciardo no GP de , na qual ele levou a melhor.

Se Norris conseguiu se manter estável e obter bons resultados para seu campeonato e de sua equipe com um motor Renault – que no bólido da McLaren, não teve problemas de confiabilidade -, ele também pode incomodar seus concorrentes mais próximos no ano que vem, já que a McLaren terá motores Mercedes. Basta esperar e ver. E como Rebeca bem observou na análise, espero que Lando reveja suas atitudes, inclusive sua “boca de fogo”.

 

  • Pierre Gasly

Pierre Gasly terminou o ano com 75 pontos (20 a menos que no ano passado), em décimo lugar. Se 2019 foi um ano decepcionante, por não ter conseguido acompanhar o desempenho de Max Verstappen e ter sido rebaixado de volta para a Red Bull, em 2020 Gasly renasceu das cinzas como uma fênix e conseguiu sua primeira vitória da carreira, no Grande Prêmio da Itália, que concorre ao Troféu Vitória Mais Bonita no The Racing Track Awards. O francês pontuou em 10 corridas e teve três abandonos (Hungria, Toscana e Emília-Romanha).

Gasly provou que os pilotos têm tempos diferentes de adaptação, e que a Red Bull age de maneira impulsiva com seus pilotos, exigindo perfeição a curto prazo. Isso acaba sacrificando a reputação e o trabalho de jovens atletas, como foi o caso de Alexander Albon, que substituiu o francês em 2019 e sofreu o mesmo destino em 2020. A vitória na Itália trouxe os holofotes para Gasly, e há especulações de que a Alpine (futuro nome da Renault) planeja contratá-lo em 2022. Vamos aguardar novas informações sobre este caso.

Desejamos a Pierre Gasly muito sucesso para 2021 e esperamos que seus resultados sejam ainda melhores.

Fotos: XPB Images/PA Images

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Monza foi uma das corridas mais emocionantes dessa temporada e muito dessa emoção é devido ao triunfo de Gasly. Ver uma vitória inesperada após diversos pódios com os mesmos pilotos foi um alívio e ver Gasly tendo a sua primeira vitória com a Alpha Tauri, um ano após ser rebaixado da Red Bull por “falta de resultados” foi emocionante. Lembro que vi uma entrevista em que Gasly disse que, após ser rebaixado ao time B da Red Bull, Anthoine Hubert, um de seus amigos de longa data, lhe ligou e disse “prove que eles estão errados” e de fato, ele provou. Além disso, provou que em um ambiente de trabalho saudável, consegue entregar os resultados esperados. Sua vitória foi um misto de sorte e talento, no qual o último foi provado no restante da temporada.

 

  • Daniil Kvyat

Daniil Kvyat terminou a temporada no décimo-terceiro lugar, com 32 pontos (cinco a menos que no ano passado). Pontuando em sete corridas, o russo teve como seu melhor resultado o quarto lugar no Grande Prêmio da Emília-Romanha. Dessa vez, Kvyat esteve bem abaixo de Pierre Gasly em termos de desempenho. Além disso, um episódio lamentável foi sua recusa em se ajoelhar em apoio às vítimas do racismo.

O ex-namorado de Kelly Piquet não largou o jeito “torpedo” de direção. Embora não tivesse culpa, ele quase se envolveu no acidente com Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, e na mesma corrida, dessa vez por sua culpa, colidiu com Lance Stroll e tirou o canadense da prova. Por causa disso, Kvyat é um dos candidatos ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. O estilo barbeiro e o desempenho abaixo do esperado contribuíram para a decisão da AlphaTauri de demití-lo para dar lugar ao japonês Yuki Tsunoda (a quem desejamos boa sorte). O russo agora deve repensar sua carreira pois sua imprudência lhe custou a vaga, como houve com Esteban Ocon em 2018 e Sebastian Vettel na Ferrari em 2020 (talvez se Kvyat tivesse comprado ações de algum time, teria se mantido no grid tal como fez Vettel).

Desejamos boa sorte a Daniil Kvyat em 2021, seja qual for seu destino.

Foto: Planet F1

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Em sua terceira passagem pela AlphaTauri (as duas anteriores foram com a Toro Rosso), Kvyat não impressionou e mais uma vez, foi superado pelo seu companheiro de equipe. Não se sabe ao certo o porquê o russo ficou tão longe de Gasly mas isso não agradou a alta cúpula taurina, que o dispensou de forma fria no final da temporada. Sem saber ao certo seu futuro na categoria, Kvyat diz adeus a Fórmula 1, com uma temporada fraca e com vários incidentes em seu currículo, reforçando apenas a alcunha de “torpedo”.

 

  • Daniel Ricciardo

Daniel Ricciardo foi o quinto colocado de 2020, com 119 pontos (65 a mais que no ano passado). O ítalo-australiano teve dois pódios (terceiro lugar no Eifel e na Emília-Romanha) e pontuou 14 vezes, tendo apenas um abandono, na Áustria. Sua atuação também foi elogiável na Grã-Bretanha, BélgicaToscana. Embora longe de seus dias áureos, ele teve um grande avanço em relação a 2019, e no ano que vem estará na McLaren em busca de resultados melhores.

Ricciardo é um dos pilotos mais inteligentes do grid, e a troca da Renault pela escuderia inglesa é uma decisão muito boa, pois o time tem muito a ganhar com a experiência e conhecimento automobilístico do piloto. Ao mesmo tempo, a Renault de mostrou indigna de tê-lo como atleta, pois focou mais em tentar desqualificar suas concorrentes do que em melhorar seu carro, agindo de maneira hipócrita dado o seu histórico. Leia mais em “Renault: Um Passado Que Condena”.

Desejamos a Daniel Ricciardo boa sorte em sua nova etapa da carreira e que 2021 lhe traga sucesso e brilho.

Fotos: Formula 1 via Getty Images

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Em sua temporada de despedida da Renault, com um carro um pouco melhor comparado ao ano de 2019, Ricciardo surpreendeu ao conquistar dois pódios nos GPs de Eifel e Emilia Romagna. O australiano ficou no ‘quase’ em outras ocasiões também, como no GP de Toscana, perdendo a terceira posição para Albon. Só sei que, depois dos dois ataques de nervoso que eu tive em seus pódios, o australiano terá que pagar minhas consultas na terapia.

Em muitas análises, eu bati na tecla que o carro é um fator importante nos bons resultados mas nada adianta ser um piloto mediano. Ricciardo evoluiu durante a temporada junto com seu carro e conseguiu tirar leite de pedra em muitas ocasiões. De destino certo para a McLaren no ano que vem, o australiano tem ótimos motivos para não tirar o sorriso do rosto, contando com a evolução da equipe “papaia” e com uma chance de voltar ao pódio mais vezes. Será bom ver Ricciardo sendo, de fato, competitivo mais uma vez.

 

  • Esteban Ocon

Como previsto pelo The Racing Track em 2019, Esteban Ocon precisou desatar os laços com a Mercedes para conseguir voltar à Fórmula 1. A Renault lhe deu uma chance, substituindo Nico Hülkenberg, e o hispano-francês terminou a temporada em décimo-segundo lugar, com 62 pontos. Nota-se que seu retorno não foi tão celebrado pela mídia quanto sua saída foi lamentada em 2018. Para entender as razões disso, leia “Entenda o Caso Esteban Ocon”. Conseguiu seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Sakhir (segundo lugar) e pontuou 10 vezes. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Lamentavelmente, embora tenha crescido como atleta, Ocon ainda manteve um perfil imaturo como em 2018. Por motivos pessoais, decidiu não cumprimentar Pierre Gasly por sua vitória no Grande Prêmio da Itália, demonstrando falta de espírito esportivo (uma coisa que sempre lhe faltou, veja os casos na matéria citada no parágrafo anterior). Apesar de sua conduta antiesportiva, Ocon parece encantar alguns como o canto de uma sereia. Uma de suas vítimas é Lance Stroll, que acredita fielmente que o hispano-francês é seu amigo mesmo com todas as sacanagens que ele aprontou para o canadense.

Desejamos a Esteban Ocon mais sabedoria para 2021, para que sua postura mude e ele possa alcançar melhores resultados.

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Foto: Formula 1 via Getty Images

O francês ficou um ano longe da Fórmula 1 após a demissão da Racing Point no final de 2019 e quando voltou, provou que ainda é o piloto arrojado que conhecemos. Mesmo com alguns abandonos e perdendo de lavada de Ricciardo tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, Ocon não deixou que isso o abalasse e terminou a temporada de forma consistente, conquistando seu primeiro pódio em Sakhir.

Ano que vem, o francês enfrenta o bicampeão Fernando Alonso, que também não deixa barato as disputas nas pistas e muito menos fora delas. O gênio do espanhol colidirá com o de Ocon ou a versão good vibes do francês continuará por mais tempo? Essa será uma disputa interessante de se ver. Netflix, trate de filmar tudo.

  • Sebastian Vettel

Sebastian Vettel terminou 2020 no décimo-terceiro lugar, com 33 pontos (207 a menos que no ano passado). Sua temporada foi drasticamente diferente em relação à anterior: teve apenas um pódio (terceiro lugar na Turquia) e pontuou em apenas seis corridas. Em compensação, teve dois únicos abandonos (Estíria e Itália). Nota-se que o carro da Ferrari teve um desempenho muito abaixo do esperado, e não pode-se considerar que ela foi uma equipe de ponta em 2020. Outro ponto a ser considerado é que a escuderia italiana decidiu não renovar o contrato do alemão para 2021 antes mesmo da temporada de 2020 começar, o que agravou o mal-estar entre piloto e time. Ele será substituído por Carlos Sainz Jr.

A verdade é que os acidentes e a imprudência de Vettel contribuíram para a decisão da Ferrari (leia mais em “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”), mas o alemão não se deu por vencido e se recusou a tirar um ano sabático. Comprou ações da Aston Martin, futura dona da Racing Point e movimentou o mercado de pilotos: Sergio Pérez teve de sair para que Vettel entrasse, indo para a Red Bull e substituindo Alexander Albon (leia mais em “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”). A mídia, como sempre, tentou culpar um piloto indígena inocente para não admitir que o europeu estava nitidamente comprando vaga. A prova das intenções de Vettel foi o desdém deste pela situação de Pérez (pode checar na reportagem de Adam Cooper aqui).

É triste que um tetracampeão tenha recorrido a isto para permanecer no grid, e é por seu passado glorioso na Red Bull que alguns torcedores duvidam de sua manobra. Mas daí fica a pergunta: Por que Vettel investiria seu dinheiro em uma equipe que não fosse de seu interesse?

Desejamos que em 2021 Sebastian Vettel se recupere de seu prejuízo em 2020 e tenha uma temporada com ótimos resultados.

Foto: Scuderia Ferrari Press Office

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Sua última temporada na Ferrari deixou um gosto amargo na boca do alemão. Pilotar para a escuderia era o sonho de Vettel, que deixou a Red Bull no final de 2014 para tentar o tão sonhado pentacampeonato com a mesma equipe que viveu tempos de glória com Schumacher, seu ídolo. Porém, o sonho não foi bem assim. Quase sempre ficando no quase, Vettel deu seu adeus aos italianos com um dos piores carros que pilotou na carreira, apostando na promessa da Aston Martin em 2022.

Muitas vezes, o alemão tinha que traçar suas próprias estratégias durante a corrida e mesmo assim, seus resultados foram abaixo da média. Seu pódio na Turquia pode ser considerado como um presente de Leclerc, talvez de despedida, quem sabe. Ironicamente, acabou no pódio com seu rival nas pistas por alguns campeonatos – Hamilton – e viu o britânico conquistar um sonho que ele tinha, se igualar a Schumacher e, justamente o piloto que substituirá na próxima temporada – Pérez. Vamos ver se a Aston Martin consegue manter os resultados consistentes ano que vem, dando assim um alívio ao alemão.

 

  • Charles Leclerc

Charles Leclerc foi outra vítima do fraco desempenho da Ferrari em 2020. Terminou o campeonato em oitavo lugar, com 98 pontos (166 a menos que no ano passado), tendo apenas dois pódios (segundo lugar na Áustria e terceiro na Grã-Bretanha) e pontuando em 10 corridas. Ao longo do ano, teve quatro abandonos.

Sua melhor sequência de pontuações foi entre os Grandes Prêmios da Toscana e do Bahrein, oscilando entre o quarto e o décimo lugar. Leclerc enfrentou muita dificuldade para superar seus adversários, dirigindo uma Ferrari longe de ser competitiva, mas teve algumas atuações boas, como na Toscana. Entretanto, sua colisão com Lance Stroll no Grande Prêmio da Rússia (e sua recusa em se desculpar por algo que ele assume ser de sua responsabilidade) lhe rendeu uma indicação ao Troféu Dick Vigarista no The Racing Track Awards. Além disso, Leclerc foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, e se mostrou indignado com as acusações por parte da mídia e dos torcedores de que ele fosse racista. O piloto deve estar ciente de que suas decisões estão sujeitas a interpretações, mas foi louvável que ele tenha condenado o racismo em declarações posteriores.

Desejamos a Charles Leclerc sucesso em 2021 e esperamos que ele tenha mais chances de demonstrar seu potencial.

Fotos: 2020 Pool | Formula 1 via Getty Images

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Com o carro (se é que podemos chamar o SF1000 de carro) desafiador que tinha em mãos, Leclerc superou as expectativas em algumas corridas e levou algum sorriso aos tifosi nessa temporada. O monegasco conseguiu dois pódios – na Áustria e na Inglaterra – e assim, não deixou que a Ferrari ficasse em uma posição mais difícil do que já se encontrava.

Porém, nem tudo são flores. Leclerc teve alguns erros questionáveis durante algumas corridas. Na Estíria, quando colidiu com Vettel em uma manobra horrorosa; na Turquia, quando escapou da pista e deu de bandeja o pódio para Vettel e em Sakhir, em que colidiu com Pérez e Verstappen, causando o seu próprio abandono e o de Verstappen, além de deixar Pérez em último (o final desse GP já sabemos) e se fez de desentendido ao perguntar a Verstappen o que tinha acontecido. Se fazer de bobo não colou muito bem, nem com o holandês e nem com o público. Resta ver se ano que vem, o monegasco consegue “meter o louco” para cima de Sainz.

Apenas para adicionar ao parágrafo de Rebeca sobre Leclerc e o ato de não ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo, no Twitter, Leclerc curtiu alguns tweets duvidosos (leia-se mentirosos) sobre o movimento Vidas Negras Importam, o que caiu mal para alguns fãs; além de ter quebrado a sua bolha durante alguns fins de semanas de corridas. Cadê a consciência e empatia, Charles?

 

  • Romain Grosjean

Romain Grosjean terminou o ano em décimo-nono lugar, com apenas dois pontos (seis a menos que no ano passado), resultantes de sua única pontuação na temporada, o nono lugar no Grande Prêmio do Eifel. Infelizmente, seu momento mais notável foi seu grave acidente no Bahrein (do qual, graças a Deus, saiu apenas com queimaduras nas mãos), que o impediu de correr no Sakhir e em Abu Dhabi. Nestas corridas, foi substituído por Pietro Fittipaldi.

Devido ao seu desempenho bem abaixo do desejado, a Haas optou por não renovar seu contrato para 2021. Com isso, o francês não estará no grid no ano que vem. O time americano contratou o russo Nikita Mazepin para substituí-lo, mas seu ingresso está acompanhado de controvérsias, pois o piloto compartilhou um vídeo impróprio no Instagram e, embora a Haas tenha sido pressionada a substituí-lo, ela não quer perder os investimentos de Dmitry Mazepin, pai de Nikita.

Desejamos a Romain Grosjean boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: acervo pessoal | Instagram

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Em mais uma temporada, Grosjean foi deixado na mão por seu carro, raramente conseguindo um bom resultado durante as corridas em que disputou. Pouco tempo depois de descobrir que não ficaria com a vaga para 2021 e seria substituído por Mick Schumacher, o francês se envolveu em um acidente impressionante durante o GP de Bahrain, que encerrou sua temporada duas corridas antes.

O francês compartilha sua recuperação pelo seu Instagram pessoal e com seu conhecido bom humor, Grosjean mostra sua evolução e tranquiliza os fãs que testemunharam o acidente.

 

  • Kevin Magnussen

Kevin Magnussen terminou 2020 em vigésimo lugar, com apenas um ponto (19 a menos que no ano passado), resultado de sua única pontuação no campeonato: o décimo lugar no Grande Prêmio da Hungria. Embora o grid conte com 20 pilotos, as enfermidades de Sergio Pérez, Lance Stroll, Lewis Hamilton e Romain Grosjean levaram outros três pilotos a ingressar oficialmente no campeonato (Nico Hülkenberg, Pietro Fittipaldi e Jack Aitken). Magnussen foi o último colocado entre os que marcaram pontos em 2020.

Assim como houve com Grosjean, a Haas não ficou satisfeita com o desempenho do dinamarquês e decidiu não renovar seu contrato. Ele será substituído por Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, em 2021.

Desejamos a Kevin Magnussen boa sorte em 2021, seja lá qual for seu destino.

Foto: XPB Images

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Ironicamente, a melhor coisa que Magnussen fez durante a temporada foi seu abandono durante o GP de Monza, causando a primeira de muitas confusões. Além disso, o dinamarquês pouco evoluiu durante a temporada e assim como Grosjean, foi dispensado e será substituído por Nikita Mazepin, que também tem atitudes questionáveis.

 

  • Kimi Raikkonen

Kimi Raikkonen terminou o campeonato no décimo-sexto lugar, com quatro pontos (39 a menos que no ano passado). Pontuou apenas em duas corridas, na Toscana e na Emília-Romanha. Esta última foi sua melhor atuação do ano, pois conseguiu superar vários adversários com um carro inferior.

Infelizmente, Raikkonen parece estar longe de seus tempos de glória. Além de seus resultados estarem bem abaixo do desejável, o finlandês foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas do racismo. Sabe-se que Raikkonen é conhecido por seu jeito frio e despreocupado (que lhe renderam o apelido de “Homem de Gelo”), mas esta é uma situação que deve ser encarada com seriedade, não com desprezo. Ainda que Raikkonen, em sua posição como um homem branco e europeu, não tenha sofrido racismo em sua vida, deveria no mínimo ter empatia aos que são injustamente vítimas desse mal da humanidade.

Desejamos a Kimi Raikkonen que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: PA Images

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Um que já deveria estar aproveitando sua aposentadoria em alguma ilha luxuosa ou na fria Finlândia. Talvez pelo peso que seu nome carrega ou simplesmente para esquentar seu assento até um novo piloto estar pronto, Raikkonen segue sem impressionar em mais uma temporada. Na segunda temporada de Drive to Survive, a série documental da Netflix, Raikkonen diz indiretamente que pouco se importa em estar na F1, o que importa é o dinheiro. E é exatamente isso que suas performances demonstram. Mais um ano, veremos finlandês apenas completar o grid, seja pelos benefícios que sua imagem traz (mesmo sendo um piloto rude e pouco carismático) ou por falta de opção da Alfa Romeo. Uma pena para os novos pilotos que esperam sua oportunidade no esporte.

A falta de tato em suas atitudes e declarações sobre o racismo são repugnantes e demonstram como Raikkonen é ignorante e imerso em seu privilégio. Além de não se ajoelhar antes das corridas e muito menos se importar com a questão por trás deste ato, Raikkonen anda por aí com uma cruz muito parecida com um símbolo nazista, a Cruz de Ferro, projetada por Jesse G. James, ator e empresário conhecido por simpatizar com o nazismo (matéria em inglês).

 

  • Antonio Giovinazzi

Antonio Giovinazzi terminou o campeonato em décimo-sétimo lugar com quatro pontos (10 a menos que no ano passado). Pontuou em apenas três corridas: Áustria, Eifel e Emília-Romanha. Embora tenha terminado com a mesma pontuação de seu companheiro Kimi Raikkonen e tendo pontuado em mais ocasiões, a melhor posição de cada um foi adotada como critério de desempate: Raikkonen terminou duas vezes no nono lugar, Giovinazzi teve um nono e dois décimos lugares.

Giovinazzi foi um dos seis pilotos que se recusou a se ajoelhar em solidariedade às vítimas de racismo. Com isso, a Alfa Romeo se tornou a única equipe que não teve nenhum atleta a se compadecer com a situação. É lamentável que Giovinazzi e Raikkonen tenham manchado o nome de sua equipe dessa forma.

Desejamos a Antonio Giovinazzi que em 2021 ele tenha melhores resultados e prudência em suas decisões.

Foto: Motorsport Images

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Por muitas vezes, esqueci que Giovinazzi estava sequer correndo. Seja por limitações do carro ou por ser apenas um piloto mediano, o italiano ainda não mostrou ao que veio. Por isso, é difícil ter alguma opinião formada sobre ele.

 

  • George Russell

O caso de George Russell é um pouco diferente dos demais pilotos. Na Williams, não foi capaz de pontuar uma única vez. Em sua única corrida pela Mercedes, no Grande Prêmio do Sakhir, como substituto de Lewis Hamilton (que estava com Covid), conseguiu apenas o nono lugar (devido a um erro no pit stop). Por um lado, é uma pena que a própria equipe tenha ceifado a oportunidade de Russell de demonstrar um bom serviço, já que o mesmo superou o titular Valtteri Bottas logo no início da prova. Por outro, foi um belo castigo aos racistas que o utilizaram como escudo para atacar Lance Stroll (alguns usuários do Twitter declararam que estavam torcendo para Russell com todas as forças para que ele superasse Stroll, mesmo o canadense tendo resultados mais brilhantes na carreira – inclusive na Williams – porque Stroll é índio e Russell é branco). Ressaltamos que entre Russell e Stroll não há nenhuma inimizade e que o inglês chegou a cumprimentar o canadense por sua primeira pole. Por causa disso, parabenizamos a primeira pontuação de Russell na carreira, pois ele não tem culpa que gente de moral questionável use seu nome e imagem para fins maléficos.

Se em 2019 Russell foi o único a não pontuar, perdendo para o companheiro Robert Kubica que dirigia com apenas um braço, em 2020 o inglês foi o décimo-oitavo colocado no campeonato, com três pontos (dois pelo nono lugar e um pela volta mais rápida no Grande Prêmio do Sakhir, no qual foi substituído na Williams por Jack Aitken). Ainda é cedo para concluir algo de concreto sobre o talento de Russell, mas já se pode afirmar que ele provou que Bottas não está merecendo sua vaga na Mercedes (o finlandês parece ter medo de enfrentar pilotos jovens, como quando perdeu para Charles Leclerc em 2019 na Áustria na Bélgica). Ele inegavelmente tem muito potencial, mas este não será aproveitado na Williams. Se Max Verstappen recusar a Mercedes novamente, tanto Stroll quanto Russell se mostram ótimos candidatos a substituir Bottas.

Desejamos a George Russell boa sorte em 2021 para que ele consiga mostrar mais do que é capaz.

Foto: DPA

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Depois de tantos pedidos dos fãs nas redes sociais (na verdade, para que Russell substituísse Bottas na Mercedes), o britânico finalmente teve a sua chance de mostrar seu talento no melhor carro do grid e por um erro no pitstop da Mercedes, não conseguiu sua primeira vitória na F1 no movimentado GP de Sakhir. Porém, essa experiencia com a Mercedes serviu apenas para mostrar que ele está pronto para assumir o lugar de qualquer um dos pilotos quando for necessário. O britânico ainda é jovem, tanto em idade quanto em tempo de “casa” e terá tempo o suficiente para mostrar seu talento em equipes mais competitivas.

 

  • Nicholas Latifi

O estreante Nicholas Latifi, da Williams, foi o vigésimo-primeiro colocado do campeonato, sendo o único dos pilotos titulares que não conseguiu pontuar. Mas deve-se notar que foi vencido pelo companheiro George Russell em pontos unicamente porque o inglês participou do Grande Prêmio do Sakhir com a Mercedes (substituindo Lewis Hamilton, que estava com Covid). Isso não significa que um seja melhor do que o outro, mas sim que o desempenho do carro da Williams é tão ruim que nenhum de seus atletas consegue pontuar com aquela carroça.

Desejamos a Nicholas Latifi boa sorte em 2021 para que ele consiga desenvolver seu potencial.

Foto: F1 News

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O vice-campeão da Fórmula 2 de 2019 teve um pouco de dificuldade de desafiar seu companheiro de equipe, seja por conta das deficiências de seu carro ou da expêriencia de Russell. No comparativo lançado no final da temporada pelo perfil da F1, Latifi ficou atrás de Russell em todos os quesitos. O canadense terá a próxima temporada para se aproximar de Russell e quem sabe, superá-lo em alguma etapa. Pelo menos, o canandense tem bom humor para lidar com a longa fase ruim da Williams.

 

  • Bônus: Nico Hülkenberg

 

Como Sergio Pérez e Lance Stroll contraíram Covid, Nico Hülkenberg foi escolhido para substituí-los nas corridas em que ficaram ausentes (Grã-Bretanha, 70º Aniversário – Pérez – e Eifel – Stroll). Com isso, o alemão terminou o campeonato em décimo-quinto lugar, com 10 pontos (obtidos nos Grandes Prêmios do  70º Aniversário e do Eifel, pois na Grã-Bretanha um problema no motor o impediu de largar). Nota-se que ele ficou à frente de seis pilotos titulares e de oito no total (considerando as participações de Jack Aitken e Pietro Fittipaldi, que não conseguiram pontuar).

Sua atuação mais elogiável foi no Grande Prêmio do Eifel, no qual foi eleito o “Piloto do Dia” após terminar a corrida em oitavo lugar. Embora tenha apresentado um bom trabalho como substituto, a conduta de Hülkenberg na Fórmula 1 não é das mais éticas. Basta lembrar que ele se recusou a reconhecer a importância do halo quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica de 2018 após um acidente causado pelo próprio Hülkenberg, e quando fez declarações misóginas ao defender a permanência das infames grid girls na Fórmula 1, revelando ser uma pessoa apática que acha que os carros devem ser perigosos (desde que sejam bonitos esteticamente) e que as mulheres devem, em pleno século XXI, serem vistas como objetos). Não conseguimos entender porque a Racing Point escolheu um sujeito destes para substituir pilotos tão educados e gentis como Pérez e Stroll.

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Bom, como Rebeca já usou essa reação em outros momentos da temporada, é a minha vez de usar uma foto para o meu comentário sobre Hülkenberg:

não sou capaz de opinar | Memes, Memes famosos, Novos memes

De qualquer maneira, o alemão continua sem pódios, mesmo após 10 anos como piloto de Fórmula 1. Equipes, por favor, não insistam mais nesse cara para o ano que vem e busquem saber mais sobre os outros pilotos reservas disponíveis e com muito mais talento que Hülkenberg, como o próprio Pietro Fittipaldi, que teve um ótimo desempenho nos GPs em que substituiu Grosjean – dentro do permitido pelo carro da Haas – e Alex Albon, que será reserva da Red Bull, que por sinal, já anunciou que o tailandês estará disponível para empréstimos às outras equipes na temporada de 2021. Por favor, o Hülkenberg já deu o que tinha que dar e provou que não é o bastante.

 

De maneira geral…

 

A temporada de 2020 trouxe um agravante na crise da Ferrari, a evolução da Racing Point e a continuação do desenvolvimento da McLaren, que permitiu que as duas equipes inglesas se mostrassem como potências na Fórmula 1, enquanto que o time italiano perde espaço. A Mercedes ainda é a força comandante da categoria, e a Red Bull continua em sua busca desesperada por uma oportunidade de lutar de igual para igual com a escuderia alemã. Algumas corridas, como Toscana , Turquia e Emília-Romanha decepcionaram em seus papéis como substitutas das corridas canceladas pela pandemia de Covid-19, enquanto outras, como Estíria e Sakhir proporcionaram belos show à categoria. Em 2021 haverá novos pilotos e outros desafios, tornando imprevisível seu resultado, mas esperamos que não haja outra pandemia para que a Fórmula 1 continue firme e forte de acordo com sua organização inicial.

The Alexander Albon Case: A Wasted Potential

Article dedicated to the reader Lucilene Mota, who asked for an analysis of Alexander Albon. Special thanks to Adriana Perantoni for the sources of Noemí de Miguel and the information about Antonio Pérez.

 

On December 18th, 2020, Red Bull Racing announced Sergio Pérez to race alongside Max Verstappen in 2021. Therefore, the British-Thai driver Alexander Albon got relegated to a reserve driver. Some controversies follow the circumstances of this situation at Red Bull. Some examples are their inability in making a car as good as Verstappenthe exit of Pérez from Racing Point after Sebastian Vettel acquired shares of its future owner, and Albon’s hiring in the middle of the 2019 season to replace Pierre Gasly (what generated a big hope over the new driver);

It notes that Red Bull is impatient to become the new challenger of Mercedes, given the fall in Ferrari’s performance and the rise of Racing Point in 2020. Aware of Verstappen’s ability, who conquered the team’s first wins since 2014, the Austrian team was looking for a teammate who could follow the Dutchman’s speed after the exit of Daniel Ricciardo for Renault with the end of the 2018 season. Albon ended up being a victim of this haste and having a humiliating exit from the constructor’s championship runner-up. This article will explain how it happened and why there was a big injustice with the athlete.

 

1- The 2019 season: the opportunity to shine

 

As explained earlier, Daniel Ricciardo’s departure led Red Bull to look for another talent to race alongside Max Verstappen. The duo had achieved excellent results from 2016 to 2018, which allowed the team to be runner-up and then third place (for two consecutive years) in the constructors’ championship. Replacing a driver who guaranteed victories and podiums for the team would not be easy, but Red Bull had a young name in mind: Pierre Gasly.

 

Pierre Gasly takes fourth place in the 2018 Bahrain Grand Prix. (Photo: Sky Sports) [1]

 

The French driver had excelled in Toro Rosso, having his best result so far, the fourth place in the Bahrain Grand Prix of 2018. They believed that if Gasly could reach such a high position in a car considered average, he would succeed in getting at least podiums in a top team. However, his performance in the first year with Red Bull was below expectations. While Verstappen was an almost constant presence on the podium, Gasly was behind Ferrari drivers (Sebastian Vettel and Charles Leclerc). Not being able to take advantage of the Italian team’s crisis (whose tension between the drivers was aggravating), the Frenchman got fewer points for Red Bull, which lost the chance to win the runners-up championship.

Unhappy with Gasly and Verstappen’s mismatch, consultant Helmut Marko convinced Red Bull officials to replace the Dutchman’s teammate. From the 2019 Belgian Grand Prix onwards, Alexander Albon would take the seat. It was too late for Red Bull to recover the loss, but they saw the new driver as a long-term investment (if he performed well, he would remain on the team the following year). Albon had commendable performances, as in the Russian Grand Prix (in which he started from the pits and finished in fifth place) and in Brazil (having a chance to get the first podium, but was reached by Lewis Hamilton with a few laps to go). Albon finished the championship in eighth place, with 92 points. Considering that he spent the first half of the season at Toro Rosso and only then went to a top team, the result is impressive. For this reason, he was elected by the Autosports Awards as the “Rookie of the Year” in 2019.

 

Alexander Albon being awarded the “Rookie of the Year” award in 2019. (Photo: FIA) [2]

 

2- 2020: “With great power comes great responsibility.”

 

This phrase from Uncle Ben, from “Spider-Man,” sums up the pressure that fell on Alexander Albon in his second season with Red Bull. The driver started the year well, having one more chance to get his first podium at the Austrian Grand Prix. An unfortunate coincidence prevented him from winning: again, a collision with Lewis Hamilton. In the following races, Albon reached the scoring zone, but in places much lower than Max Verstappen’s. The situation was soon similar to that of Pierre Gasly in 2019, but Helmut Marko chose not to fire the Thai in a hurry.

Two factors prevented immediate action by Red Bull. First, the second layoff in two consecutive years without the championship ending would put the team’s reputation in check. The switch from Gasly to Albon no longer seemed as justified in 2020 as it was in 2019, and taking out the Thai was in danger of resulting in yet another unsatisfactory replacement. Soon, Marko would be classified as “impetuous.” Second, AlphaTauri did not have the appropriate names to take Albon’s place. Bringing Gasly back would be “humiliating” for Red Bull (who would have to admit he “made a mistake” with the Frenchman), and Daniil Kvyat already had a ticket by the Austrian team, being fired at the beginning of the 2016 season and replaced by Verstappen. The switch from the Russian to the Dutch driver was the most assertive of Red Bull in recent years in the short, medium, and long term, which did not repeat with the following changes (this is because Verstappen is a separate case).

Helmut Marko (left) and Max Verstappen (right). (Photo: XPB) [3]

 

In the first half of 2020, Albon faced difficulties in training on Friday and Saturday, starting from intermediate places on the grid, which is not expected for a top team driver. Only in the Tuscan Grand Prix, a race marked by accidents that led almost half of the grid to abandon, the Thai got his well-deserved first podium after winning a duel with Daniel Ricciardo for third place. He repeated the result only at the Bahrain Grand Prix, in which Sergio Pérez’s car engine ignited the rear of the vehicle and forced the Mexican to abandon. Despite the podiums, Albon was nowhere near what Ricciardo had been for Red Bull, and Gasly’s victory in the Italian Grand Prix only added to the team’s embarrassment.

Pierre Gasly’s win at the 2020 Italian Grand Prix. (Photo: Matteo Bazzi/AP) [4]

 

The similarity between Albon’s performance in 2020 and Gasly’s in 2019 was just one ingredient in the change of drivers from Red Bull to 2021. Another reason is in the context of another team.

 

3- Changes in Racing Point: Sergio Pérez enters the game

 

In 2020 Racing Point started a landmark chapter in its history. The previous season served as a test for the team’s new plans, bought in the second half of 2018 by a consortium led by Lawrence Stroll after the Force India bankruptcy. Deciding to join the group of top teams, the English team had impressive results thanks to the joint work of the engineering department and its team of drivers, formed by Lance Stroll and Sergio Pérez.

For 2021, the team sought even more investments to continue its triumphant path. One of the agreements reached was with the French company Aston Martin, which will give its name to the team. Everything seemed to go as it was, but now with improvements approaching, a turnaround happened: Ferrari fired Sebastian Vettel for his disappointing performances, and months later, Racing Point announced him as its driver for 2021. His signing would not have been so controversial if were it not for the confusion of information reported to the press: Racing Point oscillated between denial and interest in Vettel, and the narratives of Pérez and the team leader, Otmar Sznafnauer, about whether the Mexican had previously been warned of the situation conflicted with each other. Journalist Adam Cooper later revealed the truth, reporting that Vettel had bought shares in Aston Martin, thereby securing a seat on the team (to better understand this case, read the article by Ricardo Hernandes Meyer here).

 

Otmar Sznafnauer, Racing Point’s team boss (left), and Sebastian Vettel (right). (Photo: XPB) [5]

 

They note Pérez is one of the most consistent drivers in Formula One. He has podiums under challenging races, as in the 2018 Azerbaijan Grand Prix. The journalist Noemí de Miguel, who reported first hand that Renault was negotiating the signing Fernando Alonso for 2021 (confirmed months later), stated that Red Bull planned to bring Pérez to be Max Verstappen’s teammate. One of the signs of this negotiation was when Antonio Pérez, the driver’s brother, started to follow Red Bull’s profile on Twitter. However, both “Checo” and the Austrian team preferred to keep the talks a secret (perhaps not to affect Albon’s results) and only announced the decision after the Abu Dhabi Grand Prix.

 

Among the profiles Antonio Pérez, Sergio’s brother, follows on Twitter por Antonio Pérez, is Red Bull’s. (Photo: Twitter) [6]

 

We can see that Racing Point’s and Ferrari’s actions also impacted Red Bull, mainly in Albon’s fate. The expectation was that Vettel would have a gap year to reflect on his mistakes and rethink his career, just as it did with Esteban Ocon. However, the German had a master’s strategy: buying shares in the owner company guarantees a place. Indeed the press will not emphasize this because it prefers to generate controversies over Stroll, which has nothing to do with the story (the reason is implicit). Pérez’s need for a seat and Red Bull’s desire to replace Albon without being like what happened to Pierre Gasly led to the Mexican’s hiring and, consequently, the Thai’s replacement.

 

4- Helmut Marko’s haste: the sacrifice of young Red Bull talents

 

The Red Bull consultant had previously told the press that “none of the young people on the team’s training program come close to Max Verstappen.” Such a statement is harmful to athletes, who feel their work devalued. Sport is indeed an area that demands pressure to result in achievements, but this comparison hinders young drivers’ self-confidence and frustrates the team’s plans. Also, Marko seems to put too much pressure on the athletes and not to do the same with the engineering department, unable to produce a car up to Verstappen’s potential despite allegedly working focused on the driver. Recalling that engineers are fundamental in the performance of a team in Formula One, as noted in Williams’s case.

Verstappen, as previously revealed, is an exceptional talent. As a teenager, he achieved victories, podiums, and records in a team that did not have the best car on the grid. It does not mean, however, that other drivers cannot be talented. Demanding a Verstappen clone from his students is an absurd attitude by Marko, as each person has their work style. Not even Max’s father, Jos Verstappen, had such brilliant career results as his son. If instead of demanding a second version of the Dutchman, Red Bull worked to develop both drivers’ potential, the team would have a better performance in the championships. But it seems that this team favors one athlete and wants the other, as observed in the first decade of 2010 with Sebastian Vettel and Mark Webber.

 

 

Marko even accused Albon of not having self-confidence. With a boss like this, it gets tricky. (Photo: GPBlog) [7]

 

Pierre Gasly’s victory in 2020 proved that each rider has his time to adapt and that excessive charges do not shape an athlete based on another just because the team’s board wishes. Unfortunately, while being an enemy of perfection, haste shows up as one of Marko’s values, which sacrifices Red Bull’s opportunities. The example of Racing Point, which preferred to “take it easy” in 2019 to rock out in 2020, demonstrates that caution should be the main ingredient of good planning, not anxiety.

Another essential point to note is the hiring of Yuki Tsunoda to race for AlphaTauri in 2021. As Daniil Kvyat is no longer able to satisfy the group, and Gasly does a great job, it is natural to fire the Russian to give the Japanese a chance. Although this means an impediment for Albon to return to AlphaTauri, Tsunoda should is not responsible for the Thai’s misfortune, as this is a new talent that will have a chance to present his work. As demonstrated earlier, the purchase of Vettel’s seat at Aston Martin influences Albon’s situation much more than the hiring of the Japanese driver.

 

5- Conclusions

 

Alexander Albon’s case only differs from that of Pierre Gasly in one point: the time Red Bull fired each of them. Both were victims of Helmut Marko’s haste and eagerness to have two riders with the performance of Max Verstappen, which places all the responsibility on young athletes. Both Albon and Gasly have proven their talent and deserve seats in Formula One but have suffered from the Austrian team’s conflict of interest, which wishes for triumph by choosing the wrong ways.

If Sebastian Vettel had not bought Aston Martin’s shares in his successful attempt to stay on track despite his impetuosity, perhaps Red Bull would have to keep Albon for longer. That’s because Racing Point would probably keep its drivers, as Lance Stroll and Sergio Pérez have excellent dynamics as teammates and guarantee remarkable results in the races. As the Mexican is more experienced and then has a more extensive curriculum, he became the ideal candidate for Red Bull to continue its fight against Mercedes, besides satisfying the desire to fire a driver whose “mistake” was “not being” Verstappen.

 

This is how Red Bull thinks: Verstappen is above any driver. [8]

 

Although he said he never suffered racism in his personal or professional life, some fans and journalists remember a case that is at least suspect. At the 2019 Italian Grand Prix, the stewards decided to punish him for an incident with Carlos Sainz Jr., even though it was the Spaniard who threw the opponent off the track. That was one of the actions that led to suspects of racism on the stewards (the others were the unfair decisions with Stroll and Lewis Hamilton), which hurt the three colored drivers on the grid to benefit white athletes. Albon may not have noticed the “coincidences” in the Italian Grand Prix’s decisions, but these cannot be ignored. Also, when speculation began about his departure from Red Bull, much was said about a possible interest by the company’s owners in keeping him from being Thai. Sponsoring companies are indeed interested in compatriot athletes in their respective sports categories, but Albon should not be remembered just for his ethnic origins. His work and effort justified his presence in Formula One.

Alexander Albon is yet another driver condemned for his team’s irresponsibility even though he is innocent. A similar case was that of Sergey Sirotkin, who left Formula One with the stigma of a “pay driver” although he was not to blame for Williams’s crisis (which was proved in the following years to be by its engineers and managers). Those directly responsible for leaving the Red Bull driver are Vettel (for causing Pérez to quit Racing Point when he bought Aston Martin shares) and Marko (for demanding perfection from his drivers quickly). But what can we consider the “culprit” for Albon’s misfortune is Red Bull’s segregationist policy, which prefers to turn one driver into a prince (even though he doesn’t have the resources to do so) and the other into a beggar when he could turn them both into heroes. If they do not change their strategies, the Austrian team is in danger of going through a crisis similar to that of Ferrari, and other “Albons” will be sacrificed in the process.

 

In short. [9]

6- Read also:

 

 

7- Bibliography

 

 

8- Photos

Note: None of the photos used in this article, except the montages, belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado

Matéria dedicada à leitora Lucilene Mota, que pediu uma análise a respeito de Alexander Albon. Agradecimentos especiais a Adriana Perantoni pela fonte de Noemí de Miguel e as informações sobre Antonio Pérez.

 

No dia 18 de dezembro de 2020, a equipe Red Bull Racing anunciou a contratação de Sergio Pérez para correr ao lado de Max Verstappen em 2021. Com isso, o piloto anglo-tailandês Alexander Albon foi rebaixado ao posto de piloto reserva. Algumas controvérsias acompanham as circunstâncias dessa situação na Red Bull, como a incapacidade do time de fazer um carro à altura de Verstappen, a saída de Pérez da Racing Point após Sebastian Vettel comprar ações da futura proprietária da escuderia, e a própria contratação de Albon em 2019 no meio da temporada para substituir Pierre Gasly (que gerou uma grande expectativa em cima do novo piloto).

Percebe-se que a Red Bull está impaciente para se tornar a nova desafiante da Mercedes, dada a queda de rendimento da Ferrari e a ascensão da Racing Point em 2020. Ciente da habilidade de Verstappen, que conquistou as primeiras vitórias do time desde 2014, o time austríaco buscava um companheiro de equipe que acompanhasse o ritmo do holandês após a saída de Daniel Ricciardo para a Renault com o fim da temporada de 2018. Albon acabou sendo vítima dessa pressa e tendo uma saída humilhante da atual vice-campeã de construtoras. Nessa matéria, vamos explicar como isso aconteceu e porque houve uma grande injustiça com o atleta.

 

1- Temporada de 2019: a oportunidade de brilhar

 

Como explicado anteriormente, a saída de Daniel Ricciardo levou a Red Bull a procurar outro talento para correr ao lado de Max Verstappen. A dupla havia obtido resultados excelentes de 2016 a 2018, o que permitiu que a escuderia fosse vice-campeã e depois terceira colocada (por dois anos consecutivos) no mundial de construtoras. Substituir um piloto que garantia vitórias e pódios ao time não seria uma tarefa fácil, mas a Red Bull tinha um jovem nome em mente: Pierre Gasly.

 

Pierre Gasly conquista o quarto lugar do Grande Prêmio do Bahrein de 2018. (Foto: Sky Sports) [1]

 

O piloto francês havia se destacado na Toro Rosso, tendo seu melhor resultado até então um quarto lugar no Grande Prêmio do Bahrein de 2018. Acreditava-se que se Gasly era capaz de chegar a uma posição tão alta em um carro considerado mediano, conseguiria no mínimo pódios em uma equipe de ponta. No entanto, seu desempenho no primeiro ano com a Red Bull ficou abaixo do esperado. Enquanto Verstappen era uma presença quase constante no pódio, Gasly ficava atrás dos pilotos da Ferrari (Sebastian Vettel e Charles Leclerc). Não sendo capaz de aproveitar a crise do time italiano (cuja tensão entre os pilotos era um agravante), o francês conseguia menos pontos para a Red Bull, que perdia a chance de conquistar o vice-campeonato de construtoras.

Descontente com o descompasso entre Gasly e Verstappen, o consultor Helmut Marko convenceu os dirigentes da Red Bull a substituir o companheiro de equipe do holandês. A partir do Grande Prêmio da Bélgica de 2019, Alexander Albon assumiria essa vaga. Já era tarde para a Red Bull recuperar o prejuízo, mas o novo piloto era visto como um investimento a longo prazo (se tivesse uma boa performance, continuaria no time no ano seguinte). Albon teve atuações elogiáveis, como no Grande Prêmio da Rússia (no qual largou dos boxes e terminou em quinto lugar) e no do Brasil (tendo uma chance de conseguir o primeiro pódio, mas foi atingido por Lewis Hamilton faltando poucas voltas para o fim). Albon terminou o campeonato em oitavo lugar, com 92 pontos. Considerando que o mesmo passou a primeira metade da temporada na Toro Rosso e só então foi para uma equipe de ponta, o resultado é impressionante. Por isso, foi eleito pelo Autosports Awards como o “Estreante do Ano” em 2019.

 

Alexander Albon sendo premiado como “Estreante do Ano” de 2019. (Foto: FIA) [2]

 

2- 2020: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”

 

Essa frase do Tio Ben, de “Homem-Aranha”, resume a pressão que caiu sobre Alexander Albon em sua segunda temporada com a Red Bull. O piloto começou o ano bem, tendo mais uma chance de conseguir o primeiro pódio, no Grande Prêmio da Áustria, mas uma infeliz coincidência impediu a conquista: novamente, uma colisão com Lewis Hamilton. Nas corridas seguintes, Albon alcançava a zona de pontuação, mas em lugares bem inferiores aos de Max Verstappen. Logo, a situação era semelhante à de Pierre Gasly em 2019, mas Helmut Marko optou por não demitir o tailandês apressadamente.

Havia dois fatores que impediam uma ação imediata por parte da Red Bull. Em primeiro lugar, uma segunda demissão em dois anos consecutivos sem que o campeonato terminasse colocaria em xeque a reputação do time. A troca de Gasly por Albon já não parecia tão justificada em 2020 quanto era em 2019, e tirar o tailandês corria o risco de resultar em mais uma substituição não muito satisfatória. Logo, Marko seria taxado como “impetuoso”. Em segundo lugar, a AlphaTauri não tinha nomes apropriados para ocupar o lugar de Albon: trazer Gasly de volta seria “humilhante” para a Red Bull (que teria que admitir que “errou” com o francês), e Daniil Kvyat já tinha passagem pelo time austríaco, sendo demitido no começo da temporada de 2016 e substituído por Verstappen. A troca do russo pelo holandês foi a mais assertiva da Red Bull nos últimos anos a curto, médio e longo prazo, o que não se repetiu com as mudanças seguintes (isso porque Verstappen é um caso à parte).

 

Helmut Marko (esquerda) e Max Verstappen (direita). (Foto: XPB) [3]

 

O que se observou na primeira metade de 2020 é que Albon enfrentava dificuldades nos treinos de sexta e sábado, largando de lugares intermediários do grid, o que não é esperado para um piloto de equipe de ponta. Apenas no Grande Prêmio da Toscana, corrida marcada por acidentes que levaram quase a metade do grid a abandonar, o tailandês conseguiu seu merecido primeiro pódio após vencer um duelo com Daniel Ricciardo pelo terceiro lugar. O resultado se repetiu apenas no Grande Prêmio do Bahrein, no qual o motor do carro de Sergio Pérez incendiou a parte traseira do veículo e forçou o mexicano a abandonar. Apesar dos pódios, Albon não estava perto do que havia sido Ricciardo para a Red Bull, e a vitória de Gasly no Grande Prêmio da Itália somente agravou o constrangimento do time.

 

Vitória de Pierre Gasly no Grande Prêmio da Itália de 2020. (Foto: Matteo Bazzi/AP) [4]

 

A semelhança entre o desempenho de Albon em 2020 e de Gasly em 2019 foi apenas um dos ingredientes da mudança de pilotos da Red Bull para 2021. Outro motivo se encontra no contexto de outra equipe.

 

3- Mudanças na Racing Point: Sergio Pérez entra na jogada

 

Em 2020 a Racing Point iniciou um capítulo marcante de sua história. A temporada anterior serviu como um teste para os novos planejamentos da equipe, comprada na segunda metade de 2018 por um consórcio liderado por Lawrence Stroll após a falência da Force India. Decidida a entrar no grupo das equipes de ponta, a escuderia inglesa teve resultados impressionantes graças ao trabalho conjunto do departamento de engenharia e de sua dupla de pilotos, formada por Lance Stroll e Sergio Pérez.

Para 2021, o time buscou ainda mais investimentos para continuar seu caminho triunfante. Um dos acordos obtidos foi com a empresa francesa Aston Martin, que dará seu nome à equipe. Tudo parecia seguir exatamente como estava, porém com melhorias se aproximando, até que uma reviravolta aconteceu: Sebastian Vettel foi demitido da Ferrari por suas performances decepcionantes e meses depois foi anunciado como piloto da Racing Point para 2021. Sua contratação não teria sido tão polêmica se não fosse pela confusão de informações relatadas à imprensa: a Racing Point oscilava entre a negação e o interesse por Vettel, e as narrativas de Pérez e do chefe de equipe, Otmar Sznafnauer, sobre se o mexicano havia sido previamente avisado da situação conflitavam entre si. A verdade foi revelada mais tarde pelo jornalista Adam Cooper, que relatou que Vettel havia comprado ações da Aston Martin, e com isso garantiu um assento no time (para entender melhor este caso, leia o artigo de Ricardo Hernandes Meyer aqui).

 

Otmar Sznafnauer, chefe de equipe da Racing Point (esquerda), e Sebastian Vettel (direita). (Foto: XPB) [5]

 

Pérez é notado por ser um dos pilotos mais consistentes da Fórmula 1. Em seu currículo encontram-se pódios em corridas difíceis, como no Grande Prêmio do Azerbaijão de 2018. A jornalista Noemí de Miguel, que relatou em primeira mão que a Renault negociava a contratação de Fernando Alonso para 2021 (confirmada meses depois), afirmava que a Red Bull planejava trazer Pérez para correr ao lado de Max Verstappen. Um dos indícios dessa negociação foi quando Antonio Pérez, irmão do piloto, passou a seguir o perfil da Red Bull no Twitter. No entanto, tanto “Checo” quanto a equipe austríaca preferiram manter as conversas em segredo (talvez para não afetar os resultados de Albon) e somente anunciaram a decisão após o Grande Prêmio de Abu Dhabi.

 

Entre os perfis seguidos no Twitter por Antonio Pérez, irmão de Sergio, está o da Red Bull. (Foto: Twitter) [6]

 

Percebe-se que as ações da Racing Point e da Ferrari também tiveram impacto na Red Bull, principalmente no destino de Albon. Esperava-se que Vettel teria um ano sabático para refletir sobre seus erros e repensar sua carreira, tal como houve com Esteban Ocon. No entanto, o alemão teve uma estratégia de mestre: comprando ações da empresa dona, garante uma vaga. É claro que a imprensa de maneira geral não vai ressaltar esse fato, pois prefere gerar controvérsias em cima de Stroll, que não tem nada a ver com a história (o motivo fica implícito). A necessidade de vaga de Pérez e o desejo da Red Bull por substituir Albon sem que isso se parecesse com o caso de Pierre Gasly propiciaram a contratação do mexicano e, consequentemente, a substituição do tailandês.

 

4- A pressa de Helmut Marko: o sacrifício dos jovens talentos da Red Bull

 

O consultor da Red Bull já havia dito para a imprensa que “nenhum dos jovens do programa de treinamento da equipe chega perto de Max Verstappen”. Tal afirmação é prejudicial para os atletas, que sentem uma desvalorização de seu trabalho. É certo que o esporte é uma área que demanda pressão para resultar em conquistas, mas esse tipo de comparação não apenas atrapalha a autoconfiança dos jovens pilotos como também frustra os planos da própria equipe. Somado a isso, Marko parece pressionar demais os atletas e não fazer o mesmo com o departamento de engenharia, incapaz de produzir um carro à altura do potencial de Verstappen apesar de alegadamente trabalhar focado no piloto. Lembrando que os engenheiros são fundamentais no desempenho de uma escuderia na Fórmula 1, como se observou no caso da Williams.

Verstappen, como revelado anteriormente, é um talento excepcional. Ainda adolescente conseguiu vitórias, pódios e recordes em uma equipe que não tinha o melhor carro do grid. Isso não significa, porém, que outros pilotos não possam ser bons. Exigir de seus alunos um clone de Verstappen é uma atitude absurda de Marko, pois cada pessoa tem seu estilo de trabalho. Nem mesmo o pai de Max, Jos Verstappen, teve resultados tão brilhantes na carreira quanto o filho. Se em vez de exigir uma segunda versão do holandês a Red Bull trabalhasse para desenvolver o potencial de ambos os pilotos, o time teria uma performance melhor nos campeonatos. Mas parece que essa escuderia privilegia um atleta e pretere o outro, como observado na primeira década de 2010 com Sebastian Vettel e Mark Webber.

 

Marko chegou a acusar Albon de não ter confiança. Com um chefe desses fica difícil. (Foto: GPBlog) [7]

 

A vitória de Pierre Gasly em 2020 provou que cada piloto tem seu tempo de adaptação e que cobranças excessivas não moldam um atleta baseado em outro somente porque o conselho da equipe deseja. Lamentavelmente, embora seja inimiga da perfeição, a pressa se mostra como um dos valores de Marko e isso sacrifica as oportunidades da Red Bull. O exemplo da Racing Point, que preferiu “ir com calma” em 2019 para arrasar em 2020, demonstra que cautela deve ser o principal ingrediente de um bom planejamento, não ansiedade.

Outro ponto importante a ser notado é a contratação de Yuki Tsunoda para correr pela AlphaTauri em 2021. Como Daniil Kvyat não consegue satisfazer mais o grupo e Gasly faz um ótimo trabalho, é natural que o russo seja demitido para dar uma chance ao japonês. Embora isso signifique um impedimento para que Albon volte à AlphaTauri, Tsunoda não deve ser responsabilizado pelo infortúnio do tailandês, pois trata-se de um novo talento que terá uma chance de apresentar seu trabalho. Como demonstrado anteriormente, a compra de assento de Vettel na Aston Martin influencia muito mais a situação de Albon do que a contratação do piloto japonês.

 

5- Conclusões

 

O caso de Alexander Albon apenas se difere do de Pierre Gasly no tempo em que cada um foi demitido da Red Bull. Ambos foram vítimas da pressa e da ânsia de Helmut Marko em ter dois pilotos com o desempenho de Max Verstappen, o que descarrega toda a responsabilidade nos jovens atletas. Tanto Albon quanto Gasly provaram ter talento e merecem assentos na Fórmula 1, mas sofreram com o conflito de interesses da equipe austríaca, que deseja o triunfo optando pelos meios errados.

Caso Sebastian Vettel não tivesse comprado as ações da Aston Martin, em sua tentativa bem sucedida de se manter nas pistas apesar de sua impetuosidade, talvez a Red Bull tivesse que manter Albon por mais tempo. Isso porque provavelmente a Racing Point manteria seus pilotos, já que Lance Stroll e Sergio Pérez têm uma ótima dinâmica como companheiros e garantem ótimos resultados nas corridas. Como o mexicano é mais experiente, e com isso tem um currículo mais extenso, ele se tornou o candidato ideal para a Red Bull prosseguir em sua luta contra a Mercedes, além de satisfazer a vontade de demitir um piloto cujo “erro” foi não ser igual a Verstappen.

 

É assim que a Red Bull pensa: Verstappen está acima de qualquer piloto. [8]

 

Embora tenha dito que nunca sofreu racismo em sua vida pessoal ou profissional, alguns torcedores e jornalistas se lembram de um caso no mínimo suspeito. No Grande Prêmio da Itália de 2019, os comissários decidiram puni-lo por um incidente com Carlos Sainz Jr., mesmo tendo sido o espanhol a lançar o adversário para fora da pista. Esta foi uma das ações que levaram às suspeitas de racismo por parte dos comissários (as outras foram as decisões injustas com Stroll e Lewis Hamilton), que prejudicaram os três pilotos de cor do grid em benefício de atletas brancos. Talvez Albon não tenha percebido as “coincidências” nas decisões tomadas no Grande Prêmio da Itália, mas estas não podem ser ignoradas. Além disso, quando começaram as especulações a respeito de sua saída da Red Bull, muito se falou de um possível interesse dos donos da empresa em mantê-lo por ele ser tailandês. É certo que empresas patrocinadoras se interessam por atletas compatriotas em suas respectivas categorias esportivas, mas Albon não deve ser lembrado apenas por suas origens étnicas. Seu trabalho e esforço justificaram sua presença na Fórmula 1.

Alexander Albon é mais um piloto condenado pela irresponsabilidade de sua equipe mesmo sendo inocente. Um caso parecido foi o de Sergey Sirotkin, que saiu da Fórmula 1 com o estigma de “piloto pagante” embora não tivesse culpa pela crise enfrentada pela Williams (que foi provada nos anos seguintes ser de seus engenheiros e dirigentes). Os responsáveis diretos pela saída do piloto da Red Bull são Vettel (por ter causado a saída de Pérez da Racing Point ao comprar as ações da Aston Martin) e Marko (por exigir perfeição de seus pilotos em pouco tempo), mas o que podemos considerar a “culpada” pelo infortúnio de Albon é a política segregacionista da Red Bull, que prefere transformar um piloto em príncipe (mesmo não tendo os recursos para isso) e o outro em mendigo, quando poderia transformar ambos em heróis. Se não mudar suas estratégias, a equipe austríaca corre o risco de passar por uma crise semelhante à da Ferrari e outros “Albons” serão sacrificados no processo.

 

Resumo da ópera. [9]

 

6- Leia também:

 

 

7- Bibliografia

 

 

8- Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo (exceto as montagens) pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

 

Análise Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 | 2020 Abu Dhabi Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 13 de dezembro, o Grande Prêmio de Abu Dhabi foi a última corrida da temporada de 2020. O circuito de Yas Marina traz uma paisagem linda ao espetáculo da Fórmula 1, no entanto seu traçado não é propício a ultrapassagens. Logo, as corridas em Abu Dhabi costumam terminar de maneira semelhante à que começam.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Valtteri Bottas (Mercedes). Esta é apenas a segunda vez que um carro de uma equipe diferente da Mercedes começa a corrida do primeiro lugar, a primeira foi com Lance Stroll (Racing Point) no Grande Prêmio da Turquia. Lewis Hamilton (Mercedes) voltou ao grid após se recuperar da Covid-19. Durante as primeiras voltas não houve muitas surpresas, mas Sergio Pérez (Racing Point) indicava que mudaria o rumo da corrida. Largando em 19º devido a uma troca no motor, o mexicano foi passando os adversários um a um. Infelizmente, foi obrigado a abandonar devido a um problema no mesmo motor. Com isso, o safety car foi acionado.

Muitos pilotos aproveitaram para trocar os pneus. Um deles foi Carlos Sainz Jr. (McLaren), que andou excessivamente lento nos boxes e foi investigado pelos comissários. No entanto, estes decidiram analisar o caso após a corrida. Os pilotos da Ferrari, Charles Leclerc e Sebastian Vettel, foram alguns dos que não fizeram trocas de pneus, consequentemente acabaram atrapalhando o desempenho de alguns pilotos, como Stroll, Pierre Gasly (AlphaTauri) e seu companheiro Daniil Kvyat. Outro que não fez pit stop durante o safety car foi Daniel Ricciardo (Renault). Lando Norris (McLaren) foi orientado pela equipe a passá-lo, mas isso só foi possível quando Ricciardo trocou os pneus.

Max Verstappen foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Lewis Hamilton emm terceiro. A análise de hoje foi curta porque não houve praticamente nenhum momento emocionante. Foi uma pena que Sergio Pérez tenha abandonado, pois sua última corrida foi excelente: foi de vítima de um acidente a vencedor. No mais, o Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 só provou o que foi dito no começo da análise: pista bonita, corrida chata. Nos vemos em breve na análise da temporada. Este ano teremos surpresas.

É a segunda vez que eu (Rebeca) fico igual ao Hiashi depois de uma corrida.

Nota: Como Adriana não está se sentindo bem, hoje apenas Rebeca dará opinião e notas. Desejamos melhoras à Adriana

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 foi uma corrida tediosa. A FOM acabou mostrando praticamente apenas o meio do grid porque a ponta estava tranquila. Uma vez disse a um amigo (que por sinal é editor-chefe de um grande site de Fórmula 1 aqui do Brasil e esteve na minha banca de TCC: abraços para o Gabriel) que toda corrida vencida por Max Verstappen é emocionante (lembrem-se por exemplo do Grande Prêmio da Espanha de 2016 e do Grande Prêmio da Alemanha de 2019). Mas esta foi a exceção.

Sem falar no quão é ruim quando temos um comentarista que só fala besteira: é o caso de Luciano Burti, que agiu como cheerleader da McLaren, alegando uma conduta imprópria da Racing Point (como se a McLaren fosse exemplo de ética esportiva, vide o escândalo de espionagem em 2007). Espero que para o ano que vem a equipe brasileira responsável pela narração e comentários da Fórmula 1 seja outra, pois esta definitivamente já deu o que tinha que dar.

Notas

Corrida: 3

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Valtteri Bottas: 9
  3. Lewis Hamilton: 9
  4. Alexander Albon: 9
  5. Lando Norris: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 8
  7. Daniel Ricciardo: 8
  8. Pierre Gasly: 7,5
  9. Lance Stroll: 7
  10. Daniil Kvyat: 6
  11. Kimi Raikkonen: 6
  12. Charles Leclerc: 3
  13. Sebastian Vettel: 3
  14. George Russell: 5
  15. Antonio Giovinazzi: 5
  16. Nicholas Latifi: 6
  17. Kevin Magnussen: 5
  18. Pietro Fittipaldi: 5

 

Abandonou

  1. Sergio Pérez: 10 de consolação

 

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Max Verstappen

Piores pilotos: Charles Leclerc e Sebastian Vettel

Formula One: The Business Sport

Virtually all the Formula One fans love the sport for its competition. A proof of this is the television audience rates in the 2010s: in Brazil, at least, the number of viewers was falling year after year during the Turbo Era, which marked the dominance of Sebastian Vettel, while it began to increase at record levels when it started a certain balance between Mercedes, Ferrari, and Red Bull. However, fans get so emotional from the cars’ disputes that they forget about a definitive factor in Formula One: money.

I decided to do this article because of an unpleasant episode that happened to a friend of mine. In a Whatsapp group, she was talking to a professor and, to reinforce her point of view, included a weblink to an article on the Motorsport website signed by Adam Cooper, which reported on the investments of Sebastian Vettel in Aston Martin. Behold, a man appears and then laughs at her comment, finding it absurd that someone says that a four-time champion buys a place in a team, even if the facts show just that. My friend responded well, arguing that Vettel was not indeed acting as a four-time champion (look at his accidents and results, which in no way resemble his champion days). But the man kept making fun of (and still questioned the journalistic quality of Cooper, an experienced and respected journalist in the area), ignoring a simple question: Why would anyone invest in a team in which they could not participate?

This story proved that the mentioned guy does not know Formula One well, but I know that many fans also do not realize the sport’s financial character. It is no wonder that many journalists try to sell sensationalist headlines based on creating controversies about money instead of informing fans about the role of money in Formula One. As we propose to inform and raise awareness, here is the real face of world motorsport’s top category.

 

1- Expensive sport, investors rule

 

Anyone who accesses the Formula One website notes that there is a part reserved for partners, in other words, the sponsors. As Paulo Mourão well defined in his book The Economics of Motorsports: The Case of Formula One (2017), the costs of running each race are around millions of euros, as there are high material and human demands. Everything costs money in Formula One: the structures of the track and the paddock, the cars’ engineering, the physical preparation of the drivers, transport, the salary of the employees, among other components of the category. Not to mention the many sectors that benefit from this process (hospitality, fuel, tourism, etc.). As you may know, money does not grow on trees, so resources are needed to make all of this possible. Therefore, it is the sponsoring companies that invest in the category for this purpose (other than Formula One revenues, such as selling tickets and consumables, taxes, transmission agreements, contribution rates for teams and organizers).

 

Bernie Ecclestone (the former owner of Formula One) and Chase Carey (the current CEO of Fórmula One). [1]

 

As well explained in the article Understand the Esteban Ocon Case (2019), the high costs of Formula One make it difficult for drivers who do not have significant financial support to cover the team’s expenses. Unfortunately, the sports media fails to teach the public that this is an intrinsic characteristic of the category. However, the following logic can explain it: the press vehicles are usually sponsored and therefore avoid demolishing investments in general, and sensationalism ends up being a profitable business, as it holds more people’s attention and helps to disseminate the materials. In other words: it is easier to label drivers and teams than to show that everything in Formula One is related to money.

 

2- The case of Sebastian Vettel

 

It is not uncommon to see drivers expanding their area of expertise. We had the cases of Jack Brabham, Jackie Stewart, and Emerson Fittipaldi as team owners, Niki Lauda was a shareholder and adviser to Mercedes, Alain Prost became an ambassador for Renault, among others. More recently, we had Lawrence Stroll, father of Lance, as a majority partner at Racing Point, and Nico Rosberg as the manager of Robert Kubica (although he quit from the role months later). But the case of Sebastian Vettel has peculiarities that are fundamental to understanding the situation.

 

Fired from Ferrari, Vettel invested in Aston Martin. The event did not generate much controversy (if it were with other driver…) [2]

 

To start, except for Jack Brabham, all the drivers mentioned above (Fittipaldi, Prost, Roberg, and Stewart) entered the business world when they were no longer on the tracks. Sebastian Vettel is a member of the current grid and found himself on the edge of a precipice when Ferrari fired him. After all, as explained in the article The Dismissal of Sebastian Vettel, they were losing money and credibility with the German driver’s constant accidents; Remembering that the teams receive for their results, which are better when the drivers have consistent performances. It was useless to have won four titles with Red Bull in the early 2010s as nowadays, with Ferrari, he was wasting good chances to score points. But Vettel did not give up and was willing to do anything to continue in Formula One, so he looked for an opportunity to invest in a team: he would make money as a driver and shareholder.

However, it could not be any team but one with great potential and real chances of triumph. Nobody wondered why Vettel did not buy Williams shares as Toto Wolff did? Or Haas? To realize why he got so interested in Racing Point, look at its growth in 2020; And unlike Wolff, who was thinking about marketing gains, Vettel wants to clean up his image and bring a glorious new chapter to his athletic career.

 

3- Conclusion

 

Even if the fans do not realize it, sport is a business. That is not the only case of Formula One (Brazilians will remember Neymar’s transfer from Santos to Barcelona, known as Neymargate). Sometimes the press does not instruct the fans properly because as much are people lay on the subject, the greater the chances of believing in sensationalist headlines and feeding a certain fanaticism through controversies. Therefore, many fans still do not realize that business is a much more significant component of Formula One than the competition itself.

 

The case of Neymar is one more proof of the inherent relation between money and sports. [3]

 

So, if you think that Sebastian Vettel does not need to buy seats because he was victorious in the past (even though this is, indeed, the current situation) or that Nico Rosberg managed Robert Kubica for charity, know that you are analyzing the case in a shallow way. And there is no point in laughing or trying to disqualify the other based on sex or age. Both sides must inform themselves to have a reasonable debate.


Bibliography

About Brazilian television audience rates

  • ANDRADE, Vinícius. Mais vista em oito anos, temporada da F1 na Globo alcança 98 milhões de pessoas. Notícias da TV. 03 Dec. 2019. Available on: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/mais-vista-em-oito-anos-temporada-da-f1-na-globo-alcanca-98-milhoes-de-pessoas-31408>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • BETTING, Erich. F-1 voltou a ser esporte de nicho. É o adeus à TV aberta? UOL. 16 Nov. 2015. Available on: <https://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2015/11/16/f-1-voltou-a-ser-esporte-de-nicho-e-o-adeus-a-tv-aberta/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • CARUSO, Ricardo. Ladeira abaixo: despenca a audiência da Fórmula 1. Band.com.br. São Paulo, 17 Jun. 2014. Available on: <http://autoetecnica.band.uol.com.br/ladeira-abaixo-despenca-a-audiencia-da-formula-1/>. Accessed on 07 dez. 2020.
  • FELTRIN, Ricardo. Em dez anos, ibope da Fórmula 1 despenca 55% na Globo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 27 Dec. 2012. Available on: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/ricardofeltrin/1159661-em-dez-anos-ibope-da-formula-1-despenca-55-na-globo.shtml>. Accessed em 07 Dec. 2020.
  • LANCEPRESS. Com novo domínio de Vettel, Fórmula 1 registra queda de audiência em 2013. O Globo. Available on: <https://oglobo.globo.com/esportes/com-novo-dominio-de-vettel-formula-1-registra-queda-de-audiencia-em-2013-11499993>. Acsessed on 07 Dec. 2020.
  • NOTÍCIAS DA TV. Fórmula 1 derruba audiência da Globo e é ultrapassada pela Record. Notícias da TV. 08 Jun. 2014. Available on: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/formula-1-derruba-audiencia-da-globo-e-e-ultrapassada-pela-record-3678>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • QUINTANILHA, Sergio. Por que a Fórmula 1 se tornou o programa mais chato do mundo. Terra. 30 Apr. 2017. Available: <https://motorshow.com.br/por-que-formula-1-se-tornou-o-programa-mais-chato-mundo/>. Accessed on 07 Dez. 2020.
  • ROVADOSCHI, Guilherme. Domingo emudecido. Beta Redação. 11 abr. 2016. Available on: <http://www.betaredacao.com.br/domingo-emudecido/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LUCAS, Naian. Fórmula 1 é vista por quase 100 milhões e tem melhor Ibope em 8 anos na Globo. Na Telinha. 03 Dec. 2019. Available on: <https://natelinha.uol.com.br/televisao/2019/12/03/formula-1-e-vista-por-quase-100-milhoes-e-tem-melhor-ibope-em-8-anos-na-globo-137622.php>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOTORSPORT. Globo tem melhor audiência da F1 em oito anos e 13% de crescimento em relação a 2018. Motorsport. São Paulo, 03 dez. 2019. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/globo-tem-melhor-audiencia-da-f1-em-oito-anos-e-13-de-crescimento-em-relacao-a-2018/4606412/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOTORSPORT. GP de 70 anos faz Globo ter recordes de audiência em 2020. Motorsport. 10 ago. 2020. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/gp-de-70-anos-da-f1-faz-globo-ter-recordes-de-audiencia-em-2020/4854125/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PADIGLIONE, Cristina. Globo perdeu 50% da audiência da F-1 em 19 anos, mas já teve dias piores. TelePadi. São Paulo, 28 ago. 2020. Available on: <https://telepadi.folha.uol.com.br/globo-perdeu-50-da-audiencia-da-f-1-em-18-anos-mas-ja-teve-dias-piores/>. Accessed on 07 Dec. 2020.

About the article itself

  • FEDERATION INTERNACIONAL DE L’AUTOMOBILE. Formula 1 Partners. Formula1.com. Available on: <https://www.formula1.com/en/toolbar/partners.html>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MOURÃO, Paulo. The Economics of Motorsports: The Case of Formula One. 1. ed. Vila Real, Portugal. Palgrave Macmillan, 2017. 303 p.
  • GAVINELLI, Gabriel. Após prejuízos seguidos, Fórmula 1 volta a lucrar em 2019. F1Mania. 27 Feb. 2020. Available on: <https://f1mania.lance.com.br/f1/apos-prejuizos-seguidos-formula-1-voltar-a-lucrar-em-2019/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. Understand the Esteban Ocon Case. The Racing Track. São Paulo, 10 Aug. 2019. Available on: <https://theracingtrack.com/understand-the-esteban-ocon-case/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 Apr. 2011. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • NOBLE, Jonathan. Rosberg recua e não é mais empresário de Kubica. Motorsport. 20 Apr. 2018. Available on: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/rosberg-recua-e-nao-e-mais-de-empresario-de-kubica-1028256/3059907/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. The Dismissal of Sebastian Vettel: Justice or Injustice? The Racing Track. São Paulo, 12 May. 2020. Available on: <https://theracingtrack.com/the-dismissal-of-sebastian-vettel-justice-or-injustice/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • COOPER, Adam. Vettel acquires shares in Aston Martin ahead of 2021 move. Motorsport. 09 Oct. 2020. Available on: <https://www.motorsport.com/f1/news/vettel-acquires-shares-in-aston-martin/4888000/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PLANETF1. Wolff purchases stake in former team Williams. PlanetF1. 07 Jun. 2020. Available on: <https://www.planetf1.com/news/wolff-repurchases-stake-in-williams/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • MEYER, Ricardo Hernandes. Who’s Lawrence Stroll: Lance’s Famous Daddy. The Racing Track. São Paulo, 28 Sep. 2020. Available on: <https://theracingtrack.com/whos-lawrence-stroll-lances-famous-daddy/>. Accessed on 07 Dec. 2020.
  • PRATES, Renan. No ‘Neymargate’, maior enganado é o torcedor. Vaidapé. 18 Feb. 2014. Available on: <http://vaidape.com.br/2014/02/no-neymargate-maior-enganado-e-o-torcedor/>. Accessed on 07 Dec. 2020.

 

Note: Some sources consulted for this articles are present in the thesis “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país” (2020), that will be published by Faculdade Cásper Líbero (I gave sources for the author during the elaboration of the thesis and she gave me resources for my publication). I am clarifying his point so that there will be no accusations of plagiarism.

 

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The weblinks where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Fórmula 1: O Esporte dos Negócios

Praticamente todos os fãs de Fórmula 1 gostam do esporte por sua competição. Uma prova disso são os índices de audiência televisiva na década de 2010: no Brasil, pelo menos, o número de espectadores estava caindo ano após ano durante a “Era Turbo”, que marcou o domínio de Sebastian Vettel, enquanto que começou a aumentar em níveis recorde quando começou um certo equilíbrio entre Mercedes, Ferrari e Red Bull. No entanto, os fãs se emocionam tanto com as disputas entre os carros que se esquecem de um fator definitivo na Fórmula 1: o dinheiro.

Resolvi fazer este artigo por causa de um episódio desagradável que aconteceu com uma amiga minha. Em uma conversa em um grupo de Whatsapp, ela estava conversando com um professor e, para reforçar seu ponto de vista, incluiu um link de uma matéria do site Motorsport assinada por Adam Cooper, que relatava sobre os investimentos de Sebastian Vettel na Aston Martin. Eis que um sujeito aparece e simplesmente ri do comentário dela, achando um absurdo que alguém diga que um “tetracampeão” compre uma vaga em uma equipe, mesmo que os fatos mostrem exatamente isso. Minha amiga soube responder bem, argumentando que Vettel não estava exatamente agindo como um “tetracampeão” (basta ver seus acidentes e resultados, que em nada se assemelham a seus tempos de campeão). Mas o homem continuou debochando (e ainda questionou a qualidade jornalística de Cooper, um jornalista experiente e conceituado no meio), ignorando uma simples questão: Por que alguém investiria em uma equipe da qual não pudesse participar?

Essa história provou que o sujeito em questão não conhece bem a Fórmula 1, mas sei que muitos fãs também não percebem o caráter financeiro do esporte. Não é à toa que muitos jornalistas tentam vender manchetes sensacionalistas com base em criar polêmicas sobre o dinheiro em vez de informar os torcedores sobre o papel deste na Fórmula 1. Como nossa proposta é informar e conscientizar, aqui está a verdadeira face dos negócios da “categoria máxima do automobilismo mundial”.

 

1- Esporte caro, investidores mandam

 

Quem acessa o site da Fórmula 1 nota que há uma parte reservada aos “partners” (ou seja, aos “parceiros”), que nada mais são do que os patrocinadores. Como bem definiu Paulo Mourão em seu livro “The Economics of Motorsports: The Case of Formula One” (2017), os custos da realização de cada corrida giram em torno de milhões de euros, pois há uma grande demanda material e humana. Tudo custa dinheiro na Fórmula 1: as estruturas da pista e do paddock, a engenharia dos carros, a preparação física dos pilotos, o transporte, o salário dos funcionários, entre outros componentes da categoria. Isso sem falar nos inúmeros setores beneficiados nesse processo (hotelaria, combustíveis, turismo, etc.). Como devem saber, “dinheiro não nasce em árvore”, é preciso uma fonte de recursos para viabilizar tudo isso. Logo, são as empresas patrocinadoras que investem na categoria para tal propósito (fora outras receitas da Fórmula 1, como a venda de ingressos e artigos de consumo, impostos, acordos de transmissão, taxas de contribuição das escuderias e organizadores).

 

Bernie Ecclestone (antigo dono da Fórmula 1) e Chase Carey (atual CEO da Fórmula 1). [1]

 

Como bem explicado na matéria “Entenda o Caso Esteban Ocon” (2019), os altos custos da Fórmula 1 dificultam o ingresso de pilotos que não tenham um suporte financeiro significativo para arcar com as despesas da equipe. Infelizmente, a mídia esportiva falha em ensinar ao público que esta é uma característica intrínseca da categoria, embora isso possa ser explicado pela seguinte lógica: normalmente os veículos de imprensa são patrocinados e por isso evitam falar mal de investimentos de maneira geral, e o sensacionalismo acaba sendo um negócio rentável, pois prende mais atenção das pessoas e ajuda a disseminar as matérias. Em outras palavras: é mais fácil rotular pilotos e equipes do que mostrar que tudo na Fórmula 1 está relacionado ao dinheiro.

 

2- O caso de Sebastian Vettel

 

Não é raro ver pilotos expandindo sua área de atuação. Tivemos os casos de Jack Brabham, Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi como donos de escuderias, Niki Lauda foi acionista e conselheiro da Mercedes, Alain Prost se tornou embaixador da Renault, entre outros. Mais recentemente, tivemos Lawrence Stroll, pai de Lance, como sócio majoritário da Racing Point, e Nico Rosberg como empresário de Robert Kubica (embora tenha se desligado da função meses depois). Mas o caso de Sebastian Vettel tem peculiaridades que são fundamentais para entender a situação.

 

Demitido da Ferrari, Vettel investiu na Aston Martin. O fato não gerou tanta polêmica (se fosse com outro piloto…) [2]

 

Para começar, com exceção de Jack Brabham, todos os pilotos citados anteriormente (Fittipaldi, Prost, Roberg e Stewart) entraram no mundo dos negócios quando já não estavam mais nas pistas. Sebastian Vettel é um membro do grid atual e se viu na beira de um precipício quando foi demitido da Ferrari, afinal, como explicado na matéria “A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça?”, a equipe estava perdendo dinheiro e credibilidade com os constantes acidentes do alemão. Lembrando que as escuderias recebem um pagamento por seus resultados, que são melhores quando os pilotos têm performance consistente. De nada adiantava ele ter vencido quatro títulos com a Red Bull no começo dos anos 2010 se nos tempos atuais com a Ferrari estava desperdiçando boas oportunidades de pontuação. Mas Vettel não se deu por vencido e estava disposto a tudo para continuar na Fórmula 1, para isso buscou uma oportunidade de investir em uma equipe: ele ganharia dinheiro como piloto e acionista.

Mas não poderia ser qualquer time, teria que ser um com grande potencial e chances reais de triunfo. Ninguém se indagou o porquê de Vettel não ter comprado ações da Williams como fez Toto Wolff? Ou da Haas? Basta ver a evolução da Racing Point em 2020 e todo o projeto em torno do crescimento da escuderia para entender porque o alemão se interessou tanto pela “Mercedes Rosa”. E diferente de Wolff, que estava pensando nos ganhos mercadológicos, Vettel deseja limpar sua imagem e trazer um novo capítulo glorioso à sua carreira atlética.

 

3- Conclusão

 

Mesmo que os fãs não percebam, o esporte é um negócio, e este não é o caso único da Fórmula 1 (os brasileiros vão lembrar bem da transferência do Neymar do Santos para o Barcelona, conhecida como “Neymargate”). Às vezes a imprensa não instrui corretamente os torcedores, pois quanto mais leiga acerca do tema for a pessoa, maiores as chances de a mesma acreditar em manchetes sensacionalistas e de alimentar um fanatismo através de polêmicas. Logo, muitos torcedores ainda não percebem que os negócios são uma parte constituinte muito mais significativa da Fórmula 1 do que a competição em si.

 

O caso de Neymar é mais uma prova da relação intrínseca entre o dinheiro e o esporte. [3]

 

Agora, se você pensa que Sebastian Vettel não precisa comprar vagas porque foi vitorioso no passado (mesmo sendo exatamente esta a situação), e que Nico Rosberg empresariou Robert Kubica por caridade, saiba que está analisando o caso de maneira rasa. E não adianta rir ou tentar desqualificar o outro baseado em sexo ou idade. Para fazer um debate razoável, é preciso que ambos os lados estejam devidamente informados.


Bibliografia

Sobre a audiência

  • ANDRADE, Vinícius. Mais vista em oito anos, temporada da F1 na Globo alcança 98 milhões de pessoas. Notícias da TV. 03 dez. 2019. Disponível em: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/mais-vista-em-oito-anos-temporada-da-f1-na-globo-alcanca-98-milhoes-de-pessoas-31408>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • BETTING, Erich. F-1 voltou a ser esporte de nicho. É o adeus à TV aberta? UOL. 16 nov. 2015. Disponível em: <https://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2015/11/16/f-1-voltou-a-ser-esporte-de-nicho-e-o-adeus-a-tv-aberta/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • CARUSO, Ricardo. Ladeira abaixo: despenca a audiência da Fórmula 1. Band.com.br. São Paulo, 17 jun. 2014. Disponível em: <http://autoetecnica.band.uol.com.br/ladeira-abaixo-despenca-a-audiencia-da-formula-1/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • FELTRIN, Ricardo. Em dez anos, ibope da Fórmula 1 despenca 55% na Globo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 27 dez. 2012. Disponível em: <https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/ricardofeltrin/1159661-em-dez-anos-ibope-da-formula-1-despenca-55-na-globo.shtml>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LANCEPRESS. Com novo domínio de Vettel, Fórmula 1 registra queda de audiência em 2013. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/esportes/com-novo-dominio-de-vettel-formula-1-registra-queda-de-audiencia-em-2013-11499993>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • NOTÍCIAS DA TV. Fórmula 1 derruba audiência da Globo e é ultrapassada pela Record. Notícias da TV. 08 jun. 2014. Disponível em: <https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/formula-1-derruba-audiencia-da-globo-e-e-ultrapassada-pela-record-3678>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • QUINTANILHA, Sergio. Por que a Fórmula 1 se tornou o programa mais chato do mundo. Terra. 30 abr. 2017. Disponível em: <https://motorshow.com.br/por-que-formula-1-se-tornou-o-programa-mais-chato-mundo/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • ROVADOSCHI, Guilherme. Domingo emudecido. Beta Redação. 11 abr. 2016. Disponível em: <http://www.betaredacao.com.br/domingo-emudecido/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • LUCAS, Naian. Fórmula 1 é vista por quase 100 milhões e tem melhor Ibope em 8 anos na Globo. Na Telinha. 03 dez. 2019. Disponível em: <https://natelinha.uol.com.br/televisao/2019/12/03/formula-1-e-vista-por-quase-100-milhoes-e-tem-melhor-ibope-em-8-anos-na-globo-137622.php>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOTORSPORT. Globo tem melhor audiência da F1 em oito anos e 13% de crescimento em relação a 2018. Motorsport. São Paulo, 03 dez. 2019. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/globo-tem-melhor-audiencia-da-f1-em-oito-anos-e-13-de-crescimento-em-relacao-a-2018/4606412/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOTORSPORT. GP de 70 anos faz Globo ter recordes de audiência em 2020. Motorsport. 10 ago. 2020. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/gp-de-70-anos-da-f1-faz-globo-ter-recordes-de-audiencia-em-2020/4854125/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PADIGLIONE, Cristina. Globo perdeu 50% da audiência da F-1 em 19 anos, mas já teve dias piores. TelePadi. São Paulo, 28 ago. 2020. Disponível em: <https://telepadi.folha.uol.com.br/globo-perdeu-50-da-audiencia-da-f-1-em-18-anos-mas-ja-teve-dias-piores/>. Acesso em 07 dez. 2020.

Sobre a matéria em si

  • FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE AUTOMOBILISMO. Formula 1 Partners. Formula1.com. Disponível em: <https://www.formula1.com/en/toolbar/partners.html>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MOURÃO, Paulo. The Economics of Motorsports: The Case of Formula One. 1. ed. Vila Real, Portugal. Palgrave Macmillan, 2017. 303 p.
  • GAVINELLI, Gabriel. Após prejuízos seguidos, Fórmula 1 volta a lucrar em 2019. F1Mania. 27 fev. 2020. Disponível em: <https://f1mania.lance.com.br/f1/apos-prejuizos-seguidos-formula-1-voltar-a-lucrar-em-2019/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. Entenda o Caso Esteban Ocon. The Racing Track. São Paulo, 10 ago. 2019. Disponível em: <https://theracingtrack.com/entenda-o-caso-esteban-ocon/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 abr. 2011. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • NOBLE, Jonathan. Rosberg recua e não é mais empresário de Kubica. Motorsport. 20 abr. 2018. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/rosberg-recua-e-nao-e-mais-de-empresario-de-kubica-1028256/3059907/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PINHEIRO, Rebeca. A Demissão de Sebastian Vettel: Justiça ou Injustiça? The Racing Track. São Paulo, 12 mai. 2020. Disponível em: <https://theracingtrack.com/a-demissao-de-sebastian-vettel-justica-ou-injustica/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • COOPER, Adam. F1: Vettel adquire ações da Aston Martin antes da mudança em 2021. Motorsport. 09 out. 2020. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/f1-vettel-adquire-acoes-da-aston-martin-antes-da-mudanca-em-2021/4888660/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PLANETF1. Wolff purchases stake in former team Williams. PlanetF1. 07 jun. 2020. Disponível em: <https://www.planetf1.com/news/wolff-repurchases-stake-in-williams/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • MEYER, Ricardo Hernandes. Quem é Lawrence Stroll? O Famoso Papai de Lance. The Racing Track. São Paulo, 28 set. 2020. Disponível em: <https://theracingtrack.com/quem-e-lawrence-stroll-o-papai-famoso-de-lance/>. Acesso em 07 dez. 2020.
  • PRATES, Renan. No ‘Neymargate’, maior enganado é o torcedor. Vaidapé. 18 fev. 2014. Disponível em: <http://vaidape.com.br/2014/02/no-neymargate-maior-enganado-e-o-torcedor/>. Acesso em 07 dez. 2020.

 

Nota: Algumas das fontes consultadas para este artigo estão presentes no TCC “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país” (2020), que ainda será publicado pela Faculdade Cásper Líbero (cedi fontes para a autora na elaboração do trabalho e ela me cedeu fontes para minha publicação). Estou esclarecendo esse ponto para que não haja acusações de plágio.

 

Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Análise Grande Prêmio do Sakhir de 2020 | 2020 Sakhir Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 6 de dezembro, o Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi mais uma etapa improvisada para compensar o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia mundial de Covid-19. A prova foi realizada no Bahrein, mas com o circuito remodelado. Pela primeira vez desde sua estreia em 2007, Lewis Hamilton (Mercedes) não participou de uma corrida, pois foi diagnosticado com Covid. Sua equipe optou por chamar o jovem George Russell, da Williams, para substituí-lo e esta, por sua vez, colocou Jack Aitken, conterrâneo de Hamilton e Russell, para correr ao lado de Nicholas Latifi. Outra substituição ocorreu na Haas, que escalou o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, para substituir Romain Grosjean, que está se recuperando de um terrível acidente na corrida anterior.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Russell. Logo no começo, o filandês foi ultrapassado pelo inglês, e depois ameaçado por Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Infelizmente, ocorreram dois acidentes: primeiro, Kevin Magnussen (Haas) rodou e bateu no mesmo lugar onde houve o desastre com Romain Grosjean uma semana atrás; depois, Charles Leclerc (Ferrari) fez uma manobra arriscada e tocou em Pérez. Verstappen tentou desviar, mas acabou batendo no muro. Leclerc teve o mesmo destino. O safety car foi acionado e o mexicano precisou parar nos boxes, mas nem tudo estava perdido.

Russell permanecia liderando a prova, enquanto Bottas tinha dificuldades para acompanhar o ritmo. Com o acidente provocado pelo monegasco, Carlos Sainz Jr. (McLaren) assumiu o terceiro lugar. Seu companheiro, Lando Norris, conseguiu avançar no grid devido aos acidentes, compensando o prejuízo de ter largado em penúltimo. Uma de suas melhores ultrapassagens foi sobre Sebastian Vettel (Ferrari). No entanto, Checo veio destemidamente para cima de seus adversários, e em pouco tempo já estava novamente na zona de pontuação. Alexander Albon (Red Bull) travou uma boa briga com Norris, e o inglês foi superado pelo tailandês e logo em seguida pelo mexicano.

No meio do grid, formava-se uma fila indiana. Pierre Gasly (AlphaTauri) estava atrás de Lance Stroll (Racing Point), Daniil Kvyat (AlphaTauri), e da dupla da Renault (formada por Daniel Ricciardo e Esteban Ocon). Embora os carros estivessem bem próximos nas passagens pela reta perto dos boxes, não havia tentativas de ultrapassagem. Kvyat brigou um pouco com Ricciardo, mas não teve sucesso. Algumas voltas depois, Latifi bateu e a bandeira amarela foi acionada. Aitken rodou e quebrou a asa dianteira. Além da Williams precisar consertar seu carro, a direção acionou o safety car virtual.

Parecia que a vitória de Russell seria inevitável, até a Mercedes jogar tudo fora. Chamando ambos os pilotos para os boxes, a equipe alemã se atrapalhou com ambas as trocas de pneus. No caso de Bottas, chegaram a lhe colocar um pneu enquanto a roda pegava fogo, e liberaram o piloto mesmo assim. Pérez herdou a liderança e não se intimidou mesmo com o avanço de Russell. Apesar de ter voltado em uma boa posição, Bottas foi ultrapassado gradativamente por todos os pilotos da zona de pontuação. Sentindo que havia um problema com os pneus de Russell, a Mercedes o chamou novamente para os boxes, fazendo com que o inglês perdesse muitas posições. Aguardamos o julgamento dos comissários em relação a este caso, pois se o inglês correu com os pneus destinados a Bottas, pode ser desclassificado. No fim da prova, Sainz tentou passar Stroll, mas não conseguiu.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Esteban Ocon em segundo e Lance Stroll em terceiro. O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi uma corrida emocionante, com reviravoltas inimagináveis e um desfecho merecido. Pérez se destacou em seus anos na Fórmula 1 como um piloto consistente e batalhador. Sua vitória mostrou que seu potencial é alto e sua coragem infinita. Por outro lado, o dia não foi auspicioso para a Mercedes, que não agiu com prudência por pensar que a vitória era certa. Valtteri Bottas decepcionou muito, perdendo posições logo no início para um piloto em sua primeira corrida com um novo carro. Se por um lado isso mostrou que o carro da Mercedes está acima da média, por outro prova que não basta um carro bom: o piloto precisa ser bom. Todo aquele teatro em cima de sua vitória na Rússia de nada adiantou, pois Bottas pode xingar seus críticos à vontade, eles ainda terão motivos para questionar o desempenho do finlandês.

“Eu teria conseguido se não fossem esses mecânicos metidos e esse cachorro burro”

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 serviu para calar a boca daqueles que dizem que qualquer um pode vencer em uma Mercedes. Valtteri Bottas teve uma atuação vergonhosa, como se estivesse tramando para que George Russell ganhasse (não foi dessa vez para aqueles que o usam como escudo para atacar outros pilotos). Curiosamente, o inglês conseguiu abandonar o Movimento Sem Ponto na mesma corrida em que Esteban Ocon largou o Movimento Sem Pódio.

Quanto à vitória de Checo, foi bem merecida. Checo mostrou que resiliência é seu ponto forte, pois é a segunda vez que o vejo saindo de uma grande desvantagem devido a um acidente causado por terceiro e consegue uma excelente posição. Tanto Sergio Pérez quanto Lance Stroll sobem no campeonato de pilotos e a Racing Point volta ao top-3 entre as construtoras (se eu disser o que eu gostaria de dizer à Renault, meu site será censurado).

Opinião da Adriana:

Eu comecei essa corrida esperando mais uma corrida chata e eu fui extremamente surpreendida. Sensacional!

Na minha sincera e humilde opinião, esse deveria ser o novo traçado do GP de Bahrain. Uma volta com 56 segundos, no máximo, é capaz de entregar corridas assim e eu achei simplesmente fantástico ter uma corrida tão imprevisível como essa.

Agora, o que foi essa corrida do Checo? De último lugar após o toque com Leclerc, escalou o grid aos poucos e terminou com essa vitória linda. Ele merece demais! Após 10 anos na Fórmula 1, ele finalmente conseguiu sua merecida vitória. É assim que se faz uma corrida de recuperação. De novo, bato na tecla de que não é a hora do mexicano dizer adeus à Fórmula 1.

A maior felicidade é saber que, dentre esses 10 anos de carreira na F1, Pérez esteve nos lugares certos nas horas erradas e finalmente, ele conseguiu o que um piloto almeja: uma vitória. Ele merece demais e eu não poderia estar mais feliz por ele.

Ao mesmo tempo que estou muito feliz por Pérez, fico muito triste por Russell. Eu, que sempre defendi que ele deveria ir para a Mercedes, brilhou o fim de semana inteiro e infelizmente, foi prejudicado por uma série de estratégias erradas da Mercedes. Pitstop com os pneus errados, furo nos pneus e terminar em 8º correndo o risco de ser desclassificado por conta de um erro da equipe (o que eu acho errado punir o piloto) é desolador. Uma pena para o britânico.

Por falar em brilhar o fim de semana inteiro, o que foram aquelas ultrapassagens logo após a saída do safety car? Ele é bom e merece um carro à sua altura. Bottas, acho bom você se preparar para o adeus em 2022 porque o Russell não está para brincadeira.

O pior piloto de hoje vai ser unânime e vai pro Leclerc. Além de fazer aquela barbeiragem na pista, ainda joga a culpa em Pérez, sendo que ele estava errado. Foi preciso um outro piloto – Verstappen, no caso – envolvido no acidente dizer que ele que causou a colisão, e não o mexicano, para o monegasco admitir a culpa. Lamentável. 

Notas

Corrida: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Scooby-Doo: (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  3. Lance Stroll: 8 (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  4. Carlos Sainz Jr.: 7,5 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  7. Daniil Kvyat: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. George Russell: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  10. Lando Norris: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  11. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Jack Aitken: 2 (Rebeca) 3 (Adriana)
  17. Pietro Fittipaldi: 4 (Rebeca e Adriana) – E o Palmeiras não tem mundial. 51 é pinga

 

Abandonaram

  1. Nicholas Latifi
  2. Max Verstappen
  3. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): George Russell

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Charles Leclerc e Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio do Bahrein de 2020 | 2020 Bahrain Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 29 de novembro, o Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi uma corrida chocante. Um terrível acidente com Romain Grosjean (Haas) logo na primeira volta assustou a todos, mas graças a Deus o piloto francês saiu com poucos ferimentos. O resto da prova foi marcado por boas disputas por posições e abandonos inimagináveis.

Lewis Hamilton (Marcedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point), que completavam a segunda fila, ultrapassaram o finlandês logo nos primeiros momentos. Na parte de trás do grid, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Esteban Ocon (Renault) espremeram Lando Norris (McLaren), que quebrou uma parte da asa dianteira. Charles Leclerc (Ferrari) tentou bloquear um avanço do companheiro Sebastian Vettel, que se moveu para a direita e forçou Lance Stroll (Racing Point) a sair do traçado para evitar uma batida. Logo após, Grosjean avançou contra Daniil Kvyat (AlphaTauri) e se chocou contra as barreiras. Seu carro se partiu ao meio e a metade onde ficou o piloto se incendiou. Um trabalho rápido da equipe de bombeiros salvou a vida de Grosjean, que foi encaminhado para o ambulatório e depois levado de helicóptero para o hospital. Desejamos uma boa recuperação a ele.

Com a gravidade do acidente, a bandeira vermelha foi acionada. Esperava-se que os pilotos seriam mais cautelosos após a relargada, mas Kvyat manteve seu conhecido estilo barbeiro e se chocou com Stroll. O carro do canadense virou de cabeça para baixo, mas graças a Deus o piloto saiu bem, sem ferimentos. O russo mais tarde foi punido com 10 segundos pela colisão. Além disso, Bottas teve um furo no pneu e precisou fazer uma troca, indo para os últimos lugares do grid. Por razões não explicadas, Vettel chegou a ficar em 18º por um bom tempo.

Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) foi um dos pilotos que mais tentou ultrapassagens, como em seu duelo com Kevin Magnussen (Haas). Outros destaques foram Carlos Sainz Jr. (McLaren), que travou uma disputa acirrada com Leclerc, e Daniel Ricciardo (Renault), que lutou constantemente contra Ocon. Os carros da Ferrari não tiveram um bom desempenho, fazendo com que Leclerc perdesse posições para Gasly e Alexander Albon (Red Bull) e Vettel tivesse dificuldades para superar adversários como Magnussen, George Russell (Williams) e seu companheiro Nicholas Latifi. No entanto, o monegasco se esforçou bastante para no mínimo chegar à zona de pontuação.

Faltando três voltas para o fim, Gasly sentiu um desgaste nos pneus e foi ultrapassado por Sainz. Algum tempo depois, após enfrentar um Latifi que não estava cumprindo a bandeira azul, Pérez foi forçado a abandonar pois seu motor falhou, incendiando a traseira do carro. O safety car foi acionado para a última volta. Albon herdou a posição do mexicano.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Alexander Albon em terceiro. Um dos maiores legados do Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi o reforço nas lições de segurança, principalmente a questão do halo. Desde 2018, quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica, a imprensa e os fãs diminuíram as críticas em relação à estética que ela garantia ao carro (apenas os “tiozões” que não saíram do século XX e Nico Hülkenberg em um exemplo de falta de humildade continuaram questionando o halo). Na corrida de hoje, temos mais um caso de como é importante que a estrutura do carro seja segura, pois se não fosse o halo, a cabeça de Romain Grosjean estaria exposta e ele seria decapitado, pois seu carro ultrapassou a barreira. Automobilismo é um esporte de risco, sim, mas as vidas humanas sempre devem ser a prioridade, e com os pilotos não é diferente. Esperamos que com o caso de Grosjean, aqueles que teimam em discutir a beleza dos carros de hoje em comparação com os de antigamente façam uma autocrítica, pois apostamos que se no lugar do francês fosse o filho de cada um desses “especialistas de moda”, eles estariam torcendo para que o halo “feio” salvasse a vida deste.

Quer deixar de ser barbeiro pelo menos uma vez na sua vida, camarada Kvyat?

Opinião da Rebeca:

Como explicado na análise, eu fico feliz de que aos poucos as últimas críticas ao halo estão caindo em descrédito. A vida de Romain Grosjean deve ser valorizada, o esporte não deve ser manchado por mais sangue inocente, como foram por exemplo os casos de Jules Bianchi e Ayrton Senna (só para citar dois). O acidente de hoje me lembrou um pouco do incêndio do carro de Niki Lauda no Grande Prêmio da Alemanha de 1976 e do de Jos Verstappen no Grande Prêmio da Alemanha de 1994, e como eu havia escrito em minha matéria sobre o tricampeão para o site Super Danilo F1 Page, os carros de hoje em dia utilizam um material menos tóxico justamente para evitar a inalação de substâncias altamente danosas em caso de incêndios. Lembrando que a fumaça do carro foi catastrófica para o pulmão de Lauda, que precisou de um transplante.

Falando sobre o resto da corrida, não foi uma das provas mais agradáveis na minha humilde opinião. Para não colocar em cheque minha credibilidade como jornalista e não correr riscos de ser processada, não direi o que Daniil Kvyat merece por ter sido um atleta totalmente anti-profissional. Também é uma pena que Sergio Pérez tenha tido um problema no motor faltando tão pouco para o fim. O mexicano merecia muito outro pódio. Por fim, deixo meu repúdio às reclamações sem sentido de Sebastian Vettel (“deveria ter batido mesmo”) e aos xingamentos de Lando Norris no rádio (embora o mesmo tivesse seus motivos, afinal um dos fiscais atravessou a pista quando o inglês estava passando).

Opinião da Adriana:

Eu nunca fui tão grata por uma corrida morna após o acidente de Grosjean logo na primeira volta e o acidente de Stroll na terceira volta. É um alívio ver em como a Fórmula 1 investiu em segurança após o acidente de Jules Bianchi. Obrigada, halo!

Tirando essas emoções fortes das primeiras voltas, a corrida foi calma (ainda bem!) e vimos mais uma vez o Bottas provando que mesmo que você tenha o melhor carro, nada vale se você não é um bom piloto. Entendo que seu pneu tenha furado logo no começo mas nem a sua corrida de recuperação gera algum tipo de animação ou ele prova que é competitivo. Tá difícil pro finlândes.

Todas as ultrapassagens me deixaram na ponta do sofá e o alívio dessa corrida ter terminado foi ótimo. Uma pena para Pérez que fazia uma ótima corrida e abandonou nas últimas voltas por uma falha no motor. Admito que o pânico voltou quando vi o fogo saindo. Mas ainda bem que ele saiu a tempo e está a salvo também.

Existem corridas que são para testar nosso coração e essa foi uma delas. Espero que as próximas emoções sejam apenas por conta de ultrapassagens e resultados inesperados.

Notas

Corrida: 8 (Rebeca) 6 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 8 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Alexander Albon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  4. Lando Norris: 6 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 9 (Rebeca e Adriana)
  6. Pierre Gasly: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. Esteban Ocon: 7 (Rebeca e Adriana)
  10. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 0 (Rebeca e Adriana)
  12. George Russell: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  14. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 4 (Adriana)
  16. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Kevin Magnussen: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Sergio Pérez: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Lance Stroll: 10 de consolação
  3. Romain Grosjean: 10 de consolação

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Romain Grosjean

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Carlos Sainz Jr. (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca e Adriana)

Quem é Lawrence Stroll? O Papai Famoso de Lance

O empresário Lawrence Stroll vem atraindo a atenção da mídia esportiva nos últimos anos devido a seus investimentos na Fórmula 1. Desde o ingresso de seu filho caçula Lance na categoria até a compra da equipe Force India (atual Racing Point e futura Aston Martin) o nome de Stroll desperta curiosidade em jornalistas e torcedores.

No entanto, muitas vezes os fãs da Fórmula 1 acabam por acreditar em boatos e ter falsas impressões a respeito do canadense, e com isso não percebem as verdadeiras intenções de seus detratores. Nesta matéria, vamos explicar quem é Lawrence Stroll através de fatos e mostrar para o apaixonado por automobilismo quem é o famoso “Papai Stroll”.

 

1- A origem dos Strolls

 

A família Stroll, cujo nome original é Strulovitch, tem origens na Rússia. Durante a era dos czares, os judeus foram intensamente perseguidos. Uma das políticas de Estado eram os pogroms: invasões de aldeias judaicas acompanhadas de saques, incêndios e mortes. Logo, muitos judeus tinham esperança em novos tempos com as revoluções de 1917 (inclusive, alguns líderes dos movimentos contra o czar Nicolau II, como Leon Trotsky, eram judeus). No entanto, o período soviético não trouxe paz para esta comunidade, sobretudo no regime de Josef Stalin. As perseguições não apenas continuaram, como se intensificaram.

Com isso, muitos judeus fugiram da Rússia rumo a países democráticos. Uma grande parte fugiu para as Américas. Foi o caso de Leo Strulovitch. Recomeçando a vida no Novo Continente, Strulovitch e sua esposa Sandra (nascida no Canadá) tiveram dois filhos: Lawrence e Randy. O jovem Lawrence cresceu observando seu pai, que trabalhava como comerciante de roupas (tornando-se investidor anos depois, introduzindo a linha feminina da Pierre Cardin e a marca Ralph Lauren no Canadá), e decidiu seguir seus passos. Estudou, trabalhou, montou seus primeiros negócios, e alguns anos depois começou seus primeiros investimentos.

 

Lawrence Stroll e seu sócio Silas Chou. [1]

 

Lawrence Stroll é apontado como o responsável pela popularização da marca Polo Ralph Lauren no continente europeu e da expansão da Michael Kors no mercado. Em 1989, Stroll e seu sócio Silas Chou fundaram a Sportswear Holdings Limited, uma das maiores empresas do setor da moda de toda a história, como apontado pelo jornalista espanhol Jaime Cevallos. A companhia permitiu a popularização da marca Tommy Hilfiger, que conquistou um grande espaço no setor têxtil. Na década de 2000, Stroll e Chou viram algumas marcas que receberam seus investimentos, como a Michael Kors, entrar na Bolsa de Valores. A compra e venda de ações renderam uma boa fortuna aos empresários.

Em agosto de 1994, Stroll se casou com a estilista belga Claire-Anne Callens. Em 11 de abril do ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal: Chloe. O segundo filho, Lance, nasceu em 29 de outubro de 1998. Dona da grife Callens, Claire-Anne administra seus negócios sozinha, e suas lojas se encontram em muitas cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá.

 

Claire-Anne Callens: estilista belga e esposa de Lawrence Stroll. [2]

 

2- Lawrence Stroll e o esporte: uma interação antiga

 

No documentário W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll relata que participou do Ferrari Challenge, uma competição feita por colecionadores que possuem o modelo Ferrari 348, por volta de seus 30 anos e continuou durante a infância de seus filhos, que eram levados para ver o pai no evento. Esta foi a primeira inserção de Stroll no mundo esportivo, muito antes de Lance pensar em ser piloto de Fórmula 1. Logo, cai por terra o primeiro mito sobre o empresário: de que ele só teria entrado no ramo do automobilismo porque seu filho queria ser piloto.

Assim como Lawrence adquiriu gosto pela moda ao observar o trabalho de seu pai Leo, Lance Stroll compartilha o amor pelo esporte com seu pai. O automobilismo é uma das categorias esportivas mais caras que existem devido ao custo de sua mão de obra e materiais. Consequentemente, é necessário que haja um suporte financeiro na carreira dos atletas, tornando impossível o ingresso de pilotos sem investimentos desde às categorias de base até as mais altas. Possuidor de uma fortuna decorrente de seus negócios no ramo têxtil, Lawrence Stroll foi um dos apoiadores do filho em seu caminho no esporte.

 

Lawrence Stroll no Ferrari Challenge com seus filhos. [3]

 

A formação de um piloto requer investimento e desempenho atlético. Neste caso, pouco importa se o patrocínio vem de sua família ou não. Um piloto talentoso sem um bom investimento não consegue ajudar nas contas da equipe, enquanto que um atleta sem aptidão não alcança bons resultados que se traduzem em ganhos financeiros para a escuderia. Com esses obstáculos, é quase impossível um piloto chegar à categoria máxima do automobilismo mundial apenas com aparato financeiro e com um desempenho frustrante. Atletas assim normalmente abandonam suas carreiras em etapas mais baixas, como o kart. Ainda, de acordo com Nuno Sousa Pinto, diretor esportivo, a própria FIA dificultou ainda mais o ingresso de pilotos cujos desempenhos não justificariam os investimentos em suas carreiras (os famosos “pilotos pagantes”): a partir de 2016, para entrar na Fórmula 1 seria preciso marcar 40 pontos na Superlicença.

 

3- Lance e Lawrence: pai e filho na Fórmula 1

 

Sendo campeão da Fórmula 4 Italiana em 2014 (o primeiro da categoria), da Toyota Racing Series em 2015, e da Fórmula 3 Europeia em 2016, Lance Stroll obteve os pontos necessários na Superlicença para ingressar na Fórmula 1 em 2017 pela equipe Williams. Nuno Sousa Pinto aponta que o currículo de Stroll é mais impressionante do que de muitos atletas jovens que também chegaram à Fórmula 1, e que apesar destes também virem de famílias ricas não são criticados pela imprensa. Isto revela que, infelizmente, alguns jornalistas deixam as preferências pessoais se sobressair ao profissionalismo esperado e espalham desinformação, ignorando um dos princípios mais importantes do jornalismo: a ética.

Os atletas têm um tempo de adaptação à categoria em que atuam. As críticas a Lance Stroll logo durante a pré-temporada foram, do ponto de vista jornalístico, precipitadas. Isso se comprovou ainda no primeiro semestre de 2017, quando Stroll marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio do Canadá e teve seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Azerbaijão, quebrando seu primeiro recorde: mais jovem estreante a ter pódio. Um piloto “pagante” jamais conseguiria resultados tão impressionantes, pois não teria aptidão para o esporte, apenas aporte financeiro. No Grande Prêmio da Itália, Stroll quebrou o recorde de mais jovem piloto a largar da primeira fila, comprovando seu potencial e talento para o automobilismo.

 

Pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017. [4]

 

Em uma entrevista para a emissora canadense RDS em agosto de 2018, Lance Stroll afirmou que seu pai é um homem de negócios, e que investe em empreendimentos que ele tem a certeza de que darão certo. Portanto, o interesse de Lawrence Stroll em escuderias, desde a Prema Powerteam à Racing Point, vai muito além de uma interação com seu filho: trata-se de oportunidades de bons investimentos.

Vale a pena ressaltar que os únicos pilotos do grid de 2020 que vieram de famílias mais humildes são Esteban Ocon e Valtteri Bottas. Todos os demais provém de família com boas condições financeiras: alguns de classe média como Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen, outros de classes mais abastadas. No entanto, todos, sem exceção, possuem aporte financeiro, seja de suas famílias, de empresas ou até de ambos. Alguns pilotos são filhos de empresários (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, etc.), que atuam em diferentes nichos (moda, investimentos, automóveis, engenharia, entre outros). Outros são filhos de atletas (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., Pierre Gasly), logo também têm condições privilegiadas desde o nascimento. A origem do piloto não interfere em seu desempenho pois, como definiu Lawrence Stroll, os pais não dirigem o carro pelos filhos.

 

4- Os rumores: noticiando antes de saber a verdade

 

Em 2018, quando a Force India foi vendida para o consórcio liderado por Lawrence Stroll (formado também por Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman e Andre Desmarais), especulava-se que Lance se mudaria para a equipe imediatamente, já que falhas contínuas do departamento de engenharia da Williams comprometeram o desempenho de seus carros. Com a saída de Esteban Ocon do time, no final daquele ano, os fãs do piloto francês e alguns jornalistas imediatamente jogaram a culpa nos Strolls, como se o futuro de Ocon já estivesse garantido antes da venda da escuderia.

Na verdade, como relatou Joas van Wingerden, Toto Wolff já cogitava tirar seu apadrinhado da Force India. As negociações falharam porque os laços entre Ocon e Wolff eram vistos com desconfiança pelas outras equipes, como afirmado por Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. Este fato se comprovou em 2019, quando Ocon desfez seus vínculos com Wolff para conseguir uma oportunidade de voltar à Fórmula 1 pela Renault.

Na época da compra da Force India, Sergio Pérez era mais atrativo para os investidores do que Esteban Ocon devido a sua consistência em pontuação e patrocinadores. Isso, somado às pretenções do empresário do piloto francês, garantiu que o mexicano fosse a melhor opção para correr ao lado de Lance Stroll. Além disso, o canadense apresentava boas perspectivas de futuro, devido aos investimentos e seus feitos no ano de estreia.

 

Lance Stroll e Sergio Pérez na Racing Point. [5]

 

Em 2020 ocorreu uma situação parecida. Sebastian Vettel não teve seu contrato com a Ferrari renovado pois seu trabalho não estava atendendo às expectativas do time. Os donos da Racing Point alegam que cogitaram contratá-lo em razão de seu passado como tetracampeão (embora tenha se provado mais tarde que o alemão adquiriu ações da Aston Martin e garantiu um investimento financeiro ao time). Embora parecesse óbvio que Lance Stroll não seria o escolhido para dar sua vaga a Vettel, isso não se deve simplesmente ao fato de ele ser filho de um dos donos. Existem de fato empresas que priorizam laços familiares e se os membros não são preparados para assumir as responsabilidades o negócio acaba por falir. Mas este não é o caso que se observa em Lawrence Stroll: o sucesso de seus investimentos se deve ao cuidado nas decisões.

Isso significa que laços familiares não são o fator decisivo para escolhas como esta. O que se discutia era qual dos dois pilotos, Stroll ou Pérez, teria mais chances de trazer os resultados que a equipe pretende alcançar em 2021. Ambos têm boas conquistas, diferindo no tempo de carreira na Fórmula 1: Pérez tem 10 e Stroll tem quatro. Em termos técnicos, os dois podem ser considerados pilotos experientes, mas o mexicano teria mais chances de se aposentar mais cedo, pois já tem 30 anos e está há uma década na Fórmula 1. Tendo ambos bons patrocínios, os investidores esportivos encontram mais perspectivas em atletas jovens, como é o caso de Stroll.

Percebe-se que os negócios envolvem questões muito mais profundas do que apenas laços de parentesco. O investimento na Fórmula 1 é de alto risco e, portanto, as decisões exigem cautela. É claro que a inconstância de narrativas na divulgação dos acontecimentos na Racing Point não facilitou a compreensão dos fatos (somado à recusa da equipe em admitir que Vettel agora é um sócio, não apenas um piloto), e quem não entende bem como funcionam os negócios pode impetuosamente julgar que se trata de um caso de pai protegendo o filho. Por isso se deve analisar friamente os fatos para divulgar as informações corretamente.

 

5- Conclusão

 

Esta é a história de Lawrence Stroll: um homem que construiu sua fortuna com investimentos e empreendedorismo, um trabalho que exige muito empenho e cautela. Se você esperava o estereótipo de um rico herdeiro de um grande capital, casado com uma socialite e com um filho boa vida, procure outra pessoa. Talvez você encontre algum pai de piloto com esse perfil, mas esse definitivamente não é Lawrence Stroll.

 

Atualização (09/10/2020): Como revelado por Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), Sebastian Vettel havia comprado ações da Aston Martin antes de assinar o contrato com a equipe. Logo, este fato reforça o que dizemos neste artigo: a contratação de Vettel em vez da renovação de contrato de Sergio Pérez foi feita com base em negócios, não em privilégio de Lance Stroll por ser filho do dono.

 

Bibliografia

 

 

Fotos

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