O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe

Max Verstappen é uma das estrelas da Fórmula 1 atual. Detentor de seis recordes oficiais (entre eles o de “mais jovem vencedor de um Grande Prêmio”), destaque em corridas emocionantes e com vários pódios e vitórias em poucos anos de experiência, o piloto holandês surpreendeu os torcedores ao anunciar no dia 7 de janeiro de 2020 que havia renovado seu contrato com a Red Bull Racing até 2023. Enquanto alguns elogiam a decisão, outros criticam a escolha, se indagando o porquê de Verstappen não aceitar propostas de equipes melhores. A análise desse caso você confere a partir de agora.

 

1- A carreira de Max: surge uma estrela

 

Filho mais velho do ex-piloto holandês Jos Verstappen e da kartista belga Sophie Kumpen, Max Verstappen começou a carreira automobilística aos 4 anos de idade, em competições de kart regionais. Aos 17 anos, depois de terminar a Fórmula 3 Europeia de 2014 em terceiro lugar, foi contratado pela Scuderia Toro Rosso para competir na Fórmula 1 no ano seguinte. Em sua estreia, no Grande Prêmio da Austrália, quebrou o recorde de “mais jovem piloto a estrear em uma corrida de Fórmula 1”, que antes pertencia a Jaime Alguersuari. Na corrida seguinte, na Malásia, quebrou o recorde de “mais jovem piloto a pontuar na Fórmula 1”, que anteriormente era de Daniil Kvyat. Verstappen terminou seu ano de estreia pontuando 10 vezes, totalizando 49 pontos em 19 corridas, além de ser premiado pela FIA como “Estreante do Ano” e “Personalidade do Ano” e sua ultrapassagem sobre Felipe Nasr na Bélgica lhe rendeu o prêmio de “Ação do Ano”.

Todas essas conquistas foram essenciais para que em 2016 a Red Bull escolhesse Verstappen para substituir Kvyat, cujos resultados estavam abaixo do esperado. O holandês não decepcionou e conseguiu sua primeira vitória no Grande Prêmio da Espanha, quebrando os recordes de “mais jovem líder, por pelo menos uma volta na Fórmula 1”, “mais jovem piloto a conseguir um pódio na Fórmula 1” e “mais jovem vencedor de um Grande Prêmio”, todos que anteriormente pertenciam a Sebastian Vettel. Na Bélgica, quebrou o recorde de “mais jovem piloto a largar da primeira fila”, que no ano seguinte foi quebrado por Lance Stroll. No Brasil, quebrou o recorde de “mais jovem piloto a fazer a volta mais rápida na Fórmula 1”, que antes pertencia a Nico Rosberg. No final daquele ano, com a aposentadoria de Rosberg, o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff, estava à procura de um substituto para o alemão. Noticiou-se que ele entrou em contato com Jos Verstappen várias vezes para conversar sobre Max, mas o jovem continuou com a Red Bull. Wolff contratou seu apadrinhado Valtteri Bottas, que corria pela Williams, para assumir o segundo assento da equipe.

 

Vitória de Max no Grande Prêmio da Espanha de 2016.

 

Se 2016 foi um ano maravilhoso, no qual Verstappen pôde expor suas habilidades, 2017 foi decepcionante. Em 20 corridas, teve sete abandonos, mas nenhum por sua culpa. O primeiro foi no Bahrein, onde um problema nos freios o tirou da prova. O segundo foi na Espanha, onde Bottas colidiu com Verstappen e Kimi Raikkonen, tirando ambos da corrida. O terceiro foi no Canadá, onde uma falha elétrica desligou seu carro. O quarto ocorreu no Azerbaijão devido a um problema no óleo. O quinto foi causado por Kvyat, que colidiu com o holandês e com Fernando Alonso na Áustria. O sexto ocorreu na Bélgica, onde seu carro desligou no meio da corrida. No sétimo e último abandono, Verstappen foi esmagado pelos pilotos da Ferrari, Vettel e Raikkonen, e depois foi lançado para fora da pista pela reentrada perigosa do finlandês. Desapontado com a inconsistência de seu carro, contrastando com o bom desempenho do carro de seu companheiro Daniel Ricciardo, Verstappen teve momentos de fúria com sua equipe. Cientes da situação, Toto Wolff e Maurizio Arrivabene, chefe de equipe da Ferrari, entraram em contato com Jos para discutir o futuro do jovem prodígio. Estava nítido que a Red Bull não teve competência para produzir igualmente um carro vencedor para seus dois pilotos e Max estava sendo sacrificado. Wolff não estava satisfeito com a incapacidade de Bottas de competir de igual para igual com Lewis Hamilton (dando uma brecha para a Ferrari renascer como uma concorrente ao título) e Arrivabene buscava alguém para o lugar de Raikkonen, que estava perto de deixar o time. No entanto, Verstappen preferiu dar uma chance à equipe austríaca e assinou um contrato com cláusula de saída. Apesar das dificuldades, conseguiu duas vitórias, sendo uma na Malásia e uma no México.

 

Acidente do Grande Prêmio de Singapura de 2017.

 

Em 2018 a situação se alterou. A Red Bull sabia que Max abriu mão de boas propostas para continuar com os austríacos, e decepcioná-lo significaria sua partida. O carro apresentou mais estabilidade, mas ainda não era potente o bastante para que a Red Bull se firmasse como uma ameaça à hegemonia da Mercedes, conseguindo apenas duas vitórias, na Áustria e no México. No entanto, o carro de Ricciardo apresentou muitas falhas, comprometendo o desempenho do australiano. O anúncio de que a Red Bull usaria os motores da Honda a partir do ano seguinte provocou desconfianças em Ricciardo, que assinou com a Renault para temporada de 2019. Verstappen preferiu não usar a cláusula de saída e continuou na equipe, que prometia um trabalho árduo com a Honda em torno do holandês.

A promessa foi cumprida de uma maneira bem morna, pois mesmo Verstappen sendo promovido ao posto de primeiro piloto, a Mercedes não sentiu nem a ponta das garras da Red Bull. Para piorar, a contratação de Pierre Gasly tornou-se um fracasso, pois o francês era incapaz de enfrentar os pilotos da Ferrari, que não estavam em boa fase no começo do ano, e impediu que a Red Bull conquistasse o vice-campeonato de construtoras. Com Verstappen carregando o time nas costas, o diretor Helmut Marko decidiu substituir Gasly por Alexander Albon, da Toro Rosso, algo similar ao que havia acontecido entre Kvyat e Max em 2016. Apesar de três boas vitórias, na Alemanha, na Áustria e no Brasil, Verstappen enfrentou falta de potência em corridas que poderiam compensar o déficit causado por Gasly, como na Rússia, em que seu carro não conseguiu alcançar o de Charles Leclerc. O término de seu contrato estava previsto para 2020, mas o holandês decidiu renová-lo para 2023.

 

2- Red Bull: gloriosa no passado, decadente no presente

 

A Red Bull Racing surgiu como escuderia de Fórmula 1 em 2004 após a empresa homônima comprar a escuderia Jaguar, cujo um de seus sócios era o tricampeão Jackie Stewart. O auge da equipe ocorreu entre os anos de 2010 e 2013, no qual Sebastian Vettel garantiu o tetracampeonato para a escuderia, derrotando a McLaren de Lewis Hamilton e a Ferrari de Fernando Alonso.

Nesse período, a categoria empregava o turbo em seus carros e a Red Bull foi capaz de montar um chassi que respondesse ao trabalho do motor. Vettel dominou as temporadas sentindo pouco perigo vindo de seus adversários. Hamilton se decepcionava com a McLaren e a Ferrari sentia o amargor de não vencer um campeonato de pilotos desde 2007 e de construtoras desde 2008. Em 2014, com a proibição do turbo, o cenário da Fórmula 1 mudou consideravelmente. O australiano Mark Webber, até então companheiro de Vettel, deu lugar ao conterrâneo Daniel Ricciardo, enquanto o austríaco Christian Horner assumia o papel de chefe de equipe. O carro do tetracampeão passou por uma sequência de quebras que impediram sua pontuação. Apesar de sua primeira vitória na carreira, Ricciardo não conseguiu muitos feitos e a Red Bull viu a ascensão de Hamilton na Mercedes e o domínio da escuderia alemã que dura até os dias de hoje.

Para os que não se lembram da sequência de falhas técnicas no carro de Vettel, fica a impressão de que Ricciardo venceu o companheiro por ter mais talento. Os críticos do alemão utilizam a temporada de 2014 até hoje como justificativa para afirmar que Vettel deveria se aposentar e que seus títulos são mais um produto do motor turbo do que de seu talento. No entanto, o fracasso em 2014 são significa a derrocada de Vettel. Sentindo-se traído e preterido pela equipe, ele assinou com a Ferrari para o ano de 2015, com a escuderia italiana se comprometendo a pagar por sua quebra de contrato com o time austríaco.

 

Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel na Red Bull. A saída do alemão foi o começo da decadência da escuderia.

 

Com Vettel na Ferrari, a Red Bull contratou Daniil Kvyat para correr ao lado de Ricciardo. Porém, nenhum dos dois trouxe de volta a glória dos tempos do alemão. Kvyat ganhou a fama de ser um “barbeiro” e seus acidentes lhe custaram a vaga na equipe principal e a confiança dos dirigentes. Ricciardo deu a impressão de ser um “piloto burocrata”, pois não costumava batalhar por posições maiores. Max Verstappen não era apenas um substituto de Kvyat aos olhos da Red Bull, mas sim uma oportunidade de voltar à posição de campeã, já que o holandês apresentava todas as virtudes encontradas em Vettel: determinação, arrojo, coragem, persistência, entre outras.

No entanto, só é possível vencer um campeonato se há um equilíbrio entre o talento do piloto e o do departamento de engenharia. O atleta não pode ter medo de desafios, mas também deve ter prudência para evitar acidentes. O carro precisa corresponder ao desempenho do piloto, logo falhas elétricas, no motor, nos freios, no óleo ou em qualquer outra parte são inadmissíveis. O que parece óbvio para os torcedores parece não ser para a Red Bull. O arrojo de Max é constante, pois é nítido que ele sempre tenta superar seus adversários, não importa a situação. É um piloto que não se contenta com pontos ou pódios, pois busca a vitória. Seu carro, no entanto, é o mais fraco entre as chamadas “equipes de ponta”. A pergunta que fica no ar é: “Como que em sã consciência alguém pode se dizer fã de Max Verstappen e perdoar a Red Bull pelas quebras em 2017 e por proporcionar a ele uma média de apenas duas vitórias por ano?”.

 

3- Fidelidade vs. Conquistas

 

A primeira renovação de contrato de Max Verstappen com a Red Bull em 2017 já havia sido uma grande surpresa. Naquele ano, alguns veículos de imprensa começavam a questionar o talento do holandês, ignorando os verdadeiros responsáveis pelos abandonos. Isso aconteceu porque memória de jornalista esportivo incompetente é igual memória de eleitor: curta. Diferente de Sebastian Vettel, que percebeu as dificuldades da equipe e mudou-se para a Ferrari, Verstappen estava dando mais uma chance ao time que propiciou uma atmosfera artificial de desconfiança em torno de um piloto que não precisa provar mais nada.

Max nunca detalhou os motivos pelos quais escolheu continuar com o time austríaco, limitando-se a dizer que confiava no que a escuderia planejava para ele. O contrato oferecido era bem interessante: o holandês ficaria até 2020 com a Red Bull, mas uma cláusula de saída lhe dava a liberdade de escolher outra equipe caso suas expectativas não fossem atingidas. Em outras palavras, a Red Bull estava ciente que Verstappen havia recusado ótimas chances em outras equipes e se disponibilizaria a arcar com as consequências da escolha do holandês.

 

A instabilidade do carro da Red Bull custou vitórias e pontos para Verstappen. Mesmo assim, ele se recusa a deixar a equipe.

 

Logo, em 2018, acreditava-se que a Red Bull trabalharia duro para produzir um carro à altura do talento de Max para que ele tivesse a chance de competir pelo título com Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Embora seus resultados tenham sido satisfatórios, Verstappen estava um pouco longe do esperado para se tornar um campeão: teve apenas duas vitórias (Áustria e México) e mais nove pódios. Hamilton teve 11 vitórias e Vettel venceu cinco vezes naquele ano. No final de 2018, Verstappen variava as respostas que dava para a imprensa sobre as expectativas para 2019: hora dizia que estavam prontos para lutar pelo campeonato, hora dizia que não tinham chances. Só uma coisa era irredutível: ele não deixaria a Red Bull.

Já em 2019, a temporada foi um pouco melhor, mas também longe do primeiro lugar: Max teve três vitórias e mais seis pódios. Jos Verstappen até ameaçou pedir para o filho sair da Red Bull caso a equipe não lhe desse condições de disputar um título. Com o fim do contrato se aproximando, os fãs da Fórmula 1 ficaram curiosos para saber qual seria o destino do jovem prodígio. Como Verstappen não deu indícios de que estava disposto a sair da equipe, Toto Wolff renovou com Valtteri Bottas. Foi então, que no dia 7 de janeiro de 2020, Verstappen deu um ótimo presente de 35 anos a Lewis Hamilton: renovou com a Red Bull até 2023. Pelo que se observa desde 2017, a fidelidade de Max o prende à sua atual equipe, mas só isso não lhe garante conquistas, pois lhe falta um carro competitivo (que o próprio às vezes admite que a Red Bull não sabe fazer).

 

4- Mitos e Verdades

 

  •   Mito: Daniel Ricciardo saiu da Red Bull em 2019 porque a equipe estava priorizando Verstappen

 

Essa teoria absurda criada pelos haters de Verstappen já foi desmentida várias vezes pelo próprio Ricciardo, mas volta e meia aparece alguém para dizer isso na internet. O fato é que o piloto australiano deixou a Red Bull em 2019 porque estava descontente, mas não foi por causa do companheiro de equipe.

Em 2017, Max começou o ano à frente do companheiro, chegando ao terceiro lugar do campeonato na segunda corrida da temporada, no Grande Prêmio da China. No entanto, a série de abandonos que se iniciou no Grande Prêmio do Bahrein permitiu a Ricciardo superá-lo na pontuação. Isso não significa, porém, que o australiano teve um ano fácil: apesar de sua vitória no Azerbaijão e de mais oito pódios, Daniel acumulou seis abandonos, sendo o pior no México, onde havia conseguido a pole position. No ano seguinte, venceu duas vezes (na China e em Mônaco), mas teve oito abandonos. Aqueles que acusam a Red Bull de fornecer um carro pior para Ricciardo em 2018 para beneficiar Verstappen, deviam no mínimo ser coerentes e admitir que parecia que em 2017 a equipe havia feito o contrário: prejudicou o carro de Verstappen para que Ricciardo o superasse no campeonato.

 

Verstappen e Ricciardo mantiveram a amizade após a saída do australiano.

 

Ainda em 2018 os executivos da Red Bull anunciaram que a partir de 2019 a equipe trocaria os motores da Renault pelos da Honda. A notícia surpreendeu os torcedores, já que a fornecedora japonesa vivia em guerra com a McLaren quando esta usou seus motores na época de Fernando Alonso. O piloto espanhol teve vários abandonos devido a falhas no motor. Ricciardo afirmou que não queria ter o mesmo destino de Alonso, e ciente de que nem a Mercedes nem a Ferrari estavam interessadas em contratá-lo, o australiano trocou a incerteza da Red Bull pela provável estabilidade da Renault. Infelizmente, a equipe francesa teve um desempenho insatisfatório em 2019, mas não era possível adivinhar que isso iria acontecer.

Ricciardo e Verstappen já disseram que sentem falta um do outro e foram vistos em momentos de descontração diversas vezes. Ou seja, se Max fosse o motivo pelo qual Daniel saiu da Red Bull, eles não teriam essa relação saudável após a ida dele para a Renault.

 

  •   Verdade: A Mercedes já vinha mostrando interesse em Verstappen desde 2014

 

Toto Wolff não esconde sua admiração por Max. O chefe de equipe da Mercedes revelou em entrevistas que em 2014, quando Verstappen ainda estava na Fórmula 3, que o time alemão havia tentado contratá-lo para o futuro. No entanto, a Red Bull planejava inseri-lo na Fórmula 1 mais cedo do que o proposto pela Mercedes. Max e seu pai Jos se interessaram mais pela oferta da Red Bull e o jovem estreou pela Toro Rosso em 2015.

Praticamente nenhum piloto na história da Fórmula 1 correu em apenas uma equipe durante toda a carreira (exceto em casos em que o piloto morreu ou foi demitido no ano de estreia). A ideia de Verstappen futuramente deixar a Red Bull para correr pela Mercedes não parece absurda. Mas a análise dessa possibilidade depende da desmistificação de mais uma inverdade que os haters de Verstappen adoram proferir.

 

  •   Mito: Se sair da Red Bull, Verstappen não tem para onde ir

 

Foram muitas as vezes que Toto Wolff chamou Jos Verstappen para conversar. E é lógico que o chefe de equipe da Mercedes não marcaria encontros com o pai de Max para falar sobre o capítulo da novela ou sobre o último jogo de futebol, ainda mais se tratando da pessoa que já teve interesse em contratar o jovem quando ele ainda não estava na Fórmula 1.

Os atuais pilotos da Mercedes são o campeão Lewis Hamilton e o finlandês Valtteri Bottas. Este último apresenta uma peculiaridade: todos os contratos assinados até então tiveram validade de apenas um ano. Se a Mercedes rejeita Verstappen da maneira como os haters afirmam, por que ela não contrata Bottas para correr no mínimo uns três anos? A resposta é simples: a equipe alemã sabe que o finlandês não tem condições de enfrentar Hamilton como Rosberg o fez, então usa o piloto como um tampão enquanto Max continua na Red Bull. Alguns questionam se Hamilton permitiria o ingresso do jovem na Mercedes, mas o fato é que o inglês não tem poder decisivo no time. Se tivesse, Rosberg teria sido demitido em 2015.

Outra opção de Max, embora esta seja mais improvável, é a Ferrari. A escuderia italiana atualmente conta com Sebastian Vettel e Charles Leclerc, dois pilotos com os quais Verstappen não se dá bem. O holandês já afirmou que não se importaria em correr ao lado de Leclerc, mas o monegasco não esconde que não gostaria de ser companheiro de equipe dele. Já Vettel é um notório rival de Max, com quem já teve vários conflitos. Esses são os motivos pelos quais é menos provável que Verstappen vá para a Ferrari, apesar da equipe ter demonstrado interesse por ele em 2017.

 

  •   Verdade: A falta de títulos de Verstappen na Fórmula 1 é culpa de sua equipe

 

Os pilotos não são responsáveis pelo desempenho de seus carros. Isso é tarefa do departamento de engenharia, e consequentemente, dos engenheiros. Culpar Verstappen pelas falhas no motor, na parte elétrica ou nos freios é burrice. Apenas em casos de acidentes é que se pode atribuir culpa ao piloto, e mesmo assim os acidentes são analisados para saber se houve falha dele ou não.

Max começou 2017 como um dos favoritos ao título. O campeonato foi perdido por culpa dos abandonos, causados ou por falhas no carro ou por colisões causadas por outros pilotos. Em 2018 e 2019, foram várias as oportunidades de vitórias perdidas porque o rendimento do carro não possibilitava ultrapassar adversários das equipes de ponta. Será que um piloto que aos 19 anos havia quebrado seis recordes e que consegue correr tão bem na chuva (como no Brasil em 2016, na China em 2017 e na Alemanha em 2019), realmente não consegue ser campeão por “falta de talento”? Ou será que o carro da “competente” Red Bull só é capaz de lhe garantir no máximo três vitórias por ano?

 

5- Conclusão

 

Max Verstappen é um dos maiores talentos da Fórmula 1. Suas habilidades foram comprovadas em várias corridas, basta procurar os vídeos. Porém, sua equipe, a Red Bull Racing, ainda não foi capaz de lhe proporcionar um carro competitivo que corresponda à sua determinação. Quem não se lembra do Grande Prêmio do México de 2017, em que a equipe pedia para ele desacelerar para não sobrecarregar o carro?

Verstappen tem muitas chances de ser um campeão tão bem-sucedido quanto Lewis Hamilton. Ele já tem uma das chaves para ter sucesso na Fórmula 1: o talento. Só falta a outra: o carro. Mas, se continuar dando chances a uma equipe que até agora só protelou seu sonho, essa conquista corre o risco de ser adiada até um ponto em que ele se encontraria em situação semelhante à de Ricciardo: já com certa idade e sem esperanças de título.

 

 

 O que você prefere? Vencer onze vezes com a Mercedes ou três vezes com a Red Bull?

 

Fontes:

 

 

Fotos

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The Max Verstappen Case: A Big Driver For a Little Team

Max Verstappen is one of the stars of Formula 1 today. Holder of six official records (among them the “youngest Grand Prix winner”), highlighted in exciting races and with several podiums and victories in a few years of experience, the Dutch driver surprised fans by announcing on January 7th, 2020 that he had renewed his contract with Red Bull Racing until 2023. While some praise the decision, others criticize the choice, wondering why Verstappen did not accept proposals from better teams. The analysis of this case you can check from now on.

 

1- Max’s career: a star appears

 

The eldest son of Dutch former Formula One driver Jos Verstappen and Belgian former kart driver Sophie Kumpen, Max Verstappen started his auto career at the age of 4, in regional kart competitions. At 17, after finishing the European Formula 3 2014 in third place, he was hired by Scuderia Toro Rosso to compete in Formula 1 the following year. In his debut at the Australian Grand Prix, he broke the record for “youngest driver to debut in a Formula One race”, which previously belonged to Jaime Alguersuari. In the next race in Malaysia, he broke the record for “youngest driver to score in Formula One”, which was previously owned by Daniil Kvyat. Verstappen ended his debut year by scoring 10 times, totaling 49 points in 19 races, in addition to being awarded by the FIA ​​as “Rookie of the Year” and “Personality of the Year” and his overtaking over Felipe Nasr in Belgium earned him the “Action of the Year” award.

All these achievements were essential for Red Bull to choose Verstappen in 2016 to replace Kvyat, whose results were below expectations. The Dutchman did not disappoint and achieved his first victory in the Spanish Grand Prix, breaking the records of “youngest leader, by at least one lap in Formula One”, “youngest driver to achieve a podium in Formula One” and “youngest Grand Prize winner ”, all of which previously belonged to Sebastian Vettel. In Belgium, he broke the record for “youngest driver to start from the front row”, which the following year was broken by Lance Stroll. In Brazil, he broke the record for “youngest driver to make the fastest lap in Formula One”, which previously belonged to Nico Rosberg. At the end of that year, with Rosberg’s retirement, Mercedes team principal Toto Wolff was looking for a replacement for the German. It was reported that he contacted Jos Verstappen several times to talk about Max, but the young man continued with Red Bull. Wolff hired his sponsor Valtteri Bottas, who was racing for Williams, to take the team’s second seat.

 

Max’s victory on 2016 Spanish Grand Prix.

 

If 2016 was a wonderful year, in which Verstappen was able to expose his skills, 2017 was disappointing. In 20 races, he had seven retirements, but none because of him. The first was in Bahrain, where a brake problem took him out of the race. The second was in Spain, where Bottas collided with Verstappen and Kimi Raikkonen, taking both of them out of the race. The third was in Canada, where an electrical failure shut down his car. The fourth occurred in Azerbaijan due to an oil problem. The fifth was caused by Kvyat, who collided with the Dutchman and Fernando Alonso in Austria. The sixth took place in Belgium, where his car shut down in the middle of the race. In the seventh and final retirement, Verstappen was crushed by Ferrari drivers, Vettel and Raikkonen, and then was thrown off the track by the Finn’s dangerous re-entry. Disappointed by the inconsistency of his car, in contrast to the good performance of the car of his teammate Daniel Ricciardo, Verstappen had moments of fury with his team. Aware of the situation, Toto Wolff and Maurizio Arrivabene, Ferrari’s team principal, contacted Jos to discuss the future of the young prodigy. It was clear that Red Bull had no competence to produce a winning car for its two drivers as well and Max was being sacrificed. Wolff was not satisfied with Bottas’ inability to compete on an equal footing with Lewis Hamilton (giving Ferrari a rebirth as a title contender) and Arrivabene was looking for someone to replace Raikkonen, who was close to leaving the team. However, Verstappen preferred to give the Austrian team a chance and signed a contract with an exit clause. Despite the difficulties, he managed two victories, one in Malaysia and one in Mexico.

 

 

2017 Singapore Grand Prix accident.

 

In 2018 the situation changed. Red Bull knew that Max gave up good proposals to continue with the Austrians, and disappointing him would mean his departure. The car showed more stability, but it was not yet powerful enough for Red Bull to establish itself as a threat to Mercedes’ hegemony, achieving only two victories, in Austria and Mexico. However, Ricciardo’s car had many flaws, compromising the Australian’s performance. The announcement that Red Bull would use Honda engines from the following year caused suspicion in Ricciardo, who signed with Renault for the 2019 season. Verstappen preferred not to use the exit clause and remained with the team, which promised hard work with Honda around the Dutchman.

The promise was fulfilled in a very warm way because even though Verstappen was promoted to the position of first driver, Mercedes did not feel the tip of Red Bull’s claws. To make matters worse, the hiring of Pierre Gasly became a failure, as the Frenchman was unable to face the Ferrari drivers, who were not in a good phase at the beginning of the year, and prevented Red Bull from winning the runners-up championship. With Verstappen carrying the team on his back, director Helmut Marko decided to replace Gasly with Alexander Albon, from Toro Rosso, something similar to what happened between Kvyat and Max in 2016. Despite three good victories in Germany, Austria and Brazil Verstappen faced a lack of power in races that could make up for the deficit caused by Gasly, as in Russia, where his car failed to reach Charles Leclerc’s. His contract was due to expire in 2020, but the Dutchman decided to renew it for 2023.

 

2- Red Bull: glorious in the past, decadent in the present

 

Red Bull Racing emerged as a Formula 1 team in 2004 after the eponymous company bought the Jaguar team, whose partner was three-time champion, Jackie Stewart. The peak of the team occurred between the years 2010 and 2013, in which Sebastian Vettel secured the fourth championship for the team, defeating McLaren of Lewis Hamilton and Ferrari of Fernando Alonso.

During this period, the category employed turbo in their cars and Red Bull was able to assemble a chassis that would respond to the engine’s work. Vettel dominated the seasons feeling little danger from his opponents. Hamilton was disappointed with McLaren and Ferrari felt the bitterness of not winning a drivers’ championship since 2007 and a constructors’ championship since 2008. In 2014, with the ban on the turbo, the scenario of Formula 1 changed considerably. Australian Mark Webber, until then Vettel’s companion, gave way to fellow countryman Daniel Ricciardo, while Austrian Christian Horner assumed the role of team leader. The four-time champion’s car went through a sequence of breaks that prevented his score. Despite his first career victory, Ricciardo did not achieve much and Red Bull saw Hamilton’s rise in Mercedes and the dominance of the German team that lasts until today.

For those who do not remember the sequence of technical failures in Vettel’s car, it is the impression that Ricciardo beat his teammate for having more talent. Critics of the German use the 2014 season to this day as a justification for saying that Vettel should retire and that his titles are more a product of the turbo engine than his talent. However, the failure in 2014 does mean Vettel’s downfall. Feeling betrayed and neglected by the team, he signed with Ferrari for 2015, with the Italian team committing to pay for his breach of contract with the Austrian team.

 

Daniel Ricciardo and Sebastian Vettel in Red Bull. The German’s exit was the beginning of the teams downfall.

 

With Vettel at Ferrari, Red Bull hired Daniil Kvyat to race alongside Ricciardo. However, neither brought back the glory of German times. Kvyat gained the reputation of being a “Sunday driver” and his accidents cost him the place on the main team and the confidence of the leaders. Ricciardo gave the impression of being a “bureaucrat driver”, as he did not usually fight for bigger positions. Max Verstappen was not just a substitute for Kvyat in the eyes of Red Bull, but an opportunity to return to the position of champion, since the Dutchman had all the virtues found in Vettel: determination, boldness, courage, persistence, among others.

However, it is only possible to win a championship if there is a balance between the talent of the driver and that of the engineering department. The athlete cannot be afraid of challenges, but must also be prudent to avoid accidents. The car needs to match the driver’s performance, so electrical failures in the engine, brakes, oil or elsewhere are unacceptable. What seems obvious to fans seems not to be for Red Bull. Max’s boldness is constant, as it is clear that he always tries to overcome his opponents, no matter the situation. He is a driver who is not satisfied with points or podiums, as he seeks victory. His car, however, is the weakest among the so-called “top teams”. The question that remains in the air is: “How in good conscience can anyone claim to be a fan of Max Verstappen and forgive Red Bull for the crashes in 2017 and for giving him an average of just two wins a year?”.

 

3- Loyalty vs. Achievements

 

Max Verstappen’s first contract renewal with Red Bull in 2017 had already been a big surprise. In that year, some press outlets began to question the Dutchman’s talent, ignoring the real responsible for the retirements. This happened because the memory of an incompetent sports journalist is the same as the memory of a voter: short. Unlike Sebastian Vettel, who realized the team’s difficulties and moved to Ferrari, Verstappen was giving the team one more chance that provided an artificial atmosphere of distrust around a driver who doesn’t need to prove anything else.

Max never detailed the reasons why he chose to stay with the Austrian team, just saying that he trusted what the team planned for him. The contract offered was very interesting: the Dutchman would stay with Red Bull until 2020, but an exit clause gave him the freedom to choose another team if his expectations were not met. In other words, Red Bull was aware that Verstappen had refused great chances on other teams and would be willing to bear the consequences of the Dutchman’s choice.

 

Red Bull’s car instability costed victories and points to Verstappen. Anyway he refuses to leave the team.

 

Therefore, in 2018, it was believed that Red Bull would work hard to produce a car that matched Max’s talent so that he had a chance to compete for the title with Lewis Hamilton and Sebastian Vettel. Although his results were satisfactory, Verstappen was a little far from expected to become a champion: he had only two victories (Austria and Mexico) and nine more podiums. Hamilton had 11 wins and Vettel won five times that year. At the end of 2018, Verstappen varied the answers he gave to the press about expectations for 2019: sometimes said they were ready to fight for the championship, sometimes said they had no chance. Only one thing was irreducible: he would not leave Red Bull.

In 2019, the season was a little better, but also far from the first place: Max had three wins and six more podiums. Jos Verstappen even threatened to ask his son to leave Red Bull if the team was unable to compete for a title. With the end of the contract approaching, Formula One fans were curious to know what the fate of the young prodigy would be. As Verstappen did not indicate that he was willing to leave the team, Toto Wolff renewed with Valtteri Bottas. It was then, that on January 7, 2020, Verstappen gave Lewis Hamilton a great 35-year gift: he renewed with Red Bull until 2023. From what has been observed since 2017, Max’s loyalty binds him to his current team, but that alone does not guarantee achievements, as he lacks a competitive car (which he sometimes admits that Red Bull does not know how to do).

 

4- Myths and Truths

 

  •   Myth: Daniel Ricciardo left Red Bull in 2019 because the team was prioritizing Verstappen

 

This absurd theory created by Verstappen haters has been contradicted several times by Ricciardo himself, but now and then someone appears to say this on the internet. The fact is that the Australian driver left Red Bull in 2019 because he was unhappy, but it was not because of his teammate.

In 2017, Max started the year ahead of his teammate, reaching third place in the championship in the second race of the season, at the Chinese Grand Prix. However, the series of retirements that started at the Bahrain Grand Prix allowed Ricciardo to surpass him in the scoring. This does not mean, however, that the Australian had an easy year: despite his victory in Azerbaijan and eight more podiums, Daniel accumulated six retirements, the worst being in Mexico, where he had achieved pole position. The following year, he won twice (in China and Monaco), but had eight dropouts. Those who accuse Red Bull of providing Ricciardo with a worse car in 2018 to benefit Verstappen, should at the very least be consistent and admit that it seemed that in 2017 the team had done the opposite: damaged the Verstappen car so that Ricciardo overcame him in the championship.

 

Verstappen and Ricciardo keep their friendship after the Australian’s exit.

 

Still, in 2018, Red Bull executives announced that starting in 2019, the team would switch from Renault to Honda engines. The news surprised fans, as the Japanese supplier was at war with McLaren when it used its engines at the time of Fernando Alonso. The Spanish driver had several dropouts due to engine failures. Ricciardo said he did not want to have the same fate as Alonso, and aware that neither Mercedes nor Ferrari were interested in hiring him, the Australian traded Red Bull’s uncertainty for Renault’s likely stability. Unfortunately, the French team performed poorly in 2019, but it was not possible to guess that this would happen.

Ricciardo and Verstappen have already said that they miss each other and have been seen in moments of relaxation several times. That is, if Max were the reason Daniel left Red Bull, they would not have this healthy relationship after his departure for Renault.

 

  •    Truth: Mercedes had been showing interest in Verstappen since 2014

 

Toto Wolff does not hide his admiration for Max. The Mercedes team chief revealed in interviews that in 2014, when Verstappen was still in Formula Three, that the German team had tried to sign him for the future. However, Red Bull planned to put him in Formula 1 earlier than proposed by Mercedes. Max and his father Jos were more interested in the Red Bull offer and the young man debuted for Toro Rosso in 2015.

Virtually no driver in Formula One history has raced in just one team during his entire career (except in cases where the driver died or was fired in his debut year). The idea of ​​Verstappen leaving Red Bull to race for Mercedes in the future does not seem absurd. But the analysis of this possibility depends on demystifying yet another untruth that Verstappen haters love to utter.

 

  •   Myth: If he leaves Red Bull, Verstappen has nowhere to go

 

Toto Wolff called Jos Verstappen to talk many times. And, logically, the Mercedes team leader would not set up meetings with Max’s father to talk about a chapter of a soap opera or about the last football match, especially when it comes to the person who was already interested in hiring the young man when he was still was not in Formula One.

The current Mercedes drivers are champion Lewis Hamilton and Finn Valtteri Bottas. The latter has a peculiarity: all contracts signed so far have been valid for only one year. If Mercedes rejects Verstappen the way the haters claim, why doesn’t it hire Bottas to run for at least three years? The answer is simple: the German team knows that the Finn is not in a position to face Hamilton like Rosberg did, so he uses the driver as a buffer while Max remains at Red Bull. Some question whether Hamilton would allow the youngster to join Mercedes, but the fact is that the Englishman has no decisive power in the team. If he had, Rosberg would have been fired in 2015.

Another option for Max, although this is more unlikely, is Ferrari. The Italian team currently has Sebastian Vettel and Charles Leclerc, two drivers Verstappen does not get along with. The Dutchman has already stated that he would not mind running alongside Leclerc, but the Monegasque does not hide that he would not like to be his teammate. Vettel is a notorious rival to Max, with whom he has had several conflicts. Those are the reasons why Verstappen is less likely to go to Ferrari, despite the team showing interest in him in 2017.

 

  •    Truth: Verstappen’s lack of titles in Formula One is his team’s fault

 

Drivers are not responsible for the performance of their cars. This is the task of the engineering department, and consequently, of the engineers. Blaming Verstappen for engine, electrical or brake failures is stupid. Only in cases of accidents can the pilot be blamed, and even then accidents are analyzed to find out if he failed or not.

Max started 2017 as one of the title favorites. The championship was lost due to the abandonments, caused either by car failures or collisions caused by other drivers. In 2018 and 2019, there were several opportunities for lost victories because the performance of the car did not make it possible to overcome opponents of the top teams. Could it be that a driver who, at 19 years old, had broken six records and can run so well in the rain (as in Brazil in 2016, China in 2017 and Germany in 2019), really does not manage to be champion for “lack of talent”? Or is the car of the “competent” Red Bull only capable of guaranteeing a maximum of three victories per year?

 

5- Conclusion

 

Max Verstappen is one of the greatest talents in Formula One. His skills have been proven in several races, just look for the videos. However, his team, Red Bull Racing, has not yet been able to provide him with a competitive car that matches his determination. Who doesn’t remember the 2017 Mexican Grand Prix, in which the team asked him to slow down so as not to overload the car?

Verstappen has a good chance of being as successful a champion as Lewis Hamilton. He already has one of the keys to success in Formula One: talent. Only the other is missing: the car. But if he continues to give chances to a team that until now has only delayed his dream, this achievement risks being postponed to a point where he would find himself in a situation similar to that of Ricciardo: already at a certain age and without hopes of a title.

 

 

 What do you prefer? Winning eleven times with Mercedes or three times with Red Bull?

 

6- Sources

 

 

Photos

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