Quem é Lawrence Stroll? O Papai Famoso de Lance

O empresário Lawrence Stroll vem atraindo a atenção da mídia esportiva nos últimos anos devido a seus investimentos na Fórmula 1. Desde o ingresso de seu filho caçula Lance na categoria até a compra da equipe Force India (atual Racing Point e futura Aston Martin) o nome de Stroll desperta curiosidade em jornalistas e torcedores.

No entanto, muitas vezes os fãs da Fórmula 1 acabam por acreditar em boatos e ter falsas impressões a respeito do canadense, e com isso não percebem as verdadeiras intenções de seus detratores. Nesta matéria, vamos explicar quem é Lawrence Stroll através de fatos e mostrar para o apaixonado por automobilismo quem é o famoso “Papai Stroll”.

 

1- A origem dos Strolls

 

A família Stroll, cujo nome original é Strulovitch, tem origens na Rússia. Durante a era dos czares, os judeus foram intensamente perseguidos. Uma das políticas de Estado eram os pogroms: invasões de aldeias judaicas acompanhadas de saques, incêndios e mortes. Logo, muitos judeus tinham esperança em novos tempos com as revoluções de 1917 (inclusive, alguns líderes dos movimentos contra o czar Nicolau II, como Leon Trotsky, eram judeus). No entanto, o período soviético não trouxe paz para esta comunidade, sobretudo no regime de Josef Stalin. As perseguições não apenas continuaram, como se intensificaram.

Com isso, muitos judeus fugiram da Rússia rumo a países democráticos. Uma grande parte fugiu para as Américas. Foi o caso de Leo Strulovitch. Recomeçando a vida no Novo Continente, Strulovitch e sua esposa Sandra (nascida no Canadá) tiveram dois filhos: Lawrence e Randy. O jovem Lawrence cresceu observando seu pai, que trabalhava como comerciante de roupas (tornando-se investidor anos depois, introduzindo a linha feminina da Pierre Cardin e a marca Ralph Lauren no Canadá), e decidiu seguir seus passos. Estudou, trabalhou, montou seus primeiros negócios, e alguns anos depois começou seus primeiros investimentos.

 

Lawrence Stroll e seu sócio Silas Chou. [1]

 

Lawrence Stroll é apontado como o responsável pela popularização da marca Polo Ralph Lauren no continente europeu e da expansão da Michael Kors no mercado. Em 1989, Stroll e seu sócio Silas Chou fundaram a Sportswear Holdings Limited, uma das maiores empresas do setor da moda de toda a história, como apontado pelo jornalista espanhol Jaime Cevallos. A companhia permitiu a popularização da marca Tommy Hilfiger, que conquistou um grande espaço no setor têxtil. Na década de 2000, Stroll e Chou viram algumas marcas que receberam seus investimentos, como a Michael Kors, entrar na Bolsa de Valores. A compra e venda de ações renderam uma boa fortuna aos empresários.

Em agosto de 1994, Stroll se casou com a estilista belga Claire-Anne Callens. Em 11 de março do ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal: Chloe. O segundo filho, Lance, nasceu em 29 de outubro de 1998. Dona da grife Callens, Claire-Anne administra seus negócios sozinha, e suas lojas se encontram em muitas cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá.

 

Claire-Anne Callens: estilista belga e esposa de Lawrence Stroll. [2]

 

2- Lawrence Stroll e o esporte: uma interação antiga

 

No documentário W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll relata que participou do Ferrari Challenge, uma competição feita por colecionadores que possuem o modelo Ferrari 348, por volta de seus 30 anos e continuou durante a infância de seus filhos, que eram levados para ver o pai no evento. Esta foi a primeira inserção de Stroll no mundo esportivo, muito antes de Lance pensar em ser piloto de Fórmula 1. Logo, cai por terra o primeiro mito sobre o empresário: de que ele só teria entrado no ramo do automobilismo porque seu filho queria ser piloto.

Assim como Lawrence adquiriu gosto pela moda ao observar o trabalho de seu pai Leo, Lance Stroll compartilha o amor pelo esporte com seu pai. O automobilismo é uma das categorias esportivas mais caras que existem devido ao custo de sua mão de obra e materiais. Consequentemente, é necessário que haja um suporte financeiro na carreira dos atletas, tornando impossível o ingresso de pilotos sem investimentos desde às categorias de base até as mais altas. Possuidor de uma fortuna decorrente de seus negócios no ramo têxtil, Lawrence Stroll foi um dos apoiadores do filho em seu caminho no esporte.

 

Lawrence Stroll no Ferrari Challenge com seus filhos. [3]

 

A formação de um piloto requer investimento e desempenho atlético. Neste caso, pouco importa se o patrocínio vem de sua família ou não. Um piloto talentoso sem um bom investimento não consegue ajudar nas contas da equipe, enquanto que um atleta sem aptidão não alcança bons resultados que se traduzem em ganhos financeiros para a escuderia. Com esses obstáculos, é quase impossível um piloto chegar à categoria máxima do automobilismo mundial apenas com aparato financeiro e com um desempenho frustrante. Atletas assim normalmente abandonam suas carreiras em etapas mais baixas, como o kart. Ainda, de acordo com Nuno Sousa Pinto, diretor esportivo, a própria FIA dificultou ainda mais o ingresso de pilotos cujos desempenhos não justificariam os investimentos em suas carreiras (os famosos “pilotos pagantes”): a partir de 2016, para entrar na Fórmula 1 seria preciso marcar 40 pontos na Superlicença.

 

3- Lance e Lawrence: pai e filho na Fórmula 1

 

Sendo campeão da Fórmula 4 Italiana em 2014 (o primeiro da categoria), da Toyota Racing Series em 2015, e da Fórmula 3 Europeia em 2016, Lance Stroll obteve os pontos necessários na Superlicença para ingressar na Fórmula 1 em 2017 pela equipe Williams. Nuno Sousa Pinto aponta que o currículo de Stroll é mais impressionante do que de muitos atletas jovens que também chegaram à Fórmula 1, e que apesar destes também virem de famílias ricas não são criticados pela imprensa. Isto revela que, infelizmente, alguns jornalistas deixam as preferências pessoais se sobressair ao profissionalismo esperado e espalham desinformação, ignorando um dos princípios mais importantes do jornalismo: a ética.

Os atletas têm um tempo de adaptação à categoria em que atuam. As críticas a Lance Stroll logo durante a pré-temporada foram, do ponto de vista jornalístico, precipitadas. Isso se comprovou ainda no primeiro semestre de 2017, quando Stroll marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio do Canadá e teve seu primeiro pódio no Grande Prêmio do Azerbaijão, quebrando seu primeiro recorde: mais jovem estreante a ter pódio. Um piloto “pagante” jamais conseguiria resultados tão impressionantes, pois não teria aptidão para o esporte, apenas aporte financeiro. No Grande Prêmio da Itália, Stroll quebrou o recorde de mais jovem piloto a largar da primeira fila, comprovando seu potencial e talento para o automobilismo.

 

Pódio do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017. [4]

 

Em uma entrevista para a emissora canadense RDS em agosto de 2018, Lance Stroll afirmou que seu pai é um homem de negócios, e que investe em empreendimentos que ele tem a certeza de que darão certo. Portanto, o interesse de Lawrence Stroll em escuderias, desde a Prema Powerteam à Racing Point, vai muito além de uma interação com seu filho: trata-se de oportunidades de bons investimentos.

Vale a pena ressaltar que os únicos pilotos do grid de 2020 que vieram de famílias mais humildes são Esteban Ocon e Valtteri Bottas. Todos os demais provém de família com boas condições financeiras: alguns de classe média como Lewis Hamilton e Kimi Raikkonen, outros de classes mais abastadas. No entanto, todos, sem exceção, possuem aporte financeiro, seja de suas famílias, de empresas ou até de ambos. Alguns pilotos são filhos de empresários (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, etc.), que atuam em diferentes nichos (moda, investimentos, automóveis, engenharia, entre outros). Outros são filhos de atletas (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., Pierre Gasly), logo também têm condições privilegiadas desde o nascimento. A origem do piloto não interfere em seu desempenho pois, como definiu Lawrence Stroll, os pais não dirigem o carro pelos filhos.

 

4- Os rumores: noticiando antes de saber a verdade

 

Em 2018, quando a Force India foi vendida para o consórcio liderado por Lawrence Stroll (formado também por Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman e Andre Desmarais), especulava-se que Lance se mudaria para a equipe imediatamente, já que falhas contínuas do departamento de engenharia da Williams comprometeram o desempenho de seus carros. Com a saída de Esteban Ocon do time, no final daquele ano, os fãs do piloto francês e alguns jornalistas imediatamente jogaram a culpa nos Strolls, como se o futuro de Ocon já estivesse garantido antes da venda da escuderia.

Na verdade, como relatou Joas van Wingerden, Toto Wolff já cogitava tirar seu apadrinhado da Force India. As negociações falharam porque os laços entre Ocon e Wolff eram vistos com desconfiança pelas outras equipes, como afirmado por Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. Este fato se comprovou em 2019, quando Ocon desfez seus vínculos com Wolff para conseguir uma oportunidade de voltar à Fórmula 1 pela Renault.

Na época da compra da Force India, Sergio Pérez era mais atrativo para os investidores do que Esteban Ocon devido a sua consistência em pontuação e patrocinadores. Isso, somado às pretenções do empresário do piloto francês, garantiu que o mexicano fosse a melhor opção para correr ao lado de Lance Stroll. Além disso, o canadense apresentava boas perspectivas de futuro, devido aos investimentos e seus feitos no ano de estreia.

 

Lance Stroll e Sergio Pérez na Racing Point. [5]

 

Em 2020 ocorreu uma situação parecida. Sebastian Vettel não teve seu contrato com a Ferrari renovado pois seu trabalho não estava atendendo às expectativas do time. Os donos da Racing Point cogitaram contratá-lo em razão de seu passado como tetracampeão e de seu investimento financeiro. Embora parecesse óbvio que Lance Stroll não seria o escolhido para dar sua vaga a Vettel, isso não se deve simplesmente ao fato de ele ser filho de um dos donos. Existem de fato empresas que priorizam laços familiares e se os membros não são preparados para assumir as responsabilidades o negócio acaba por falir. Mas este não é o caso que se observa em Lawrence Stroll: o sucesso de seus investimentos se deve ao cuidado nas decisões.

Isso significa que laços familiares não são o fator decisivo para escolhas como esta. O que se discutia era qual dos dois pilotos, Stroll ou Pérez, teria mais chances de trazer os resultados que a equipe pretende alcançar em 2021. Ambos têm boas conquistas, diferindo no tempo de carreira na Fórmula 1: Pérez tem 10 e Stroll tem quatro. Em termos técnicos, os dois podem ser considerados pilotos experientes, mas o mexicano teria mais chances de se aposentar mais cedo, pois já tem 30 anos e está há uma década na Fórmula 1. Tendo ambos bons patrocínios, os investidores esportivos encontram mais perspectivas em atletas jovens, como é o caso de Stroll.

Percebe-se que os negócios envolvem questões muito mais profundas do que apenas laços de parentesco. O investimento na Fórmula 1 é de alto risco e, portanto, as decisões exigem cautela. É claro que a inconstância de narrativas na divulgação dos acontecimentos na Racing Point não facilitou a compreensão dos fatos, e quem não entende bem como funcionam os negócios pode impetuosamente julgar que se trata de um caso de pai protegendo o filho. Por isso se deve analisar friamente os fatos para divulgar as informações corretamente.

 

5- Conclusão

 

Esta é a história de Lawrence Stroll: um homem que construiu sua fortuna com investimentos e empreendedorismo, um trabalho que exige muito empenho e cautela. Se você esperava o estereótipo de um rico herdeiro de um grande capital, casado com uma socialite e com um filho boa vida, procure outra pessoa. Talvez você encontre algum pai de piloto com esse perfil, mas esse definitivamente não é Lawrence Stroll.

 

Atualização (09/10/2020): Como revelado por Adam Cooper no site Motorsport (veja aqui), Sebastian Vettel havia comprado ações da Aston Martin antes de assinar o contrato com a equipe. Logo, este fato reforça o que dizemos neste artigo: a contratação de Vettel em vez da renovação de contrato de Sergio Pérez foi feita com base em negócios, não em privilégio de Lance Stroll por ser filho do dono.

 

Bibliografia

 

 

Fotos

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Who’s Lawrence Stroll? Lance’s Famous Daddy

Businessman Lawrence Stroll has been attracting the attention of sports media in recent years due to his investments in Formula One. From the entry of his youngest son Lance into the category to the purchase of the Force India team (now Racing Point and future Aston Martin), the Stroll name arouses curiosity in journalists and fans.

However, Formula One fans often end up believing in rumors and having false impressions about the Canadian. Consequently, they do not realize the true intentions of his detractors. In this article, we will explain who is Lawrence Stroll through facts and show to the motorsports lovers who is famous Daddy Stroll.

 

1- The origin of the Strolls

 

The Stroll family, whose original name is Strulovitch, has origins in Russia. During the tsar era, there was intense persecution of Jews. One of the state policies was the pogroms: invasions of Jewish villages accompanied by raids, fires, and deaths. Soon, many Jews had hoped for new times with the revolutions of 1917 (including some leaders of the movements against Tsar Nicholas II, such as Leon Trotsky, were Jews). However, the Communist period did not bring peace to this community, especially in the regime of Josef Stalin. The persecutions not only continued but intensified.

As a part, many Jews fled Russia for democratic countries. A large part fled to the Americas. It was the case of Leo Strulovitch. Resuming life on the New Continent, Strulovitch and his wife Sandra (born in Canada) had two children: Lawrence and Randy. Lawrence decided to follow in the footsteps of his father, a clothing merchant who, years later, became an investor and introduced Ralph Lauren and Pierre Cardin’s feminine line in Canada. He studied, worked, set up his first businesses, and started his initial investments a few years later.

 

Lawrence Stroll and his partner Silas Chou. [1]

 

Specialists point Lawrence Stroll as responsible for the popularization of the Polo Ralph Lauren brand in the European continent and the expansion of Michael Kors in the market. In 1989, Stroll and his partner Silas Chou founded Sportswear Holdings Limited, one of the largest companies in the fashion industry in history, as pointed out by Spanish journalist Jaime Cevallos. The company allowed the popularization of the Tommy Hilfiger brand, which gained a large space in the textile sector. In the 2000s, Stroll and Chou saw some brands that received their investments entered the Stock Exchange, like Michael Kors. The purchase and sale of shares earned a good fortune to entrepreneurs.

In August 1994, Stroll married Belgian fashion designer Claire-Anne Callens; On March 11 of the following year, their first daughter Chloe was born. Their second son, Lance, was born on October 29, 1998. Owner of the Callens brand, Claire-Anne runs her business alone, and her stores are in many cities in Europe, the United States, and Canada.

 

Belgian fashin designer Claire-Anne Callens, Lawrence Stroll’s wife. [2]

 

2- Lawrence Stroll and sport: an ancient interaction

 

In the documentary W5: Lance Stroll Canada’s Top Formula 1 Racer, Lawrence Stroll reports that he raced in the Ferrari Challenge, a competition made by collectors who own the Ferrari model 348, around his 30 years and continued during the childhood of his children, who used to see their father at the event. That was the first insertion of Stroll into the sporting world, long before Lance thought about being a Formula One driver. Soon, the first myth about the entrepreneur falls apart: that he would only have entered the motorsport business because his son wanted to be a driver.

Just as Lawrence acquired a taste for fashion by observing the work of his father Leo, Lance Stroll shares a love of the sport with his father. Motorsport is one of the most expensive sports categories that exist due to the cost of your labor and materials. Consequently, it is necessary to have financial support in the career of athletes, making it impossible for drivers without investments to enter from the basic categories to the highest. Possessing a fortune stemming from his textile business, Lawrence Stroll was one of his son’s supporters on his way into the sport.

 

Lawrence Stroll at the Ferrari challenge with his children. [3]

 

The training of a driver requires investment and athletic performance. In this case, it does not matter if the sponsorship comes from your family or not. A talented driver without a good investment cannot help the team’s budget, and an athlete without aptitude does not achieve impressive results that translate into financial gains for the team. With these obstacles, it is almost impossible for a driver to reach the top category of world motorsport with only financial and frustrating performance. Athletes like this usually abandon their careers in lower stages, such as karting. Also, according to Nuno Sousa Pinto, sports director, the FIA itself made it even more difficult for drivers whose performances would not justify investments in their careers (the famous pay drivers): from 2016, to enter Formula One, they would have to score 40 points in the Super license.

 

3- Lance and Lawrence: father and son in Formula One

 

As the 2014 Italian Formula 4 champion (the first in the category), the Toyota Racing Series in 2015, and European Formula Three in 2016, Lance Stroll earned the points needed in the Super license to join Formula 1 in 2017 for the Williams team. Nuno Sousa Pinto points out that Stroll’s curriculum is more impressive than that of many young athletes who also entered Formula One and, even though having wealthy families, do not receive criticism;

It reveals that, unfortunately, some journalists let personal preferences stand out from the expected professionalism and spread misinformation, ignoring one of the main principles of journalism: ethics.

Athletes need time to adapt to the category in which they work. The criticism of Lance Stroll during the pre-season was, from a journalistic point of view, hasty. The first half of 2017 confirmed it, as Stroll scored his first points at the Canadian Grand Prix and finished third at the Azerbaijan Grand Prix, breaking his first record: youngest rookie to score a podium;

A pay driver would never get such impressive results because he would not have an aptitude for the sport, only financial contribution. At the Italian Grand Prix, Stroll broke the record for the youngest driver to start from the front row, proving his potential and talent for motorsport.

 

2017 Azerbaijan Grand Prix’s podium. [4]

 

In an interview with Canadian broadcaster RDS in 2018, Lance Stroll stated that his father is a businessman and that he invests in ventures that he is sure will work. Therefore, Lawrence Stroll’s interest in teams, from Prema Powerteam to Racing Point, goes far beyond interaction with his son: these are opportunities for high investments.

It is worth noting that the only drivers on the 2020 grid who came from more humble families are Esteban Ocon and Valtteri Bottas. Everyone else comes from families with high financial conditions: some from the middle class like Lewis Hamilton and Kimi Raikkonen, others from more affluent classes. However, all, without exception, have financial contributions, whether from their families, companies, or even both.

Some drivers were born to entrepreneurs (Lance Stroll, Lando Norris, Charles Leclerc, Daniel Ricciardo, and Sebastian Vettel) who work in different areas such as fashion, investments, automobiles, engineering, among others;

Others are children of athletes (Max Verstappen, Carlos Sainz Jr., and Pierre Gasly), soon also have privileged conditions since birth. The driver’s origin does not interfere with his performance because, as Lawrence Stroll defined, parents do not drive the car for their children.

 

4- The rumors: reporting before knowing the truth

 

In 2018, with Force India sale to the consortium led by Lawrence Stroll (also formed by Silas Chou, Michael de Picciotto, John McCaw Jr., John Idol, Jonathan Dudman, and Andre Desmarais), the media speculated that Lance would move to the team immediately, as the engineering department of Williams failed in making a competitive car;

When Esteban Ocon left the team after the season, his fans and some journalists immediately blamed the Strolls, as if the French driver had his situation already assured before the sale of the team;

However, as Joas van Wingerden reported, Toto Wolff was already considering taking his patron from Force India. The negotiations failed because the ties between Ocon and Wolff were viewed with suspicion by the other teams, as stated by Christian Horner, the team principal of Red Bull. That was proved in 2019 when Ocon undid his ties with Wolff to get an opportunity to return to Formula One for Renault.

At the time of the purchase of Force India, Sergio Pérez was more attractive to investors than Esteban Ocon due to his consistency in scoring and sponsors. That, added to the intentions of the French driver manager, ensured that the Mexican was the best option to race alongside Lance Stroll. Also, the Canadian presented good prospects for the next seasons due to investments and his achievements in the debut year.

 

Lance Stroll and Sergio Pérez at Racing Point. [5]

 

In 2020 there was a similar situation. Sebastian Vettel did not have his contract with Ferrari renewed because his work was not meeting their expectations. Racing Point owners considered contracting him because of his past as a four-time champion and his financial investment. Although it seemed apparent that the team would not choose Lance Stroll to give Vettel his seat, this is not just because he is the son of one of the owners. There are indeed companies that prioritize family ties and, if their members are not prepared to take this kind of responsibility, the business ends up going bankrupt. But this is not the case observed in Lawrence Stroll: the success of his investments is due to care in decisions.

That means that family ties are not the deciding factor for choices like this. What was discussed was which of the two drivers, Stroll or Pérez, would have more chances to bring the results that the team intends to achieve in 2021. Both have impressive achievements, differing in career time in Formula One: Pérez has ten, and Stroll has four. In technical terms, the two can be considered experienced drivers. However, the Mexican is more likely to retire early, as he is 30 years old and is in Formula One for a decade. Having both good sponsorships, sports investors find more prospects in young athletes, such as Stroll.

It perceives that business involves much deeper issues than just kinship ties. Investment in Formula One is high risk and therefore, decisions require caution. Of course, the inconstant narratives of Racing Point difficulted the understanding of the facts, so laypeople in business can judge this is a case of a father protecting his son. That is why one must coldly analyze the facts to disclose the information correctly.

 

5- Conclusion

 

That is the story of Lawrence Stroll: a man who built his fortune with investment and entrepreneurship, works that require a lot of commitment and caution. If you expected the stereotype of a wealthy heir to large capital, married to a socialite and a playboy child, look for someone else. Maybe you will find a driver’s father with that profile, but that is definitely not Lawrence Stroll.

 

Update (October 9th, 2020): As revealed by Adam Cooper in the website Motorsport (check here), Sebastian Vettel bought shares in Aston Martin before signing his contract. It proves what was said here: the hiring of Vettel instead of the renewal of Sergio Pérez was due to business, not a priviledge of Lance Stroll for being the son of the owner.

 

Bibliography

 

 

Photos

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Pérez’ dismiss from Racing Point and how this is bad for Latin representation

Note: this is an opinion piece. Even so, I base my opinion on facts and these will be linked throughout the article. The text is the author’s sole responsibility and does not reflect necessarily the opinion of the website.

It is known and I’ll talk briefly about it in my opinion of Tuscany GP’s article, I decided to do my very first solo post about the telenovela around Sergio Pérez’s dismiss from Racing Point and Sebastian Vettel’s signing up with Aston Martin, announced last Wednesday and Thursday (9 and 10), respectively.

Racing Point revoked the Mexican’s contract that was guaranteed in the team for the next season. However, to give the new hired driver’ space, the “pink Mercedes” decided to sacrifice Pérez.

At one of the million social medias we have over the internet, there was a great mobilization from both sides fans – either celebrating that Vettel’ still safe in F1 or mourning Checo’s dismissal – and then, my inspiration to write this piece with my point of view came alive.

Even knowing this sport is moved by money, negotiations and political moves, it hurts to see a driver that, somehow, represents you in a mostly white and European space. I have many caveats related to this hiring, the hired driver to substitute Pérez and the way he was dismissed by his team so I couldn’t help but feel bad for Checo. At the end of the day, we’re talking about people that, apart from being athletes, have their own resilience stories and even more considering that Mexico isn’t historically known in Formula 1.

Pérez moved from Mexico to Germany when he was 15 years old, in order to start his career in Europe. Going through the feeder series such as Formula BMW, A1 Grand Prix, Formula 3 and GP2 (now known as Formula 2), he proved his talent and joined the Ferrari Drivers Academy until 2012. His career in Formula 1 is well-marked by traditional teams like Sauber – 2011 to 2012 -, McLaren – 2013, where he had a similar dismissal, compared to now days – and since 2014, he’s driving for Racing Point, once known as Force India.

His career was backed up by the then richest man in the world, Carlos Slim, nicknamed “Midas’ King of telecommunications”. One of his most known companies is Claro, which is a very popular mobile operator in Latino America and at least in Brazil, also provides broadband Internet, telephony services and even cable TV. Slim also owns Escudería Telmex, an organisation that supports and reveals latinxs drivers, such as Tatiana Calderón (the first latina to ever drive an F1, during Free Practice One at the Mexican Grand Prix in 2018), Pietro Fittipaldi and Pérez himself.

Calderón, Fittipaldi and Pérez: (one of the many) latinx drivers backed up by Escudería Telmex [1, 2, 3]

One half of the debaters that mourned over the lack of latinx representation on the sport introduced valid arguments, listing the difficulties faced by Latinx Americans and how much those countries lost their representers over the years. For example, the last Brazilian driver was Felipe Massa, who left the category in 2018. It’s worth mentioning that Brazilian’s biggest public station, Globo, won’t broadcast the races in 2021 (link in Portuguese). Another pinpoint is that Interlagos may be out of the 2021 season calendar (considering it only got worse after 2020’s cancelation after Covid-19 pandemic and our current situation), since its contract’s only valid until 2020, no forecast for renewal given the legal battle to build the circuit in Jacarepaguá, at Rio de Janeiro. The second race based on Latino America is precisely on Mexico, which has an almost certain forecast to be renewed for more seasons.

During his long career with Racing Point/Force India, in 2018, then Force India went through financial difficulties after filing for bankruptcy by the ex-owner and team boss Vijay Mallya, the Mexican brought action against the team, which he alleged “necessary” in order to save it and guarantee thousands of jobs. Right after, Lawrence Stroll bought the team and concretized it, becoming the known Racing Point.

After announcing his departure, Pérez didn’t hide his surprise with Lawrence Stroll’s decision, which was only confirmed – both the media and the driver – last Wednesday. Some websites affirm that Checo heard “through the walls” a talk between the businessman instructing their legal counsel on how to prepare the documents to sign up Vettel during the Monza Grand Prix. Imagine being on a team for years, helping with their financial recovery to avoid closing and listening through the walls that they were signing somebody else? I’d, at least, rage.

The Mexican didn’t hide his gratitude to the team on his official press release, posted on his social medias’ profiles, stating that he’d “keep in the memories of the great moments lived together, the friendships and the satisfaction of always giving his all”. Besides that, he wished good luck to the team, led by Lawrence, specially with the upcoming Aston Martin project. The full release can be read in his tweet, both in English and Spanish.

This isn’t the first time that a team terminates their contract with Checo, even having a year already guaranteed. In 2013, McLaren decided to fire him to hire the Danish Kevin Magnussen. The exit statement was also announced by Pérez, who thanked the opportunity to be part of the historical team. “It has been an honor for me to have been in one of the most competitive teams in the sport and I do not regret even a bit having joined them. I have always given the best of me for the team and still despite this I could not achieve what I aimed for in this historic team”, Pérez said. He also highlighted the many friendships he made within the team, the same said about Racing Point.

Mikey’s one of Checo’s mechanics and this was his comment on his goodbye post [4]

With all this repercussion and taking fans by surprise, reactions were quick on both sides, whether from supporters of Vettel or Pérez. The German’s fans rejoiced at the new opportunity, meanwhile the Mexican’s ones (and even those who didn’t consider themselves as his fans) were shocked by the way the negotiation went, as exposed by Checo. With that, the discussion mentioned at the beginning of this article began.

It is important to contextualize Sergio’s career, from beginning to the feeder series and the teams he’s been on at F1 until now to get to the point I want to focus: the latinx representation.  

As pointed out by a friend of mine, during the 2010 era of F1, we had many Latinx drivers such as the Brazilians Bruno Senna, Felipe Massa, Felipe Nasr, Lucas di Grassi, Luiz Razia e Rubens Barrichello; the Mexicans Esteban Gutierrez and Sergio Pérez and the Venezuelan Pastor Maldonado. Each one of them had their destinies in the sport and for different reasons, didn’t continued in Formula 1. Comparing today’s scenario, we realise how good it was having a bit of diversity in the sport! But since 2018, Checo is the only remaining latino. Isn’t that a bit weird?

Most of the drivers mentioned above suffered with media’s scrutiny, like for example, Pastor Maldonado. How many times did the Venezuelan was a laugh stock? How many memes were made mocking his “hit and run” fame? What about Rubinho? Until today, we see memes saying how “late” he is or how slow, putting him in the eternal spot of the “number two driver”.

When the latinxs united themselves to talk about how unfair this situation is through extremely valid arguments, of course some ‘unpopular opinions’ came alive. “But where is the Balkan representation?”, someone posted in a very sarcastic tone, meaning that “not only latinxs struggle with lack of representation”. “But what if Kvyat, who’s Eastern European, leaves F1, would you guys be upset like that too?”, another one questioned.

So everything went downhill from that point. The debate itself wasn’t about a driver but about representation. Just like Senna’s iconic career inspired many Brazilian children – and worldwide too, like our six-time world champion Lewis Hamilton -, to be drivers professionally. How many karting programs were funded in Brazil, thanks to Senna? Many, more than we can count. His nephew, Bruno, followed his uncle’s footsteps and he’s a professional driver, now competing for the World Endurance Championship.

Now imagine how a Mexican child, who saw Checo’s conquering his space in the sport, year after year, overcoming all difficulties, even the team’s bankruptcy he currently raced for, felt when they knew about the abrupt termination of his contract. Imagine knowing that the guy who looks like you the most may not even race for 2021. This goes beyond any driver “feud”.

Sauber, McLaren, Force India and Racing Point… which will be the next team for Checo? [5, 6, 7, 8]

What raged me the most about this whole tour was to know that someone else’s pain, who saw themselves represented by a driver who shares the same ethnicity is something to be mocked. Something to be used as comparison. What’s funny, in a tragic way, it’s to know that many people supported the Black Lives Matter movement and fervently criticised the drivers who never kneeled in respect to the black community and the only black driver on the grid. You can’t simply defend a community that always suffered with racism and when you have the opportunity to listen and learn with another ethnicity that also suffers daily with racism and xenophobia, you act like you don’t care at all.

As I talked with my closest friends, besides being a performative activism, it’s disgusting. Just for the sake of “being wokefor your “audience”. You question yourself if the anti-racist posture these people had were an actual thing or just for likes. I choose the latter,

One person, during the whole discourse, said they weren’t sad for the loss of a driver but for the loss of representation. This is all happening in the same year F1 created the We Race as One campaign to promote diversity – basically because they were pressured by Lewis, which I think he was right in doing so -, it’s hard to swallow this as a simple silly season kind of move. When you’re latinx, you know how we are discriminated against by standards and stereotypes forced by the media and this type of structural racism forces us to occupy a supporting space, reinforces the need to erase our narrative, keeps us invisible and prevents us from occupying spaces.

Since I started watching F1, Checo was always there so I felt a deep sadness to know about his departure. I consider him a talented driver, with the potential to develop his driving skills every season and I see in him the love for the sport. In my opinion, this move pulled by Racing Point was extremely truculent and Otmar’s statements were mere bluffs (which, by the way, were awful). [1, 2]

There are already rumours of McLaren wanting him at their Indy team and even Red Bull (video in Spanish). This information came from the same journalist that confirmed Alonso’s return to Renault, but everything is still rumoured. Formula E may be an interesting option for him as well, since the category already welcomed ex-F1 drivers such as Jean-Eric Vergne, Nelson Piquet Jr and Antonio Félix da Costa, that once were not so friendly dismissed from their teams or their formation programs, in da Costa’s case.

I hope Checo gets a seat in Formula 1 or any other category that treats him with the respect he deserves. After all, that’s not the treatment the “Mexican wunderkind” deserves.

As we wait for the next step, Checo’ll have the last nine races of the season to make all latinxs proud [9]

Photos

Note: None of the photos used in this article belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

[1, 2, 3] Montage made from the photo found in:

1. https://twitter.com/alfaromeoracing/status/1230069607324618752

2. https://www.uol.com.br/esporte/f1/ultimas-noticias/2019/03/03/louco-pelo-verdao-e-farofa-pietro-fittipaldi-e-mais-brasileiro-que-parece.htm

3. https://www.gazetadigital.com.br/editorias/esporte/force-india-confirma-permanencia-de-sergio-perez-para-a-temporada-de-2019-da-f-1/553522

[4, 5, 6, 7] Montage made from the photo found in:

4. Screenshot from Sergio Pérez’s Instagram post

5. https://www.f1aldia.com/14101/presentacion-sauber-2012-c31/

6. https://themotorsportarchive.com/2013/01/31/mclaren-launch-the-mp4-28/

7. https://holatelcel.com/holatelcel/checo-perez-y-nico-hulkenberg-pasan-de-la-pista-a-la-cancha/

8. https://www.formula1.com/en/drivers/sergio-perez.html

9. https://www.portada-online.com/sports-marketing/sergio-perez-becomes-mexicos-most-accomplished-f1-racer/

Renault: Um Passado Que Condena

Durante a temporada de 2020, a Renault F1 Team lançou quatro protestos contra a Racing Point F1 Team alegando que a rival havia copiado o projeto de freios da Mercedes-Benz Grand Prix Limited. As reclamações começaram após o Grande Prêmio da Estíria, o qual os carros do time inglês terminaram à frente dos da escuderia francesa (Sergio Pérez e Lance Stroll cruzaram a linha de chegada respectivamente em sexto e sétimo lugar, enquanto Daniel Ricciardo foi o oitavo colocado e Esteban Ocon abandonou). Desde então, em toda corrida em que os pilotos da Racing Point superavam os da Renault, o time comandado pelo controverso Cyril Abiteboul lançava um novo protesto. Apenas no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, em que Ricciardo e Ocon terminaram à frente de Stroll, não houve reclamações.

A priori parece infantil a postura da Renault de querer desclassificar sua adversária porque não consegue vencê-la nas pistas. Todavia, se for analisado o passado da equipe, marcado por trapaças e falcatruas que, inclusive, custaram a carreira de um jovem piloto brasileiro filho de um tricampeão, é possível notar a leviandade e hipocrisia do time francês e levantar a hipótese de que, além de querer subir na classificação do campeonato sem mérito, ela procura apagar seu histórico manchado. Esta matéria fará um breve retrospecto da história da Renault na Fórmula 1 para identificar qual é o verdadeiro objetivo da escuderia em se prestar a esse papel tão baixo.

 

1- Origens obscuras: colaboração com o nazismo

 

A Renault foi fundada como empresa em 1899 por Louis Renault, um industrial de Paris. Em 1938, o empresário se reuniu com Adolf Hitler em pessoa e no ano seguinte se tornou um dos principais fornecedores do exército francês. A Resistência Francesa passou a rejeitá-lo por sua aparente colaboração com o governo de Vichy, que estava a serviço dos nazistas. Em 1942, a força aérea britânica bombardeou as instalações da Renault para enfraquecer o abastecimento das tropas aliadas à Alemanha. Dois anos depois, Louis Renault foi preso acusado de colaborar com os nazistas. Suas fábricas foram expropriadas pelo governo francês.

 

Louis Renault, fundador da Renault e colaborador do regime nazista. (Foto: Famous People) [1]

 

A figura de Louis Renault ainda gera controvérsia entre os historiadores. Alguns afirmam que ele apoiou o nazismo por interesses econômicos, outros dizem que ele foi forçado a colaborar com o regime de Vichy. De qualquer maneira, a empresa teve um papel ativo na Segunda Guerra Mundial, abastecendo o exército francês, aliado de Hitler na época. Muitas fabricantes de carro europeias tiveram experiências parecidas, principalmente as alemãs, e hoje tentam apagar essa mancha em seu passado. Com a Renault não é diferente.

 

2- A Renault enquanto escuderia: um começo desastroso

 

O irmão de Louis Renault, Michel, era apaixonado por automobilismo. Isso despertou o interesse da empresa pelo esporte. No entanto, a Renault ingressou na Fórmula 1 como escuderia somente em 1977. Seu primeiro ano na categoria foi um fracasso. Correndo com apenas um piloto, Jean-Pierre Jabouille, a Équipe Renault Elf encerrou a temporada sem pontos e sem um lugar de classificação. Das oito corridas que participaria, Jabouille desistiu de três, abandonou quatro e não se qualificou para uma.

 

Jean-Pierre Jabouille: primeiro piloto da Renault. (Foto: Carthrottle) [2]

 

No ano seguinte, a escuderia marcou seus primeiros pontos no Grande Prêmio dos Estados Unidos, o qual Jabouille terminou em quarto lugar. A Renault foi a 12ª colocada na classificação final, com três pontos. A primeira vitória do time ocorreu no Grande Prêmio da França de 1979, que colocou a equipe no sexto lugar entre as construtoras, mas também foi a única corrida no qual a Renault pontuou.

 

3- Anos 80: do céu ao primeiro hiato

 

Assim como a Williams, a Renault teve boas temporadas na década de 80. Correndo com Jean-Pierre Jabouille e René Arnoux, a Renault foi a quarta colocada em 1980 (com 38 pontos). No ano seguinte, Alain Prost substituiu Jabouille e o time ficou em terceiro lugar no campeonato, com 54 pontos, repetindo a classificação em 1982, com 62 pontos. O americano Eddie Cheever substituiu Arnoux em 1983, tornando-se o primeiro piloto não-francês a competir pela escuderia, que foi a vice-campeã daquele ano com 79 pontos.

 

Alain Prost foi um dos pilotos da Renault nos anos 80. Hoje, é um de seus embaixadores. (Foto: Renault) [3]

 

Em 1984, a Renault foi a quinta colocada na classificação final, com 34 pontos, e no ano seguinte ficou em sétimo lugar entre as construtoras, com 16 pontos. Patrick Tambay foi seu principal piloto nesses anos, sendo companheiro de Derek Warwick em 1984 e de François Henault em 1985. No ano seguinte, a Renault deixou de participar na Fórmula 1 como escuderia, limitando-se ao papel de fornecedora de motor para as equipes Lotus, Ligier e Tyrrell. Em 1987, ela deixou de fornecer motores, entrando em um hiato que só foi encerrado dois anos depois, quando equipou a vice-campeã Williams.

 

4- Anos 90: sucesso com as campeãs e segundo hiato

 

Durante quase toda a década de 90, a Renault permaneceu como fornecedora de motor na Fórmula 1. Suas parcerias mais bem-sucedidas foram com a Williams e a Benetton, que conquistaram títulos entre 1992 e 1997 (sendo cinco campeonatos vencidos pela Williams e um pela Benetton). No entanto, em 1998, apesar do auge de seus motores, a Renault saiu novamente da Fórmula 1, voltando novamente apenas em 2001, como fornecedora de motor da Benetton, que encerrou o ano no sétimo lugar, com 10 pontos.

 

Michael Schumacher na Benetton em 1994. A equipe utilizava motores Renault. (Foto: site oficial de Michael Schumacher) [4]

 

Até então, a atitude da Renault era encarada como estranha aos olhos de suas concorrentes. Sabe-se que o automobilismo é uma categoria esportiva com muitos custos, mas os resultados obtidos pelas clientes da marca francesa justificariam os investimentos, pois as recompensas pagas pela FIA seriam altas. Nas décadas seguintes, a Renault evitou hiatos, mas embora seus resultados tivessem melhorado, sua participação na Fórmula 1 foi acompanhada de episódios polêmicos.

 

5- Anos 2000: o auge, a ruína e o Singaporegate (ou Crashgate)

 

Em 2002, a Renault voltou para a Fórmula 1 como escuderia, sob o nome de Mild Seven Renault F1 Team. Seus pilotos eram Jarno Trulli e Jenson Button, que lhe renderam 23 pontos e colocaram a equipe no quarto lugar do campeonato. No ano seguinte, o qual o time repetiu a posição de classificação (com 88 pontos), Button foi substituído por um dos pilotos mais controversos da história do esporte: o espanhol Fernando Alonso. Embora responsável pelos melhores momentos da Renault, Alonso foi também um dos personagens de um episódio tão polêmico que atingiu várias equipes e pilotos naquela década.

 

Fernando Alonso ao lado de Michael Schumacher no Grande Prêmio de San Marino de 2005. Aquele ano marcou o primeiro título da Renault na Fórmula 1. (Foto: EssentiallySports) [5]

 

Depois de terminar a temporada de 2004 em terceiro lugar, a Renault conquistou seu primeiro título em 2005. Alonso teve sete vitórias, 15 pódios e mais uma chegada na zona de pontuação, somando 133 pontos. Seu companheiro, Giancarlo Fisichella, somou 58 pontos, com uma vitória, três pódios e mais oito chegadas na zona de pontuação. Além do título, foi a primeira vez que a Renault ultrapassou os 100 pontos em uma temporada, conquistando 191 no total. Em 2006, Alonso repetiu o feito, tornando-se bicampeão com sete vitórias, 14 pódios e mais duas chegadas na zona de pontuação. Fisichella obteve 72 pontos, com uma vitória, cinco pódios e mais 11 chegadas na zona de pontuação. Tendo marcado 206 pontos em 2006, a Renault perdeu Alonso no ano seguinte para a McLaren, na qual o espanhol correu ao lado do estreante Lewis Hamilton, mas o recebeu de volta em 2008. Mesmo com um bom resultado (terceiro lugar entre as construtoras, com 51 pontos) o time francês passou pelo primeiro aperto de sua história no Grande Prêmio do Canadá, no qual Fisichella foi desclassificado após sair do pit lane quando a luz vermelha estava acesa.

 

Giancarlo Fisichella correndo pela Renault. (Foto: Pinterest) [6]

 

Mas a punição a Fisichella estava longe do estrago que viria a acontecer em 2008. Correndo sob o nome de ING Renault F1 Team, a escuderia contratou Nelson Piquet Jr., filho do tricampeão Nelson Piquet, para substituir Fisichella. Naquele ano, Alonso estava longe de seus brilhantes resultados de outrora, e Piquet Jr. (conhecido no Brasil como “Nelsinho”) enfrentava dificuldades para pontuar. Foi então que, na 15ª etapa da temporada, o chefe de equipe Flavio Briatore colocou em prática um plano mirabolante para que o espanhol voltasse a vencer. Ordenou a Nelsinho que batesse seu carro na curva 17 para forçar a entrada do safety car. Com essa manobra, o grid mudou radicalmente. Fernando Alonso venceu a corrida, com Nico Rosberg em segundo e Lewis Hamilton em terceiro. Felipe Massa, que havia liderado boa parte da prova, foi o mais prejudicado a curto prazo: cruzou a linha de chegada em 13º lugar, tendo perdido muito tempo em um pit stop desastroso feito às pressas pelos mecânicos da Ferrari. Alguns torcedores e analistas afirmam que uma vitória de Massa em Singapura, que era dada como certa até a batida de Nelsinho, possibilitaria a conquista do título, que foi vencido por Hamilton.

 

Nelson Piquet Jr. (“Nelsinho”) batendo na curva 17 no Grande Prêmio de Singapura de 2008, conhecido como “Singaporegate” ou “Crashgate”. (Foto: EssentiallySports) [7]

 

Nelsinho foi demitido após o Grande Prêmio da Hungria de 2009. Seu pai recomendou ao filho que delatasse o esquema de Briatore, pois não era justo que o jovem piloto fosse prejudicado por uma ideia de seus superiores. Um inquérito foi instaurado, resultando no banimento de Briatore da Fórmula 1 para toda sua vida e de Pat Symonds, diretor de engenharia da Renault, por cinco anos. Alonso foi inocentado após dizer em tribunal que não sabia do esquema. A justiça francesa intercedeu pela Renault e revogou os banimentos, mas tanto Briatore quanto Symonds aceitaram não voltar mais à Fórmula 1.

 

Flavio Briatore: chefe de equipe da Renault em 2006 e mentor do Crashgate. (Foto: Gero Breloer/EPA) [8]

 

Se na época todas as equipes tivessem agido como a Renault fez em 2020, a escuderia francesa teria sido banida da Fórmula 1 igual a Briatore. O caso, apelidado de “Singaporegate” e de “Crashgate”, não apenas beneficiou Alonso e sua equipe, como prejudicou diretamente a luta de Massa pelo título e a carreira de Nelsinho.

 

6- Renault F1 Team: um velho lobo em nova pele de cordeiro

 

Apesar do vexame do Singaporegate, a Renault não foi banida da Fórmula 1. Com a saída de seus principais patrocinadores, o grupo ING e a Mutua Madrileña, devido à polêmica, o time adotou o nome de Renault F1 Team a partir da temporada de 2010. Tendo sua dupla de pilotos formada por Robert Kubica e Vitaly Petrov, a escuderia começou a década ficando em quinto lugar entre as construtoras, com 163 pontos. No ano seguinte, fez uma fusão com a Lotus que durou até 2014 (a palavra “Renault” saiu do nome da escuderia em 2012). Em 2015, a Lotus correu seu último ano na Fórmula 1, utilizando motores Mercedes. Um ano depois, a Renault saiu dos bastidores e voltou para a categoria como escuderia. Sua principal cliente, a Red Bull (que foi tetracampeã entre 2010 e 2013 com Sebastian Vettel), continuou usando os motores da Renault, mas sob o nome TAG-Heuer.

O primeiro ano do novo retorno da escuderia francesa não foi muito bom. Seus pilotos eram Kevin Magnussen e Jolyon Palmer. Pontuando em apenas três corridas, a Renault foi a nona colocada entre as construtoras, com apenas nove pontos. O ano seguinte foi melhor, com um sexto lugar na classificação final e 57 pontos. Nico Hülkenberg substituiu Palmer no meio da temporada. Em 2018, Carlos Sainz Jr. se juntou ao time em busca de oportunidades de crescimento na carreira. Pontuando em mais ocasiões, a Renault conseguiu o quarto lugar no campeonato.

 

Nico Hülkenberg e Daniel Ricciardo foram desclassificados do Grande Prêmio do Japão de 2019. (Foto: Instagram) [9]

 

No ano seguinte, porém, a situação foi bem diferente. Mesmo contando com bons pilotos, o desempenho do carro apresentou vários problemas, impedindo que Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg alcançassem melhores posições. Seu pior momento foi no Grande Prêmio do Japão, do qual seus dois pilotos foram desclassificados por irregularidades no carro. A Renault somou 91 pontos, fechando 2019 com o quinto lugar. Em 2020, com a saída de Hülkenberg, o time francês contratou um piloto quase tão polêmico quanto Alonso: Esteban Ocon. O hispano-francês havia ficado um ano fora da Fórmula 1 após suas escolhas e decisões terem lhe custado chances em praticamente todas as escuderias (para saber mais, leia Entenda o caso Esteban Ocon).

Terminando 2019 à frente da Racing Point, a Renault não se conformou com o excelente desempenho de sua rival no começo de 2020. Acusou a escuderia britânica de copiar os sistemas da Mercedes, visando desclassificar Sergio Pérez e Lance Stroll das corridas concluídas até então e garantir pontos extras a Ricciardo e Ocon. A “denúncia” tem duas faces, que serão desvendadas a seguir.

 

7- Denunciando a Racing Point: o sujo falando do mal lavado

 

É óbvio que, se houve de fato irregularidades, a Racing Point deveria ser responsabilizada por seus atos e sofrer as devidas sanções. Afinal, nenhuma equipe está acima do regulamento. No entanto, os julgamentos da FIA tendem a ser questionáveis. Um bom exemplo foi a cumplicidade do órgão com a Ferrari, quando a federação acobertou as alterações no carro da escuderia italiana em 2019, abrindo espaço para dúvidas a respeito da legalidade dos ajustes. Das nove equipes restantes, sete se juntaram em uma queixa coletiva contra o acordo entre Ferrari e FIA (apenas as equipes clientes dos motores Ferrari, Alfa Romeo e Haas, ficaram de fora, porém, a Mercedes retirou a queixa semanas depois). As explicações do presidente da federação, Jean Todt (ex-chefe de equipe da Ferrari) não foram convincentes, e o mesmo chegou a declarar que não podia revelar mais detalhes sem a aprovação do time italiano.

 

O famoso duplo-padrão da FIA [10]

 

Como a Racing Point foi uma das integrantes da queixa coletiva, a Ferrari foi uma das equipes a se intrometer no protesto da Renault (mesmo o time francês também fazendo parte da queixa), insinuando que o time inglês deveria ser punido. A McLaren, concorrente da Racing Point em 2020, insinuou que houve cópia, mas que esta não merecia nenhuma sanção. A Mercedes negou participação no projeto da Racing Point, e esta por sua vez sempre alegou sua inocência, afirmando que o desenvolvimento de cada parte do carro foi feito sob a fiscalização da própria FIA.

No dia 7 de agosto, a FIA anunciou que a Racing Point perderia 15 pontos e receberia uma multa, mas a pontuação de seus pilotos permanece inalterada. No entanto, cabe recurso contra a decisão. Com isso, Renault e Ferrari saíram beneficiadas, subindo de posição no ranking das construtoras. A denúncia em si, aparentemente, visaria justiça, pois uma das equipes competidoras estaria burlando o regulamento. No entanto, por que justamente a Renault, cujo passado foi marcado por escândalos, foi a responsável pelo protesto? Se tantos times depois se atreveram a comentar o caso, insinuando culpa da Racing Point, por que nenhum deles moveu o protesto? A resposta é simples: a Renault sabe que não é capaz de produzir um carro para competir de igual para igual com a Racing Point e a McLaren em 2020, portanto, recorrendo aos valores de Flavio Briatore, resolveu arrancar uma “vitória” à força, mexendo na classificação das construtoras. O órgão que julgou o caso também não seria o mais indicado para a função, já que possui histórico de favorecimento à Ferrari, mas é o único que a Fórmula 1 tem para situações como esta.

 

Resumo da ópera [11]

 

8- Conclusão

 

A história da Renault foi construída em cima de episódios lamentáveis. O fundador da marca foi um colaborador do regime nazista. A escuderia passou por dois hiatos entre os anos 80 e 90. Seus dirigentes destruíram a carreira de Nelson Piquet Jr. para que Fernando Alonso tivesse uma vitória em 2008, atrapalhando o rumo de Felipe Massa ao título. Na década de 2010, escondeu seu nome para não passar a vergonha de ser lembrada pelo Singaporegate (ou Crashgate). Atualmente, incapaz de fazer frente à concorrência, se utiliza de meios judiciais para subir de posição no campeonato.

Se a Renault estivesse mesmo sedenta por justiça, se desculparia a todos que prejudicou em sua história e, no mínimo, se retiraria da Fórmula 1 e pararia de manchar o esporte com sua participação vergonhosa. Valores morais é o que esse time não pode alegar, pois deseja que sua concorrente assuma um papel coadjuvante no esporte e que seja conhecida mais pelos memes feitos por torcedores de equipes rivais do que por resultados. A história prova que a verdadeira intenção da Renault é, como se diz no Brasil, ganhar no “tapetão” (sem méritos e por meio de decisões fora dos eventos esportivos). Afinal, se todos os campeonatos forem decididos na justiça, não há necessidade de os carros irem para a pista. Se tem uma coisa que a Renault definitivamente não pode acusar a Racing Point é de agir de má fé, pois nisso a equipe francesa já é especialista.

 

Que coisa, não? [12]

 

9- Bibliografia

 

 

10- Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

Renault: A Past That Defiles

During the 2020 season, Renault F1 Team launched four protests against Racing Point F1 Team claiming the rival had copied the braking system project of Mercedes-Benz Grand Prix Limited. The complaints started after the Styrian Grand Prix, which the British team’s cars ended in front of the ones of the French team (Sergio Pérez and Lance Stroll crossed the finish line respectively in sixth and seventh place, while Daniel Ricciardo was the eighth finisher and Esteban Ocon retired). Since then, in every race that the Racing Point’s drivers surpassed Renault’s, the team commanded by controversial Cyril Abiteboul launched a new protest. Only at the British Grand Prix, in which Ricciardo e Ocon ended in front of Stroll, there were no complaints.

A priori it seems a childish attitude of Renault in wanting to disqualify its adversary because it cannot beat it on track seems childish. However, analyzing the team’s past, marked by cheating and cheating that, including, costed the career of a young Brazilian driver son of a three-time champion, it is possible to note the levity and hypocrisy of the French team and raise the hypothesis of that, besides wanting to rise at the championship standings without merit, it looks for erasing its spotted history. This article will take a brief retrospect of Renault’s history in Formula One to identify which is the team’s true goal in siking so low.

 

1- Obscure origins: collaboration with nazism

 

Renault was founded as an enterprise in 1899 by Louis Renault, an industrial from Paris. In 1938, the businessman reunited personally with Adolf Hitler and in the following year became one of the main suppliers of the French army. The French resistance started to reject him due to his apparent collaboration with Vichy’s government, which was in service to the Nazis. In 1942, the British Air Force bombed Renault’s facilities to weaken the supply of the troops allied to Germany. Two years later, Louis Renault was arrested under the accusation of collaboration with the Nazis. His factories were expropriated by the French government.

 

Louis Renault, founder of Renault and collaborator of the Nazi regime. (Photo: Famous People) [1]

 

Louis Renault’s figure still causes controversy among historians. Some of them claim that he supported nazism for financial interests, others say he was forced to collaborate with Vichy’s regime. Anyway, the enterprise had an active role in World War II, supplying the French army, Hitler’s allied at the time. Many European car manufacturers had similar experiences, mainly the German ones, and nowadays try to erase this spot in their past. Renault, it is not different.

 

2- Renault as a team: a disastrous beginning

 

Louis Renault’s brother, Michel, was passionate about racing. It aroused the enterprise’s interest in the sport. However, Renault entered Formula One as a team only in 1977. Its first year in the category was a failure. Racing with just one driver, Jean-Pierre Jabouille, the Équipe Renault Elf ended the season without points or a place in standings. Among the eight races he would take part, Jabouille withdrew from three, retired from four, and did not qualify for one.

 

Jean-Pierre Jabouille: Renault’s first driver. (Photo: Carthrottle) [2]

 

In the following year, the team scored its first points at the United States Grand Prix, which Jabouille finished in fourth place. Renault was the 12th placed at the final standings, with three points. The team’s first victory happened at the 1979 French Grand Prix, that put the team in the sixth place among the constructors, but was also the only race that Renault scored points.

 

3- 80’s: from Heaven to the first hiatus

 

Like Williams, Renault had good seasons in the ’80s. Racing with Jean-Pierre Jabouille and René Arnoux, Renault was the fourth place in 1980 (with 38 points). In the following year, Alain Prost replaced Jabouille and the team ended the championship in third place, with 54 points, repeating the position in 1982, with 62 points. American Eddie Cheever replaced Arnoux in 1983, becoming the first non-French driver to compete for the team, that was the runner-up that year with 79 points.

 

Alain Prost was one of Renault’s driver in the ’80s. Currently, he is one of its ambassadors. (Photo: Renault) [3]

 

In 1984 Renault was the fifth place in the final standings, with 34 points, and in the following year ended in seventh place among the constructors, with 16 points. Patrick Tambay was its main driver in these years, being Derek Warwick’s teammate in 1984 and François Henault’s in 1985. In the following year, Renault stopped to participate in Formula One as a team, limiting itself to the role of engine supplier of Lotus, Ligier, and Tyrrell teams. In 1987, it stopped to provide engines, entering a hiatus that was only ended two years later, when it equipped the runner-up, Williams.

 

4- 90’s: success with the champions and the second hiatus

 

During almost all the ’90s, Renault kept as an engine supplier in Formula One. Its most well-succeed partnerships were with Williams and Benetton, which won titles between 1992 and 1997 (being five championships won by Williams and one by Benetton). However, in 1998, though the height of its engines, Renault left Formula One once again, coming back again only in 2001, as the engine supplier of Benetton, which ended the year in the seventh place, with 10 points.

 

Michael Schumacher with Benetton in 1994. The team used Renault engines. (Photo: Michael Schumacher’s official website) [4]

 

Until then, Renault’s attitude was faced as strange in the eyes of its competitors. It is known that motorsport is a sports category with a lot of costs, but the results obtained by the French team’s clients would justify the investments, as the rewards paid by FIA would be high. In the following decades, Renault avoided hiatus, but even though its results had got better, its participation in Formula One was accompanied by controversial episodes.

 

5- 2000’s: the height, the ruins, and Singaporegate (or Crashgate)

 

In 2002, Renault returned to Formula One as a team, under the name of Mild Seven Renault F1 Team. Its drivers were Jarno Trulli and Jenson Button, who earned it 23 points and put the team in the fourth place of the championship. In the following year, which the team repeated the standing position (with 88 points), Button was replaced by one of the most controversial drivers of the history of the sport: Spanish Fernando Alonso. Though responsible for Renault’s best moments, Alonso was also one of the characters of such a contentious episode that affected many teams and drivers in that decade.

 

Fernando Alonso next to Michael Schumacher at the 2005 San Marino Grand Prix. That year marked Renault’s first title in Formula One. (Photo: EssentiallySports) [5]

 

After finishing the 2004 season in third place, Renault got its first title in 2005. Alonso had seven wins, 15 podiums, and one more finish in the scoring zone, getting 133 points. His teammate, Giancarlo Fisichella, scored 58 points, with one win, three podiums, and eight more finishes in the scoring zone. Besides the title, it was the first time Renault surpassed 100 points in a season, getting 191 in total. In 2006, Alonso repeated his feat, becoming a two-time champion with seven wins, 14 podiums, and two more finishes in the scoring zone. Fisichella got 7 points, with one win, five podiums, and 11 more finished in the scoring zone. Having scored 206 points in 2006, Renault lost Alonso in the following year to McLaren, in which the Spanish drove alongside rookie Lewis Hamilton, but received him back in 2008. Even with a good result (third place among the constructors, with 51 points), the French team passed through its first big problem in its history at the Canadian Grand Prix, in which Fisichella was disqualified after leaving the pit lane while the red light was on.

 

Giancarlo Fisichella driving for Renault. (Photo: Pinterest) [6]

 

But Fisichella’s penalty was far away from the spoilage that would happen in 2008. Racing under the name of  ING Renault F1 Team, the team hired Nelson Piquet Jr., son of three-time champion Nelson Piquet, to replace Fisichella. In that year, Alonso was far from his brilliant results of yore, and Piquet Jr. (known in Brazil as ‘Nelsinho’) faced difficulties to score. Then, at the 15th round of the season, that the managing director Flavio Briatore put into practice a fanciful plan for the Spanish return to win. He ordered Nelsinho to crash his car at turn 17 to force the safety car deployment. With this maneuver, the grid changed drastically. Fernando Alonso won the race, with Nico Rosberg in second place and Lewis Hamilton in third. Felipe Massa, who had led a good part of the race, was the most affected in a short term: crossed the finish line in 13th place, having lost much time in a disastrous pit stop made in a hurry by Ferrari’s mechanics. Some supporters and analysts claim that a Massa’s win in Singapore, that was taken as a fact until Nelsinho’s crash, would earn him the title, that was won by Hamilton.

 

Nelson Piquet Jr. (‘Nelsinho’) crashing at turn 17 at the 2008 Singapore Grand Prix, known as ‘Singaporegate’ and ‘Crashgate’. (Photo: EssentiallySports) [7]

 

Nelsinho was hired after the 2009 Hungarian Grand Prix. His father recommended him to denounce Briatore’s scheme, as it was not fair that the young driver to be hindered by an order from his superiors. An inquiry was launched, resulting in the Briatore’s ban for life from Formula One and Pat Symonds’, Renault’s engineering director, for five years. Alonso was absolved after saying on trial that he did not know about the scheme. The French court interceded for Renault and revoked the bans, but as Briatore as Symonds accepted to not come back to Formula One.

 

Flavio Briatore: Renault’s team principal in 2006 and mentor of the Crashgate. (Photo: Gero Breloer/EPA) [8]

 

If in that time the teams had acted as Renault acted in 2020, the French team would have been banned from Formula One like Briatore. The case, nicknamed ‘Singaporegate’ and ‘Crashgate’, not only benefited Alonso, as it harmed directly Massa’s struggle for the title and Nelsinho’s career.

 

6- Renault F1 Team: an old wolf in new sheep’s clothing

 

Despite the vexation of the Singaporegate, Renault was not banned from Formula One. With the exit of its main sponsors, the ING group and the Mutua Madrileña, due to the controversy, the team adopted the name of Renault F1 Team after the 2010 season. Having its driver duo formed by Robert Kubica and Vitaly Petrov, the team started the decade standing in fifth place among the constructors, with 163 points. In the following year, it made a fusion with Lotus that lasted until 2014 (the word ‘Renault’ got out of the team’s name in 2012). In 2015, Lotus raced its last year in Formula One, using Mercedes engines. One year later, Renault got out of the backstage and returned to the category as a team. Its main client, Red Bull (that won four titles between 2010 and 2013 with Sebastian Vettel), continued using Renault’s engines, but under the name TAG-Heuer.

The first year of the French team’s new return was not so good. Its drivers were Kevin Magnussen and Jolyon Palmer. Scoring in just three races, Renault was the ninth place among the constructors, with only nine points. The following year was better, with a sixth place in the final standings and 57 points. Nico Hülkenberg replaced Palmer in the middle of the season. In 2018, Carlos Sainz Jr. joined the team seeking out opportunities to grow in his career. Scoring on more occasions, Renault got fourth place in the championship.

 

Nico Hülkenberg and Daniel Ricciardo were disqualified from the 2019 Japanese Grand Prix. (Photo: Instagram) [9]

 

In the following year, however, the situation was quite different. Even counting with good drivers, the car’s performance showed many problems, preventing Daniel Ricciardo and Nico Hülkenberg from reaching better positions. Its worse moment was at the Japanese Grand Prix, from which its two drivers were disqualified due to irregularities in the car. Renault scored 91 points, ending 2019 with the fifth place. In 2020, with Hülkenberg’s departure, the French team hired a driver nearly as polemic as Alonso: Esteban Ocon. The Hispano-French had stayed of Formula One for a year after his choices and decisions had cost him chances in practically all the teams (to know more, read Understand the Esteban Ocon case).

Ending 2019 in front of Racing Point, a Renault did not comply with its rival’s excellent performance at the beginning of 2020. It accused the British team of copying Mercedes’ systems, aiming to disqualify Sergio Pérez and Lance Stroll from the concluded races until then and guarantee extra points to Ricciardo e Ocon. The “denounce” has two faces, which will be exposed right now.

 

7- Reporting Racing Point: the pot calling the kettle black

 

It is obvious that, if there were indeed irregularities, Racing Point should be held responsible for its acts and suffer the proper sanctions. After all, no team is above the regulation. However, FIA’s judgments tend to be questionable. A good example was the body’s complicity with Ferrari, when the federation shrouded the alterations of the Italian team’s car in 2019, opening space to doubts concerning the adjustments’ legality. From the nine remaining teams, seven joined in a collective complaint against the agreement between Ferrari and FIA (only the client teams of Ferrari engines, Alfa Romeo and Haas, stayed out, however, Mercedes removed the complaint some weeks later). The explanations of the federation’s president, Jean Todt (former team principal of Ferrari) were not convincing, and he even claimed he could not reveal more details without the Italian team’s approval.

 

FIA’s famous double standard [10]

 

As Racing Point was one of the integrants of the collective complaint, Ferrari was one of the teams to intrude on Renault’s protest (even the French team also being part of the complaint), implying that the British team should be punished. McLaren, Racing Point’s rival in 2020, insinuated that there was a copy, but it did not deserve any sanction. Mercedes denied its participation on Racing Point’s project, and this one in turn always alleged its innocence, claiming the development of each part of the car was made under the inspection of FIA itself.

On August 7th, FIA announced that Racing Point would lose 15 points and receive a fine, but its drivers’ scoring keeps unchanged. However, the decision is subject to appeal. With this, Renault and Ferrari were benefited, rising their positions in the constructors’ standings. The denounce by itself seems to aim justice, as one of the competitors would be violating the rules. However, why just Renault, whose past was marked by scandals, was responsible for the protest? If so many teams dared to comment on the case, implying Racing Point’s fault, why none of them moved the protest? The answer is simple: Renault knows it is not able to produce a car to compete as equal with Racing Point and McLaren in 2020, therefore, recurring to Flavio Briatore’s values, decided to snatch a “victory” by force, messing with the constructors’ standings. The body which judged the case also would not be the most appropriate to this function, once it already has a background of favoring Ferrari, but it is the only that Formula One has to situations like that.

 

The bottom line [11]

 

8- Conclusion

 

Renault’s history was built on regrettable episodes. The brand’s founder was a collaborator to the Nazi regime. The team passed through two hiatus between the ’80s and the ’90s. Its leaders destroyed Nelson Piquet Jr.’s career to Fernando Alonso have one win in 2008, disrupting Felipe Massa’s way to the title. In the ‘2010s, it hid its name for fear of the embarrassment of being remembered for the Singaporegate (or Crashgate). Nowadays, unable to withstand its rivals, it uses judicial ways to raise its position in the championship.

If Renault was indeed hungry for justice, it would apologize to all it harmed through its history, and, at least, get out of Formula One and stop tainting the sport with its shameful participation. Moral values it what this team cannot claim, as it wishes its rival assume a coadjuvant role in sport and be known more by the memes made by rival teams’ supporters than by results. The history proves that Renault’s true intention is, as we say in Brazil, win on ‘the big carpet’ (without merit and by decisions out of the sportive events). After all, if all the championships will be decided on court, there is no necessity of the cars going to the track. If there is something Renault definitely cannot accuse Racing Point is acting in bad faith, as in this the French team is already a specialist.

 

Coherent, no? [12]

 

9- Bibliography

 

 

10- Photos

Note: None of the photos used in this article, except the montage, belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

Understand the Esteban Ocon Case

Article written on August 10th, 2019. Reading it nowadays can help you to understand why Esteban Ocon got without seat in 2019 and what actions he had to take to get back on the grid in 2020.

 

Esteban Ocon, a Hispano-French driver who raced in Formula One between 2016 and 2018, is one of the most talked names when speculation in the driver market begins. After all, the 22-year-old driver, patronized by Toto Wolff, was considered by many supporters as a promise of a future star. However, he got out of the 2019 grid. Why did this happen? Does he still have a chance? His case is complicated, but we will explain everything.

1- Early career

Esteban Ocon is a rare case in Formula One. As this is an expensive sport (pieces, engineers, mechanics, simulators, etc.), drivers are expected to bring sponsorship to help with their team expenses. Therefore, the overwhelming majority of drivers are of a wealthy background. Ocon is one of the rare exceptions. Born to a humble family of Spanish immigrants from Malaga, capital of the province of Andalusia (the poorest in the country), the young driver owes his entire career to Toto Wolff. Ocon even claimed that if it wasn’t for the current Mercedes’ Team Principal, who gave him an opportunity to join motorsport, he would be working in fast-food restaurants to help his family income. The relationship between Wolff and Ocon is the key to understanding the driver’s current situation.

Esteban Ocon and his parents, Laurent and Sabrina

In 2014, Ocon was the champion of European Formula Three, one of the main categories to the entry in Formula One. However, the young driver promoted that year was Max Emilian Verstappen. The young Dutchman, son of former driver Jos Verstappen, debuted at Toro Rosso in 2015, while champion Ocon remained anonymous until mid-2016 when Manor signed him to replace Indonesian Rio Haryanto at the Belgian Grand Prix. Ocon finished his debut year without points in 23rd place. His first point came with the following year’s Australian Grand Prix, which Esteban finished in 10th place.

2- Similar case

Pascal Wehrlein is a German driver who was also patronized by Toto Wolff. Son of a German father and African mother from Mauritius, he made his Formula One debut at Manor in 2016 at the Australian Grand Prix. He became Ocon’s mate after the resignation of Rio Haryanto. At the end of the season, Manor filed for bankruptcy and announced that it would no longer compete in Formula One.

Pascal Wehrlein

To ensure his patronized boys remained, Toto Wolff landed good deals: Wehrlein was sent to Sauber, replacing Brazilian Felipe Nasr, and Ocon to Force India in place of German Nico Hülkenberg. The Rede Globo, a Brazilian company that owns Formula One broadcasting rights in the country, even speculated that Nasr would go to Force India because he outperformed his fellow teammate, Swedish Marcus Ericsson. However, Nasr was left out of the category and Ocon got the seat. Initially, many Brazilian fans were angry at Toto Wolff and Esteban Ocon.

As Sauber’s car had the worst performance of the grid, Wehrlein only scored twice, with seventh place in the Spanish Grand Prix getting six points and tenth place in the Azerbaijan Grand Prix getting one point. His teammate was the only driver that did not score that year. By 2018, Sauber would have to sacrifice one of its drivers to hire Monegasque Charles Leclerc, GP2 champion (another great category to entry in Formula One) and a member of Ferrari Driver Academy. Leclerc is patronized by Nicolas Todt, son of current International Automobile Federation (FIA) president, Jean Todt (Ferrari Team Principal between 1993 and 2007). Sauber at the time was a team subordinate to Ferrari just like Toro Rosso is to Red Bull today. Having to choose between Tetra Pak-sponsored Swede and Toto Wolff-patronized German, the Swiss team opted for Ericsson, and Wehrlein was fired.

Wolff put Wehrlein in the position of Mercedes’ third driver, along with the young Englishman George Russell. Toto promised Pascal that he would fight until the end to secure him a seat in Formula One, but Wehrlein expects this until now. Displeased with the situation, the German joined Ferrari as a third driver, replacing Russian Daniil Kvyat, who was returning to Toro Rosso after being fired from the team.

3- Relationship with other drivers

In the days of the access categories, Ocon befriended Canadian Lance Stroll, whose father, Lawrence Stroll, was the owner of the best European Formula Three and GP2 team, Prema Powerteam. Ocon was champion of the 2014 European Formula Three season with this team. Lance did the same in 2016, breaking the record of “youngest champion” of the category and the first Canadian to win the title. Some critics measured that Verstappen drew more attention than champion Ocon for taking third place with a much lower car (Van Amsterfoot Racing, powered by Volkswagen). It is legitimate noting that Verstappen was the big sensation of 2015. The automotive newspapers only spoke about him, whether by his records, his accidents, or his bold moves that guaranteed him good scores. Max was elected FIA Rookie of the Year in 2015. All of this contributed to overshadowing Ocon’s image for a year and a half.

With Stroll, Ocon had a “Prince and Pauper” kind friendship, as both came from very different backgrounds. Nevertheless, the friendship between them both proved that wealth does not define character. Being rich does not mean being bad or good. Being poor does not mean being good or bad. And later on, let’s see that this really applies.

With Wehrlein, Ocon had no considerable conflict, a situation quite different from that of his Mexican counterpart Sergio Pérez, his Force India teammate. The two met on occasion, especially at the 2017 Belgian Grand Prix, when a touch between them at the Eau Rouge entrance squeezed Esteban against the pit wall. Ocon accused Pérez of “trying to kill him,” infuriating Mexican fans, who offended him on social media. Claiming security reasons, Esteban hired armed security for himself and his parents at that year’s Mexican Grand Prix. Another example of friction between the two was at the Singapore Grand Prix when Pérez beat Ocon out of the race.

The conflict between Pérez and Ocon at the 2017 Belgian Grand Prix. Ocon accused Pérez of trying to kill him

4- Beginning of the crisis: Force India’s bankruptcy

In 2018, Force India owner Vijay Mallya was investigated by the Indian authorities under suspicion of corruption. British courts were already negotiating his deportation to India. With accounts in the red and low reliability, the team started the bankruptcy process. According to Mariana Becker, a journalist for Rede Globo, an American businessman and a Russian were interested in buying it, but no agreement was reached.

Seeing an investment opportunity, Lawrence Stroll set up a consortium of businessmen and bought Force India, with Mallya assuming any pending issues regarding his term of office, including the lawsuit Sergio Pérez filed against the team. Stroll’s son Lance, who had had a good season with Williams in 2017 (getting a podium, a start from the front row and three records), suffered from an uncompetitive car in the English team. It was speculated that when Lawrence bought the team, Lance would transfer to it.

Article from the journal Independent, that mentions the 405 jobs saved by Lawrence Stroll

As explained at the beginning of this article, Formula One needs drivers to bring sponsorship to maintain the sport. Pérez is sponsored by companies such as Telmex and Claro and the state government of Jalisco, Mexico. Ocon, for its part, was sponsored only by Toto Wolff.

5- Attempts to contract with other teams

  • Mercedes: The sponsor upholds Niki Lauda’s wishes.

According to the press, Toto Wolff had adviced Ocon before the 2018 Monaco Grand Prix. He would have said that if it did not make it difficult for Lewis to overtake Hamilton after the pit stop, Esteban would take the second Mercedes seat, as Finnish Valtteri Bottas outperformed Hamilton. This would have occurred well before the purchase of Force India (which was made on drivers’ vacations before the Belgian Grand Prix). Ocon facilitated Englishman overtaking in all races.

That is, months before Force India went bankrupt and was sold, Esteban Ocon was already set to leave the team. However, then-Mercedes adviser, three-time champion Niki Lauda, ​​advised Wolff to give Bottas one more chance. The Team Principal accepted the request and renewed Finn’s contract for another year. In the case Ocon left Force India, which was most likely not to bring the same benefits as Pérez, Wolff would have to work hard to put his pupil into a new team.

  • Renault

In 2018, the French team had Spanish Carlos Sainz Jr. and German Nico Hülkenberg. The first was called in to replace Fernando Alonso at McLaren after the two-time champion announced his retirement. The second had its contract renewed. As a result, Renault had a seat available for 2019. According to press reports, Toto Wolff was negotiating the transfer of Ocon to this team, as the driver was no advantageous neither financially nor in terms of performance, as his results were below those of Pérez.

Nevertheless, nobody could have predicted a turnaround in Red Bull. The announcement that the Austrian team would run with Honda engine in 2019 displeased one of its drivers, Australian Daniel Ricciardo. Fearing to pass through a series of crashes like McLaren in 2016 and Toro Rosso in 2017, Ricciardo opted to leave Red Bull and signed a contract with Renault, filling the team’s second seat. This was the first door that closed to Ocon.

  • McLaren

Dissatisfied with the results of Belgian Stoffel Vandoorne, the English team dismissed the driver and hired Carlos Sainz Jr. to replace Fernando Alonso, who would retire at the end of 2018. Consequently, a seat would be available at McLaren too. Sources say Toto Wolff also contacted the British team to secure a seat for Ocon. However, the team opted for a young English driver who had been in the team development program for years. His name was Lando Norris, the son of an English billionaire businessman. With that, a second door closed for Esteban Ocon.

  • Williams: the Lance Stroll case

If 2017 was a glorious year for the English team, as Lance Stroll’s podium earned it fifth place in the constructors’ championship, 2018 was ruined by the incompetence of its engineers. Lawrence Stroll was one of the team’s main sponsors, along with the SMP bank, which sponsored Russian Sergey Sirotkin. The British engineering team led by Paddy Lowe failed to create a competitive car, with promises of improvements that were always postponed. Embittering in the last positions of the grid, the drivers were unfairly accused by the team’s problems, as they had more spotlight.

Obviously, Lance was unhappy with the team’s incompetence and unfair treatment by the press and fans. It was also clear the dislike of Claire Williams, Team Principal, and daughter of founder Frank Williams, for the Canadian driver, and the clash between Claire and Lawrence created a heavy mood in the squad. Remembering that it was the second time that the Williams family’s mismanagement had led the team into the hands of an outside investor (Toto Wolff in 2009 and Lawrence Stroll in 2017). Lawrence realized that the investment would not be worth it and found an opportunity on Force India purchase.

Although his father took over as the new owner of the team, Lance did not transfer to it. This is the first argument to rebut the accusation that has fallen on the Canadian: that his father would have bought Force India to give his son a better seat, even if he had to sacrifice his friend. If Lawrence were simply a father trying to please his son, he would have paid for Ocon’s contract termination and put Lance on the team immediately. That’s not what happened. Esteban remained on the team, now named Racing Point Force India, until the end of the year.

Many expected Lance and Esteban to switch teams. In other words, Stroll would go to Force India and Ocon to Williams. With Sirotkin’s underperforming performance and Stroll’s departure, the English team would have two vacancies. Toto Wolff stepped into action, placing his pupil in one of Williams’ seats. His name, GEORGE RUSSELL.

The young Englishman was a member of the Mercedes driver development program and served as the third driver of the German team. A long time ago, he had been waiting for an opportunity in Formula One. Wolff did not explain why he chose to secure a seat for a rookie rather than the sponsored who was running out of chances. He merely claimed that Russell had qualifications for the vacancy.

At the same time, there was speculation about Robert Kubica’s return to the grid. The Polish has been out since 2011 when he suffered a serious accident that left his left arm injured. His manager was none other than the champion of 2016, Nico Rosberg. Kubica’s return was a risky investment: his team would have to spend more money to adapt the car to his shortcomings, and there was no guarantee that he would perform well. Rosberg claimed that Polish companies would be willing to sponsor the pilot and that the country’s fans had been looking forward to Kubica’s return since the retirement of Brazilian Felipe Massa.

  • Toro Rosso: Pupil of Toto Wolff? No way!

Toro Rosso went through an unrivaled chair dance. Dissatisfied with Daniil Kvyat’s successive crashes, the team ran in 2018 with Pierre Gasly and Brendon Hartley. However, the second was also involved in a series of collisions that angered the leaders of the Italian team.

With Hartley fired and Gasly promoted to Red Bull after Daniel Ricciardo left for Renault, there were two seats available. However, two factors hindered Ocon’s chances. The first is the fact that Toro Rosso is a team subordinate to Red Bull, and usually, its drivers are linked to it: they are either young people from the development program or have been demoted from the team. Esteban had no ties to Red Bull. The second factor was Ocon’s connection with Toto Wolff. Team chief Franz Tost even claimed that he did not want drivers linked to Mercedes on the team. Perhaps the team feared an espionage scandal like McLaren’s in 2007 or that Ocon would tell Wolff the secrets of the team, that used Honda engines.

6- Esteban Ocon’s image

  • Stroll is thrown into the fire; Ocon delays to help his friend

Lance Stroll made his Formula One debut in 2017 for Williams at the age of 18 at the Australian Grand Prix. Three successive retirements and accidents at free practices made the press and fans forget about his European Formula Three achievements (like his title and record) and consider him a “pay driver”. This unfair fame accompanied Lance to his third-place finish in the Azerbaijan Grand Prix, where he broke the record for “youngest rookie to score a podium”. Ocon had no podium so far, even with a superior car, and remained so until the end of his career.

With the problems Williams faced in 2018, the reputation of “pay driver” came back to Stroll, mainly because the media blamed the drivers for the poor performance of the car, even though it was the engineers’ responsibility. When his father, Lawrence Stroll, bought Force India in the second half of the year, saving the jobs of 405 workers, fans of Esteban Ocon, full of deadly rage, attacked Lance on his social media with the most terrible offenses possible, some even of racial content. Little was said about the saved jobs, or the advantages Pérez and Stroll would bring to the team, or that Ocon’s lack of sponsorship and results hindered him in the case. Some simply would not admit that a Canadian Jewish driver of Amerindian descent who had a podium, a start from the front row and three records would replace a white European driver with no podiums and no records.

However, the most surprising in this case was Esteban Ocon’s reaction. Force India was bought in August 2018. Ocon only spoke out about the attacks on Lance in September 2018. Within a month, the media and fans had enough time to launch slanderous rumors about the Canadian, while his friend since Formula Three era watched all quietly. Ocon called the attacks “irrational” and launched a story on his Instagram in which he emphasized his friendship with Stroll despite their “different backgrounds”. Why did Ocon take a month to help his friend who was suffering one of the dirtiest defamation campaigns in Formula One history? Why did Ocon point out differences in their “background”, as Stroll suffered racial offenses and attacks for being rich (which 99.9% of pilots are)?

Ocon’s Instagram post defending Stroll a month later
  • Crash into Verstappen at Brazilian Grand Prix; the final gavel

With 99.9% of seats unavailable for Ocon, his chances of staying in Formula One were scarcer. On November 11th, 2018, the Brazilian Grand Prix happened at Interlagos Circuit in São Paulo. Although Lewis Hamilton took pole position, Max Verstappen took the lead and was on his way to victory. Esteban was 16th and coming out of pits when he accelerated and ignored the blue flag, crashing into Verstappen. The two drivers temporarily left the track, allowing Hamilton to overtake. Verstappen came back in second, with damage in the car. Ocon received a 10-seconds of stop-and-go penalty. Hamilton’s victory was credited by this incident.

After the podium ceremony, Verstappen sought Ocon to clarify the situation. With a smirk on his face, Esteban replied that he was “faster” and therefore had the right to be in front even with the blue flag.

(Note: Believe me, some people believe in this lame excuse to this day.)

Verstappen was enraged at the mockery and set off for physical aggression, successively pushing Ocon until both were separated. Max left the room visibly annoyed, while Esteban continued to laugh and mock the Dutchman. Then he dared to say that “Max didn’t act like a man”. Is disrespecting the blue flag, which obliges the lapped cars to let the front drivers pass, a man thing? Is making fun of the injured person instead of assuming the mistake and apologizing for it a man thing? Is seeing your friend being a victim of defamation and helping him only a month later a man thing? Is accusing the teammate of attempted murder a man thing?

Ocon makes fun of Verstappen after the move that prevented his victory
  • Verdict: guilty of maximum allegiance to Toto Wolff; Sentence: to be without a seat for 2019

Ocon’s reaction to the crash with Max Verstappen spawned two theories to explain it: the first is a possible resentment of Esteban for Max’ promotion to Formula One in 2015, even though he was third in 2014 European Formula Three while Hispano-Frenchman had been the champion; The other is that Ocon was sending a message to Toto Wolff that he would be a great driver for the team, as his actions undeniably secured Lewis Hamilton’s victory.

While this image would benefit him for Wolff, it earned Ocon a bad reputation with the other teams. Esteban came to be seen as a loyal agent to the Mercedes team leader, and his presence in other teams could mean espionage, betrayal, and double loyalty. Ocon gained nothing from the Verstappen accident: he did not score, received a penalty, and had his reputation tarnished. The only beneficiaries of the event were Hamilton for the win and Valtteri Bottas, who was fourth in the championship ahead of Verstappen. Nevertheless, that did not last until the end, as in the last race of the year in Abu Dhabi, Max took third place and took Bottas’ position in the championship, just three points behind third-placed Kimi Raikkonen.

After the Brazilian Grand Prix, Claire Williams announced that the British team had hired Robert Kubica, ending all chances for Esteban to continue in the top motoring category. Wolff had no choice but to place him as Mercedes’ third driver.

7- Myths and truths

  • Myth: Stroll is to blame for Ocon’s departure from Formula 1.

Stroll did not take the seat immediately after his father bought Force India with the help of a business consortium. Even though they could afford a contract termination, the new team owners let Ocon run for the team until the end of his contract. Ocon was also tipped to leave the team before purchase. Pérez brought advantages to the team by being the best performing driver and still having good sponsors, something Esteban did not do. The choice for Pérez was based on offer and demand, a golden rule of the market.

Ocon tried vacancies on other teams, but all had other plans. Renault opted for Daniel Ricciardo. McLaren chose Lando Norris. Mercedes has renewed Valtteri Bottas’s contract. Toro Rosso has hired Alexander Albon and Daniil Kvyat (who had a career podium at the time, one more than Esteban Ocon). Stroll is no more guilty than Ricciardo, Norris, Perez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell, and Kubica for Ocon’s exit. Remembering that Stroll has a podium, a start from the front row, and three records on his carrer, skills that Ocon does not have. Blaming Stroll for being in Formula 1 while Ocon is out is the same as blaming Ayrton Senna for having more titles than Rubens Barrichello.

  • Truth: Ties with Toto Wolff has reduced Ocon’s opportunities in Formula One

Esteban’s countless compliments to Mercedes’ team chief and the move into Max Verstappen’s at the 2018 Brazilian Grand Prix prove that Ocon is very devoted to Toto Wolff, his patronize on sports. The other teams feared that a double agent would generate an espionage scandal or that their secrets would be leaked to the German team.

Many may think that because Mercedes has one of the best cars on the grid (if not the best) it would not be interested in information about other teams. However, teams always watch the performance of their competitors (see McLaren in 2007) for improvements and strategies.

  • Myth: Ocon was an outstanding driver and his departure was a great injustice.

Ocon was surpassed by all his teammates during his Formula One career. In his debut year in 2016, he trailed Pascal Werhlein in the final results. , although both scored zero because they entered Formula 1 midway through the year. In 2017 and 2018 was surpassed by Sergio Pérez, with 87 points against 100 in the first year and 49 against 62 in the second. This myth was created by journalists who, for personal reasons, focus on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen rather than praising Ocon for themselves. The driver data proves this.

In two and a half years of career, Ocon failed to win a podium, a front row start, a pole position, or a record, totaling only 136 points. Comparing to other riders of the same age group: Max Verstappen broke two records in his debut year and four more the following year, the same year he got a victory, five podiums and a start from the front row; Lance Stroll got a podium, three records, and a start from the front row in his debut year; Charles Leclerc did not achieve great results in his debut year, but a year later he has so far achieved two poles and five podiums. Remembering that in his debut year, Ocon was unable to score.

  • Truth: Ocon’s choices earned him a bad name in the paddock

The 2017 Belgian Grand Prix case, where Esteban accused Sergio Pérez of “trying to kill him”, is one of the examples of the narrative war the driver fought in his career. Perez even claimed that Ocon likes to victimize himself and make his rivals look like villains. The theory has foundations.

During his career, Ocon’s choices, whether racing maneuvers or press statements (including their lack/delay), made Pérez look like an “impulsive driver who could even kill his teammate”, Stroll looks like “an evil capitalist who buys seats in Formula One” and Verstappen looks like “an uncontrolled brawler who assaults his opponents”. All these media figures eventually turned against Esteban, who in front of the other teams got the image of “a treacherous and incompetent driver who gets along with no one but Toto Wolff”. With such a reputation, it is difficult to get a seat in Formula 1 because the teams are not trusted.

8- Comparisons between Ocon and Wehrlein

Pascal Wehrlein entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Sauber, where he scored in the Spanish Grand Prix and Azerbaijan Grand Prix. No sponsors who could help the team’s accounts, although it outperformed teammate Marcus Ericsson, was fired from the team to make way for Ferrari protégé Charles Leclerc. In 2018, he was named third Mercedes driver by godfather Toto Wolff, who promised a return to Formula One. As the promise was never fulfilled, he joined Ferrari as the third driver and was never seen on the track again.

Esteban Ocon entered Formula 1 with Manor in 2016. He did not score points due to the poor performance of the car. In 2017 he was promoted to Force India, where he scored 18 times but finished the championship with 13 points less than his teammate Sergio Pérez, who won him in 2018 as well. No sponsors who could help the team’s accounts and underperforming his teammate were fired. In 2019 he was placed as the third driver of Mercedes by godfather Toto Wolff, who promised him a return to Formula 1 (earlier he would have promised Bottas’ seat).

9- Conclusion

Esteban Ocon’s departure from Formula One in 2019 and his uncertainty for the future are the result of the poor choices the Spanish-French driver made during his career. Leaving gratitude to Toto Wolff in his head, Ocon handed his future into the hands of his godfather, who had failed to secure a vacancy for his other sponsor, Pascal Wehrlein. The lousy relationship with Sergio Pérez, the delay in helping longtime friend Lance Stroll as he suffered defamation, and move into Max Verstappen that allowed Lewis Hamilton to win at the 2018 Brazilian Grand Prix earned Esteban a tarnished reputation (double-loyal and victimhood) and distrust of the other teams (who opted to sign Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell and Robert Kubica). His results were not enough to justify his deserving of the seat at Force Point, Force India’s heiress, and his choices set him apart from the rest of the grid. The image of an “excellent driver wronged by others” is just a media invention of malicious journalists whose interests focus more on defaming Pérez, Stroll, and Verstappen than on extolling Esteban’s great achievements in Formula One, which have so far not materialized. If Ocon has a chance to return to Formula One? Yes, but it will depend on the strategy adopted by Toto Wolff. At the moment, Ocon’s situation is almost identical to Wehrlein’s.

Esteban Ocon and Toto Wolff: Formula One’s most troubled marriage

 

10- Sources

Photos

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Entenda o Caso Esteban Ocon

Matéria escrita em 10 de agosto de 2019. A leitura nos dias de hoje pode ajudar a entender porque Esteban Ocon ficou sem vagas em 2019 e quais as atitudes que teve que tomar para voltar ao grid em 2020.

 

Esteban Ocon, piloto hispano-francês que correu na Fórmula 1 entre 2016 e 2018, é um dos nomes mais comentados quando começam as especulações no mercado de pilotos. Afinal, o jovem de 22 anos, apadrinhado de Toto Wolff, era tido por muitos como a promessa de uma futura estrela. Porém, ele ficou de fora do grid de 2019. Por que isso aconteceu? Ele ainda tem chances? Seu caso é complicado, mas iremos explicar tudo.

1- Início de carreira

Esteban Ocon é um caso raro na Fórmula 1. Por esta ser um esporte com muitos custos (peças, engenheiros, mecânicos, simuladores, etc.), é esperado que os pilotos tragam patrocínio para ajudar nas despesas de suas equipes. Portanto, os pilotos em sua maioria esmagadora são de origem rica. Ocon é uma das raras exceções. Nascido em uma família humilde de imigrantes espanhóis de Málaga, cidade na província de Andaluzia (a mais pobre do país), o jovem deve toda a sua carreira a Toto Wolff. Ocon chegou a afirmar que se não fosse pelo atual chefe de equipe da Mercedes, que lhe deu uma oportunidade para ingressar no automobilismo, estaria trabalhando em lanchonetes para ajudar a renda familiar. A relação entre Wolff e Ocon é uma peça fundamental para entendermos a situação atual do piloto.

Esteban Ocon e seus pais, Laurent e Sabrina

Em 2014, Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia, uma das principais categorias de acesso à Fórmula 1. No entanto, o jovem promovido naquele ano foi Max Emilian Verstappen. O jovem holandês, filho do ex-piloto Jos Verstappen, estreou na Toro Rosso em 2015, enquanto que o campeão Ocon permaneceu no anonimato até a metade de 2016, quando a Manor o contratou para substituir o indonésio Rio Haryanto no Grande Prêmio da Bélgica. Ocon terminou seu ano de estreia sem pontos, em 23⁰ lugar. Seu primeiro ponto veio com o Grande Prêmio da Austrália do ano seguinte, o qual Esteban terminou em 10⁰ lugar.

2- Caso semelhante

Pascal Wehrlein é um piloto alemão que também fora apadrinhado por Toto Wolff. Filho de pai alemão e mãe africana das Ilhas Maurício, ele estreou na Fórmula 1 pela Manor em 2016, no Grande Prêmio da Austrália. Tornou-se companheiro de Ocon após a demissão de Rio Haryanto. No final da temporada, a Manor decretou falência e anunciou que não competiria mais na Fórmula 1.

Pascal Wehrlein

Para garantir que seus apadrinhados permanecessem, Toto Wolff conseguiu bons contratos: Wehrlein foi mandado para a Sauber, substituindo o brasileiro Felipe Nasr, e Ocon para a Force India no lugar do alemão Nico Hülkenberg. A Rede Globo, emissora brasileira que detém os direitos de transmissão da Fórmula 1 no país, chegou a especular que Nasr iria para a Force India por ter resultados superiores aos de seu companheiro, o sueco Marcus Ericsson. No entanto, Nasr ficou de fora da categoria e Ocon preencheu a vaga. Inicialmente, muitos fãs brasileiros ficaram com raiva de Toto Wolff e Esteban Ocon.

Como o carro da Sauber tinha o pior rendimento do grid, Wehrlein só chegou a pontuar duas vezes, com o sétimo lugar no Grande Prêmio da Espanha, obtendo seis pontos, e o décimo lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, conseguindo um ponto. Seu companheiro foi o único piloto daquele ano a não pontuar. Para 2018, a Sauber teria de sacrificar um de seus pilotos para contratar o monegasco Charles Leclerc, campeão da GP2 (outra categoria importante de acesso à Fórmula 1) e membro da Academia de Pilotos da Ferrari. Leclerc é apadrinhado de Nicolas Todt, filho do atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt (chefe de equipe da Ferrari entre 1993 e 2007). A Sauber na época era uma equipe subordinada à Ferrari tal qual a Toro Rosso é à Red Bull atualmente. Tendo que escolher entre o sueco patrocinado pela Tetra Pak e o alemão com resultados melhores apadrinhado por Toto Wolff, a equipe suíça optou por Ericsson e Wehrlein foi demitido.

Wolff colocou Wehrlein no cargo de terceiro piloto da Mercedes, juntamente com o jovem inglês George Russell. Toto prometia a Pascal que lutaria até o fim para lhe garantir um assento na Fórmula 1, porém Wehrlein espera isso até hoje. Descontente com a situação, o alemão se juntou à Ferrari como terceiro piloto, substituindo o russo Daniil Kvyat, que voltava para a Toro Rosso depois de ter sido demitido da equipe.

3- Relação com outros pilotos

Nos tempos das categorias de acesso, Ocon fez amizade com o canadense Lance Stroll, cujo pai, Lawrence Stroll, era o dono da melhor equipe da Fórmula 3 Europeia e da GP2, a Prema Powerteam. Ocon foi campeão da Fórmula 3 Europeia em 2014 por essa equipe. Lance fez o mesmo em 2016, quebrando o recorde de mais jovem campeão da categoria e primeiro canadense a ganhar o título. Alguns críticos avaliaram que Verstappen chamou mais atenção que o campeão Ocon por ter conseguido o terceiro lugar com um carro bem inferior (Van Amsterfoot Racing, motorizada pela Volkswagen). É válido notar que Verstappen foi a grande sensação de 2015. Os jornais automotivos só falavam do menino Max, seja por seus recordes, seja por seus acidentes ou por suas manobras arrojadas que lhe garantiam boas pontuações. Max foi eleito Estreante do Ano pela FIA em 2015. Tudo isso contribuiu para ofuscar a imagem de Ocon durante um ano e meio.

Com Stroll, Ocon travava uma amizade ao estilo “O Príncipe e o Mendigo”, pois ambos vieram de situações bem diferentes. Mas a amizade entre os dois provou que a riqueza não define caráter. Ser rico não quer dizer ser mau ou bom. Ser pobre não quer dizer ser bom ou mau. E mais para frente, vamos ver que isso realmente se aplica.

Com Wehrlein, Ocon não teve atritos consideráveis, situação bem diferente da que teve com o mexicano Sergio Pérez, seu companheiro na Force India. Os dois se enfrentaram em algumas ocasiões, principalmente no Grande Prêmio da Bélgica de 2017, quando um toque entre os dois na entrada da Eau Rouge espremeu Esteban contra o muro dos boxes. Ocon acusou Pérez de “tentar matá-lo”, enfurecendo os torcedores mexicanos, que passaram a ofendê-lo nas redes sociais. Alegando motivos de segurança, Esteban contratou seguranças armados para si e seus pais no Grande Prêmio do México daquele ano. Outro exemplo de atrito entre os dois foi no Grande Prêmio de Singapura, quando Pérez bateu em Ocon, tirando-o da prova.

Atrito entre Pérez e Ocon no Grande Prêmio da Bélgica de 2017. Ocon acusou Pérez de tentar matá-lo

4- Início da crise: a falência da Force India

Em 2018, o dono da Force India, Vijay Mallya, passou a ser investigado pelas autoridades indianas por suspeita de corrupção. A justiça britânica já negociava sua deportação para a Índia. Com as contas no vermelho e a confiabilidade baixa, a escuderia iniciou o processo de falência. Segundo informações de Mariana Becker, jornalista da Rede Globo, um empresário americano e um russo estavam interessados em comprá-la, mas não se chegou a um acordo.

Vendo uma oportunidade de investimento, Lawrence Stroll montou um consórcio de empresários e comprou a Force India, com Mallya assumindo qualquer pendência relativa ao período de sua gestão, inclusive o processo que Sergio Pérez moveu contra a equipe. O filho de Stroll, Lance, que havia feito uma boa temporada com a Williams em 2017 (conseguindo um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes), sofria com um carro nada competitivo na escuderia inglesa. Especulava-se que quando Lawrence comprasse a equipe, Lance se transferiria para ela.

Matéria do jornal Independent, que menciona os 405 empregos salvos por Lawrence Stroll

Como explicado no começo dessa matéria, a Fórmula 1 precisa que os pilotos tragam patrocínio para manter o esporte. Pérez traz o patrocínio de empresas como Telmex e Claro e do governo do estado de Jalisco, no México. Ocon, por sua vez, era bancado unicamente por Toto Wolff.

5- Tentativas de contrato com outras equipes

  • Mercedes: o padrinho acata a vontade de Niki Lauda

Segundo a imprensa, Toto Wolff havia dado conselhos a Ocon antes do Grande Prêmio de Mônaco de 2018. Ele teria dito que, caso não dificultasse a ultrapassagem de Lewis Hamilton após o pit stop, Esteban assumiria a segunda vaga da Mercedes, já que o finlandês Valtteri Bottas tinha o desempenho bem inferior ao de Hamilton. Isso teria ocorrido bem antes da compra da Force India (que foi efetuada nas férias dos pilotos, antes do Grande Prêmio da Bélgica). Ocon facilitou a ultrapassagem do inglês em todas as corridas.

Ou seja, meses antes da Force India ir à falência e ser vendida, Esteban Ocon já estava cotado a deixar a equipe. Porém, o então conselheiro da Mercedes, o tricampeão Niki Lauda, recomendou a Wolff que desse mais uma chance a Bottas. O chefe de equipe acatou o pedido e renovou o contrato do finlandês por mais um ano. Caso Ocon deixasse a Force India, o que era o mais provável por não trazer os mesmos benefícios que Pérez, Wolff teria de se esforçar para encaixar seu pupilo em uma escuderia nova.

  • Renault

Em 2018, a equipe francesa contava com o espanhol Carlos Sainz Jr. e com o alemão Nico Hülkenberg. O primeiro foi chamado para substituir Fernando Alonso na McLaren depois que o bicampeão anunciou sua aposentadoria. O segundo teve seu contrato renovado. Com isso, a Renault tinha uma vaga disponível para 2019. Segundo a imprensa, Toto Wolff negociava a transferência de Ocon para essa escuderia, pois o piloto não era vantajoso nem financeiramente, nem em termos de desempenho, já que seus resultados estavam abaixo dos de Pérez.

Porém, ninguém contava com uma reviravolta na Red Bull. O anúncio de que a equipe austríaca correria com o motor da Honda em 2019 desagradou um de seus pilotos, o australiano Daniel Ricciardo. Temendo passar por uma série de quebras como houve com a McLaren em 2016 e a Toro Rosso em 2017, Ricciardo optou por deixar a Red Bull e assinou contrato com a Renault, preenchendo a segunda vaga da equipe. Essa era a primeira porta que se fechava para Ocon.

  • McLaren

Insatisfeita com os resultados do belga Stoffel Vandoorne, a escuderia inglesa demitiu o piloto e chamou Carlos Sainz Jr. para substituir Fernando Alonso, que se aposentaria no final de 2018. Consequentemente, uma vaga também estaria disponível na McLaren. Fontes afirmam que Toto Wolff também contatou os britânicos para garantir uma vaga para Ocon. No entanto, a equipe optou por um jovem piloto inglês que estava há anos no programa de treinamento da escuderia. Seu nome era Lando Norris, filho de um empresário inglês bilionário. Com isso, uma segunda porta se fechou para Esteban Ocon.

  • Williams: o caso Lance Stroll

Se 2017 foi um ano glorioso para a equipe inglesa, pois o pódio de Lance Stroll lhe garantiu o quinto lugar no campeonato de construtoras, 2018 foi arruinado pela incompetência de seus engenheiros. Lawrence Stroll era um dos principais financiadores da equipe, juntamente com o banco SMP, que patrocinava o russo Sergey Sirotkin. A equipe de engenharia liderada pelo britânico Paddy Lowe falhava em criar um carro competitivo, com promessas de melhorias que eram sempre adiadas. Amargando nas últimas posições do grid, os pilotos eram acusados injustamente pelos problemas da equipe, por estarem em maior evidência.

Obviamente, Lance estava descontente com a incompetência da equipe e tratamento injusto por parte da imprensa e dos torcedores. Também era nítida a antipatia de Claire Williams, chefe de equipe e filha do fundador Frank Williams, pelo piloto canadense e o embate entre Claire e Lawrence criava um clima pesado na escuderia. Lembrando que era a segunda vez que a má gestão da família Williams levava a equipe a ficar nas mãos de um investidor de fora (Toto Wolff em 2009 e Lawrence Stroll em 2017). Lawrence percebeu que o investimento não valeria a pena e encontrou uma oportunidade na compra da Force India.

Embora seu pai tenha assumido como o novo dono da equipe, Lance não se transferiu para a escuderia. Esse é o primeiro argumento que rebate a acusação que caiu sobre o canadense: de que seu pai teria comprado a Force India para que o filho tivesse um assento melhor, mesmo que tivesse que sacrificar seu amigo. Se Lawrence fosse simplesmente um pai tentando agradar o filho, teria pago a rescisão de contrato de Ocon e colocado Lance no time imediatamente. Não foi o que aconteceu. Esteban permaneceu na equipe, agora com o nome de Racing Point Force India, até o final do ano.

Muitos esperavam que Lance e Esteban trocassem de equipe. Em outras palavras, Stroll iria para a Force India e Ocon para a Williams. Com o desempenho de Sirotkin abaixo do esperado e com a partida de Stroll, a escuderia inglesa teria duas vagas disponíveis. Toto Wolff entrou em ação, colocando seu pupilo em uma das vagas da Williams. Seu nome, GEORGE RUSSELL.

O jovem inglês era membro do programa de desenvolvimento de pilotos da Mercedes e atuava como terceiro piloto da equipe alemã. Há muito tempo ele esperava uma oportunidade na Fórmula 1. Wolff não deu explicações sobre porque optou por garantir um assento a um novato em vez do apadrinhado que estava ficando sem chances. Apenas alegou que Russell tinha qualificações para a vaga.

Ao mesmo tempo, especulava-se sobre a volta de Robert Kubica às pistas. O polonês estava afastado desde 2011, quando sofreu um grave acidente que deixou seu braço esquerdo lesionado. Seu empresário era ninguém menos do que o campeão de 2016, Nico Rosberg. O retorno Kubica era um investimento arriscado: sua equipe teria que gastar mais dinheiro para adaptar o carro a suas deficiências e não havia garantia de que seu desempenho seria bom. Rosberg alegava que empresas polonesas estariam dispostas a patrocinar o piloto e que os torcedores do país ansiavam pela volta de Kubica desde a aposentadoria do brasileiro Felipe Massa.

  • Toro Rosso: apadrinhado do Toto Wolff? Nem pensar!

A Toro Rosso passava por uma dança das cadeiras inigualável. Insatisfeita com os sucessivos acidentes de Daniil Kvyat, a equipe correu em 2018 com Pierre Gasly e Brendon Hartley. No entanto, o segundo também se envolveu numa série de colisões que irritaram os dirigentes da equipe italiana.

Com Hartley demitido e Gasly promovido para a Red Bull após a saída de Daniel Ricciardo para a Renault, havia duas vagas disponíveis. No entanto, dois fatores dificultavam as chances de Ocon. O primeiro é o fato da Toro Rosso ser uma equipe subordinada à Red Bull, e normalmente seus pilotos estão ligados a ela: ou são jovens do programa de treinamento ou foram rebaixados da escuderia. Esteban não tinha laços com a Red Bull. O segundo fator era a ligação de Ocon com Toto Wolff. O chefe de equipe, Franz Tost, chegou a afirmar que não queria pilotos ligados à Mercedes na equipe. Talvez a escuderia temesse um escândalo de espionagem como o da McLaren em 2007 ou que Ocon contasse para Wolff os segredos do time, que usava motores Honda.

6- A imagem de Esteban Ocon

  • Stroll é jogado na fogueira; Ocon demora a socorrer o amigo

Lance Stroll estreou pela Fórmula 1 em 2017 pela Williams, aos 18 anos, no Grande Prêmio da Austrália. Três abandonos sucessivos e acidentes nos treinos livres fizeram a imprensa e os torcedores esquecerem de seus feitos na Fórmula 3 Europeia (como seu título e recorde) e o considerarem um “piloto pagante”. Essa fama injusta acompanhou Lance até seu terceiro lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, no qual quebrou o recorde de “mais jovem estreante a ter pódio”. Ocon até então não tinha pódio, mesmo com um carro superior, e assim permaneceu até o fim de sua carreira.

Com os problemas enfrentados pela Williams em 2018, a fama de “piloto pagante” voltou a pairar sobre Stroll, principalmente porque a mídia atribuía aos pilotos a culpa pelo mau rendimento do carro, mesmo isto sendo responsabilidade dos engenheiros. Quando seu pai, Lawrence Stroll, comprou a Force India na segunda metade do ano, salvando o emprego de 405 trabalhadores, os fãs de Esteban Ocon, envolvidos por uma raiva mortal, passaram a atacar Lance em suas redes sociais com as ofensas mais terríveis possíveis, algumas inclusive de teor racial. Pouco se falou dos empregos salvos, ou das vantagens que Pérez e Stroll trariam à equipe, ou que a falta de patrocínio e resultados de Ocon o atrapalhou na questão. Alguns simplesmente não admitiam que um piloto canadense judeu descendente de indígenas que possuía um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes substituísse um piloto branco de origem europeia sem pódios e sem recordes.

Mas o mais surpreendente nesse caso foi a reação de Esteban Ocon. A Force India foi comprada em agosto de 2018. Ocon só se manifestou sobre os ataques a Lance em setembro de 2018. Em um mês, a mídia e os torcedores tiveram tempo suficiente para lançar boatos caluniosos sobre o canadense, enquanto que seu amigo desde a época da Fórmula 3 assistia a tudo calado. Ocon classificou os ataques como “irracionais” e lançou um stories em seu Instagram no qual ressaltava sua amizade com Stroll apesar de suas “origens diferentes”. Por que Ocon demorou um mês para acudir o amigo que sofria uma das mais baixas campanhas de difamação na história da Fórmula 1? Por que Ocon ressaltou diferenças nas “origens” de ambos, sendo que Stroll sofria ofensas raciais e ataques por ser rico (coisa que 99,9% dos pilotos é)?

Postagem no Instagram de Ocon defendendo Stroll um mês depois
  • Batida em Verstappen no Grande Prêmio do Brasil; a martelada final

Com 99,9% das vagas indisponíveis para Ocon, suas chances de permanecer na Fórmula 1 estavam cada vez mais escassas. No dia 11 de novembro de 2018, ocorreu o Grande Prêmio do Brasil, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Embora Lewis Hamilton tenha obtido a pole position, Max Verstappen conseguiu a liderança da prova e caminhava rumo à vitória. Esteban era o 16º e saía dos boxes quando acelerou e ignorou a bandeira azul, chocando-se contra Verstappen. Os dois pilotos saíram temporariamente da pista, possibilitando a ultrapassagem de Hamilton. Verstappen voltou em segundo lugar, com danos no carro. Ocon foi punido com 10 segundos de stop-and-go. A vitória de Hamilton estava na conta desse incidente.

Depois da cerimônia do pódio, Verstappen procurou Ocon para esclarecer a situação. Com um sorrisinho debochado no rosto, Esteban lhe respondeu que “estava mais rápido” e portanto tinha o direito de estar na frente mesmo com a bandeira azul.

Nota: Acreditem, há quem engula essa desculpa esfarrapada até hoje.

Verstappen ficou irado com o deboche e partiu para a agressão física, empurrando sucessivamente Ocon até que ambos foram separados. Max deixou a sala visivelmente irritado, enquanto que Esteban continuava rindo e caçoando do holandês. Depois, ele teve a coragem de dizer que “Max não agiu como homem”. Desrespeitar a bandeira azul, que obriga os retardatários a deixar os pilotos da frente passar, é coisa de homem? Caçoar da pessoa prejudicada em vez de assumir o erro e pedir desculpas é coisa de homem? Ver o amigo sendo vítima de difamação e ajudá-lo somente um mês depois é coisa de homem? Acusar o companheiro de equipe de tentativa de homicídio é coisa de homem?

Ocon caçoa de Verstappen após manobra que impediu sua vitória
  • Veredito: culpado por fidelidade máxima a Toto Wolff; Sentença: ficar sem vaga para 2019

A reação de Ocon ao choque com Max Verstappen gerou duas teorias para explicá-la: a primeira é um possível ressentimento de Esteban pela promoção de Max à Fórmula 1 em 2015, mesmo este sendo o terceiro colocado na Fórmula 3 Europeia de 2014 enquanto que o hispano-francês havia sido o campeão; a outra é a de que Ocon estaria passando uma mensagem a Toto Wolff de que ele seria um ótimo piloto para a equipe, já que suas ações inegavelmente garantiram a vitória de Lewis Hamilton.

Se por um lado essa imagem lhe traria benefícios com Wolff, ela rendeu a Ocon uma péssima reputação com as outras equipes. Esteban passou a ser visto como um agente leal ao chefe de equipe da Mercedes, e sua presença em outras escuderias poderia significar espionagem, traição e dupla-lealdade. Ocon não ganhou nada com o acidente com Verstappen: não pontuou, recebeu punição e teve a reputação manchada. Os únicos beneficiados com o acontecimento foram Hamilton, pela vitória, e Valtteri Bottas, que permanecia em quarto lugar no campeonato, à frente de Verstappen. Mas isso não se manteve até o final, pois na última corrida do ano, em Abu Dhabi, Max conseguiu um terceiro lugar e tomou a posição de Bottas no campeonato, ficando a apenas três pontos do terceiro colocado, Kimi Raikkonen.

Depois do Grande Prêmio do Brasil, Claire Williams anunciou que a equipe britânica havia contratado Robert Kubica, encerrando todas as chances de Esteban continuar na categoria máxima do automobilismo. Wolff não teve outra alternativa a não ser colocá-lo como terceiro piloto da Mercedes.

7- Mitos e verdades

  • Mito: Stroll é o culpado pela saída de Ocon da Fórmula 1.

Stroll não assumiu a vaga logo após o pai ter comprado a Force India com a ajuda de um consórcio de empresários. Mesmo tendo condições de pagar uma rescisão de contrato, os novos donos da escuderia deixaram Ocon correr pela equipe até o final de seu contrato. Ocon também era cotado para sair da equipe antes da compra. Pérez trazia vantagens para a equipe por ser o piloto com melhor desempenho e ainda trazer bons patrocinadores, coisa que Esteban não fazia. A escolha por Pérez foi baseada em oferta e demanda, uma regra de ouro do mercado.

Ocon tentou vagas em outras equipes, porém todas tiveram outros planos. A Renault optou por Daniel Ricciardo. A McLaren escolheu Lando Norris. A Mercedes renovou o contrato de Valtteri Bottas. A Toro Rosso contratou Alexander Albon e Daniil Kvyat (que tinha na época um pódio na carreira, um a mais que Esteban Ocon). Stroll não é mais culpado que Ricciardo, Norris, Pérez, Bottas, Albon, Kvyat, Russell e Kubica pela saída de Ocon. Lembrando que Stroll tem um pódio, uma largada da primeira fila e três recordes na carreira, competências que Ocon não tem. Culpar Stroll por estar na Fórmula 1 enquanto que Ocon está fora é a mesma coisa que culpar Ayrton Senna por ter mais títulos que Rubens Barrichello.

  • Verdade: a ligação com Toto Wolff diminuiu as oportunidades de Ocon na Fórmula 1

Os incontáveis elogios de Esteban ao chefe de equipe da Mercedes e a manobra para cima de Max Verstappen no Grande Prêmio do Brasil de 2018 comprovam que Ocon tem muita devoção a Toto Wolff, seu padrinho no esporte. As outras equipes temiam que um agente-duplo gerasse um escândalo de espionagem ou que seus segredos fossem vazados para a escuderia alemã.

Muitos podem pensar que, devido ao fato da Mercedes ter um dos melhores carros do grid (se não o melhor) ela não estaria interessada em informações sobre os outros times. Porém, as equipes sempre observam o desempenho de suas concorrentes (vide McLaren em 2007) em busca de melhorias e estratégias.

  • Mito: Ocon era um piloto de desempenho excelente e sua saída foi uma grande injustiça

Ocon foi superado por todos os seus companheiros de equipe durante sua carreira na Fórmula 1. Em seu ano de estreia, em 2016, ficou atrás de Pascal Werhlein nos resultados finais (embora ambos tivessem pontuação nula) por ter entrado na Fórmula 1 no meio do ano. Em 2017 e 2018 foi superado por Sergio Pérez, com 87 pontos contra 100 no primeiro ano e 49 contra 62 no segundo. Esse mito foi criado por jornalistas que, por motivos pessoais, focam em difamar Pérez, Stroll e Verstappen mais do que em elogiar Ocon por si. Os dados do piloto provam isso.

Em dois anos e meio de carreira, Ocon não conseguiu UM pódio, UMA largada da primeira fila, UMA pole position nem UM recorde, somando apenas 136 pontos. Comparando com outros pilotos da mesma faixa etária: Max Verstappen quebrou dois recordes em seu ano de estreia e mais quatro no ano seguinte, mesmo ano que obteve uma vitória, cinco pódios e uma largada da primeira fila; Lance Stroll conseguiu um pódio, três recordes e uma largada da primeira fila em seu ano de estreia; Charles Leclerc não obteve grandes resultados em seu ano de estreia, mas um ano depois conseguiu, até o presente momento, duas poles e cinco pódios. Lembrando que em seu ano de estreia, Ocon foi incapaz de pontuar.

  • Verdade: as escolhas de Ocon lhe renderam má fama no paddock

O caso do Grande Prêmio da Bélgica de 2017, no qual Esteban acusou Sergio Pérez de “tentar matá-lo”, é um dos exemplos da guerra de narrativas que o piloto travou em sua carreira. Pérez chegou a afirmar que Ocon gosta de se vitimizar e fazer seus rivais parecerem vilões. A teoria tem embasamentos.

Durante sua carreira, as escolhas de Ocon, sejam elas manobras nas corridas ou declarações à imprensa (incluindo a falta/demora delas), fizeram Pérez parecer um “piloto impulsivo que seria capaz inclusive de matar o colega de equipe”, Stroll parecer “um capitalista malvadão que compra assentos na Fórmula 1” e Verstappen parecer “um brigão descontrolado que agride seus adversários”. Todas essas figuras midiáticas acabaram por se voltar contra Esteban, que perante às demais equipes ficou com a imagem de “um piloto traiçoeiro e incompetente que não se dá bem com ninguém a não ser com Toto Wolff”. Com essa reputação, é difícil arrumar um assento na Fórmula 1 porque não se tem a confiança das escuderias.

8- Comparações entre Ocon e Wehrlein

Pascal Wehrlein entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Sauber, onde pontuou no Grande Prêmio da Espanha e no Grande Prêmio do Azerbaijão. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe, embora tenha superado seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson, foi demitido da equipe para dar lugar a Charles Leclerc, protegido da Ferrari. Em 2018 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1. Como a promessa jamais foi cumprida, juntou-se à Ferrari como terceiro piloto e nunca mais foi visto nas pistas.

Esteban Ocon entrou na Fórmula 1 com a Manor em 2016. Não obteve pontos devido ao péssimo rendimento do carro. Em 2017 foi promovido para a Force India, onde pontuou 18 vezes, porém terminou o campeonato com 13 pontos a menos que seu companheiro, Sergio Pérez, que o venceu em 2018 também. Sem patrocinadores que pudessem ajudar as contas da equipe e com um desempenho inferior ao do companheiro, foi demitido. Em 2019 foi colocado como terceiro piloto da Mercedes pelo padrinho Toto Wolff, que lhe prometeu um retorno à Fórmula 1 (antes teria prometido a vaga de Bottas).

9- Conclusão

A saída de Esteban Ocon da Fórmula 1 em 2019 e sua incerteza para o futuro são frutos das péssimas escolhas que o piloto hispano-francês realizou durante a carreira. Deixando a gratidão a Toto Wolff lhe subir à cabeça, Ocon entregou seu futuro nas mãos do padrinho, que havia falhado em conseguir uma vaga para seu outro apadrinhado, Pascal Wehrlein. O péssimo relacionamento com Sergio Pérez, a demora em socorrer o amigo de longa data Lance Stroll enquanto este sofria difamação e a manobra para cima de Max Verstappen que possibilitou a vitória de Lewis Hamilton no Grande Prêmio do Brasil de 2018 renderam a Esteban uma reputação manchada (de vitimista com dupla-lealdade) e desconfiança das outras equipes (que optaram pelas contratações de Daniel Ricciardo, Lando Norris, Alexander Albon, Daniil Kvyat, George Russell e Robert Kubica). Seus resultados não foram suficientes para justificar seu merecimento à vaga na Racing Point, herdeira da Force India, e suas escolhas o afastaram das demais escuderias do grid. A imagem de “piloto excelente injustiçado pelos demais” não passa de uma invenção midiática de jornalistas mal intencionados cujos interesses focam mais em difamar Pérez, Stroll e Verstappen do que em exaltar os grandes feitos de Esteban na Fórmula 1, que até agora não se materializaram. Se Ocon tem chances de voltar à Fórmula 1? Tem, mas isso dependerá da estratégia adotada por Toto Wolff. No momento, a situação de Ocon está praticamente idêntica à de Wehrlein.

Esteban Ocon e Toto Wolff: o casamento mais problemático da Fórmula 1

 

10- Fontes

Fotos

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