Análise do Grande Prêmio de Portugal de 2021 | 2021 Portuguese Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio de Portugal de 2021 ocorreu no dia 2 de maio. Mais uma vez, as curvas e ladeiras do Circuito de Portimão geraram uma corrida monótona, com poucas ultrapassagens e sem muitos momentos de grande emoção.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro de equipe Lewis Hamilton. A dupla da Red Bull, formada por Max VerstappenSergio Pérez, completou a segunda fila. Após a largada, o rendimento de Pérez caiu muito e ele acabou perdendo posições para Carlos Sainz Jr. (Ferrari) e Lando Norris (McLaren), embora esses dois tenham conseguido avançar após saírem com as quatro rodas para fora da pista. Ao mesmo tempo, Bottas conseguiu manter um bom ritmo e se manteve na liderança, seguido por Hamilton e Verstappen. Na volta 2, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) tocou a traseira do companheiro de equipe Antonio Giovinazzi e quebrou a asa dianteira. O finlandês foi obrigado a parar na caixa de brita e o safety car foi acionado. Os carros tiveram que passar pelo pit lane por causa dos detritos na pista.

Depois do safety car, o grid não mudou muito, a não ser pelos avanços de Daniel Ricciardo (McLaren) e Esteban Ocon (Alpine). Na parte da frente, Verstappen conseguiu superar Hamilton, mas a ladeira da primeira curva fez seu carro perder rendimento e o inglês recuperou o segundo lugar. Algumas voltas depois, Hamilton superou Bottas. Alguns dos pilotos que mais perderam posições nessa corrida foram Sebastian Vettel (Aston Martin) e Pierre Gasly (AlphaTauri).

A primeira equipe a trocar os pneus foi a Ferrari, com Sainz. Seu companheiro Charles Leclerc parou muito depois, e sua troca foi bem mais lenta que a do espanhol. Norris e Vettel também tiveram pit stops lentos, ao contrário de Ocon, cuja troca levou 2.5 segundos (a média de tempo dos pit stops da Ferrari em seus últimos anos de triunfo). O mais lento foi o de Ricciardo (com 4.8 segundos). Mais tarde, Verstappen trocou seus pneus antes dos carros da Mercedes, mas teve que frear bruscamente para não exceder o limite de velocidade. O holandês conseguiu ficar à frente de Bottas mesmo com as paradas dele e de Hamilton, mas embora o carro do finlandês fosse mais rápido, não houve muitas chances de ultrapassagem.

Pérez estava na liderança, sendo o único piloto que até então não havia trocado os pneus. O mexicano foi atrapalhado pelo retardatário Nikita Mazepin (Haas), que recebeu uma punição de 5 segundos por ignorar a bandeira azul. Hamilton ultrapassou Pérez na pista, e pouco depois este trocou os pneus. Ele voltou muito atrás de Bottas, mas também estava a uma grande distância de Norris. Nas últimas voltas, Bottas e Verstappen trocaram os pneus para disputar a volta mais rápida. Oficialmente, o piloto da Red Bull a conquistou, mas teve seu tempo deletado por ter saído do traçado na curva 14. Logo, a volta de Bottas foi considerada a mais rápida.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. O Grande Prêmio de Portugal de 2021 foi mais tranquilo em relação à edição do ano anterior, mas ainda sim está longe de ser uma das edições mais atrativas do calendário. Ainda que o relevo da pista seja um diferencial, ele atrapalha as ultrapassagens, que são um dos fatores decisivos para uma corrida emocionante. Consequentemente, não há muitos comentários a se fazer em relação a esta prova.

Kimi Raikkonen expressando como a corrida foi gratificante.

Opinião da Rebeca:

Como demonstrei na análise, não consigo considerar Portimão uma boa pista, pois seu traçado dificulta as disputas por posições. Quando um fã assiste à corrida, ele quer ver as ultrapassagens. Se fosse para ver carros andando em fila indiana, não seria preciso da Fórmula 1, bastava pegar um trânsito qualquer na cidade. Creio que por conta do marasmo gerado, não consigo dar uma boa nota para a corrida e nenhum dos pilotos merece, na minha opinião, um 10. Mas deixo elogios às atuações de Lewis Hamilton e Max Verstappen na frente do grid, à resiliência de Daniel Ricciardo (que havia largado em 16º), e às ultrapassagens de Esteban Ocon (que, entre os vários adversários, se destacou ao superar Pierre Gasly).

Uma das críticas que eu faço às narrações, e à mídia da Fórmula 1 em geral, é a supervalorização da pole position. Muitos apostavam que Valtteri Bottas venceria, mas sua atuação não foi das melhores. Por muito tempo, Verstappen havia conquistado muitas vitórias sem ter uma pole sequer, enquanto há na história pilotos com poles e sequer tiveram pódios (Nico Hulkenberg é o exemplo mais memorável). Não é o começo da corrida que decide o campeonato, é o final dela.

Opinião da Adriana:

Essa corrida foi um pouco entediante para mim. Ao mesmo tempo que algumas ultrapassagens foram boas, o cenário completo não chamou a minha atenção.

Mais uma vez, vimos uma ótima disputa entre a Red Bull e a Mercedes, na qual eu espero que continue assim durante a temporada. É um pouco cansativo repetir isso toda a corrida, mas Hamilton é gigante mas é impossível não reconhecê-lo como o melhor piloto da história do esporte e eu fico muito feliz em poder presenciar isso a cada corrida. 

Fiquei contente em ver a corrida de recuperação de Ricciardo, indo de P16 para P6 e se não fosse pelo pitstop extremamente lento (McLaren, por favor, trabalhe nisso), ele terminaria em uma posição melhor. Mesmo assim, ele subiu 7 posições e já é um ótimo resultado e mostra que o australiano está conseguindo se adaptar cada vez mais ao carro.

Outra coisa que me deixou feliz foi ver a disputa entre Schumacher e Latifi. Não é fácil estar nos dois piores carros do grid, mas os dois protagonizaram uma disputa muito boa por algumas voltas.

E meus parabéns ao Pérez também, ele liderou a corrida por algumas voltas e se não fosse pela estratégia esquisita de mantê-lo na pista, o que com certeza tirou suas chances de ir ao pódio.

Essa é a primeira das duas corridas em seguida que teremos e eu espero que as próximas duas sejam um pouco mais emocionantes do que essa.

Notas

Corrida: 6 (Rebeca) | 7,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca e Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Sergio Pérez: 8 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  5. Lando Norris: 7,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Charles Leclerc: 7 (Rebeca e Adriana)
  7. Esteban Ocon: 9 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  8. Fernando Alonso: 6 (Rebeca | 7 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  10. Pierre Gasly: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Carlos Sainz Jr.: 6 (Rebeca e Adriana)
  12. Antonio Giovinazzi: 6 (Rebeca)| 7 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  14. Lance Stroll: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  15. Yuki Tsunoda: 5 (Rebeca e Adriana)
  16. George Russell: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  17. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  19. Nikita Mazepin: 0

Abandonou

  1. Kimi Raikkonen

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Esteban Ocon (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Nikita Mazepin (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio de Portugal de 2020 | 2020 Portuguese Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 25 de outubro, o Grande Prêmio de Portugal de 2020 teve como palco o Circuito de Portimão (Autódromo Internacional do Algarve), uma pista usada em competições como a Fórmula 3. A última vez que a Fórmula 1 esteve no país foi em 1996, sendo usado o Circuito do Estoril. E, como dizem os portugueses, esta prova foi “bestial”.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Logo na primeira volta houve várias ultrapassagens e um toque entre Verstappen e Sergio Pérez (Racing Point) que colocou o mexicano no último lugar do grid. Seu companheiro Lance Stroll superava vários adversários e chegou à zona de pontuação em pouco tempo.

Carlos Sainz Jr. (McLaren) chegou a liderar a prova na primeira volta, mas logo foi ultrapassado por Bottas e Hamilton. Enquanto isso, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Stroll subiam de posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) chegou a ficar entre os 10 colocados, mas logo foi superado. Pérez também conseguiu compensar o prejuízo e chegou à zona de pontuação com menos de 1/3 da prova concluída. Hamilton recuperou a liderança.

Na volta 22, numa tentativa de ultrapassar Lando Norris (McLaren), Stroll colidiu com o inglês, obrigando ambos a fazer pit stop. O canadense foi punido com 5 segundos e em seguida com mais 5 por ter excedido os limites da pista. Como bem notado pela Adriana, quando Verstappen colidiu com Stroll exatamente do mesmo jeito nos treinos livres, os comissários optaram por não punir ninguém, mas na corrida penalizaram Stroll (triste coincidência um indígena sofrer numa corrida em Portugal). O piloto da Racing Point abandonou a prova depois por problemas no carro.

Na volta 50, Daniel Ricciardo (Renault) foi ultrapassado por Gasly e Sainz. O australiano também havia conseguido boas posições até então.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Max Verstappen em terceiro. O Grande Prêmio de Portugal teve muitas reviravoltas e ultrapassagens, o que torna a corrida muito emocionante, embora nem sempre as emoções sejam positivas. Os eventos mostraram que há pilotos com muita sede de vitória, ou no mínimo de melhores posições, mas a prudência sempre deve vir antes.

Resumo da corrida, por Dilma Rousseff.

Opinião da Rebeca:

No começo o Grande Prêmio de Portugal parecia surpreender, mas no fim acabou do mesmo jeito que a maioria das corridas de 2020. Como apontado na análise, reconheço que Lance Stroll teve responsabilidade pela colisão com Lando Norris, mas os comissários deveriam ter coerência em suas decisões e punir todos os pilotos que fazem o mesmo (inclusive Max Verstappen). É como disse Luciano Burti sobre o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 2017: “se você só faz justiça com um, está fazendo uma injustiça”. Na ocasião, os comissários haviam punido Verstappen por ter excedido os limites da pista, mas outros fizeram o mesmo e não foram punidos. Em minha sincera opinião, a FIA deveria importar os juízes da FIFA (e olha que também não confio totalmente nestes).

Minha reação à batida na volta 22.

Opinião da Adriana:

E temos um novo recorde na Fórmula 1! Que privilégio ver Hamilton sendo o maior vencedor de todos os tempos! Ele merece e muito, que exemplo de piloto e pessoa. Sem dúvidas, o maior de todos os tempos.

E para falar a verdade, ainda bem que alguma coisa boa aconteceu nessa corrida. Eu detesto corridas onde eu fico mais nervosa do que qualquer coisa. O que começou com uma confusão, prometendo mais uma corrida com novos resultados, acabou do mesmo jeito e só serviu para nos entregar mais uma conquista arrasadora de Hamilton.

Acho que o comissário dessa corrida foi a Oprah porque o tanto de bandeira preta e branca que tivemos foi surreal. Tirando isso, mais uma corrida morna. 

Merecidíssimo o Piloto do Dia ser de Pérez, que após o incidente com Verstappen, conseguiu fazer uma corrida de recuperação maravilhosa. Quero dar uma ligadinha pra Racing Point e perguntar como eles estão depois de dispensar o mexicano…

Também noto aqui a destreza de Ocon em conseguir tantas voltas com seus pneus, parando apenas nas últimas voltas da corrida. 

E aproveito do meu espaço para manifestar o meu repúdio às atitudes de Verstappen na sexta-feira, logo após seu incidente com Stroll. Usar de palavras ofensivas que atinge pessoas de deficiência intelectual, não se desculpar depois por classificar “não ser um problema seu” e ter sua atitude justificada pelo “calor do momento” é repugnante e não deveria ter nem espaço na Fórmula 1 para esse tipo de atitude. Até porque todos corremos como um, não é mesmo?

Notas

Corrida: 7 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Max Verstappen: 7 (Rebeca: era para ser 8, mas vou tirar um ponto pela grosseria nos treinos) (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  6. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  8. Esteban Ocon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  10. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 5 (Adriana)
  12. Alexander Albon: 6 (Rebeca) 5 (Adriana)
  13. Lando Norris: 6 (Rebeca: se eu souber que você andou xingando o Lance na imprensa, a nota muda para 0; entendo a frustração, mas cortesia em primeiro lugar) 5 (Adriana)
  14. George Russell: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  15. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  16. Kevin Magnussen: 5 (Rebeca) 4 (Adriana)
  17. Romain Grosjean: 4 (Rebeca e Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  19. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonou

  1. Lance Stroll: 9/3 (Rebeca: diferente dos comissários eu serei coerente; como no Grande Prêmio da China de 2018 eu dei uma nota alta para o Verstappen mesmo com a batida no Vettel porque o holandês havia feito uma boa prova, darei duas notas ao Lance, 9 pelo ótimo começo de corrida, 3 pela batida) 6 (Adriana)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca) | Lewis Hamilton e Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca) | Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat (Adriana: já tão fazendo hora extra já)