Análise Grande Prêmio da Rússia de 2020 | 2020 Russian Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 27 de setembro, Grande Prêmio da Rússia de 2020 começou movimentado. Desde o treino de classificação, o circuito russo demonstrava que a corrida não seria parada. A expectativa de que Lewis Hamilton (Mercedes) iguale o número de vitórias de Michael Schumacher foi ameaçada por duas punições de 5 segundos cada por ter treinado a largada na volta de instalação. 

Logo na primeira volta, Carlos Sainz Jr (McLaren) escapou na primeira curva e bateu no muro, deixando muitos detritos na pista. Logo depois, Lance Stroll (Racing Point) foi tocado por Charles Leclerc (Ferrari) e também bateu no muro, abandonando a corrida.

Com isso, o Safety Car entrou na pista e ficou até a volta 5. Logo após a liberação da pista, Hamilton ficou ciente de sua punição e então tentou abrir vantagem de seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas (Mercedes) até a sua parada na volta 17. O inglês não conseguiu e por isso, voltou à pista na 11ª colocação. Graças a diversos pit stops e seu carro superior a todos do grid, ele conseguiu recuperar suas posições tranquilamente, voltando a ameaçar Bottas e Max Verstappen (Red Bull).

Durante algumas voltas, o que surpreendeu foi a briga no final do grid, entre Lando Norris (McLaren), Alex Albon (Red Bull) – que cumpriu punições por troca de motor – e George Russell (Williams), tendo Norris a vantagem sobre seus dois rivais, mesmo apresentando problemas em sua McLaren.

Daniel Ricciardo (Renault) foi outro piloto que também levou uma punição. Depois de um pit stop lento, o australiano voltou na 13ª posição e começou a recuperar suas posições para voltar ao top 10. Contudo, ao ultrapassar Esteban Ocon (Renault), Ricciardo escapou e ultrapassou Ocon fora dos limites da pista, também levando uma punição de 5 segundos. O australiano conseguiu abrir vantagem sobre Leclerc e mesmo com a punição, manteve a 5ª posição na corrida.

Na volta 43, Romain Grosjean (Haas) colidiu com a sinalização, o que causou a entrada do Safety Car virtual, que logo foi retirado porque os detritos foram tirados da pista.

Mesmo com um começo promissor, o GP da Rússia não teve grandes surpresas, com a vitória de Valtteri Bottas, Verstappen em segundo e Hamilton em terceiro. O hexacampeão continua na batalha em igualar Schumacher em vitórias, que poderá ser feito no GP de Eifel, ironicamente no país do heptacampeão.

A FIA estava extremamente generosa hoje… (Charge feita por Adriana Perantoni)

Opinião da Rebeca:

Opinião da Adriana:

O que começou como uma corrida promissora, virou isso aí que a gente viu. Eu sei que eu já usei aqui na análise do GP de 70 anos de F1: essa festa virou um enterro. Para falar a verdade, não sei porque eu tive esperanças sobre essa corrida já que o circuito não ajuda muito e honestamente, espero que a FIA não tente voltar com esse circuito chato para o calendário.

Confesso que mantive minhas esperanças por conta do bom desempenho de Ricciardo durante os treinos mas mais uma vez, a Renault fez o que a Renault sabe fazer melhor: trapalhada. O primeiro pit stop de Ricciardo foi mais lento que a Ferrari e prejudicou que ele lutasse desde o começo por boas posições. Sua punição por escapar ao ultrapassar Ocon foi a cereja no bolo. O australiano disse no rádio que “conseguiria” não tomar prejuízo e não é que ele conseguiu? Como eu já disse, piloto que é piloto consegue resultado mesmo com um carro ruim. Aliás, quero saber aonde estão aquelas pessoas que juraram que o Ocon ia botar ele no bolso, será que estão bem?

Uma corrida chata com a vitória de um piloto que não merece o carro que tem. Eu só consegui rir do discurso de Bottas no final da corrida porque, convenhamos, ele só ganhou essa corrida por causa da punição de Hamilton. Bottas tem que comer muito feijão com arroz para chegar no potencial que ele deseja ter e esse tipo de atitude só demonstra isso.

Com uma corrida que deixou a desejar, só consigo eleger o pior piloto com base em um erro e que erro grotesco foi o de Sainz. Que batida foi aquela?

Já sobre o melhor piloto, tenho que ir com o óbvio e escolher Hamilton. Uma ótima corrida de recuperação para terminar um fim de semana que não foi do jeito que ele esperava mas que ainda garantiu bons pontos para o inglês.

Notas

Observação: como só a autora que vos fala (Adriana) suportou essa corrida, as notas serão dadas apenas por mim.

Corrida: 6

Pilotos:

  1. Valtteri Bottas: 7
  2. Max Verstappen: 8
  3. Lewis Hamilton: 8,5
  4. Sergio Pérez: 7
  5. Daniel Ricciardo: 8
  6. Charles Leclerc: 6
  7. Esteban Ocon: 6
  8. Daniil Kvyat: 6 (olha, finalmente conseguiu superar o Gasly, hein 🤭)
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Alexander Albon: 5
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Kevin Magnussen: 4
  13. Sebastian Vettel: 4 
  14. Kimi Räikkönen: 3
  15. Lando Norris: 4,5
  16. Nicholas Latifi: 4
  17. Romain Grosjean: 3
  18. George Russell: 3

Abandonaram

19. Carlos Sainz Jr: 0
    20. Lance Stroll: 10 de consolação (o que a Rebeca não me pede chorando, que eu faço rindo, né? ❤️)

Driver of the day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Lewis Hamilton

Pior piloto: Carlos Sainz Jr.

Análise Grande Prêmio da Rússia de 2019 | 2019 Russian Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 29 de setembro, o Grande Prêmio da Rússia de 2019 trazia consigo um tabu: nenhuma outra equipe além da Mercedes venceu no Circuito de Sochi. Para a surpresa de muitos, a Ferrari conseguiu a pole position, porém a corrida teve um resultado surpreendente.

Charles Leclerc largou da pole ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Pouco após a largada, Sebastian Vettel (Ferrari), que havia largado em terceiro lugar, assumiu a liderança da prova. Ainda no começo, Antonio Giovinazzi (Alpha Romeo) chocou-se contra Romain Grosjean (Haas) e Daniel Ricciardo (Renault). O francês abandonou a corrida e o safety car foi acionado. É importante lembrar também que Kimi Raikkonen (Alpha Romeo) foi punido com um drive-through após queimar a largada.

Max Verstappen (Red Bull), que havia se classificado em quarto mas foi obrigado a largar em nono devido a uma punição por troca de motor, tentava fazer uma boa prova de recuperação. Com muito esforço, ele conseguiu passar Sergio Pérez (Racing Point), Lando Norris (McLaren) e Carlos Sainz Jr. (McLaren). Seu companheiro Alexander Albon, que largou da linha dos boxes devido ao acidente no treino classificatório, conseguia boas ultrapassagens e se tornou um dos destaques da corrida.

Na frente do grid, Leclerc reclamava com a equipe sobre a estratégia adotada. Segundo o monegasco, ele havia sido obrigado pela equipe a deixar Vettel passá-lo na largada para bloquear um possível ataque de Hamilton, mas que sua posição seria devolvida em seguida. No entanto isso não aconteceu. Charles mais tarde quebraria sua promessa de não reclamar das estratégias.

A Ferrari chamou Leclerc para os boxes antes de Vettel, dando a entender que Charles seria a preferência da equipe, pois voltaria à frente quando o alemão trocasse os pneus. Porém, a Mercedes conseguiu uma boa vantagem e continuou à frente. Ricciardo sentiu os efeitos da colisão e foi obrigado a deixar a prova. Duas voltas depois, Vettel teve um problema na unidade de potência de seu motor (MGU-K) e abandonou a corrida. Pouco tempo depois, George Russell (Williams) bateu no muro e Robert Kubica (Williams) se retirou da corrida uma volta depois do companheiro.

Albon aproveitava tudo em seu carro para chegar ao Top-5. Ele sabia que Verstappen estava longe, mas isso não desanimou o tailandês, que fez excelentes ultrapassagens em cima de pilotos como Norris e Sainz. Por outro lado, o carro de Max não tinha um bom rendimento e ele não conseguia se aproximar de Leclerc, que lutava pelo segundo lugar com Valtteri Bottas (Mercedes). Charles só não conseguiu a ultrapassagem por causa de pequenos erros em curvas. Ao mesmo tempo, grandes batalhas se travavam no final do grid. Pierre Gasly (Toro Rosso) era ultrapassado por vários pilotos e quase bateu no muro em uma luta com o companheiro Daniil Kvyat. Kevin Magnussen (Haas) cortou um pedaço da pista ao tentar se proteger do ataque de Pérez e foi punido com 5 segundos.

Lewis Hamilton foi o vencedor da prova, com Valtteri Bottas em segundo e Charles Leclerc em terceiro. Muitos relembraram que no ano passado Bottas foi obrigado pela equipe a deixar Hamilton passar, e esse ano a Ferrari faz o mesmo com Leclerc e Vettel. O clima na Ferrari parece tenso: a escuderia italiana não ganha um campeonato de pilotos desde 2007 (e não ganha o de construtores desde 2008) e Leclerc não está aceitando bem essa ideia de ser escudeiro de Vettel por ter dado mais vitórias à equipe do que o alemão. Vettel também não aceita ser escudeiro do monegasco. A Ferrari prova nessa corrida que nem sempre é possível ensinar a uma velha raposa novos truques.

(Veja também no Instagram: https://www.instagram.com/p/B2_5EAunmY_/)

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9
  2. Valtteri Bottas: 8,5
  3. Charles Leclerc: 9
  4. Max Verstappen: 8
  5. Alexander Albon: 10
  6. Carlos Sainz Jr.: 7
  7. Sergio Pérez: 7
  8. Lando Norris: 7
  9. Kevin Magnussen: 6
  10. Nico Hülkenberg: 5
  11. Lance Stroll: 7
  12. Daniil Kvyat: 6,5
  13. Kimi Raikkonen: 5
  14. Pierre Gasly: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 3

Abandonaram

  1. 16. Robert Kubica
  2. 17. George Russell
  3. 18. Sebastian Vettel
  4. 19. Daniel Ricciardo
  5. 20. Romain Grosjean

Driver of the Day (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Alexander Albon

Pior piloto: Antonio Giovinazzi

Análise GP da Rússia de 2018

Ocorrido no dia 30 de setembro, o Grande Prêmio da Rússia de 2018 trouxe um grande contraste em relação ao ano anterior. A edição de 2017 foi marcada por uma corrida monótona, na qual pilotos chegaram a ficar isolados na pista, enquanto que a do ano seguinte foi recheada de ultrapassagens, principalmente dos pilotos da Red Bull, Daniel Ricciardo e Max Verstappen. Importante ressaltar que a dupla largou do 18º e 19º lugar respectivamente devido a punições por ajustes no carro (coisas que nunca vou entender na Fórmula 1 é ESSE tipo de punição).

Valtteri Bottas (Mercedes) foi o pole position, dividindo a fila com Lewis Hamilton, seu companheiro de equipe. Dada a largada, Sebastian Vettel (Ferrari) travou uma briga com o inglês, mas não saiu vitorioso. Ainda na primeira volta, Pierre Gasly (Toro Rosso) rodou na pista (no mesmo lugar que Lance Stroll, da Williams, rodou em 2017) e causou bandeira amarela. Diferente do canadense, o francês saiu do circuito e depois foi obrigado a deixar a prova. Seu companheiro, Brendon Hartley, teve problemas mecânicos e também abandonou. Mas o destaque do início da corrida foi outro piloto.

Max Verstappen ultrapassou vários carros logo nos primeiros instantes. Pouquíssimo tempo após a largada, subiu do 19º para o 13º lugar. Em 3 voltas, ele já estava na zona de pontuação, em 9º lugar. Ricciardo, em ritmo mais lento, também fazia ultrapassagens. Se tem uma frase que descreve perfeitamente essa corrida, é a de Kevin Magnussen (Haas), “nem vi Verstappen quando ele me ultrapassou”. Na 7ª volta, o jovem prodígio, aniversariante do dia, já estava em 5º e brigando por posições melhores.

Depois dos pit stops da Mercedes e da Ferrari, Verstappen assumiu a liderança da prova. Enquanto isso, a dupla da Force India, Sergio Perez e Esteban Ocon, protagonizava vários duelos, porém sem a mesma violência do GP anterior, em Singapura. Com Max em 1º e Ricciardo em 6º, a corrida viveu mais um capítulo da novela “Ordens de Equipe”.

Sabendo que Verstappen deveria parar mais tarde, a Mercedes ordenou a Bottas, 2º colocado, que deixasse Hamilton passar. O finlandês obedeceu e o fez de maneira bem clara. Bottas já havia respondido a várias perguntas sobre sua posição na equipe e sempre deixou claro que não gosta de ser considerado “escudeiro”. Quando Verstappen parou nos boxes, voltando para o 5º lugar com pneus ultramacios, Hamilton assumiu a liderança e Bottas perguntou para a Mercedes se as posições seriam mantidas. Apesar da expectativa de outra ordem de equipe (dessa vez para o finlandês ultrapassar), a escuderia manteve a estratégia e afirmou que “conversariam sobre isso mais tarde”.

Lewis Hamilton foi o vencedor, seguido por Valtteri Bottas e Sebastian Vettel. O inglês agora possui 50 pontos de vantagem sobre o alemão. Quem está no Brasil ouviu muitas reclamações do narrador Galvão Bueno sobre o tratamento da Mercedes dado a Bottas nessa corrida. Realmente, é lamentável que existam esse tipo de ordem, além de regras da FIA que limitam o movimento dos pilotos. No entanto, vale notar que houve um avanço em relação ao ano passado, pois o GP da Rússia de 2018 teve muito mais ação do que o de 2017, além de aumentar as especulações sobre o tútulo, que está mais próximo de Hamilton e mais difícil (porém não impossível) para Vettel.

 

Notas

Corrida: 9

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9
  2. Valtteri Bottas: 9
  3. Sebastian Vettel: 9
  4. Kimi Raikkonen: 8
  5. Max Verstappen: 10
  6. Daniel Ricciardo: 8
  7. Charles Leclerc: 7
  8. Kevin Magnussen: 7
  9. Esteban Ocon: 9
  10. Sergio Perez: 9
  11. Romain Grosjean: 6
  12. Nico Hülkenberg: 6
  13. Marcus Ericsson: 6
  14. Fernando Alonso: 6
  15. Lance Stroll: 6
  16. Stoffel Vandoorne: 5
  17. Carlos Sainz Jr.: 5
  18. Sergey Sirotkin: 5

 

Abandonaram

  1. Pierre Gasly
  2. Brendon Hartley

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Sergey Sirotkin

Escudeiro do Dia: Valtteri Bottas