Análise Grande Prêmio da Itália 2020 | 2020 Italian Grand Prix

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 6 de setembro, o Grande Prêmio da Itália de 2020 marcou a última participação da família Williams na escuderia homônima. Para entender os motivos que levaram à sua venda ao grupo americano Dorilton, leia A Queda da Williams: Do Auge à Ruína. Foi uma corrida bem movimentada e com um resultado surpreendente

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position, ao lado de seu companheiro Valtteri Bottas. O finlandês não teve sorte e caiu da segunda posição para a sexta, sendo ultrapassado por Carlos Sainz Jr. (McLaren), Lando Norris (McLaren), Sergio Pérez (Racing Point) e Daniel Ricciardo (Renault).

Na primeira volta, houve o primeiro de muitos incidentes: Alexander Albon (Red Bull) e Pierre Gasly (Alpha Tauri) se tocaram, mas sem nenhuma punição. Na sexta volta, Sebastian Vettel (Ferrari) escapa na curva 1 e atinge as barreiras de isopor. O alemão abandonou a corrida na próxima volta por conta de problemas nos freios.

Durante a corrida, Bottas reclamou constantemente sobre problemas no motor, mas sem respostas da Mercedes.

Na 20ª volta, Kevin Magnussen (Haas) encostou seu carro próximo à entrada dos boxes, causando a entrada do Safety Car. Com isso, a entrada para o pitlane foi fechada, mas Hamilton e Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) pararam para trocar seus pneus, o que custou punição para os dois pilotos, um pit stop-and-go de 10 segundos, custando a liderança de Hamilton. 

Quatro voltas depois, Charles Leclerc (Ferrari) bateu forte na Parabolica, destruindo a barreira dos pneus e causando uma bandeira vermelha. Assim, todos os carros foram ao pitlane, aguardando a liberação da pista para a relargada. Nessa altura, todos os pilotos fizeram seu pitstop, menos Lance Stroll (Racing Point). Com isso, o canadense aproveitou a parada no pitlane e trocou seus pneus.

Na relargada, Hamilton conseguiu manter a liderança com Pierre Gasly (Alpha Tauri) em segundo. Ao cumprir sua punição, o britânico caiu para a última posição, mudando totalmente as primeiras posições. Na 31ª volta, foi a vez de Max Verstappen (Red Bull) abandonar a corrida. Pérez escapou do traçado e teve de ultrapassar muitos adversários para chegar ao décimo lugar.

Durante as últimas voltas, Sainz se aproximou de Gasly, ameaçando a liderança do francês. Já para Hamilton, essa foi sua corrida de recuperação, terminando na zona de pontuação.

Pierre Gasly foi o vencedor, com Carlos Sainz Jr. em segundo e Lance Stroll em terceiro. Vale lembrar que a última vez que um piloto ganhou com uma Alpha Tauri, a antiga Scuderia Toro Rosso, foi justamente em Monza, com o então novato Sebastian Vettel, em 2008. O Grande Prêmio da Itália de 2020 teve muitas reviravoltas, marcando um duplo-abandono da Ferrari, problemas nos carros da Mercedes (inclusive uma dura punição a Lewis Hamilton) e três pilotos fora de equipes de ponta completaram o pódio. Lembrando que Gasly foi demitido da Red Bull em 2019, mas está brilhando em 2020 com a Alpha Tauri. As equipes de Sainz e Stroll também são destaques nessa temporada, e os dois fazem um ótimo trabalho nelas. Com este pódio, os três calam mais uma vez seus críticos e provam que a nova geração da Fórmula 1 é carregada de surpresas.

Como dizem os italianos: “Ma che!”

Opinião da Rebeca:

Essa corrida mexeu muito com as minhas emoções, com tantas reviravoltas em pouco tempo. Creio que o Grande Prêmio da Itália de 2020 foi uma prova da ineficiência de Valtteri Bottas na Mercedes, já que o mesmo teve uma péssima largada, e desperdiçou todas as chances de ultrapassar Lando Norris. Além disso, um erro grosseiro da Mercedes em chamar Lewis Hamilton para os boxes antes da entrada do pit lane ser autorizada custou a vitória do piloto inglês. Hamilton fez uma ótima corrida de recuperação.

Embora a bandeira vermelha tenha ajudado a consertar o erro de não chamar Lance Stroll para o pit stop antes, a Racing Point deve reavaliar o trabalho de seus estrategistas. O pódio do canadense foi merecido, pois o mesmo superou muitos contratempos e se manteve firme no terceiro lugar.

Pierre Gasly é outro que merece elogios: mostrou a Helmut Marko que tem sim muito talento. Enquanto isso, seu substituto Alexander Albon amarga fora dos pontos.

Também foi um dia ruim para a Ferrari.

Opinião da Adriana:

Que. Corrida. Foi. Essa? Simplesmente excelente. Eu não consegui parar de tremer desde que a corrida terminou. Que corrida! Foi uma corrida incrível. Que alívio ver um pódio diferente de Hamilton, Bottas e Verstappen. Substituiria Sainz por um outro piloto, no entanto.

Que felicidade ver Gasly ganhando essa corrida! O francês mostrou para o que veio e deu um belo “chupa” para Helmut Marko. Mais do que merecida essa vitória. Sem dúvidas, Gasly mereceu o piloto do dia pela votação do público e aqui do nosso site. Sensacional. Não me lembro de ter torcido tanto assim em uma vitória. Admito que chorei em ver a felicidade dos mecânicos da Alpha Tauri, acho lindo o quanto esse esporte pode mexer conosco. E que felicidade ver Stroll no pódio! Já o outro piloto, do segundo lugar, finjo que ele sequer estava ali.

Sinceramente, eu queria que todas as corridas fossem surpreendentes como essa. Eu já perdi metade da minha voz na largada com o desempenho de Norris e Ricciardo na largada, que passaram o Bottas logo na primeira volta. Aliás, que corrida desastrosa pro finlandês. Um outro piloto com um carro excelente como a Mercedes não pagaria esse papelão que Bottas cometeu. Toto, você está fugindo da minha conversa em substituí-lo por Russell.

Aliás, outra parte hilária da corrida foi como Magnussen saiu do carro assim que abandonou a corrida. Eu juro que mandei uma mensagem para a Rebeca falando “a vida é o carro e eu sou o Kevin”.

Notas

Corrida: 9 (Rebeca) 10 (Adriana – se pudesse, daria 11)

Pilotos

  1. Pierre Gasly: 10 (Rebeca and Adriana)
  2. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  3. Lance Stroll: 9,5 (Rebeca – um ótimo pódio pra esfregar na cara da Claire Williams) 9 (Adriana)
  4. Lando Norris: 7 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Valtteri Bottas: 4 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  7. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  8. Esteban Ocon: 6 (Rebeca) 8 (Adriana)
  9. Daniil Kvyat: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Sergio Pérez: 7 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  11. Nicholas Latifi: 7,5 (Rebeca) 8 (Adriana – que orgulho, gente!)
  12. Romain Grosjean: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  13. Kimi Raikkonen: 7 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. George Russell: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  15. Alexander Albon: 4,5 (Rebeca) 5 (Adriana – poxa, para de se meter em confusão, querido)
  16. Antonio Giovinazzi: 4,5 (Rebeca) 5 (Adriana)

Abandonaram

  1. Max Verstappen
  2. Charles Leclerc
  3. Kevin Magnussen
  4. Sebastian Vettel

Driver of the Day (escolhido pelo público): Pierre Gasly

Melhor piloto: Pierre Gasly (Rebeca e Adriana)

Piores pilotos: Alexander Albon e Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Adendo (por Rebeca Pinheiro): No meu exercício como profissional da imprensa, condeno as declarações de Lando Norris a respeito da regra da bandeira vermelha. No entendimento do caso, o piloto inglês apenas considerou a regra “estúpida” porque não conseguiu o pódio. Criticar a troca de pneus de Lance Stroll durante a bandeira vermelha não tem cabimento, pois além de estar dentro do regulamento, outros pilotos fizeram o mesmo (incluindo o próprio). Lembrando que em tempos passados trocas mais radicais eram permitidas durante a bandeira vermelha, e que no Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017, por exemplo, a Ferrari chegou até a devolver Kimi Raikkonen para a pista depois do mesmo ter abandonado a prova. Ressalto que um piloto investigado por violar uma regra do pit lane, sendo excessivamente lento, e que escapou de uma punição, não está em posição de fazer qualquer questionamento sobre o cumprimento das regras. Me perdoem os fãs de Norris, nada contra Lando, só contra este comportamento.

Análise Grande Prêmio da Itália de 2019 | 2019 Italian Grand Prix Analysis

 

Em repúdio à corrida mais racista da história da Fórmula 1, não farei uma análise aos moldes das demais para não correr o risco de ser processada ou de atrair o ódio de quem amou esse lixo de prova. Não reconheço o resultado da corrida e nenhuma das punições aplicadas, exceto à dada a Sebastian Vettel (Ferrari). Pilotos brancos europeus não valem mais do que pilotos indígenas, negros, asiáticos ou de qualquer outra etnia. A Ferrari não vale mais do que as outras equipes. Enquanto existir racismo e padrão-duplo, o esporte estará manchado.

 

Rejecting the most racist race in Formula One’s history, I will not make an analysis along the lines of the others so as not to risk being sued or attracting hatred to those who loved this rubbish race. I don’t recognize the final results of this grand prix nor any of the penalties applied except that given to Sebastian Vettel (Ferrari). European white drivers aren’t worth more than Native American, Afrodescendant, Asian or any other ethnic drivers. Ferrari isn’t worthy more than the other teams. As long as racism and double standards exist, the sport will be tarnished.

Análise GP da Itália de 2018

O Grande Prêmio da Itália de 2018, ocorrido no dia 2 de setembro, começou com uma notícia bombástica: a Ferrari decidiu não renovar o contrato do veterano Kimi Raikkonen, que foi também o pole position dessa corrida e quebrou o recorde de volta mais rápida da Fórmula 1 (1:19.119), e anunciou o monegasco Charles Leclerc (Sauber) para a temporada de 2019. Já temos uma foto da conversa entre Leclerc e Maurizio Arrivabene:

 

 

Logo no início da corrida, Sebastian Vettel (Ferrari), que largou em segundo, se chocou com Lewis Hamilton (Mercedes) quando este tentava ultrapassá-lo. O resultado foi catastrófico para o alemão, que saiu da pista, teve a asa danificada, parou nos boxes mais cedo e teve de fazer uma corrida de recuperação. Ainda na primeira volta, Brendon Hartley (Toro Rosso) abandonou devido a um toque com Marcus Ericsson (Sauber) que danificou sua roda dianteira direita. O GP era liderado por Raikkonen, seguido por Hamilton e Max Verstappen (Red Bull), que ultrapassou Valtteri Bottas (Mercedes) pouco tempo depois da largada.

Fernando Alonso (McLaren) teve de deixar a prova por problemas no motor. Algum tempo depois, Daniel Ricciardo (Red Bull), que também fazia uma prova de recuperação após se classificar em 15º, passou por mais uma dificuldade com o motor Renault e foi forçado a abandonar.

A corrida teve muitas lutas por posições, principalmente entre Hamilton e Raikkonen. Verstappen não manteve o bom desempenho da largada e via Bottas se aproximar. Um pequeno incidente na 1ª variante fez o finlandês passar pela curva de escape e o holandês foi punido com 5 segundos por ter causado uma colisão (engraçado como os “profissionais” comissários não puniram Vettel por ter causado uma colisão com Hamilton, não é? Mas tem coisas na Fórmula 1 que são “inexplicáveis”.

A corrida terminou com a vitória de Hamilton, seguido por Raikkonen. Verstappen chegou em terceiro, mas provavelmente tiraram ele do pódio para colocar o companheiro do inglês na Mercedes (nem vi a cena, porque momentos como esse não merecem audiência).

 

Notas:

Corrida: 9 (bem emocionante, com boas disputas por posição; final estragado pela parcialidade dos comissários)

Pilotos:

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Kimi Raikkonen: 10
  3. Valtteri Bottas: 0 (parafraseando o Craque Neto: “Só não vou falar outra coisa pra eu não tomar processo por causa de você”)
  4. Sebastian Vettel: 10 para o desempenho, 6 pela batida (total: 8)
  5. Max Verstappen: 7
  6. Romain Grosjean: 7 (desclassificado da corrida por assoalho irregular)
  7. Esteban Ocon: 8 (excelente desempenho da Force India após a compra da equipe)
  8. Sergio Perez: 8 (idem acima)
  9. Carlos Sainz Jr.: 7
  10. Lance Stroll: 8
  11. Sergey Sirotkin: 7
  12. Charles Leclerc: 6 (vale lembrar que ele cedeu a posição para Vettel quando não era obrigado; já tá treinando pro ano que vem)
  13. Stoffel Vandoorne: 3
  14. Nico Hülkenberg: 3 (nota para a ética dele: 0; mesmo com o acidente que quase tirou a vida de Leclerc no GP anterior, o alemão ainda tem “dúvidas” sobre o halo porque “ele é feio”, ahhhh conta outra, vai…)
  15. Pierre Gasly: 4
  16. Marcus Ericsson: 3
  17. Kevin Magnussen: 2

Abandonaram

  1. Daniel Ricciardo : 7
  2. Fernando Alonso:   (saiu muito rápido, nem deu tempo de fazer nada)
  3. Brendon Hartley:  (idem acima)

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Kimi Raikkonen

Melhor piloto: Sebastian Vettel

Pior piloto: Valtteri Bottas (isso aqui não é futebol pra você ficar simulando faltas horrendas que não aconteceram)