Análise Grande Prêmio da Bélgica de 2020 | 2020 Belgian Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 30 de agosto, o Grande Prêmio da Bélgica de 2020 veio acompanhado de boas ações e lindas homenagens. Lance Stroll (Racing Point) doou US$ 3,600 para a Los Angeles Fire Department Foundation (US$ 1,800 para cada ponto conquistado) para ajudar no combate aos incêndios florestais na Califórnia (a criadora do The Racing Track participou dessa campanha, doando US$ 10). Lewis Hamilton (Mercedes) dedicou sua pole position ao ator Chadwick Boseman (do filme “Pantera Negra”), falecido no dia 28 de agosto. E por último, mas não menos importante, todos os pilotos homenagearam Anthoine Hubert, piloto francês de Fórmula 2 que faleceu no Circuito de Spa-Francorchamps um dia antes do Grande Prêmio da Bélgica de 2019.

Nossa solidariedade a Anthoine Hubert. Cartaz feito por Adriana Perantoni.

Carlos Sainz Jr. (McLaren) teve um problema no escapamento e não pôde largar. Valtteri Bottas (Mercedes) dividiu a primeira fila com Hamilton. Max Verstappen (Red Bull) e Daniel Ricciardo (Renault) largaram respectivamente da terceira e quarta posição. Esses dois pilotos foram os primeiros a se enfrentar logo no começo da corrida, mas suas posições não se alteraram. Charles Leclerc (Ferrari) teve um bom avanço, chegando à zona de pontuação em poucas voltas depois de largar em 13º lugar. Infelizmente, o carro não correspondeu aos esforços do piloto e Leclerc foi ultrapassado por vários pilotos. Seu companheiro Sebastian Vettel tentou o mesmo, duelando com Lando Norris (McLaren) por exemplo, mas teve o mesmo destino.

Ainda no começo da corrida, Bottas solicitou à equipe que liberasse mais potência para o motor, assim teria mais velocidade para competir com Hamilton. No entanto, a Mercedes não permitiu, visando evitar a briga entre companheiros. Bottas ficou decepcionado com isso.

Um grande destaque da prova foi Pierre Gasly (Alpha Tauri), que travou várias disputas por posições. Uma delas foi com Sergio Pérez (Racing Point), com quem teve um toque na Eau Rouge que espremeu o francês contra o muro. Foi possível lembrar de um incidente parecido entre Pérez e Esteban Ocon (hoje na Renault) quando ambos corriam pela Racing Point no Grande Prêmio da Bélgica de 2018.

Na volta 11, um acidente mudou o rumo da corrida. Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) perdeu o controle do carro e bateu contra o muro. Um de seus pneus se desprendeu e colidiu com o carro de George Russell (Williams), fazendo com que o inglês também batesse. Pela quantidade de detritos deixada pista, ambas as colunistas julgaram que a situação exigiria uma bandeira vermelha, mas os comissários optaram pelo safety car. Todos os pilotos exceto Gasly e Pérez fizeram trocas de pneus.

O safety car ficou três voltas na pista. Algum tempo depois da relargada, Leclerc teve que trocar os pneus e acabou na última posição do grid. Aos poucos ele foi avançando, mas não conseguiu voltar à zona de pontuação. Pérez conseguiu ultrapassar os dois carros da Ferrari quando buscou recuperar as posições perdidas no pit stop. Vettel atingiu Leclerc quando este tentou superá-lo, mas não houve danos no carro.

Nas últimas voltas, Norris deu um piti no rádio quando a equipe o avisou que os comissários não estavam gostando de suas saídas da pista. Tal atitude lembra seu comportamento no Grande Prêmio da França de 2019, quando o piloto pediu à McLaren para ordenar a Sainz que lhe deixasse passar. Ocon lutou com Alexander Albon (Red Bull) pelo quinto lugar, mas só conseguiu ultrapassar depois de um bom tempo.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Max Verstappen em terceiro. Com o pódio semelhante ao da maioria das corridas realizadas até agora, a surpresa ficou para o meio do grid. Daniel Ricciardo e Esteban Ocon terminaram no quarto e quinto lugar, consolidando o melhor resultado da Renault na temporada. O Circuito de Spa-Francorchamps é um dos mais desafiadores do calendário, dificultando o trabalho de boas equipes, como a Ferrari e a Racing Point. No entanto, estamos apenas na metade da temporada, e muitas coisas podem acontecer. Além do desempenho de Pierre Gasly em sua Alpha Tauri, outro ponto que chamou atenção nessa prova foi a inteferência da Mercedes na disputa entre Bottas e Hamilton. A equipe alemã já havia feito alguns jogos de equipe, como no Grande Prêmio da Rússia de 2018, mas normalmente isso acontecia em corridas que Hamilton precisava vencer para se manter no primeiro lugar do campeonato com grande vantagem. Jogos de equipe na metade do campeonato não são bons para o esporte.

Opinião da Rebeca:

Essa corrida foi a que mais me tirou do sério por enquanto. Para mim, é uma grande tristeza ver os carros da Racing Point e da Ferrari perdendo força e não tendo o desempenho merecido. Ressalto que Spa-Francorchamps não é uma das minhas pistas favoritas justamente pela dificuldade que alguns pilotos e equipes enfrentam nela. Como também não sou obrigada a exaltar nenhum piloto específico, deixarei de elogiar dois deles (fica a critério do leitor imaginar quais são).

Os fãs de Naruto vão entender essa referência: a cara que eu estou agora é a mesma que o Hiashi faz quando a Hinata perde uma luta.

Opinião da Adriana:

Spa é um dos meus circuitos favoritos – perde apenas para Interlagos e Suzuka – e mais uma vez, tivemos uma corrida boa! As ultrapassagens garantiram uma corrida movimentada e finalmente, eu vi uma corrida sem pensar ‘nossa, mas falta muito para acabar?’.

O susto com a batida de Giovinazzi e Russell logo se dissipou (ainda bem que os dois pilotos saíram ilesos do acidente) e vimos quase todos os carros disputando posições. Deixo aqui minha alegria em ver Gasly tendo um bom desempenho na Alpha Tauri, deixando de lado sua meia temporada conturbada com a Red Bull. Um final de semana emocionante para o francês, que prestou homenagens à Anthoine Hubert, seu amigo que faleceu ano passado na pista belga. Fiquei feliz em vê-lo brilhar em Spa, Hubert ficaria orgulhoso de seu desempenho. Finalmente, a votação de Piloto do Dia organizada pela F1 foi certeira.

Agora, vamos falar de Ricciardo. Ele brilhou com aquela carroça que ele chama de carro. Que orgulho! Mais uma vez, o australiano mostra que tem muito talento e conseguiu terminar a corrida na mesma posição que começou, mostrando que a Renault tinha um bom ritmo durante todo o fim de semana. O meu piloto do dia vai para ele. Imagine ele no ano que vem com um motor Mercedes? Ele tá me deixando sonhar!

Bom, como pior piloto, elejo o Leclerc. Mesmo sofrendo com a Ferrari que perdeu muita velocidade, comparado ao último ano em que o monegasco ganhou a corrida, ele ficou uma posição atrás de seu companheiro de equipe, Vettel, além de ser 2 segundos mais lento que ele. Que fase, Ferrari…

Notas

Corrida: 4 (Rebeca) 9 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9,5 (Rebeca) 9 (Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 9,5 (Rebeca) 8 (Adriana)
  3. Max Verstappen: 9,5 (Rebeca) 8 (Adriana)
  4. Daniel Ricciardo: 10 (Rebeca e Adriana)
  5. Esteban Ocon: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  7. Lando Norris: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Pierre Gasly: 9,5 (Rebeca – eu ia dar 10, mas não gostei de suas últimas voltas) 9 (Adriana)
  9. Lance Stroll: 6,5 (Rebeca – eu não devia dar esse 1/2 ponto extra, mas suas boas ações lhe renderam esse bônus) 8 (Adriana)
  10. Sergio Pérez: 6,5 (Rebeca) 8 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 6,5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  12. Kimi Raikkonen: 6,5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Charles Leclerc: 8 (Rebeca – foi muito esforçado hoje) 5 (Adriana)
  15. Romain Grosjean: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  17. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)

 

Abandonaram

  1. Antonio Giovinazzi: 2 (Rebeca) 0 (Adriana)
  2. George Russell: 10 de consolação (Rebeca) 0 (Adriana)

 

Não largou

  1. Carlos Sainz Jr.

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Pierre Gasly

Melhor piloto: Daniel Ricciardo (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Antonio Giovinazzi (Rebeca) | Charles Leclerc (Adriana)

Análise Grande Prêmio da Bélgica de 2019 | 2019 Belgian Grand Prix Analysis

Ocorrido no dia 1º de setembro, o Grande Prêmio da Bélgica de 2019 começou com um clima de luto pela morte do piloto de Fórmula 2 Anthoine Hubert, de 22 anos. Um acidente na Eau Rouge no dia anterior afetou três pilotos e tirou a vida do francês. Homenagens foram prestadas a ele. Na corrida da Fórmula 1, o clima era semelhante, porém, o sapatinho de cristal serviu em um piloto.

Charles Leclerc (Ferrari) foi o pole position, seguido do companheiro de equipe, Sebastian Vettel. Os pilotos da Mercedes, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, largaram da segunda fila. Logo após a largada, Max Verstappen (Red Bull) se chocou com Kimi Raikkonen (Alpha Romeo) e pouco depois bateu em um muro, sendo o primeiro a abandonar a prova. O safety car foi chamado. Raikkonen foi obrigado a trocar a asa dianteira.

Algum tempo depois, o carro de Carlos Sainz Jr. (McLaren) desligou durante os boxes e seu rendimento foi afetado. O piloto espanhol deixou a corrida uma volta depois. Leclerc abria vantagem e a maior parte das brigas por posição ocorreram no meio do grid. Sergio Pérez (Racing Point) teve uma briga com Kevin Magnussen (Haas) e conseguiu ultrapassado. Em seguida, Magnussen foi superado por Pierre Gasly (que foi rebaixado para a Toro Rosso durante as férias), Lance Stroll (Racing Point) e Daniil Kvyat (Toro Rosso). Alexander Albon (promovido para a Red Bull no lugar de Gasly) enfrentava dificuldades para sair do 14º lugar.

Com as trocas de pneus, Vettel assumiu a liderança, mas o rendimento dos carros da Mercedes era maior. Algumas voltas depois, Leclerc se aproximou dele e a equipe, surpreendentemente, reconheceu que o carro do “escudeiro” estava melhor que o do primeiro piloto e mandou Vettel deixar o companheiro passar. O alemão cumpriu a ordem. Seus pneus estavam bem desgastados e a briga com Hamilton seria difícil, já que não seria aconselhada a troca naquele momento.

Hamilton superou Vettel e foi à caça de Leclerc. Porém, embora estivesse mais rápido, o inglês não conseguia se aproximar do monegasco. Nas voltas finais, Antonio Giovinazzi (Alpha Romeo) bateu no muro e Lando Norris (McLaren) fez o mesmo. Albon conseguiu aproveitar a potência do carro para alcançar o quinto lugar.

Charles Leclerc venceu a corrida, com Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. A Ferrari finalmente admitiu que não foi uma boa escolha frear o jovem piloto no começo do ano. Mesmo com uma vitória, Charles permanece em quinto lugar no campeonato, mas a vitória serve para afastar os fantasmas do Bahrein (onde seu carro teve problemas e a vitória foi para Hamilton) e da Áustria (onde Verstappen o ultrapassou nas voltas finais e venceu a corrida). Dessa vez, a carruagem de Leclerc não virou abóbora e ele pôde aproveitar o baile.

Um sonho que se torna realidade. (Veja também no Instagram: https://www.instagram.com/p/B134IgcHO3_/ )

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Charles Leclerc: 9,5
  2. Lewis Hamilton: 9
  3. Valtteri Bottas: 7
  4. Sebastian Vettel: 7
  5. Alexander Albon: 8
  6. Sergio Pérez: 10
  7. Daniil Kvyat: 7
  8. Nico Hülkenberg: 9
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Lance Stroll: 8,5
  11. Kevin Magnussen: 2
  12. Romain Grosjean: 3
  13. Daniel Ricciardo: 3
  14. George Russell: 3
  15. Kimi Raikkonen: 3
  16. Robert Kubica: 3

Abandonaram

  1. 17.Lando Norris
  2. 18. Antonio Giovinazzi
  3. 19. Carlos Sainz Jr.
  4. 20. Max Verstappen

Driver of the Day (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhor piloto: Sergio Pérez

Pior piloto: Kevin Magnussen

Análise GP da Bélgica de 2018

 

O Grande Prêmio da Bélgica de 2018 ocorreu no dia 26 de agosto, sendo a primeira corrida depois das férias dos pilotos. O maior assunto da competição foi a compra da equipe Force India pelo consórcio liderado por Lawrence Stroll, pai de Lance Stroll (Williams). Como relatado pelo The Racing Track, o fato salvou 405 empregos.

 

Estes são alguns dos heróis que salvaram o emprego de 405 pessoas. E quer apostar que ainda vai ter gente que vai falar mal? Não importa. Os funcionários estão garantidos e é isso que conta! #LawrenceStrollNossoHerói (#LawrenceStrollOurHero)

 

Lewis Hamilton (Mercedes) largou na pole position, dividindo a primeira fila com Sebastian Vettel (Ferrari), principal concorrente pelo título desse ano. Em terceiro e quarto vinham, respectivamente, os carros da Force India de Esteban Ocon e Sergio Perez. Após a largada, Nico Hülkenberg (Renault) colidiu com Fernando Alonso (McLaren), cujo carro voo por cima de Charles Leclerc (Sauber). O halo impediu que acontecesse uma fatalidade. Foi acionado o safety-car.

 

Alonso é atingido por Hülkenberg e o carro desgovernado passa por cima de Leclerc

 

Ainda nos primeiros segundos da prova, Daniel Ricciardo (Red Bull) e Kimi Raikkonen (Ferrari) se tocaram. O carro do australiano sofreu danos na asa e o balanço foi afetado, enquanto que um pneu traseiro do finlandês foi furado. Amos pararam nos boxes, com Kimi fazendo a troca e voltando para a pista enquanto que Daniel parava para alguns consertos.

 

Raikkonen é obrigado a parar nos boxes no início da prova

 

Na parte da frente do grid, Vettel ultrapassou Hamilton e assumiu a liderança. Max Verstappen (Red Bull) ultrapassou Romain Grosjean (Haas) e partiu para a caça aos pilotos da Force India, que também tentavam chegar no líder. Com firmeza e categoria, o holandês passou os dois, para o delírio do “Mar Laranja” formado por seus torcedores em Spa-Francorchamps.

Ricciardo era o único retardatário até o momento. Apesar disso, permaneceu por um bom tempo na pista. Depois de Raikkonen ter abandonado por problemas mecânicos (após fazer três pit stops), o australiano também deixou a prova. Enquanto isso, Valtteri Bottas (Mercedes) fazia uma boa corrida de recuperação, alcançando o 4º lugar depois de largar numa posição baixa do grid.

Vettel foi o vencedor, com Hamilton em segundo e Verstappen em terceiro. O inglês permanece líder, mas a vantagem diminuiu para 17 pontos. O GP da Bélgica demonstrou ser uma das corridas mais perigosas do calendário e, com isso, torna-se uma caixa de surpresas. A prova também mostrou o quão importante é o halo para os carros, pois apesar de ser uma peça feia (gerando polêmica entre os fãs), é fundamental para salvar vidas, como a de Leclerc.

Notas

Corrida: 8 (começou bem, mas terminou meio tediosa)

Pilotos:

  1. Sebastian Vettel: 9
  2. Lewis Hamilton: 9
  3. Max Verstappen: 10
  4. Valtteri Bottas: 9
  5. Sergio Perez: 8
  6. Esteban Ocon: 8
  7. Romain Grosjean: 7
  8. Kevin Magnussen: 7
  9. Pierre Gasly: 8
  10. Marcus Ericsson: 8
  11. Carlos Sainz Jr.: 7
  12. Sergey Sirotkin: 7
  13. Lance Stroll: 6
  14. Brendon Hartley: 6
  15. Stoffel Vandoorne: 3

Abandonaram:

  1. Daniel Ricciardo
  2. Kimi Raikkonen
  3. Charles Leclerc
  4. Fernando Alonso
  5. Nico Hülkenberg

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Nico Hülkenberg