Análise do Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 | 2021 British Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021 ocorreu no dia 18 de julho. A Fórmula 1 aplicou um novo modelo de classificação para decidir a pole position no final de semana. Na sexta feira, a segunda sessão de treinos livres definiu o grid de largada para uma corrida sprint, realizada no sábado. O resultado dessa, por sua vez, decidiu a classificação para a corrida oficial, no domingo.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Verstappen e Hamilton travaram um duelo intenso pela liderança, já Leclerc conseguiu ultrapassar Bottas com facilidade. Antes da primeira volta ser completada, Max fez um movimento tardio para se defender de Lewis, que também freou tarde, e acabou batendo forte no muro. Leclerc aproveitou o momento e tomou a liderança. A direção de prova acionou a bandeira vermelha. O holandês saiu do carro sentindo tonturas e foi levado para o centro médico.

Durante a bandeira vermelha, os comissários ouviram representantes da Red Bull e da Mercedes e decidiram punir Hamilton com 10 segundos. Após a relargada, Leclerc se manteve à frente e Lando Norris (McLaren) ultrapassou Bottas. No fim do grid, Sergio Pérez (Red Bull), que largou do pit lane por ter abandonado a corrida sprint, superava vários adversários. Sebastian Vettel (Aston Martin) rodou na pista e perdeu muitas posições. Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) escapou da pista e foi obrigado a deixar seus concorrentes passarem.

Como o traçado de Silverstone tem muitas curvas, muitos pilotos se aproximavam de seus rivais, mas não conseguiam ultrapassá-los. Foi o que houve, por exemplo, com Pérez, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Fernando Alonso (Alpine). Leclerc relatou problemas no motor para a equipe e a Ferrari trabalhou rapidamente para resolver a situação. Esperando manter-se na pista por mais tempo para compensar a largada de uma posição desfavorável, Pérez foi o primeiro a ir para os boxes. Entre os quatro primeiros pilotos do grid, Norris foi o primeiro a trocar os pneus, mas seu pit stop foi muito lento (seis segundos) e o levou para o sexto lugar. Com isso, embora Bottas tenha saído dos boxes muito próximo ao piloto da McLaren, o finlandês se manteve à frente.

Hamilton fez a troca de pneus e cumpriu a punição. Ele acelerou ao máximo para compensar o tempo perdido. Em poucas voltas, alcançou Norris e o tirou do terceiro lugar. As paradas dos carros da Ferrari foram lentas (a de Carlos Sainz Jr. demorou muito devido a um problema na retirada de um dos pneus), mas Leclerc continuou à frente. Sainz tentava superar Daniel Ricciardo (McLaren), mas apesar de se aproximar bastante, não conseguiu melhorar sua posição. Embora Pérez estivesse lutando por lugares mais altos na zona de pontuação, buscando ultrapassar Lance Stroll (Aston Martin) e Alonso para chegar ao sétimo lugar, a sorte não estava do seu lado. A Red Bull o chamou para uma segunda troca de pneus e o mexicano perdeu as chances de pontuar. A equipe ainda fez uma terceira troca, perto do fim, que apenas serviu para tirar o ponto extra de Hamilton pela volta mais rápida. Raikkonen, que foi um de seus adversários mais difíceis, acabou saindo da pista em uma disputa com Checo. Os comissários decidiram investigar o ocorrido depois do fim. Vettel teve que abandonar devido a problemas no carro.

Enquanto isso, Hamilton ia à caça de Leclerc. A Mercedes havia decidido inverter sua posição com a de Bottas, já que o companheiro estava com problemas nos pneus e não havia expectativa de ultrapassar o monegasco. O inglês superou o piloto da Ferrari na penúltima volta, quando Leclerc cometeu um pequeno erro que o fez sair da pista momentaneamente.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Charles Leclerc em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Com sua vitória e o abandono de Max Verstappen, a diferença entre o líder e o vice-líder do campeonato cai para oito pontos. A Red Bull foi a maior derrotada no Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2021, pois nenhum de seus pilotos pontuou e Hamilton está mais próximo de Verstappen na disputa pelo título. O inglês provou mais uma vez que sua determinação supera as maiores adversidades. Um ponto no mínimo curioso foi a Fórmula 1 ter decorado a área do pódio com o rosto de Lando Norris sem nenhuma razão aparente. Não é o aniversário do piloto, nem de sua equipe, e ele não é o único inglês do grid, muito menos o piloto dessa nacionalidade com mais feitos (nem na atualidade, nem em toda a história do esporte). Isso acaba comprovando a análise de Ricardo Hernandes Meyer sobre a conveniência da Fórmula 1 com a idolatria injustificada a Lando Norris.

Quando o piloto é bom de verdade, não tem para ninguém. E Lewis Hamilton é a prova disso.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10
  2. Charles Leclerc: 10
  3. Valtteri Bottas: 7,5
  4. Lando Norris: 7,5
  5. Daniel Ricciardo: 6
  6. Carlos Sainz Jr.: 6
  7. Fernando Alonso: 7
  8. Lance Stroll: 7
  9. Esteban Ocon: 6,5
  10. Yuki Tsunoda: 5
  11. Pierre Gasly: 6,5
  12. George Russell: 5
  13. Antonio Giovinazzi: 4
  14. Nicholas Latifi: 4
  15. Kimi Raikkonen: 2
  16. Sérgio Pérez: 6,5
  17. Nikita Mazepin: 3
  18. Mick Schumacher: 3

Abandonaram

  1. Sebastian Vettel: 3
  2. Max Verstappen

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhores pilotos: Charles Leclerc e Lewis Hamilton

Pior piloto: Kimi Raikkonen

Análise do Grande Prêmio da Áustria de 2021 | 2021 Austrian Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Áustria de 2021 ocorreu no dia 4 de julho. Foi a segunda corrida do ano a ser realizada no Red Bull Ring, após o Grande Prêmio da Estíria. Depois de um treino classificatório fora do comum, o grid de largada trouxe algumas surpresas. Os carros da Ferrari não chegaram ao Q3, George Russell (Williams) partiu da nona posição, e um piloto não-pertencente a Mercedes, Red Bull ou Ferrari, começou a prova da primeira fila.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lando Norris. Sergio Pérez (Red Bull) e Lewis Hamilton (Mercedes) completaram a segunda fila. Não houve muitas mudanças no grid logo no começo. O que chamou mais atenção foi o incidente com Esteban Ocon (Alpine), que foi expremido por Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e Mick Schumacher (Haas), e teve que abandonar. O safety car foi acionado e a corrida foi liberada na terceira volta. Com isso, Giovinazzi foi o primeiro a trocar pneus.

Valtteri Bottas (Mercedes) ultrapassou Hamilton, mas o inglês recuperou a posição. Pouco depois, Pérez tentou ultrapassar Norris, mas foi forçado para fora da pista e acabou no décimo lugar. Os pilotos da AlphaTauri foram os primeiros do meio do grid a fazer a troca de pneus, com Yuki Tsunoda parando antes de Pierre Gasly. Ambos acabaram no fim do grid. Daniel Ricciardo (McLaren) fez uma boa ultrapassagem sobre Sebastian Vettel antes do piloto alemão ir para os boxes.

Os comissários puniram Norris com 5 segundos por ter forçado Pérez para fora da pista. Pouco depois do anúncio, Hamilton o ultrapassou. Tsunoda levou a mesma punição por ter cruzado a linha do pit lane (e mais tarde foi novamente punido por reincidência). Na volta 27 houve uma briga pelo quinto lugar entre Ricciardo, Charles Leclerc (Ferrari) e Pérez. O ítalo-australiano foi o primeiro dos três a parar. A McLaren chamou Norris aos boxes para a troca de pneus e pagamento da punição, mas a Mercedes previu a manobra e chamou Bottas. O finlandês voltou à frente do inglês. Em seguida foram as vezes de Hamilton e Verstappen trocar os pneus.

Leclerc tentou ultrapassar Pérez, mas o mexicano o forçou para fora da pista. Isso lhe rendeu uma punição de 5 segundos. Não sei se houve o mesmo na narração dos outros países, mas no Brasil, tanto o narrador Sérgio Maurício quanto os comentaristas Reginaldo Leme e Felipe Giaffone usaram dois pesos e duas medidas para descrever o ocorrido. Quando Norris jogou Pérez para fora, os três defenderam o piloto da McLaren, dizendo que “ele não tinha o que fazer”. Já quando Pérez fez o mesmo com Leclerc, tanto o narrador quanto os comentaristas clamaram furiosos pela punição ao mexicano, deixando bem claro a torcida e simpatia pelo filho de Adam Norris.

Mais tarde, Pérez voltou a forçar Leclerc para fora, levando mais uma punição de 5 segundos. Hamilton começou a enfrentar problemas no carro e a Mercedes invertei sua posição com Bottas para evitar ataques de Norris. O atual heptacampeão precisou trocar os pneus e acabou no quarto lugar. No fim da corrida, Carlos Sainz Jr. (Ferrari), que foi o último do grid a ir para os boxes, ultrapassou Leclerc e Fernando Alonso (Alpine) superou Russell, acabando com as chances do piloto da Williams marcar seu primeiro ponto pela equipe. Pouco depois da bandeira quadriculada, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) se chocou contra Vettel quando este tentava ultrapassá-lo. Os dois acabaram na brita.

Max Verstappen foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo e Lando Norris em terceiro. Tal como houve na corrida anterior, o Grande Prêmio da Áustria de 2021 não foi muito emocionante devido à imensa facilidade de vitória do pole position. A atuação de Charles Leclerc foi novamente motivo de aplausos, pois mesmo com vários problemas, conseguiu uma boa pontuação. Sua equipe está duelando com a McLaren no campeonato de construtoras e cada ponto faz a diferença. Por outro lado, a performance de Sergio Pérez deixou a desejar. Perdeu as chances de ultrapassar Lando Norris e forçou duas vezes Leclerc para fora da pista. Outro destaque negativo foi o carro da Mercedes, que deixou Lewis Hamilton na mão em um momento importante do campeonato. Agora, Verstappen tem uma grande vantagem e se consolida líder. Se a equipe alemã quer vencer a Red Bull, vai precisar cobrar mais do departamento de engenharia.

Mais um trabalho lamentável da narração brasileira

Notas

Corrida: 7

Pilotos

  1. Max Verstappen: 9
  2. Valtteri Bottas: 8
  3. Lando Norris: 8
  4. Lewis Hamilton: 9
  5. Carlos Sainz Jr.: 8
  6. Sérgio Pérez: 3
  7. Daniel Ricciardo: 7
  8. Charles Leclerc: 9
  9. Pierre Gasly: 7
  10. Fernando Alonso: 7
  11. George Russell: 8
  12. Yuki Tsunoda: 7
  13. Lance Stroll: 3
  14. Antonio Giovinazzi: 3
  15. Nicholas Latifi: 3
  16. Kimi Raikkonen: 3*
  17. Sebastian Vettel: 3*
  18. Mick Schumacher: 3
  19. Nikita Mazepin: 3

 

Abandonou

  1. Esteban Ocon

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Lando Norris

Melhor piloto: Charles Leclerc

Pior piloto: Sergio Pérez

*Como a batida entre ambos ocorreu depois da bandeira quadriculada, Raikkonen e Vettel se classificaram, respectivamente em 16º e 17º lugar.

Análise do Grande Prêmio da Estíria de 2021 | 2021 Styrian Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da Estíria de 2021 ocorreu no dia 27 de junho. Pelo segundo ano consecutivo, a Fórmula 1 decidiu realizar uma corrida extra no Red Bull Ring (palco do Grande Prêmio da Áustria) para compensar as provas canceladas devido à pandemia de Covid-19.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Pelo resultado dos treinos classificatórios, Valtteri Bottas (Mercedes) teria largado na segunda posição. Porém, sua rodada no pit lane durante a segunda sessão de treinos livres lhe rendeu uma punição de três lugares. Lando Norris (McLaren) e Sergio Pérez (Red Bull) completaram a segunda fila. Verstappen começou a prova bloqueando qualquer possibilidade de ataque de Hamilton. Pérez e Norris disputaram a terceira posição. Lance Stroll (Aston Martin) ultrapassou dois adversários de uma vez, Fernando Alonso (Alpine) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri), e chegou ao sexto lugar após um incidente entre Pierre Gasly (AlphaTauri) e Charles Leclerc (Ferrari). O francês tocou o monegasco e foi parar no fim do grid, onde se chocou com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) e fez com que Nicholas Latifi (Williams) saísse temporariamente da pista. Por causa do incidente com Gasly, Leclerc foi obrigado a fazer um pit stop. Muitos acreditavam que a corrida estava acabada para o monegasco, mas ele continuou firme em sua luta pelos pontos.

Pouco depois, Pérez conseguiu superar Norris, tendo antes pedido mais potência à equipe. Bottas aos poucos se aproximou e entrou na briga pelo pódio. Outro piloto que teve destaque foi George Russell (Williams), que estava no oitavo lugar, seguido por Tsunoda. O inglês se mantia firme na zona de pontuação até fazer seu pit stop, que o colocou no 18º lugar. Enquanto isso, Leclerc enfrentava vários adversários e ficava cada vez mais próximo do décimo lugar. Mais uma vez houve um toque entre os pilotos da Haas, Mick Schumacher e Nikita Mazepin. Russell foi forçado a abandonar a corrida algumas voltas depois.

A Mercedes buscou um undercut e trocou os pneus de seus pilotos antes da Red Bull chamar Verstappen aos boxes. Pelos gráficos, os pneus de Hamilton estavam menos desgastados que os do holandês. No entanto, Verstappen conseguiu voltar à frente de Hamilton. O piloto da Red Bull chegou a relatar problemas nos freios, mas em nenhum momento da corrida isso apreceu ter efeito sobre seu desempenho. Verstappen abria vantagens cada vez maiores sobre Hamilton, que não via esperança de vitória.

A Ferrari passou a mostrar mais força perto das 15 voltas para o fim. Carlos Sainz Jr. conseguiu passar Stroll, e Leclerc iniciou uma série de ultrapassagens. Seu primeiro adversário foi Kimi Raikkonen (Alfa Romeo), depois desbancou Sebastian Vettel (Aston Martin), e superou Tsunoda, Alonso e Stroll. Depois Raikkonen ultrapassou Vettel, enquanto Leclerc mostrava que não importa como a corrida começa e sim como termina.

Nas últimas voltas, Hamilton trocou os pneus para tentar a volta mais rápida. A Red Bull havia tentado antes com Pérez, que estava muito à frente de Norris e não teria sua posição ameaçada. Hamilton foi bem sucedido, buscando o ponto extra para se manter firme na disputa pelo título. As previsões indicavam que Pérez conseguiria ultrapassar Bottas, mas o finlandês terminou a corrida com uma vantagem de meio segundo para o mexicano.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Tal como foi no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020, a vitória de Verstappen foi bem simples, partindo da pole e se mantendo na liderança até o fim. Corridas em que o holandês conquista a vitória em cima de muitas disputas são, obviamente, mais emocionantes. No entanto, o Grande Prêmio da Estíria de 2021 não foi uma corrida completamente monótona. O desempenho de Charles Leclerc foi digno de elogios, lembrando o que houve com Sergio Pérez no Grande Prêmio do Bahrein do mesmo ano. Ainda que ultimamente a mídia tenha ignorado o jovem monegasco nos últimos tempos, motivada pelo desempenho da Ferrari abaixo do esperado, Leclerc prova que é um piloto destemido e corajoso. Afinal, palavras podem até melhorar ou piorar a reputação de alguém, mas o talento é provado com a performance e os resultados, e isso só a pista pode revelar.

Não é à toa que o apelido de Leclerc é Cinderela: as coisas podem começar mal, mas depois ele dá um baile.

Notas

Corrida: 8

Pilotos

  1. Max Verstappen: 9,5
  2. Lewis Hamilton: 9
  3. Valtteri Bottas: 8,5
  4. Sergio Pérez: 9
  5. Lando Norris: 8
  6. Carlos Sainz Jr.: 8
  7. Charles Leclerc: 10
  8. Lance Stroll: 9
  9. Fernando Alonso: 8
  10. Yuki Tsunoda: 8
  11. Kimi Raikkonen: 7
  12. Sebastian Vettel: 6
  13. Daniel Ricciardo: 6
  14. Esteban Ocon: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Mick Schumacher: 3
  17. Nicholas Latifi: 3
  18. Nikita Mazepin: 3

 

Abandonaram:

  1. George Russell
  2. Pierre Gasly

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Charles Leclerc

Melhor piloto: Charles Leclerc

Pior piloto: Pierre Gasly

Análise do Grande Prêmio da França de 2021 | 2021 French Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio da França de 2021 ocorreu no dia 20 de junho. O esperado era uma corrida sem emoção, pois o palco era o Circuito de Paul Ricard. No entanto, as últimas voltas surpreenderam.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Sergio Pérez (Red Bull) completaram a segunda fila. Embora tenha feito uma boa largada, Verstappen quase perdeu o controle do carro na curva 2 e acabou sendo ultrapassado por Hamilton. Pérez e Bottas também disputaram posições, mas o carro do finlandês tinha um rendimento melhor. Já Charles Leclerc (Ferrari) não tinha a mesma sorte: foi ultrapassado por muitos concorrentes devido ao fraco desempenho de seu carro. Os dois pilotos da Haas, Nikita Mazepin e Mick Schumacher tiveram um toque, como houve no Azerbaijão.

Ainda no começo da prova, no fim do grid, Lance Stroll (Aston Martin) conseguia superar vários adversários. O canadense largou em penúltimo lugar devido a complicações no treino classificatório (teve sua volta deletada por exceder os limites de pista, e a bandeira vermelha causada pela batida de Mick Schumacher o impediu de tentar uma boa classificação). O mesmo ocorreu com Yuki Tsunoda (AlphaTauri), que largou dos boxes porque alguns problemas no carro o impossibilitaram de participar do treino classificatório.

Outro piloto de destaque foi Pierre Gasly (AlphaTauri), que travou boas disputas, por exemplo com Esteban Ocon (Alpine) e Carlos Sainz Jr. (Ferrari). Lando Norris (McLaren), falhou em ultrapassar o companheiro Daniel Ricciardo e acabou na área de escape. Ele só conseguiu a ultrapassagem no meio da corrida, com Ricciardo não apresentando resistência. O ítalo-australiano fez um bom começo de prova, tendo um de seus principais momentos uma notável ultrapassagem sobre Fernando Alonso (Alpine). Seu pit stop também foi um dos mais rápidos da corrida, durando 2.3 segundos. Enquanto isso, os pit stops de Leclerc o colocavam em situações cada vez mais difíceis. O primeiro deles o levou para o penúltimo lugar do grid.

A pista abrasiva levou muitos pilotos a trocarem seus pneus perto da volta 10. Aparentemente as equipes da frente do grid, que haviam largado de pneus mais macios, fariam duas trocas, enquanto os pilotos com pneus duros apenas uma. Verstappen fez sua troca antes das Mercedes, planejando um undercut. A parada de Hamilton foi mais rápida e o inglês voltou bem próximo de Max. Pérez assumiu temporariamente a liderança, mas após o pit stop, as Mercedes levaram vantagem. Enquanto isso, a Aston Martin protelava ao máximo as trocas de pneus de seus pilotos. Consequentemente, tanto Stroll quanto Sebastian Vettel tiveram que lutar pelos últimos lugares da zona de prontuação. É a segunda vez na carreira de Stroll que as más estratégias de pit stops de sua equipe o impedem de terminar a corrida em um lugar mais alto (isso aconteceu também em 2019, quando a escuderia se chamava Racing Point).

Nas últimas voltas, Verstappen trocou os pneus, em mais uma tentativa de undercut. A Mercedes, no entanto, optou por não chamar nenhum de seus pilotos para o box. Isso acabou sendo uma má estratégia. Algum tempo depois de ultrapassar Pérez, Verstappen chegou em Bottas. O finlandês apresentou certa resistência, mas a ultrapassagem do holandês foi inevitável. Depois, Verstappen alcançou Hamilton, e embora tenha pego um pouco de trânsito com os retardatários na volta 51, o piloto da Red Bull duelou com o inglês até o fim e o ultrapassou na penúltima volta. Como um bônus, fez a volta mais rápida e conquistou um ponto extra. Além disso, Pérez superou Bottas na curva 11, e embora os comissários tivessem suspeitado de que o mexicano tivesse excedido os limites da pista, nenhuma investigação foi feita.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo e Sergio Pérez. Consequentemente, o holandês se mantém como o líder, com 12 pontos de vantagem para o inglês. Verstappen tinha muitas expectativas para essa corrida, buscando “recuperar os 25 pontos que perdeu em Baku” (se referindo ao furo em seu pneu que o impediu de vencer o Grande Prêmio do Azerbaijão). Se as expectativas do jovem piloto da Red Bull foram atendidas, a dos torcedores foram superadas. As corridas em Paul Ricard tendem a ser chatas, pois a pintura do autódromo dificulta a compreensão do traçado e perde-se muito tempo nos pit stops. No entanto, a batalha entre Verstappen e Hamilton mudou completamente a configuração da prova, com Max mais uma vez superando cada dificuldade com maestria. Nada consegue parar esse príncipe da Fórmula 1.

Quando Max Verstappen está inspirado, nada consegue pará-lo.

Notas

Corrida:

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10
  2. Lewis Hamilton: 9,5
  3. Sergio Pérez: 9,5
  4. Valtteri Bottas: 8,5
  5. Lando Norris: 8
  6. Daniel Ricciardo: 8
  7. Pierre Gasly: 9
  8. Fernando Alonso: 8
  9. Sebastian Vettel: 7
  10. Lance Stroll: 10
  11. Carlos Sainz Jr.: 5
  12. George Russell: 5
  13. Yuki Tsunoda: 10
  14. Esteban Ocon: 5
  15. Antonio Giovinazzi: 4
  16. Charles Leclerc: 4
  17. Kimi Raikkonen: 4
  18. Nicholas Latifi: 4
  19. Mick Schumacher: 1
  20. Nikita Mazepin: 1

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Max Verstappen

Melhores pilotos: Max Verstappen, Lance Stroll e Yuki Tsunoda

Pior piloto: Mick Schumacher

Análise do Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 | 2021 Azerbaijan Grand Prix Analysis

O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 ocorreu no dia 06 de junho. Como é de costume, o Circuito de Baku foi palco de mais uma corrida na qual a maior atração foram os acidentes. Sendo um circuito de rua, a pista dificulta ultrapassagens. Mas, diferente de Mônaco, os resultados são imprevisíveis

Charles Leclerc (Ferrari) largou da pole position, ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (Alpha Tauri) completaram a segunda fila. Após a largada, não houve muitas mudanças no grid. Os pilotos da Haas, Nikita Mazepin e Mick Schumacher, tiveram um pequeno toque, já Lance Stroll (Aston Martin) começava a ganhar várias posições. O canadense havia largado em penúltimo lugar, pois um acidente nos últimos treinos livres o impediu de correr no treino classificatório.

Algum tempo depois, Esteban Ocon (Alpine) se tornou o primeiro piloto a abandonar a corrida, devido a uma falha no motor. Hamilton e Verstappen ultrapassaram Leclerc, cujo carro perdia muito rendimento. Logo foi a vez de Sergio Pérez (Red Bull) superar o monegasco, depois de ter conseguido as posições de Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Gasly. A Mercedes chamou Hamilton aos boxes primeiro, esperando dificultar para a Red Bull. No entanto, o pit stop foi muito lento (durando mais de quatro segundos). Em contraste, a parada de Verstappen foi a mais rápida da corrida, com 1,9 segundos. A demora na troca de pneus prejudicou Hamilton, pois Pérez conseguiu voltar à pista à frente do inglês mesmo que sua parada tenha sido lenta.

A situação não estava fácil para a Mercedes. Seu outro piloto, Valtteri Bottas, não conseguia sair do décimo lugar. Sua maior briga foi com Lando Norris (McLaren), que havia largado em nono lugar por ter desobedecido as regras de bandeira vermelha nos treinos classificatórios (os comissários o puniram com três posições). Por outro lado, a AlphaTauri estava com sorte, pois tanto Gasly quanto Yuki Tsunoda, que havia largado em sétimo lugar, se mantinham firmes na zona de pontuação.

No meio da prova, um dos pneus traseiros de Stroll furou, fazendo com que o canadense, que estava em quarto lugar, perdesse o controle do carro e batesse no muro do setor 2. Diferente do que costuma fazer em situações como essa em Baku, a direção de prova não acionou a bandeira vermelha, optando pelo safety car. Na relargada, Hamilton tentou se aproximar de Pérez, mas o rendimento do carro da Mercedes não estava muito bom. Quando a vitória de Verstappen era dada como certa, ocorreu o mesmo que com Stroll: um dos pneus traseiros furou e o holandês bateu no muro oposto ao da reta dos boxes. A direção de prova acionou a bandeira vermelha, tomando uma atitude no mínimo curiosa, pois o local onde Verstappen se acidentou era mais amplo e daria menos margem para acidentes do que o lugar onde houve o acidente de Stroll. Com a segunda relargada, Hamilton novamente tentou superar Pérez, mas acabou parando na área de escape, onde Sainz havia entrado no começo da prova. Com isso, o beneficiado foi Sebastian Vettel (Aston Martin), que havia conseguido ultrapassar vários adversários durante a corrida.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Sebastian Vettel em segundo e Pierre Gasly em terceiro. Embora o resultado possa chamar muito a atenção, pois não houve pilotos da Mercedes no pódio, nem o primeiro piloto da Red Bull, reviravoltas como essa são esperadas para Baku. Como explicado anteriormente, esse circuito de rua cria um ambiente muito propício para acidentes. Alguns torcedores chegam a considerar essa pista pior do que Mônaco em termos de segurança e dificuldade de ultrapassagem. O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2021 deixa a Mercedes em alerta. Fica implícito para quem acompanha as notícias que a equipe alemã deseja contratar Max Verstappen no futuro para substituir Lewis Hamilton quando o inglês se aposentar. No entanto, o holandês se mostra muito fiel à Red Bull, equipe que até então não havia conseguido lhe dar um carro à altura de disputar o campeonato (ver “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”). Com os sucessivos erros nos pit stops, como houve por exemplo em Mônaco, Verstappen pode se sentir menos motivado a se juntar à Mercedes, pois as trocas de pneus são fundamentais para o resultado das corridas, principalmente em circuitos de rua. Quanto à Red Bull, o pódio de hoje é uma grande prova de que a impaciência de Helmut Marko não pode ser levada a sério, pois Sergio Pérez e Pierre Gasly, muito criticados pelo consultor, mostram que têm muito a oferecer para a Fórmula 1. Para entender o quanto Marko prejudica novos talentos, leia “O Caso Alexander Albon: Um Potencial Desperdiçado”.

Corrida com muito acidente e pouca ultrapassagem? Teria sido melhor ir ver o Pelé.

Notas

Corrida: 6

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10
  2. Sebastian Vettel: 8
  3. Pierre Gasly: 10
  4. Charles Leclerc: 8,5
  5. Lando Norris: 6
  6. Fernando Alonso: 7
  7. Yuki Tsunoda: 9
  8. Carlos Sainz: 6
  9. Daniel Ricciardo: 6
  10. Kimi Raikkonen: 6
  11. Antonio Giovinazzi: 5
  12. Valtteri Bottas: 3
  13. Mick Schumacher: 3
  14. Nikita Mazepin: 3
  15. Lewis Hamilton: 8
  16. Nicholas Latifi: 3

Abandonaram

  1. George Russell: 3
  2. Max Verstappen: 10
  3. Lance Stroll: 10
  4. Esteban Ocon:

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen

Pior piloto: Valtteri Bottas

Análise do Grande Prêmio de Mônaco de 2021 | 2021 Monaco Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio de Mônaco de 2021 ocorreu no dia 23 de maio. Foi a primeira edição da corrida mais tradicional na Fórmula 1 na década, pois em 2020 o evento teve de ser cancelado devido à pandemia de Covid-19.

Charles Leclerc (Ferrari) largaria da pole position ao lado de Max Verstappen (Red Bull). No entanto, um problema na suspensão impediu o monegasco de participar da corrida. A vaga da pole ficou fazia. Apesar do terceiro colocado, Valtteri Bottas (Mercedes), tentar uma ultrapassagem, Verstappen largou em um movimento defensivo e se manteve à frente.

Como esperado para Mônaco, não houve muitas variações no grid, e umas das pouquíssimas ultrapassagens em pista foi a de Mick Schumacher (Haas) em cima do colega de equipe Nikita Mazepin, embora o russo tenha recuperado a posição algumas voltas depois. Somente no pit stop houve uma reviravolta: o pneu dianteiro direito de Bottas não soltou na hora da troca e o piloto foi obrigado a deixar a prova. Sergio Pérez (Red Bull) conseguiu assumir a liderança enquanto Verstappen estava no box, mas o holandês recuperou a posição depois da parada do mexicano.

A poucas voltas do fim, Pérez tentou ultrapassar Lando Norris (McLaren), mas embora se aproximasse bastante e os retardatários não atrapalhassem, a pista dificultou o trabalho e não foi possível sair do quarto lugar. Durante a corrida, alguns pilotos receberam a bandeira preta e branca por exceder os limites da pista. Foram os casos de Mazepin, Norris e Yuki Tsunoda (AlphaTauri). Lance Stroll (Aston Martin) foi investigado por ter falhado em se manter à direita da saída dos boxes, mas nenhuma ação foi tomada.

Max Verstappen foi o vencedor, com Carlos Sainz Jr. (Ferrari) em segundo e Lando Norris em terceiro. Como explicado anteriormente, o Circuito de Monte Carlo dificulta ultrapassagens. Logo, na prática, as posições só mudam quando alguém entra nos boxes ou quebra, e a emoção de Mônaco se resume a ver se o piloto vai bater ou não. Infelizmente, um conjunto de fatores (sobretudo financeiros) mantém Mônaco como uma corrida “tradicional” na Fórmula 1 mesmo que ela em si seja uma das mais monótonas. Mas é louvável lembrar que Verstappen venceu com uma diferença de 9 segundos em relação a Sainz, o que reflete muito do talento do holandês. Agora, Verstappen lidera o campeonato, pois Lewis Hamilton (Mercedes), que largou em sétimo e terminou na mesma posição, não conseguiu pontos o suficiente para manter a vantagem. As emoções da disputa do campeonato estão apenas começando.

Tal como no Bahrein em 2019, o sonho de Charles Leclerc não pôde se realizar.

Opinião da Rebeca:

Eu, particularmente, fiquei com muita pena de Charles Leclerc por não ter conseguido largar na corrida. O piloto nunca conseguiu pontuar em um GP sediado em sua terra natal, e largar da pole indicatia uma provável vitória. Mas Max Verstappen merece muitos elogios, pois seu primeiro pódio em Mônaco coincide com sua primeira vitória na “jóia da coroa da Fórmula 1”.

Exceto por esses dois pontos, e pela louvável tentativa de ultrapassagem de Sergio Pérez em cima de Lando Norris, não encontro nada para ressaltar nessa prova. Não gostei muito do resultado do segundo lugar para baixo. Mas já era esperada acontecer alguma zica em Mônaco.

Opinião da Adriana:

Notas

Corrida: 6 (Rebeca) | 5 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  2. Carlos Sainz Jr.: 7 (Rebeca e Adriana)
  3. Lando Norris: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  4. Sergio Pérez: 8 (Rebeca e Adriana)
  5. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  7. Lewis Hamilton: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  9. Esteban Ocon: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  10. Antonio Giovinazzi: 3 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  12. Daniel Ricciardo: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  13. Fernando Alonso: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  14. George Russell: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  15. Nicholas Latifi: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  16. Yuki Tsunoda: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Nikita Mazepin: 3 (Rebeca)
  18. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 4 (Adriana)

Abandonou

  1. Valtteri Bottas

Não largou

  1. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel

Melhor piloto: Max Verstappen (Rebeca) | Sergio Pérez (Adriana)

Pior piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Kimi Raikkonen (Adriana)

Análise do Grande Prêmio da Espanha de 2021 | 2021 Spanish Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio da Espanha de 2021 ocorreu no dia 9 de maio. Embora sem tantos destaques como os torcedores gostam, a corrida trouxe alguns duelos na frente do grid que valeram a pena assistir.

Lewis Hamilton (Mercedes) largou da pole position (a 100ª de sua carreira), ao lado de Max Verstappen (Red Bull). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. No final da volta de apresentação, Pierre Gasly (AlphaTauri) posicionou seu carro um pouco à frente dos limites da vaga e foi posteriormente punido com 5 segundos. Nas primeiras curvas do Circuito da Catalunha, Verstappen ultrapassou Hamilton e logo foi a vez de Leclerc superar Bottas.

Algum tempo depois, o carro de Yuki Tsunoda (AlphaTauri) simplesmente apagou e o piloto foi obrigado a abandonar. O safety car foi acionado. Um destaque negativo durante o esse tempo foi o pit stop de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que superou os 40 segundos porque um dos mecânicos demorou para trazer o pneu. Pouca coisa mudou no grid após a relargada, mas na parte de trás, Gasly procurou recuperar o prejuízo. Daniel Ricciardo (McLaren) foi um dos que conseguiu se manter firme no meio do grid, mesmo tendo o seu pit stop consideravelmente mais lento que o de seu companheiro de equipe Lando Norris. Para sorte do ítalo-australiano, o inglês estava várias posições atrás, impedindo que a McLaren o mandasse parar para que Norris passasse como houve no Grande Prêmio da Emília-Romanha.

Leclerc e Bottas disputaram o terceiro lugar por muito tempo até que o finlandês levou a melhor. Ao mesmo tempo, a briga entre Verstappen e Hamilton ligou o alerta no paddock. A Red Bull chamou Verstappen ao boxes para garantir a liderança. A Mercedes, por outro lado, demorou muito para chamar Hamilton para o pit stop, consolidando a liderança da Red Bull. No entanto, o desempenho do carro do inglês era consideravelmente melhor, e isso foi um fator decisivo para o desfecho da corrida.

Embora Sergio Pérez (Red Bull) tenha começado a corrida com certa desvantagem (largando da nona posição), sua perseverança o levou a posições mais altas. Mesmo sem conseguir alcançar Leclerc, o mexicano teve seus momentos de destaque, principalmente na luta com Ricciardo. Enquanto isso, Hamilton continuou em um ótimo ritmo após o segundo pit stop, e Verstappen se mantinha na pista com pneus velhos. Faltando menos de 15 voltas para o final, o inglês conseguiu retomar a liderança, e a Red Bull partiu para o plano B: aproveitar que Bottas estava muito longe e fazer uma troca de pneus para conseguir a volta mais rápida. Ainda no final da prova, Fernando Alonso (Alpine) acabou tocando em Lance Stroll (Aston Martin) quando o canadense o ultrapassou. Stroll acabou saindo da pista e devolvendo a posição e enfrentando um congestionamento com Gasly e Sebastian Vettel (Aston Martin). O incidente foi investigado e até o momento não temos informações sobre isso. Gasly acabou à frente dos adversários, no décimo lugar.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. Se Verstappen tivesse ganho, ele e Hamilton estariam a apenas dois pontos de diferença, mas com a vitória do britânico, a vantagem do piloto da Mercedes supera uma dezena. Além disso, com o resultado final, Bottas tira Lando Norris do top-3 do campeonato e assume a terceira posição. Norris agora está apenas um ponto à frente de Charles Leclerc, que pode ameaçar o piloto da McLaren. De maneira geral, foi uma corrida razoável, com apenas um abandono, algumas ultrapassagens e modificações relevantes no campeonato, mas o Grande Prêmio da Espanha de 2021 ainda não está perto da emocionante edição de 2016. Porém, já podemos ter uma noção de que não apenas a liderança, como as demais posições do ranking estão sujeitas a grandes reviravoltas.

Red Bull e Mercedes estavam equivalentes no pit stop: ambas erraram e acertaram ao mesmo tempo.

Opinião da Rebeca:

Dessa vez as disputas na frente do grid foram as mais chamativas, ainda que tenham demorado várias voltas para se concretizarem. Isso porque a pista do Circuito da Catalunha é muito abrasiva. Tanto Lewis Hamilton quanto Max Verstappen lidaram com o alto desgaste dos pneus.

Eu não tenho muito o que falar sobre a corrida porque tirando as lutas entre Hamilton e Verstappen e entre Valtteri Bottas e Charles Leclerc, foram poucos os momentos que me chamaram a atenção. Gostei mais dessa corrida do que da anterior, mas sinto que não verei outro Grande Prêmio da Espanha como o de 2016 tão cedo.

Opinião da Adriana:

Mesmo com uma corrida menos emocionante, eu gostei do GP da Espanha. Mais uma vez, assim como no GP de Portugal, o pelotão do meio rendeu uma corrida movimentada e cheia de trocas de posições. 

Para falar a verdade, quem reinou nessa corrida foram as estratégias montadas pelas equipes. Enquanto algumas mostraram mais destreza (como a Mercedes) e outras mostraram que ainda precisam melhorar – e muito -, como foi o caso da Aston Martin.

Nessas quatro corridas, me chama a atenção o ótimo desempenho de Ocon, que consegue se manter à frente de Alonso, e demonstra que dois títulos mundiais não servem para pressionar ou assustar o francês. Muitos comentaristas – inclusive a bancada da Band – o chamam de “carne de pescoço”, mas eu o vejo como um piloto dedicado e arrojado. 

Mais uma corrida em que Lewis Hamilton crava seu nome na história da Fórmula 1 e levou a 98 vitória para casa, ganhando também como o piloto do dia, o que foi merecido demais. Não tem discussão, ele é o maior de todos os tempos. E como diz o meme: quem discordar, discorde da sua casa.

E eu juro, em Mônaco, eu trago o bingo que eu prometi. Todo mundo vai ter um ponto garantido porque certeza que vai ter “Mazepin fez lambança”. Porque isso é garantido que ele vai fazer, seja nos treinos ou na corrida.

Notas

Corrida: 8 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Charles Leclerc: 8 (Rebeca e Adriana)
  5. Sergio Pérez: 8 (Rebeca e Adriana)
  6. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) | 8,5 (Adriana)
  7. Carlos Sainz Jr.: 6,5 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lando Norris: 6 (Rebeca e Adriana)
  9. Esteban Ocon: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  10. Pierre Gasly: 7 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  11. Lance Stroll: 5 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  12. Kimi Raikkonen: 5 (Rebeca e Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  14. George Russell: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  15. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca e Adriana)
  16. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Fernando Alonso: 4 (Rebeca e Adriana)
  18. Mick Schumacher: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  19. Nikita Mazepin: 0

Abandonou

  1. Yuki Tsunoda

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Lewis Hamilton

Melhor piloto: Max Verstappen (Rebeca) | Lewis Hamilton (Adriana)

Pior piloto: Sebastian Vettel (Rebeca) | Nikita Mazepin (Adriana)

Análise do Grande Prêmio de Portugal de 2021 | 2021 Portuguese Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio de Portugal de 2021 ocorreu no dia 2 de maio. Mais uma vez, as curvas e ladeiras do Circuito de Portimão geraram uma corrida monótona, com poucas ultrapassagens e sem muitos momentos de grande emoção.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro de equipe Lewis Hamilton. A dupla da Red Bull, formada por Max VerstappenSergio Pérez, completou a segunda fila. Após a largada, o rendimento de Pérez caiu muito e ele acabou perdendo posições para Carlos Sainz Jr. (Ferrari) e Lando Norris (McLaren), embora esses dois tenham conseguido avançar após saírem com as quatro rodas para fora da pista. Ao mesmo tempo, Bottas conseguiu manter um bom ritmo e se manteve na liderança, seguido por Hamilton e Verstappen. Na volta 2, Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) tocou a traseira do companheiro de equipe Antonio Giovinazzi e quebrou a asa dianteira. O finlandês foi obrigado a parar na caixa de brita e o safety car foi acionado. Os carros tiveram que passar pelo pit lane por causa dos detritos na pista.

Depois do safety car, o grid não mudou muito, a não ser pelos avanços de Daniel Ricciardo (McLaren) e Esteban Ocon (Alpine). Na parte da frente, Verstappen conseguiu superar Hamilton, mas a ladeira da primeira curva fez seu carro perder rendimento e o inglês recuperou o segundo lugar. Algumas voltas depois, Hamilton superou Bottas. Alguns dos pilotos que mais perderam posições nessa corrida foram Sebastian Vettel (Aston Martin) e Pierre Gasly (AlphaTauri).

A primeira equipe a trocar os pneus foi a Ferrari, com Sainz. Seu companheiro Charles Leclerc parou muito depois, e sua troca foi bem mais lenta que a do espanhol. Norris e Vettel também tiveram pit stops lentos, ao contrário de Ocon, cuja troca levou 2.5 segundos (a média de tempo dos pit stops da Ferrari em seus últimos anos de triunfo). O mais lento foi o de Ricciardo (com 4.8 segundos). Mais tarde, Verstappen trocou seus pneus antes dos carros da Mercedes, mas teve que frear bruscamente para não exceder o limite de velocidade. O holandês conseguiu ficar à frente de Bottas mesmo com as paradas dele e de Hamilton, mas embora o carro do finlandês fosse mais rápido, não houve muitas chances de ultrapassagem.

Pérez estava na liderança, sendo o único piloto que até então não havia trocado os pneus. O mexicano foi atrapalhado pelo retardatário Nikita Mazepin (Haas), que recebeu uma punição de 5 segundos por ignorar a bandeira azul. Hamilton ultrapassou Pérez na pista, e pouco depois este trocou os pneus. Ele voltou muito atrás de Bottas, mas também estava a uma grande distância de Norris. Nas últimas voltas, Bottas e Verstappen trocaram os pneus para disputar a volta mais rápida. Oficialmente, o piloto da Red Bull a conquistou, mas teve seu tempo deletado por ter saído do traçado na curva 14. Logo, a volta de Bottas foi considerada a mais rápida.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. O Grande Prêmio de Portugal de 2021 foi mais tranquilo em relação à edição do ano anterior, mas ainda sim está longe de ser uma das edições mais atrativas do calendário. Ainda que o relevo da pista seja um diferencial, ele atrapalha as ultrapassagens, que são um dos fatores decisivos para uma corrida emocionante. Consequentemente, não há muitos comentários a se fazer em relação a esta prova.

Kimi Raikkonen expressando como a corrida foi gratificante.

Opinião da Rebeca:

Como demonstrei na análise, não consigo considerar Portimão uma boa pista, pois seu traçado dificulta as disputas por posições. Quando um fã assiste à corrida, ele quer ver as ultrapassagens. Se fosse para ver carros andando em fila indiana, não seria preciso da Fórmula 1, bastava pegar um trânsito qualquer na cidade. Creio que por conta do marasmo gerado, não consigo dar uma boa nota para a corrida e nenhum dos pilotos merece, na minha opinião, um 10. Mas deixo elogios às atuações de Lewis Hamilton e Max Verstappen na frente do grid, à resiliência de Daniel Ricciardo (que havia largado em 16º), e às ultrapassagens de Esteban Ocon (que, entre os vários adversários, se destacou ao superar Pierre Gasly).

Uma das críticas que eu faço às narrações, e à mídia da Fórmula 1 em geral, é a supervalorização da pole position. Muitos apostavam que Valtteri Bottas venceria, mas sua atuação não foi das melhores. Por muito tempo, Verstappen havia conquistado muitas vitórias sem ter uma pole sequer, enquanto há na história pilotos com poles e sequer tiveram pódios (Nico Hulkenberg é o exemplo mais memorável). Não é o começo da corrida que decide o campeonato, é o final dela.

Opinião da Adriana:

Essa corrida foi um pouco entediante para mim. Ao mesmo tempo que algumas ultrapassagens foram boas, o cenário completo não chamou a minha atenção.

Mais uma vez, vimos uma ótima disputa entre a Red Bull e a Mercedes, na qual eu espero que continue assim durante a temporada. É um pouco cansativo repetir isso toda a corrida, mas Hamilton é gigante mas é impossível não reconhecê-lo como o melhor piloto da história do esporte e eu fico muito feliz em poder presenciar isso a cada corrida. 

Fiquei contente em ver a corrida de recuperação de Ricciardo, indo de P16 para P6 e se não fosse pelo pitstop extremamente lento (McLaren, por favor, trabalhe nisso), ele terminaria em uma posição melhor. Mesmo assim, ele subiu 7 posições e já é um ótimo resultado e mostra que o australiano está conseguindo se adaptar cada vez mais ao carro.

Outra coisa que me deixou feliz foi ver a disputa entre Schumacher e Latifi. Não é fácil estar nos dois piores carros do grid, mas os dois protagonizaram uma disputa muito boa por algumas voltas.

E meus parabéns ao Pérez também, ele liderou a corrida por algumas voltas e se não fosse pela estratégia esquisita de mantê-lo na pista, o que com certeza tirou suas chances de ir ao pódio.

Essa é a primeira das duas corridas em seguida que teremos e eu espero que as próximas duas sejam um pouco mais emocionantes do que essa.

Notas

Corrida: 6 (Rebeca) | 7,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca e Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Sergio Pérez: 8 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  5. Lando Norris: 7,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Charles Leclerc: 7 (Rebeca e Adriana)
  7. Esteban Ocon: 9 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  8. Fernando Alonso: 6 (Rebeca | 7 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  10. Pierre Gasly: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Carlos Sainz Jr.: 6 (Rebeca e Adriana)
  12. Antonio Giovinazzi: 6 (Rebeca)| 7 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  14. Lance Stroll: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  15. Yuki Tsunoda: 5 (Rebeca e Adriana)
  16. George Russell: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  17. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  18. Nicholas Latifi: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  19. Nikita Mazepin: 0

Abandonou

  1. Kimi Raikkonen

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Esteban Ocon (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Nikita Mazepin (Rebeca e Adriana)

Análise do Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 | 2021 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 ocorreu no dia 18 de abril. Debaixo de chuva, a corrida teve muitas reviravoltas e tinha todos os ingredientes para ser um espetáculo. No entanto, uma velha conhecida estragou uma parte do show: a famigerada ordem de equipe.

Lewis Hamilton (Mercedes) foi o pole position, largando ao lado de Sergio Pérez (Red Bull). Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari), que havia escapado na volta de apresentação, completaram a segunda fila. Logo após a largada, houve uma briga tripla entre Hamilton, Pérez e Verstappen, com o holandês levando a melhor. Passou o inglês após as duas primeiras curvas e tomou uma grande distância. Com a pista molhada, houve muitas escapadas, entre elas a de Nicholas Latifi (Williams), que bateu no muro e provocou a entrada do safety car. Outro piloto que passou por um infortúnio foi Mick Schumacher (Haas), que rodou na saída dos boxes e perdeu a asa dianteira. O alemão completou algumas voltas antes de repor a peça.

Com a saída do safety car, houve uma disputa no meio do grid entre Pierre Gasly (AlphaTauri), Lando Norris (McLaren), Carlos Sainz Jr. (Ferrari), Lance Stroll (Aston Martin) e Valtteri Bottas (Mercedes). Norris disparou na frente enquanto Gasly perdia posições constantemente. Logo foi a vez de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri) ultrapassarem o francês. Pouco depois, houve mais um caso lamentável de ordens de equipe: Norris disse para a McLaren que “andaria mais rápido se a pista estivesse livre”, insinuando que a equipe deveria mandar seu companheiro Daniel Ricciardo lhe ceder a posição. A McLaren acatou o pedido e ordenou ao australiano que deixasse Norris passar.

A pista molhada ainda prejudicava o andamento da corrida. Pérez foi punido pelos comissários com 10 segundos de stop-and-go por ter recuperado na pista as duas posições que havia perdido após sair temporariamente do traçado. Sebastian Vettel (Aston Martin) recebeu a mesma punição por ter saído do pit stop antes da placa de 5 segundos. No entanto, enquanto a chuva dificultava a vida de uns, para outros ela não foi problema. Foi o caso de Verstappen, que trocou os pneus antes de Hamilton e voltou para o primeiro lugar após a parada do inglês. Aproveitando a abertura de Bottas (retardatário) para o líder, Stroll ultrapassou o finlandês.

Logo após, houve mais dois incidentes. Ao ultrapassar o retardatário George Russell (Williams), Hamilton escorregou e parou no muro. Parecia fim de prova para o piloto britânico, mas o heptacampeão, mesmo com dificuldade devido à brita, colocou seu carro novamente na pista e seguiu a corrida. Pouco depois, Russell escorregou e tocou a traseira de Bottas, que fazia uma prova decepcionante. Ambos bateram no muro e deixaram muitos detritos na pista. Houve bandeira vermelha.

Na relargada, Raikkonen escapou do traçado e facilitou o trabalho de alguns pilotos que estavam atrás. Um deles foi Hamilton, que do nono lugar, passou para o sétimo em poucas voltas. Logo estava à caça de Sainz. Enquanto isso, Leclerc perdia o segundo lugar para Norris e não conseguia atacar o piloto da McLaren. Hamilton veio como um furacão para cima de Sainz e, apesar da defesa acirrada de Leclerc, conseguiu superar os dois pilotos da Ferrari e ultrapassou Norris com maestria. Tsunoda havia levado duas advertência por exceder os limites da pista e depois foi punido com 5 segundos. Vettel foi o último a abandonar, recolhendo seu carro para a garagem a poucos minutos do fim.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo lugar e Lando Norris em terceiro. Diferente da edição anterior, na qual os acidentes provocaram uma corrida sem grandes ações, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 teve grandes reviravoltas. A expectativa era alta para Sergio Pérez, que estava largando em segundo lugar, mas terminou fora da zona de pontuação. Verstappen outra vez deu uma demonstração de seu talento na chuva, chegando a colocar 20 segundos de diferença para o segundo colocado. Ao mesmo tempo, Norris repetiu a atitude que tomou no Grande Prêmio da França de 2019, ao mandar novamente a equipe parar seu companheiro para que possa ultrapassá-lo. Manobras como essa sempre mancharam a história da Fórmula 1 (dois exemplos memoráveis foram as trocas de posição entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Áustria de 2002 e entre Fernando Alonso e Felipe Massa no Grande Prêmio da Alemanha de 2010). É lamentável que a McLaren tenha optado por essa atitude antiética e antiesportiva e que Norris seja condecorado pela imprensa e pelos torcedores por isso. A corrida poderia ter sido perfeita se não fosse pelo fantasma das ordens de equipe pairando sobre o paddock novamente.

Atualização 1: Lance Stroll cruzou a linha de chegada em sétimo, mas foi punido após a prova por ultrapassar Pierre Gasly fora do traçado. Com isso, as posições dos pilotos foram invertidas.

Atualização 2: Kimi Raikkonen terminou a corrida em nono, mas foi punido com 30 segundos por ter falhado em entrar no pit lane para a relargada. Fernando Alonso e Esteban Ocon ganharam posições e o finlandês terminou fora da zona de pontuação.

“Papai, mande o Ricciardo parar para eu passar, AGORA!”

Opinião da Rebeca:

Em minha humilde opinião, Lewis Hamilton foi o nome do dia. O painel da Fórmula 1 chegou a colocar “FORA” (em inglês, “OUT”) ao lado de sua sigla, indicando que o piloto estava abandonando. Mas estamos falando daquele que venceu o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2020 com apenas três rodas. Hamilton não conhece a palavra “desistir”. Ele é um piloto destemido, talentoso e persistente, um colírio para os olhos dos torcedores. Sua recuperação foi impressionante, e o pódio devidamente merecido. Outro piloto que merece elogios é Max Verstappen, que fez uma prova praticamente sem erros. A equação (chuva) + (Verstappen) quase sempre resulta em corridas incríveis. Um exemplo é o Grande Prêmio do Brasil de 2016 (que, inclusive, foi no meu aniversário).

Agora, com relação a Lando Norris, repito: atitude lamentável. Piloto que precisa pedir para a equipe parar o companheiro não merece créditos por seu resultado na corrida. Daniel Ricciardo não merecia passar por essa humilhação. O piloto australiano, que tem poles, pódios e vitórias na carreira, anda comendo o pão que o diabo amassou desde suas duas temporadas na Renault, e esperava uma situação diferente na McLaren. Curiosamente, a narração brasileira aplaudiu o pedido de Norris, e antes havia insinuado que a AlphaTauri deveria ter feito o mesmo entre Yuki Tsunoda e Pierre Gasly. No entanto, o piloto japonês não precisa de ordens de equipe, pois pode passar por mérito próprio. Ao contrário do filho de Adam Norris, que não esconde sua antipatia e falta de espírito esportivo. Norris quase nunca é repreendido por suas atitudes, e a explicação talvez seja a mesma da questão apresentada no episódio “Todo Mundo Odeia Bad Boys”, da série “Todo Mundo Odeia o Chris” (me refiro à cena em que a família de Chris é humilhada em um restaurante enquanto a família dos Banks, que estava nas mesmas condições, é tratada com muita cortesia).

Outro que decepcionou foi Charles Leclerc, que foi muito macho para se defender, mas uma princesa para atacar. Mais um motivo para o apelido de “Cinderela”.

Opinião da Adriana:

É incrível como as corridas na Itália conseguem ser dramáticas e entregar corridas que são definidas na última volta. Assim como no ano passado, Imola nos entregou um pódio diferente, com Verstappen, Hamilton e Norris, demonstrando a força do motor Mercedes com os últimos dois.

Desde antes da corrida, sabíamos que essa corrida seria caótica, seja pela pista molhada ou pelos incidentes: um dano no carro de Bottas, os freios de Stroll pegando fogo, Vettel começando do pitlane e Alonso tendo problemas. 

Na largada, Verstappen mostrou que esse ano, ele será o competidor direto de Hamilton, que deve estar ansioso para mais batalhas ao decorrer da temporada. Norris também demonstrou estar com sede de resultados. Logo no começo, o britânico sofreu um toque mas logo depois, conseguiu se recuperar e conquistar o pódio. Talvez a ordem de equipe tenha tirado um pouco do brilho de sua performance (pelo menos, para mim) mas não podemos negar que ele tem o que precisa para se tornar um grande piloto. 

O incidente de Russell e Bottas foi bizarro, para dizer o mínimo e o pequeno “tapa” do britânico foi quase uma homenagem a Piquet, quando deu um soco em Salazar após uma colisão. Temos que entender que, além de um incidente de corrida, a rivalidade entre os dois vai muito além de pontos e sim, de uma possível vaga para o mais jovem. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa novela com muita atenção.

E o que foi Sir Lewis salvando o carro de ré da brita? Só essa manobra deveria lhe garantir o prêmio de piloto do dia. Somando com a sua corrida de recuperação, ele prova que mesmo com todas as dificuldades, seu talento é indiscutível.

Já sobre a corrida de Ricciardo, a sexta posição foi um resultado ótimo. Temporadas de adaptação com uma nova equipe tendem a ser assim e se compararmos seu começo na McLaren com a temporada de 2019, percebemos a notável diferença que um carro bom faz. Essa ainda é sua segunda corrida e o australiano ainda tem muitas corridas pela frente para conseguir extrair o potencial completo do carro. 

Acho que para a próxima corrida, vou preparar uma cartela de bingo para ver se não fico tão nervosa. 

Notas

Corrida: 9,5 (Rebeca) | 7,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  2. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Lando Norris: 6 (Rebeca) | 8,5 (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 6,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  7. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 8 (Rebeca e Adriana)
  9. Esteban Ocon: 5 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  10. Fernando Alonso: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 6 (Rebeca e Adriana)
  12. Sergio Pérez: 7 (Rebeca e Adriana)
  13. Yuki Tsunoda: 7 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  14. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  15. Sebastian Vettel*: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  16. Mick Schumacher: 2 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  17. Nikita Mazepin: 2

 

Abandonaram

  1. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca e Adriana)
  2. George Russell: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  3. Nicholas Latifi: 10 de consolação (Rebeca) | 6 (Adriana)

(*Nota: Sebastian Vettel também abandonou, mas como Mick Schumacher e Nikita Mazepin estavam muito longe, ele foi classificado como 15º colocado, por ter se retirado com 95% da prova concluída)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): O filho do Príncipe Adam da Disney (aquele que foi transformado em Fera) com a Veruca Salt (a menina mimada da Fantástica Fábrica de Chocolate)

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Análise do Grande Prêmio do Bahrein de 2021 | 2021 Bahrain Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

O Grande Prêmio do Bahrein de 2021 ocorreu no dia 28 de março. A expectativa era alta, e tudo indicava que seria uma corrida cheia de surpresas. Logo na volta de apresentação, Sergio Pérez (Red Bull) teve uma pane elétrica no carro e precisou largar dos boxes. Além disso, foi preciso mais uma volta de apresentação para retirar o carro da pista. No entanto, o mexicano provou mais uma vez que pode surpreender diante de situações adversas.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Esta foi a segunda vez que Verstappen consegue a pole em uma corrida no Oriente Médio (a primeira foi no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020). Logo no início, Leclerc ultrapassou Bottas e o estreante Nikita Mazepin (Haas) rodou na pista, chocando-se contra o muro. O safety car foi acionado.

Após a relargada, houve alguns confrontos, como a ultrapassagem de Lance Stroll (Aston Martin) sobre Fernando Alonso (Alpine), a revanche entre Bottas e Leclerc e os avanços do estreante Yuki Tsunoda (AlphaTauri). Seu companheiro de equipe, Pierre Gasly, não teve a mesma sorte. Problemas no carro levaram o francês a amargar nas últimas posições do grid durante toda a corrida.

Embora tenha tido um bom começo de prova, o desempenho de Leclerc caiu muito após o triunfo de Bottas. Adversários como Lando Norris e Daniel Ricciardo (ambos da McLaren) tiveram vantagem sobre o monegasco. Ao mesmo tempo, Sebastian Vettel (Aston Martin) lutava contra pilotos do fim do grid, como o estreante Mick Schumacher (Haas), Nicholas Latifi e George Russell (ambos da Williams). Um dos mais emblemáticos combates do alemão nesta corrida foi contra Tsunoda, no qual o estreante japonês ultrapassou com facilidade o tetracampeão alemão.

Mas quem brilhou no GP do Bahrein foi Pérez. Sua garra e determinação o tiraram rapidamente do fim do grid e o levaram à zona de pontuação em poucos minutos. Duelos com Vettel, Alonso, Stroll e Ricciardo foram impressionantes. Embora não tenha conseguido a vitória (como houve no Grande Prêmio de Sahkir do ano passado), Checo mais uma vez surpreendeu o público, pois seu abandono era dado como certo e mesmo assim conseguiu triunfar sobre pilotos que aparentemente estavam em situações tranquilas.

Alonso foi forçado a abandonar a prova devido a falhas mecânicas. Latifi e Gasly também se retiraram perto do fim da corrida. No fim do grid, Vettel fez mais uma de suas manobras à lá Dick Vigarista e bateu na traseira de Esteban Ocon (Alpine). O incidente foi analisado pelos comissários.

A estratégia adotada foi de dois pit stops. Uma demora para chamar Verstappen para a troca (problema recorrente na Red Bull) deu a liderança da corrida a Hamilton. A Mercedes trocou bem rápido os pneus do piloto inglês, mas o mesmo não ocorreu no segundo pit stop de Bottas, que levou pouco mais de 10 segundos. Nas últimas voltas, Verstappen tirava tudo de seu carro e conseguiu ultrapassar Hamilton, mas se desequilibrou e o britânico retomou a dianteira.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. O Grande Prêmio do Bahrein foi um ótimo começo para a temporada de 2021, com várias ultrapassagens e duelos emocionantes (até mesmo nas últimas voltas). Hamilton e Verstappen confirmam o favoritismo na batalha pelo título. As estreias de Sergio Pérez pela Red Bull e de Yuki Tsunoda na Fórmula 1 foram impressionantes, o mesmo não se pode dizer sobre as de Sebastian Vettel na Aston Martin e de Nikita Mazepin na categoria. Embora Fernando Alonso tenha precisado abandonar, seu desempenho foi elogiável, pois se manteve na zona de pontuação em boa parte da prova.

Carro com problemas? Isso não é nada para o Super Checo.

Opinião da Rebeca:

O GP do Bahrein traz muitas expectativas para a temporada de 2021. A corrida foi emocionante sem tensionar os fãs. A vitória seria merecida tanto se fosse conquistada por Lewis Hamilton quanto por Max Verstappen, pois ambos os pilotos são muito talentosos e sempre garantem bons momentos para os torcedores. Percebe-se um certo equilíbrio de forças entre os dois atletas, embora o carro da Mercedes ainda seja superior ao da Red Bull, veterana em estratégias erradas de pit stop.

Como explicado na análise, a estreia de Sebastian Vettel na Aston Martin foi vergonhosa. Não importa quantas vezes os executivos da escuderia e os fãs do alemão mencionem os quatro títulos vencidos pelo piloto no passado, é preciso admitir que sua conduta no presente é de um piloto barbeiro, impulsivo e não merecedor de qualquer conquista. Parece que a compra de ações da Aston Martin, embora lhe garanta prestígio na equipe, não se traduz em resultados nas pistas. Seu companheiro Lance Stroll se manteve na zona de pontuação, mas continua com seu costume ridículo de entregar posições no final das corridas (como fez para Esteban Ocon no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 e para Yuki Tsunoda na edição de hoje). Desse jeito, não dá para pensar em competir com McLaren e Ferrari, que dirá com Red Bull e Mercedes.

Opinião da Adriana:

Um começo bom para a temporada de 2021. O GP de Bahrain nos ofereceu momentos de boas ultrapassagens e uma corrida movimentada para o pelotão do meio. Espero que esse ano seja mais uma temporada disputada e com alguns resultados inesperados.

Sergio Pérez, mais uma vez, conseguiu entregar uma ótima corrida de recuperação após seu carro apresentar problemas na volta de apresentação. É oficial: podemos eleger Checo como o Rei do Bahrain. Cirúrgico em todas suas ultrapassagens, o mexicano prova que agora tem um carro que faz jus ao seu talento.

A disputa entre Hamilton e Verstappen foi uma das mais interessantes da corrida, provando que o carro da Red Bull é, mais do que nunca, uma grande ameaça à Mercedes. Mesmo com uma disputa acirrada, Hamilton levou a melhor e quebrou mais uma vez o recorde de piloto com mais vitórias na F1. Ter quase 100 vitórias é só pra quem pode. Outro momento marcante foi a disputa de posições entre Alonso e Vettel, mostrando que mesmo estando dois anos longe da F1, Alonso não deixou de ser um piloto arrojado.

Deixo aqui minha agradável surpresa em ver Stroll com uma corrida consistente e cheia de ultrapassagens. Parece que pelo menos uma Aston Martin se deu bem esse fim de semana.

Mesmo com o pódio previsível, essa corrida foi emocionante e com boas performances, dando aos fãs a esperança de que teremos mais uma temporada surpreendente.

Nota: como mencionado no post do The Racing Track Awards nessa temporada, não mencionarei o outro piloto da Haas. Assim, nas notas, apenas avaliarei os outros 19 pilotos. Eu mencionei rapidamente o porquê dessa decisão e a reforço aqui: o russo não demonstra um pingo de respeito pelas mulheres e o escândalo em que se envolveu no ano passado prova isso. Se a Fórmula 1 realmente “corre como um”, o esporte não deveria dar espaço a um “homem” como ele. Por isso, não mencionarei nada sobre ele, mantendo assim, pelo menos, o meu espaço livre dele.

Notas

Corrida: 9 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca e Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Lando Norris: 7,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  5. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  6. Charles Leclerc: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  7. Daniel Ricciardo: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  8. Carlos Sainz Jr: 7 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  9. Yuki Tsunoda: 9 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  10. Lance Stroll: 7 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  12. Antonio Giovinazzi: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  13. Esteban Ocon: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  14. George Russell: 6 (Rebeca e Adriana)
  15. Sebastian Vettel: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  16. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)

Abandonaram

  1. Pierre Gasly: 5 (Rebeca e Adriana)
  2. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  3. Fernando Alonso: 6,5 (Rebeca) | 7 (Adriana – até o abandono)
  4. Nikita Mazepin

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Sebastian Vettel (Rebeca e Adriana)