Análise do Grande Prêmio do Bahrein de 2021 | 2021 Bahrain Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

O Grande Prêmio do Bahrein de 2021 ocorreu no dia 28 de março. A expectativa era alta, e tudo indicava que seria uma corrida cheia de surpresas. Logo na volta de apresentação, Sergio Pérez (Red Bull) teve uma pane elétrica no carro e precisou largar dos boxes. Além disso, foi preciso mais uma volta de apresentação para retirar o carro da pista. No entanto, o mexicano provou mais uma vez que pode surpreender diante de situações adversas.

Max Verstappen (Red Bull) largou da pole position ao lado de Lewis Hamilton (Mercedes). Valtteri Bottas (Mercedes) e Charles Leclerc (Ferrari) completaram a segunda fila. Esta foi a segunda vez que Verstappen consegue a pole em uma corrida no Oriente Médio (a primeira foi no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020). Logo no início, Leclerc ultrapassou Bottas e o estreante Nikita Mazepin (Haas) rodou na pista, chocando-se contra o muro. O safety car foi acionado.

Após a relargada, houve alguns confrontos, como a ultrapassagem de Lance Stroll (Aston Martin) sobre Fernando Alonso (Alpine), a revanche entre Bottas e Leclerc e os avanços do estreante Yuki Tsunoda (AlphaTauri). Seu companheiro de equipe, Pierre Gasly, não teve a mesma sorte. Problemas no carro levaram o francês a amargar nas últimas posições do grid durante toda a corrida.

Embora tenha tido um bom começo de prova, o desempenho de Leclerc caiu muito após o triunfo de Bottas. Adversários como Lando Norris e Daniel Ricciardo (ambos da McLaren) tiveram vantagem sobre o monegasco. Ao mesmo tempo, Sebastian Vettel (Aston Martin) lutava contra pilotos do fim do grid, como o estreante Mick Schumacher (Haas), Nicholas Latifi e George Russell (ambos da Williams). Um dos mais emblemáticos combates do alemão nesta corrida foi contra Tsunoda, no qual o estreante japonês ultrapassou com facilidade o tetracampeão alemão.

Mas quem brilhou no GP do Bahrein foi Pérez. Sua garra e determinação o tiraram rapidamente do fim do grid e o levaram à zona de pontuação em poucos minutos. Duelos com Vettel, Alonso, Stroll e Ricciardo foram impressionantes. Embora não tenha conseguido a vitória (como houve no Grande Prêmio de Sahkir do ano passado), Checo mais uma vez surpreendeu o público, pois seu abandono era dado como certo e mesmo assim conseguiu triunfar sobre pilotos que aparentemente estavam em situações tranquilas.

Alonso foi forçado a abandonar a prova devido a falhas mecânicas. Latifi e Gasly também se retiraram perto do fim da corrida. No fim do grid, Vettel fez mais uma de suas manobras à lá Dick Vigarista e bateu na traseira de Esteban Ocon (Alpine). O incidente foi analisado pelos comissários.

A estratégia adotada foi de dois pit stops. Uma demora para chamar Verstappen para a troca (problema recorrente na Red Bull) deu a liderança da corrida a Hamilton. A Mercedes trocou bem rápido os pneus do piloto inglês, mas o mesmo não ocorreu no segundo pit stop de Bottas, que levou pouco mais de 10 segundos. Nas últimas voltas, Verstappen tirava tudo de seu carro e conseguiu ultrapassar Hamilton, mas se desequilibrou e o britânico retomou a dianteira.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. O Grande Prêmio do Bahrein foi um ótimo começo para a temporada de 2021, com várias ultrapassagens e duelos emocionantes (até mesmo nas últimas voltas). Hamilton e Verstappen confirmam o favoritismo na batalha pelo título. As estreias de Sergio Pérez pela Red Bull e de Yuki Tsunoda na Fórmula 1 foram impressionantes, o mesmo não se pode dizer sobre as de Sebastian Vettel na Aston Martin e de Nikita Mazepin na categoria. Embora Fernando Alonso tenha precisado abandonar, seu desempenho foi elogiável, pois se manteve na zona de pontuação em boa parte da prova.

Carro com problemas? Isso não é nada para o Super Checo.

Opinião da Rebeca:

O GP do Bahrein traz muitas expectativas para a temporada de 2021. A corrida foi emocionante sem tensionar os fãs. A vitória seria merecida tanto se fosse conquistada por Lewis Hamilton quanto por Max Verstappen, pois ambos os pilotos são muito talentosos e sempre garantem bons momentos para os torcedores. Percebe-se um certo equilíbrio de forças entre os dois atletas, embora o carro da Mercedes ainda seja superior ao da Red Bull, veterana em estratégias erradas de pit stop.

Como explicado na análise, a estreia de Sebastian Vettel na Aston Martin foi vergonhosa. Não importa quantas vezes os executivos da escuderia e os fãs do alemão mencionem os quatro títulos vencidos pelo piloto no passado, é preciso admitir que sua conduta no presente é de um piloto barbeiro, impulsivo e não merecedor de qualquer conquista. Parece que a compra de ações da Aston Martin, embora lhe garanta prestígio na equipe, não se traduz em resultados nas pistas. Seu companheiro Lance Stroll se manteve na zona de pontuação, mas continua com seu costume ridículo de entregar posições no final das corridas (como fez para Esteban Ocon no Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2020 e para Yuki Tsunoda na edição de hoje). Desse jeito, não dá para pensar em competir com McLaren e Ferrari, que dirá com Red Bull e Mercedes.

Opinião da Adriana:

Um começo bom para a temporada de 2021. O GP de Bahrain nos ofereceu momentos de boas ultrapassagens e uma corrida movimentada para o pelotão do meio. Espero que esse ano seja mais uma temporada disputada e com alguns resultados inesperados.

Sergio Pérez, mais uma vez, conseguiu entregar uma ótima corrida de recuperação após seu carro apresentar problemas na volta de apresentação. É oficial: podemos eleger Checo como o Rei do Bahrain. Cirúrgico em todas suas ultrapassagens, o mexicano prova que agora tem um carro que faz jus ao seu talento.

A disputa entre Hamilton e Verstappen foi uma das mais interessantes da corrida, provando que o carro da Red Bull é, mais do que nunca, uma grande ameaça à Mercedes. Mesmo com uma disputa acirrada, Hamilton levou a melhor e quebrou mais uma vez o recorde de piloto com mais vitórias na F1. Ter quase 100 vitórias é só pra quem pode. Outro momento marcante foi a disputa de posições entre Alonso e Vettel, mostrando que mesmo estando dois anos longe da F1, Alonso não deixou de ser um piloto arrojado.

Deixo aqui minha agradável surpresa em ver Stroll com uma corrida consistente e cheia de ultrapassagens. Parece que pelo menos uma Aston Martin se deu bem esse fim de semana.

Mesmo com o pódio previsível, essa corrida foi emocionante e com boas performances, dando aos fãs a esperança de que teremos mais uma temporada surpreendente.

Nota: como mencionado no post do The Racing Track Awards nessa temporada, não mencionarei o outro piloto da Haas. Assim, nas notas, apenas avaliarei os outros 19 pilotos. Eu mencionei rapidamente o porquê dessa decisão e a reforço aqui: o russo não demonstra um pingo de respeito pelas mulheres e o escândalo em que se envolveu no ano passado prova isso. Se a Fórmula 1 realmente “corre como um”, o esporte não deveria dar espaço a um “homem” como ele. Por isso, não mencionarei nada sobre ele, mantendo assim, pelo menos, o meu espaço livre dele.

Notas

Corrida: 9 (Rebeca e Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca e Adriana)
  3. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  4. Lando Norris: 7,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  5. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  6. Charles Leclerc: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  7. Daniel Ricciardo: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  8. Carlos Sainz Jr: 7 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  9. Yuki Tsunoda: 9 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  10. Lance Stroll: 7 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  12. Antonio Giovinazzi: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  13. Esteban Ocon: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  14. George Russell: 6 (Rebeca e Adriana)
  15. Sebastian Vettel: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  16. Mick Schumacher: 3 (Rebeca) | 6 (Adriana)

Abandonaram

  1. Pierre Gasly: 5 (Rebeca e Adriana)
  2. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca e Adriana)
  3. Fernando Alonso: 6,5 (Rebeca) | 7 (Adriana – até o abandono)
  4. Nikita Mazepin

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sergio Pérez

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Sebastian Vettel (Rebeca e Adriana)

Racing Point: A Poorly Managed Image

The case of Racing Point’s image management between 2018 and 2020 should be studied by the faculties of Public Relations as much as those of Journalism in Brazil analyzes the Base School case. The reason is the same: it is an example of what an excellent professional should not do.

Successive errors and negligence made the team and its drivers (mainly Lance Stroll) the target of constant attacks and misinformation by the press. There was likely a conflict between the solutions to the image problems and the interests of the team. This article aims to analyze Racing Point’s failures to deal with successive image crises before its transformation into Aston Martin.

(The author of the article has a degree in Broadcasting from Faculdade Cásper Líbero and took courses in Press Office and Crisis Management by the same institution and Senac. Her teachers were Neuza Serra and Aurora Seles.)

 

1- The beginning of Racing Point and the first crisis: the Esteban Ocon Case

 

In 2018, Indian businessman Vijay Mallya faced legal problems in his home country’s justice system, which accused him of fraud and money laundering. His team in Formula One, Force India, declared bankruptcy in July of that year due to successive debts. Amid various speculations about the team’s future (among them that Mexican businessman Carlos Slim, one of Sergio Pérez’s sponsors, would buy it), Canadian Lawrence Stroll, Lance’s father, joined a group of entrepreneurs to set up a consortium and buy Force India. Consequently, the team ran the rest of the 2018 season as Racing Point Force India.

 

Vijay Mallya: Force India’s owner from 2007 to 2018. (Photo: Getty Images) [1]

 

Lance Stroll, until then, ran for Williams, a team marked by severe administrative problems. Team boss Claire Williams and chief engineer Paddy Lowe sought to shift the blame for the team’s poor performance to the drivers, although the reason for this problem lay in the low structure of the car assembled by the engineering department. The press adopted Claire and Lowe’s narrative and attacked Stroll and his teammate Sergey Sirotkin.

Since one of the new owners of Force India was the father of a driver, they speculated that either Sergio Pérez or Esteban Ocon would leave to make way for him. Pérez brought in more sponsorships and got higher scores, making him the most likely choice to stay on the team. On the other hand, Esteban Ocon was a personal friend of Lance Stroll, although the emotional component is not definitive in business decisions. However, they highly omitted that Ocon was already quoted to leave Force India. His then patron Toto Wolff, Mercedes team principal, would have offered him a seat on his team if he hadn’t made it difficult for Lewis Hamilton in a possible dispute for positions at the 2018 Monaco Grand Prix.

(photo)

 

Toto Wolff failed to give Esteban Ocon a seat in 2019, but the driver choose to let the media blame Lance Stroll. (Photo: EsporteNET) [2]

 

According to the American podcaster and communication theorist Ben Shapiro, the facts become irrelevant to the media when it creates a narrative to follow its agenda. In the analysis of the German sociologist and communication theorist Theodor Adorno (1903-1969), the media has a purely market view of its target audience. Reconciling the two theses, we see that it was not enjoyable for the press to divulge the truth: that Esteban Ocon was leaving. It would be more in line with its plan and financial interests to create controversies to sell headlines, even if this would damage Lance Stroll’s reputation.

The Canadian driver’s press officers never learned how to manage his image crisis generated by the media persecution. Many journalists refused to acknowledge their achievements in Formula One, which the category itself considers ‘historic.’ The strategy adopted was to ignore malicious comments from the press and fans. Although this is an excellent plan to maintain emotional control, “silence is never the best answer,” as Professor Neuza Serra said. Stroll’s advisers’ duty was to clarify that he never fit into the ‘pay driver’ profile. One proof is that the Canadian fulfilled all the FIA prerequisites for entering Formula One, like the 40 points in the Superlicence (these are earned and cannot be bought). The other is that he achieved a podium and two records in his debut year by a team that is not very competitive.

 

Lance Stroll’s podium at the 2017 Azerbaijan Grand Prix: the last Williams had. (Foto: FORMULA1) [3]

 

Esteban Ocon took advantage of the controversy to disregard the case. He knew that was Toto Wolff’s fault for his probable exit from Formula One, as he failed to get him a seat on another team (the others viewed the relations between Ocon and Mercedes with suspicion). However, Ocon preferred to let the media blame Force India’s purchase by Lawrence Stroll and his partners. Only after months did the driver speak out against the attacks on Lance Stroll, even though he was not sincere about those responsible for his delicate situation. Maintaining the controversy despite the announcement was an excellent self-promotion strategy for Ocon.

 

Esteban Ocon clarifying the controversy, pero no mucho. (Photo: Instagram) [4]

 

2- The second crisis: the departure of Sergio Pérez and the entry of Sebastian Vettel

 

During 2019, Lance Stroll took longer to adapt to the new car, and consequently, his scores were below those of Sergio Pérez. Soon, some press sectors continued to doubt its capacity, as did Brazilian commentator Reginaldo Leme during the broadcast of the French Grand Prix by Rede Globo. Despite this, it had some impressive results, like the fourth place in Germany.

In 2020 Racing Point started the season as a candidate for ‘top team,’ as both its cars and drivers had an excellent performance. However, the team was accused of copying Mercedes’ brake systems and gaining advantages. Although FIA ordered Racing Point to pay a fine and lose 15 championship points after an investigation, the drivers managed to bring it back to the top. At the time, Lawrence Stroll commented on the case, stressing that he does not usually appear in the press but intends to clarify the situation, proving his team’s integrity.

 

Renault took the leadership of the movement against Racing Point, though its past is not exactly the most ethical in Formula One. [5]

 

They soon forgot this case due to a second image crisis. Again, the media found an opportunity to tarnish Lance Stroll’s reputation by accusing him of influencing Racing Point’s decisions for being the son of one of the owners. After being fired from Ferrari due to a series of wrong choices that cost the team points, Sebastian Vettel was out of options for the 2021 grid. He decided to buy shares in Aston Martin, the company that would own Racing Point the following year, and soon secured his place. The problem was in the disclosure of events: Racing Point, sometimes denied, then confirmed the arrival of Vettel, and there was also inconsistency in the narratives about whether they warned Sergio Pérez or not.

The fact is that Racing Point never mentioned in its releases that Sebastian Vettel was more than a driver but a shareholder. And even big names in the media reporting the fact (like Adam Cooper and Sergio Quintanilha), the press reinvested in insinuating that Sergio Pérez was dismissed because firing Lance Stroll was out of the question. The natural thing for a press relations team would be to clarify two main points in this case: that Stroll is a driver with an excellent start to his career, and because he is young, he can be a good investment in the long run, and that Vettel bought his seat. Instead, both the team’s and Stroll’s advisors preferred to omit what would be crucial to ending the crisis.

 

3- The passivity of Lance Stroll (and his press office)

 

Given the facts listed, it is essential to note that Lance Stroll’s stance in the face of the successive crises through which his image goes is, at least, curious. As stated earlier, the driver and his press office prefer to ignore the insults because they know they are unfounded but end up wasting a good opportunity to reveal the truth to the press and improve his image. Ignoring the crisis is not going to make it go away; it just increases it.

The proof that Lance Stroll does not have privileges at Racing Point (as many in the media suggest) is that there is no complaint from him or his family on the constant fails of his strategists who persistently fail to plan for the races. It happens mainly at pit stops, as in the Turkish Grand Prix, where Stroll started from pole position. And his staff could use a handy resource to silence these rumors permanently.

 

Though the strategists are constantly failing, neither Lance Stroll nor his family complains about it. This is just one from the many proofs that Lance is not receiving privileges in the team. [6]

 

As evidenced in “Formula One in Brazil: An analysis of the television broadcasting in the country,” those who criticize the wealth of Lance Stroll, an indigenous and Jewish driver, and do not do the same with white drivers with fewer achievements, are racist. The same goes for those who criticized Lawrence Stroll’s investments in Force India and did not do the same with Sebastian Vettel’s investments in Aston Martin. In its marketing view, the press pretends to be a supporter of the fight against social inequalities, and – as stated by Ben Shapiro – it invests in the class struggle discourse to engage its target audience. But it is very suspicious that the convict in this narrative is precisely a Jewish-Amerindian driver, a member of ethnic minorities, and involved in social causes.

By this logic, what would apparently be a narrative case of promoting a class struggle (between the driver “lucky to be rich” and the fans “without the same luck”) turns out to be a reactionary discourse that reinforces a system of oppression of minorities, because it denies the athlete of historically persecuted ethnic groups (Jews and Amerindians) the right to fortune while allowing those belonging to the dominant group (white Europeans).

(Translated from Portuguese to English from “Formula One in Brazil: An analysis of the television broadcasting in the country”, p. 120-121)

 

Therefore, it is strange that Lance Stroll’s advisers do not point out the racist character in the media attacks on the driver. If it did, the press would be forced to report, and journalists, fearing that they would be labeled as ‘racist’ by public opinion, would change the discourse. Also suspicious is that Stroll still considers Esteban Ocon his friend, even when he used the Canadian driver’s image crisis to promote himself instead of helping him.

 

As Robin would say, “Holy Naivety, Batman!” [7]

 

Also, Sebastian Vettel’s entry into Aston Martin caused a suspicious attitude in Lawrence Stroll himself, whose position is inconsistent with reality and puts his own son’s reputation in check. The businessman blamed Vettel’s dismissal from Ferrari before the beginning of the 2020 season for the German’s poor performance that year. He ignores the fact that this ‘bad phase’ had already occurred in recent years due to Vettel’s “individual mistakes,” leading him to be fired, as reported by journalist and former driver Martin Brundle). He also blamed the Ferrari car for the driver’s misfortune, ignoring that Vettel’s situation is quite different from that of Lance Stroll and Sergey Sirotkin at Williams in 2018 (both drivers had difficulties on the track due to the car). Charles Leclerc’s performance in 2020, far above Vettel’s, proves that, although it has an impact, the Ferrari car was not the main factor for the German’s underperforming performance. Finally, in trusting that Vettel will benefit the team for having been a four-time champion with Red Bull between 2010 and 2013, the businessman resorts to the fallacy argumentum ad antiquitatem (appeal to tradition or the past), presenting the future as a continuity of the past distant, ignoring the changes that have occurred in the present. However, Mercedes also did not have a four-time champion in 2014, when their team was composed of Lewis Hamilton and Nico Rosberg, and won all championships from that year. Lawrence Stroll himself does not mention Vettel’s purchase of shares, as if he also wanted to hide this fact so that the German is not remembered as a ‘seat buyer’ (using his past to help with the disclosure strategy). Consequently, as for lack of science or consent, he allows the media to continue distorting his son Lance’s image to satisfy his marketing goals.

 

4- Conclusion

 

Racing Point’s press office has consistently failed to protect its drivers, especially Lance Stroll, from the media’s unreasonable and sensationalist attacks. And even if it means that Stroll does not have privileges on his team, the press prefers to ignore the facts to obtain financial advantages through controversies.

Sometimes, companies end up allowing specific image crises to hide their real interests. In the case of Racing Point, it is evident that Sebastian Vettel did not want to be remembered as ‘the driver who had to buy his seat because, despite his glorious past, his present was a disaster.’ Therefore, the team omitted information that would be essential to save Lance Stroll’s reputation. Consequently, it is clear that if there is a privileged person at Racing Point (now Aston Martin), that someone is Vettel. The passivity of the Canadian driver and his press office is a clear example of how not to face an image crisis caused by the media.

 

They are doing a great job in engineering. They only need to improve in press office. [8]

 

5- Bibliography

To better understand the sources, the bibliography was divided into sections according to the information presented in the article.

 

1- The creation of Racing Point

 

2- The Esteban Ocon Case

 

3- The Williams Case

3.1 Claire Williams and Paddy Lowe blaiming the drivers for the team’s problems (from 2017 to 2018)

3.2 The real causes for the problems

 

4- Reginaldo Leme’s comment

  • REDE GLOBO. Transmissão do Grande Prêmio da França de 2019. Available on: <https://globoplay.globo.com/v/7713539/>. Accessed o 12 Mar. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 83, footnote 221).

 

5- Lance Stroll’s deeds in Formula One

 

6- Philanthropic actions and social causes defended by Lance Stroll

  • MONTREAL CHILDREN’S HOSPITAL. F1 race car driver Lance Stroll visits patients at the Children’s. Montreal Children’s Hospital. Montreal, Canada, 07 Jun. 2017. Available on: <https://www.thechildren.com/news-and-events/latest-news/f1-race-car-driver-lance-stroll-visits-patients-childrens>. Accessed on 12 Aug. 2020. Apud. ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 119).
  • COMUNICAFFE. BWT Racing Point F1 Team will build a well in Gambia for every top ten finish in 2020. Comunicaffe. Milão, Itália, 31 jul. 2020. Available on: <https://www.comunicaffe.com/bwt-racing-point-f1-team-will-build-a-well-in-gambia-for-every-top-ten-finish-in-2020/>. Accessed on 12 Aug. 2020. Apud. ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 119).
  • LOS ANGELES FIRE DEPARTMENT FOUNDATION. Lance Supports the LADF. Los Angeles Fire Department Foundation. Available on: <https://supportlafd.org/donate/lance-stroll.html>. Accessed on 25 Aug. 2020. Apud. ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 119).
  • ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 119, footnote 309, and pages 169 and 174-177). (Actions against racism and cyberbullying).

 

7- The brakes’ scandall

 

8- “Individual mistakes” led Sebastian Vettel to be fired from Ferrari (Martin Brundle’s testimony)

 

9- Sebastian Vettel buys shares from Aston Martin

 

10- Discrepancy of narratives about Sergio Pérez’s situation

 

11- Lawrence Stroll’s fallacious testimony in favor of Sebastian Vettel

 

12- The impact of the car on the drivers’ performance

  • MATSUBARA, Vitor. Como funciona um carro de Fórmula 1? Papo de Homem. 08 Nov. 2013. Available on: <https://papodehomem.com.br/como-funciona-um-carro-de-formula-1/>. Accessed on 25 Oct. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Page 121).

 

12- Theoretical basis

  • SHAPIRO, Ben. Bullies. 1. ed. New York, United States. Threshold Editions, 2013. 325 p.
  • COHN, Gabriel. Escola de Frankfurt. In. CITELLI, Adilson et al. Dicionário de Comunicação: escolas, teorias e autores. 1. ed. São Paulo. Contexto, 2014. 557 p.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 Apr. 2011. Available on: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Accessed on 12 Jan. 2021.
  • ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Tutor: Renato Tavares Júnior. 2020. Undergraduate thesis (graduation in Broadcasting) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Chapters 3 and 4, pages 53-123).

 

6- Photos

Note: None of the photos used in this article, except the montages, belongs to me. This site has informative intentions, not commercial. The links where I took the photos are indicated below. All copyrights reserved.

 

Racing Point: Uma Imagem Mal Gerida

O caso da gestão de imagem da Racing Point entre 2018 e 2020 deveria ser estudado pelas faculdades de Relações Públicas tanto quanto o caso da Escola Base é abordado nas de Jornalismo. O motivo é o mesmo: trata-se de um exemplo do que um bom profissional definitivamente não deve fazer.

Sucessivos erros e negligências tornaram a equipe e seus pilotos (principalmente Lance Stroll) alvos de constantes ataques e desinformações por parte da imprensa. É provável que houvesse um conflito entre as soluções para os problemas de imagem e os interesses da escuderia. Esta matéria tem por objetivo analisar as falhas da Racing Point em lidar com as sucessivas crises de imagem antes de sua transformação em Aston Martin.

 

(A autora da matéria é formada em Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero, e fez cursos de Assessoria de Imprensa e Gerenciamento de Crise pela mesma instituição e pelo Senac. Suas professoras foram Neuza Serra e Aurora Seles.)

 

1- O início da Racing Point e a primeira crise: o Caso Esteban Ocon

 

Em 2018, o empresário indiano Vijay Mallya enfrentou problemas judiciais na justiça de seu país natal, que o acusava de fraude e lavagem de dinheiro. Somado a isso, sua escuderia na Fórmula 1, a Force India, decretou falência em julho daquele ano devido ao acúmulo de dívidas. Em meio às várias especulações sobre o futuro do time (entre elas a de que seria comprado pelo empresário mexicano Carlos Slim, um dos patrocinadores de Sergio Pérez), o canadense Lawrence Stroll, pai de Lance, se juntou a um grupo de empresários para montar um consórcio e comprar a Force India. Consequentemente, a escuderia correu o resto da temporada de 2018 sob o nome de Racing Point Force India.

 

Vijay Mallya: dono da Force India de 2007 a 2018. (Foto: Getty Images) [1]

 

Lance Stroll até então corria pela Williams, uma equipe marcada por sérios problemas administrativos. A chefe de equipe, Claire Williams, e o engenheiro-chefe, Paddy Lowe, buscavam transferir a culpa do mau desempenho do time aos pilotos, embora o motivo deste problema estivesse na estrutura precária do carro montado pelo departamento de engenharia. A imprensa adotou a narrativa de Claire e Lowe e passou a atacar Stroll e seu companheiro de equipe Sergey Sirotkin.

Devido ao fato de um dos novos donos da Force India ser pai de um piloto, especulou-se de que ou Sergio Pérez ou Esteban Ocon sairia para dar lugar a ele. Pérez trazia mais patrocínios e conseguia pontuações mais altas, tornando-o a escolha mais provável para continuar na equipe. Por outro lado, Esteban Ocon era amigo pessoal de Lance Stroll, embora o componente emocional não seja definitivo em decisões de negócios. No entanto, o que pouco se falou foi que Ocon já era cotado para deixar a Force India, pois seu então padrinho Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, teria lhe oferecido uma vaga em seu time se não dificultasse para Lewis Hamilton em uma possível disputa por posições no Grande Prêmio de Mônaco de 2018.

 

Toto Wolff falhou em arranjar um assento a Esteban Ocon 2019, mas o piloto preferiu deixar a mídia culpar Lance Stroll. (Photo: EsporteNET) [2]

 

Segundo o radialista e teórico da comunicação americano Ben Shapiro, os fatos tornam-se irrelevantes para a mídia quando esta cria uma narrativa para seguir sua agenda. Na análise do sociólogo e teórico da comunicação alemão Theodor Adorno (1903-1969), a mídia tem uma visão puramente mercadológica de seu público-alvo. Conciliando as duas teses, vemos que não era interessante para a imprensa divulgar a verdade (de que Esteban Ocon estava de partida), pois atenderia mais à sua agenda e a seus interesses financeiros criar polêmicas para vender manchetes, mesmo que isso prejudicasse a reputação de Lance Stroll.

A equipe de assessoria de imprensa do canadense nunca conseguiu administrar bem a crise de imagem gerada pela perseguição midiática. Muitos jornalistas se recusavam a reconhecer seus feitos na Fórmula 1, que a própria categoria considera “históricos”. A estratégia adotada era de simplesmente ignorar comentários maldosos da imprensa e dos torcedores. Embora isso seja um bom plano para manter o controle emocional, “o silêncio nunca é a melhor resposta”, como dizia a professora Neuza Serra. Era dever dos assessores de Stroll deixar bem claro que o mesmo nunca se enquadrou no perfil de “piloto pagante”, pois cumpriu todos os pré-requisitos da FIA para o ingresso na Fórmula 1 (como os 40 pontos na Superlicença, que são obtidos, nunca comprados) e conseguiu um pódio e dois recordes em seu ano de estreia, por uma equipe pouco competitiva.

 

Pódio de Lance Stroll no Grande Prêmio do Azerbaijão: o último da Williams. (Foto: FORMULA1) [3]

 

Esteban Ocon se aproveitou da polêmica para se omitir sobre o caso. Mesmo sabendo que a culpa de sua provável saída da Fórmula 1 era da falha de Toto Wolff em lhe arrumar um assento em outra equipe (já que as outras escuderias viam com desconfiança as relações entre Ocon e Mercedes), ele preferiu deixar a mídia culpar a compra da Force India por Lawrence Stroll e seus sócios. Só depois de meses que o piloto se pronunciou contra os ataques a Lance Stroll, mesmo não sendo sincero sobre os responsáveis por sua situação delicada. Manter a polêmica apesar do pronunciamento foi uma ótima estratégia de autopromoção para Ocon.

 

Esteban Ocon esclarecendo a polêmica, pero no mucho. (Foto: Instagram) [4]

 

2- A segunda crise: a saída de Sergio Pérez e o ingresso de Sebastian Vettel

 

Durante o ano de 2019, Lance Stroll levou mais tempo para se adaptar ao novo carro, e consequentemente suas pontuações estavam abaixo das de Sergio Pérez. Logo, alguns setores da imprensa continuavam a duvidar de sua capacidade, como foi o caso do comentarista Reginaldo Leme durante a transmissão do Grande Prêmio da França pela Rede Globo. Apesar disso, teve alguns resultados impressionantes, como o quarto lugar na Alemanha.

Em 2020 a Racing Point começou a temporada como uma candidata a “equipe de ponta”, com um ótimo desempenho dos carros e pilotos. Entretanto, o time foi acusado de copiar os sistemas de freios da Mercedes e, com isso, ganhar vantagens. Apesar da equipe ter sido condenada a pagar uma multa e perder 15 pontos no campeonato depois de uma investigação, os pilotos conseguiram trazê-la de volta ao topo. Na época, Lawrence Stroll se pronunciou sobre o caso, ressaltando que não costuma aparecer na imprensa, mas que pretende esclarecer a situação, provando a integridade de sua escuderia.

 

 

A Renault liderou o movimento contra a Racing Point, embora seu passado não seja exatamente o mais ético na Fórmula 1. [5]

 

O caso logo foi esquecido com uma segunda crise de imagem: novamente, a mídia encontrou uma oportunidade de manchar a reputação de Lance Stroll em acusá-lo de ter influência sobre as decisões da Racing Point por ser filho de um dos donos. Após ser demitido da Ferrari, devido a uma série de decisões erradas que custaram pontos à equipe, Sebastian Vettel estava sem opções para o grid de 2021. Decidiu comprar ações da Aston Martin, empresa que seria a dona da Racing Point no ano seguinte, e logo garantiu sua vaga. O problema estava na divulgação dos acontecimentos: a Racing Point ora negava, ora confirmava a vinda de Vettel, e também havia inconstância nas narrativas sobre se Sergio Pérez havia sido avisado ou não.

O fato é que a Racing Point jamais abordou em seus releases que Sebastian Vettel era mais do que um piloto, mas sim um acionista. E mesmo grandes nomes da mídia noticiando o fato (como Sergio Quintanilha e Adam Cooper), a imprensa investiu novamente em insinuar que Sergio Pérez foi dispensado porque demitir Lance Stroll estava fora de cogitação. O natural de uma equipe de assessoria de imprensa seria justamente esclarecer dois pontos primordiais neste caso: o de que Stroll é um piloto com um bom começo de carreira, e por ser jovem pode ser um bom investimento a longo prazo, e que Vettel comprou seu assento. Em vez disso, tanto a assessoria da equipe quanto a de Stroll preferiram omitir o que seria crucial para encerrar a crise.

 

3- A passividade de Lance Stroll (e de sua assessoria de imprensa)

 

Diante dos fatos elencados, também não se deve ignorar que a postura de Lance Stroll diante das sucessivas crises pelas quais passa sua imagem é no mínimo curiosa. Como dito anteriormente, o piloto e sua assessoria de imprensa preferem ignorar os insultos porque sabem que estes não possuem fundamento, mas acabam desperdiçando uma boa oportunidade de revelar a verdade à imprensa e melhorar sua imagem. Ignorar a crise não vai fazê-la sumir, só a faz aumentar.

A prova de que Lance Stroll não possui privilégios na Racing Point (como muitos da mídia insinuam) é que seus estrategistas falham constantemente nos planos para as corridas (principalmente nos pit stops, como no Grande Prêmio da Turquia, de onde Stroll largou da pole position), e não há nenhuma queixa do piloto ou de sua família quanto a isto. E sua assessoria poderia usar um recurso muito útil para silenciar por definitivo esses boatos.

 

Embora os estrategistas estejam falhando constantemente, nem Lance Stroll nem sua família reclama disso. Esta é apenas uma das muitas provas de que Lance não está recebendo privilégios na equipe. [6]

 

Como comprovado em “A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país”, aqueles que criticam a fortuna de Lance Stroll, um piloto indígena e judeu, e não fazem o mesmo com pilotos brancos com menos feitos, são racistas. O mesmo vale para aqueles que criticaram os investimentos de Lawrence Stroll na Force India e não fizeram o mesmo com os de Sebastian Vettel na Aston Martin. A imprensa, em sua visão mercadológica, se passa por apoiadora da luta contra as desigualdades sociais, e como afirmado por Ben Shapiro, investe no discurso da luta de classes para engajar seu público-alvo. Mas é muito suspeito que o condenado nessa narrativa seja justamente um piloto indígena e judeu, membro de minorias étnicas e engajado em causas sociais.

Por esta lógica, o que aparentemente seria um caso de narrativa de promover uma luta de classes (entre o piloto “sortudo por ser rico” e os torcedores “sem a mesma sorte”) acaba por se revelar um discurso reacionário que reforça um sistema de opressão de minorias, pois nega o direito de fortuna ao atleta de etnias historicamente perseguidas (judeus e indígenas) ao mesmo tempo que permite ao que pertence ao grupo dominante (europeus brancos).

(“A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país”, p. 120-121)

 

Portanto, é estranho que a assessoria de Lance Stroll não aponte o caráter racista nos ataques da mídia ao piloto. Se assim fizesse, a imprensa seria obrigada a noticiar, e os jornalistas, temendo serem taxados como “racistas” pela opinião pública, mudariam o discurso. Também suspeito é o fato de Stroll ainda considerar Esteban Ocon seu amigo, mesmo quando este usou uma crise da imagem do canadense para se autopromover em vez de ajudá-lo.

 

Como diria o Robin, “Santa Ingenuidade, Batman!” [7]

 

Além disso, o ingresso de Sebastian Vettel na Aston Martin provocou uma atitude suspeita no próprio Lawrence Stroll, cujo posicionamento não condiz com a realidade e coloca em xeque a reputação do próprio filho. O empresário culpou a demissão de Vettel da Ferrari antes do início da temporada de 2020 pelo mau desempenho do alemão naquele ano (ignorando que essa “má fase” já ocorria nos últimos anos devido a “erros individuais” de Vettel, levando-o a ser demitido, como relatou o jornalista e ex-piloto Martin Brundle). Também responsabilizou o carro da Ferrari pelo infortúnio do piloto, ignorando que, diferente do que houve com seu filho e Sergey Sirotkin na Williams em 2018 (no qual ambos os pilotos tinham dificuldades nas pistas devido ao carro), o desempenho de Charles Leclerc em 2020 muito acima do de Vettel prova que, embora tenha um impacto, o carro da Ferrari não foi o fator principal pelo rendimento abaixo do esperado do alemão. Por fim, ao confiar que Vettel trará benefícios à equipe por ter sido tetracampeão com a Red Bull entre 2010 e 2013, o empresário recorre à falácia argumentum ad antiquitatem (apelo à tradição ou ao passado), apresentando o futuro como uma continuidade de um passado distante, ignorando as mudanças que ocorreram no presente. Ora, a Mercedes também não tinha um tetracampeão em 2014, quando sua equipe era composta por Lewis Hamilton e Nico Rosberg, e venceu todos os campeonatos a partir daquele ano. O próprio Lawrence Stroll não menciona a compra de ações de Vettel, como se quisesse também esconder esse fato para que o alemão não seja lembrado como “comprador de vaga” (recorrendo a seu passado para ajudar na estratégia de divulgação), e consequentemente, por falta de ciência ou por consentimento, permite que a mídia continue distorcendo a imagem de seu filho Lance para satisfazer seus objetivos mercadológicos.

 

4- Conclusão

 

A assessoria de imprensa da Racing Point falhou constantemente em proteger seus pilotos, principalmente Lance Stroll, de ataques descabidos e sensacionalistas por parte da mídia. E mesmo que isso signifique que Stroll não possui privilégios em sua equipe, a imprensa prefere ignorar os fatos para obter vantagens financeiras através de polêmicas.

Às vezes, as empresas acabam por permitir certas crises de imagem para esconder seus reais interesses. No caso da Racing Point, era óbvio que Sebastian Vettel não queria ser lembrado como “o piloto que precisou comprar sua vaga porque, apesar de seu passado glorioso, seu presente estava um desastre”. Logo, a equipe omitiu uma informação que seria essencial para salvar a reputação de Lance Stroll. Percebe-se, portanto, que se há um privilegiado na Racing Point (atual Aston Martin), esse alguém é Vettel. A passividade do piloto canadense e de sua assessoria de imprensa é um exemplo claro de como não encarar uma crise de imagem causada pela mídia.

 

Estão fazendo um ótimo trabalho na engenharia. Só falta melhorar na assessoria de imprensa. [8]

 

5- Bibliografia

Para melhor compreensão das fontes, a bibliografia foi dividida em seções de acordo com as informações apresentadas na matéria.

 

1- Criação da Racing Point

 

2- Caso Esteban Ocon

 

3- Caso Williams

3.1 Claire Williams e Paddy Lowe responsabilizando os pilotos pelos problemas da escuderia (de 2017 a 2018)

3.2 Reais causas dos problemas

 

4- Comentário de Reginaldo Leme

  • REDE GLOBO. Transmissão do Grande Prêmio da França de 2019. Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/7713539/>. Acesso em 12 mar. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 83, nota de rodapé 221).

 

5- Feitos de Lance Stroll na Fórmula 1

 

6- Ações filantrópicas e causas sociais defendidas por Lance Stroll

  • MONTREAL CHILDREN’S HOSPITAL. F1 race car driver Lance Stroll visits patients at the Children’s. Montreal Children’s Hospital. Montreal, Canadá, 07 jun. 2017. Disponível em: <https://www.thechildren.com/news-and-events/latest-news/f1-race-car-driver-lance-stroll-visits-patients-childrens>. Acesso em 12 ago. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 119)
  • COMUNICAFFE. BWT Racing Point F1 Team will build a well in Gambia for every top ten finish in 2020. Comunicaffe. Milão, Itália, 31 jul. 2020. Disponível em: <https://www.comunicaffe.com/bwt-racing-point-f1-team-will-build-a-well-in-gambia-for-every-top-ten-finish-in-2020/>. Acesso em 12 ago. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 119).
  • LOS ANGELES FIRE DEPARTMENT FOUNDATION. Lance Supports the LADF. Los Angeles Fire Department Foundation. Disponível em: <https://supportlafd.org/donate/lance-stroll.html>. Acesso em 25 ago. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 119).
  • ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 119, nota de rodapé 309, e páginas 169 e 174-177). (Ações contra o racismo e cyberbullying).

 

7- Escândalo dos freios

 

8- “Erros individuais” levaram Sebastian Vettel a ser demitido pela Ferrari (depoimento de Martin Brundle)

 

9- Sebastian Vettel compra ações da Aston Martin

 

10- Discrepância de narrativas sobre a situação de Sergio Pérez

 

11- Depoimento falacioso de Lawrence Stroll em favor de Sebastian Vettel

 

12- Impacto do carro no desempenho dos pilotos

  • MATSUBARA, Vitor. Como funciona um carro de Fórmula 1? Papo de Homem. 08 nov. 2013. Disponível em: <https://papodehomem.com.br/como-funciona-um-carro-de-formula-1/>. Acesso em 25 out. 2020. Apud ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Página 121).

 

12- Embasamento teórico

  • SHAPIRO, Ben. Bullies. 1. ed. Nova York, Estados Unidos. Threshold Editions, 2013. 325 p.
  • COHN, Gabriel. Escola de Frankfurt. In. CITELLI, Adilson et al. Dicionário de Comunicação: escolas, teorias e autores. 1. ed. São Paulo. Contexto, 2014. 557 p.
  • GUINDANI, Joel Felipe; SILVA, Éderson. O sensacionalismo é a alma do negócio. Observatório da Imprensa. 12 abr. 2011. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o-sensacionalismo-e-a-alma-do-negocio/>. Acesso em 12 jan. 2021.
  • ALVES, Rebeca Pinheiro Rodrigues. A Fórmula 1 no Brasil: Uma análise sobre a transmissão televisiva no país. Orientador: Renato Tavares Júnior. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Rádio, TV e Internet) – Faculdade Cásper Líbero, São Paulo, 2020. (Capítulos 3 e 4, páginas 53-123).

 

6- Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto as montages, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

 

The Racing Track Awards 2020 – Premiação

Por Adriana Perantoni e Rebeca Pinheiro

 

Antes de divulgar os resultados, nós queríamos agradecer a todos que votaram, tanto nas enquetes no Instagram como no Google Forms. Foram cerca de 400 votos no total e ficamos muito felizes em ver a participação e interação com a premiação. Obrigada mesmo! ❤️ 

Um agradecimento especial aos leitores Henrique Meyer Pinheiro e Helena Silva, por terem votado e compartilhado a premiação com todos os conhecidos. ❤️ 

E agora, vamos aos vencedores!

 

CATEGORIA BOCA DE FOGO

VENCEDOR: LANDO NORRIS (69,65%) 

 

Escolha das autoras:

Nesta categoria, houve um empate entre as autoras. Os dois pilotos mostraram em situações diferentes – Verstappen no lamentável episódio no GP de Portugal e logo após o acidente de Grosjean no GP de Bahrein e Norris pela recorrência de declarações um tanto mal educadas (inclusive com sua própria equipe) -, que merecem o prêmio e por isso, decidimos considerar um empate (no nosso ponto de vista).

 

Essa só quem assistiu Êta Mundo Bom vai entender.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Lando Norris (94,3%) | Max Verstappen (5,7%) 

INSTAGRAM: Lando Norris (45%) | Max Verstappen (55%)

MÉDIA GERAL: Lando Norris (69,65%) | Max Verstappen (30,35%) 

 

CATEGORIA DICK VIGARISTA

VENCEDOR: Charles Leclerc (59,80%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: A escolha entre Charles Leclerc e Daniil Kvyat foi bem difícil. Embora o russo tenha fama de barbeiro (inclusive recebendo o apelido de “torpedo”), o monegasco não ficou muito atrás em 2020. O diferencial entre ambos foi a postura diante dos acidentes. Leclerc agiu com muita arrogância ao se recusar a pedir desculpas aos pilotos que prejudicou (Lance Stroll na Rússia e Sergio Pérez em Sakhir). Por isso, creio que ele mereceu não só o meu voto, como a vitória nesta categoria.

Adriana: nessa categoria, eu escolhi o Charles. Para mim, o ápice dele foi na colisão em Sakhir, onde ele tentou se fazer de desentendido mas não tinha como negar ou esconder sua culpa nesse acidente. O monegasco tem talento mas ainda é muito afobado em suas atitudes, então na minha opinião, mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Charles Leclerc (61,60%) | Daniil Kvyat (38,40%) 

INSTAGRAM: Charles Leclerc (58%) | Daniil Kvyat (42%)

MÉDIA GERAL: Charles Leclerc (59,80%) | Daniil Kvyat (40,20%) 

 

CATEGORIA VITÓRIA INESPERADA

VENCEDOR: Pierre Gasly (51,40%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Outra categoria difícil de escolher um vencedor. Mas, sem querer desmerecer a vitória de Pierre Gasly, creio que a de Sergio Pérez foi mais impressionante. O mexicano havia sofrido um acidente logo no começo do Grande Prêmio do Sakhir, sendo forçado a fazer um pit stop prematuro. Tudo levava a crer que Checo sairia derrotado, mas ele persistiu e superou cada adversário para terminar a corrida com uma belíssima vitória. Gasly também teve um ótimo desempenho na Itália, guiando um carro de uma equipe considerada não suficientemente competitiva até o primeiro lugar do pódio, resistindo aos ataques constantes de Carlos Sainz Jr. Por este motivo, mesmo minha escolha sendo Pérez, acho que Gasly mereceu o prêmio.

Adriana: com toda a certeza, a vitória mais inesperada para mim foi a de Checo em Sakhir. Ele conseguiu sua primeira vitória do último lugar (graças ao “Dick Vigarista”) e quebrou um jejum de 50 anos desde a última vitória mexicana. A reviravolta dessa corrida, junto com a possibilidade do mexicano não ter uma vaga em 2021 (o que finalmente foi descartada com a sua contratação pela Red Bull) e a emoção do mexicano (latinos são todos chorões, não é mesmo?) foram o combo perfeito para tornar essa vitória emocionante do jeito que foi.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Pierre Gasly (44,80%) | Sergio Pérez (55,20%) 

INSTAGRAM: Pierre Gasly (58%) | Sergio Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Pierre Gasly (51,40%) | Sergio Pérez (48,60%)

 

CATEGORIA SURPRESA DA TEMPORADA

VENCEDOR: Desempenho de Gasly (73,95%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na minha análise sobre a categoria “Vitória Inesperada”, Gasly foi um grande destaque no Grande Prêmio da Itália, vencendo com uma AlphaTauri uma corrida difícil, com vários acidentes e imprevistos. Particularmente, acho que a conduta antidesportiva da Renault durante o ano me impede de fazer elogios a seu desempenho (falo da equipe, pois seus pilotos são outro assunto). Daniel Ricciardo definitivamente mereceu seus pódios (o mesmo não posso dizer sobre seu companheiro, minha opinião). Gasly, por outro lado, renasceu das cinzas como uma fênix. Ano passado seu trabalho na Red Bull desagradou a muitos (inclusive essa que vos fala), mas 2020 lhe trouxe merecidos triunfos. E por isso meu voto foi para ele.

Adriana: para mim, os três pódios da Renault foram a surpresa da temporada. A evolução da equipe francesa foi visível e após tantos quase (pelo menos, com Ricciardo), os três pódios mostraram que a Renault era capaz de um bom desenvolvimento do carro, diferente da péssima temporada de 2019. Os pódios foram uma ótima despedida para Ricciardo e Cyril Abiteboul, que não seguirá como chefe de equipe na Alpine, a nova era da Renault na Fórmula 1.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Desempenho de Gasly (80,90%) | Pódios da Renault (19,10%) 

INSTAGRAM: Desempenho de Gasly (67%) | Pódios da Renault (33%) 

MÉDIA GERAL: Desempenho de Gasly (73,95%) | Pódios da Renault (26,05%) 

 

CATEGORIA MOMENTO EMOCIONANTE

VENCEDOR: Resgate de Grosjean no Bahrain (89,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Quando vi o acidente de Romain Grosjean no Grande Prêmio do Bahrein, fiquei muito assustada. Já cogitava a hipótese de o piloto ter se acidentado gravemente. Graças a Deus tudo ficou bem. Sem contar que este momento relembrou a importância do halo (para o caso de haver mais pessoas como Nico Hülkenberg, que priorizam a beleza em vez da segurança). Por isso, meu voto foi para o resgate de Grosjean.

Adriana: Escolhi o heptacampeonato de Hamilton como o momento mais emocionante dessa temporada. Tanto pelo significado do único piloto negro na maior categoria de automobilismo do mundo e por sua representatividade a tantas pessoas que podem se identificar com sua luta e valores. Ver a história sendo feita nessa temporada atípica foi sensacional e ver a emoção de Hamilton ao sair do carro foi indescritível e com certeza, me lembrarei desse evento por muito tempo.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Resgate de Grosjean (87,10%) | Heptacampeonato de Hamilton (12,90%) 

INSTAGRAM: Resgate de Grosjean (92%) | Heptacampeonato de Hamilton (8%)

MÉDIA GERAL: Resgate de Grosjean (89,50%) | Heptacampeonato de Hamilton (10,45%)

 

CATEGORIA GAFE DO ANO

VENCEDOR: Estratégias da Racing Point (57,10%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca:

Uma categoria também bem difícil. A Racing Point fez um ótimo trabalho na engenharia de seus carros e no preparo de seus pilotos, mas os estrategistas foram verdadeiros jumentos em algumas corridas, como o Grande Prêmio da Turquia. A falha no carro de Lance Stroll poderia muito bem ser evitada se a equipe fizesse uma boa vistoria no carro. Creio que, se era inevitável que tanto Stroll quanto Sergio Pérez fossem ultrapassados por Lewis Hamilton (que vinha em alta velocidade), seria melhor deixar o canadense na pista e perder apenas uma posição. Pelo menos haveria um pódio duplo da Racing Point. Em vez disso, o chamaram para uma troca de pneus desnecessária, e a redução da velocidade (devido ao pit stop) somada ao problema na asa dianteira fez com que ele perdesse muitas posições. Ao ver essa trapalhada da equipe, que sempre tem uma desculpa na ponta da língua para enrolar a mídia e os fãs (em vez de contar a verdade: que os estrategistas são incompetentes), me pareceu que o time queria sabotar Stroll de propósito só para os haters pararem de acusar a equipe de favorecê-lo (uma acusação infundada, como você pode ver no artigo de Ricardo Hernandes Meyer). Vou considerar que foi só uma incompetência mesmo, pois seria muita burrice de uma escuderia se autosabotar só para conseguir uma trégua com pessoas infantis que nunca vão mudar seu discurso. Por isso, meu voto foi para as estratégias da Racing Point, embora o pit stop da Mercedes em Sakhir tenha sido vergonhoso, e um ótimo concorrente ao título.

 

 

Adriana: Para mim, a maior gafe foi, sem dúvidas, o pitstop da Mercedes em Sakhir. Eu li em algum lugar que a Mercedes só funciona certinho quando o Lewis está por perto (mas o GP da Alemanha de 2019 tá aí para provar o contrário) e eu acho que essa teoria da conspiração pode até ter um pouco de verdade. 

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Estratégias da Racing Point (89,20%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (10,80%) 

INSTAGRAM: Estratégias da Racing Point (25%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (75%)

MÉDIA GERAL: Estratégias da Racing Point (57,10%) | Pitstop da Mercedes em Sakhir (42,90%)

 

CATEGORIA FOFOCA DO ANO  

VENCEDOR: Demissão do Pérez (65,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu particularmente não soube do lance entre Max Verstappen e Kelly Piquet até a Adriana me contar. Só por este motivo, meu voto foi para a demissão de Sergio Pérez, que foi acompanhada de uma inconstância na narrativa da Racing Point, como já foi muito discutido aqui no site The Racing Track.

Adriana: Essa é para as fofoqueiras de plantão. Quem acompanhou os posts do novo casal do momento sabe que essa fofoca estava cheia de viradas e easter eggs, então sem dúvidas, eu escolhi a vida amorosa de Max. Até o casal se assumir, os pombinhos trocaram emojis, frases de efeito nos comentários e até teve foto vazada dos dois por aí. Leo Dias chorou com o poder de CSI das fãs de F1 naquele dia.

 

Escolha do público

GOOGLE FORMS: Vida Amorosa de Verstappen (10,30%) | Demissão de Pérez (89,70%) 

INSTAGRAM: Vida Amorosa de Verstappen (58%) | Demissão de Pérez (42%)

MÉDIA GERAL: Vida Amorosa de Verstappen (34,15%) | Demissão de Pérez (65,85%)

 

CATEGORIA ERRRROU

VENCEDOR: Sebastian Vettel (77,05%)

 

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sebastian Vettel mais uma vez cometeu erros grosseiros durante o ano. Ele, na verdade, quase foi indicado à categoria Dick Vigarista junto com Charles Leclerc e Daniil Kvyat. É certo que o carro da Ferrari em 2020 não estava nas melhores condições, mas os erros de Vettel ocorrem continuamente desde 2017. Logo, ainda que seus fãs aleguem seu glorioso passado na Red Bull para justificar a trama da compra de ações da Aston Martin para continuar no grid em 2021, o alemão não age exatamente como um campeão, mas como os pilotos que ele tanto criticou por provocarem acidentes (como o próprio Kvyat). Por este motivo, meu voto foi para ele.

 

Volta o cão arrependido…

 

Adriana: Na minha opinião, o próprio Faustão tinha que entregar o prêmio pro vencedor e que também foi o meu escolhido. Não é de hoje que Vettel vem cometendo erros de principiante, como rodadas ou escapadas para fora da pista e essa temporada, com um carro muito aquém do que o tetracampeão está acostumado a guiar, sua pilotagem não foi das melhores. Muitos fãs juram que seu carro foi “sabotado” e que era inferior ao de Leclerc (o que, na minha visão, seria muita burrice por parte da Ferrari se isso fosse verdade), mas tá tudo bem admitir que ele não rende mais como rendia nos tempos da Red Bull, isso pode acontecer com todo e qualquer piloto. Por isso, Vettel mereceu ganhar nessa categoria.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Alex Albon (12,90%) | Sebastian Vettel (87,10%)

INSTAGRAM: Alex Albon (33%) | Sebastian Vettel (67%)

MÉDIA GERAL: Alex Albon (22,95%) | Sebastian Vettel (77,05%)

 

CATEGORIA VERGONHA DO ANO

VENCEDOR: Pilotos que não ajoelharam (67,90%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Mais uma categoria com duas escolhas bem difíceis. Acredito que o caso de Nikita Mazepin, embora esteja relacionado a sua vida pessoal e não profissional, foi mais do que suficiente para que a Haas o demitisse. Escândalos como este (do assédio sexual a uma moça) são gravíssimos, e mesmo que a escuderia não tenha responsabilidade pelo ato, manter-se ligada a ele pode manchar sua imagem. Mas meu voto foi para os pilotos que não se ajoelharam, pois estes deixaram suas preferências político-partidárias prevalecer sobre a empatia ao próximo. O racismo, na minha opinião, é um mal universal, e deveria ser combatido por todas as vertentes políticas, mas infelizmente não é o que ocorre na vida real. É certo que alguns pilotos se ajoelharam unicamente para se promover (embora sejam a minoria), mas este simples ato de se abaixar demonstraria uma união contra o racismo e apoio às vítimas, que sofrem muito com a discriminação e a violência. Infelizmente, parece nem todos os pilotos pensam em união apesar das diferenças.

Adriana: Essa categoria foi difícil de escolher. Eu escolhi os pilotos que não ajoelharam, pela falta de empatia que tiveram com o único piloto negro da categoria e com toda a comunidade negra. Em momentos como esse, quando se trata sobre vidas negras sendo perdidas por brutalidade policial, temos que avaliar nosso comportamento e além de tudo, adotarmos uma posição antirracista e praticarmos isso no nosso dia a dia. E parece que, mesmo com todo o acesso à informação que esses pilotos têm, escolheram permanecer em sua zona de conforto e ignorância, passando vergonha todo domingo. 

Já sobre Mazepin, infelizmente, o dinheiro fala muito mais alto nestas situações. Para quem não sabe, o russo postou em seu Instagram um vídeo nos stories em que aparece apalpando uma garota, que claramente não quer que isso aconteça e que muito menos seja filmada durante essa situação extremamente humilhante. Algumas horas depois desse infortúnio, Mazepin deletou o vídeo de seu perfil, mas é claro que ele já estava salvo e sendo divulgado pela internet. Mesmo com a repercussão e diversos abaixo-assinados pela internet, especulou-se na época que a Haas teria demitido o sem noção, mas isso não se passou de um mero rumor. Através de um comunicado (a melhor definição, nesse caso, é uma bela “passada de pano”), a equipe divulgou que Mazepin continuaria na equipe e que “o caso seria resolvido internamente”. Com isso, a vítima – que falou sobre o caso em seu Instagram, mas não convém expor a identidade da garota, que já deve ter sofrido o bastante tendo seu trauma exposto e revivido diversas vezes por toda a internet -, terá que ver seu abusador por aí, seguindo sua carreira como se nada tivesse acontecido. 

Então, por isso, tanto faz quem ganhasse essa categoria, pois ambos são uma vergonha catastrófica que marcou a temporada de 2020. E não preciso dizer que vou fingir que esse cara nem está no grid esse ano, não é mesmo?

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Pilotos que não ajoelharam (93,80%) | Mazepin na Haas (6,20%)

INSTAGRAM: Pilotos que não ajoelharam (42%) | Mazepin na Haas (58%)

MÉDIA GERAL: Pilotos que não ajoelharam (67,90%) | Mazepin na Haas (32,10%)

 

CATEGORIA JUMENTO

VENCEDOR: Max Verstappen e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Eu acompanhei muitas entrevistas com Lance Stroll em minha carreira jornalística (tanto em texto quanto em vídeo e áudio). E devido a algumas pérolas que ele soltou, como responder gêneros musicais ao perguntado sobre artistas e responder bandas ao ser perguntado sobre canções, não saber dizer o nome de um herói nacional de seu país natal (o Canadá) nem o mascote do time de hóquei que ele torce, não saber o que é um Papai Noel (mesmo tendo usado um gorro de Natal anos antes), não saber identificar a bandeira da Espanha (mesmo estando todo ano no país), e dizer que 30 – 29 = 2, eu já comecei a me perguntar se esse piloto não teria fugido da escola. Mas o que lhe deu a indicação à categoria “Jumento” foi sua lealdade a Esteban Ocon. Vamos analisar: imagine que você está sendo acusado de prejudicar uma pessoa, e esta sabe que você é inocente, mas deixa você levar a culpa e ter a reputação linchada, se pronunciando apenas um mês depois que todo mundo já te destruiu. Você consideraria esta pessoa sua “amiga”? Foi exatamente o que aconteceu entre Lance Stroll e Esteban Ocon (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Eu não convivo com nenhum piloto pessoalmente, mas não me lembro de ter visto Ocon interagindo com Stroll durante todo o ano de 2019 (conversei com fã-clubes ligados ao canadense, e eles também não viram). Lembrando que em 2019, Ocon era piloto reserva da Mercedes e vivia no paddock. De repente, em 2020, o hispano-francês volta a se aproximar “magicamente” dele. Não me lembro de ter visto tanta ingenuidade assim desde que li “Chapeuzinho Vermelho”. Também é importante lembrar que houve momentos em que Stroll parecia estar entregando sua posição a Ocon, como no Grande Prêmio de Abu Dhabi, não trazendo benefícios a Ocon, mas prejudicando a posição de Stroll na classificação final do campeonato. Ainda por cima, Stroll brinca com a situação, como se a Fórmula 1 fosse um jogo entre ele e Ocon. Fica a minha pergunta: Lance Stroll é burro, ou simplesmente a pessoa mais ingênua do planeta?

 

 

Mas meu voto foi para Max Verstappen e sua confiança doentia na Red Bull, mesmo que a equipe tenha provado com todas as forças que nunca vai dar ao holandês um carro à altura de seu talento. Leia mais em “O Caso Max Verstappen: Muito Piloto Para Pouca Equipe”.

 

 

Adriana: Nessa categoria, fui com a maioria e também escolhi Max e sua confiança na Red Bull. Não sabemos como o carro taurino estará nessa temporada, mas é claro que o próximo campeão com a Red Bull só sairá por um milagre ou eventual falha da Mercedes. O segredo para os tempos dourados da Red Bull estava na mão de Adrian Newey, um dos melhores projetistas da categoria. Com a mudança nas regras e seu afastamento da liderança dos projetos, a Red Bull sofre em achar o acerto perfeito para voltar ao topo, como no início da década de 2010. A confiança que o holandês tem em acreditar que a Red Bull pode lhe tornar um campeão do mundo é louvável, pois demonstra que Verstappen é leal à sua equipe, mas às vezes, beira a burrice. O carro ainda sofre com confiabilidade e por muitas vezes, o deixa na mão mas mesmo assim, ele continua firme e acreditando nas promessas da Red Bull. Também, quem deixaria uma equipe em que seu posto de primeiro piloto é garantido? 

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Lance e sua lealdade (19,60%) | Max e sua confiança na Red Bull (80,40%)

INSTAGRAM: Lance e sua lealdade (50%) | Max e sua confiança na Red Bull (50%)

MÉDIA GERAL: Lance e sua lealdade (34,80%) | Max e sua confiança na Red Bull (65,20%)

 

CATEGORIA PALESTRINHA

VENCEDOR: Esteban Ocon (56,15%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Como explicado na categoria anterior, na minha opinião, até o Lobo Mau da história da Chapeuzinho Vermelho merece mais confiança do que Esteban Ocon. Este piloto sabe como manipular a mídia a seu favor e a destruir a reputação de seus adversários para que suas más ações sejam mascaradas e ele pose de “coitadinho” (leia sobre isto em “Entenda o Caso Esteban Ocon”). Mas Ocon não conseguiu repetir o feito com Pierre Gasly no Grande Prêmio da Itália, pois se recusou a cumprimentar o vencedor devido a uma questão pessoal, demonstrando falta de espírito esportivo. Ao final da mesma corrida, ele chegou a receber uma reprimenda do chefe de equipe Cyril Abiteboul por reclamar exageradamente de sua posição final (atrás do companheiro Daniel Ricciardo). Esta atitude imatura lhe rendeu o meu voto.

Adriana: Sabe quando você sente seus olhos dando aquele 360? Essa sou eu quando eu vejo o gráfico do rádio de Sainz na TV. Não é possível que esse menino só abra a boca no rádio para reclamar. Reclama dos outros, reclama do carro, reclama de tudo. O Ocon não fica muito atrás (vide aquela corrida que o Ricciardo ficou na frente dele e ele quis lavar a roupa suja no rádio e levou um chega pra lá de Cyril) mas para mim, o Sainz merece esse prêmio por ser chato ao extremo em toda oportunidade que pode.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Esteban Ocon (76,30%) | Carlos Sainz Jr (23,70%)

INSTAGRAM: Esteban Ocon (36%) | Carlos Sainz Jr (64%)

MÉDIA GERAL: Esteban Ocon (56,15%) | Carlos Sainz Jr (43,85%)

 

CATEGORIA DEBOCHADO

VENCEDOR: Cyril Abiteboul (64,65%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Sinceramente, na minha opinião, os dois mereciam concorrer à categoria “Boca de Fogo” com Max Verstappen e Lando Norris. Tanto Zak Brown quanto Cyril Abiteboul se destacaram por fazerem comentários deselegantes sobre assuntos que não lhes diziam respeito, adotando uma postura que não condiz com o ambiente da Fórmula 1. Por isso, creio que os dois mereciam levar o título. No entanto, votei em Zak Brown por extrapolar os limites e querer induzir a mídia a questionar seus adversários em termos pessoais.

 

 

Adriana: De um lado, temos Cyril Abiteboul, que manteve o protesto contra a Racing Point até quando pode e não perde a chance de dar uma alfinetada em Horner (ou até mesmo em Ricciardo, quando o mesmo anunciou que estava de saída da Renault) e do outro, temos Zak Brown, que sabe manter sua postura de debochado ao perguntar qual foi o médico que atendeu Stroll (Dr. Dre? Dr. Seuss? Ainda não sabemos) e sempre tem uma resposta na ponta da língua quando questionam sua capacidade em ser CEO de uma equipe histórica como a McLaren. Por sempre ser elegante e perspicaz em suas alfinetadas, votei em Brown porque ele consegue manter sua postura e raramente, se afeta com as críticas.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: Cyril Abiteboul (69,30%) | Zak Brown (30,70%) 

INSTAGRAM: Cyril Abiteboul (60%) | Zak Brown (40%)

MÉDIA GERAL: Cyril Abiteboul (64,65%) | Zak Brown (35,35%)

 

CATEGORIA TROCA DO ANO 

VENCEDOR: Sergio Pérez na Red Bull (68,50%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Estava em dúvida entre a troca de Sergio Pérez e a de Daniel Ricciardo, então optei pela primeira, pois o mexicano conseguiu um merecido lugar em uma equipe de ponta depois de ser obrigado a deixar a Racing Point devido à manobra financeira de Sebastian Vettel (que comprou ações da Aston Martin, atual dona do time, e assegurou uma vaga). A contratação de Pérez não só foi um alívio para os torcedores do mexicano, como frustrou os planos daqueles que estavam prontos para demonizar Lance Stroll como fizeram em 2018 no Caso Esteban Ocon. Logo, pela justiça feita a Pérez e Stroll, escolhi a ida do mexicano para a Red Bull. Mas também elogio a ida de Daniel Ricciardo para a McLaren, onde terá um aporte maior que na Renault.

Adriana: Até a contratação de Pérez pela Red Bull, a melhor troca do ano, na minha opinião, foi Ricciardo na McLaren. Assim como na Renault, o australiano aposta mais uma vez na mudança e dessa vez, conta com a melhor equipe “do resto” (best of the rest) e que fechou a temporada de 2020 com a terceira colocação no campeonato de construtores. 

Além disso, Zak Brown vem construindo um ambiente com cara e espírito de campeões: escalou Andreas Seidl, que teve uma campanha de sucesso com a Porsche no campeonato de Endurance; James Key, conhecido engenheiro, que agora é o diretor de engenharia; Andrea Stella, que passou anos na Ferrari como engenheiro de Fernando Alonso, que o acompanhou na troca para a McLaren e agora ocupa a posição de diretor de corridas e claro, a troca de motores para a Mercedes e a construção de seu próprio túnel de vento (que é fundamental para o desenvolvimento aerodinâmico do carro) trazem a esperança de que isso é apenas o começo da volta da McLaren ao lugar mais alto do pódio. Então, ao meu ver, Ricciardo acertou em cheio ao trocar a (agora extinta) Renault pela McLaren.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: D. Ricciardo na McLaren (7,2%) | S. Vettel na Aston Martin (7,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (3,4%) | S. Pérez na Red Bull (82%)

INSTAGRAM: D. Ricciardo na McLaren (22,5%) | S. Vettel na Aston Martin (22,5%) | C. Sainz Jr na Ferrari (0%) | S. Pérez na Red Bull (55%)

MÉDIA GERAL: D. Ricciardo na McLaren (14,9%) | S. Vettel na Aston Martin (15%) | C. Sainz Jr na Ferrari (1,70%) | S. Pérez na Red Bull (68,5%)

 

CATEGORIA AZARÃO 

VENCEDOR: Charles Leclerc (73,85%)

 

Escolha das autoras:

Rebeca: Esta categoria é um pouco delicada de opinar, pois ela vai contra a narrativa dominante na mídia (que assim é por motivos financeiros e ideológicos). A imprensa tenta, a todo custo, vender George Russell como uma nova lenda, e até usa depoimentos de pessoas ligadas à Fórmula 1 para justificar essa narrativa. Porém, os fatos contradizem esta versão. A verdade é que Russell só foi capaz de pontuar quando estava em uma Mercedes, substituindo Lewis Hamilton no Grande Prêmio de Sakhir quando o piloto titular estava com Covid. Em sua equipe oficial, a Williams, Russell não fez sequer um ponto. Até aí não teria problemas (pois é sabido que o carro da Williams é longe de ser competitivo) se não fosse por um ponto: a precariedade do carro já era notada em 2018, quando a Williams tinha Lance Stroll e Sergey Sirotkin como pilotos, mas na época a imprensa culpou os atletas pelo desempenho do carro. Nota-se quando o problema está no piloto quando seu companheiro vai muito bem e ele não, mas quando ambos os pilotos não conseguem boas posições é sinal de que o problema está no carro. A mídia só foi “perceber” isto quando Stroll não estava mais lá, e mesmo Russell também tendo origem rica e apresentado dificuldades em pontuar, a imprensa passa a mão na cabeça do inglês, mesmo que o canadense, com todas os problemas para enfrentar, conseguiu no mínimo pontos para a escuderia (inclusive o último pódio do time). Este racismo implícito da mídia se agravou quando Russell foi escolhido para substituir Hamilton, quando alguns haters de Stroll usaram a imagem de Russell como escudo para difamar o canadense. É claro que a culpa não é de Russell, que é uma pessoa antirracista e ética e que não tem nenhum problema pessoal com Stroll (até o cumprimentou por sua pole na Turquia). A culpa é unicamente dos racistas covardes que usam a imagem dos outros para promover intrigas entre os torcedores. No entanto, embora eu reconheça que Russell tenha talento e que o mesmo não consegue ser aproveitado nas condições precárias da Williams, na posição de jornalista (profissional da comunicação), preciso me ater aos fatos e não colaborar para a continuidade da falácia criada pela mídia. Por isso, meu voto foi para Charles Leclerc, que mesmo enfrentando muita dificuldade em uma Ferrari de desempenho abaixo do esperado, terminou várias posições à frente de Vettel e muitas vezes carregou o time nas costas (como no Grande Prêmio da Toscana). Ressalto que tanto Russell quanto Leclerc são pilotos muito dedicados e desejo a eles uma boa temporada em 2021.

Adriana: Tudo bem que o Leclerc conseguiu dois pódios (quase três se não fosse por seu erro na última volta na Turquia) com a sofrida SF1000, mas na verdade, o azarão para mim foi Russell. Conseguir passar para o Q2 inúmeras vezes com o pior carro do grid é para poucos e o britânico conseguiu isso com facilidade. Sua performance com a Mercedes em Sakhir também provou que ele tem talento e quase tomou a pole de Bottas, que está há 4 temporadas com a Mercedes. Sem falar nas ultrapassagens de Russell no finlandês, que sequer teve tempo para reagir ou retomar sua posição do então “novato”. Por isso, escolhi Russell como o azarão da temporada.

 

Escolha do público:

GOOGLE FORMS: George Russell (2,3%) | Charles Leclerc (97,7%) 

INSTAGRAM: George Russell (50%) | Charles Leclerc (50%)

MÉDIA GERAL: George Russell (26,15%) | Charles Leclerc (73,85%)

The Racing Track Awards 2020

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni

 

O The Racing Track Awards 2020 pretende relembrar alguns dos destaques (positivos e negativos) da temporada de Fórmula 1 de 2020.

Para participar, vote nas enquetes de nosso perfil no Instagram (nos destaques) ou no Google Forms abaixo:

https://docs.google.com/forms/d/1v0PaC41Ep11Bx8ezESLUPBxoX-PXHQAdBpnmsiSW_ms/edit

A votação se encerra no próximo sábado, dia 16 de janeiro de 2o21.

Participe e divirta-se.