Análise Grande Prêmio do Sakhir de 2020 | 2020 Sakhir Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 6 de dezembro, o Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi mais uma etapa improvisada para compensar o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia mundial de Covid-19. A prova foi realizada no Bahrein, mas com o circuito remodelado. Pela primeira vez desde sua estreia em 2007, Lewis Hamilton (Mercedes) não participou de uma corrida, pois foi diagnosticado com Covid. Sua equipe optou por chamar o jovem George Russell, da Williams, para substituí-lo e esta, por sua vez, colocou Jack Aitken, conterrâneo de Hamilton e Russell, para correr ao lado de Nicholas Latifi. Outra substituição ocorreu na Haas, que escalou o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, para substituir Romain Grosjean, que está se recuperando de um terrível acidente na corrida anterior.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado de Russell. Logo no começo, o filandês foi ultrapassado pelo inglês, e depois ameaçado por Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point). Infelizmente, ocorreram dois acidentes: primeiro, Kevin Magnussen (Haas) rodou e bateu no mesmo lugar onde houve o desastre com Romain Grosjean uma semana atrás; depois, Charles Leclerc (Ferrari) fez uma manobra arriscada e tocou em Pérez. Verstappen tentou desviar, mas acabou batendo no muro. Leclerc teve o mesmo destino. O safety car foi acionado e o mexicano precisou parar nos boxes, mas nem tudo estava perdido.

Russell permanecia liderando a prova, enquanto Bottas tinha dificuldades para acompanhar o ritmo. Com o acidente provocado pelo monegasco, Carlos Sainz Jr. (McLaren) assumiu o terceiro lugar. Seu companheiro, Lando Norris, conseguiu avançar no grid devido aos acidentes, compensando o prejuízo de ter largado em penúltimo. Uma de suas melhores ultrapassagens foi sobre Sebastian Vettel (Ferrari). No entanto, Checo veio destemidamente para cima de seus adversários, e em pouco tempo já estava novamente na zona de pontuação. Alexander Albon (Red Bull) travou uma boa briga com Norris, e o inglês foi superado pelo tailandês e logo em seguida pelo mexicano.

No meio do grid, formava-se uma fila indiana. Pierre Gasly (AlphaTauri) estava atrás de Lance Stroll (Racing Point), Daniil Kvyat (AlphaTauri), e da dupla da Renault (formada por Daniel Ricciardo e Esteban Ocon). Embora os carros estivessem bem próximos nas passagens pela reta perto dos boxes, não havia tentativas de ultrapassagem. Kvyat brigou um pouco com Ricciardo, mas não teve sucesso. Algumas voltas depois, Latifi bateu e a bandeira amarela foi acionada. Aitken rodou e quebrou a asa dianteira. Além da Williams precisar consertar seu carro, a direção acionou o safety car virtual.

Parecia que a vitória de Russell seria inevitável, até a Mercedes jogar tudo fora. Chamando ambos os pilotos para os boxes, a equipe alemã se atrapalhou com ambas as trocas de pneus. No caso de Bottas, chegaram a lhe colocar um pneu enquanto a roda pegava fogo, e liberaram o piloto mesmo assim. Pérez herdou a liderança e não se intimidou mesmo com o avanço de Russell. Apesar de ter voltado em uma boa posição, Bottas foi ultrapassado gradativamente por todos os pilotos da zona de pontuação. Sentindo que havia um problema com os pneus de Russell, a Mercedes o chamou novamente para os boxes, fazendo com que o inglês perdesse muitas posições. Aguardamos o julgamento dos comissários em relação a este caso, pois se o inglês correu com os pneus destinados a Bottas, pode ser desclassificado. No fim da prova, Sainz tentou passar Stroll, mas não conseguiu.

Sergio Pérez foi o vencedor, com Esteban Ocon em segundo e Lance Stroll em terceiro. O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 foi uma corrida emocionante, com reviravoltas inimagináveis e um desfecho merecido. Pérez se destacou em seus anos na Fórmula 1 como um piloto consistente e batalhador. Sua vitória mostrou que seu potencial é alto e sua coragem infinita. Por outro lado, o dia não foi auspicioso para a Mercedes, que não agiu com prudência por pensar que a vitória era certa. Valtteri Bottas decepcionou muito, perdendo posições logo no início para um piloto em sua primeira corrida com um novo carro. Se por um lado isso mostrou que o carro da Mercedes está acima da média, por outro prova que não basta um carro bom: o piloto precisa ser bom. Todo aquele teatro em cima de sua vitória na Rússia de nada adiantou, pois Bottas pode xingar seus críticos à vontade, eles ainda terão motivos para questionar o desempenho do finlandês.

“Eu teria conseguido se não fossem esses mecânicos metidos e esse cachorro burro”

Opinião da Rebeca:

O Grande Prêmio do Sakhir de 2020 serviu para calar a boca daqueles que dizem que qualquer um pode vencer em uma Mercedes. Valtteri Bottas teve uma atuação vergonhosa, como se estivesse tramando para que George Russell ganhasse (não foi dessa vez para aqueles que o usam como escudo para atacar outros pilotos). Curiosamente, o inglês conseguiu abandonar o Movimento Sem Ponto na mesma corrida em que Esteban Ocon largou o Movimento Sem Pódio.

Quanto à vitória de Checo, foi bem merecida. Checo mostrou que resiliência é seu ponto forte, pois é a segunda vez que o vejo saindo de uma grande desvantagem devido a um acidente causado por terceiro e consegue uma excelente posição. Tanto Sergio Pérez quanto Lance Stroll sobem no campeonato de pilotos e a Racing Point volta ao top-3 entre as construtoras (se eu disser o que eu gostaria de dizer à Renault, meu site será censurado).

Opinião da Adriana:

Eu comecei essa corrida esperando mais uma corrida chata e eu fui extremamente surpreendida. Sensacional!

Na minha sincera e humilde opinião, esse deveria ser o novo traçado do GP de Bahrain. Uma volta com 56 segundos, no máximo, é capaz de entregar corridas assim e eu achei simplesmente fantástico ter uma corrida tão imprevisível como essa.

Agora, o que foi essa corrida do Checo? De último lugar após o toque com Leclerc, escalou o grid aos poucos e terminou com essa vitória linda. Ele merece demais! Após 10 anos na Fórmula 1, ele finalmente conseguiu sua merecida vitória. É assim que se faz uma corrida de recuperação. De novo, bato na tecla de que não é a hora do mexicano dizer adeus à Fórmula 1.

A maior felicidade é saber que, dentre esses 10 anos de carreira na F1, Pérez esteve nos lugares certos nas horas erradas e finalmente, ele conseguiu o que um piloto almeja: uma vitória. Ele merece demais e eu não poderia estar mais feliz por ele.

Ao mesmo tempo que estou muito feliz por Pérez, fico muito triste por Russell. Eu, que sempre defendi que ele deveria ir para a Mercedes, brilhou o fim de semana inteiro e infelizmente, foi prejudicado por uma série de estratégias erradas da Mercedes. Pitstop com os pneus errados, furo nos pneus e terminar em 8º correndo o risco de ser desclassificado por conta de um erro da equipe (o que eu acho errado punir o piloto) é desolador. Uma pena para o britânico.

Por falar em brilhar o fim de semana inteiro, o que foram aquelas ultrapassagens logo após a saída do safety car? Ele é bom e merece um carro à sua altura. Bottas, acho bom você se preparar para o adeus em 2022 porque o Russell não está para brincadeira.

O pior piloto de hoje vai ser unânime e vai pro Leclerc. Além de fazer aquela barbeiragem na pista, ainda joga a culpa em Pérez, sendo que ele estava errado. Foi preciso um outro piloto – Verstappen, no caso – envolvido no acidente dizer que ele que causou a colisão, e não o mexicano, para o monegasco admitir a culpa. Lamentável. 

Notas

Corrida: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)

Pilotos

  1. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  2. Scooby-Doo: (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  3. Lance Stroll: 8 (Rebeca) 9,5 (Adriana)
  4. Carlos Sainz Jr.: 7,5 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 8 (Rebeca) 8,5 (Adriana)
  7. Daniil Kvyat: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. George Russell: 8 (Rebeca) 9 (Adriana)
  10. Lando Norris: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  11. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) 7,5 (Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  16. Jack Aitken: 2 (Rebeca) 3 (Adriana)
  17. Pietro Fittipaldi: 4 (Rebeca e Adriana) – E o Palmeiras não tem mundial. 51 é pinga

 

Abandonaram

  1. Nicholas Latifi
  2. Max Verstappen
  3. Charles Leclerc

Piloto do Dia (escolhido pelo público): George Russell

Melhor piloto: Sergio Pérez (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Charles Leclerc e Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

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