Análise do Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 | 2021 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Texto em inglês revisado por Jack Thurston | English text revised by Jack Thurston

O Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 ocorreu no dia 18 de abril. Debaixo de chuva, a corrida teve muitas reviravoltas e tinha todos os ingredientes para ser um espetáculo. No entanto, uma velha conhecida estragou uma parte do show: a famigerada ordem de equipe.

Lewis Hamilton (Mercedes) foi o pole position, largando ao lado de Sergio Pérez (Red Bull). Max Verstappen (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari), que havia escapado na volta de apresentação, completaram a segunda fila. Logo após a largada, houve uma briga tripla entre Hamilton, Pérez e Verstappen, com o holandês levando a melhor. Passou o inglês após as duas primeiras curvas e tomou uma grande distância. Com a pista molhada, houve muitas escapadas, entre elas a de Nicholas Latifi (Williams), que bateu no muro e provocou a entrada do safety car. Outro piloto que passou por um infortúnio foi Mick Schumacher (Haas), que rodou na saída dos boxes e perdeu a asa dianteira. O alemão completou algumas voltas antes de repor a peça.

Com a saída do safety car, houve uma disputa no meio do grid entre Pierre Gasly (AlphaTauri), Lando Norris (McLaren), Carlos Sainz Jr. (Ferrari), Lance Stroll (Aston Martin) e Valtteri Bottas (Mercedes). Norris disparou na frente enquanto Gasly perdia posições constantemente. Logo foi a vez de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) e Yuki Tsunoda (AlphaTauri) ultrapassarem o francês. Pouco depois, houve mais um caso lamentável de ordens de equipe: Norris disse para a McLaren que “andaria mais rápido se a pista estivesse livre”, insinuando que a equipe deveria mandar seu companheiro Daniel Ricciardo lhe ceder a posição. A McLaren acatou o pedido e ordenou ao australiano que deixasse Norris passar.

A pista molhada ainda prejudicava o andamento da corrida. Pérez foi punido pelos comissários com 10 segundos de stop-and-go por ter recuperado na pista as duas posições que havia perdido após sair temporariamente do traçado. Sebastian Vettel (Aston Martin) recebeu a mesma punição por ter saído do pit stop antes da placa de 5 segundos. No entanto, enquanto a chuva dificultava a vida de uns, para outros ela não foi problema. Foi o caso de Verstappen, que trocou os pneus antes de Hamilton e voltou para o primeiro lugar após a parada do inglês. Aproveitando a abertura de Bottas (retardatário) para o líder, Stroll ultrapassou o finlandês.

Logo após, houve mais dois incidentes. Ao ultrapassar o retardatário George Russell (Williams), Hamilton escorregou e parou no muro. Parecia fim de prova para o piloto britânico, mas o heptacampeão, mesmo com dificuldade devido à brita, colocou seu carro novamente na pista e seguiu a corrida. Pouco depois, Russell escorregou e tocou a traseira de Bottas, que fazia uma prova decepcionante. Ambos bateram no muro e deixaram muitos detritos na pista. Houve bandeira vermelha.

Na relargada, Raikkonen escapou do traçado e facilitou o trabalho de alguns pilotos que estavam atrás. Um deles foi Hamilton, que do nono lugar, passou para o sétimo em poucas voltas. Logo estava à caça de Sainz. Enquanto isso, Leclerc perdia o segundo lugar para Norris e não conseguia atacar o piloto da McLaren. Hamilton veio como um furacão para cima de Sainz e, apesar da defesa acirrada de Leclerc, conseguiu superar os dois pilotos da Ferrari e ultrapassou Norris com maestria. Tsunoda havia levado duas advertência por exceder os limites da pista e depois foi punido com 5 segundos. Vettel foi o último a abandonar, recolhendo seu carro para a garagem a poucos minutos do fim.

Max Verstappen foi o vencedor, com Lewis Hamilton em segundo lugar e Lando Norris em terceiro. Diferente da edição anterior, na qual os acidentes provocaram uma corrida sem grandes ações, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2021 teve grandes reviravoltas. A expectativa era alta para Sergio Pérez, que estava largando em segundo lugar, mas terminou fora da zona de pontuação. Verstappen outra vez deu uma demonstração de seu talento na chuva, chegando a colocar 20 segundos de diferença para o segundo colocado. Ao mesmo tempo, Norris repetiu a atitude que tomou no Grande Prêmio da França de 2019, ao mandar novamente a equipe parar seu companheiro para que possa ultrapassá-lo. Manobras como essa sempre mancharam a história da Fórmula 1 (dois exemplos memoráveis foram as trocas de posição entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Áustria de 2002 e entre Fernando Alonso e Felipe Massa no Grande Prêmio da Alemanha de 2010). É lamentável que a McLaren tenha optado por essa atitude antiética e antiesportiva e que Norris seja condecorado pela imprensa e pelos torcedores por isso. A corrida poderia ter sido perfeita se não fosse pelo fantasma das ordens de equipe pairando sobre o paddock novamente.

Atualização 1: Lance Stroll cruzou a linha de chegada em sétimo, mas foi punido após a prova por ultrapassar Pierre Gasly fora do traçado. Com isso, as posições dos pilotos foram invertidas.

Atualização 2: Kimi Raikkonen terminou a corrida em nono, mas foi punido com 30 segundos por ter falhado em entrar no pit lane para a relargada. Fernando Alonso e Esteban Ocon ganharam posições e o finlandês terminou fora da zona de pontuação.

“Papai, mande o Ricciardo parar para eu passar, AGORA!”

Opinião da Rebeca:

Em minha humilde opinião, Lewis Hamilton foi o nome do dia. O painel da Fórmula 1 chegou a colocar “FORA” (em inglês, “OUT”) ao lado de sua sigla, indicando que o piloto estava abandonando. Mas estamos falando daquele que venceu o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2020 com apenas três rodas. Hamilton não conhece a palavra “desistir”. Ele é um piloto destemido, talentoso e persistente, um colírio para os olhos dos torcedores. Sua recuperação foi impressionante, e o pódio devidamente merecido. Outro piloto que merece elogios é Max Verstappen, que fez uma prova praticamente sem erros. A equação (chuva) + (Verstappen) quase sempre resulta em corridas incríveis. Um exemplo é o Grande Prêmio do Brasil de 2016 (que, inclusive, foi no meu aniversário).

Agora, com relação a Lando Norris, repito: atitude lamentável. Piloto que precisa pedir para a equipe parar o companheiro não merece créditos por seu resultado na corrida. Daniel Ricciardo não merecia passar por essa humilhação. O piloto australiano, que tem poles, pódios e vitórias na carreira, anda comendo o pão que o diabo amassou desde suas duas temporadas na Renault, e esperava uma situação diferente na McLaren. Curiosamente, a narração brasileira aplaudiu o pedido de Norris, e antes havia insinuado que a AlphaTauri deveria ter feito o mesmo entre Yuki Tsunoda e Pierre Gasly. No entanto, o piloto japonês não precisa de ordens de equipe, pois pode passar por mérito próprio. Ao contrário do filho de Adam Norris, que não esconde sua antipatia e falta de espírito esportivo. Norris quase nunca é repreendido por suas atitudes, e a explicação talvez seja a mesma da questão apresentada no episódio “Todo Mundo Odeia Bad Boys”, da série “Todo Mundo Odeia o Chris” (me refiro à cena em que a família de Chris é humilhada em um restaurante enquanto a família dos Banks, que estava nas mesmas condições, é tratada com muita cortesia).

Outro que decepcionou foi Charles Leclerc, que foi muito macho para se defender, mas uma princesa para atacar. Mais um motivo para o apelido de “Cinderela”.

Opinião da Adriana:

É incrível como as corridas na Itália conseguem ser dramáticas e entregar corridas que são definidas na última volta. Assim como no ano passado, Imola nos entregou um pódio diferente, com Verstappen, Hamilton e Norris, demonstrando a força do motor Mercedes com os últimos dois.

Desde antes da corrida, sabíamos que essa corrida seria caótica, seja pela pista molhada ou pelos incidentes: um dano no carro de Bottas, os freios de Stroll pegando fogo, Vettel começando do pitlane e Alonso tendo problemas. 

Na largada, Verstappen mostrou que esse ano, ele será o competidor direto de Hamilton, que deve estar ansioso para mais batalhas ao decorrer da temporada. Norris também demonstrou estar com sede de resultados. Logo no começo, o britânico sofreu um toque mas logo depois, conseguiu se recuperar e conquistar o pódio. Talvez a ordem de equipe tenha tirado um pouco do brilho de sua performance (pelo menos, para mim) mas não podemos negar que ele tem o que precisa para se tornar um grande piloto. 

O incidente de Russell e Bottas foi bizarro, para dizer o mínimo e o pequeno “tapa” do britânico foi quase uma homenagem a Piquet, quando deu um soco em Salazar após uma colisão. Temos que entender que, além de um incidente de corrida, a rivalidade entre os dois vai muito além de pontos e sim, de uma possível vaga para o mais jovem. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa novela com muita atenção.

E o que foi Sir Lewis salvando o carro de ré da brita? Só essa manobra deveria lhe garantir o prêmio de piloto do dia. Somando com a sua corrida de recuperação, ele prova que mesmo com todas as dificuldades, seu talento é indiscutível.

Já sobre a corrida de Ricciardo, a sexta posição foi um resultado ótimo. Temporadas de adaptação com uma nova equipe tendem a ser assim e se compararmos seu começo na McLaren com a temporada de 2019, percebemos a notável diferença que um carro bom faz. Essa ainda é sua segunda corrida e o australiano ainda tem muitas corridas pela frente para conseguir extrair o potencial completo do carro. 

Acho que para a próxima corrida, vou preparar uma cartela de bingo para ver se não fico tão nervosa. 

Notas

Corrida: 9,5 (Rebeca) | 7,5 (Adriana)

Pilotos

  1. Max Verstappen: 10 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  2. Lewis Hamilton: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Lando Norris: 6 (Rebeca) | 8,5 (Adriana)
  4. Charles Leclerc: 7 (Rebeca) | 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 6,5 (Rebeca) | 8 (Adriana)
  6. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  7. Pierre Gasly: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 8 (Rebeca e Adriana)
  9. Esteban Ocon: 5 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  10. Fernando Alonso: 6 (Rebeca e Adriana)
  11. Kimi Raikkonen: 6 (Rebeca e Adriana)
  12. Sergio Pérez: 7 (Rebeca e Adriana)
  13. Yuki Tsunoda: 7 (Rebeca) | 6 (Adriana)
  14. Antonio Giovinazzi: 5 (Rebeca e Adriana)
  15. Sebastian Vettel*: 2 (Rebeca) | 4 (Adriana)
  16. Mick Schumacher: 2 (Rebeca) | 5 (Adriana)
  17. Nikita Mazepin: 2

 

Abandonaram

  1. Valtteri Bottas: 0 (Rebeca e Adriana)
  2. George Russell: 6 (Rebeca) | 7 (Adriana)
  3. Nicholas Latifi: 10 de consolação (Rebeca) | 6 (Adriana)

(*Nota: Sebastian Vettel também abandonou, mas como Mick Schumacher e Nikita Mazepin estavam muito longe, ele foi classificado como 15º colocado, por ter se retirado com 95% da prova concluída)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): O filho do Príncipe Adam da Disney (aquele que foi transformado em Fera) com a Veruca Salt (a menina mimada da Fantástica Fábrica de Chocolate)

Melhor piloto: Lewis Hamilton (Rebeca e Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

2 respostas
  1. Elizete
    Elizete says:

    Concordo plenamente com a opinião da Rebeca, corrida emocionante, vitória de Max Verstappen brilhante e merecida, e todos os elogios a Lewis Hamilton que sem qualquer sombra de dúvida é o melhor entre os melhores. Também não gostei da ordem de equipe. Acho que tira o brilho da corrida e piloto bom não precisa pedir para companheiro sair da frente para ele passar. Assim o terceiro lugar de Norris, na minha opinião, é sem sabor, comprado. Pena que alguns narradores aplaudem esse tipo de conduta nada esportiva. Saudades do Cleber Machado, narrador imparcial.

    Responder
    • Rebeca Pinheiro
      Rebeca Pinheiro says:

      Concordo com você. Os narradores não podem aplaudir esse tipo de atitude, e muito menos ter dois pesos e duas medidas. Se fosse o Max Verstappen ou o Lance Stroll pedindo o mesmo, atacariam os dois com quatro pedras na mão. Agora o Lando Norris pode fazer de tudo que ninguém fala nada. Na França em 2019, quando ele pediu o mesmo, o Cleber Machado criticou. Realmente é nesses detalhes que vemos as diferenças entre o profissional e o amador. Obrigada pelo comentário 🙂

      Responder

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