A Queda da Williams: Do Auge à Ruína

Em meio à pandemia de Covid-19 que provocou o cancelamento e adiamento de várias corridas de 2020, dois anúncios alarmaram a mídia esportiva. Um deles foi a demissão de Sebastian Vettel da Ferrari. O outro se refere à grave crise financeira que assola a Williams. Outrora campeã, a escuderia inglesa comandada por Claire Williams passou por vários períodos de má administração que culminaram numa potencial falência. Em meio a tantas especulações, desvendaremos os motivos que levaram a Williams à situação atual.

 

1- Origens: do amor de Lady Virginia à primeira crise

 

As origens da Williams provêm de dois amores: o de Virginia Berry por Frank Williams e o dele por carros. Vindo de família pobre, Frank se juntou a um grupo de amigos ricos que amavam corridas. Para conseguir dinheiro, ele trabalhava na compra e venda de peças. Com isso, fundou a Frank Williams Racing Cars em 1966 e ingressou no mercado automobilístico, vendendo carros a pilotos de diversos países da Europa, principalmente para italianos. No ano seguinte, conheceu Virginia, uma moça rica e casada. Os dois começaram um relacionamento e ela se divorciou de seu marido para ficar com Frank. Depois de atuar em algumas rodadas da Fórmula 3, ficando conhecido por seu jeito perigoso e arriscado de direção, Frank transformou a Frank Williams Racing Cars em um time de Fórmula 1, tendo Piers Courage como seu piloto principal.

 

Piers Courage, piloto de confiança de Frank Williams. (Foto: nobresdogrid.com.br) [1]

 

Porém, em 1970, Courage morreu em um trágico acidente no Grande Prêmio da Holanda. Seu falecimento deixou Frank Williams muito triste. Nos anos seguintes, sendo nomeada como Williams FW a partir de 1973, o desempenho da escuderia caiu drasticamente, sendo alvo de críticas por parte da imprensa. Seus carros eram feitos de materiais de segunda mão devido ao baixo orçamento do time. Virginia, com quem Frank se casou oficialmente em 1974, fez muitos sacrifícios para manter a equipe, inclusive vendendo seu próprio apartamento. Porém, tanto a família Williams quanto a escuderia viviam dias de penúria. Com estruturas precárias, os carros não atingiam bons resultados, logo a Fórmula 1 pagava uma quantia baixa de dinheiro à equipe. Consequentemente, não havia muitos recursos a serem investidos na melhora dos carros. Atolado em dívidas, Frank não teve outra escolha a não ser aceitar a oferta do magnata do setor petrolífero Walter Wolf e vender 60% de sua escuderia em 1976. No final daquele ano, Wolf removeu Frank da administração e comprou sua parte, renomeando a escuderia como Walter Wolf Racing.

 

Walter Wolf: primeiro investidor a solucionar uma crise da Williams. (Foto: reporter.si) [2]

 

2- Recomeço: Patrick Head e a nova Williams

 

Em 1977, Frank Williams fez um acordo com a cervejaria belga Belle Vue, patrocinadora do piloto Patrick Nève, e fundou junto com Patrick Head a Williams Grand Prix Engineering Limited. Engenheiro, Head foi um dos responsáveis pelo avanço tecnológico que possibilitou o renascimento da Williams. O primeiro ano do novo time não foi muito animador, terminando a temporada sem pontos. No entanto, tempos melhores estavam por vir.

No ano seguinte, Alan Jones conquistou o primeiro pódio da Williams, com um terceiro lugar no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Cinco rodadas depois, na Grã-Bretanha, seu companheiro de equipe, Clay Regazzoni, garantiu a primeira vitória da história da escuderia. Jones foi vitorioso na Alemanha, Áustria, Holanda e Canadá e Regazzoni conseguiu pódios na Itália e Canadá, chegando em terceiro lugar em ambas as corridas. Somando 75 pontos, a Williams se tornou a vice-campeã do campeonato de construtoras, ficando a 38 pontos da primeira colocada Ferrari.

 

Alan Jones: primeiro campeão pela Williams. (Foto: Motorsport) [3]

 

Os anos 80 marcaram o domínio da Williams na Fórmula 1. Tendo Alan Jones e Carlos Reutemann em 1980, a escuderia venceu pela primeira vez tanto o campeonato de pilotos quanto o de construtoras. Jones foi o campeão e Reutemann foi o terceiro colocado. No ano seguinte, a equipe foi novamente campeã de construtoras, com seus pilotos marcando juntos 95 pontos (49 de Reutemann, vice-campeão, e 46 de Jones, terceiro colocado). Em 1982, Keke Rosberg substituiu Jones e foi campeão com 44 pontos. Obtendo seis pódios, Rosberg ficou conhecido como “campeão de uma só vitória”, pois a única corrida que venceu naquele ano foi o Grande Prêmio da Suíça, mas sua constância em pontuar garantiu o título. A Williams foi a quarta no campeonato de construtoras, repetindo a posição no ano seguinte, quando Jacques Laffite substituiu Reutemann.

Ficando em sexto lugar em 1984 e em terceiro em 1985, a Williams voltou a ganhar o campeonato de construtoras em 1986, tendo como pilotos Nigel Mansell e Nelson Piquet (bicampeão com a Brabham em 1981 e 1983). Mansell terminou a temporada como vice-campeão e Piquet foi o terceiro colocado. No ano seguinte, o brasileiro foi o campeão e o inglês foi vice. A Williams conquistava seu quarto campeonato de construtoras. O time terminou a década com um sétimo lugar em 1988 e um segundo lugar em 1989.

 

Nigel Mansell e Nelson Piquet: destaques nos anos de ouro da Williams. (Foto: Esportes em Ação) [4]

 

3- Acidente de Frank e a ascensão de Claire

 

No dia 8 de março de 1986, Frank Williams sofreu um grave acidente de carro na França, ficando tetraplégico. Porém, continuou ativo como diretor da equipe. A escuderia repetiu o sucesso na década de 90, vencendo o campeonato de construtoras em 1992, 1993, 1994, 1996 e 1997, e o de pilotos em 1992 (com Nigel Mansell), 1993 (com Alain Prost), 1996 (com Damon Hill) e 1997 (com Jacques Villeneuve). Em 1994, o time sofreu uma grande perda: Ayrton Senna morreu em um acidente no Grande Prêmio de San Marino.

Pai de Jonathan, Claire e Jaime, Frank não confiava em seus filhos para comandar a escuderia, porém sua filha sempre teve interesse pelos negócios da família. Ingressando em 2002 no departamento de comunicação da escuderia, ela assumiu o posto mais alto do setor oito anos depois. Em 2012, Frank abdicou da função de chefe de equipe e Claire assumiu o cargo no ano seguinte, permanecendo até os dias de hoje. Ela também é responsável pelos departamentos de marketing, de comunicação e pelos negócios comerciais da Williams. Seu irmão Jonathan também trabalha na escuderia. Ele desempenhava funções administrativas até a ascensão de Claire.

 

Claire Williams: filha do fundador e atual CEO da escuderia. (Foto: Pinterest) [5]

 

4- A segunda crise: Toto Wolff salva a equipe

 

No início da década de 2000, a Williams permaneceu em uma boa posição entre as construtoras, ficando em terceiro lugar em 2000 e 2001 e em segundo em 2002 e 2003. A partir de 2004, o desempenho da equipe foi caindo, oscilando entre o quarto e o oitavo lugar até 2009. Durante esse período, pelo menos um piloto saía da Williams por ano. Entre os nomes mais conhecidos do time nessa década se destacam Juan Pablo Montoya, Mark Webber e Nico Rosberg.

Era nítido que havia algo de errado na escuderia. Os acordos com as provedoras de motor Cosworth (2006) e Toyota (2007-2009) não haviam rendido bons resultados. Ganhando menos do que nos anos de glória, a Williams não tinha recursos suficientes para boas atualizações no carro. Porém, em 2009, o empresário Toto Wolff comprou uma parte das ações do time e passou a integrar seu corpo de diretores. Era a oportunidade perfeita para sair da crise.

 

Toto Wolff: segundo salvador da Williams. (Foto: EsporteNET) [6]

 

Em 2010, desiludida com a Toyota, a Williams voltou a usar os motores Cosworth, firmando um acordo de longo prazo. Porém, sem bons resultados, a pareceria acabou no ano seguinte. Em 2012, a equipe passou a utilizar motores Renault, mas o desempenho continuou bem abaixo do esperado. Nesse mesmo ano, Pastor Maldonado garantiu a última vitória da Williams até hoje, no Grande Prêmio da Espanha. Toto Wolff foi nomeado diretor executivo e sua esposa Susie foi contratada como piloto de testes. A Williams tinha a oportunidade de ter oficialmente a primeira mulher na Fórmula 1 desde Desiré Wilson, que correu em 1980. No entanto, entraves internos impediram a realização desse fato, bem como a de mudanças necessárias no departamento de engenharia. Com isso, a Williams oscilou entre o sexto e o nono lugar entre as construtoras entre 2010 e 2013.

 

Vitória de Pastor Maldonado no Grande Prêmio da Espanha de 2012, a última da Williams. (Foto: CarsNB.com) [7]

 

5- Saída de Wolff e terceira crise: Lawrence Stroll salva a equipe

 

Em 2013, vendo-se de mãos atadas, Toto Wolff vendeu suas ações na Williams e se juntou à Mercedes, comprando 30% das ações da escuderia. Claire Williams assumiu a função de chefe de equipe e cargos administrativos. No ano seguinte teve início o domínio da equipe alemã na Fórmula 1 que permanece até os dias de hoje. Em 2014 e 2015, contando com os motores da Mercedes, a Williams voltou para o pódio das construtoras, ficando no terceiro lugar. No entanto, a administração financeira da equipe ainda sofria problemas. Correndo risco de fechar após a temporada de 2016, a qual terminou no quinto lugar, a escuderia precisava de mais investimentos. Entre os pilotos, Felipe Massa anunciou sua aposentadoria no final daquele ano, enquanto Valtteri Bottas permaneceu com o time.

Ainda em 2016, o empresário do setor vestuário Lawrence Stroll, pai do campeão da Fórmula 3 Europeia daquele ano, Lance Stroll, anunciou que investiria na Williams. Lance assumiu a vaga de Massa. Porém, com a aposentadoria de Nico Rosberg, Wolff chamou Bottas, seu apadrinhado, para substituí-lo na Mercedes. Para realizar a transferência, a filha de Frank Williams exigiu a volta de Paddy Lowe à equipe, que assumiu o departamento de engenharia. Segundo relatos de Massa, Claire o chamou por telefone no Natal para voltar ao time no lugar do finlandês.

 

Lance Stroll e seu pai Lawrence, o terceiro salvador da Williams. (Foto: F1Sport.it) [8]

 

Em 2017, a Williams teve um começo mediano. Massa conseguia pontuações razoáveis e Stroll enfrentava dificuldades, com falhas mecânicas na primeira corrida e acidentes causados respectivamente por Sergio Pérez e Carlos Sainz Jr nas seguintes. A mídia passou a atacar o canadense, culpando-o pelos problemas da equipe. Antes mesmo do início da temporada, durante os testes em Barcelona, Claire chegou a culpar as batidas de Stroll pelo cancelamento de um dos testes da equipe, o que incitou torcedores furiosos a atacar o jovem nas redes sociais de maneira covarde e injusta. Lowe sempre o criticava na imprensa. Ao mesmo tempo, a mesma mídia que se encantou com uma mulher na posição de chefe de equipe não teve a mesma reação com a estreia de um piloto indígena na categoria. No entanto, no Grande Prêmio do Azerbaijão, Stroll obteve o único pódio da equipe e o último da Williams até hoje, com um terceiro lugar. Com este resultado, a escuderia passou para o quinto lugar do campeonato, conseguindo uma bonificação maior do que o ano anterior.

 

Pódio de Lance Stroll no Grande Prêmio do Azerbaijão de 2017: o último da Williams. (Foto: Fórmula 1) [9]

 

Infelizmente, a contribuição de Stroll para o time não foi reconhecida devidamente. Em 2018, após a aposentadoria definitiva de Massa, a Williams contratou Sergey Sirotkin para substituí-lo. Mesmo com o ingresso de mais um patrocinador, o banco russo SMP, o departamento de engenharia não soube traduzir o investimento em melhorias no carro. Consequentemente, os dois pilotos tiveram muita dificuldade em conseguir pontuações. Isentando os engenheiros de culpa pelo fraco rendimento dos carros, a mídia voltou a atacar Stroll. Alguns jornalistas ignoraram a ética jornalística (ensinada nas faculdades) e chegaram a usar termos passíveis de processo, como “pilotos de talento questionável”, ignorando os feitos de Stroll no ano anterior e nas competições anteriores à sua estreia na Fórmula 1 e desconsiderando a falta de experiência de Sirotkin. A mídia simplesmente se “esqueceu” que quem faz os carros são os engenheiros, não os pilotos, que o orçamento da equipe provém dos patrocinadores (portanto investidores são sempre bem-vindos) e jornalistas utilizaram a falácia argumentum ad hominem para atacar os pilotos e inocentar Claire Williams e Paddy Lowe (ver 11º item da bibliografia).

 

Paddy Lowe, diretor técnico da Williams de 2017 a 2019. (Foto: Jornal Cruzeiro do Sul) [10]

 

6- Saída de Stroll e quarta crise: as máscaras começam a cair

 

Na segunda metade de 2018, Lawrence Stroll montou um consórcio de investidores e comprou a equipe Force India, cujo dono Vijay Mallya era procurado pelas autoridades indianas por suspeita de corrupção. Mesmo ciente das dificuldades enfrentadas por seu filho com um carro nada competitivo e de sua crucificação na mídia, Lawrence manteve Lance na Williams até o final do ano. O canadense se mudou para a nova equipe, renomeada como Racing Point, no ano seguinte (ver Entenda o caso Esteban Ocon).

Com Stroll fora do time, a Williams perdia seu maior bode expiatório. Os críticos, crentes que o empresário canadense e seu filho eram os culpados pela crise na equipe, acreditavam que as novas contratações levariam a escuderia de volta aos tempos áureos. No entanto, com a saída de Stroll, a Williams teve o pior desempenho de sua história. Robert Kubica foi o único a pontuar, marcando apenas um ponto no Grande Prêmio da Alemanha. George Russell, apadrinhado de Toto Wolff, terminou o ano sem pontos. No entanto, nenhum órgão de imprensa o chamou de “piloto pagante”, mesmo vindo de família rica e não tendo chances de justificar o investimento em seu trabalho, gerando suspeitas de racismo por parte da mídia (ver O Caso Lance Stroll: Um Indígena na Fórmula 1).

 

George Russell: branco e europeu, não é criticado pela mídia mesmo não conseguindo pontuar. (Foto: AutoSport) [11]

 

Amargando na lanterna do campeonato com a menor bonificação de sua história, a Williams se encontrou novamente numa grave crise. Logo no início de 2019, vendo que a mídia agora não tinha mais como culpar Stroll e que Russell e Kubica não conseguiam sair dos últimos lugares, Lowe pediu afastamento de suas funções alegando motivos pessoais. O departamento de engenharia continuou falhando em suas funções, sendo o caso mais notável o atraso em meses do volante adaptado de Kubica. Finalmente a pressão caiu sobre Claire. Kubica foi demitido no final do ano e Nicholas Latifi, piloto canadense de ascendência iraniana, foi escolhido como seu substituto. Latifi nem havia estreado e alguns torcedores o acusaram de ser pagante e fizeram ofensas xenofóbicas ao Canadá. Não houve sequer pronunciamento da Williams a respeito disso.

 

Nicholas Latifi: nem estreou e os torcedores raivosos já o culpam pela quarta crise da Williams. (Foto: tomadadetempo.com) [12]

 

Em 2020, em meio à paralisação das atividades das escuderias devido à pandemia de Covid-19, Claire admitiu a possibilidade de venda total da Williams. Toto Wolff adquiriu 5% das ações do time em junho.

 

7- Afinal, de quem é a culpa?

 

Diferente do que alguns jornalistas tentam incutir na cabeça dos torcedores, a culpa pela crise da Williams NÃO é de Lawrence Stroll, muito menos de Lance Stroll, e nem de nenhum outro investidor ou piloto a quem a mídia tenta nomear desonestamente como “pagante”. A culpa é de ninguém a não ser a própria Claire Williams. Por ser filha do fundador da escuderia e gestora após o acidente do mesmo, Claire deveria administrar melhor a parte financeira para assegurar o controle do time em suas mãos. No entanto, os gastos excessivos que não foram traduzidos em resultados nas pistas levaram a escuderia a depender de investimentos externos. Ora, se o problema da Williams era dinheiro, como que a culpa pode ser de quem colocou dinheiro em seu caixa? Toto Wolff e Lawrence Stroll nada fizeram além de AJUDAR o time inglês no momento em que este mais precisava de auxílio. Pilotos e investidores não fazem carros, engenheiros fazem, e o departamento de engenharia comandado por Paddy Lowe teve dinheiro suficiente para desenvolver um bom projeto, mas falhou consideravelmente.

O fato de Lance ser filho de Lawrence não quer dizer absolutamente nada no assunto da crise financeira da Williams. A participação do piloto indígena garantiu à escuderia o quinto lugar do campeonato de construtoras em 2017 graças a seu terceiro lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão, justificando o investimento de seu pai na equipe. É óbvio que o desempenho do carro é responsabilidade do engenheiro e o controle financeiro compete aos donos da equipe, mas muitos não enxergam isso e, por ignorância ou falta de caráter, jogam a culpa em Stroll. A insistência da mídia em querer culpá-lo por todos os problemas que acontecem na Fórmula 1 atual, desde questões internas das escuderias até as da categoria como um todo, reflete dois fenômenos que acompanham a história da humanidade e foram responsáveis pelas maiores tragédias.

 

Essa frase de Einstein diz muito sobre o modo como a mídia trata Lance Stroll. (Foto: Pensador) [13]

 

Um deles é o antissemitismo, pois os grupos poderosos sempre tentaram culpar os judeus pelas mazelas do mundo e o fazem até hoje. Como a sociedade atual é mais consciente do problema da discriminação, a mídia apenas acusa Stroll e omite sua origem étnica (o motivo da perseguição) para não correr o risco de ser retaliada pela opinião pública. Alguns torcedores aceitam o discurso por compactuarem com essas ideias, outros são enganados facilmente, refletindo o que foi previsto por Theodor Adorno no século XX: há pessoas que aceitam passivamente tudo o que a mídia diz, sem questionar nada. No século XXI, Ben Shapiro comprovou a existência dessa face da mídia, notando que a mesma ignora os fatos e apresenta a narrativa como bem entender para cumprir sua agenda.

O outro fenômeno é o racismo estrutural. Mesmo com boas condições financeiras, Lance Stroll ainda pertence a grupos minoritários (pois é judeu e indígena), e a mídia tenderá a favorecer os grupos historicamente privilegiados (europeus e brancos). Com isso, comprovando a análise de Shapiro, ela ignora a incompetência administrativa de Claire Williams para jogar a culpa em Stroll, mesmo sem argumentos ou provas. Seu discurso acaba prevalecendo porque muitos torcedores não querem pensar, pois é mais cômodo aceitar o que é dito sem averiguar os fatos. Para alguns, pode parecer absurdo que discussões raciais sejam feitas no contexto da Fórmula 1, principalmente se tratando da falência de uma escuderia. No entanto, é humanamente impossível ignorar a perseguição doentia e injusta que a mídia e alguns torcedores fazem com Lance Stroll e os motivos devem sim ser desmascarados.

 

8- Conclusão

 

O mau gerenciamento financeiro da Williams colocou a equipe em quatro crises ao longo de sua história. Mesmo com bons investimentos e patrocinadores, o departamento de engenharia falhou sucessivamente em atualizar o carro para que os pilotos pudessem lutar por boas posições e colocar a equipe de volta ao topo do campeonato. A mídia preferiu culpar quem estava ajudando em vez dos responsáveis pela ineficiência do carro. O clima interno hostil afasta potenciais investidores, sob o temor de enfrentar entraves nas decisões (e se pertencer a uma minoria étnica, corre o risco de ser crucificado pela imprensa e torcedores e culpado por questões fora de sua responsabilidade). Logo, para a Williams só resta a venda da escuderia ou aprender com o passado e realizar uma mudança radical na sua postura.

 

Problema da Williams: sempre morde a mão que a alimenta. [14]

 

Atualização: No dia 21 de agosto de 2020 foi anunciada a venda total da Williams para o grupo americano Dorilton Capital.

 

9- Bibliografia

 

 

10- Fotos

Obs.: Nenhuma das fotos inseridas neste artigo, exceto a montagem, pertence a mim. Este site possui fins informativos, não comerciais. Abaixo estão indicados os links de onde tirei as fotos. Todos os direitos reservados.

 

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