Análise Grande Prêmio do Bahrein de 2020 | 2020 Bahrain Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 29 de novembro, o Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi uma corrida chocante. Um terrível acidente com Romain Grosjean (Haas) logo na primeira volta assustou a todos, mas graças a Deus o piloto francês saiu com poucos ferimentos. O resto da prova foi marcado por boas disputas por posições e abandonos inimagináveis.

Lewis Hamilton (Marcedes) largou da pole position ao lado do companheiro Valtteri Bottas. Max Verstappen (Red Bull) e Sergio Pérez (Racing Point), que completavam a segunda fila, ultrapassaram o finlandês logo nos primeiros momentos. Na parte de trás do grid, Pierre Gasly (AlphaTauri) e Esteban Ocon (Renault) espremeram Lando Norris (McLaren), que quebrou uma parte da asa dianteira. Charles Leclerc (Ferrari) tentou bloquear um avanço do companheiro Sebastian Vettel, que se moveu para a direita e forçou Lance Stroll (Racing Point) a sair do traçado para evitar uma batida. Logo após, Grosjean avançou contra Daniil Kvyat (AlphaTauri) e se chocou contra as barreiras. Seu carro se partiu ao meio e a metade onde ficou o piloto se incendiou. Um trabalho rápido da equipe de bombeiros salvou a vida de Grosjean, que foi encaminhado para o ambulatório e depois levado de helicóptero para o hospital. Desejamos uma boa recuperação a ele.

Com a gravidade do acidente, a bandeira vermelha foi acionada. Esperava-se que os pilotos seriam mais cautelosos após a relargada, mas Kvyat manteve seu conhecido estilo barbeiro e se chocou com Stroll. O carro do canadense virou de cabeça para baixo, mas graças a Deus o piloto saiu bem, sem ferimentos. O russo mais tarde foi punido com 10 segundos pela colisão. Além disso, Bottas teve um furo no pneu e precisou fazer uma troca, indo para os últimos lugares do grid. Por razões não explicadas, Vettel chegou a ficar em 18º por um bom tempo.

Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) foi um dos pilotos que mais tentou ultrapassagens, como em seu duelo com Kevin Magnussen (Haas). Outros destaques foram Carlos Sainz Jr. (McLaren), que travou uma disputa acirrada com Leclerc, e Daniel Ricciardo (Renault), que lutou constantemente contra Ocon. Os carros da Ferrari não tiveram um bom desempenho, fazendo com que Leclerc perdesse posições para Gasly e Alexander Albon (Red Bull) e Vettel tivesse dificuldades para superar adversários como Magnussen, George Russell (Williams) e seu companheiro Nicholas Latifi. No entanto, o monegasco se esforçou bastante para no mínimo chegar à zona de pontuação.

Faltando três voltas para o fim, Gasly sentiu um desgaste nos pneus e foi ultrapassado por Sainz. Algum tempo depois, após enfrentar um Latifi que não estava cumprindo a bandeira azul, Pérez foi forçado a abandonar pois seu motor falhou, incendiando a traseira do carro. O safety car foi acionado para a última volta. Albon herdou a posição do mexicano.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Max Verstappen em segundo e Alexander Albon em terceiro. Um dos maiores legados do Grande Prêmio do Bahrein de 2020 foi o reforço nas lições de segurança, principalmente a questão do halo. Desde 2018, quando a peça salvou a vida de Charles Leclerc no Grande Prêmio da Bélgica, a imprensa e os fãs diminuíram as críticas em relação à estética que ela garantia ao carro (apenas os “tiozões” que não saíram do século XX e Nico Hülkenberg em um exemplo de falta de humildade continuaram questionando o halo). Na corrida de hoje, temos mais um caso de como é importante que a estrutura do carro seja segura, pois se não fosse o halo, a cabeça de Romain Grosjean estaria exposta e ele seria decapitado, pois seu carro ultrapassou a barreira. Automobilismo é um esporte de risco, sim, mas as vidas humanas sempre devem ser a prioridade, e com os pilotos não é diferente. Esperamos que com o caso de Grosjean, aqueles que teimam em discutir a beleza dos carros de hoje em comparação com os de antigamente façam uma autocrítica, pois apostamos que se no lugar do francês fosse o filho de cada um desses “especialistas de moda”, eles estariam torcendo para que o halo “feio” salvasse a vida deste.

Quer deixar de ser barbeiro pelo menos uma vez na sua vida, camarada Kvyat?

Opinião da Rebeca:

Como explicado na análise, eu fico feliz de que aos poucos as últimas críticas ao halo estão caindo em descrédito. A vida de Romain Grosjean deve ser valorizada, o esporte não deve ser manchado por mais sangue inocente, como foram por exemplo os casos de Jules Bianchi e Ayrton Senna (só para citar dois). O acidente de hoje me lembrou um pouco do incêndio do carro de Niki Lauda no Grande Prêmio da Alemanha de 1976 e do de Jos Verstappen no Grande Prêmio da Alemanha de 1994, e como eu havia escrito em minha matéria sobre o tricampeão para o site Super Danilo F1 Page, os carros de hoje em dia utilizam um material menos tóxico justamente para evitar a inalação de substâncias altamente danosas em caso de incêndios. Lembrando que a fumaça do carro foi catastrófica para o pulmão de Lauda, que precisou de um transplante.

Falando sobre o resto da corrida, não foi uma das provas mais agradáveis na minha humilde opinião. Para não colocar em cheque minha credibilidade como jornalista e não correr riscos de ser processada, não direi o que Daniil Kvyat merece por ter sido um atleta totalmente anti-profissional. Também é uma pena que Sergio Pérez tenha tido um problema no motor faltando tão pouco para o fim. O mexicano merecia muito outro pódio. Por fim, deixo meu repúdio às reclamações sem sentido de Sebastian Vettel (“deveria ter batido mesmo”) e aos xingamentos de Lando Norris no rádio (embora o mesmo tivesse seus motivos, afinal um dos fiscais atravessou a pista quando o inglês estava passando).

Opinião da Adriana:

Eu nunca fui tão grata por uma corrida morna após o acidente de Grosjean logo na primeira volta e o acidente de Stroll na terceira volta. É um alívio ver em como a Fórmula 1 investiu em segurança após o acidente de Jules Bianchi. Obrigada, halo!

Tirando essas emoções fortes das primeiras voltas, a corrida foi calma (ainda bem!) e vimos mais uma vez o Bottas provando que mesmo que você tenha o melhor carro, nada vale se você não é um bom piloto. Entendo que seu pneu tenha furado logo no começo mas nem a sua corrida de recuperação gera algum tipo de animação ou ele prova que é competitivo. Tá difícil pro finlândes.

Todas as ultrapassagens me deixaram na ponta do sofá e o alívio dessa corrida ter terminado foi ótimo. Uma pena para Pérez que fazia uma ótima corrida e abandonou nas últimas voltas por uma falha no motor. Admito que o pânico voltou quando vi o fogo saindo. Mas ainda bem que ele saiu a tempo e está a salvo também.

Existem corridas que são para testar nosso coração e essa foi uma delas. Espero que as próximas emoções sejam apenas por conta de ultrapassagens e resultados inesperados.

Notas

Corrida: 8 (Rebeca) 6 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 8 (Rebeca e Adriana)
  2. Max Verstappen: 8 (Rebeca e Adriana)
  3. Alexander Albon: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  4. Lando Norris: 6 (Rebeca) 9 (Adriana)
  5. Carlos Sainz Jr.: 9 (Rebeca e Adriana)
  6. Pierre Gasly: 7 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Daniel Ricciardo: 8 (Rebeca e Adriana)
  8. Valtteri Bottas: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  9. Esteban Ocon: 7 (Rebeca e Adriana)
  10. Charles Leclerc: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 0 (Rebeca e Adriana)
  12. George Russell: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  13. Sebastian Vettel: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  14. Nicholas Latifi: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Kimi Raikkonen: 8 (Rebeca) 4 (Adriana)
  16. Antonio Giovinazzi: 4 (Rebeca e Adriana)
  17. Kevin Magnussen: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Sergio Pérez: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Lance Stroll: 10 de consolação
  3. Romain Grosjean: 10 de consolação

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Romain Grosjean

Melhor piloto: Charles Leclerc (Rebeca) | Carlos Sainz Jr. (Adriana)

Pior piloto: Daniil Kvyat (Rebeca e Adriana)

Análise Grande Prêmio da Turquia de 2020 | 2020 Turkish Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 15 de novembro, o Grande Prêmio da Turquia de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao país depois de nove anos. Um treino classificatório embaixo de chuva trouxe um grid de largada maravilhoso: pela primeira vez no ano, um piloto de uma equipe que não a Mercedes começa a prova do primeiro lugar. No entanto, imprevistos tornaram o resultado uma grande frustração.

Lance Stroll (Racing Point) largou da pole position ao lado de Max Verstappen (Red Bull). É a primeira vez que um canadense obtém a pole desde Jacques Villeneuve em 1997. Além disso, Stroll é o 101º piloto e o quinto mais jovem a ter esta conquista. Verstappen não teve uma boa largada e foi ultrapassado por vários concorrentes. Com o asfalto molhado, a primeira volta teve um toque entre Esteban Ocon (Renault) e Valtteri Bottas (Mercedes) e ambos saíram da pista, voltando logo em seguida, porém perdendo várias posições.

Na primeira metade da corrida não houve muitas ultrapassagens porque os pilotos buscaram dirigir cautelosamente. Lewis Hamilton (Mercedes) disputava o quinto lugar com Sebastian Vettel (Ferrari), mas saía da pista constantemente. Alexander Albon (Red Bull) acabou ultrapassando ambos. Com a troca de pneus de Stroll, Verstappen chegou a liderar a prova, mas depois de Sergio Pérez (Racing Point) parar nos boxes, a equipe chamou o holandês. Max e Checo lutaram pelo segundo lugar, com o mexicano à frente, mas o piloto da Red Bull rodou e perdeu a oportunidade de ultrapassar. O primeiro abandono foi de Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que estacionou seu carro na grama.

Muitos pilotos saíram prejudicados com a pista escorregadia. Um deles foi George Russell (Williams), que foi tocado por Lando Norris (McLaren). Parece que os comissários nem perceberam isso, mas notaram que Verstappen cruzou a linha do pit lane na saída dos boxes. Decidiram investigar o caso após a corrida.

Por incrível que pareça, a Racing Point se auto-sabotou: chamou Stroll para a troca de pneus, pois outros haviam feito o mesmo. No entanto, isso só prejudicou o canadense, cujo carro perdeu rendimento e, consequentemente, acabou terminando a prova em nono lugar. O maior beneficiado foi Hamilton, que depois de uma primeira metade de prova cheia de rodadas, fez um final de corrida quase sem erros (maneira semelhante à de Stroll até a burrada de sua equipe). Por outro lado, Bottas rodava mais e mais vezes, e por incrível que pareça continuou no páreo. Nicholas Latifi (Williams) e Romain Grosjean (Haas) se tocaram e o canadense abandonou a prova. O francês e seu companheiro de equipe Kevin Magnussen também se retiraram, mas próximo ao final da corrida.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Sergio Pérez em segundo e Sebastian Vettel em terceiro. O resultado do Grande Prêmio da Turquia de 2020 não foi como esperado, o que não significa que tenha sido dos melhores. Para melhor entendimento da questão, ler as opiniões das colunistas. Apesar de tudo, há uma coisa boa: Hamilton agora se consagrou heptacampeão mundial de Fórmula 1, igualando o recorde de Michael Schumacher.

A imagem fala por si própria.

Opinião da Rebeca:

A pole position de Lance Stroll é mais do que merecida. Sua estrela brilha cada vez mais forte. Ele e Max Verstappen são ótimos correndo na chuva. É uma pena que a capacidade cognitiva de seus estrategistas não seja diretamente proporcional. Mas isso não tira o valor da conquista.

Peço perdão a quem tenha gostado do resultado, mas eu particularmente não curti. Acredito que uma boa oportunidade de mudanças foi perdida por mais uma ideia jeguial da Racing Point. Entretanto, devemos continuar firmes e seguir em frente. Afinal, corridas são imprevisíveis e esta é a graça da Fórmula 1.

Opinião da Adriana:

Para mim, a corrida hoje foi agridoce. Mais uma vez vimos Lewis Hamilton provando sua grandeza ao conquistar mais um campeonato mundial, igualando Michael Schumacher e ele merece demais. Em um fim de semana que não foi perfeito, ele foi lá e mostrou do que é feito. O melhor do mundo fazendo o que sabe de melhor.

Outra coisa que me deixou muito feliz na corrida foi o segundo lugar de Pérez. O mexicano é bom, merece um lugar pro ano que vem e eu espero que consiga porque a performance de hoje foi perfeita.

Por outro lado, mais uma vez a Racing Point estragou a corrida de um de seus pilotos com uma estratégia péssima. Tantas equipes para copiarem e me copiam a Ferrari? Como diz um meme que eu amo usar: olha, sinceramente Britto… Stroll tinha tudo para ganhar sua primeira corrida, ganhar bons pontos para a equipe com uma sobrinha de primeiro e segundo lugar e eles fazem aquilo. Eu não tenho nem mais o que comentar sobre isso, além de que eu entendo os fãs do Checo agora.

Nunca achei Istambul Park aquele circuito todo, que muitos fãs alegam ser, e hoje a corrida foi extremamente anticlímax: prometeu mas não entregou nada. Não tenho dúvidas em quem escolher como melhor piloto, que é Hamilton. E como pior, assim como já fiz com a Renault antes, escolho uma equipe e esse prêmio vai para a Racing Point.

Notas

Corrida: 3 (Rebeca) | 5 (Adriana)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  2. Sergio Pérez: 10 (Rebeca e Adriana)
  3. Sebastian Vettel: 4 (Rebeca)
  4. Charles Leclerc: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Max Verstappen: 5 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Alexander Albon: 5,5 (Rebeca) 6 (Adriana)
  7. Lando Norris: 4 (Rebeca) 8 (Adriana)
  8. Lance Stroll: 10 (Rebeca: você é maravilhoso, mas sua equipe que não presta) 9 (Adriana)
  9. Daniel Ricciardo: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 6 (Adriana)
  11. Daniil Kvyat: 3 (Rebeca) 6 (Adriana)
  12. Pierre Gasly: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Valtteri Bottas: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)
  14. Kimi Raikkonen: 4 (Rebeca e Adriana)
  15. George Russell: 4 (Rebeca e Adriana)

 

Abandonaram

  1. Kevin Magnussen
  2. Romain Grosjean
  3. Nicholas Latifi
  4. Antonio Giovinazzi

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Sebastian Vettel (definitivamente, a voz do povo NÃO é a voz de Deus)

Melhor piloto: Lance Stroll (Rebeca) | Lewis Hamilton (Adriana)

Pior piloto: Valtteri Bottas (Rebeca e Adriana)

Pior equipe: Racing Point

Análise Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 | 2020 Emilia Romagna Grand Prix Analysis

Por Rebeca Pinheiro e Adriana Perantoni | By Rebeca Pinheiro and Adriana Perantoni

Ocorrido no dia 1º de novembro, o Grande Prêmio da Emília-Romanha de 2020 marcou a volta da Fórmula 1 ao Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola. Esta pista, usada pela última vez na categoria em 2006, foi palco de duas das maiores tragédias da história do automobilismo: as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em 1994. Para suprir o cancelamento de algumas corridas devido à pandemia de Covid-19, a Fórmula 1 optou por reviver provas que há muito tempo não eram disputadas. No caso de Ímola, a etapa teve o nome alterado: foi batizada de “Grande Prêmio da Emília-Romanha” depois de anos sendo chamada de “Grande Prêmio de San Marino”.

Valtteri Bottas (Mercedes) largou da pole position ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Max Verstappen (Red Bull) e Pierre Gasly (AlphaTauri) completaram a segunda fila. O francês, inclusive, usou um capacete em homenagem a Senna. Logo na primeira volta, Kevin Magnussen (Haas). Lance Stroll (Racing Point) teve um toque com a traseira de Esteban Ocon (Renault), forçando o canadense a trocar a asa dianteira. Além disso, foi o primeiro da corrida a colocar pneus duros.

Durante a primeira metade da prova, não houve muitos momentos marcantes. Carlos Sainz Jr. (McLaren) fez a única ultrapassagem desse tempo, sobre o companheiro Lando Norris. Gasly foi o primeiro a abandonar devido a um problema de motor. Verstappen se aproximava de Bottas, mantendo um ritmo melhor que o do finlandês. Mais tarde, o motor de Ocon obrigou o hispano-francês a estacionar o carro na grama. O safety car virtual foi acionado.

Daniil Kvyat (AlphaTauri) e Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) faziam uma boa corrida. O russo disputava posições constantemente com Alexander Albon (Red Bull) e Charles Leclerc (Ferrari). O finlandês se manteve firme entre os seis primeiros colocados. Enquanto isso, na frente do grid, Verstappen ultrapassou Bottas e Hamilton se consolidou como líder.

No entanto, a alegria do holandês não durou muito, pois rodou e parou na brita. O safety car entrou na pista e muitos aproveitaram para trocar os pneus. George Russell (Williams) rodou sozinho e quase bateu em Sainz, sendo o quarto a abandonar. O último a se retirar foi Magnussen, que após a saída do safety car sentiu enxaqueca.

A estratégia de troca de pneus foi essencial para o destino da corrida. A Racing Point chamou Sergio Pérez, que estava em terceiro lugar, para trocar os pneus, e o mexicano foi ultrapassado por Daniel Ricciardo (Renault), Kvyat, Albon e Leclerc. Em nenhum momento Bottas foi capaz de ameaçar Hamilton.

Lewis Hamilton foi o vencedor, com Valtteri Bottas em segundo lugar e Daniel Ricciardo em terceiro. O Grande Prêmio da Emília-Romanha deixou escancarado que Ímola é uma pista de emergência, pois houve pouquíssimas ultrapassagens e a corrida foi bem monótona até a segunda metade. A Fórmula 1 precisou improvisar para manter os investimentos pré-pandemia, e é compreensivo que algumas pistas não muito atrativas tiveram que ser usadas. No entanto, o resultado não é muito agradável, pois a corrida de hoje parecia com o Grande Prêmio da França em termos de marasmo. É como se a Fórmula 1 quisesse compensar o cancelamento de uma corrida chata fazendo outra corrida chata.

E aí, Kimi? Como foi a corrida?

Opinião da Rebeca:

Eu sinceramente acho uma falta de respeito reutilizar o Circuito de Ímola na Fórmula 1. Em uma época em que os carros são mais velozes, a categoria deveria aproveitar pistas que facilitam ultrapassagens, não que dificultam. Como descrito na análise, a primeira metade da corrida foi muito chata, com praticamente uma única ultrapassagem (de Carlos Sainz Jr. sobre Lando Norris). Estava quase desistindo de assistir àquela chatice, mas o meu trabalho falou mais alto.

Uma observação pessoal: não sei se apenas eu reparei nisso, mas o Autódromo Enzo e Dino Ferrari tem um formato de um ânus. Aí fica meio previsível como que vai terminar a corrida, não é?

Opinião da Adriana:

Eu vou ser sincera (como sempre sou) e dizer que eu quase desisti dessa corrida. E que bom que eu não desisti. 

Hoje, vou desconsiderar as primeiras 50 e poucas voltas e falar só das últimas porque foi aí que tudo começou a ficar bom. Eu fiquei muito triste com o abandono do Russell, foi de cortar o coração vê-lo daquele jeito. Mas eu tenho certeza que ele consegue um ponto até o final dessa temporada (ou pelo menos espero).

Não pensei que Ricciardo iria tão bem esse fim de semana. Inclusive sonhei que ele tinha um fim de semana horrível e não é que ele falou “hoje não”? E que bom, porque só um pódio incomum salvaria essa corrida.

Que alegria vê-lo mais uma vez no pódio, se consagrando como um grande piloto que sempre foi. As sete vitórias na Red Bull demonstraram isso mas os dois pódios pela Renault, que não promete em nada com seu carro intermediário, ele apenas confirma sua grandeza. E que venha a McLaren com motor Mercedes!

Mais uma vez, fico muito feliz com o desempenho de Pérez, que prova mais uma vez como merece uma vaga para o ano que vem. Por outro lado, Gasly, que vinha de um fim de semana forte e com um ótimo desempenho, teve que abandonar o GP logo nas primeiras voltas. Uma pena para o francês.

Kvyat parece que finalmente acordou (agora, você jura?) mas pelo o que Helmut Marko disse em entrevistas neste sábado, a vaga já é de Tsunoda. Já estou torcendo pelo japonês.

Enfim, eu tremi, gritei, fiquei nervosa e não acreditei que Ricciardo conseguiria outro pódio e ele conseguiu. Essa temporada está de parabéns por nos proporcionar esse tipo de entretenimento durante tempos tão difíceis para o mundo.

Notas

Corrida: 5 (Rebeca) 7 (Adriana: ela ainda foi chata pela maior parte do tempo, então é essa a nota)

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9 (Rebeca e Adriana)
  2. Valtteri Bottas: 7 (Rebeca e Adriana)
  3. Daniel Ricciardo: 9 (Rebeca) 10 (Adriana)
  4. Daniil Kvyat: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  5. Charles Leclerc: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  6. Sergio Pérez: 9 (Rebeca) 8 (Adriana)
  7. Carlos Sainz Jr.: 8 (Rebeca) 7 (Adriana)
  8. Lando Norris: 6 (Rebeca) 7 (Adriana)
  9. Kimi Raikkonen: 10 (Rebeca) 7 (Adriana)
  10. Antonio Giovinazzi: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  11. Nicholas Latifi: 8 (Rebeca e Adriana)
  12. Sebastian Vettel: 6 (Rebeca e Adriana)
  13. Lance Stroll: 6 (Rebeca e Adriana)
  14. Romain Grosjean: 3 (Rebeca) 5 (Adriana)
  15. Alexander Albon: 2 (Rebeca) 4 (Adriana)

Abandonaram

  1. George Russell: 3 (Rebeca) 8 (Adriana)
  2. Max Verstappen: 9 (Rebeca) 7 (Adriana)
  3. Kevin Magnussen: 3 (Rebeca) 4 (Adriana)
  4. Esteban Ocon: 4 (Rebeca) 5 (Adriana)
  5. Pierre Gasly: 10 de consolação (Rebeca) 8 (Adriana: ele estava indo muito bem até abandonar, deu dó)

Piloto do Dia (escolhido pelo público): Kimi Raikkonen

Melhor piloto: Kimi Raikkonen (Rebeca) | Daniel Ricciardo (Adriana)

Pior piloto: Alexander Albon (Rebeca e Adriana)