Análise GP do Azerbaijão de 2019 | 2019 Azerbaijan GP Analysis

Baku não é uma pista fácil. O circuito de rua da capital do Azerbaijão é conhecido por suas curvas fechadas e notórios acidentes (como o de Daniil Kvyat em 2017 e de Daniel Ricciardo e Max Verstappen em 2018). Foi o que aconteceu na classificação para o Grande Prêmio do Azerbaijão de 2019, que ocorreu no dia 28 de abril. No dia anterior, Charles Leclerc (Ferrari) bateu na Curva do Castelo e arruinou as chances de pole position. Chateado consigo mesmo, ele saiu do carro se chamando de burro. Foi o suficiente para a equipe de transmissão da Globo puxar ao máximo o saco do jovem piloto que até agora só serviu de capacho para o companheiro Sebastian Vettel, mesmo contra sua vontade.

Valtteri Bottas (Mercedes) fez a pole position, largando ao lado de Lewis Hamilton, seu companheiro. Vettel e Max Verstappen (Red Bull) completaram a segunda fila. Pouco depois da largada, Verstappen foi surpreendido por Sergio Pérez (Racing Point), mas a alegria do mexicano durou pouco e Max ultrapassou o concorrente. Pierre Gasly (Red Bull), Antonio Giovinazzi e Kimi Raikkonen (ambos da Alpha Romeo) largaram do pit lane, mas faziam boas provas de recuperação. Destaque também para as ultrapassagens de Lance Stroll (Racing Point), que deu bastante trabalho para Daniel Ricciardo (Renault).

Leclerc largou em nono, mas pouco tempo depois já estava em quinto lugar, chegando até a ultrapassar Verstappen. Com as paradas da maioria dos pilotos, ele assumiu a liderança da prova, para delírio do narrador Luis Roberto, que descaradamente torceu para Leclerc confundindo sua função de narrador com o de torcedor. A babação de ovo era tamanha que, como dizemos no Brasil, se eu desse um chute no saco do Leclerc, quebrava os dentes do Luis Roberto.

Dica: Pare de ficar puxando saco de piloto e aprenda a falar os nomes corretamente. O russo, por exemplo, se chama DANIIL Kvyat, não Daniel Kvyat!

Mesmo bem à frente, Leclerc não conseguiu impedir a aproximação da dupla da Mercedes. Bottas e Hamilton passaram o monegasco, que demorou bastante para trocar os pneus. Ele acabou voltando para a pista em sexto, atrás de Verstappen, que fazia voltas cada vez mais rápidas. Era possível estranhar que até então não houve nenhuma batida feia ou acidente. Foi quando começaram as encrencas: Romain Grosjean (Haas) deu um cavalo de pau na área perto da Curva do Castelo e voltou para a pista em situação um pouco arriscada, mas não atingiu ninguém. Mais tarde, nesse mesmo lugar, Ricciardo e Daniil Kvyat (Toro Rosso) também se atrapalharam: o australiano foi reto para a área de escape em vez de fazer a curva e o russo acabou indo na mesma direção para evitar colidir. Ao dar ré, Ricciardo acabou acertando Kvyat. Esses três pilotos abandonaram a prova. Depois foi a vez de Gasly, acionando o safety car virtual.

Verstappen se aproximava de Vettel, mas deu uma balançada no carro e acabou perdendo tempos preciosos. Bottas também assumiu a volta mais rápida, que depois foi superada por Hamilton e em seguida por Leclerc. A dupla da escuderia alemã protagonizou um bom duelo pela vitória nas últimas voltas.

Valtteri Bottas foi o vencedor, seguido por Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. O ano de 2019 trouxe uma das edições mais simplórias do GP do Azerbaijão: nenhuma das características marcantes do evento estava presente. Para completar, a narração da Globo foi péssima, desrespeitando os torcedores dos outros pilotos como se o público fosse obrigado a torcer para Charles Leclerc. Entendo a situação dele, e lamento que a Ferrari o humilhe tanto nas corridas, mas a Fórmula 1 não se sustenta apenas com os fãs dele. Se não sabe separar a parte profissional da parte afetiva, não assuma como narrador. Cleber Machado faz narrações muito melhores. #ficaadica

Narrar é uma coisa, torcer é outra

Notas

Corrida: 6

Pilotos

  1. Valtteri Bottas: 10
  2. Lewis Hamilton: 10
  3. Sebastian Vettel: 9
  4. Max Verstappen: 10
  5. Charles Leclerc: 9
  6. Sergio Pérez: 9
  7. Carlos Sainz Jr.: 9
  8. Lando Norris: 9
  9. Lance Stroll: 8
  10. Kimi Raikkonen: 7
  11. Alexander Albon: 6
  12. Antonio Giovinazzi: 5
  13. Kevin Magnussen: 3
  14. Nico Hülkenberg: 3
  15. George Russell: 1
  16. Robert Kubica: 1

 

Abandonaram

  1. Pierre Gasly: 8
  2. Romain Grosjean: 3
  3. Daniil Kvyat: 3
  4. Daniel Ricciardo: 3

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Charles Leclerc (como puxam o saco da criatura!)

Melhor piloto: Valtteri Bottas

Pior piloto: Robert Kubica

Análise GP da China de 2019 | 2019 Chinese GP Analysis

Para uma corrida que prometia ser épica, por ser a 1000ª edição da Fórmula 1, o Grande Prêmio da China de 2019, que ocorreu no dia 14 de abril, foi uma decepção. O Circuito de Shangai, que em 2017 foi palco de boas ultrapassagens, foi palco de um espetáculo monótono e sem momentos marcantes.

Valtteri Bottas (Mercedes) foi o pole position, largando ao lado do companheiro Lewis Hamilton. Sebastian Vettel e Charles Leclerc, ambos da Ferrari, largaram em 3º e 4º respectivamente. Leclerc passou Vettel logo após a largada e pouco tempo depois do início, Hamilton assumiu a liderança. A dupla da Red Bull, Max Verstappen e Pierre Gasly, se enfrentou no começo, com o holandês saindo melhor.

Também no começo da prova, Daniil Kvyat (Toro Rosso) se chocou com a dupla da McLaren, formada por Carlos Sainz Jr. e Lando Norris. O primeiro sofreu alguns danos no balanço do carro, enquanto que o segundo foi arremessado para cima e perdeu partes da asa, embora tenha voltado para a prova. Kvyat foi punido com um drive-through (teve que passar pelos boxes sem parar antes de voltar para a corrida).

Leclerc estava em terceiro quando a Ferrari o ordenou a deixar o companheiro passar. Embora não concordando, ele acatou a ordem.  Algum tempo depois, ele estava mais rápido que Sebastian, mas a escuderia não deixou ele ultrapassar. Mais para frente, Verstappen tentou um undercut em Vettel (parou primeiro nos boxes na esperança de passá-lo quando o adversário fizesse a parada depois). Mas a reação da Ferrari foi rápida e após o pit stop, Sebastian voltou pouco à frente de Max. O holandês tentou passar, e conseguiu por pouco, mas o alemão aproveitou um pequeno erro do concorrente e retomou a posição.

No meio do grid, quem fazia uma boa corrida era Kimi Raikkonen (Alpha Romeo, antiga Sauber), que largou em 13º mas brigou com vários adversários em sua luta pelos pontos. Kimi chegava a ficar muito próximo de alguns, enquanto deixava outros muito longe. Um exemplo de briga foi com o com Kevin Magnussen (Haas), com quem Raikkonen teve uma disputa acirrada, mas levou a melhor.

Nico Hülkenberg (Renault) foi o primeiro a abandonar a prova por problemas no motor. Em seguida, Kvyat e Norris, afetados pelo acidente no começo da corrida também abandonaram. Poucos metros antes do final da prova, Gasly fez a volta mais rápida, superando o tempo de Vettel. Com isso, ele conseguiu o ponto extra e marcando a primeira vez em que um carro com motor Honda faz a volta mais rápida desde o GP da Hungria de 2017, quando Fernando Alonso o fez com a McLaren.

Lewis Hamilton venceu a corrida, seguido por Valtteri Bottas e Sebastian Vettel. O pódio não teve uma comemoração muito animada, nem por parte dos organizadores, nem por parte da torcida. Isso reflete que algumas políticas da Fórmula 1 precisam acabar, como as ordens de equipe que a Ferrari usa e abusa. Charles Leclerc não merece ser humilhado em todas as provas, principalmente após a escuderia impedi-lo de ultrapassar na Austrália e problemas mecânicos lhe roubarem a vitória no Bahrein. Caso a Fórmula 1 não tome providências para permitir a competição de igual para igual entre equipes e pilotos, o esporte perderá cada vez mais fãs, e não serão participações especiais de atores e músicos no paddock que vão atraí-los de volta. Quem vê Fórmula 1 quer ver carros, ultrapassagens e pilotos, não celebridades da mídia mainstream.

Pobre Charles… de novo

Notas

Corrida: 5

Pilotos

  1. Lewis Hamilton: 9
  2. Valtteri Bottas: 9
  3. Sebastian Vettel: 8
  4. Max Verstappen: 7
  5. Charles Leclerc: 7
  6. Pierre Gasly: 7
  7. Daniel Ricciardo: 8
  8. Sergio Pérez: 8
  9. Kimi Raikkonen: 10
  10. Alexander Albon: 7 (bela recuperação após o acidente no 3º treino livre que o tirou da classificação)
  11. Romain Grosjean: 5
  12. Lance Stroll: 4 (esperava mais de você, Lance; parecia que você nem queria ultrapassar)
  13. Kevin Magnussen: 4
  14. Carlos Sainz Jr.: 4
  15. Antonio Giovinazzi: 3
  16. George Russell: 2
  17. Robert Kubica: 2

Abandonaram:

  1. Lando Norris: 3
  2. Daniil Kvyat: 0
  3. Nico Hülkenberg: 3

 

Driver of the Day (escolhido pelo público): Alexander Albon

Melhor piloto: Kimi Raikkonen

Pior piloto: Daniil Kvyat